Palavras
Marriner W. Merrill
Alegro-me, meus irmãos e irmãs, em estar aqui nesta manhã, e fico contente em ver conosco o Presidente Woodruff e tantos do Conselho dos Apóstolos. As pessoas que vêm de longe para a conferência têm ansiedade de ver e ouvir a Presidência da Igreja, especialmente o Presidente Woodruff, que é tão amado e honrado por todos os Santos dos Últimos Dias. Esta é a sexagésima quarta conferência anual da Igreja. Quando a primeira foi realizada, a maioria de nós estava no mundo espiritual. Não havíamos nascido. Mas, na providência do Senhor, estamos aqui e associados a esta obra que Ele revelou e estabeleceu por meio de Seus servos designados. Somos, de fato, muito afortunados por termos parte nesta gloriosa obra do Senhor, e Ele dispôs que ninguém precise andar às escuras, mas que cada membro da Igreja possa ter a luz, a inspiração e o testemunho do Espírito Santo. Todo membro da Igreja, a meu ver, tem direito a uma evidência da missão divina do Profeta Joseph, e está ao seu alcance ter um testemunho a respeito dos Apóstolos e Profetas que dirigem os negócios da Igreja atualmente. Não que seja nosso direito ou prerrogativa ter revelação dirigindo os negócios da Igreja; mas podemos ter as revelações do Espírito de Deus para nós mesmos, para que sejamos firmes e permaneçamos sobre a rocha, para que, quando vierem os ventos e rugirem as tempestades, não sejamos abalados. Vimos ocasionalmente pessoas infelizes que presumiram ter revelações para dirigir outras pessoas. Vimos homens se levantarem no meio do povo, tendo a sensação de que eram importantes e tinham direito, em alguns casos, de dirigir os negócios da Igreja. Pessoas sensatas e ponderadas olharão para essa classe com piedade. O Senhor tem Sua obra organizada. Ele tem Seus servos designados para trabalhar nos vários chamados do Sacerdócio, e Ele deu instruções minuciosas de como e sobre quem o Sacerdócio deve ser conferido. Todos os quóruns têm suas presidências, e o Senhor deu essas coisas em detalhe. Tenho pensado, às vezes, que, como Estacas e Alas, não damos a este assunto a consideração que é necessária. Há jovens que nasceram e foram criados na Igreja, e de pais dignos, que aparentemente têm sido negligenciados quanto aos chamados no Sacerdócio. Creio que o Senhor determinou que os irmãos devessem subir em sua ordem regular nas ordenações do Sacerdócio; primeiro, diáconos; segundo, mestres; terceiro, sacerdotes; quarto, élderes, e assim por diante. ¶
"Portanto, de diácono para mestre e de mestre para sacerdote e de sacerdote para élder, cada um, respectivamente, conforme for designado, segundo os convênios e mandamentos da igreja." Doutrina e Convênios, Seção 107, versículo 63. ¶
Já encontramos, algumas vezes, jovens que vinham ao Templo receber suas bênçãos sem nunca terem sido ordenados ao ofício de Diácono e sem nunca terem tido nenhuma experiência nos chamados do Sacerdócio Menor, e, por necessidade, tinham então de ser ordenados Élderes. Creio que, se isso fosse devidamente considerado pelas Estacas e Alas em Sião, esses jovens seriam trazidos aos quóruns do Sacerdócio Menor em sua juventude; e, via de regra, eles estão dispostos, se houver alguém para cuidar deles e dar-lhes um pouco de experiência em seus chamados. Deveríamos dar mais atenção a isso, para que nossos jovens cresçam e se tornem valentes no testemunho da obra de Deus. Lemos no Livro de Mórmon um incidente que deveria ser uma lição para nós a este respeito. Os antigos habitantes desta terra, naquele tempo, tinham guerras frequentes, e, em certa ocasião, dois mil jovens pegaram em armas na defesa de seu país. Eram jovens que haviam sido ensinados, sob a direção de suas mães, a crer em Deus, e tinham poderosa fé nEle; e, quando foram à batalha, lutaram com força milagrosa, e tão grande era sua fé em Deus que nenhum deles foi morto. Essa fé havia brotado em seus corações como resultado de sua educação e formação precoces. Este é um bom exemplo para seguirmos. Como pais, temos ansiedade em relação a nossos filhos e filhas. Queremos vê-los valentes na obra de Deus e cheios de fé. Queremos vê-los dispostos, quando chamados, a irem numa missão pregar o Evangelho, e ficamos muito tristes se os ouvimos apresentar alguma desculpa. Sendo este o caso, é importante que consideremos a condição e as circunstâncias de nossos filhos enquanto estão sob nossos cuidados. Quando saem de nós, perdemos mais ou menos nossa influência sobre eles; mas, enquanto estão conosco, deveríamos nos empenhar em ensinar-lhes, em toda a linha, os princípios do Evangelho, aqui um pouco e ali um pouco, à medida que suas mentes forem capazes de compreender as doutrinas da Igreja. Quando falhamos nisso em relação a nossos jovens, falhamos até esse ponto em cumprir nosso dever, e talvez venhamos a ter tristeza e arrependimento por causa de nossa negligência em ensinar e instruir conforme o Senhor determinou que devêssemos fazer. O Senhor não tem sido negligente quanto a isso; pois Ele nos deu Sua palavra de que "se em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado." Doutrina e Convênios, Seção 68, versículo 25. Sei que há um sentimento em meio a nosso povo (não sei quão difundido seja) de deixar as crianças sem batismo até que cheguem à idade de responsabilidade, quando podem escolher por si mesmas. O Senhor diz que isso está errado. Deus nos confiou essas crianças, e presumimos exercer controle ou jurisdição sobre elas e ensiná-las em todos os caminhos do Senhor. Tenho ouvido frequentemente comentários deste tipo, e tenho pensado que tais pais ainda não receberam o testemunho do Espírito de Deus a respeito da divindade desta obra, porque, se temos esse testemunho em nossos corações, então oh! a ansiedade que temos de que nossa prole sejam homens e mulheres honrados na Igreja de Cristo. Creio que somos, em certo grau, responsáveis quanto à formação e educação dos jovens. Creio que, em alguns casos, estamos dispostos a que eles se excedam em diversões. Deixamos que se excedam em muitas coisas que não são agradáveis aos olhos do Senhor. ¶
Atualmente parece haver uma mania entre o povo pelo jogo de cartas. Frequentemente vemos nos jornais que Fulano de Tal deu uma bela festa de cartas, e relatam os diferentes jogos praticados. Ora, não sei realmente se há algum mal particular num jogo de cartas. Não sou juiz nesta questão, porque nunca aprendi a distinguir uma carta de outra. Sou bastante ignorante para falar sobre cartas quando nada sei a respeito delas, não é mesmo? Mas tive alguma experiência ao considerar este assunto e estudar os resultados desse jogo social de cartas. Talvez o problema não esteja no jogo em si, mas no fascínio que dele resulta. As pessoas ficam fascinadas pelo jogo. Já soube, em minha experiência, de casos em que jovens acordavam de noite e saíam da cama para jogar cartas. Creio que isso leva ao mal, e não penso que seja algo bom para nosso povo se entregar ao excesso em que tem sido e está sendo praticado por toda a Igreja no presente momento. Deveríamos exercer nosso juízo e considerar o bem-estar de nossos filhos; pois, por causa disso, alguns se tornaram jogadores. Não precisaríamos ir muito longe para encontrar tais casos. Perderam sua fé, assim como seu dinheiro, e muitos morreram na desgraça. Não estou preparado, meus irmãos e irmãs, para condenar esta diversão em sua totalidade; mas digo que, quando chega ao excesso, é uma coisa má. Onde as pessoas ficam acordadas até horas incomuns da noite para se entregarem a esses jogos, digo-lhes que é uma coisa má, porque o vinho e a cerveja têm de ser trazidos, para que os jogadores sejam estimulados a continuar o jogo, e sempre que isso ocorre, podem ter certeza de que é errado. Creio que podemos exceder-nos nessas diversões que o Senhor gentilmente nos permitiu praticar. Podemos exceder-nos na dança de salão, por exemplo. É correto e apropriado que as pessoas tenham reuniões sociais e diversões; mas cuidemos, meus irmãos e irmãs, para que não nos excedamos nessas coisas. Quando o fazemos, entristecemos o Espírito do Senhor, e Ele Se afasta, "e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade desse homem. Eis que, antes de o perceber, é abandonado a si mesmo, para recalcitrar contra os aguilhões, perseguir os santos e lutar contra Deus." Doutrina e Convênios, Seção 121, versículos 37 e 38. ¶
Deveríamos ser ponderados nesses assuntos e cuidar bem do bem-estar e da devida formação de nossos filhos, porque queremos vê-los como homens e mulheres honrados na terra. Nossos corações se enchem de alegria quando eles vão ao estrangeiro pregar o Evangelho e escrevem de volta contando como estão prosperando e como o Senhor tem escutado suas orações. Que alegria isso traz à alma do pai, da mãe e dos parentes! Deveríamos ter ansiedade nesse sentido. Em vez de sentir, quando nossos filhos são chamados a ir ao estrangeiro, "Ah! não sei onde arranjar os meios, nem como enviá-lo", deveríamos sentir-nos dispostos a fazer todo esforço para enviar nossos filhos de acordo com os mandamentos do Senhor. Creio que a grande maioria do povo sente-se assim. ¶
O Senhor nos chamou para edificar Sião e estabelecer Seu reino. Ele nos chamou para trabalhar no ministério. Ele não nos chamou aqui para nos engrandecermos. Aqui temos diante de nós veteranos que trabalharam a vida inteira para edificar Sião. Foram em missões, sem alimento ou vestimenta deixados para suas famílias; mas Deus os sustentou. Não trabalharam pelas riquezas deste mundo; mas trabalharam pela salvação das almas dos homens. Agora Deus os está honrando; Ele os está elevando diante dos Santos e do mundo, dando-lhes bênção e glória, e por fim lhes dará vidas eternas. E este será o caso se nos esforçarmos com todo o nosso vigor para sustentar Sião e a obra de Deus. Espero que este seja nosso destino, em nome de Jesus. Amém. ¶