A Vinculação das Gerações pela Lei da Adoção—A Igualdade nos Assuntos Temporais e Como Alcançá-la
George Q. Cannon
Esta é uma imensa congregação, e, a fim de edificar os que aqui estão reunidos, será necessária a presença e a assistência do Espírito de Deus. Pareceria presunçoso a qualquer homem levantar-se para dirigir-se a uma audiência tão inteligente se estivesse dependendo de si mesmo para aquilo que deveria dizer. Confio sinceramente que, nas palavras que farei, seja assistido pela fé e pelas orações daqueles que estão presentes. ¶
Considero esta uma das conferências mais interessantes que se tem realizado há muito tempo. Deve ser gratificante para os Santos dos Últimos Dias receber, como recebem, as contínuas evidências de que Deus está com o povo, de que Ele não esqueceu Suas promessas, e de que Ele tem a supervisão dos assuntos de Sua Igreja, e regula e conduz esses assuntos segundo o conselho de Sua própria vontade. Jamais assisto a uma reunião em que o Espírito de Deus se manifeste com poder sem sentir profunda gratidão ao refletir que Deus está conosco, e que Ele Se digna a nos honrar e a testificar ao povo mediante a concessão de Seu Santo Espírito. Isto também, irmãos e irmãs, é um consolo e um conforto que língua humana nenhuma pode descrever: saber, pelo testemunho do Senhor, que estamos no caminho que Ele traçou para nossa salvação; saber que temos uma posição entre o povo que Ele reconhece como Seu, e que, por Sua condescendência, temos a comunhão do Espírito Santo. É um consolo saber, quando se precisa de luz, quando surgem questões que requerem mais do que a sabedoria humana para sua solução, que temos acesso a nosso Grande Criador, o qual Ele prometeu conceder-nos, e que podemos saber e compreender por nós mesmos. Que importância tremenda se liga ao que nos foi explicado nesta manhã pelo Presidente Woodruff! Quão ampla e de longo alcance é a ordenança à qual se fez alusão, pela qual os filhos serão selados a seus pais, uma geração ligada a outra, e toda a família humana trazida para dentro da família de Deus, para serem Seus filhos e filhas reconhecidos e admitidos, unidos pelo poder do Sacerdócio eterno e no novo e eterno convênio que Ele deu ao homem. Que glorioso sistema de salvação se abre diante de nós na contemplação daquilo que o Senhor revelou! Que sentimento de ternura e amor brota em nossos corações ao pensarmos que somos filhos de Deus, e que somos e seremos unidos por laços que jamais poderão ser rompidos! Como isso nos aproxima e nos faz sentir interessados uns pelos outros! Como faz nossas almas se expandirem tão amplas quanto a eternidade; não confinando nossos lares e nossos trabalhos a nenhum indivíduo, ou a nenhuma família em particular, mas abraçando em nossos sentimentos toda a irmandade do homem. ¶
Certamente os Santos dos Últimos Dias deveriam ser os mais gratos de todos os povos sobre a face da terra. Viajai por toda a terra e perguntai aos mais sábios e mais eruditos qual foi o propósito de nosso Criador ao colocar o homem na terra, ao cercá-lo das circunstâncias em que se encontra, e o que Ele tem em vista para ele no futuro, e quem poderia vos responder? Sei que as denominações religiosas têm suas explicações a respeito do futuro; mas quão insatisfatórias são! Quão pouco há nelas para confortar e alegrar, para criar esperanças e expectativas que sejam brilhantes! Até o índio, quando fala de seus felizes campos de caça, provavelmente expressa uma visão mais alegre. No mundo sectário há vagueza. Nos quadros que apresentam da vida futura, não há nada que seja realmente satisfatório. Muito poucos deles creem que esses laços que tornam nossas vidas humanas tão deliciosas se perpetuarão na eternidade vindoura. A grande maioria crê que maridos e esposas, pais e filhos nada serão uns para os outros no mundo eterno; isto é, que suas relações uns com os outros dentro do círculo familiar não serão mais próximas ou definidas do que suas relações com seres fora desse laço sagrado. Ora, o Evangelho do Senhor Jesus Cristo nos ensinou que aqui se formam laços que são eternos em sua natureza; que se criam associações familiares que jamais poderão ser dissolvidas; que homens e mulheres são unidos para a eternidade; que o homem não existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor; que eles têm seus filhos; e que a maior bênção que podem desfrutar é ter confirmados a eles para sempre os privilégios que possuem nesta vida. Há algo grandioso na contemplação deste glorioso princípio. Dá certeza a todo homem e mulher que o buscar. A mulher não se perde, o homem não se perde. Por mais obscuros e insignificantes que sejamos, não podemos ser perdidos de vista. Seremos buscados e trazidos de volta, a menos que tenhamos cometido pecados imperdoáveis, e alguém se interessará por nós. Não há ninguém em toda a família que seja tão insignificante a ponto de ser esquecido. Isso cria sentimentos peculiares em nossos corações, e deveria tornar os Santos dos Últimos Dias um povo de mente ampla e expansiva, e não tenho dúvida de que assim será. ¶
Espero que a comunicação feita hoje por nosso Presidente tenha um grande efeito sobre este povo. Estimulará nosso amor por nossas famílias. Ao mesmo tempo, refreará qualquer sentimento de construir algo semelhante a tribos entre nós. Ligar-nos-á a nossos próprios parentes e raça. Promoverá o amor pela raça em nossos corações, e dará a nossos filhos algo por que viver; pois, quando um homem vem de uma família honrada, há algo que apela a seu orgulho de não fazer nada que traga descrédito ou desonra a seu nome. Nossa linhagem não é conhecida por todos nós. Podemos não conhecer nossa origem; mas disto podemos estar seguros: que nós, que recebemos a verdade, somos espíritos escolhidos. Os Santos dos Últimos Dias têm demonstrado sua integridade, seu valor e sua independência de caráter em meio ao desprezo e à censura, à perseguição e ao ódio, e à ameaçada perda, em muitas ocasiões, de emprego, propriedade e vida. Saíram do mundo e foram indiferentes à sua popularidade. Abraçaram os princípios da verdade e da retidão, e os valorizaram mais do que qualquer outra consideração terrena. De onde pensais que veio esta nobreza de caráter? Veio de antepassados que obtiveram promessas de Deus, mediante sua fidelidade, com relação à sua posteridade. Nossos antepassados podem ter vindo por meio da pobreza e de canais obscuros; e alguns deles podem não ter possuído nenhuma característica notável; mas, quando nossa ascendência for conhecida, ver-se-á que os mais nobres homens e mulheres de Deus foram os progenitores deste povo. Deus nos escolheu para um grande propósito. Ele nos tirou do mundo, moldou nossas vidas e as vidas de nossos pais, e envolveu-os em Suas providências, com o propósito de trazer à frente um povo, nos últimos dias, que ajudasse a lançar os alicerces de Seu reino e estivesse disposto a suportar toda perseguição e provação a ele associadas. Disto tenho certeza. Posso testificar disso, e sei que é assim. Como dissemos esta manhã, a comunicação que o Senhor Se dispôs a nos dar por meio de Seu servo nos permite ver como podemos honrar a ascendência pela qual viemos, e também evitar o rompimento dos laços que deveriam nos ligar a eles, e evitar confusão e desordem com relação a esses assuntos. ¶
Há muitas coisas a respeito das quais o Senhor nos dará revelações de tempos em tempos. Ele tem feito isso de maneira maravilhosa até agora. Não houve nada de que precisássemos para o progresso da Igreja que não tenha sido dado. Construímos esses Templos, e estamos realizando um trabalho muito importante ligado a eles; e é necessário que aquilo que fazemos seja feito corretamente. É necessário que as adoções sejam feitas corretamente. Pensai como isto é importante! Afeta toda a família humana. Quão importante é sabermos o plano que o Senhor quer que seja executado, e não o plano que o homem quer! E haverá muitas coisas reveladas de tempos em tempos. Vereis provavelmente dificuldades em levar isto a cabo, e será necessária a sabedoria do céu e a palavra do Senhor para resolver os pontos a ele relacionados; mas o Senhor é capaz de dar a luz necessária. Sua mão se manifestará, e veremos quão bom e bondoso Ele é conosco ao fazer comunicações sobre todos os pontos necessários ao progresso de Sua obra. ¶
Há outros assuntos que gostaria de mencionar nesta tarde, se conseguir ter o Espírito para fazê-lo. Ouvimos do Presidente Joseph F. Smith um pouco a respeito de organizações secretas. Não conheço nenhum assunto que precise ser tratado com maior clareza aos Santos dos Últimos Dias do que este. ¶
Naturalmente, há muitas outras coisas a respeito das quais precisamos ser advertidos. Precisamos ser advertidos a respeito desses espíritos falsos que andam à solta. Não creio que jamais tenha havido um tempo em que houvesse tantos espíritos ilusórios circulando entre o povo quanto no presente momento—falsos Cristos, falsos profetas, e todo tipo de coisas para desviar o povo de Deus. Tudo, dizem, será abalado, tudo o que puder ser abalado. Deus vai ter um povo puro. Aqueles que cometem pecado e nele persistem perderão o Espírito de Deus e serão removidos dentre o povo de Deus. Podemos esperar que os pecadores nos deixem, e que tenhamos homens e mulheres caindo nas trevas por causa da transgressão, mas é nosso dever, como sentinelas sobre os muros de Sião, e como pastores do rebanho de Cristo, levantar nossas vozes e advertir o povo dos perigos que o cercam, e apontar o caminho da segurança, para que não se desviem do rebanho e sejam devorados. Sentimos, portanto, o dever de advertir os Santos dos Últimos Dias a respeito desses espíritos ilusórios. Advertimo-vos a estardes vigilantes, a observardes cuidadosamente, a orardes fervorosamente, a viverdes em pureza, para que tenhais constantemente convosco a luz do Espírito de Deus. Não vos deixeis levar por todo vento de doutrina, nem por enganadores; mas escutai a voz do Espírito de Deus, que testifica em vossos corações a respeito das verdades que ouvis. Deveríeis ser capazes de distinguir a voz do verdadeiro Pastor de todas as outras vozes, de modo que ninguém que se disfarce de ovelha e professe ser o que não é possa vos enganar. É vosso privilégio reconhecer a voz do verdadeiro Pastor, e saber, pelo testemunho de Jesus, se aquilo que vos é ensinado é verdadeiro ou não. ¶
Há agora muitas sociedades sendo formadas que fazem grandes alegações. Afirmam ser sociedades beneficentes e fazer grande bem ao povo. Não tenho a menor objeção a isso. Não diria uma única palavra para lançar censura sobre nenhuma organização, seja qual for o nome pelo qual seja chamada, que tenha objetivos desta natureza em vista. Não é meu propósito depreciá-las. Não é meu propósito diminuir os esforços filantrópicos de indivíduos ou de sociedades pelo bem-estar de seus semelhantes. O Senhor não permita que eu jamais faça algo assim! Não é nesse espírito que aludo a essas coisas. Mas quero dizer aos Santos dos Últimos Dias que o Senhor organizou um sistema que é perfeito em todos os seus detalhes. Não há necessidade de que seja suplementado por nada de invenção humana. É esse pensamento que desejo imprimir nos Santos dos Últimos Dias. Deus fundou Sião, e os pobres de Seu povo nela porão sua confiança. Nada falta nesta organização. Não existe sociedade beneficente que exista, ou que possa ser formada por seres humanos, que atenda às necessidades dos filhos dos homens tão eficazmente quanto a organização que o Senhor nos deu, e da qual agora fazemos parte. Sei que há homens que têm ideias muito plausíveis e atraentes a respeito dos males que existem na sociedade e da maneira de corrigi-los. Tentativas de corrigi-los têm sido feitas há anos e anos; mas não resultaram com êxito. Posso afirmar, sem o menor temor de contradição bem-sucedida, que os Santos dos Últimos Dias têm feito mais, como sociedade organizada, para redimir o povo e corrigir os males que existem na sociedade, e sob os quais a sociedade geme, do que qualquer outra organização sobre a face da terra. Faço essa afirmação com plena compreensão, de minha parte, de seu significado e alcance. E aquilo que temos feito é apenas o começo daquilo que nos propomos a fazer no bom tempo do Senhor. O Senhor não nos deixou na ignorância a respeito desses assuntos. Esta doutrina da igualdade sobre a qual insistem os anarquistas, niilistas, socialistas e gente semelhante (alguns deles recorrendo à mais terrível violência para levar a cabo seus planos) é compreendida por nós, pois o Senhor nos revelou como e em que medida ela se cumprirá. Ele nos deu a lei com bastante clareza, mas não estamos preparados para levá-la a cabo. Os líderes do povo estão fazendo o melhor que podem para ensinar ao povo os princípios primários da igualdade; mas será preciso tempo, será preciso o poder de Deus, serão necessárias circunstâncias que quase nos obriguem a adotar aquilo que Deus revelou, a fim de cumprirmos aquilo que Ele nos apresentou como um dever que devemos realizar. Quero dizer-vos que virá o dia—e será trazido pelos Santos dos Últimos Dias—em que haverá tal igualdade em todas as coisas entre nós que não haverá carência, nenhuma deficiência de nenhum elemento necessário; um homem não terá mais do que possa usar enquanto outro homem estiver destituído. Estamos visando a isso, meus irmãos e irmãs, e somos o único povo, digo-o livremente, que pode ter a menor esperança de algum dia realizá-lo. Essas organizações secretas podem derrubar tronos; podem destruir dinastias; podem fazer o sangue correr em torrentes; mas jamais realizarão esta reforma que nós realizaremos, e isso, ainda por cima, por meios pacíficos—pela operação de leis que Deus tornou claras, tão claras que, como diz a Bíblia, um homem viajante, ainda que tolo, nelas não precisa errar. ¶
O Senhor deu à terra o suficiente para tornar felizes todos os seus habitantes. Não há elemento que não exista em abundância suficiente para todos. E é contrário à vontade de Deus, assim Ele nos revelou, que um homem possua tanto mais que outro—que um se banqueie em luxo enquanto seu vizinho passa necessidade. Ele nos ensinou o modo pelo qual isso será corrigido. Sendo este o caso, voltaremos nossos olhos de Sião de Deus nesta ou naquela direção, procurando algo melhor? Se o fizermos, desprezamos a sabedoria e o conselho de Deus; deixamos de lado aquilo que Ele revelou com a maior clareza, e voltamos as costas à história e à experiência deste povo. ¶
Permiti-me dizer-vos que é em vão que os homens se esforçam por remendar sistemas para remediar os males existentes. Não têm a sabedoria para fazê-lo. Podeis ver a condição do mundo em consequência do exercício da sabedoria do homem. Por toda parte há confusão, tumulto, contenda. Há pobreza e miséria de um lado e luxo e superabundância do outro. Isto não está certo, e será corrigido. Como? Bem, o Senhor tentou isso nos primeiros dias desta Igreja; mas o povo não tinha fé. Ele agora nos está educando. Teremos fé mais cedo ou mais tarde, e provavelmente seremos disciplinados até tê-la. Não desejo profetizar mal algum a respeito de Sião. Não desejo ameaçar. Não tenho em mim nenhum espírito de melancolia ligado a Sião. Sinto-me sempre inclinado a profetizar o bem a respeito de Sião. Mas o Senhor nos conduzirá por circunstâncias que abrirão nossos olhos, e nos farão ver o valor do conselho que Ele nos deu. Deveríamos ensiná-lo a nossos filhos. Temos de desaprender as tradições que recebemos de nossos pais. Essas tradições nos ensinam que é dever de cada um cuidar de si mesmo e pouco se importar com seu próximo. Temos de desaprender essa lição. Temos de viver para o benefício de todos. Mas, como todos os benfeitores, ao fazê-lo, muito provavelmente seremos mal julgados. Já vistes algum homem que tenha sido um benfeitor, desde o Senhor Jesus para baixo, que não tenha sido carregado de opróbrio e mal compreendido? Jesus deu o exemplo do autossacrifício. Que vida foi a Dele! O Redentor do mundo, descendo das mansões de glória, tomando sobre Si a mortalidade, vivendo em humildade, e fazendo tudo o que podia pela redenção do homem; contudo foi pendurado na cruz, crucificado entre dois ladrões! Assim tem sido, em maior ou menor grau, com todo homem que tentou beneficiar seu semelhante. Deve esperar ser mal compreendido, ter suas ações deturpadas, e ter seus motivos caluniados. Não deve esperar ter o amor daqueles que está tentando salvar. Pode ter um pouco dele; mas os homens são, por natureza, tão ingratos que não reconhecem seus verdadeiros benfeitores. É preciso o Espírito de Deus para iluminar a mente. Vós, Bispos que tendes trabalhado incessantemente; vós, Presidentes de Estacas, vós, Apóstolos, e todos que tendes trabalhado entre o povo, sabeis por experiência que vossos trabalhos não são apreciados como deveriam ser, que vossos motivos são frequentemente mal compreendidos e caluniados, e tendes de trabalhar com a expectativa de receber recompensa do Senhor e com a satisfação de ter a aprovação de vossa consciência. Assim é com relação a todo este povo. Somos os benfeitores da humanidade; mas não recebemos crédito pelo que estamos fazendo. Não precisamos esperar receber o louvor do mundo, nem sequer o crédito comum. Não obstante, o trabalho recai sobre nós. Sem dúvida veremos evidências de egoísmo ao levá-lo a cabo, e uns e outros tirarão vantagem antes que este sistema possa ser devidamente introduzido entre os filhos dos homens. ¶
Nestas palavras, refiro-me àquilo que é conhecido entre nós como a Ordem Unida. Sei que muitos têm pensado que isto já passou; que é uma fantasia, uma ideia que não pode ser posta em prática; que é impossível, dada a natureza humana, torná-la prática. Provavelmente muitos entre nós têm essa ideia. Mas posso assegurar-vos que não é esse o caso. É o plano que Deus concebeu, e quero apresentá-lo diante de vós, se puder, para que o vejais e compreendais que Deus concebeu um plano muito superior ao que os homens engendraram. E ele pode ser, e será, posto em prática. Por que meio tem Satanás poder hoje sobre os corações dos filhos dos homens? É pelo mau uso dos bens deste mundo. Haveria algum roubo se os homens não tivessem propriedade como agora a têm? Eis o que o Senhor disse há sessenta anos: ¶
"Isto é minha sabedoria; portanto, dou-vos o mandamento de que vos organizeis e designeis a todo homem sua mordomia; ¶
Para que todo homem me preste contas da mordomia que lhe for designada. ¶
Porque é conveniente que eu, o Senhor, faça cada homem responsável como mordomo de bênçãos terrenas, que fiz e preparei para as minhas criaturas. ¶
Eu, o Senhor, estendi os céus e formei a Terra, obra de minhas mãos; e todas as coisas que neles há são minhas. ¶
E é meu propósito suprir a meus santos, pois todas as coisas são minhas; ¶
Mas é necessário que seja feito a meu modo; e eis que este é o modo que eu, o Senhor, decretei para suprir meus santos, para que os pobres sejam aumentados naquilo que os ricos são diminuídos; ¶
Pois a Terra está repleta e há bastante e de sobra; sim, preparei todas as coisas e permiti que os filhos dos homens fossem seus próprios árbitros. ¶
Portanto, se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção com os pobres e os necessitados, de acordo com a lei de meu evangelho, ele, com os iníquos, erguerá seus olhos no inferno, estando em tormento." ¶
Ele irá com o homem rico sob cuja mesa Lázaro apanhava as migalhas que caíam, e cujos cães lambiam as chagas do pobre. Lázaro foi para o seio de Abraão; mas o homem rico, como isto diz, ergueu seus olhos em tormento, estando no inferno. ¶
Em outra parte da revelação, o Senhor diz: ¶
"E também, dou-vos um mandamento com relação à mordomia que vos designei. ¶
Eis que todas estas propriedades são minhas; do contrário vossa fé é vã e sois considerados hipócritas; e os convênios que fizestes comigo estão quebrados; ¶
E se as propriedades são minhas, então sois mordomos; caso contrário, não sois mordomos; ¶
Mas em verdade vos digo: Designei-vos para serdes mordomos da minha casa, sim, verdadeiramente mordomos; ¶
E todos os dinheiros que receberdes em vossa mordomia, provenientes dos melhoramentos que fizerdes nas propriedades que vos designei, sejam casas, terras, animais, ou qualquer outra coisa, com exceção dos escritos santos e sagrados que para mim reservei com propósitos sacrossantos, serão depositados na tesouraria logo que os receberdes, sejam cem ou cinquenta ou vinte ou dez ou cinco; ¶
Ou, em outras palavras, se qualquer homem dentre vós obtiver cinco dólares, que os deposite na tesouraria; ou, se obtiver dez ou vinte ou cinquenta ou cem, que faça o mesmo; ¶
E que ninguém dentre vós diga que lhe pertencem, porque não serão considerados seus, nem mesmo em parte; ¶
E parte alguma deles será usada nem retirada da tesouraria, a não ser pelo voto e comum acordo da ordem; ¶
E este será o voto e o comum acordo da ordem: Quando qualquer homem dentre vós disser ao tesoureiro: Preciso disto para ajudar-me em minha mordomia— ¶
Se forem cinco dólares ou dez dólares ou vinte ou cinquenta ou cem, o tesoureiro lhe dará a soma requerida para ajudá-lo em sua mordomia; ¶
Até que ele seja considerado um transgressor e até que se demonstre claramente perante o conselho da ordem ser ele um mordomo infiel e imprudente; ¶
Mas enquanto estiver em plena comunhão com a ordem, e for fiel e prudente em sua mordomia, esse será o sinal para o tesoureiro de que não lho deve negar." ¶
Este é o plano que o Senhor concebeu. Será isto objeto de abuso? Alguns homens dizem: "Sim; os homens sábios e prudentes, e bons administradores, trabalharão para os demais, e o homem ocioso e o mau administrador é que colherão o benefício." Esse é o argumento usado. Mas o Senhor, que concebeu este plano, será capaz de prover os meios para levá-lo a cabo com êxito. Sobre que princípio podeis tornar os homens iguais nas coisas terrenas, tornar os homens iguais nas coisas celestiais, senão sobre algum princípio como este? Eis aqui homens que trabalharam a vida inteira em benefício deste povo. Estão mais pobres por causa disso? Eis aqui o homem mais velho entre nós, o líder do povo, o de mais longo tempo a serviço de Deus—Wilford Woodruff—que, por anos e anos, trabalhou em seu Apostolado e jamais retirou um dólar sequer para se sustentar a si mesmo ou a sua família. Eis aqui Lorenzo Snow, com oitenta anos de idade, que fez o mesmo. Perguntai a esses dois veteranos na causa de Deus se não trabalharam incessantemente e sem pensar em si mesmos pela obra de Deus, sustentando suas famílias o melhor que podiam; e perguntai-lhes se Deus não os abençoou abundantemente por tudo o que fizeram. Lamentam eles o trabalho que dedicaram a este povo? E, ao aludir a eles, aludo também a seus predecessores, desde Joseph em diante, que trabalharam noite e dia, em época propícia e imprópria, em benefício do povo. Perderam eles algo com isso? Não, não perderam. Deus esteve com eles, e os recompensou. Assim será sempre que levarmos a cabo esta Ordem. Sem dúvida haverá homens que trabalharão mais arduamente e com maior proveito do que outros; mas Deus os recompensará, porque estão realizando Seus propósitos e procurando elevar seus semelhantes, trabalhando com o olho fito na glória de Deus e na salvação da família humana. ¶
Não sei se compreendeis como isto se dará. Suponde que tenhamos nossas mordomias designadas a nós, cada uma segundo sua família. Essa era a ordem. Edward Partridge, como Bispo da Igreja, foi instruído, nos primeiros dias, a atribuir propriedades ao povo, cada uma segundo sua família. Ora, um homem recebe sua mordomia. Tem suas terras, seu gado, seus cavalos, ou o que quer que sua vocação exija. É-lhe atribuída. Ele a administra, e obtém lucro com ela. É esse lucro dele? Não; vai para a tesouraria, em benefício de outros que possam precisar. Mas suponde que ele seja um mordomo sábio. Administra seus assuntos de modo a trazer lucro. Quer mais capital. Quando isto é apresentado perante o conselho da Ordem, e lhe é concedido, se as circunstâncias permitirem, ele obtém acréscimo também com isso. Mas ele não se engrandece a si mesmo. Não toma todo o lucro daquele negócio e o consome com sua própria família. Não o toma para construir belas casas, ou gastá-lo em cavalos e carruagens, ou em móveis elaborados. Não faz isso, senão na medida em que for compatível com o bem-estar geral. Todos serão edificados juntos. Mas terão todos, nessas circunstâncias, a mesma coisa? Se esta Ordem fosse estabelecida, teria todo homem uma casa do mesmo tamanho, um jardim ou campo do mesmo tamanho, o mesmo número de árvores frutíferas, ou o mesmo número de vacas? Ora, não. Não é essa a igualdade a que o Senhor se refere. O Senhor nos dará conforme nossas circunstâncias e nossas necessidades. Algumas famílias serão maiores que outras. Alguns homens precisarão de mais vacas do que outros. O negócio de alguns homens exigirá mais cavalos do que o de outros. Desta forma haverá diferenças. Depois haverá também circunstâncias diversificadas. Todo homem terá a oportunidade de exercer todos os seus talentos. Não haverá restrição. Terá a oportunidade de exercer os talentos mais destacados. O campo estará diante dele, e ele terá meios para levar a cabo Seus propósitos e planos, se forem sábios e tais que seus irmãos considerem prudentes e criteriosos. Assim os pobres terão supridas suas necessidades, e não haverá carência na terra. A igualdade que o Senhor nos ensina a buscar é esta: ¶
"E deveis ser iguais, ou, em outras palavras, deveis ter os mesmos direitos sobre as propriedades, para o benefício da administração dos negócios de vossas mordomias, cada homem de acordo com seus anseios e necessidades, desde que seus anseios sejam justos; ¶
E tudo isso para o benefício da igreja do Deus vivo, para que todo homem desenvolva seus talentos, para que todo homem adquira outros talentos, sim, até cem vezes mais, para que sejam lançados no armazém do Senhor a fim de se tornarem propriedade comum de toda a igreja." ¶
De modo que cada homem, em sua mordomia, não estará trabalhando para si mesmo; estará trabalhando para o todo, cuidando-se de todo homem e mulher, tendo um interesse comum, por herança, de nosso Grande Criador, que criou esta terra para nós. Ele não a criou para poucos, não para uma classe, não para uma aristocracia, não para monopolistas; mas para cada um de nós, tendo cada um de nós direito igual aos elementos, e trabalhando todos pela família humana inteira. Toda necessidade suprida, todo desejo próprio do coração satisfeito, até que a miséria fuja da face desta bela terra, até que a carência seja desconhecida, até que o clamor da viúva e do órfão e do aflito não seja ouvido na terra. Os céus não serão trespassados pelos gritos da humanidade sofredora, e nem homem nem animal ficará destituído daquilo que lhe é bom. Este é o plano que Deus concebeu. Pode exigir aquilo que muitos, formados como fomos sob as condições antigas e existentes, considerariam sacrifícios para trazê-lo a efeito; mas ele virá; pois Deus o concebeu, e é o único plano pelo qual jamais poderemos entrar no reino celestial e nos tornar coerdeiros com Jesus Cristo. Ele nos deu o exemplo de abandonar todas as coisas nos céus, deixando Seu poder e Seu alto estado para descer aqui e sofrer por Seus irmãos e irmãs. Devemos olhar para Ele e segui-Lo. ¶
A lição que gostaria de imprimir em nossos corações—pois, ao falar-vos, falo a mim mesmo—é: ensinemos a nossos filhos estes princípios; ensinemo-los que estão na terra, não para trabalharem para sua própria gratificação, e para acumularem riqueza para si mesmos, mas para beneficiarem a humanidade, para serem uma bênção para sua raça, para encherem a terra, tanto quanto puderem, de alegria por sua presença, para que possamos criar uma raça desprendida de homens, homens que tenham aspirações e objetivos mais elevados do que a mera gratificação de seus desejos, paixões e apetites pessoais. Ensinai as crianças à abnegação. É algo de que muito precisamos entre nós. Irmãos e irmãs, quero dizer-vos que, tão certo quanto Deus vive, esta Ordem será posta em prática; e será conosco como foi com os filhos de Israel que saíram do Egito—se não a levarmos a cabo, seremos removidos, e uma geração será levantada que o fará; pois Deus vai realizar Seus propósitos, e nenhum poder pode impedi-lo. Lembrai-vos da condição dos filhos de Israel e do que lhes aconteceu. Seus cadáveres caíram à beira do caminho no deserto, porque não quiseram alcançar o padrão que Deus revelara. Não somente pereceram, mas o Sacerdócio de Melquisedeque foi tirado do meio deles, e todo aquele com mais de vinte anos de idade que saiu do Egito deu sua vida no deserto. Não queremos estar nessa condição. Queremos viver, e nossos filhos viverem, e serem herdeiros de todas as eras. Queremos lançar os alicerces desta grande obra desta maneira; pois é a grande reforma que clama alto para ser levada a cabo entre a humanidade no presente momento. ¶
Nossas circunstâncias, no presente, não permitem que entremos nestas coisas. Há muitas mudanças que terão de ocorrer a fim de tornar prático aquilo que vos disse. Talvez seja necessário mudar leis, porque poderiam interferir com isto agora; e talvez não fosse sabedoria, sob as circunstâncias presentes. Não falo disto porque penso que deva ser levado a cabo imediatamente. Não quero que saiais desta Conferência com a ideia de que eu, como um dos membros da Primeira Presidência, esteja vos aconselhando a pôr em prática a Ordem Unida. O que desejei fazer foi chamar vossa atenção para o fato de que Deus revelou um plano, e de que não precisais ir atrás de todo fogo-fátuo, todo falso guia, toda luz enganosa que possa aparecer, e pensar: "Oh! se eu me juntar a isto, teremos o milênio imediatamente." Falo sobre isto para vos advertir; para vos pôr em guarda; para vos mostrar que o plano do Senhor é amplo o suficiente para abranger todo o assunto e fornecer todo o alívio que os seres humanos jamais poderiam desejar. Confio que seremos um povo estável. Temos o crédito, no mundo, de sermos unidos; e diria a vós: não ajais de maneira insensata e tola. Quando ouvirdes novas doutrinas, tanto políticas quanto religiosas, não vos deixeis iludir por elas nem corrais atrás delas; mas mantende vossa firmeza. Dividistes-vos em linhas partidárias. Não vos fragmenteis por causa disso. Não penseis que estais manifestando vossa independência ao vos desligardes de tudo; mas sede um povo estável e conservador, e agi de acordo com vossas convicções. Mantende a influência que Deus vos deu, e, por vosso curso sábio, fazei-a aumentar na terra, de modo que homens de todas as partes de nossa nação olhem para esta comunidade e digam: "Ali, nas Montanhas Rochosas, vive o povo mórmon; são um povo confiável; cuidam de seus próprios negócios, pagam suas dívidas, são pontuais em seus compromissos, são um povo honesto, não vivem correndo atrás de cargos, mas se contentam em manter um bom governo." Obtenhamos um caráter como este. Já o temos, em certa medida, e mantenhamo-lo. Quero dizer que, sempre que virdes homens aspirando a cargos e planejando obtê-los, não os incentiveis. Que o cargo procure o homem, e não fiquemos tramando e recorrendo a todo tipo de artimanhas para garantir o sucesso de nosso partido, a fim de que alguns de nós consigam um cargo. Tais artes são desprezíveis. São as artes do político vulgar. Queremos permanecer num plano mais elevado, e olhar para essas coisas como homens que foram esclarecidos pelo Evangelho do Senhor Jesus Cristo, e procurar manter nosso crédito; pois vos digo que o povo em Washington, ou no Condado de Kane, ao sul, ou nos Condados de Cache ou Rich, ao norte, ou em qualquer outro lugar do território, não pode ser culpado de loucura sem que isso reflita sobre todo o povo de Deus. Somos parte de um grande todo nesse sentido; e os Santos em Idaho ou no Arizona podem fazer coisas tolas e acarretar muitos problemas à Igreja neste país por causa de sua falta de sabedoria. Portanto, sede sábios. Por que digo isto? Se vos metestes em problemas, a quem recorreis? Sabeis como foi em nossos problemas que começaram há nove anos. Olhamos ao redor e onde poderíamos ver amigos? A quem poderíamos apelar? Ora, os olhos deste povo se voltaram para os homens que eram seus líderes, que haviam plantado estes povoados nestas montanhas, e que haviam feito prosperar tudo em que puseram as mãos. O povo apelou a eles para saber o que deveria fazer. Assim sempre será quando houver problemas. Portanto, é dever dos homens que lideram aconselhar o povo com sabedoria—não retirar do povo seu livre-arbítrio—evitar armadilhas e seguir um curso que evite problemas, de modo que não tenhamos fardos a carregar. Não digo isto por qualquer desejo de interferir, mesmo minimamente, nos assuntos políticos, mas para vos dar um pouco de conselho sobre esses pontos. ¶
Oro a Deus que vos abençoe e vos encha de Seu Santo Espírito, e vos ajude a recordar as excelentes instruções que ouvistes durante esta Conferência, em nome de Jesus. Amém. ¶