Pulpit

Palavras de Abertura

George Q. Cannon

Conferência Geral de Outubro de 1893·Sessão da Manhã de Sexta-feira·1893-10-06

A pedido do Presidente Woodruff, levanto-me para fazer as palavras de abertura da Conferência. Esta é nossa Sexagésima Quarta conferência semianual, e nos reunimos esta manhã sob circunstâncias que, em alguns aspectos ao menos, são extremamente favoráveis a nós como povo. Temos nossas provações e nossas dificuldades a enfrentar e superar; mas estamos num estado de provação, e não se deve esperar que estejamos livres dos males que afligem a humanidade e que são consequência de uma existência terrena; de fato, como Santos dos Últimos Dias, fomos assegurados, entre outras coisas, de que teríamos provações a enfrentar, e viriam de várias formas, para provar nossa fé, provar-nos e nos dar aquela experiência que é tão necessária para nós em nossas carreiras futuras.

Tivemos, desde nosso último encontro, considerável dificuldade em assuntos financeiros. Todos, sem dúvida, estais cientes disto. Sem dúvida o sentistes individualmente, como o sentimos como Igreja. Provavelmente nunca, em nossa experiência anterior, tivemos de enfrentar tal constrangimento pecuniário como tivemos ultimamente. Não é necessário que nos demoremos nas causas que produziram estes constrangimentos; são-vos familiares a todos. Conheceis os fardos que a Igreja teve de suportar. Mas o povo, em muitíssimos casos, respondeu de bom grado aos chamados que lhes foram feitos. Conhecemos irmãos que se endividaram a fim de fornecer meios que subscreveram para a conclusão do Templo, e o fardo foi suportado, posso dizer, alegremente pelos irmãos e irmãs. Resolvemos que, com a ajuda de Deus, terminaríamos o Templo e o dedicaríamos ao Altíssimo no dia seis de abril de 1893. O Senhor nos ajudou a cumprir essa resolução, e derramou abundantemente Seu Espírito Santo sobre nós, em testemunho de Sua aceitação daquela obra gloriosa. Mas o povo sentiu este fardo—isto é, sentiram as dívidas que foram obrigados a contrair. A Igreja, coletivamente, representada pelo fiduciário, também sentiu isto. Não obstante, fomos grandemente abençoados por termos abundância de alimento em nossos vales, e abrigo suficiente, e casas confortáveis em que morar. Ao contrastar nossas circunstâncias nestes dias com o passado, temos motivo abundante para ações de graças e para glorificar nosso Deus.

É muito interessante ver a condição favorável dos assuntos no exterior, no que nos diz respeito. A ira do homem foi desviada do povo de Deus. Quem poderia ter pensado, poucos anos atrás, quando estávamos cercados, poder-se-ia dizer, por um sentimento de intensa inimizade e ódio, e um espírito que parecia ansioso por nossa destruição, que uma mudança tão maravilhosa ocorreria em tão curto período em relação à opinião pública? A recente visita do coro a Chicago, com a Primeira Presidência, foi muito gratificante em seus resultados. Creio que fez mais bem do que a pregação de um grande número de Élderes poderia ter feito, e fomos recebidos com a mais extrema consideração e bondade. Não posso mencionar nada que ilustre melhor a mudança de sentimento do que dizer que a Câmara dos Representantes aprovou o projeto de lei devolvendo à Igreja sua propriedade pessoal. Isto mostra a disposição que se manifesta em nos tratar com aquela consideração e justiça com que são tratados os demais cidadãos da República. Bem, podemos louvar nosso Deus por Sua misericórdia e bondade para conosco, porque isto é o cumprimento das promessas que Ele nos fez. Ele nos disse que, quando passássemos pelas águas profundas, Ele estaria conosco, e Ele nos sustentaria e libertaria; e nós hoje, nesta conferência, podemos louvar e glorificar Seu nome com todo o nosso coração por ter cumprido Suas promessas para conosco. Somos testemunhas vivas da verdade daquilo que Ele nos disse.

Por todos os nossos vales, temos colheitas razoavelmente boas. Em alguns lugares, podem estar um pouco escassas; mas o suficiente foi produzido para nos sustentar, e a todos que dependem de nós, incluindo nossos rebanhos e nossas manadas. Espero, como todos devemos, que por todos estes vales nenhum clamor de aflição ascenda a Deus, nosso Pai eterno, nem mesmo de um animal; mas que administremos daquilo que o Senhor nos deu para suprir as necessidades de todos os filhos dos homens que possam entrar em contato conosco e estejam destituídos, e especialmente àqueles que pertencem à família da fé. Nossos Professores, nossos Bispos e nossas Sociedades de Socorro deveriam se esforçar para ver que não haja necessidade, e que não haverá necessidade este inverno, de combustível, de abrigo, de alimento ou de vestimenta necessária. De nenhuma forma podemos melhor mostrar nossa gratidão a nosso Pai nos céus por aquilo que Ele fez por nós do que administrando a nossos semelhantes; pois, se não amamos nosso irmão a quem vimos, como podemos amar a Deus, a quem não vimos? Como podemos melhor mostrar nosso amor por nosso grande Criador do que cuidando de Seus filhos, e assim retribuir-lhes, em alguma medida, a bondade que Ele nos mostrou?

Temos, como sabeis, feito tudo o que estava em nosso poder para promover a fabricação de açúcar em nosso Território. A Primeira Presidência e os Doze assumiram sobre si, individualmente, bem como em sua capacidade organizada, fardos muito pesados a fim de levar este projeto adiante. Fomos impressionados e impelidos a fazer isto pelas manifestações do Espírito de Deus por meio de nosso Presidente e a cada um de nós que recebeu aquele testemunho. Sentimos que isto era certo, que era um empreendimento que deveria ser assumido; e, embora tenhamos tido muitos obstáculos a enfrentar, o maior dos quais tem sido a dificuldade de levantar dinheiro, não obstante carregamos o fardo o melhor que pudemos, e temos a gratificação, nesta estação, de sentir que o Senhor tem sido muito bondoso, de fato, para com Seu povo. Ele abençoou seus campos. Abençoou as colheitas de beterraba. Somos informados de que estão rendendo muito generosamente em matéria sacarina, e que a perspectiva é de que teremos bons retornos em açúcar, e começaremos a poder cumprir as obrigações que recaem sobre nós. Queremos falar favoravelmente deste empreendimento. Queremos instá-lo perante os Santos dos Últimos Dias. Queremos dizer tudo o que for a seu favor, para sustentá-lo e torná-lo um sucesso, para dar emprego a nosso povo, e dar a nossos fazendeiros remuneração por seu trabalho, ajudando-os a produzir uma colheita pela qual receberão dinheiro, e também economizar em casa o dinheiro que de outra forma sairia de nosso Território para a compra de açúcar. Esta é a política verdadeira. É a verdadeira maneira de edificar Sião.

Devemos voltar nossa atenção a estes assuntos e descartar todas as teorias tolas e toda conduta imprudente. Tem havido muito disso neste país a respeito desta fábrica de açúcar. Foi arrastada para a política—coisa que nunca deveria ser feita. Queremos tirá-la disso. Queremos olhar para estes assuntos como servos e Santos de Deus, e, quando Deus nos disser para fazer algo, fazê-lo. Deus nos chamou para edificar Sião na terra, e Ele a edificará à Sua própria maneira, e não segundo as teorias do homem. É nosso dever, quando Ele nos dá uma ordem, ir com toda nossa força e cumprir essa ordem. Se o fizermos, Ele sempre estará ao nosso lado, e nos sustentará, e nos levará triunfantes sobre todo obstáculo.

Regozijo-me esta manhã por poder fazer esta declaração a respeito de nossa fábrica de açúcar. As perspectivas para ela são boas, e precisamos dos meios que a venda do açúcar produzirá. Se pudéssemos fabricar o suficiente para suprir todo o nosso Território, seria uma coisa grandiosa para nós, e para todo o país também. Esperamos que todos vós vos disponhais a isto, comprando as ações e ajudando a carregar o fardo, e não o deixeis sobre os ombros de poucos.

Nossas missões em terras estrangeiras e nos Estados Unidos estão, de modo geral, em boa condição. Há 120 Élderes só nos estados do Sul, e estão laborando eficazmente. Não há tumultos dignos de menção, e os Élderes estão indo muito bem e escapando da violência. Nos estados do Norte também se faz muito bem, sendo os missionários diligentes e ativos.

Há esta dificuldade, contudo, em todas as nossas missões: é difícil para os Élderes se sustentarem. Alguns o fazem, os que têm meios, mas vem o clamor de nossas missões de que, a menos que se preste ajuda, homens experientes terão de voltar para casa. Claro, isto significa o pagamento de sua passagem de volta, e também o pagamento da passagem de outros para preencherem seus lugares, que não são tão bem qualificados por experiência. Cartas têm sido escritas pelos presidentes de missão aos Bispos e outros, pedindo que se preste ajuda, para que possam manter estes homens de experiência no campo; mas a resposta de casa, em geral, tem sido que não podem fazê-lo. Deveríamos, se possível, evitar a liberação de homens capazes até que tenham cumprido suas missões. Sabeis, irmãos e irmãs, que há muitos homens cujo melhor campo é o campo missionário, cuja maior influência está em pregar o Evangelho. Muitos deles não são bons administradores em casa; não parecem ter dom para assuntos financeiros; mas dai-lhes uma missão, e são bem-sucedidos em pregar o Evangelho, em avisar o povo, e em recolher os honestos de coração. Onde há tais homens no campo, deveriam ser sustentados ali. Devem-se fazer esforços para mantê-los naquilo em que são mais qualificados, e não obrigá-los a voltar e lutar em casa.

A obra vai excelentemente no norte da Suécia. Ouvimos falar de muitos batismos naquela região. Na Noruega também o povo está favoravelmente disposto para com a obra de Deus e dispostos a ouvir os Élderes. Na Holanda há boas aberturas, mas quase não há homens para preencher as aberturas, sendo muito poucos entre nós capazes de falar o holandês.

O campo na Alemanha é extenso; mas as restrições ali interferem seriamente na disseminação do Evangelho, embora estas estejam, em alguns lugares, gradualmente se tornando mais brandas. Em Hamburgo, a obra vai progredindo. É fato notável, digno de nota, que, durante a prevalência da cólera naquela cidade, embora os Santos dos Últimos Dias trabalhassem lado a lado de pessoas atingidas por aquela terrível doença, nenhum deles caiu vítima de seus estragos. A bênção do Senhor pareceu repousar sobre os Santos, e, pela fé, escaparam. Meu filho David, que faleceu há um ano na Alemanha enquanto laborava no ministério, abriu uma região para a pregação do Evangelho, onde os Élderes estão laborando agora com considerável perspectiva de sucesso, tendo muitas almas sido recolhidas ao redil. Por toda a missão suíça e alemã, o sentimento é de esperança, e os irmãos estão encorajados.

A França mal foi avisada. É verdade que houve missões em Paris; mas há partes da França que nossos Élderes nunca visitaram. A Espanha permanece ainda intocada; nenhum Élder entrou na Espanha ou em Portugal, e há almas ali para serem salvas.

Nossos jovens deveriam dedicar alguma atenção à aquisição de idiomas. Deus disse que nos dará o dom de línguas para este fim, e o dom de interpretação de línguas, e sei que estes dons podem ser obtidos se forem buscados. Nossa juventude deveria estar aprendendo todos os idiomas falados por seres humanos, de modo que possamos ter entre nós homens capazes de ir a qualquer dos países da Europa—Espanha, Portugal, França, Alemanha, Escandinávia, Holanda, Itália, etc.—e pregar o Evangelho do Filho de Deus. Aqui está o Japão, estendendo sua mão em busca de conhecimento. Não temos um Élder para ir ao Japão. O mesmo com o restante da Ásia. Quase todo o continente da Ásia sem Élderes, e o povo perecendo por falta daquela Palavra que Deus nos deu! Estão clamando em suas almas, sem dúvida, como vós, homens e mulheres idosos, clamastes em vossa juventude; orando a Deus pela verdade. A condição do mundo deveria nos comover, e nossos jovens deveriam ser treinados a falar os vários idiomas. Ao sul de nós há um continente inteiro de povos de língua espanhola. Precisamos de centenas de Élderes—milhares, poderia dizer—para visitar estas terras estrangeiras e abrir o Evangelho aos milhares e milhões que estão sentados nas trevas e que não têm aquela paz e alegria celestial de que nos regozijamos. Quando penso nisso, sinto como se gostaria de ter o privilégio de sair e levar este Evangelho de salvação a estes povos. A maior alegria de minha vida tem sido pregar o Evangelho. Gostaria de ir a novos campos. Há anos quero ir ao Japão. Anos atrás, se as circunstâncias o permitissem, eu teria me voluntariado a ir. Deve-se dar atenção a estas coisas, e nossos irmãos deveriam procurar qualificar seus filhos para a utilidade na edificação de Sião, dando-lhes vantagens adequadas assim que puderem, e nossas filhas também deveriam dedicar atenção a estes vários idiomas.

Temos três Élderes na Turquia, dois deles laborando na Ásia Menor e um em Damasco; e têm oportunidades ali de pregar e batizar. Mas quão poucos há para fazer isto! O campo é vasto, a colheita é grande, mas quão poucos são os trabalhadores! Assim é por todos os Estados Unidos. Assim é na Inglaterra. Estive em Londres há pouco tempo. Vi ali uma excelente oportunidade, pareceu-me, para a pregação do Evangelho de uma forma que nunca havia sido pregado na Inglaterra—isto é, entre aqueles chamados de classe mais elevada. Havia um interesse manifestado em nossos assuntos que falava bem da disposição de ouvir os Élderes pregar. Mas nossas casas de reunião e cercanias, tanto em Londres quanto em Liverpool, não são de um caráter que convide esta classe de pessoas a visitá-las, porque não são adequadas às suas ideias para a pregação do Evangelho. Estive lá apenas por um tempo muito curto, mas senti, enquanto lá estava, que o campo era excelente. Creio que assim seja em outros lugares na Grã-Bretanha. O problema é que muitos Élderes saem que são inadequados para o trabalho. Um bom homem, enérgico e capaz, sempre fará um bom trabalho; enquanto outros, com iguais oportunidades, são fracassos, não sendo adaptados a isso. Vi isso enquanto lá estava. É assim em todo tipo de trabalho; é assim na pregação do Evangelho. Ouvimos muito a respeito do fracasso de Élderes em certos lugares. É verdade que o povo é duro de coração, e é lento em ouvir a verdade. Mas há formas de apresentá-la a eles que, se empregadas, resultariam, em minha opinião, em grande sucesso. Voltei ontem da Califórnia, aonde fui a negócios por alguns dias. É um campo com o qual estou muito familiarizado; pois laborei ali por alguns anos. Pensei poder ver algumas das causas de por que não havia mais sucesso na Califórnia. É um campo, provavelmente mais do que qualquer outro, que, por razões evidentes, requer homens de aptidão e capacidade peculiares. Não tenho dúvida de que os Élderes ali estão fazendo o melhor que podem, mas precisam de experiência.

Mas o Evangelho está sendo pregado. Sião está sendo anunciada. As nações da terra estão ouvindo falar de Sião. Nossa própria nação está aprendendo consideravelmente a respeito dela. A visita do coro, à qual aludi, produziu grandes resultados. Creio que sentiremos seu efeito nos anos vindouros. Tudo, posso dizer, é encorajador. Estamos passando por uma provação agora, assim como passamos por outras provações; mas, se fomos culpados de tolice em assuntos monetários, arrependamo-nos perante o Senhor—arrependamo-nos de nossa extravagância, de nossa falta de sabedoria, de nossa disposição para especular. Onde nos entregamos a estas coisas, arrependamo-nos com todo o coração e imploremos a bênção e o perdão de Deus sobre nós. Digo-vos que há bons dias vindouros. Há dias brilhantes no futuro para Sião. Estamos avançando, e não tenho senão coisas boas a dizer, não tenho senão encorajamento para o povo de Deus. Podemos estar apertados agora; mas já estivemos antes. Já estivemos apertados em circunstâncias muito piores do que estamos agora. Sejamos gratos por os assuntos estarem em uma condição tão boa quanto os encontramos, e procuremos melhorar. Suportemo-nos uns aos outros. Onde os homens devem a seus irmãos ou irmãs, que paguem tão depressa quanto puderem, e que os credores sejam pacientes. Sairemos todos bem. Pagaremos nossas dívidas, salvaremos nosso crédito e nossa honra, como povo e como indivíduos. Prometo-vos isto, em nome do Senhor, se fizerdes o certo e puserdes vossa confiança em Deus, que nunca ainda nos falhou.

Não aludi às Ilhas do Pacífico. Ali os Élderes estão indo excelentemente. Nas Ilhas Sandwich e na Nova Zelândia e Austrália, os Élderes estão recebendo almas como recompensa por seus labores. As Ilhas da Sociedade foram visitadas pelo Irmão James S. Brown e seu filho e outros Élderes. Houve muitos batizados naquelas ilhas há muito tempo. Houve uma missão enviada de Nauvoo, liderada por Noah Rogers, Addison Pratt, Benjamin F. Grouard e Knowlton F. Haake. Estes Élderes levaram o Evangelho para lá, e milhares foram batizados; mas foram deixados por si mesmos em grande medida, e outros entraram e se esforçaram por desviá-los do caminho. As perspectivas são, contudo, de que nossos jovens Élderes que estão ali, e que estão adquirindo o idioma, farão uma boa obra. Esperamos salvar um remanescente das raças polinésias, das várias ilhas, para serem contados entre o povo de Deus em Sião.

Oro a Deus para que, durante esta conferência, tanto os oradores quanto os ouvintes possam estar cheios do Espírito e do poder de Deus, e que a palavra de Deus que nos é adequada seja dada a Seus servos para nos dar. Também oro a Deus que abençoe de modo especial o Presidente Woodruff, que o encha de vida e saúde, e o torne forte. Sua visita a Chicago, creio eu, restaurou-o à condição de saúde que tinha na Dedicação. Mas ele está sofrendo um pouco de resfriado agora, e oro para que ele, com o restante de nós, seja abençoado com vida e saúde em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Palavras de Abertura”, Conferência Geral de Outubro de 1893, Sessão da Manhã de Sexta-feira (1893-10-06). Pulpit Vault, 1893-10-cannon-opening-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, newspapers.lib.utah.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).