Palavras
George Q. Cannon
Tenho certeza de que todo Santo dos Últimos Dias que ouviu o anúncio feito pelo Presidente Woodruff sentirá em seu coração gratidão por aquilo que o Senhor manifestou por meio dele. O assunto da adoção é um que tem ocupado a atenção dos Santos, em maior ou menor grau, por algum tempo. Foi revelado pelo Profeta Joseph que há um princípio de adoção pelo qual uma geração será selada e ligada a outra, e, nas palavras que foram lidas, ele antecipa a soldagem, pelo princípio da adoção, das várias dispensações. Numa revelação que o Senhor deu por meio dele, Ele disse: ¶
"E também, em verdade vos digo: Se um homem se casar com uma mulher e fizer um convênio com ela para esta vida e para toda a eternidade; e se esse convênio não for feito por mim nem por minha palavra, que é a minha lei, e não for selado pelo Santo Espírito da promessa, por meio daquele que ungi e designei com esse poder, não será válido nem estará em vigor quando se encontrarem fora do mundo, porque não foram unidos por mim nem por minha palavra, diz o Senhor; quando estiverem fora do mundo não será aceito lá, porque não poderão passar pelos anjos e pelos deuses designados para ali estar; não podem, portanto, herdar minha glória; pois minha casa é uma casa de ordem, diz o Senhor Deus." ¶
Por essa razão, os casamentos dos filhos dos homens são vinculantes apenas entre si mesmos enquanto o convênio durar. Nossos pais fizeram seus convênios com nossas mães para esta vida, e quando esta vida terminava, o convênio e a união também terminavam. Ora, o Santo Espírito revelou que, sendo esse o caso, todo homem e mulher, e toda criança nascida como fruto dessas uniões, ficariam sozinhos, a menos que um novo vínculo fosse formado. Sem que isso fosse feito, não haveria elo vinculante para unir a mulher ao homem e os filhos aos pais; pois toda a obrigação e todos os convênios haviam terminado; e, portanto, os membros das famílias permaneceriam cada um separado, sem nenhuma conexão de caráter vinculante entre si. Naturalmente, havia o que chamamos de laço de sangue existente (não há sangue, porém, em ser ressuscitado); ou, em outras palavras, havia o vínculo que surgia por meio do parentesco. Esse permaneceria. O Senhor nos ensinou, contudo, que isto não é tudo o que se exige; que deve haver uma autoridade exercida pela qual os pais sejam unidos entre si, e depois seus filhos unidos a eles. Também nos foi ensinado que, por meio da revelação do Sacerdócio e de sua concessão aos homens, e do exercício desse Sacerdócio ao selar esposas a maridos, os filhos gerados nesses casamentos nascem, como dizemos, no convênio, isto é, são reconhecidos pelo Senhor como filhos legítimos do convênio, tendo Ele reconhecido o casamento de seus pais, tendo dado ao homem na terra a autoridade de vincular na terra, e esse vínculo deveria ser selado no céu. Desta forma, os Santos dos Últimos Dias estão sendo unidos no novo e eterno convênio, as esposas sendo seladas a seus maridos, e os filhos, fruto desses casamentos, nascendo no convênio, sob a bênção e o reconhecimento, pelo Todo-Poderoso, do vínculo que existe entre seus pais. Assim vedes que há uma nova ordem de coisas crescendo entre nós. Não é necessário, quando os pais estão selados entre si pela autoridade do Santo Sacerdócio para o tempo e para a eternidade, que seus filhos sejam adotados ou selados a eles. São herdeiros legítimos do Sacerdócio e das bênçãos do novo e eterno convênio. Mas não é assim com aqueles que nasceram fora deste convênio. Deve haver alguma ordenança realizada a fim de torná-los legítimos; e essa ordenança, o Profeta Joseph revelou, era a ordenança da adoção: isto é, a palavra abrange a ordenança ou a lei, embora não usemos a palavra adoção quando selamos filhos a pais; a isso chamamos selamento. Mas, para ilustrar o princípio e explicar a lei, usa-se a palavra "adoção". Vós a encontrareis frequentemente nas escrituras, e ela se tornou um assunto entre nós que tem sido muito pensado; e todo homem e mulher que tem desejado fazer tudo o que lhes é exigido, a fim de obter todas as bênçãos que podem ser alcançadas mediante a obediência aos mandamentos de Deus, tem desejado compreender algo a respeito deste princípio da adoção. ¶
Somos informados, nas palavras que foram lidas em nossa audiência, de que uma dispensação deve ser ligada a outra, ou, em outras palavras, que as dispensações dadas aos filhos dos homens devem ser unidas; que todos devemos ser unidos ao nosso pai Adão; que deve haver um vínculo ou união entre nós e nosso grande progenitor, e isso será feito por meio da ordenança da adoção, onde os filhos não nascem no convênio. ¶
Por isso é que nos cabe o dever de traçar nossa linhagem; e, como foi belamente explicado nesta manhã pelo Presidente Woodruff, é nosso dever sermos selados a nossos pais, para que nossa linhagem seja preservada; para que possamos preservar nossas famílias em descendência direta, e traçá-las de volta, ascendendo linealmente até alcançarmos, se possível, nossos antepassados que detiveram o sacerdócio eterno, e que ou nasceram no convênio ou foram selados a seus pais sob a lei da adoção quando o Sacerdócio estava sobre a terra. Isto tem de ser feito por esta geração e seus sucessores. É o trabalho que recai sobre nós, como povo, realizar. O Profeta Joseph revelou isto, mas morreu antes que fosse plenamente explicado. ¶
Quando o Presidente Young faleceu, o templo de St. George era o único concluído, e mal havia sido dedicado quando ele partiu. Não há dúvida em minha mente de que, se tivesse vivido, sua mente teria sido dirigida a este grande assunto, e ele teria indagado ao Senhor para saber o que era correto; pois, nas mentes de muitos, havia um sentimento de dúvida a respeito deste princípio da adoção tal como estava sendo praticado entre nós. Lembro-me bem, em meus dias de menino, daquilo a que o Presidente Woodruff se referiu—o espírito que foi manifestado por muitos na dedicação do templo em Nauvoo, quando as ordenanças ali eram administradas. Alguns homens pensavam em construir reinos para si mesmos; e pareciam pensar que, induzindo homens e mulheres a serem adotados em suas famílias, estavam acrescentando à sua própria glória. Desde aquele dia até o presente, jamais pensei neste assunto da adoção sem sentir certa medida de temor a respeito dele. ¶
Não há nada no Evangelho de Jesus Cristo que conduza à desunião. Não há nenhum verdadeiro princípio do Evangelho que produza divisão. Não há nenhum verdadeiro princípio do Evangelho que separe este povo e o divida. E esta revelação que Deus deu a Seu servo, o Presidente de nossa Igreja, remove todo o perigo que parecia nos ameaçar por meio de um entendimento imperfeito da maneira pela qual a lei da adoção deveria ser levada a cabo. ¶
Para ilustrar este ponto, suponhamos que a Primeira Presidência desta Igreja buscasse edificar famílias para si mesma dentre este povo, cada um procurando ter homens e mulheres selados a ele a fim de ter um grande séquito; e suponhamos que cada um dos Doze Apóstolos fizesse o mesmo; e suponhamos que os Sumos Sacerdotes e os irmãos que oficiam nos templos fizessem o mesmo, qual seria o resultado? Podeis ver de imediato que, em pouco tempo, estaríamos divididos em tribos e clãs, cada um tendo seu próprio séquito, e cada séquito recorrendo ao homem a quem foram adotados em busca de conselho e orientação, e desta forma a autoridade governante do Santo Sacerdócio em nosso meio seria dividida e diminuída. Quem não consegue compreender o perigo que haveria sob tal condição de coisas? Mas como evitá-lo, como removê-lo para que deixasse de existir? Deus o removeu ao tornar claro que é dever de todo homem ser selado a seu pai, quando seu pai não é um homem que se provou inteiramente indigno. E quando tal caso surgir—o que será muito raro—temos em nosso meio o homem que possui as chaves do Sacerdócio, e a quem esta questão pode ser submetida para que ele decida o que deve ser feito. ¶
Meus irmãos e irmãs, tenho esta crença a nosso respeito: que foi arranjado antes de virmos para cá como deveríamos vir, e por meio de qual linhagem deveríamos vir. Não nascemos da semente de Cão; não nascemos de alguma raça questionável; mas, como o Senhor nos ensinou na octogésima sexta seção do Livro de Doutrina e Convênios, nosso Sacerdócio esteve escondido com Deus. Essa seção diz: ¶
"Portanto, assim diz o Senhor a vós, com quem o sacerdócio continuou através da linhagem de vossos pais— ¶
Porque sois herdeiros legais segundo a carne e fostes escondidos do mundo com Cristo, em Deus— ¶
Portanto, a vossa vida e o sacerdócio permaneceram; e é necessário que permaneçam por meio de vós e de vossa linhagem, até a restauração de todas as coisas proferidas pela boca de todos os santos profetas desde o princípio do mundo." ¶
Estou tão convencido de que foi predestinado, antes de eu nascer, que eu viesse por meio de meu pai, quanto estou de que aqui estou. E se Deus escolheu dar ao pai de Wilford Woodruff a honra de gerá-lo, e isso foi arranjado antes de eles nascerem, quem se intrometeria para privá-lo da honra que Deus lhe deu, e dá-la a outra pessoa? Refleti sobre isso e vereis que levaria a uma confusão infindável se isso fosse feito. Seríamos fragmentados em famílias e em nossa linhagem, e não haveria distinção, resultando consequentemente em grande confusão. Paulo diz "que na dispensação da plenitude dos tempos ele pudesse tornar a congregar em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele mesmo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade." Creio que fomos predestinados a vir para cá. Creio que foi arranjado que viéssemos para cá como o fizemos. Sem dúvida, quando traçarmos nossos antepassados de volta, encontraremos que trilharam lugares lamacentos. Encontraremos que havia iniquidade entre eles. Pode haver pouca dúvida quanto a isso, porque eram seres humanos; estavam expostos à tentação e ao pecado. Não obstante, esse foi o arranjo, e, quando nos depararmos com casos sobre os quais haja dúvida, poderemos então indagar ao Senhor a respeito deles, e se seria correto continuar o selamento dos filhos a eles, e por meio deles a outra pessoa, ou se haverá uma quebra no elo; pois todos seremos ligados uns aos outros como uma corrente. Uma geração será ligada a outra pelo poder e pela autoridade do Santo Sacerdócio até retrocedermos à terra, e a quando a autoridade para administrar essas ordenanças estava entre os homens em tempos passados. ¶
Outra coisa que aquilo que ouvimos hoje afetará. Tem havido, em certa medida, uma disposição manifestada entre nosso povo de que alguns homens e mulheres reúnam todos os nomes de famílias que puderem encontrar, sejam eles parentes ou não, e realizem ordenanças por eles. Sou um crente nisto, quando não interfere nos direitos de herança. Deveríamos fazer tudo o que pudermos por aqueles com quem temos amizade, ou a quem estamos ligados de alguma forma, e que não têm representantes vivos que saibamos na Igreja. Mas podeis ver a vantagem de seguirmos agora o curso apontado pela palavra de Deus para nós. Isso fará com que todos tenham cuidado em obter a conexão, e em conseguir corretamente os nomes dos filhos e das filhas dos homens, para que sejam selados a seus pais. Isso traçará a linha com justiça. Definirá claramente a linhagem. "Mas", diz alguém, "isso pode levar muito tempo." Bem, temos mil anos para fazê-lo. Não precisamos ter tanta pressa a ponto de criar confusão. O Senhor nos dará tempo suficiente para fazer tudo; e, quando tivermos ido tão longe quanto parecer possível, Ele nos dará oportunidades que, no presente momento, desconhecemos; e descobriremos que tudo será esclarecido, e cada homem traçará sua genealogia bem para trás, e conheceremos nossa conexão, e o que fazer em relação a essas questões, pois o Senhor no-lo revelará. ¶
Meus irmãos e irmãs, suponhamos que cada um de nós procurasse algum grande homem na Igreja a quem ser selado. Por exemplo, gostaríamos de ser selados ao Presidente da Igreja, porque seria uma grande honra ser adotado a ele, e pensamos: "bem, esse homem é muito melhor que meu pai. Prefiro ser adotado a ele do que ser selado a meu pai. Não penso muito bem de meu pai ou de minha mãe." Ora, penso que, quando sentimos assim, estamos, em certa medida, desprezando o arranjo que o Senhor fez. Não deveríamos desprezar nossa origem. Pelo contrário, deveríamos procurar preservá-la, e honrar aqueles que nos deram a vida. ¶
Sempre me pareceu, ao refletir sobre isso, que o Profeta Joseph honrou seu pai, que o gerou; contudo Joseph foi o homem escolhido pelo Todo-Poderoso para estar à frente de todo o povo desta dispensação. Todos nós temos de olhar para ele. Todo Apóstolo, e todo grande homem na Igreja, deve necessariamente voltar seus olhos para o Profeta de Deus, a quem Ele escolheu para lançar os alicerces desta obra. Não encontrareis nada na vida de Joseph, nem em sua história, tal como registrada, que dê a menor ideia de que ele se considerasse de natureza tão superior a ponto de não poder honrar seu pai e sua mãe. De fato, lembro-me bem do Profeta, ao falar sobre o sepulcro que havia preparado perto do quarteirão do templo, descrevendo a alegria que teria ao ressuscitar dos mortos e apertar as mãos com seu pai e com seus parentes, e como ficaria contente ao subir na ressurreição e tomá-los pela mão. Esse espírito o acompanhava em todas as suas alusões a seus parentes, especialmente a seu pai e sua mãe. Não há dúvida em minha mente de que o Profeta Joseph será selado a seu pai. Ele honrará seu pai e sua mãe. Será selado a eles, e eles e sua linhagem sem dúvida estarão ligados a ele pela ordenança de selamento, como cabeça desta dispensação. Terão de estar ligados a ele por algum elo ou vínculo que será criado, se ainda não existir, assim como todos nós estaremos ligados a ele, porque ele é a cabeça da dispensação. Mas, como filho, ele estará ligado a seus pais; honrará seus pais; e, por sua vez, será honrado por sua ascendência e por todos os que estiverem dentro do alcance e sob a jurisdição desta dispensação. Todos esses necessariamente serão selados por algum vínculo ao Profeta Joseph. Desta forma, todos seremos unidos; e não pode haver questionamento de nossa parte quanto à propriedade de estarmos todos ligados a Joseph, elevando toda linhagem diretamente tanto quanto pudermos, e depois ligando-as à cabeça da dispensação. Não haverá então necessidade de ciúme. Não haverá necessidade de alguém dizer: "Bem, sou selado ou adotado a um homem maior que o teu. Sou adotado a Joseph, ou a Brigham, ou a John Taylor, ou a Wilford Woodruff, ou a este homem ou àquele outro." Não haverá necessidade de nos orgulharmos e nos vangloriarmos do fato de sermos adotados a esses vários homens, e assim dividir o povo em seus sentimentos, criando, em certa medida, um sentimento de rivalidade que não pertence ao evangelho do Filho de Deus. Todo homem que refletir sobre isso pode ver que esta revelação que Deus deu por meio de Seu servo Wilford Woodruff remove esse perigo de nosso caminho e nos prepara para avançarmos e honrarmos nossos parentes e fazermos tudo o que pudermos por sua salvação, concentrando nosso sentimento em nossos próprios antepassados, e não nos antepassados de outra pessoa. Ao honrarmos assim nossos pais, também observamos aquela antiga lei que foi dada por Deus aos filhos de Israel, e que tem uma tão grande bênção associada a ela: ¶
"Honra teu pai e tua mãe, para que os teus dias se prolonguem na terra que o Senhor teu Deus te dá." ¶
Por que um homem viria a um dos Apóstolos para ser selado a ele e depois traçar sua genealogia por meio dele e de seus antepassados, e negligenciar a própria? Tem havido alguns casos de adoção, suponho, em que as partes não se sentiram seguras em suas mentes a respeito disso. Esta luz, contudo, que agora temos esclarece tudo e o torna claro; e podemos ver e compreendê-lo. ¶
Deus vos abençoe, em nome de Jesus. Amém. ¶