Pulpit

Discurso

George Q. Cannon

Conferência Geral de Outubro de 1892·Sessão da Tarde de Domingo·1892-10-09

Vou ler uma parte do décimo quinto capítulo da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, começando no versículo 35:

"Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão? Insensato! O que tu semeias não vivificará, se primeiro não morrer. E quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou de outra semente qualquer. Mas Deus dá-lhe o corpo como quer, e a cada semente, o seu próprio corpo. Nem toda carne é uma mesma carne, mas uma é a carne dos homens, e outra, a carne dos animais, e outra, a dos peixes, e outra, a das aves. E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes, e outra a dos terrestres. Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela. Assim também a ressurreição dos mortos."

Ao levantar-me para dirigir-me a esta vastíssima congregação nesta tarde, faço-o com considerável temor e tremor, e minha confiança é que Deus me ajudará, por meio de vossa fé e orações, para que aquilo que eu disser possa vir d'Ele. É coisa de grande responsabilidade um homem tentar dirigir-se a seus semelhantes, a menos que possa transmitir alguma luz e alguma instrução, e dizer coisas que lhes sejam de algum proveito. Espero poder fazê-lo nesta tarde.

Desde que estou nesta conferência, minha mente tem repousado consideravelmente sobre o Templo de Salt Lake e sua próxima conclusão, e sobre as características distintivas que possuímos como povo, que nos fazem um povo diferente do resto do mundo religioso. A distinção entre nós e os demais que adoram a Deus, e que professam ser religiosos, é muito marcante em alguns aspectos. É verdade que há uma união de sentimento e de crença entre nós e as denominações que prevalecem na cristandade em alguns dos pontos cardeais do que se chama cristianismo. Cremos no Senhor Jesus Cristo como o Redentor do mundo, e que por meio de Sua morte e expiação somos redimidos. Todas as chamadas seitas ortodoxas nutrem esta mesma crença. Em comum, também, com a maioria delas, cremos no arrependimento do pecado. Cremos também na ressurreição do corpo. Nestes pontos há uma semelhança de crença entre nós e outras denominações. Mas, em muitos pontos que cremos, há ausência de crença na mente da grande maioria do mundo cristão. Somos distinguidos, a este respeito, por sustentarmos ideias muito estranhas, e alguns as consideram quase pagãs. Mas há isto a dizer a respeito das doutrinas que Deus nos revelou: são as mais filosóficas de todas as que se creem entre os homens. Digo isto com, creio, plena compreensão do que se quer dizer com esta afirmação. Creio que a religião dos Santos dos Últimos Dias é a única religião que resistirá ao teste da investigação filosófica, e que dará conta das questões candentes do dia. Creio que é a única religião que satisfará os anseios do coração humano, e que dará luz sobre pontos considerados misteriosos pelo mundo religioso. Creio que a religião dos Santos dos Últimos Dias mostra, da maneira mais clara, mais simples e mais conclusiva, a relação do homem com Deus. Não conheço nenhuma outra religião que ensine de maneira satisfatória o propósito que Deus teve ao colocar o homem sobre a terra. Não conheço nenhuma outra religião que ensine a respeito do relacionamento que existiu entre Deus e Seus filhos antes da organização da terra e da colocação do homem sobre ela. Não conheço nenhuma outra religião que professe ensinar o relacionamento que existirá entre homens e mulheres, entre pais e filhos, e entre marido e mulher, depois de terminada esta carreira mortal. Não conheço nenhuma outra religião que dê alguma ideia distinta a respeito do caráter da vida além da sepultura, ou do que constituirá a glória do homem quando ele se tornar imortal e receber a plenitude das bênçãos que Deus prometeu. Não conheço nenhuma outra religião que lance luz sobre estas questões. Mas sei que existe, no momento presente, entre os homens, muita incerteza a respeito de todos estes pontos. Alguns vão até o ponto — e a si mesmos se chamam inteligentes, também — de duvidar da existência futura do homem, e pensam que, quando esta carreira mortal terminar, esse é o fim do homem como entidade viva. Ora, quem há, com a luz que o mundo religioso possui, que possa explicar de maneira satisfatória como foi que Jesus, nosso Redentor, em cujo nome nos aproximamos do Pai, existiu como Deus em estado anterior — isto é, que existiu e exerceu poder e domínio, e depois se tornou uma criancinha, nascida de uma mulher mortal? Há alguma religião na terra que possa dar alguma explicação para este grande acontecimento? Não encontrei nenhuma religião que responda de maneira satisfatória às questões que surgem relacionadas com a pré-existência e o nascimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Mas supõe-se que esteja envolto em mistério — um mistério que não pode ser explicado, e que está além do alcance humano; e, se surge alguma indagação, ela é suprimida, porque se considera quase blasfemo pensar em tais coisas. Assim é com a maioria destas questões a que brevemente aludi.

Na religião que Deus nos revelou, há luz e inteligência lançadas sobre todas estas questões. Não somos deixados a tatear na escuridão e na incerteza quanto ao motivo de estarmos aqui. O propósito que Deus teve ao nos colocar sobre esta terra nos foi tornado perfeitamente claro; naturalmente, não em sua plenitude, não como seremos capazes de compreendê-lo na eternidade, mas suficientemente para satisfazer nossas indagações e remover de nossas mentes a dúvida e a incerteza a respeito deste importante assunto. Digo que nossa religião é filosófica, e que satisfará os homens inteligentes. Podem não crer naquilo que lhes dizemos; mas é a única religião que conheço que tenta enfrentar estas questões e respondê-las, e o faz de maneira eficaz.

Li em vossos ouvidos algumas palavras do Apóstolo Paulo, nas quais ele descreve a ressurreição. Quem pode explicar isto? Havia algum ministro sobre a face da terra que pudesse dar uma explicação a estes ensinamentos do Apóstolo Paulo até que o Senhor revelasse o evangelho eterno por meio de Seu servo Joseph Smith? Não; pois a crença geral tem sido de que há apenas um lugar de felicidade; de que há apenas uma glória; de que não há diferença no céu; de que todo ser humano que se salva vai para um mesmo lugar e é reunido em uma só congregação, e de que aqueles que vão para o outro lugar também são ali relegados indiscriminadamente. Não é esta uma crença que tem existido por gerações? É certo que a igreja católica crê no purgatório — um estado intermediário; mas, depois que a alma emerge do purgatório, é, dizem eles, conduzida ao céu, e não há distinção. Supõe-se que o assassino que morre no cadafalso, que diz crer em Jesus e se arrepende de seus pecados, seja conduzido à presença de Deus e do Cordeiro, e receba todas as bênçãos de salvação e exaltação que os homens e mulheres mais fiéis receberam — companheiro dos profetas, apóstolos e mártires que deram a vida pela verdade. Esta tem sido a crença geral, mas aqui Paulo declara distintamente que há diferença na ressurreição; que alguns recebem a glória celestial, comparada à do sol; que alguns recebem a glória terrestre, comparada à da lua; que alguns recebem a glória telestial, comparada à das estrelas; e, como uma estrela difere de outra em glória, assim também é a ressurreição dos mortos. Isto está em perfeita harmonia com todas as escrituras. Todo o peso dos profetas que falaram a este respeito é no sentido de que os homens serão recompensados segundo suas obras, e que receberão uma glória proporcional à sua fidelidade. Até que Joseph Smith recebesse de Deus a revelação incorporada na 76ª seção de nosso Livro de Doutrina e Convênios, isto era um mistério profundo para o mundo religioso. Mas, por meio daquela revelação, foi-nos tornado claro. Joseph Smith foi o instrumento de revelar, por meio do conhecimento que Deus lhe deu, que, conforme a obediência do homem, assim seria sua recompensa; que o homem que obedecesse a certa lei receberia a recompensa afixada àquela lei; que quanto mais alta a lei, maior seria a glória. E este foi o incentivo que os Santos tinham, em dias antigos, para serem fiéis. Se um homem pudesse levar uma vida imoral e satisfazer todas as suas paixões e apetites, e depois, nos últimos dias de sua vida, quando suas paixões e apetites já estivessem todos mortos dentro dele, pudesse professar arrependimento e obter perdão e receber a garantia de que seria conduzido à presença de apóstolos e profetas que sofreram a morte pela verdade, que incentivo haveria para um homem ser fiel à verdade durante todos os seus dias, e talvez depois dar a vida por ela? São ensinamentos como estes que levaram o mundo às profundezas de pecado que ele alcançou; que encorajaram o vício e o pecado em todas as direções; que encorajaram os homens até mesmo a cometer assassinato; e o resultado é que muitas almas se perderam.

Deus nos revelou algo diferente disto. Mostrou que, se cometemos pecado, devemos pagar a pena do pecado. Se vivemos vidas de retidão, receberemos a recompensa afixada à retidão. Teremos o espírito daquela glória a que havemos de alcançar; e, assim como há gradações nesta vida entre os homens, assim será na ressurreição. Haverá gradações de felicidade, de glória e de exaltação. Colocai um homem que não viveu de modo a receber o espírito de uma certa glória junto com aqueles que receberam essa glória, e ele estaria totalmente fora de seu elemento, e infeliz. Deus dará a cada homem uma glória que se adeque à sua condição. Assim, se um homem obedece a todas as leis que Deus dá, e mantém sua integridade, receberá a mais alta glória que Deus tem a conceder, a própria glória celestial. Mas há alguns que não podem fazer isso. Como nos ensina a revelação que Joseph recebeu, há homens honrados que fazem muitas boas coisas, mas que não têm fé suficiente para receber o Evangelho em sua plenitude. Todos nós já conhecemos tais indivíduos. Também vimos homens e mulheres que obedeceram de bom grado ao Evangelho quando o ouviram. Foram batizados; tiveram as mãos impostas sobre eles, e receberam o Espírito Santo; mas não tinham fé suficiente para ir além disso. Era uma provação demasiado grande para eles abandonar as terras de seu nascimento e todas as suas antigas associações e reunir-se com os Santos de Deus. Tais pessoas receberão uma recompensa proporcional à sua obediência. Depois, encontrareis outros que têm fé suficiente para obedecer aos primeiros princípios do Evangelho e talvez recebam o Sacerdócio e se reúnam com os Santos; mas, quando lhes é ensinada a doutrina do dízimo, não têm fé suficiente para obedecê-la, ou, se pagam dízimo, pagam muito pouco. Pessoas que não têm mais fé do que isto não receberão uma recompensa como a daqueles que são obedientes ao dízimo. Assim é com todas estas obras que Deus exige de nossas mãos. Há alguns homens que não têm fé suficiente para ir em missões quando são chamados, e apresentam desculpas. Receberão sua recompensa segundo sua diligência e fidelidade; mas não receberão a recompensa do homem que está sempre disposto a fazer aquilo que se exige dele, e cuja vida está repleta de boas obras; que é liberal para com os pobres, honesto em seus negócios, justo e misericordioso em suas ações, e que está disposto a sofrer o mal em vez de praticá-lo.

Gostaria de gravar em vossas mentes, irmãos e irmãs, que receberemos uma recompensa segundo nossos desejos, porque às vezes não podemos fazer aquilo que gostaríamos de fazer, mas dizemos em nosso coração: "Se eu tivesse, faria; mas, porque não tenho, não posso"; e, tendo esse espírito dentro de nós, isso é aceitável aos olhos de Deus. Lembrai-vos das palavras do Rei Benjamim, ao falar sobre os pobres. Ele ensinou que era importante ajudar os pobres, e disse: "Vós que não tendes e, ainda assim, tendes o suficiente para passar de um dia para outro; refiro-me a todos vós, que negais ao mendigo porque não tendes; quisera que dissésseis em vosso coração: Não dou porque não tenho, mas se tivesse, daria." Há algumas leis que somos impedidos de obedecer, que foram declaradas necessárias para a exaltação no reino celestial de nosso Deus. Qual será a condição daqueles que não obedecem a essas leis? Deus, conhecendo todos os nossos desejos, se vir em nosso coração um espírito de boa vontade e obediência, nos julgará de acordo com isso. Aquilo que não podemos fazer, não se espera que façamos. Deus não pede coisas impossíveis a Seus filhos. Mas nos pede que sejamos obedientes a Ele e que cumpramos Suas leis em nossa vida; e, se por algum motivo não pudermos fazer isso, mas estivermos dispostos a fazê-lo, Ele aceitará a oferta e os bons desejos que nutrimos em nosso coração. Há alguns que não podem fazer o que gostariam para este Templo de que estamos falando, pois não têm os meios; mas a moeda da viúva vale tanto quanto os mil dólares do homem rico, se apenas for dada no espírito correto. O Senhor olha para o coração de Seus filhos. A mulher que é pobre, mas que dá na medida de sua capacidade, Deus aceita isso, e ela é abençoada de acordo, e será recompensada tanto em seu lugar quanto o homem rico que tiver feito na medida de sua capacidade. Nosso Deus é um Deus justo, e Ele trata com Seus filhos com justiça e misericórdia.

Deveria ser o objetivo de todo Santo dos Últimos Dias esforçar-se por alcançar a mais alta exaltação, e o caminho para alcançá-la é obedecer a todas as leis a ela relacionadas. Ora, Deus nos ordenou construir Templos. A construção de Templos e a concessão de investiduras neles são assuntos de grande curiosidade para o mundo. Contam-se todo tipo de falsidades a respeito de nossas investiduras. Fomos acusados de sermos desleais ao governo e de fazermos juramentos antagônicos ao governo, e de fazermos coisas realmente muito perversas, porque, ao que parece, cremos em conceder investiduras e ordenanças que Deus revelou. É isso que nos distingue de todo outro povo sobre a face da terra. Deus nos revelou os meios pelos quais nos prepararemos para habitar com Ele na eternidade. Há algo de estranho nisso? Há algo de errado nisso? Devemos viver sobre a terra como tantos animais, e, quando a morte chegar, morrer despreparados para o futuro? Seria isso consistente com nossas ideias a respeito de Deus e da importância da alma humana? No mundo de hoje, os homens justos não parecem ter nenhuma vantagem sobre os homens iníquos. Não há nada que os distinga. Mas não era esse o caso em dias antigos, quando Deus tinha um servo como Abraão, como Isaque, como Jacó, e como outros homens fiéis. Ele lhes fez promessas que os distinguiam do resto da família humana, e os recompensou por seus serviços. Assim foi nos dias dos Apóstolos. O Salvador lhes prometeu grandes bênçãos. Em uma ocasião, disse: "Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, na regeneração, quando o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel." Que grande bênção era esta! Que dignidade! E Ele não apenas lhes prometeu estas bênçãos, mas as selou sobre eles. Também nos é dito que os Santos de Deus hão de ser reis e sacerdotes para o Deus Altíssimo.

Deus deu a Seus servos antigos extraordinárias marcas de favor. Chamou Abraão de Seu amigo, e fez grandes promessas a ele e à sua posteridade. Disse-lhe que, em sua semente, todas as nações da terra seriam abençoadas. Repetiu esta promessa a Isaque e a Jacó, e seus descendentes receberam seu cumprimento. Deu a Abraão a promessa de que teria a terra de Canaã por possessão eterna, e que sua posteridade habitaria aquela terra. E, por meio da fidelidade daqueles homens, sua posteridade hoje é marcada devido ao cuidado miraculoso que Deus teve sobre eles, preservando-os em meio às vicissitudes que sobrevieram à família humana, e mantendo-os como povo distinto, em muitos aspectos, até o presente. Refiro-me agora aos judeus. Há também outros ramos da Casa de Israel que foram, de modo semelhante, preservados, e serão preservados, por meio das promessas feitas a seus pais. Havia alguma utilidade em servir a Deus naqueles dias. Havia bênçãos prometidas que eram muito grandes, e que animavam os homens que O serviam a suportar todas as coisas, até mesmo a própria morte; pois tinham a promessa de que se tornariam reis e teriam domínio e governo, e sua posteridade seria abençoada na terra, e teriam grandes recompensas na eternidade. Estes eram incentivos para que guardassem os mandamentos de Deus. Onde há hoje algum povo que receba tais promessas? Fora dos Santos dos Últimos Dias, não se encontra nenhum sobre a face da terra. Por que é isso? Será porque Deus está morto? Será porque Ele não é hoje o mesmo que sempre foi? Será porque Ele se tornou acepção de pessoas, e em uma geração concederá grandes bênçãos a Seus servos e em outra geração as reterá? Não, não é por nenhuma destas razões. É porque os habitantes da terra não têm vivido à altura de Seus mandamentos, e não têm exercido a fé que os antigos tinham para receber estas bênçãos. Não podeis todos perceber que diferença há no mundo de hoje, fora de nossa Igreja, em relação ao que existia nos tempos antigos, quando os homens serviam a Deus e guardavam Seus mandamentos? A Bíblia está cheia de promessas a eles. Eram indivíduos favorecidos, família favorecida, raças favorecidas e nações favorecidas, porque guardavam os mandamentos de Deus. Certamente há algo errado nesta condição que existe agora no mundo. Ou Deus mudou, ou então morreu, ou adormeceu, ou então os habitantes da terra não vivem de modo a receber Suas bênçãos. Prefiro crer que Deus vive, que Ele não partiu em viagem, e que Ele não adormeceu. Prefiro crer que a falha em receber estas grandes bênçãos e promessas se deve aos homens.

Ora, Deus restaurou o Evangelho, por meio do qual estas bênçãos hão de ser recebidas. Como hão de ser recebidas; e onde hão de ser recebidas? Ora, Deus nos ordenou construir templos, e temos tido a mesma ansiedade a respeito da construção de templos que os filhos de Israel tinham nos dias de Davi e Salomão; e construímos templos e recebemos bênçãos neles. Recebemos promessas, investiduras e chaves pelas quais podemos ir a Deus como os antigos fizeram, exercer fé diante d'Ele, e obter as promessas que eles receberam. É para este propósito que os templos têm sido construídos. Eu vos disse outro dia que este é o único povo sobre a terra que conheço em que todo membro varão respeitável da Igreja detém alguma porção do Sacerdócio, e em que todo homem, tão logo esteja preparado, recebe o Sacerdócio de Melquisedeque e o poder e autoridade a ele relacionados. Por que Deus distribuiu este poder entre este povo? É com o propósito de erguê-los e fazer deles uma nação santa — uma nação de reis e sacerdotes. Não três homens interpostos entre Deus e o povo. Não doze homens sentados em um estrado, sendo os oráculos para o povo sem que o povo tenha a chance de saber se são ou não servos de Deus. Não setenta homens, nem qualquer número de homens. Nenhuma casta, nenhuma distinção, nenhuma classificação do povo dessa maneira; mas todo aquele que se comporta bem e serve a Deus, recebendo o mesmo que todos os demais. Onde há algo assim sobre a terra? Não podeis encontrá-lo entre os homens. É o início daquele grande poder que há de dominar a terra, e que há de elevar todo homem para perto de seu Deus. Nenhum homem precisa temer, pois receberá tudo o que puder suportar. Isso deveria fazer-nos regozijar do fundo do coração por sermos, a este respeito, tão abençoados. Outras igrejas têm seus pregadores, e eles são divididos em classes. Os pregadores são elevados. Explicam a palavra de Deus ao povo, e o povo se senta e escuta. Dizem-lhes que é seu privilégio saber por si mesmos? Não, não dizem, porque se tornou uma profissão pregar o Evangelho por dinheiro e adivinhar por salário. Os homens são educados em faculdades e universidades para lhes dar estas distinções e elevá-los acima de seus semelhantes. Esse não é o caminho de Deus, e não é Seu desígnio relacionado a este povo. Ele pretende fazer de nós um povo grande e poderoso, e quer que percebamos — e os servos de Deus se esforçam por isso tão rapidamente quanto podem — nossa própria importância e nossos próprios privilégios. A Primeira Presidência e os Doze não querem que o povo pense que tudo depende deles. Estão tentando infundir nos corações de todos os homens e mulheres desta Igreja a dignidade de seu chamado e a proximidade de seu relacionamento com Deus, e fazer com que sintam que são importantes à vista d'Ele.

Estamos construindo templos com o propósito expresso de conceder bênçãos ao povo e prepará-lo para a eternidade. Viemos para a terra com esse propósito. Não viemos para cá para sermos como tantos animais — comer, beber e morrer. Esse não é o propósito que Deus teve em vista ao nos enviar para cá. Estamos cheios das aspirações da Divindade. Temos grandes e divinas qualidades latentes e não desenvolvidas dentro de nós; mas serão desenvolvidas, pois somos a prole de Deus, e Ele quer nos fazer semelhantes a Si mesmo. É por isso que Ele nos enviou para cá; não meramente para comer e beber, mas para nos prepararmos para a eternidade. Como viveremos na eternidade? Disse, no início de minhas observações, que o mundo religioso nada nos dizia a respeito disso, pois não sabia. Conhecerá o marido sua esposa? Conhecerá a esposa seu marido? Haverá algum laço mais estreito entre o marido e a esposa na eternidade do que entre o marido e um homem estranho? "Penso que não", dirá o homem religioso; "O Salvador diz que não há casamento nem homens dados em casamento na ressurreição, e penso, portanto, que todos viveremos separados." Ora, e quanto a estas deliciosas associações que temos nesta vida? Como se explica que, quando os homens são separados de suas esposas, ou quando as mulheres são separadas de seus maridos, eles frequentemente também morrem? Como se explica que as mães, quando perdem um filho amado, quase sentem que também querem morrer, e às vezes morrem de tristeza? Serão estas afeições algo sem importância? Hão de ser apagadas? Nenhuma delas há de sobreviver à ressurreição? Seremos misturados como tanto gado na eternidade? É esse o destino que aguarda homens e mulheres, criados à imagem de Deus? Há de perder-se o poder procriativo — aquele dom que é o maior que Deus já deu a um ser humano? Todas estas afeições, tão deliciosas e ternas, hão de ser esmagadas e nunca terem espaço para expansão? Ora, é o pensamento mais horrível que se possa apresentar a homens e mulheres reflexivos. Não; Deus nos ensinou melhor do que isso. Ele nos revelou que estes relacionamentos, tão ternos, que tornam a vida tão deliciosa, existirão além da sepultura. A esposa estará unida ao marido. Os filhos estarão unidos aos pais. O relacionamento familiar existirá na eternidade, e a glória de um homem e de uma mulher estará em habitar no meio de sua posteridade e ver essa posteridade aumentar. Pois, depois que Deus, aparentemente, houve esgotado toda bênção que pudesse dar a Abraão, ou que o coração humano pudesse desejar, Ele o levou para fora e lhe mostrou as estrelas do céu, e lhe disse: "Que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar." Essa pareceu ser a bênção coroante — a bênção de todas as bênçãos — que Ele pronunciou sobre Seu fiel servo Abraão, depois que este expressara disposição de sacrificar seu filho Isaque. E esta é a bênção que Deus prometeu a todo homem e mulher fiéis — que ao aumento de sua semente não haverá fim. Isto constituirá a grande glória da eternidade — o homem presidindo sua família, e sendo senhor sobre ela. É assim que Jesus é chamado Senhor dos Senhores. Ele é Senhor dos Senhores porque Seus irmãos exercerão este poder e autoridade sobre sua posteridade. E então, o quê? Ora, o poder criativo será dado aos homens. Eles não estarão sentados sobre uma nuvem, dedilhando uma harpa e cantando canções. Não passaremos nossos dias, ao longo das intermináveis eras da eternidade, em nenhum tal emprego monótono como este. É deliciosa como recreação. É muito agradável cantar e ter música a intervalos; mas segui-la por toda a eternidade, e que essa seja nossa única ocupação, seria a perspectiva mais tediosa que a mente humana poderia conceber. Houve um concerto aqui ontem à noite. Gostaríeis de ter um hoje à noite, amanhã à noite, na noite seguinte, e todas as noites durante uma semana, e ter de ir até lá cantar e ouvir cantar? Ora, ficaríeis tão cansados disso que não saberíeis o que fazer de vós mesmos. Isso não é o céu. É uma das alegrias do céu, mas não é a única ocupação dos redimidos. Qual será sua ocupação? O exercício daquele poder criativo que nosso Pai e Deus exerceu ao preparar esta terra como morada para o homem. Ele reuniu os elementos e formou a terra como habitação para o homem; e o homem, se for fiel, progredirá até fazer essa mesma coisa por sua posteridade. Abraão, estando à cabeça de uma posteridade inumerável, achará necessário ter espaço. Vai querer, depois de algum tempo, emigrar desta terra e encontrar uma nova habitação, pois não haverá espaço suficiente na terra glorificada para ele e sua posteridade na eternidade vindoura. É assim que os céus estão pontilhados dos gloriosos orbes que vemos à noite — as criações de Deus, povoadas pelos filhos de Deus.

E tudo isso Deus nos promete, se formos fiéis. Ele diz: "Sereis reis, sereis rainhas, assentar-vos-eis sobre tronos, empunhareis cetros, e tereis poder e domínio, se vos provardes fiéis e verdadeiros para comigo; e sereis meus herdeiros, e co-herdeiros com meu Filho amado, Jesus Cristo, vosso Redentor." Construímos templos para que, dentro de seus muros sagrados, estas santas ordenanças possam ser administradas e estas promessas dadas e seladas sobre a cabeça dos filhos dos homens. Ainda não começamos a fazer muitas coisas que ainda serão feitas nos templos. Mas fizemos um começo. Começamos a selar, pela autoridade do Santo Sacerdócio, esposa a marido, e, onde os filhos não nascem no convênio, filhos a pais, ou, onde não podem ser selados a seus pais, adotados a outros como pais, pois fique sabido que deve haver um elo de ligação entre cada geração e dispensação, desde nosso pai Adão até o presente. E isso terá de ser feito nos templos de Deus. Os casamentos de nossos pais e mães — isto é, os daqueles que se casaram antes de Deus restaurar o Sacerdócio — não foram casamentos eternos. Casaram-se até que a morte os separasse. Era um convênio que faziam. O sacerdote que os casou não tinha mais autoridade do Senhor para casá-los do que tem um juiz de paz. Estes casamentos eram reconhecidos como legais pelas leis da terra, mas não se estendiam além deste tempo; eram somente até que a morte os separasse. Agora eles morreram, e o convênio que fizeram um com o outro terminou com a morte; não era mais vinculante. Como serão unidos para a eternidade? Se o relacionamento familiar for o verdadeiro relacionamento que há de existir na eternidade entre os sexos, como serão unidos, um ao outro, na eternidade, aqueles que morreram? Deus ordenou que se construíssem templos para que a ordenança pudesse ser ali atendida. Jesus morreu por nós. Fez uma oferta vicária por nós. Morreu em nosso lugar, e por meio de Sua morte somos redimidos. De maneira semelhante, podemos ser salvadores, até certo ponto. Podemos agir vicariamente por nossos mortos. Se meu avô e minha avó morreram antes de terem a oportunidade de serem casados pela autoridade que Deus reconhece, e que tornaria seu casamento vinculante para o tempo e para a eternidade, eu, como seu herdeiro, posso ir adiante no templo de Deus, com a herdeira, minha irmã, que pode representar o ramo feminino da família, e podemos ser unidos por eles e em seu favor, agindo por eles desta maneira vicária. Assim, o relacionamento familiar que existiu e que foi dissolvido com a morte pode ser recriado e tornado perpétuo e vinculante por toda a eternidade. Assim, os filhos podem ser selados a seus pais, e uma geração a outra, até que toda a família do homem seja reunida e ligada, sendo todos filhos de Deus. Por isso é que, como disse o Salvador, não haverá casamento nem homens dados em casamento na ressurreição, porque esta ordenança será atendida sobre a terra desta maneira.

Estas serão algumas das obras que teremos de realizar no milênio, durante os mil anos de paz sobre a terra, quando Satanás estará atado. Construiremos templos, e sairemos em paz e retidão, fazendo as obras de redenção que têm de ser feitas por aqueles que morreram na ignorância do Evangelho e sem receber estas ordenanças salvadoras. Encontraremos bastante ocupação durante os mil anos, fazendo estas obras, e a terra será limpa do pecado. Satanás estará atado, e não terá poder para tentar as nações da terra, e habitaremos em paz e retidão. Não haverá guerra, pois as espadas serão transformadas em relhas de arado, e as lanças em foices de podar, e haverá paz de uma extremidade da terra à outra. E este é o começo disso, aqui nestas montanhas. Já temos um antegosto daquele espírito que, ao espalhar-se por toda a terra, há de trazer aquela feliz consumação, aquele glorioso período de que os Profetas e Apóstolos falaram. Já aquele espírito foi derramado sobre nós, até certo ponto, e o desfrutamos; e, quando vivemos segundo aquele espírito, não há briga, não há contenda, não há disposição para lutar, mas estamos cheios de amor. Isto, meus irmãos e irmãs, como já disse, é um antegosto daquilo que há de vir; e, embora possa parecer-vos um dia longamente adiado, ele está, não obstante, próximo. Tudo o que temos de fazer é suportar pacientemente as provações e aflições com que temos de lutar, pois a hora de nossa libertação está próxima. O Senhor é poderoso, e esta iniquidade que agora aflige os homens, e que é tão penosa de contemplar, será banida da face da terra; pois haverá calamidades, e flagelos e juízos sairão para remover os iníquos; e restarão apenas poucos homens, diz o Profeta. Somos obrigados a nos prepararmos para estas coisas. Deus não nos esqueceu, e não nos esquecerá. Ele está com este povo, e está dirigindo todas as coisas para nosso bem, e, se formos fiéis, Ele nos livrará.

Mas quero que vós, meus irmãos e irmãs, percebais, se puderdes — quero perceber isto eu mesmo — aquilo que Deus fez por nós. Como são diferentes todos os nossos pensamentos e todas as nossas expectativas daqueles que nossos pais tinham, que não possuíam o Evangelho. Vemos as coisas de maneira diferente. Deus lançou uma torrente de luz sobre os princípios do Evangelho. Mostrou-nos que vivíamos com Ele antes de virmos para cá. Podemos entender por que nosso Salvador nasceu como nasceu, porque, por meio das revelações que Deus nos deu, sabemos que nascemos de maneira semelhante. Sabemos que existíamos no mundo espiritual antes de virmos para cá, e que somos, de fato, a prole de nosso Pai celestial, e que Ele desejou que viéssemos para cá e recebêssemos tabernáculos de carne, para que fôssemos tentados, provados e postos à prova, para ver se seríamos fiéis a Ele ou não. As cenas pelas quais passamos têm por propósito expresso esta prova de nossa integridade. Digo-vos que os Santos dos Últimos Dias deveriam ser um povo das mais fortes amizades. Deveríamos ser um povo unido por laços muito mais fortes do que a morte. Deveríamos ter uns pelos outros um amor semelhante ao amor dos anjos. Como posso ser fiel a meu Pai celestial se não sou fiel a meus irmãos? Como diz o Apóstolo João: "Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" Um homem que não é fiel a seu irmão não pode ser digno de confiança. Uma mulher que não é fiel a seu marido e a seus filhos não pode ser digna de confiança. Deus não confiará em tais pessoas, e mais cedo ou mais tarde elas perdem o Espírito de Deus e saem da Igreja. E este espírito de divórcio, tão prevalente no mundo, não é de Deus. Há demasiado dele entre os Santos dos Últimos Dias. Digo-vos que, onde esse espírito prevalece, o Espírito de Deus não prevalece. Deus pretende ter um povo que não quebrará seus convênios; um povo que sofrerá a morte antes de fazer isso. Se têm uma amizade, não a quebrarão. Se têm um irmão, serão fiéis a esse irmão. Prefeririam dar a vida a serem infiéis. Não falarão levianamente de seus irmãos. Não menosprezarão seus irmãos nem os desprezarão. Tampouco as irmãs desprezarão suas irmãs, nem falarão levianamente delas, nem as caluniarão. Deus há de ter um povo desta espécie. Lembrai-vos do que disse o Profeta Joseph: "Ó vós, os Doze! e todos os Santos! aproveitai esta importante chave — que, em todas as vossas provações, aflições, tentações, tribulações, prisões e morte, cuidai para que não traiais o céu; para que não traiais Jesus Cristo; para que não traiais os irmãos; para que não traiais as revelações de Deus... Sim, em todos os vossos debates e tropeços, cuidai para que não façais isto." Estamos agora em meio à política e a todo tipo de coisas, e penso que seremos provados, ou estamos sendo provados, como nunca fomos provados; e bastantes, se não forem cuidadosos, perderão sua integridade. Temos de estar vigilantes, pois vos digo que Deus nos enviou para cá para nos provar, como se prova. Fomos fiéis ao guardar nosso primeiro estado. O povo que está aqui hoje permaneceu leal a Deus e a Jesus, e não vacilou. Se tivésseis vacilado então, não estaríeis aqui com o Sacerdócio sobre vós. A evidência de que fostes leais, de que fostes fiéis, e de que não titubeastes, encontra-se no fato de terdes recebido o Evangelho e o Sacerdócio eterno. Agora estais em vosso segundo estado, e sereis provados de novo. Sereis fiéis e leais a Deus, com a cortina corrida entre vós e Ele, excluídos de Sua presença, e em meio às trevas e à tentação, com Satanás e suas hostes invisíveis ao vosso redor, trazendo todo tipo de influências malignas para exercer sobre vós? Os homens e as mulheres que forem leais sob estas circunstâncias, Deus os exaltará, porque será o mais alto teste a que podem ser submetidos. Não é como era antes. Estávamos então na presença de Deus. Agora há um véu entre nós e nosso Pai, e somos deixados, até certo ponto, a nós mesmos. Somos deixados a sermos governados pelas influências que convidamos, e há um sem-número de influências malignas ao nosso redor, sussurrando aos nossos ouvidos e corações todo tipo de coisas. Se abrirmos nosso coração para recebê-las, ou lhes permitirmos entrar em nosso coração, pensaremos mal de nossos irmãos e de nossas irmãs; teremos malícia para com eles; teremos inveja deles, e diremos coisas ruins a seu respeito. Deus nos provará em tudo isso. Sempre agradeci a Deus, desde que tive idade para compreender princípios, por estar entre um povo como os Santos dos Últimos Dias. O Senhor me ajudou a suportar tudo o que o mundo pode fazer. Fui feito perfeitamente à prova de balas, parece-me, no que diz respeito ao mundo. Mas sempre foi uma grande fonte de tristeza para mim que algo ocorresse entre meus irmãos e eu. Não quero ter nenhum sentimento em meu coração para com meus irmãos, nem dizer ou fazer nada que lhes cause dor. Sei que há mais integridade entre os Santos dos Últimos Dias do que entre qualquer outro povo sobre a face da terra. São fiéis uns aos outros; amam-se uns aos outros; e muitos deles morreriam uns pelos outros. "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos."

Irmãos e irmãs, gostaria que mantivéssemos diante de nós as grandiosas promessas que Deus nos fez e as gloriosas perspectivas que se abrem diante de nós. Podemos ter aqui nossas provações e aflições. Mas que nossos olhos olhem para a frente, com fé, para aquele futuro glorioso que Deus preparou para nós, e para a grande recompensa que Ele nos concederá. Pois teremos coroas; teremos tronos; teremos domínio; teremos poder. Deus nos dará tudo isso tão rapidamente quanto estivermos preparados para isso; e, se entrarmos nestes santos templos e ali recebermos as ordenanças que Ele ordenou a Seus servos que administrassem, estas promessas se cumprirão ao pé da letra, se formos fiéis. Ninguém falhará. Como foi quando fostes batizados por alguém com autoridade? Não tivestes o testemunho de que vossos pecados foram remidos? Deus aceitou a oferta. Aceitou a administração da ordenança. Aceitou a imposição de mãos, e deu o Espírito Santo àqueles sobre quem as mãos foram impostas. E quando vindes ao altar, e o servo de Deus diz: Selo sobre vós as bênçãos da santa ressurreição, com poder para sair adiante na manhã da primeira ressurreição, revestidos de glória, imortalidade e vidas eternas; e selo sobre vós as bênçãos de reinos, tronos, principados, poderes, domínios e exaltações, as bênçãos de Abraão, de Isaque e de Jacó — quando o servo de Deus pronuncia estas palavras sobre aqueles que vêm ao altar, e sela a esposa ao marido, tão certo quanto Deus vive, tão certo quanto os céus estão acima de nossas cabeças e a terra debaixo de nossos pés, tão certo se cumprirão aquelas palavras sobre a cabeça daqueles sobre quem são pronunciadas, se forem fiéis aos convênios que fazem; e sairão adiante na manhã da primeira ressurreição, revestidos de glória, imortalidade e vidas eternas. Quando depositamos nossos mortos, depois de terem recebido estas santas ordenanças — nossos maridos, nossas esposas, nossos filhos, nossos pais, nossas mães — nós os depositamos sem sombra de dúvida em nosso coração quanto ao futuro. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Sob tais circunstâncias como estas, a morte perdeu seu aguilhão; a sepultura perdeu sua vitória; é despojada de seus terrores pelas gloriosas promessas que Deus fez a Seus servos e a Seus filhos. Outros podem temer a morte. Outros podem temer o futuro. Outros podem pensar que é um salto no escuro. Mas não assim os Santos dos Últimos Dias! O futuro é iluminado pela glória de Deus e pelas promessas que Ele nos fez; e, quando chegar o tempo de depormos estas vidas mortais, o faremos assim como fazemos quando vamos em missões e chega o tempo de voltarmos para casa — iremos para casa, com pesar, é claro, por aqueles que deixamos para trás, mas com alegria e júbilo ao pensarmos que nossas missões terminaram e que fomos fiéis, e seremos recebidos por nossos irmãos, irmãs e famílias. Olharemos para a frente com alegre expectativa para a deliciosa reunião que teremos com aqueles que deixamos, que foram nossos companheiros de trabalho e de aflição nesta vida, e será um tempo celestial. Portanto, digo que a morte perdeu seus terrores, e a sepultura não mais triunfa sobre as pessoas que receberam tais bênçãos como estas.

Ó! meus irmãos e irmãs, o que há que deva tentar-nos a vacilar em nossa devoção à obra de Deus? Haveremos de hesitar com nossos recursos na construção de templos e no avanço desta gloriosa obra? Deus não o permita. Dediquemo-nos, com toda a energia de nossa alma e com todos os meios que Deus colocou ao nosso alcance, ao avanço da causa da retidão. Ensinemos nossos filhos a fazer o mesmo. Pois o dia da retidão se aproxima, e deveríamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para trazer aquele feliz período, quando o pecado será banido da face da terra. Sinto que não há nada na terra que eu possua que hesitasse em dar por esta grande e gloriosa causa. Deus fez de minha vida uma alegria constante. Vestiu meus dias de paz e felicidade, e me abençoou em toda direção, e não O adorarei? Não O servirei? Não farei tudo o que estiver ao meu alcance por Ele e por Sua causa? Tento fazê-lo. Certamente quero fazê-lo, e quero ver meus irmãos e irmãs fazerem o mesmo. Quero incitá-los à diligência. Quero apresentar-lhes o glorioso Evangelho que Deus revelou, as gloriosas promessas que Ele nos fez, e o glorioso futuro de que Ele nos assegurou; que nos lembremos deles, e que os ensinemos a nossos filhos, e não sejamos levados pelas ninharias mesquinhas do mundo, nem pelo espírito do mundo. Deus não permita que homens e mulheres que fizeram convênios como os que fizemos, e que foram abençoados como fomos, façam isso! Deus nos deu tudo o que poderíamos pedir em retidão. Há algum conhecimento que vos fosse útil que Deus não vos tenha dado? Ele revestiu o passado de luz. Iluminou o presente com glória; e o futuro — está além do poder da língua humana descrever aquilo que Deus revelou a respeito do futuro! Podemos, ocasionalmente, obter um vislumbre dele em visão; mas não podemos descrevê-lo, nem compreendê-lo plenamente.

Desejo ver este Templo terminado. Desejo que, quando deixarmos esta conferência, o façamos com a determinação de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para fornecer os meios necessários. E não apenas para este Templo, mas para tudo o mais. Pois Deus nos recompensará abundantemente. Ele nos multiplicará à direita e à esquerda. Posso testificar-vos disto em nome do Senhor, pois o sei; e sei que Deus abençoará Seu povo, se estiver devotado a Ele e seus olhos forem unicamente voltados para Sua glória.

Rogo a Deus, o Pai Eterno, que vos abençoe. Ó! esta é uma gloriosa Conferência. Quisera que pudésseis permanecer aqui por uma semana. Sinto como se estivéssemos perto das portas do céu. Rogo a Deus que vos encha de Seu Espírito Santo. Acima de tudo, sede firmes na verdade, e constantes até o fim, para que possamos receber a gloriosa recompensa que Ele nos prometeu. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Discurso”, Conferência Geral de Outubro de 1892, Sessão da Tarde de Domingo (1892-10-09). Pulpit Vault, 1892-10-cannon-discourse. Tradução desta edição, por método de glossário, newspapers.lib.utah.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).