Pulpit

Palavras

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Abril de 1894·Sessão da Tarde de Sábado·1894-04-07

Precisarei da assistência da congregação nesta tarde, a fim de me fazer ouvir e falar das coisas que farão bem. Sinto minha dependência do Senhor por Seu Espírito e por força para cumprir meu dever nesta ocasião. Tivemos uma variedade de assuntos tratados durante nossas reuniões, tendo dez dos Doze Apóstolos se dirigido a vós, cada um deles tendo falado sobre um ou mais assuntos diferentes—todos de interesse para o povo, e é necessário que essas coisas sejam ponderadas cuidadosamente por nós, para que nosso reunir-nos não seja em vão.

O Coral do Tabernáculo.

Há algumas poucas coisas que gostaria de chamar vossa atenção. Uma delas é o concerto que será dado aqui esta noite pelo Coral do Tabernáculo. Talvez muitos dos Santos dos Últimos Dias não estejam cientes de que é por meio dos proventos desses concertos que o Irmão Evan Stephens e o Coral conseguem cobrir suas despesas legítimas e necessárias—e as despesas de um coral tão grande não são de modo algum insignificantes. Precisam obter sua música, e há muitas outras despesas ligadas a seu trabalho; e levantam meios para cobrir essas despesas dando ao povo sua deliciosa música. É por meio da prática e do trabalho incansável que alcançaram a proficiência que atingiram, pela qual, como sabeis, foram à Exposição Mundial no verão passado, e, se lhes tivesse sido feita justiça, teriam sem dúvida levado o primeiro prêmio como os melhores cantores, competindo com todos aqueles concorrentes dos Estados Unidos e de países estrangeiros. Sem ser autoridade no assunto, meu veredito, dado ali mesmo, foi que o Coral do Tabernáculo de Salt Lake levou o primeiro prêmio na Exposição, mas lhes foi concedido o segundo. Tendo dito isto, convido toda esta congregação a estar presente esta noite, custe o que custar. Não vos custará muito, e recebereis o valor de vosso dinheiro, se amais música. Se não amais música, deveríeis vir aqui e deixar despertar em vós um pouco desse amor.

Escola Dominical e Turmas Normais da Y.M.M.I.A.

Suponho que os Santos dos Últimos Dias estejam geralmente cientes de que temos Escolas Dominicais, que são de vasta importância para nossos filhos, e que são necessárias para o bem de nossa juventude. É necessário, neste estágio avançado de nossos procedimentos e experiência, que homens e mulheres tenham oportunidade de se qualificarem para o trabalho e o dever de instrutores da Escola Dominical. Para este propósito, estabelecemos na Academia Brigham Young, em Provo, uma turma normal, à qual professores da escola dominical podem ir e receber instrução da melhor inteligência e sob as melhores regras que conhecemos, pelas quais podem se qualificar para ensinar as crianças na Escola Dominical de forma mais eficiente e eficaz. Para cobrir as despesas desta turma normal na Academia Brigham Young, foram feitas provisões pelas autoridades da escola dominical.

Há também Associações de Melhoramento Mútuo organizadas por toda a terra. Nessas associações, muitos jovens receberam aquele impulso na obra do Senhor que fez dele, em vida posterior, um ministro bem-sucedido do Evangelho às nações da terra. Vossos filhos que frequentam essas associações vos darão orgulho e alegria quando forem chamados a sair ao mundo para pregar o Evangelho, porque, tendo frequentado essas associações e se qualificado para pregar o Evangelho, saem preparados para enfrentar os erros e as tradições dos homens, e para defender os princípios do Evangelho com poder e na demonstração do Espírito de Deus. Fazem honra a si mesmos e à causa que representam; fazem honra a seus pais; e fazem honra às associações em que receberam sua preparação. Contudo, essas associações estão relativamente em seus primórdios, e é necessário muito mais trabalho para torná-las mais eficazes na educação e qualificação de nossos jovens para esta obra. A fim de melhor ensinarmos nossos jovens a respeito desses assuntos, estabelecemos também uma turma normal na Academia Brigham Young, em Provo, onde hoje há de sessenta a noventa jovens presentes, de todas as partes do país, fazendo um curso de instrução de dez semanas, para que voltem para casa e se tornem, por sua vez, professores dos jovens das associações a que pertencem. Mas, infelizmente para as Associações de Melhoramento Mútuo dos Rapazes, não tivemos tanto êxito quanto a escola dominical em arrecadar meios para o pagamento das despesas de ensinar essa grande turma de nossos jovens irmãos; e ficou acordado, pela Superintendência Geral, que cinquenta centavos por ano sejam exigidos de cada membro das associações, a fim de cobrir isto e outras despesas ligadas à publicação dos livros de registro, certificados e cartas circulares que são necessários. O propósito de referir-me a este assunto aqui é dizer, diante do Presidente da Igreja (que é também o Superintendente Geral da Y.M.M.I.A.) e dos Doze Apóstolos, e dos Presidentes de Estacas e Bispos, bem como daqueles que estão mais diretamente associados à obra de melhoramento mútuo, que esperamos arrecadar dos membros dessas associações a soma de cinquenta centavos por ano de cada um, a fim de cobrirmos nossas despesas legítimas; assim como o coral precisa de meios para cobrir suas despesas, também nós precisamos para cobrir as nossas; ao obterem as suas, eles vos dão música e prazer; nós ajudamos a educar vossos filhos. O mesmo com as escolas dominicais. Que benefício recebe o povo dessas fontes? Podeis calcular o valor dessas instituições em dólares e centavos? Não podeis; e, contudo, custa-vos muito pouco, enquanto preparais um corpo de homens e mulheres inteligentes e valentes para esta boa obra, pela pequena contribuição exigida. Assim preparais vossos filhos para serem ministros do Evangelho, defensores da fé, e expoentes dos princípios de vida e salvação para o mundo, mediante a mera contribuição desta soma insignificante de cinquenta centavos por ano. Os pais deveriam instar seus filhos a serem fiéis a este pequeno dever; e os filhos que não têm condições de se prover deveriam pedir a seus pais que os ajudassem, para que não permitamos que esses interesses fiquem sem cuidado e sem sustento, sendo eles meios de benefício para todo o povo da Igreja.

Jogo de Cartas.

O Irmão M. W. Merrill referiu-se ontem ao assunto do jogo de cartas. Não desejo prolongar a reunião voltando a este assunto, mas apenas mencioná-lo a fim de enfatizar, se puder, o que ele disse. Quero contar-vos uma circunstância que ouvi. Penso que a pessoa está nesta casa, a que me contou, e por isso serei muito cuidadoso em contar-vos apenas o que ouvi dessa pessoa, por medo de ser acusado de exagerar os fatos. Esta pessoa é idosa, confiável, e uma boa Santa dos Últimos Dias. Não vou dizer-vos se era uma mulher ou um homem; de qualquer forma, não vos direi, se puder evitá-lo, embora possa escapar. Esta pessoa me contou que foi a Manti para cuidar de algum trabalho no Templo. Enquanto estava em Manti, ela (risos) ou ele estava hospedada numa casa onde várias outras pessoas estavam hospedadas, que haviam ido a Manti com propósito semelhante ao que meu informante fora. Depois da ceia, tendo-se reunido várias pessoas, surgiu a questão: "O que faremos para passar o tempo?" E decidiu-se que o melhor e mais proveitoso, o mais intelectual e útil emprego do tempo, dali até as três horas da manhã seguinte, era sentar-se às mesas e jogar cartas. Um cavalheiro cuja esposa estava num povoado distante, a fim de que ela pudesse estar presente para desfrutar deste jogo de cartas, mandou chamá-la, por toda a distância até sua casa, e convidou-a a vir de trem e participar. Meu informante também foi convidado a jogar, mas recusou, embora estivesse ali e testemunhasse o prazer dos demais até uma hora tardia, e finalmente se recolhesse para dormir, mas foi informado no dia seguinte de que aquele grupo continuara jogando cartas até as três da manhã.

Eis um exemplo de pessoas que foram administrar nas ordenanças da Casa de Deus por seus mortos, ocupando seu tempo no hábito, pior que ocioso, de jogar cartas. Digo que isto foi um mal. Digo que o mal crescerá a partir de práticas como esta; e digo que todo Santo dos Últimos Dias, quer vá ao Templo, quer fique em casa, deveria se constituir num mestre com relação a este assunto, e voltar seu rosto como um sílex contra esta prática má e perniciosa. O melhor que se pode dizer dela é que não há bem algum nela, exceto matar o tempo; e, se as pessoas têm tempo que podem assassinar desta maneira, têm mais lazer em suas mãos do que jamais tive. Chamo isso de assassinato do tempo; e não apenas isso, mas o assassinato da espiritualidade dos homens e mulheres que se entregam a tal prática. Sua tendência natural é para o mal, e não para o bem. Perguntei a uma pessoa que bem havia nisso, e me foi dito: "Ah, mata o tempo!" Esta é a única virtude que já ouvi mencionada a respeito do jogo de cartas. Não distingo o jogo de cartas como algo pernicioso em contraposição a outras práticas que simplesmente tendem a consumir o tempo, a desperdiçar momentos preciosos e a embotar a sensibilidade da cabeça e do coração. Qualquer coisa que tenda a um desejo mórbido por aquilo que não é benéfico é um pecado aos olhos de Deus, e deveria ser condenada, seja o que for. Não é mais o jogo de cartas do que o jogo de damas, se o jogo de damas é praticado a ponto de desperdiçar o tempo. Talvez um seja tão pernicioso quanto o outro, embora eu não tenha notado, em minha vida, a mesma tendência ao mal em jogar damas por diversão quanto há em jogar cartas. Segundo entendo, são necessários quatro ou mais para formar uma boa partida de cartas, e passam a trapacear uns aos outros e a praticar fraude a fim de vencer. Isso não podeis fazer nas damas. Sei um pouco sobre damas eu mesmo. Protesto contra toda prática que não tenha melhor recomendação do que o desperdício do tempo precioso. Declaro-a errada. E digo aos Santos dos Últimos Dias que a ociosidade é uma daquelas coisas registradas nas revelações de Deus a esta Igreja como um mal, ao qual não deveríamos nos entregar, "pois aquele que é ocioso não comerá o pão nem vestirá as vestes do trabalhador", e "o ocioso não terá lugar na Igreja, a menos que se arrependa e corrija seus caminhos." O jogo de cartas cria a ociosidade, e pior do que isso. Muito se poderia dizer para vos mostrar o grande perigo que há de as pessoas que se entregam a esta prática serem levadas de passo em passo até se tornarem jogadoras—e pior do que isso; pois um crime leva a outro, e, quando os homens começam pelo caminho do crime, por menor que seja o começo, avançam com velocidade acelerada quanto mais tempo continuam nesse caminho, até finalmente caírem em completa ruína.

Dança de Salão.

Vou pregar mais um pequeno discurso a respeito da dança de salão. Estive recentemente pelo interior, visitando as conferências, e num certo lugar soube que o Presidente da Estaca finalmente havia concluído que a Presidência da Igreja havia abrandado sua objeção à dança de salão, e ele mesmo havia efetivamente ido dançar dessa maneira. Onde quer que eu tenha estado, os Presidentes de Estacas me perguntaram qual é o desejo da Presidência da Igreja com relação a esta prática da dança de salão; pois dizem que, nas festas em Salt Lake City e naquelas realizadas no teatro, a dança de salão é a última moda, e "seria possível para nós impedir esta prática aqui, quando ela prevalece tanto na sede?" A questão é: terá a Presidência da Igreja abrandado quanto a este assunto, e aconselha agora ao povo que dance de salão à vontade? Ora, não suponho que resultaria mais mal de duas pessoas inocentes dançando uma valsa (se pessoas inocentes fazem tal coisa) do que resultaria de um jogo de cartas. Duas ou três pessoas poderiam sentar-se e jogar uma partida de cartas, e nenhum mal resultaria disso, por aquela única vez; mas, se se entregassem a isso até ficarem fascinadas por aquilo, então resulta em dano e pode levar à destruição. Assim é com relação à dança de salão; as pessoas ficam fascinadas por ela. É uma prática, para dizer o mínimo, da qual nada pode possivelmente resultar que seja capaz de melhorar a condição da humanidade ou elevar o padrão moral de homens e mulheres. Portanto, o Santo dos Últimos Dias não deveria pisar onde nenhum bem pode ser encontrado. Não deveríamos cruzar a linha de nosso próprio terreno para o do adversário; pois, quando o fazemos, colocamo-nos em seu poder, e ele tirará vantagem de nós, se puder. Penso que posso dizer com segurança aqui, falando como falo na presença das autoridades da Igreja, que a Primeira Presidência não encoraja, não endossa e não recomenda a dança de salão. Pelo contrário, deploram-na. Lamentam que alguns de nossos jovens a desejem e a ela se entreguem, apesar do conselho; e esperamos e oramos para que chegue o dia em que darão mais atenção estrita aos conselhos de homens que têm experiência, e cujo único desejo é o bem-estar da juventude de Sião. Não vos damos conselho com o propósito de reduzir vosso lazer legítimo. Preferiríamos aumentar vosso lazer de toda maneira apropriada. Mas isso não é algo que aumentará vosso lazer, em última análise, porque sua tendência é para a paixão, a luxúria e a imoralidade. Alguns podem me chamar de antiquado por fazer esta declaração; mas eu mesmo fui jovem, e passei pelas fases da juventude, como muitos as estão passando hoje. Tive talvez uma experiência que alguns de meus amigos mais jovens não tiveram; e digo, sem temor de contradição bem-sucedida, que a dança de salão é um mal, porque, se nada mais, não há bem algum nela. Além disso, é errada porque o mal pode resultar dela, e frequentemente um mal muito grande também. Como resultado deste contato familiar entre homens e mulheres na dança, sua modéstia natural, e aquele respeito recíproco, e o devido decoro que deveria existir entre homens e mulheres, são quebrados. Ficam familiarizados com o toque e os sentimentos um do outro de uma maneira que conduz a um mal maior. Portanto, digo que é um mal em Sião. E penso que posso dizer, falando em nome da mente da Presidência da Igreja sobre este assunto, que a deploramos, e desejamos que não existisse entre nós, e gostaríamos que a reduzísseis tanto quanto pudésseis e, se possível, a interrompêsseis. Não queremos que sejais insensatos neste assunto. Um hábil adestrador de cavalos que tem um cavalo arisco não puxa as rédeas com força de uma vez, mas puxa suavemente, guiando e dirigindo e, tanto quanto possível, evitando os obstáculos no caminho, até que, com o tempo, tenha êxito em acalmar seu animal arisco e trazê-lo sob controle. Lidai gentilmente com a juventude. Agi com cautela e cuidado com eles, e com bondade também; pois é nosso amor por eles que nos faz falar desta maneira. Queremos salvar e exaltar a juventude de Sião, e trazê-la de volta à presença de Deus. Por isso falamos assim. Dizemos aos Presidentes de Estacas, aos Sumos Conselhos, aos Bispos, aos presidentes de Setentas e aos Setentas, aos Sumos Sacerdotes, e aos Élderes em Israel: dai o exemplo nestes assuntos a que me referi, e exercei uma influência, onde trabalhardes, que será sentida para o bem. É necessário que isto seja feito.

Sociedades Secretas.

Há outra pequena coisa sobre a qual quero falar. É a respeito de um assunto que tem sido repetidamente trazido à atenção da Presidência, e especialmente à minha atenção enquanto tenho estado assistindo às conferências nas Estacas exteriores nas últimas semanas. Ontem à noite, depois da reunião, um bom irmão aproximou-se de mim. Confio que ele esteja aqui, porque quero falar com ele. É um homem eminente, em certos aspectos. Esteve em missões, acredito, e assumiu muitas responsabilidades numa ocasião ou outra na Igreja. Colocou em minha mão uma cópia da constituição e dos estatutos de certa sociedade que busca aliciar os Santos dos Últimos Dias como membros. Quando ele falou comigo a respeito, vi de imediato que estava totalmente imbuído da ideia de que ingressar naquela associação secreta era a coisa apropriada para um Santo dos Últimos Dias fazer. Li isso em seu semblante e vi bem no fundo de seu coração. Isto me alarmou. Tenho ficado um pouco alarmado a respeito muitas vezes, pelas representações que nos chegam a respeito deste assunto. Poderia ler-vos os princípios estabelecidos na constituição desta associação em particular, mas não desejo nomeá-la, porque não desejo fazer distinções, nem antagonizar uma contra a outra. Não considero uma melhor ou pior que outra. Por minha parte, sustento esta posição: que, quanto a mim e a minha casa, alistamo-nos para servir a Deus, e há muito cheguei à conclusão de que me é impossível servir a Deus e a Mamom. Não posso carregar água em ambos os ombros sem derramar um pouco dela. Não posso usar o jugo de Cristo e o jugo de Belial ao mesmo tempo, e chamar o jugo de Cristo suave e Seu fardo leve. Alguns destes artigos nesta constituição são excelentes. Não há melhores contidos no Evangelho de Jesus Cristo, simplesmente porque foram tirados diretamente do Evangelho. São: paz na terra e boa vontade para com os homens, caridade, perdão, longanimidade, paciência, amor não fingido, bondade uns para com os outros, todo esforço para impedir que os irmãos recorram uns contra os outros à justiça, e para resolverem suas diferenças entre si mesmos. Têm um capelão, e um palestrante ou pregador, e, entre outras coisas, é dever do capelão estar presente e abrir as reuniões e oficiar em todos os serviços fúnebres dos membros da associação. Suponho que essas sejam algumas coisas comuns a todas essas organizações secretas. Não há mal algum em que alguém acredite em todas essas coisas boas. O Presidente Woodruff tem pregado esses mesmos princípios por uns sessenta anos, e jamais vos aconselhou a ingressar numa associação secreta a fim de que fôsseis ensinados nesses princípios ou os praticásseis melhor. Ele tem ensinado que estes são os mandamentos de Deus para o povo, e que é seu dever observar estes preceitos, e isso também sem fazer nenhum juramento para se associar a qualquer sociedade secreta. Mas uma das disposições desta constituição exige que cada membro desta associação secreta permaneça fiel aos princípios da associação até a morte. Isso é bastante forte. Suponde, por exemplo, que um Élder da Igreja tenha entrado nesta associação e tenha assumido sobre si este convênio, e algo surja que seja prejudicial a seus interesses como membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em que posição ele estaria? Estaria sob a necessidade de violar seus convênios com a Igreja ou o juramento que fizera naquela sociedade secreta. Em qualquer dos casos, provaria ser um traidor. Portanto, é melhor que não nos misturemos com essas alianças enredadoras. Digo-vos, em nome do Deus de Israel, que o Todo-Poderoso estabeleceu nesta Igreja todo princípio necessário para a salvação, para a felicidade, prosperidade, desenvolvimento e crescimento, tanto nas coisas temporais quanto espirituais, dos filhos de Deus; e não temos necessidade de ir para fora buscá-los. Em conexão com isto, quero ler uma ou duas palavras das revelações de Deus a nós por meio do Profeta Joseph Smith:

"Caso contrário, Satanás procura desviar da verdade o coração deles, para que se tornem cegos e não compreendam as coisas que para eles foram preparadas.

Portanto, um mandamento vos dou: Preparai-vos e organizai-vos por meio de um contrato ou convênio eterno que não se possa quebrar.

E aquele que o quebrar perderá seu cargo e a condição de membro da igreja; e será entregue às bofetadas de Satanás até o dia da redenção.

Eis que esta é a preparação com a qual vos preparo e o alicerce e o exemplo que vos dou, por meio dos quais podeis cumprir os mandamentos que vos são dados;

Que pela minha providência, não obstante as tribulações que sobre vós cairão, a igreja permaneça independente, acima de todas as outras criaturas abaixo do mundo celestial."

Este é o propósito que Deus tinha em vista ao estabelecer esta Igreja e ao vos chamar das trevas para a maravilhosa luz do Evangelho, para que Sua "igreja permaneça independente, acima de todas as outras criaturas abaixo do mundo celestial", na qual está lançado o alicerce de toda provisão necessária a ser levada a cabo para o sustento e vestuário dos pobres, a proteção dos fracos, e a administração de conforto e alegria às viúvas e órfãos, aos destituídos e enfermos. Todas essas provisões foram amplamente estabelecidas na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; e não há alma alguma dentro do âmbito da Igreja sobre a terra que precise ir buscar socorro ou conforto do mundo, pelo qual entre em convênio e acordo com o mundo a fim de encontrar proteção, ou assistência, ou meios para seu enterro. Não pode a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias enterrar seus próprios mortos que, infelizmente, carecem de meios para seu próprio enterro? Somos tão pobres que não podemos cuidar de nossos membros em tais circunstâncias? Alguma vez abandonamos a viúva e o órfão quando fizeram pedido de assistência? Voltamos as costas aos pobres, aos encarcerados, e àqueles que estavam aflitos, quando eram membros fiéis e dignos na Igreja? Jamais, que eu saiba; e jamais o faremos. É errado ingressar nessas associações. Ao fazê-lo, colocais sobre vós mesmos fardos, e colocais correntes ao redor de vosso pescoço, pelas quais outros vos conduzirão para onde quiserem; e não sois mais livres para servir a Deus como homens e mulheres deveriam ser, sendo feitos livres pela liberdade do Evangelho de Cristo.

A Personalidade de Deus.

Tenho mais um assunto em mente, embora talvez seja desnecessário falar dele diante desta congregação, ou dignificar aqueles que estão em erro mencionando-os aqui; mas, quando levais em consideração o fato de que esses mesmos homens que estão defendendo o erro e a falsa doutrina, e encontrando simpatizantes na Igreja, e Élderes em Israel, homens que estiveram em missões, podeis ver a propriedade de referir-me a eles aqui. Fixaram seus pensamentos numa ideia, que levaram ao extremo, e formularam um plano pelo qual supõem ter definido como Deus pode ser três Pessoas e ainda assim uma só Pessoa, e vos contam tudo a respeito publicando uma série de panfletos. Tomando as escrituras como padrão, tentam mostrar que Deus o Pai, Deus o Filho, e Deus o Espírito Santo são uma só Pessoa, assim como sendo um em atributos. Se me permitirdes por apenas alguns momentos, desejo chamar vossa atenção para algumas coisas que estão escritas a respeito deste assunto, e então confio que não haverá necessidade de falar mais sobre isso. Aqueles que se entregam a esta falácia deveriam ser guiados pelo Espírito Santo, pelo bom senso e pelo juízo de homens que tiveram experiência na Igreja, e abandonar seu erro e sua tolice, recolher suas publicações perniciosas, e cessar de tentar desviar os incautos e os ignorantes. Em primeiro lugar, vou ler algumas palavras da Segunda Lição sobre a Fé, no Livro de Doutrina e Convênios:

"Observamos aqui que Deus é o único governante supremo e ser independente em quem habitam toda a plenitude e perfeição; que é onipotente, onipresente [isto é, não em pessoa, mas por Seu poder e espírito], e onisciente: sem princípio de dias nem fim de vida; e que nEle habita todo bom dom e todo bom princípio; e que Ele é o Pai das luzes; nEle o princípio da fé habita independentemente, e Ele é o objeto em quem a fé de todos os demais seres racionais e responsáveis se centra para a vida e a salvação."

Novamente, na Sétima Lição sobre a Fé:

"Todas estas afirmações, tomadas em conjunto, dão um relato tão claro do estado dos santos glorificados quanto a linguagem poderia dar—as obras que Jesus fizera eles deveriam fazer, e obras maiores do que as que Ele fizera entre eles deveriam fazer, e isso porque Ele foi para o Pai. Ele não diz que fariam essas obras no tempo; mas fariam obras maiores, porque Ele foi para o Pai. Diz Ele, no versículo 24: 'Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória.' Estas afirmações, tomadas em conjunto, deixam bem claro que as obras maiores que aqueles que criam em Seu nome deveriam realizar seriam realizadas na eternidade, para onde Ele ia e onde eles veriam Sua glória. Ele dissera, em outra parte de Sua oração, que desejava de Seu Pai que aqueles que crêssem nEle fossem um nEle, assim como Ele e o Pai eram um no outro. 'Não rogo somente por estes (os Apóstolos), mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim, para que todos sejam um', isto é, aqueles que crêssem nEle pela palavra dos apóstolos, assim como os próprios apóstolos, 'para que todos sejam um, como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós.'"

Eis aqui as próprias palavras do Salvador, citadas pelo Profeta Joseph, estabelecendo claramente um princípio sobre o qual vossas mentes não podem ficar cegas, se apenas abrirdes vossos olhos e vosso entendimento a este dizer. Como podem os Apóstolos tornar-se um em Cristo, assim como Cristo e Deus são um, se Cristo e Deus são uma só pessoa? Podem os Doze Apóstolos tornar-se uma só pessoa? E como podem todos os que creem nas palavras dos Apóstolos também tornar-se um com os Apóstolos em Cristo, assim como Cristo é um com Deus, se Deus e Cristo são uma só pessoa? Naturalmente, o absurdo aparece de imediato. Não preciso multiplicar palavras a respeito deste assunto, porque toda criança deveria saber melhor do que isso—que, pelo fato de Cristo ser Deus por causa do Espírito e ser o Filho por causa da carne, portanto Ele e o Pai são uma só pessoa, ou corpo, e o Espírito Santo é um neles, e os três são apenas um ser. Por estranho que vos pareça, esta é a doutrina defendida por homens que professam ser Élderes na Igreja.

Em conclusão sobre este assunto, quero ler a palavra positiva do Senhor, que não pode ser negada. Podeis torcer as escrituras como quiserdes; mas, se credes na verdade e estais dispostos a ser guiados por ela, tereis de voltar a isto que vos lerei, e então isso esclarecerá todo mistério de vossas mentes com relação à personalidade do Pai e do Filho. Joseph Smith, em 2 de abril de 1843, declarou o seguinte:

"O Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também."

Então, como ides colocá-los numa só pessoa? O Presidente Cannon diz que isto concorda com o que Paulo diz. Naturalmente; concorda com todas as escrituras da verdade divina, e com toda manifestação de Deus ao homem, desde o princípio do mundo até o presente. Então o Profeta diz:

"Mas o Espírito Santo não tem um corpo de carne e ossos, mas é um personagem de Espírito. Se assim não fora, o Espírito Santo não poderia habitar em nós."

Quando Joseph Smith, um menino de 14 anos de idade, foi ao bosque pedir ao Senhor que o guiasse à igreja certa, ajoelhou-se e orou, e, depois de ser liberto do poder do adversário, que tentou destruí-lo, dois personagens celestiais apareceram diante dele. Um desses personagens, apontando para o outro, e chamando Joseph pelo nome, disse: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" Aqui estavam duas pessoas distintas—o Pai e o Filho, cada um com um corpo de carne e ossos tão tangível quanto o do homem; o Pai dando testemunho do Filho, não apenas a Joseph Smith, mas, por meio de Joseph Smith, a todo o mundo da humanidade. Estas são verdades, e não precisais vos importar com o que lerdes sobre o Pai e o Filho serem um. Naturalmente, são um—em atributos. São um em amor, um em conhecimento, um em misericórdia, um em poder, um em todas as coisas que os tornam unidos e poderosos, gloriosos e grandiosos, porque nEles se aperfeiçoa toda a verdade, e a virtude, e toda a retidão. Mas são duas pessoas, tanto quanto meu pai e eu somos duas pessoas. Contudo, para nós há apenas um Deus vivo e verdadeiro. Paulo diz:

"Há muitos deuses e muitos senhores, mas para nós há um só Deus, o Pai, do qual são todas as coisas, e nós, para ele; e um só Senhor Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós, por ele."

E Jesus Cristo diz:

"E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."

Só isso já deveria bastar para dissipar da mente de todo homem e mulher inteligente a falácia de que o Pai e o Filho não são dois seres.

Busquemos o conhecimento da vida eterna. Trabalhemos por nossa salvação com temor e tremor diante de nosso Pai, e sejamos fiéis até o fim. Lembrai-vos de que vos alistastes nesta obra para o tempo e para toda a eternidade. Não há como recuar dela, nem cair fora dela, exceto pelo pecado, e então vem a penalidade da transgressão. Mas, se esperais exaltação; se esperais pais e mães, irmãos e irmãs, parentes e amigos; se esperais glória, inteligência e vidas sem fim, tendes de obtê-los na obra de Deus; pois em nenhum outro lugar podeis obtê-los. Portanto, que toda simpatia e interesse se centrem nesta causa, e somente nela. Deixai o mundo seguir seu curso. Deixai-o ter suas combinações secretas, e deixai-o seguir seu próprio caminho; mas preguemos-lhes o Evangelho e mostremos-lhes um caminho melhor, e que os homens só podem se tornar um quando são de Cristo. Jamais poderão ser unidos até que se tornem de Cristo; mas, quando se tornarem de Cristo, então poderão ser um com o Pai e com o Filho, assim como o Pai e o Filho são um. Que Deus conceda que cheguemos a este conhecimento, e sejamos fiéis até o fim. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Palavras”, Conferência Geral de Abril de 1894, Sessão da Tarde de Sábado (1894-04-07). Pulpit Vault, 1894-04-joseph-f-smith-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, newspapers.lib.utah.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).