Observações
Franklin D. Richards
Discurso ¶
por Franklin D. Richards ¶
Amados ouvintes, tendo a oportunidade de ocupar alguns minutos nesta tarde, desejo, antes de fazer quaisquer observações próprias, ler uma revelação muito breve, contida na sexagésima quinta seção do livro de Doutrina e Convênios, intitulada "Revelação sobre a Oração, dada por meio de Joseph, o Vidente, em Hiram, condado de Portage, Ohio, no início de outubro de 1831." ¶
Escutai e ouvi uma voz como a de alguém enviado do alto, que é forte e poderoso, cujas idas chegam aos confins da Terra, sim, cuja voz se dirige aos homens: Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. ¶
As chaves do reino de Deus foram confiadas ao homem na Terra, e dali rolará o evangelho até os confins da Terra, como a pedra cortada da montanha, sem mãos, rolará até encher toda a Terra. ¶
Sim, uma voz clamando: Preparai o caminho do Senhor, preparai a ceia do Cordeiro, aprontai-vos para o Esposo. ¶
Orai ao Senhor, invocai seu santo nome, divulgai suas obras maravilhosas entre o povo. ¶
Invocai o Senhor, para que seu reino siga pela Terra e seus habitantes recebam-no e estejam preparados para os dias que virão, nos quais o Filho do Homem descerá no céu, revestido do esplendor de sua glória, para encontrar o reino de Deus que está estabelecido na Terra. ¶
Portanto, que o reino de Deus vá avante para que venha o reino dos céus, a fim de que tu, ó Deus, sejas glorificado no céu e na Terra; que teus inimigos sejam subjugados; pois tua é a honra, o poder e a glória para todo o sempre. Amém. ¶
Senti-me inclinado a ler esta revelação, pois parece ser a mais direta já dada aos Santos dos Últimos Dias sobre o assunto da oração. Antes dos dias do Salvador, João Batista ensinou seus discípulos a orar, e quando o Salvador veio, os irmãos pareciam pensar que Ele, sendo maior do que João Batista, e a obra estando mais avançada com Sua vinda, poderia ensiná-los melhor do que ele, e desejaram saber d'Ele como orar. Ele os ensinou, como todos os Santos dos Últimos Dias sabem; e esta parece ser a direção e o objetivo da oração, que devemos pedir a Deus e rogar-Lhe que Seu reino venha e Sua vontade seja feita assim na terra como no céu, para que ela seja preparada para a vinda do reino dos céus, quando o Filho do Homem descer do céu, revestido do esplendor de Sua glória. ¶
Desta revelação que acabamos de ler, parece que a vinda do Senhor Jesus Cristo é o grande ponto para o qual todas as nossas orações deveriam voltar-se. Parece ser o grande objetivo principal de nossa obra aqui na terra, esforçarmo-nos continuamente por espalhar o reino de Deus aqui na terra. É o ponto, partindo de qualquer raio que queiramos, no qual todas as linhas de nossas operações deveriam centrar-se — o único grande e glorioso acontecimento, quando Ele vier e tomar para Si Seu poder governante, e governar e reinar sobre a terra, Rei das nações, assim como já reina como Rei dos Santos. Parece, pelo espírito desta oração e por sua fraseologia, que sua tendência e sua concentração de propósito apontariam todas para aquele grande acontecimento que há de se cumprir — a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo sobre a terra. É o que o militar chamaria de point d'appui — o ponto de todas as nossas operações e de todas as evoluções de nossa vida, como os exércitos de Israel e como a força da casa de Deus, trabalhando nessa direção. O Senhor disse aos Élderes, em muitas das primeiras revelações: Vós não sabeis a obra que estais fazendo. Sois chamados a lançar o fundamento de uma grande e poderosa obra na terra. O Profeta Joseph e todos os primeiros Élderes, nos dias de sua liberdade, quando a luz da revelação brilhava continuamente sobre eles, falavam e meditavam muito sobre a expansão do reino de Deus, a extensão dos poderes de Seu Sacerdócio e de Sua obra, para preparar o povo na terra, a fim de que estivesse pronto para Sua vinda e para a vinda daqueles santos que Ele trará consigo, chamados nesta revelação de o reino dos céus. ¶
Dou-vos testemunho, meus irmãos e irmãs, nesta tarde, de que nada menos que isto é a obra em que estamos agora empenhados. Todas as vicissitudes da obra dos últimos dias, por mais agradáveis ou desagradáveis que nos possam parecer, estão contidas, contempladas e fazem parte deste grande movimento, que há de trazer a cumprimento o grande acontecimento aqui mencionado. A obra que sobre nós recai nestes últimos dias, tal como me parece, é a maior dispensação já dada ao homem, ou considerada por qualquer dos Profetas, a menos que exceptuemos a grandiosa, profunda e poderosa observação do Salvador quando Ele falou aos judeus desobedientes e lhes disse que sobre eles viria todo o sangue justo que fora derramado desde os dias de Abel até os dias de Zacarias, que foi morto em seus dias entre o templo e o altar. Naquela poderosa declaração estava contida uma responsabilidade que recaía sobre aquela geração, que a mente humana, sem as revelações do Espírito Santo, não pode compreender. ¶
A nós, na dispensação da plenitude dos tempos, é dado labutar pelo ajuntamento de todas as coisas que estão em Cristo Jesus, não somente as que estão na terra, mas também as que estão nos céus — obra que o Profeta Joseph, enquanto esteve conosco, se esforçou continuamente por desvendar a nossos olhos, expondo, em alguns de seus últimos sermões, a grande responsabilidade que recai sobre o povo de buscar e administrar por seus mortos, para o ajuntamento de todas as coisas que estão em Cristo, que estão no céu e que estão na terra! Que declaração! Quem pode contemplar a extensão, a altura, a profundidade e a largura do significado dessa expressão? No entanto, quem há entre nós, em toda a vasta assembleia do povo de Deus, que não esteja diretamente interessado, absolutamente afetado pessoalmente por aquela obra e por seus poderosos resultados e consequências? E quantas vezes nos permitimos, pelas circunstâncias triviais da vida, ser desviados dessas grandes e momentosas considerações para muitas coisas extremamente indignas de nós como Santos dos Últimos Dias? Contudo, o Senhor tem cuidado de nós, e continua a cuidar de nós. Sua obra, como vemos por estas expressões ilimitadas, é uma obra tão além de nossa compreensão que é, de fato, digna do caráter de um Deus. Ele tem trabalhado conosco desde que primeiro viemos a conhecer a verdade. ¶
Como foi singular a maneira pela qual eu e vós recebemos o espírito de recolhimento, tal como o recebemos! Quando viemos a ouvir o Evangelho, tornamo-nos como estranhos bem nas terras em que nascemos. Essa tem sido a condição de todos os Santos fiéis em todos os períodos da terra de que temos algum registro. Assim foi com o pai Abraão. A Bíblia nos conta muito pouco a seu respeito. Outras histórias nos informam que tão severa foi sua perseguição, ainda quando criança, que sua mãe teve de tomá-lo e escondê-lo em uma caverna da terra; e seus pais estavam tão ansiosos por ele que lhe levaram alimento e o sustentaram, a ele e a sua mãe, por muito tempo. Os feiticeiros e os astrólogos foram tomados de ansiedade e curiosidade, porque outra estrela havia aparecido nos céus no nascimento daquele menino Abraão. Pensaram que aquilo significava algo, que era significativo, e sussurraram ao rei, que tentou eliminar o menino. O pai de Abraão, Terá, trouxe à luz, por ordem do rei, uma criança de uma de suas outras mulheres, nascida por volta da mesma época, e o rei mandou destruí-la. Depois de algum tempo, a mãe de Abraão, pensando que a ira do rei estivesse apaziguada, arriscou-se a sair com o menino. ¶
Outra história nos conta que ele foi colocado para morar por algum tempo com Sem, o bom e velho patriarca, e viveu com ele vários anos, escondido e recluso, estudando as coisas de Deus. Ele amava a retidão, e, faminto por mais retidão, afastou-se da idolatria de seus parentes, e até mesmo da casa de seu pai, e por algum tempo estudou as coisas de Deus nas casas daqueles primeiros patriarcas que tinham acabado de atravessar o dilúvio. Quando se arriscou a sair novamente, e se descobriu que era aquele mesmo Abraão, a ira do rei se acendeu com dobrada fúria, e desta vez ele foi capturado e lançado numa fornalha ardente. A Bíblia não nos conta isso, mas outras histórias o fazem. O livro sagrado dos maometanos o conta. Está no Alcorão. Abraão foi tão maltratado por esta perseguição que se perguntava onde poderia encontrar um lugar na terra em que pudesse morar em segurança. O Senhor lhe disse que saísse daquela terra, e Ele lhe mostraria um lugar, não muito distante, que haveria de ser seu algum dia. ¶
Este é precisamente o sentimento e o espírito que se apoderou de muitos de nós, Santos dos Últimos Dias, nas várias nações onde ouvimos este Evangelho. Tornamo-nos, de repente, estranhos. Nossos parentes e melhores amigos tornaram-se nossos inimigos, muitos de nós fomos expulsos e encontramos um lugar de reunião com os Santos, como está escrito: "Ajuntai-me os meus santos, aqueles que fizeram comigo um convênio com sacrifício." Esta fé no Evangelho vem como uma questão de sacrifício para os mundanos. Quando começamos a nos reunir e nos tornamos poucos em número, eis que a ira dos ímpios foi tal que permeou a vila, ou o povoado, ou a Igreja no exterior onde estávamos, e a dispersou, como o vento terrível que soprou o caule da mostarda e espalhou a semente. Assim, numerosos conversos foram reunidos à Igreja, e o sacrifício trouxe uma colheita de almas, assim como o fazendeiro sacrifica sua semente para semeá-la na terra, para que produza o pão na estação devida. Assim tem sido a obra do Senhor: o ajuntamento de Seus Santos que fizeram com Ele um convênio por sacrifício. ¶
Assim foi quando fomos expulsos do Missouri e de Illinois. Não convém que eu me detenha a detalhar-vos isso. Sabeis que, quando fomos expulsos do Missouri, as bondosas simpatias do povo de Illinois nos receberam entre eles, e passamos pelos condados de lá. Os irmãos tomaram fazendas, puseram-se a trabalhar, e labutaram de todas as formas, e a verdade se espalhou por toda parte. Muitos homens fortes na Igreja abraçaram o Evangelho naquele período, e cresceram conosco e estabeleceram sua semente em retidão sobre a terra. ¶
Este tem sido o modo de agir do Senhor conosco. Quando fomos dispersos de Illinois, viemos para cá, e nossos inimigos pensaram que se haviam livrado da praga do mormonismo. O Senhor nos guiou. Vede como Ele foi bondoso nisso! Por trás de uma providência carrancuda, Ele escondia aquele bendito rosto sorridente. Quando Ele viu que os horrores da guerra estavam por vir, e que a revelação dada ao Profeta Joseph no Natal de 1832 deveria cumprir-se, Ele, em Sua misericórdia, não quis que ficássemos ali e nos envolvêssemos naquela guerra fratricida. Em Seu grande amor por nós, Ele permitiu que uma turba viesse sobre nós e exigisse que deixássemos aquela terra, bem a tempo de nos salvar de entrar nas fileiras da luta sangrenta, dando a vida, e talvez muitos colocando-se em posição tal que não pudessem fazer uma oferta aceitável ao Senhor em Seu santo templo. Davi, o homem de Deus, por ser homem de muito sangue, não teve permissão de construir o templo; mas Deus, em Sua misericórdia, nos poupou dessa terrível mácula, trazendo-nos para cá. ¶
Aqui, por muitos anos, que grande paz temos tido! Quando o Senhor fez do Presidente Young nosso Governador, então fomos felizes. Só queríamos conhecer a vontade do Senhor, a fazíamos, e éramos prosperados. A terra debaixo de nossos pés era continuamente abençoada para nós. Nossos corações e nossos lares foram santificados. A terra, tendo descansado por eras, trouxe-nos sua força, como nós nos estados não sabíamos nada a respeito. ¶
Depois de algum tempo, tivemos de suportar bastante hostilidade de nossos irmãos vermelhos, os lamanitas. Quando os emigrantes viajavam pelo continente, consideravam que estavam prestando serviço a Deus ao matar os homens vermelhos. Então, por sua vez, a vingança do homem vermelho recaiu sobre nossos irmãos. Com o tempo, foi designado um Governador para vir entre nós, o qual determinou que já não teríamos as armas públicas, nem mesmo para celebrar o 4 de julho. Os rapazes não podiam ter espadas com que praticar exercícios de esgrima, e alguns que tinham espadas de madeira foram presos por esta ocupação infantil. Qual foi o resultado disso? Permiti-me chamar cuidadosamente vossa atenção para a consideração deste aspecto particular: que, enquanto em sua ira e em sua determinação de destruir todo meio que tínhamos para nos defender, deixando os índios livres para nos atacar, os céus compreenderam isso, e desviaram a ira dos índios, de modo que nunca mais tivemos ocasião de organizar uma campanha contra os índios desde então. ¶
Não se manifesta a bondade de Deus nesta providência, quando foi determinado que não deveríamos ter nada com que nos defender? Certamente que sim, e os Santos dos Últimos Dias que a contemplam devem considerá-la como uma manifestação da grande bondade de Deus para conosco. Ele não nos havia abandonado; mas, com a retirada dessas armas, foi aparentemente retirado todo vestígio de má vontade da parte dos selvagens ao nosso redor, e, em vez de nos mostrarem hostilidade, eles vêm à Presidência, que os aconselha a manter a paz entre si e com os brancos, e a cessar o derramamento de sangue. Este excelente conselho tem preservado a vida de muita gente, bem como mantido uma relação melhor e mais forte entre eles e nós. ¶
Eis, irmãos e irmãs, a bondade de Deus nestas coisas! O Senhor está continuamente conosco; e, embora não estivesse em Sua providência que fôssemos dispersos daqui, e novamente expulsos sobre a face da terra, ainda assim as provações e os sacrifícios pertencentes à nossa santa religião podem ser aplicados a nós aqui. Ele permitiu que nossos inimigos carregassem a própria atmosfera de mentiras e falsidades a nosso respeito, e não tivemos o poder de prevalecer contra eles, e, por sua vez, eles nos oprimiram consideravelmente no exercício de nossas opiniões religiosas, até que os muros da prisão encerraram muitos de nossos irmãos. ¶
Agora, quanto ao tempo que temos aqui no presente. O Senhor disse que amoleceria os corações de nossos inimigos de tempos em tempos, para que Sua obra pudesse prosseguir e prosperar. Depois da geada rigorosa e do tipo de inverno que tivemos nestas questões, o Senhor tem provocado uma mudança agradável, como a primavera, sobre nós. Quero chamar vossa atenção para um aspecto particular deste assunto, que me parece ser desejável considerarmos com cuidado. Há entre nós, em grande medida, um sentimento, que hoje existe mais particularmente nos povoados exteriores, de que prefeririam ficar inteiramente por si mesmos e excluídos da sociedade e das instituições daqueles que não são de nossa fé. Isso é muito natural, após toda a experiência que os Santos têm tido. Mas quero dizer-vos que não convém agirmos como o caracol — enroscar-nos em uma concha e ficarmos por nossa conta, deixando que os que nos cercam e estão em nosso meio cuidem de si mesmos. O Senhor nos trouxe para cá, colocou-nos entre estas colinas e montanhas, e estabeleceu estes templos aqui, para que façamos nossa luz brilhar para as nações da terra. Parece-me que, agora que nos associamos, em assuntos políticos, com muitos homens que não são de nossa fé religiosa, e nossas irmãs se associam com muitas senhoras da nação de honrosa e elevada posição, deveríamos considerar que esta é uma condição peculiar em que Deus deseja que sejamos exercitados, que estamos aqui como uma luz posta sobre um monte, que não se pode esconder — não para ser posta debaixo de uma cama, nem debaixo de um alqueire, mas para ser posta sobre uma eminência, onde possa ser vista. ¶
Este Templo, que ainda não está quase pronto, resolvemos na última Conferência que estivesse terminado para dedicação até a Conferência da próxima primavera, e estou certo de que assim será. Nossa resolução, unida e forte como foi quando estávamos sentados sob os muros daquele edifício, não pode ser quebrada, e esperamos ver a casa dedicada dentro em breve. Então teremos quatro templos no único Território de Utah, derramando sua luz, bênção, iluminação e glória sobre as mentes de todos os que ali entrarem com fidelidade, com humildade e com obediência cumprida, para ajudar a preparar os parentes falecidos, para que venham a Cristo, para que estejam entre o número dos que hão de ser reunidos em Cristo desde os céus, quando Ele vier em cumprimento desta oração e desta revelação. ¶
Deveríamos estar preparados para nos associarmos com os homens que vêm entre nós, de maneira boa e apropriada, sermos honestos, pagarmos nossas dívidas, e agirmos como bons vizinhos e bons amigos da humanidade deveriam agir. Nossos exemplos deveriam ser tais que o povo entre nós tomasse conhecimento de nós, e fosse levado a sentir, ao contemplar-nos e a nosso modo de vida, que somos filhos de Deus. Não que devêssemos ir com eles a suas tabernas, ou a seus lugares de diversão, onde se esquecem de Deus e profanam Seu Sábado, ou blasfemam Seu santo nome. Mas que, em todas as nossas associações necessárias com eles, mantenhamos o Evangelho e deixemos que sua luz brilhe em nossa conduta, de modo que sejamos entre eles como o sal da terra. O Salvador disse: Vós sois o sal da terra; e se o sal perder o seu sabor, com que se há de salgar a terra? ¶
Desejo chamar a atenção dos irmãos e irmãs para este assunto, que não deveriam manter esta exclusividade com demasiado rigor. Quando as pessoas vêm entre nós — e o Senhor está enviando todos entre nós — deveríamos ser capazes de tratar a todos com propriedade, e deixá-los ver que compreendemos tudo o que sabem do Evangelho, e muito mais. A menos que façamos isso, não podemos emitir aquela luz aos que estão entre nós; e, se o fizermos, haverá aqui e ali aqueles retos de coração que abraçarão a fé, e os que não o fizerem ficarão sem desculpa. É necessário que estejamos assim envolvidos nestas várias funções, e que pessoas sejam enviadas entre nós, para que se familiarizem conosco, a fim de que, por associação, possamos transmitir-lhes as virtudes que possuímos, mas não que devamos absorver os vícios que possam trazer consigo para nosso meio. ¶
Nisto sabemos que os irmãos às vezes se sentem confusos e mal sabem o que é certo; mas, meus irmãos, esta é outra lição do Senhor para cada um e para todos, para que descubram o que é certo. Se estais de coração duvidoso e não sabeis o caminho para fazer isto ou aquilo, ide e encontrai vossos lugares secretos; encontrai vosso caminho para o aposento; arranjai um, ainda que tenhais de fazê-lo de artemísia e salgueiros, e pedi ao Senhor Seu Espírito para vos dar discernimento e vos fazer entender se deveis fazer isto ou aquilo, se deveis unir-vos a isto ou àquilo, para que, em toda ocupação e empreendimento, sigais um rumo tal que, olhando para trás em tempos futuros, sintais gratidão por terdes feito como fizestes, e não olheis para trás com pesar ou arrependimento pelo que fizestes, desejando ter feito de outra forma. Este é o caminho que todos os que são cumpridores do dever deveriam seguir. Deveriam aprender que é seu dever obedecer ao Senhor, ouvir Seu conselho, e andar nos caminhos da vida. Pois muitos mal conhecem o caminho que seria satisfatório para si mesmos e para aqueles com quem se associam. Esse é o momento de buscar teu aposento: "e fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê em oculto, te recompensará publicamente", levando-te a seguir um rumo apropriado e fiel, que sempre contemplarás com prazer e satisfação. ¶
Vivemos em um dia no qual muita coisa ainda precisa ser feita antes que esta revelação e oração possam ser respondidas. Parece que estamos avançando muito lentamente na propagação do Evangelho entre as nações da terra. Mas o Senhor disse que abreviaria Sua obra em retidão. Ele prometeu que a apressaria em Seu tempo. Alguns quiseram saber como isso se realizaria, e desejo mencionar um pouco a respeito deste assunto. O Livro de Mórmon está agora traduzido e publicado em cerca de dez línguas diferentes — o inglês, o francês, o alemão, o italiano, o galês, o espanhol, o dinamarquês, o sueco, o havaiano, o maori e o holandês. Está também traduzido para a língua judaica, e creio que está traduzido, embora não publicado, para o hindustani — uma língua que se estende por uma vasta área de território no outro continente. ¶
Ora, de que adiantam estas traduções se milhares de exemplares estão largados nas prateleiras de nossos escritórios, como nos foi dito ontem, em vez de serem retirados e postos em uso? Em 1851, houve uma grande exposição realizada em Londres, a primeira desse tipo que hoje é bastante comum na terra. Foi realizada no Hyde Park; eu estava lá em missão naquela época, e fui visitá-la. Tinha 1.851 pés de comprimento, um pé para cada ano, e foi idealizada pelo nobre Príncipe Alberto. Logo, havendo tal espírito de importância nacional ligado a ela, a França teve de ter uma, os Estados Unidos tiveram uma, e isso tem sido seguido ocasionalmente pelas diferentes nações. Chegamos agora a um tempo em que, em 1893, esperamos, se a Providência permitir, que haja uma exposição mundial nos Estados Unidos, considerados a nação líder, primeira em empreendedorismo, primeira em liberdade; e virá gente de todas, tanto quanto for possível, as grandes nações da terra. Se ela se revelar um sucesso, serão apenas alguns anos até que outras grandes nações queiram exposições mundiais. ¶
Os sete mil Setentas que temos na Igreja — pois fique sabido que os Presidentes dos Setentas estão em toda parte ordenando pessoas para os Setentas, e têm mais de cem quóruns — bem podem ser considerados o osso e o músculo de Israel. Suponhamos que estes quóruns tomassem para si este assunto, e considerassem que algo repousava sobre seus ombros para levar o Evangelho às nações da terra, e organizassem um departamento em uma destas grandes exposições — digamos, no próximo ano — e tivessem todas essas diferentes traduções do Livro de Mórmon naquela exposição. Quando os visitantes viessem, digamos, de São Petersburgo (não deixam um mórmon entrar naquele império para pregar o Evangelho), mas o Czar terá alguns de seus ministros na exposição, que podem ficar contentes de conseguir um exemplar do Livro de Mórmon. Podem lê-lo em francês ou em alemão, e levá-lo de volta para a velha terra, e certamente arderia onde quer que o pousassem, até que algum coração honesto o pegasse e descobrisse o que contém. ¶
Não temos o livro na língua eslava, nem no chinês, mas temos a tradução em espanhol. Não só o espanhol, mas há também o italiano, e, entre o espanhol e o italiano, quase todas as nações latinas, particularmente todas as que ocupam a América do Sul, que puderem estar nesta exposição, poderão levar este Livro de Mórmon para casa. Se os Élderes não puderem ir até eles, farão bem a si mesmos vindo até a terra de Sião e obtendo a palavra do Senhor para levá-la para casa consigo. Quando chegarmos ao continente oriental, há o francês, o alemão, o dinamarquês, o sueco, o italiano, e eles poderão levá-los para casa, para seus países, se apenas houver alguém à mão quando forem necessários para lembrá-los de que há uma oportunidade de tê-los. Tão certo quanto há corações honestos ali, o Senhor os despertará por sonhos ou manifestações de algum tipo, até que venham a conhecer a verdade em suas próprias línguas. ¶
Parece-me que estamos avançando lentamente na propagação do Evangelho às nações da terra. O Senhor diz que abreviará Sua obra em retidão. Não parece que Ele sabe como fazê-lo? Fazer com que as nações venham até a terra de Sião, e ali, por meio de trocas e intercâmbios uns com os outros, abrir o caminho para que o evangelho possa ser enviado entre elas. Quanto a esta América do Norte, temos a língua inglesa; depois o espanhol, para trabalhar na terra mexicana e na costa oeste, onde são mais cosmopolitas; e parece que o Senhor está abrindo o caminho para que a Igreja envie o Evangelho às nações da terra, de uma forma ou de outra. Sinto que esta é a grande obra que temos diante de nós, enviar o Evangelho à família humana, dar-lhes a oportunidade de sair, se assim o quiserem, de governos e leis tão estritas que não podemos ir impunemente entre eles. ¶
Vivemos em um tempo, como já observei, em que temos de olhar para a frente, para a realização de grandes propósitos. Estamos agora quase encerrando este século. Como maravilhosamente o Senhor tem operado! A força motriz tem sido descoberta, inventada e aperfeiçoada, até que, onde antes se levavam meses para atravessar o Atlântico, agora se pode atravessá-lo em cerca de seis dias. Também temos sido abençoados com a comunicação por eletricidade, pela qual recebemos notícias de quase todo o mundo tão instantaneamente que se diz que ela neutraliza o espaço e o tempo; e conversamos, a 50 ou 100 milhas de distância uns dos outros, pelo telefone, exatamente como se estivéssemos no quarto ao lado. O que fará o Senhor nos próximos 50 anos? Abramos nossos olhos para este assunto. Consideremos bem a obra que temos em mãos, e procuremos conformar-nos aos tempos maravilhosos em que vivemos. ¶
Exortar-vos-ia novamente, meus irmãos e irmãs, a que não esqueçais como orar, a orar na linguagem desta revelação que vos li, para que Seu reino avance sobre a terra e esteja pronto para que o reino dos céus desça com Ele, quando Ele vier aos filhos dos homens sobre a terra. Não preciso dizer-vos que esta é a obra do Senhor — sabeis tão bem quanto eu. Descobristes isso pela mesma experiência geral que eu descobri; e agora, tendo-o descoberto, é nosso dever apegar-nos a isso e viver de acordo com isso. Que o Senhor nos ajude a fazê-lo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶