Pulpit

Palavras

Franklin D. Richards

Conferência Geral de Abril de 1892·Sessão da Manhã de Domingo·1892-04-03

Meus amados ouvintes, sinto profundamente a insensatez de um homem se propor a instruir e edificar o povo de Deus, a menos que esteja cheio das palavras de vida e de fé, e seja inspirado pelo Espírito Santo enviado dos céus. Foi-nos apresentada uma revisão geral da condição da obra de Deus na terra no presente momento, pela qual somos lembrados de muitíssimas razões que temos para gratidão a nosso Pai Celestial por Suas múltiplas misericórdias para conosco. Penso que um senso realista de Sua bondade e de nossa própria indignidade é muito necessário que tenhamos, para que possamos possuir aquela mansidão de espírito e aquele quebrantamento de coração pelos quais o Espírito possa habitar livre e abundantemente conosco.

Há um princípio que é a própria vida, o crescimento e a existência do povo de Deus, mantido por Seus Santos em toda parte, e contra o qual todo o mundo se levanta em decidida oposição, que é o princípio da revelação presente e contínua. Sem isso, nenhum Santo pode crescer e aumentar no conhecimento de Deus. Sem isso, a grande obra dos últimos dias que atingiu suas proporções atuais jamais teria alcançado tal posição. É a vida e a vitalidade do povo de Deus ter as ministrações do Espírito Santo, que toma das coisas de Deus e as mostra à humanidade. Sem elas, os homens têm sido deixados a moldar muitas formas de religião, tendo, como as Escrituras disseram que deveriam ter, a forma de piedade sem o poder dela. Assim como um menino pode parecer bonito e adorável mesmo na morte, ele é impotente e volta à terra que é mãe, a menos que o espírito o vitalize, lhe dê vida e animação, o encha de suas esperanças e desejos.

Quando saímos ao encontro da família humana, deparamo-nos imediatamente com esta oposição. Dizem-nos que não haverá mais revelação, e tentam fazer-nos crer que não haverá. Ora, isso é contrário ao espírito que todos os Profetas tiveram. Quando homens se levantaram em Israel antigo e começaram a profetizar, algumas das pessoas santas foram a Moisés e disseram que fulano estava profetizando. Qual foi sua resposta? Disse ele: "Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta." Esse tem sido o sentimento de todo verdadeiro e esclarecido Profeta de Deus sobre a terra. Está de acordo com a promessa que Pedro expôs no Pentecostes, tal como havia sido declarada pelo Profeta Joel, de que nos últimos dias Ele derramaria Seu Espírito sobre toda a carne: "e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens verão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos." Deixai-me lembrar-vos, meus irmãos e irmãs, que vivemos no alvorecer daquele dia; e não é apenas vosso privilégio, mas um dever que devemos a nós mesmos, ao povo de Deus, e aos sinceros de coração por todo o mundo que ainda não ouviram o Evangelho, que devemos nutrir e cultivar este espírito de revelação dentro de nós desde já.

É a obra do Espírito Santo vivificar nossos espíritos. Se formos lavados de nossos pecados, e vivermos santamente diante de Deus e no operar daquele espírito, que é para a santificação de nossos corpos e de nossos espíritos, tornamo-nos cheios daquela luz que há de crescer, e deveria crescer cada vez mais brilhante até o dia perfeito. Como vivemos em uma época em que tribulações, juízos e tristezas indizíveis hão de ser derramados sobre os ímpios, e os justos só podem escapar por sua fé, e permanecendo em lugares santos sem serem abalados, cumpre a todo aquele que professa o nome de Jesus que cultive este espírito dentro de si continuamente. "Recebeis o espírito," diz-nos o Senhor nestes últimos dias, "pela oração da fé." Assim, pois, devemos, com oração constante, diligência e devoção, acender continuamente o fogo no altar de nossos corações pela guarda fiel de Seus mandamentos e vivendo por cada palavra que procede da boca de Deus, para que isto continue a aquecer e a iluminar nossas mentes, a fim de que possamos ser batizados pelo Espírito Santo e pelo fogo do Senhor.

Mas nos dizem, quando falamos destas coisas, que as Escrituras dizem que não devemos ter mais revelação. Por sua ignorância e mal-entendidos, torcem as Escrituras, não conhecendo o Evangelho nem o poder de Deus. Dizem que está escrito no último capítulo do Apocalipse: "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e se alguém tirar das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." Muito verdadeiro; assim é e assim será. O Profeta Moisés deixou registrado em Deuteronômio que nada deveria ser acrescentado àquela lei que lhes fora dada. Está escrito duas vezes em Deuteronômio: "Não acrescentareis à palavra que vos ordeno, nem diminuireis dela." Suponhamos que isso significasse que não deveria haver mais revelação; o que fareis então com as grandes profecias de Isaías, de Jeremias, de Ezequiel, de Daniel, e de todos os santos Profetas que vieram depois? Se aquilo fosse uma ordem perpétua contra revelação adicional, como poderia o Salvador vir, em contravenção a essa lei que Ele dera a Moisés, e declarar-nos todo o Seu sistema de salvação, que era de antes da fundação do mundo, originado nas eternidades, para trazer à luz a vida e a imortalidade, e conduzir-nos, se por ele quisermos ser conduzidos, à eternidade que há de vir depois que o anjo declarar que o tempo não será mais? Ele se referia apenas àquele livro; não tinham nada que acrescentar àquela lei. Os Profetas nunca acreditaram, a Igreja de Deus nunca considerou, que houvesse qualquer restrição imposta ao espírito de revelação. Mas sustentavam, como sustentamos, que sem ele não havia vida, nem Deus. E este dito do Apóstolo no Apocalipse significa acrescentar àquele livro do Apocalipse. O povo, por muito tempo, teve muitos livros diferentes, ou antes, manuscritos, até que foram reunidos e postos juntos. Paulo não entendia que todas aquelas antigas Escrituras estivessem erradas. Disse ele a Timóteo: "E que desde a tua meninice sabes as sagradas escrituras, as quais podem fazer-te sábio para a salvação." Estas escrituras eram necessárias até seu tempo. O mesmo se deu com o Salvador. Sua inspiração e volume de verdade eterna eram necessários. E é igualmente necessário agora que o povo de Deus esteja cheio da luz da revelação, e sem ela não pode fazer nenhum progresso na vida divina.

O Profeta Joseph, ao dedicar o primeiro Templo desta dispensação, em Nauvoo, em março de 1836, apresentou os Doze Apóstolos que haviam sido designados e consagrados à sua obra, e eles foram sustentados como profetas, videntes e reveladores. Essa é a estima que o Profeta Joseph atribuía ao santo ofício do Apostolado, e essa é a ideia e o sentimento que este povo tem a respeito daquele ofício e chamado; pois duas vezes por ano levantam as mãos para sustentar os Doze Apóstolos como tal. Testifico-vos, meus irmãos, que os Apóstolos progridem neste princípio, e nele crescem, e estão se tornando profetas, videntes e reveladores para o povo de Deus, se este os receber. Deveria ser assim também com estes homens que são Sumos Sacerdotes em Israel. Os Presidentes de Estaca e seus conselheiros, os Bispos de ala e seus conselheiros, deveriam viver diante de Deus de tal forma que fossem profetas, videntes e reveladores para seu povo. Todo homem que possui a autoridade do Sacerdócio—e somos todo um exército de Sacerdócio, com mais de cem quóruns de Setentas existentes entre nós—que está à frente de uma família deveria ser um profeta, vidente e revelador para sua casa. Estes irmãos que estão sentados ao meu lado estiveram na obscuridade. Estas providências de Deus foram calculadas para colocar homens justos onde tivessem de encontrar seu caminho até seu Deus pela oração da fé, pela luz do Espírito e pelo poder do Santo Sacerdócio. É necessário que estas coisas sejam assim compreendidas, e que cresçamos até Cristo, nossa Cabeça viva. Assim como uma criança tem de ser desmamada do seio de sua mãe, os Élderes deveriam obter conhecimento e compreensão de seus deveres para com suas famílias, seus deveres para com a Igreja, seus deveres para com a família humana, para que possam permanecer na luz da verdade e tomar o mesmo alimento e pão da vida da mesa do Senhor, assim como a criança, quando deixa o seio da mãe, tem de sentar-se à mesa ao lado dela e mastigar seu próprio alimento.

É interessante contemplar isto, e às vezes de forma alarmante, quando vemos irmãos esquecerem-se tanto de si mesmos em quaisquer atividades da vida a ponto de se entregarem a algo como rixa, contenda ou animosidade. Parece que chegamos a tempos em que estas coisas se tornam muito ameaçadoras entre o povo de Deus; e, como o Irmão Cannon bem colocou, são princípios de perigo entre nós. Os homens não têm direito algum de se tornarem tão exaltados e ansiosos demais por qualquer coisa, esforçando-se ou contendendo por qualquer assunto, a ponto de empurrarem outro irmão para baixo a fim de subirem sobre sua queda. Nenhum de nós tem o direito de falar mal uns dos outros a fim de conseguir bom nome para si mesmo. Não temos o direito de prejudicar o caráter de nossos irmãos, ou suas convicções sinceras, a fim de obter ascendência sobre eles. É uma abominação aos olhos de Deus que qualquer homem faça isso, e muito mais que Santos o façam, que professaram com seus lábios sua crença de que é seu dever não falar mal uns dos outros, nem dos ungidos do Senhor. Devemos ter cuidado com estas coisas. Exortar-vos-ia, meus irmãos, neste sentido, que, ao vos entregardes a coisas que tendem à animosidade para com vossos irmãos que possam divergir de vós em qualquer questão, estais seguindo o caminho que apagará a luz que deveria brilhar sobre vosso entendimento; ao passo que, se qualquer homem deferisse a seu irmão, preferindo-se uns aos outros em honra, o amor de Deus abundaria, suas almas seriam fortalecidas, e todo homem prosseguiria no crescimento dos princípios da retidão. E este é o caminho que devemos seguir se quisermos avançar. Se não o fizermos, não poderemos ficar parados, portanto retrocederemos. Diria a todos os irmãos que de qualquer modo se inclinem a estas coisas, ponde uma guarda à porta de vossos lábios e outra às portas de vossos corações, e santificai o Senhor em todos os vossos caminhos, e não sintais que o Reino de Deus será derrubado ou destruído por vosso fazer, ou não fazer. A obra é do Senhor; e se Lhe formos fiéis e aos princípios de Seu Evangelho que assumimos fazer, Ele nos levará triunfantes. Ele sabe como fazer com que a ira dos homens O louve. Ele sabe como nos edificar em nossa santa fé, se nos preservarmos, por nossa própria fidelidade, dos poderes do pecado e de Satanás.

Então, o espírito de revelação é o que queremos continuamente. O mundo se surpreende com a ideia de revelação, quando eles próprios estão se enchendo dela sem o saber. Desde o tempo em que esta obra começou, ou por aí, grandes invenções têm surgido a respeito do uso do vapor. Foi mais ou menos nessa época que o Sr. Watt ouviu a chaleira chocalhar pela força do vapor, e aprendeu a usá-lo e aplicá-lo. Outros o têm usado em suas invenções desde então. Assim também foi com outros homens; Benjamin Franklin empinando uma pipa, colocando nela uma chave, para que pudesse trazer o fluido elétrico com segurança e não causar dano. Os homens, desde então, têm descoberto como aproveitar o relâmpago e fazê-lo transportar inteligência, luz e numerosos confortos para a família humana por toda a terra e através das profundezas do mar, até que as várias nações estão se tornando muito mais como uma grande família, e ouvimos notícias de todos os lugares a cada vinte e quatro horas. A revelação está entre eles. Deveriam reconhecê-la e dar a Deus o louvor. Alguns o fazem. Todos nós deveríamos. O conhecimento deles é conhecimento de ciência; mas o conhecimento que Deus dá ao Seu povo pelo Espírito Santo e pelo poder do Sacerdócio é o conhecimento a respeito d'Ele, de Seus caminhos e de Sua vontade, e do que devemos fazer para agradá-Lo, para nos abençoarmos e nos exaltarmos, para amá-Lo e glorificá-Lo em todas as nossas operações.

Tampouco temos ainda todas as revelações que havemos de ter. O Senhor deixou preciosas promessas nas páginas das santas escrituras de que nos dará mais delas. Embora a família humana esteja acirrada em sua condição atual de oposição à revelação, quero lembrar-lhes, se houver alguém ao alcance de minha voz que pense que já temos todas as revelações que havemos de ter, que estão muito enganados. Se ledes o trigésimo sétimo capítulo de Ezequiel, encontrareis ali o Senhor falando por meio do Profeta e dizendo-lhe que tomasse umas varas. Isso nos pareceria curioso hoje em dia. Pareceria muito mais curioso se o Senhor tivesse dito ao Profeta que tomasse um livro, pois não sabiam nada sobre livros. Tinham a lei enrolada em varas, e Ele lhe disse que tomasse duas varas, e escrevesse em uma: "Por Judá e aos filhos de Israel, seus companheiros;" e na outra: "Por José, a vara de Efraim, e de toda a casa de Israel, seus companheiros." "E quando te falarem os filhos do teu povo, dizendo: Porventura não nos declararás o que significam estas coisas? Dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu tomarei a vara de José que esteve na mão de Efraim, e das tribos de Israel, seus companheiros, e as ajuntarei à vara de Judá, e farei delas uma só vara, e elas se farão uma só na minha mão."

Temos a Bíblia e o Livro de Mórmon, e temos a promessa de que teremos outro registro que virá da casa de Israel. O Senhor nos disse que, quando começássemos a espalhar este Evangelho entre os lamanitas e a casa de Israel, poderíamos saber que a obra do Senhor havia começado entre todos os ramos da casa de Israel. Bem, começou; mas não sabemos muito a respeito. Mas há as dez tribos no norte, e mensageiros para elas também. O Senhor disse certa vez aos irmãos a respeito do Revelador João: "Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?" A última coisa que ouvimos sobre os perseguidores de João é que o puseram em um caldeirão de óleo fervente, mas ele saiu ileso—tão milagroso quanto quando os jovens hebreus entraram na fornalha ardente. E que João está ministrando à casa de Israel em partes distantes da terra, ou onde quer que estejam, e um registro há de vir deles até nós—assim como o Livro de Mórmon e a Bíblia vieram até nós, e os três se tornarão um. Isso significa que conterão as mesmas doutrinas, os mesmos princípios, o mesmo Evangelho de salvação, e estes três se reunirão e se tornarão um nas mãos dos Élderes de Deus nestes últimos dias; e nós, ou nossos filhos, viveremos para ver isto acontecer. De modo que a família humana e os Santos dos Últimos Dias não precisam contrair suas mentes nem limitar sua fé pensando que já temos toda a palavra de Deus que havemos de ter. Seria bom para nós se lêssemos e estudássemos mais o que já temos. Estaríamos então melhor preparados para o restante quando este vier.

A promessa desta união destes registros encontra-se no Livro de Mórmon, II Néfi, capítulo 29:

Pois eu ordeno a todos os homens, tanto no leste como no oeste, tanto no norte como no sul e nas ilhas do mar, que escrevam as palavras que lhes digo; pois pelos livros que forem escritos julgarei o mundo, cada homem de acordo com as suas obras, conforme o que está escrito.

E acontecerá que os judeus terão as palavras dos nefitas e os nefitas terão as palavras dos judeus; e os nefitas e os judeus terão as palavras das tribos perdidas de Israel; e as tribos perdidas de Israel terão as palavras dos nefitas e dos judeus.

Gostaria de explicar certo princípio contido na lei. Sabeis que nos é dado no Livro de Convênios que, em nossos testemunhos perante os tribunais da Igreja, pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra deve ser estabelecida. Esse era o método dado por Moisés em sua lei aos filhos de Israel. Tinham de ter prova, e pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra deveria ser estabelecida. Ora, então, o Senhor foi e plantou uma videira bem longe, na parte mais baixa da vinha; plantou outra em outra parte da vinha, e essa era melhor do que a primeira; e plantou outra em outra parte da vinha, que era a pior parte de toda a vinha. Quando a obra do Pai começar em todos estes ramos de Israel, será uma obra tal, e semelhante a esta entre nós, e escreverão um relato dessas coisas, assim como estamos escrevendo-as e mantendo uma história da obra de Deus, e quando eles vierem e se tornarem unidos como um só povo na terra da promessa, trarão consigo seus registros; e estes três registros serão três grandes testemunhos para todos os ramos da casa de Israel, e para toda a família humana, a respeito de Sua obra, e pela boca destas três testemunhas Seus grandes e eternos propósitos dos últimos dias serão estabelecidos perante os céus e a terra, e todos os homens que se oponham a estes princípios ficarão sem desculpa.

O princípio inteiro é vida e revelação em cada um de nós, vida e revelação na Igreja nestes dias, aqui entre nós e em toda parte, em todas as regiões onde Sua obra está avançando. Devemos compreender este princípio, e cultivá-lo, e manter crescendo dentro de nós o exercício e o amor por ele. Quanto mais aprendemos, mais vemos que há para aprender, e maior se torna nosso desejo de aprender. Chegamos a conhecer mais das coisas de Deus, tanto para o tempo quanto para a eternidade. Assim, por uma vida fiel e reta e por uma conduta piedosa, podemos preservar nossos tabernáculos em tal condição que o Espírito possa habitar conosco, e possamos ter a ministração da pequena voz mansa e suave de dia e a voz dos sonhos de noite, e por outros meios que o Senhor esteja disposto a dar a Seu povo, para que possamos crescer até Cristo, nossa Cabeça viva. Quanto a mim, ao ver isto e observar a obra do Senhor em seu progresso, sinto que temos grande motivo para nos regozijarmos e nos alegrarmos e louvarmos Seu santo nome pela obra de Sua realização; para ampliarmos nossos corações e aumentarmos nosso entendimento pela compreensão de Sua vontade e de Seus desígnios, a fim de que possamos ser ministros e trabalhadores maleáveis em Suas mãos, para fazer segundo Seu agrado. Ele nos trouxe a esta terra que era um deserto, e a fez uma terra escolhida—uma terra que Ele prometeu a José, e lhe disse que a terra seria abençoada com o orvalho dos céus, e com as coisas preciosas produzidas pelo sol, e as produzidas pela lua, e as coisas preciosas dos montes eternos. E estamos bem aqui, no meio delas. Estes montes estão cheios de quase todo tipo de mineral que possa beneficiar e abençoar a humanidade, até mesmo enxofre.

Bem, esta Sião que o Senhor, por compaixão, tem por nós, para estabelecer, é obra Sua. Ele nos trouxe através de algumas pequenas provações; devemos ser beneficiados, refinados e aproveitados por elas, e estar dispostos a empregar a nós mesmos, nossas forças, nossos meios, e quaisquer talentos que o Senhor nos dê, para o avanço e progresso de Sua santa obra. É assim que sinto a respeito, meus irmãos e irmãs, e é isto que queremos cultivar e encorajar. Estas obras que Ele começou em todos os ramos de Israel, o que são elas? Obras tais como as que Ele começou conosco aqui, ao estabelecer a plenitude do Evangelho Sempiterno entre nós. Estamos preparando Templos. Pensai nisso! Um Templo em Kirtland foi dedicado. Os Santos ali receberam dotações. Um Templo foi construído em Nauvoo, e a plenitude das dotações foi revelada pouco antes disso, e muitos dos Santos receberam ali suas bênçãos. Depois, novamente, como o Senhor nos abençoou ao conseguirmos quatro Templos aqui em Utah, o quarto quase pronto para dedicação, e bem pronto para que a pedra angular final seja assentada, o que todos estais cheios de interesse e ansiedade para ver realizado. Ora, então, se a obra do Pai, iniciada entre as dez tribos e entre os outros ramos da casa de Israel, é muito semelhante ao que se passa aqui, e eles estão recebendo o conhecimento de Deus, sendo edificados na fé, sendo estabelecidos na retidão, e estes homens que nunca provaram a morte—os três nefitas e o Apóstolo João—estão ocupados trabalhando para realizar a retidão e cumprir os propósitos de Deus; não será muito tempo até que nós, ou nossas gerações depois de nós, os vejamos e tenhamos comunhão com eles; quando a maldade for removida do caminho e os violadores da retidão purificados da terra, e o Reino do Senhor estabelecido, então será glorioso. Então santos do alto virão e ministrarão entre nós. Devemos antecipar estes tempos com prazer crescente em deleite, porque agora nossa salvação está mais próxima do que quando cremos, e vai se aproximando continuamente; e se formos diligentes e fiéis, também aumentará a influência e o poder disso, até a vinda do Senhor Jesus Cristo. O alvorecer daquele dia chegou, e os filhos e filhas de Israel estão se reunindo ao lar.

O Senhor está refinando Seu povo, e nos tem no crisol, para lidar conosco, e nos refinar, e nos preparar para que Ele possa tirar de nós a escória, e para que nos tornemos puros e santos, aceitáveis diante d'Ele; pois Ele disse, pela boca de Seus profetas, que virá o dia em que um homem será mais precioso do que o ouro fino. Pensaríamos que, se tivéssemos um pedaço de ouro do tamanho do menor homem entre nós, seria muito precioso. Se, então, quando o Senhor nos tiver provado e constatado que não pecaremos contra Ele, mas caminharemos com Ele, nos santificarmos, purificarmos nossa conduta, e nos tornarmos mais preciosos do que o ouro fino, quão supremamente precioso será um homem aos olhos de Deus, e na estima de seus irmãos! Devemos procurar acrescentar este caráter interessante uns aos outros, e não falar diminutivamente uns dos outros, para que possamos ser edificados. O Senhor não Se compraz em tais coisas; mas aqueles que se dedicam a praticar a retidão, desprezando o ganho dos opressores, e retendo as mãos de aceitar subornos, esses são a classe de homens que viverão e habitarão nas fortalezas das rochas, habitarão nas queimas eternas, e serão considerados capazes de resistir, como o fizeram as três crianças hebreias, e como o fez o Pai Abraão, e como o fizeram muitos outros fiéis que nos precederam em uma ou outra época. Queremos viver e alcançar aquele padrão para que possamos ser capazes de suportar estas coisas. Ora, queremos viver de tal maneira que possa chegar o tempo da translação—aquela mudança da mortalidade para a imortalidade. A gloriosa promessa é que as crianças crescerão até a idade de uma árvore, e então não morrerão para dormir na terra, mas serão mudadas num momento, num piscar de olhos. A crescente revelação e o poder da piedade hão de trazer o povo de Deus a um estado de união, de modo que, com o tempo, olharemos para trás, para estes dias de provação, e sorriremos deles; e seremos gratos por eles, e abençoaremos a Deus por termos tido permissão de passar por eles.

Este é o nosso tempo, para ver como o usaremos; para ver se, pelas bênçãos de Deus, nos santificaremos diante d'Ele, e estaremos preparados para algo mais e melhor nos domínios da vida, da luz e da glória, e iremos aos Templos e faremos aquelas coisas que possam entrar nas obras do futuro e por aqueles que nos precederam, voltando o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que possamos regozijar-nos com eles quando formos até eles do outro lado do véu, e voltemos com eles e herdemos a terra, a possessão eterna que é prometida aos fiéis e aos mansos, os quais Cristo disse "herdarão a terra."

Irmãos e irmãs, sinto como se tudo ao nosso redor, tudo acima de nós, nos convidasse e nos chamasse a praticar a retidão, a apartar-nos da maldade da família humana e a adorar a Deus em espírito e em verdade, a estabelecer Seu altar em cada casa e habitação, e a estudar de tal modo as leis do Sacerdócio e do Evangelho Sempiterno que possamos nos tornar piedosos, tornar-nos filhos e filhas do Deus vivo, e estar preparados para todos os grandes propósitos eternos que Ele tem para revelar, e que Ele tem para realizar para a regeneração de Seu povo e da terra para que nela vivam.

E que possamos estar de posse deste Espírito, e sermos animados por ele, para que nele permaneçamos, e para que amemos e façamos a vontade de Deus enquanto aqui habitarmos, e estejamos preparados para vir com os justos quando eles retornarem para viver e reinar sobre a terra, é minha oração, meu desejo, e meu trabalho constante convosco, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoFranklin D. Richards, “Palavras”, Conferência Geral de Abril de 1892, Sessão da Manhã de Domingo (1892-04-03). Pulpit Vault, 1892-04-richards-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, newspapers.lib.utah.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).