Discurso
George Q. Cannon
Confio que todos os que aqui se levantarem para falar a esta grande congregação terão a fé e as orações dos que estão reunidos; pois é algo que inspira reverência ver tão vasto corpo de pessoas a ouvir as palavras que são proferidas; e eu não tentaria falar, a menos que estivesse certo de que seria auxiliado pelo Espírito de Deus. ¶
Estas nossas reuniões em Conferência Geral estão repletas de interesse para os oficiais e membros da Igreja, os quais naturalmente esperam receber conselho e instrução a respeito de seus deveres, e obter informações a respeito do progresso da obra. Reunimo-nos, e recebemos renovado vigor ao encontrar nossos amigos e nossos irmãos, e ao sermos inspirados pelas esperanças que o Espírito de Deus dá. Por essas razões, estas conferências são aguardadas com grande interesse por todo o povo, e estou certo de que esta conferência está tão repleta de interesse quanto qualquer outra que a precedeu, em muitos aspectos. ¶
Vivemos em tempos peculiares. A obra de Deus está sendo atacada em várias direções. Isso, porém, não é coisa nova. Tem sido nossa sorte, desde o princípio, ter dificuldades a enfrentar, obstáculos a superar, e cenas a atravessar que puseram à prova a fé, a integridade e a fidelidade dos Santos dos Últimos Dias. Os Élderes, ao pregar o evangelho, não deixaram de dizer ao povo a quem pregavam, e a quem batizavam, o caráter das dificuldades que teriam de enfrentar ao abraçarem a obra de Deus. Advertiram-nos de que poderiam esperar o destino dos antigos discípulos de Jesus Cristo. Citaram-lhes as escrituras, que lhes diziam como seriam perseguidos, como seus nomes seriam lançados fora como maus, e que os homens pensariam estar prestando serviço a Deus ao matá-los; que, se abraçassem o evangelho, deveriam estar preparados para encontrar todas essas coisas, e talvez fosse necessário, na providência de Deus, que dessem a vida pela verdade. Não creio que haja um Élder fiel que jamais tenha saído a pregar o evangelho sem ter dito isso àqueles que manifestavam interesse pela verdade e desejo de abraçá-la. Muitos deles sabiam, por experiência própria, com quanto o povo teria de lutar, e sentiam que era seu dever prepará-los para essas coisas, de modo que seus batismos, suas confirmações e sua entrada na Igreja não fossem em vão. Os Élderes não desejavam atrair pessoas para a Igreja por causa dos números; mas, cada vez que batizavam uma alma, esperavam que ela permanecesse fiel enquanto durasse a vida; e queriam que todas as pessoas, ao entrarem na Igreja, nela entrassem com entendimento, e com tão plena consciência de tudo o que teriam de enfrentar quanto fosse possível a pessoas em sua condição compreender. Essas advertências não foram em vão. Não foram desnecessárias. Pois, não obstante os anos que se passaram desde a organização da Igreja, as provações da fé do povo não diminuíram. Há hoje tantas causas para pôr à prova a sua fé quanto sempre houve; não exatamente na mesma forma, talvez, daquelas que os Santos tiveram de enfrentar nos primeiros dias; mas ainda assim de caráter suficientemente severo para pôr à prova a fé do povo. As palavras de Deus se cumprirão a nosso respeito, de que tudo o que pode ser abalado será abalado. Teremos de atravessar a fornalha da aflição e ser provados como ouro sete vezes purificado, até que toda a escória de nossa natureza seja purgada, e nada além de ouro puro reste. Por que não haveria de ser assim? Outros povos podem se contentar com certo grau de felicidade e glória, e com certa quantidade de salvação. Mas não há povo sobre a face da terra que tenha concepções mais elevadas e visões mais sublimes a respeito de seu futuro do que os Santos dos Últimos Dias possuem; de fato, nossas concepções e nossas expectativas são incomparavelmente maiores do que as de qualquer outro povo hoje vivo, de que tenhamos conhecimento. Aquilo que satisfaria pessoas comuns não nos satisfaria, com nossos pontos de vista. De fato, nossas aspirações, para a mente comum, parecem quase sacrílegas. Nossas visões da igualdade do homem, nossa crença a respeito de sua relação com a Divindade, e a respeito de nosso futuro, estão tão imensuravelmente além das visões da humanidade em geral que, quando esta tenta nos seguir, se perde; não consegue conceber aquilo que imaginamos para nós mesmos, e aquilo que as revelações de Deus nos sustentam a acalentar e a crer. Portanto, é bastante próprio e coerente que, tendo tais expectativas quanto as que acalentamos, tenhamos todas essas coisas a enfrentar, necessárias para nos pôr à prova e nos comprovar até o extremo. Não possuiríamos as qualificações necessárias para a carreira de glória em que entramos, se não fôssemos provados até o extremo, se nossa integridade não fosse plenamente comprovada, ou se restasse em nós algo como dúvida, incredulidade, ou falta de coragem para enfrentar e superar todas as perseguições que pudessem ser lançadas contra nós. Outros homens podem cortejar a facilidade; outros homens podem buscar lucro mundano; outros homens podem estar constantemente à procura do interesse próprio. Mas não é assim conosco. Não podemos desviar-nos do caminho que Deus traçou para nós trilharmos, para promover interesse mundano algum ou satisfazer ambição mundana alguma. Devemos seguir esse caminho sem desvio, imitando o exemplo de nosso Senhor e Mestre. Ele apontou o caminho em que devemos caminhar; e, ao nos pedir que sigamos em Seus passos, que façamos como Ele fez, Ele nos deu as mesmas promessas que Ele próprio recebeu. Prometeu-nos que seríamos co-herdeiros com Ele, e herdeiros conjuntos de qualquer glória que Ele receba. Qualquer exaltação que Ele alcance, nós de igual modo receberemos, se seguirmos Seus preceitos e Seu exemplo. Poderá algum povo sobre a terra desejar mais do que isto? Há algo que seja deixado de fora? Compreende tudo; abrange toda glória, toda exaltação, todo poder, todo domínio. As promessas são ilimitadas -- tão infinitas quanto a própria eternidade. E estas são feitas a vós que aqui estais hoje. São feitas a todos os que entraram em convênio com o Senhor da maneira que Ele designou. Não haveremos, pois, de suportar pacientemente tudo o que temos a enfrentar? Cansar-nos-emos e nos afadigaremos, e, depois de irmos tão longe, desistiremos e diremos que não podemos prosseguir mais? Ou, pondo nossa confiança em Deus e apoiando-nos naquele que sempre esteve à nossa direita e à nossa esquerda, prosseguiremos sem murmurar pelo caminho que nosso Salvador trilhou, suportando com mansidão, com humildade e com paciência todas as provações, as perseguições e os males que temos de enfrentar? Creio poder responder por esta congregação nesta manhã. Não caminhamos às escuras. Não confiamos naquilo que os homens nos dizem. Agradeço a Deus nesta manhã, como faço em todo tempo, por Ele não ter deixado Seus servos sem testemunha. Todos os que se filiaram a esta igreja e foram sinceros em sua adesão à verdade têm um testemunho vivo em seu coração a respeito de tudo o que os Élderes lhes dizem e de todo conselho que lhes é dado. É isso que constitui a grande força da obra de Deus. Todo membro fiel da Igreja é testemunha da verdade da obra. Se não fosse por isso, seríamos um povo muito fraco, e poderíamos facilmente ser dissolvidos. Não é o Presidente da Igreja, nem seus Conselheiros; não são os Doze Apóstolos; não são os Presidentes de Estaca, nem qualquer outro oficial na Igreja, de quem o povo dependa, ou a quem recorra unicamente pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus. Têm o privilégio, dado pelo Senhor, de conhecer por si mesmos a respeito de todos esses assuntos; e não há conselho dado pela Presidência da Igreja, nenhum passo tomado, nenhuma política seguida que dependa de sua influência pessoal para que o povo creia, porque o povo pode ir a Deus por si mesmo, se tiver dúvidas quanto a algum ponto, e clamar a Ele, em nome de Jesus, para que lhe revele se aquilo que é feito ou ensinado provém dEle ou não. Não precisam ficar em dúvida. Não precisam correr de um lado para outro fazendo perguntas a respeito de assuntos que lhes possam parecer misteriosos; mas podem ir ao Senhor em seus lugares secretos, e Ele removerá suas dúvidas e responderá suas perguntas, e lançará luz em sua mente a respeito dos assuntos que os perturbem. ¶
Tem havido muitas coisas nesta Igreja que entraram em choque com as tradições e as ideias preconcebidas dos homens. Há hoje muitas coisas que talvez entrem em choque com pontos de vista que já acalentamos. Dificilmente há homem ou mulher pensantes na Igreja que não tenham acalentado pontos de vista e ideias a respeito do futuro desta obra -- a maneira pela qual haveria de prosseguir, etc. -- e alguns desses pontos de vista foram rudemente contrariados pelos acontecimentos. Foi-nos mostrado que os caminhos de Deus não são nossos caminhos, e que nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus. Foi-nos feito ver que Ele é o autor desta obra, e que a conduzirá para atender a Seus propósitos, e não aos propósitos do homem. Não duvido de que todos nós que já tivemos qualquer experiência na Igreja já vimos isso. Já vimos muitas de nossas expectativas frustradas pela maneira como a obra prosseguiu. Foi necessário que o Espírito de Deus se derramasse sobre nós para nos reconciliar com muitas coisas, talvez, que foram ensinadas e feitas nesta Igreja desde o princípio. Mas este é o nosso refúgio, esta é a nossa torre de força, que podemos ir ao Senhor, sem a mediação ou intercessão do homem, e em segredo podemos pedir-Lhe, e dEle obter, a luz, a inteligência e o conhecimento necessários para nos habilitar a seguir nosso curso como Santos dos Últimos Dias. Pensai em quantas doutrinas têm sido ensinadas que eram novas para o mundo, mas que Deus revelou em nosso dia! Como poderíamos compreendê-las, se o Espírito de Deus não lhes desse testemunho? Quem sobre a terra as acreditava? Não eram sancionadas pela tradição. Não eram sustentadas pela crença comum dos homens. Eram novas para esta geração. E, no entanto, embora chocassem os preconceitos da humanidade, e talvez nos sobressaltassem como Santos dos Últimos Dias, quando buscávamos de Deus um testemunho a respeito delas, Ele nunca deixava de nos dar Seu Santo Espírito, o qual testificava a nosso espírito que eram de Deus, e não do homem. Assim será até o fim. A Presidência da Igreja tem de caminhar exatamente como caminhais. Têm de dar os passos exatamente como dais os passos. Têm de depender das revelações de Deus, à medida que a eles chegam. Não podem ver o fim desde o princípio, como o Senhor vê. Têm sua fé posta à prova, como tendes a vossa fé posta à prova. O mesmo se dá com os Doze Apóstolos. Tudo o que podemos fazer é buscar a mente e a vontade de Deus, e, quando esta nos chega, ainda que possa entrar em choque com todo sentimento que já tenhamos acalentado, não temos outra opção senão dar o passo que Deus aponta, e confiar nEle, como frequentemente nos disse o Presidente Young, quanto aos resultados. É assim que esta Igreja é conduzida. Não há ser, senão o próprio Senhor, que conheça o fim desde o princípio. Quem de nós seria posto à prova, se estivesse nessa condição? É tão necessário que a Presidência e os Apóstolos sejam provados quanto que vós o sejais. É tão necessário que nossa fé seja posta em exercício quanto que a vossa o seja. Podemos ver certa distância à luz do Espírito de Deus, à medida que este nos revela Sua mente e Sua vontade, e podemos dar esses passos com perfeita segurança, sabendo que são os passos certos a dar. Mas, quanto ao resultado, isso cabe ao Deus de Israel controlar. É assim que a Igreja de Deus sempre foi conduzida, e sempre será conduzida assim, até que venha Aquele que é o nosso Rei, o nosso Legislador e o nosso Presidente, o próprio Jesus Cristo. ¶
É vosso privilégio, meus irmãos e irmãs, em todos esses assuntos, saber também se os passos que dais são aceitáveis a Deus; e, quando recebeis este testemunho, sabê-lo-eis por vós mesmos; sabê-lo-eis por completo. Ainda que vossos olhos mortais e vossos ouvidos mortais não tenham visto nem ouvido, sabê-lo-eis pelo testemunho que vem de Deus. O poder convincente do Espírito de Deus é maior do que a evidência dos sentidos exteriores. ¶
Deus está com o Seu povo, e continuará com ele; e, se fizermos o que Ele nos diz, Ele jamais nos abandonará, nem afastará de nós Seu rosto; jamais fechará Seus ouvidos aos nossos clamores, mas se apressará em ouvir nossas súplicas e em respondê-las com bênçãos sobre nós. ¶
Se há alguns que se filiaram a esta Igreja com a expectativa de obter facilidade, lucro e vantagem mundanos com sua adesão ao evangelho, provavelmente aprenderão, se ainda não o aprenderam, que este é um motivo errado, e que se enganaram em suas ideias. E, no entanto, quero dizer aos Santos dos Últimos Dias que não creio haver outro povo sobre a face da terra tão abençoado quanto nós, não obstante nossas provações. Creio -- e não digo isso com disposição alguma de exagerar -- que não existe sobre a terra povo mais feliz ou mais próspero do que os Santos dos Últimos Dias. Pois Deus nos abençoou em meio às nossas provações, e nos deu prosperidade. Observai aqueles que foram fiéis e comparai os resultados de suas vidas com os resultados das vidas daqueles que deixaram a Igreja, e estou certo de que, ao fazer a comparação, ficareis perfeitamente satisfeitos de que o rumo dos primeiros tem sido o mais proveitoso, em todo sentido da palavra. Assim será até o fim, não obstante nossas aflições, nossos encarceramentos, e tudo o mais deste caráter. Disse, em certa ocasião, e provavelmente mais de uma vez, aos irmãos que estavam no presídio, que eu estava disposto a profetizar que seriam mais abençoados e prosperados naquilo a que puséssem as mãos do que se para lá não tivessem ido; e estou certo de que assim será. Deus não esquece os sacrifícios de Seu povo, e sou grato, neste dia, pela integridade dos Santos dos Últimos Dias. Quando penso nas centenas que foram de bom grado para a prisão, para que o mundo soubesse que eram conscienciosos, e não covardes nem quebrantadores de convênios. Agradeço a Deus por viver entre um povo capaz de fazer coisas como estas sem tremerem os joelhos ou os braços, e sem temer enfrentar todas as consequências daquilo que fizeram. Sou grato por isso, não apenas porque somos Santos dos Últimos Dias, mas porque pertencemos à humanidade. É coisa gloriosa, por mais equivocados que os homens possam estar na estimativa alheia, vê-los valorosos e corajosos, e não temerosos de enfrentar todas as consequências de sua conduta. Há em nós algo que nos faz admirar a coragem, mesmo que esteja em causa equivocada. Assim se dá com os Santos dos Últimos Dias. Por mais que o mundo pense que nos enganamos em nossos pontos de vista, chegará o tempo em que a conduta dos Santos dos Últimos Dias durante os últimos cinco anos se destacará como a página mais brilhante da história da humanidade -- nos tempos modernos, ao menos -- e os homens se deterão nela, e dirão que tais manifestações de coragem e integridade são crédito para nossa raça. Aguardo isso -- creio firmemente que virá. Demos a melhor evidência de nossa sinceridade que é possível a homens e mulheres darem, e, quer o mundo aceite esses testemunhos e evidências, quer não, estamos certos de que Deus e os anjos os aceitarão, e de que serão registrados a nosso favor. ¶
Pode ser necessário que façamos outras coisas que entrem em choque com nossos sentimentos. Mas creio que este povo é capaz de todo sacrifício que lhe for exigido; e pode curvar-se em submissão, quando necessário e justo, tão facilmente quanto pode manter-se firme e resistir àquilo que considera errado. Mostraremos à humanidade -- já lhe mostramos, e lhe mostraremos ainda mais abundantemente -- que os Santos dos Últimos Dias são um povo de verdade, um povo de integridade, um povo leal a Deus, leal ao país de que são cidadãos ou de que deveriam ser cidadãos, leal às instituições que Deus, em Sua providência, permitiu que fossem estabelecidas, e leal em todas as relações da vida; um povo forte em fidelidade e, acima de tudo, puro e virtuoso. Digo-vos que eu próprio perderia toda esperança pela humanidade, não fosse o nosso povo. Coube-me viajar e conviver com os homens, e, sem me intrometer em seus assuntos, chegaram a meu conhecimento coisas que me encheram de -- bem, não posso descrever os sentimentos que tive. Quando vejo o rumo que homens e mulheres estão tomando fora desta Igreja, e testemunho o destino que vem sobre o povo, sinto-me grato a Deus por Ele ter estabelecido esta Igreja, e por o padrão da pureza estar erguido entre os Santos dos Últimos Dias, e por toda impureza ser denunciada e tratada; por haver sobre a face da terra um povo que diz que a virtude dos homens e a virtude das mulheres deveriam ser iguais às dos anjos. Se pudésseis ver os rostos dos homens, como eu já os vi, quando lhes é dito que consideramos o pecado do adultério o maior crime, depois do derramamento de sangue, seria um quadro para vós; pois vos digo que a virtude entre os homens é quase desconhecida fora desta Igreja; e, é claro, quando a virtude dos homens caiu tão baixo, podeis estar certos de que a virtude dos outros seis não está acima de qualquer suspeita. O testemunho que damos é que o Santo dos Últimos Dias que se entregar a pecado sexual será condenado, se não se arrepender. Não tem havido maior causa de apostasia na Igreja do que a falta de virtude. Podeis predizer o futuro de um homem culpado de pecados dessa espécie, a menos que se arrependa, com tanta certeza quanto podeis predizer que as trevas hão de seguir o pôr do sol. Deus terá um povo virtuoso, e aqueles de vós que não forem virtuosos seguirão o caminho que outros já seguiram, a menos que se arrependam; perdereis a fé; pois o Espírito de Deus não habitará em tabernáculo impuro. O homem ou a mulher que não for virtuoso não pode reter o Espírito de Deus. Podem ser membros da Igreja hoje, em plena comunhão, sem que seus semelhantes suspeitem; mas, se não se arrependerem, sua maldade produzirá seus frutos, e o resultado que Deus disse que a acompanharia. Pensai no que é a palavra de Deus. Em duas revelações que Ele deu à Igreja, disse que "aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, negará a fé... a menos que se arrependa." Aquele que "olhar" para uma mulher, lembrai-vos -- não lhe pôr as mãos -- mas "aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, negará a fé." Portanto, devemos ser puros não apenas em ação, mas também em pensamento, a fim de reter o Espírito de Deus e de tê-lo habitando em nosso tabernáculo. Ele não habitará naqueles que são luxuriosos. ¶
Este é o padrão que Deus estabeleceu para Seu povo. Ele quer que atinjamos este padrão -- que sejamos puros como os anjos são puros. E por que não haveríamos de sê-lo? Se havemos de habitar com Deus e Cristo e com os santos anjos, por que não haveríamos de emular na terra a pureza que possuem, a qual faz do céu a bendita morada que é? Sou grato por este padrão ter sido erguido entre nós. Dá esperança ao futuro da humanidade. De outro modo, o destino desta geração é certo. Estão trilhando o caminho descendente, e nada os pode salvar, exceto o arrependimento completo. Os Élderes se perguntam por que não conseguem reunir mais gente das nações da terra do que conseguiam antes. A razão é óbvia. O povo está corrompido. Está cheio de luxúria e de abomináveis males. O aborto e a fetocídio, e pecados afins, são praticados de modo quase universal. Um homem inteligente com quem viajei há algumas semanas me disse que, ao revisitar sua terra natal em Massachusetts, há uns doze anos, para ver sua mãe, foi às escolas onde estudara na infância. Na primeira escola que visitou, de todos os alunos ali presentes, encontrou apenas quatro de famílias americanas nativas, e dois deles eram meninos de cor. O restante das crianças era todo de origem estrangeira. Na outra escola que visitou, havia dez, de toda a escola, que eram de famílias americanas nativas. Voltou à casa de sua mãe, e ali havia várias solteironas. Disse-lhes: "Os ianques estão desaparecendo. Vós, mulheres, não estais tendo filhos, sois solteironas; e as que são casadas não têm filhos. Que será de nós?" Foi esse o seu comentário. E podeis conviver entre a melhor classe desta nação -- refiro-me àqueles em boas condições, e de antigas famílias americanas -- e vereis que muito poucos dos jovens se casam. O luxo prevalece a tal ponto que pensam não poder casar-se. Não desejam casar-se e levar suas esposas a uma condição inferior à que ocupavam na casa de seus pais; e, como jovens, têm livre entrada na sociedade, e vão aonde bem entendem, e são bem recebidos; portanto, não se casam. O resultado é que o melhor sangue da América não está se perpetuando. As antigas famílias não estão se mantendo, e seus lugares estão sendo preenchidos por estrangeiros. Quando se casam, não têm filhos; ou, se os têm, têm apenas um ou dois. Que fará Deus com um povo desta natureza? Deixará que seja extinto, se não se arrepender. Trarão sobre si mesmos, por seus pecados, a própria condenação que Deus disse que se seguiria, porque destroem a vida que Deus lhes dá, e não perpetuam sua raça. O resultado é que uma classe inferior de pessoas está crescendo, porque os estrangeiros, quando aqui chegam, não estão contaminados com aquele terrível pecado -- o assassinato dos inocentes, o assassinato de crianças não nascidas, bem como das já nascidas -- e não é provável que estejam, pelo menos por uma geração. São verdades tristes, mas nem por isso menos verdadeiras. ¶
Foi-me dito, embora me pareça incrível, que, entre os que se chamam Santos dos Últimos Dias, os mesmos males estão crescendo. Digo-vos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que toda mulher que cometer este horrível pecado será condenada, tão certo quanto Deus vive; e todo marido que permitir que sua esposa tome meios de evitar o aumento natural da raça, como Deus o designou, esse homem será amaldiçoado por Deus. Quero levantar minha voz contra estes terríveis males que existem no mundo; e, se estão penetrando em nosso meio, digo-vos: Ai daqueles que os praticam; pois comparecerão diante do tribunal de Deus como assassinos, e serão condenados. Ouvi isto, todos vós! Esta é a maldição que hoje vem sobre nossa raça, neste continente, especialmente através dos Estados do Norte. Não é assim no Sul. Aí, contudo, se infiltrará, com o tempo, se não se tomar cuidado. Mas o povo do Sul não cedeu a este crime na medida em que cedeu o do Norte. ¶
Deus nos escolheu para instituir uma nova condição de coisas sobre a terra, para deter a maré do mal. Escolheu homens e mulheres do mundo que têm a coragem de cumprir tudo o que Ele lhes diz. E procuramos fazê-lo. Mas a nação interpôs, e disse: "Parai," e nos curvaremos em submissão, deixando as consequências com Deus. Faremos o melhor que pudermos; mas, quando isso entra em conflito com as autoridades constituídas, e os mais altos tribunais da terra dizem "Parai," não há outro curso para os Santos dos Últimos Dias, de acordo com as revelações que Deus nos deu, dizendo-nos para respeitar a autoridade constituída, senão curvarmo-nos em submissão a ela e deixar as consequências com o Senhor. Não obstante, podemos permanecer como protesto vivo contra os males desta era, e clamar contra eles, e, por nossa vida, proclamar que estamos determinados, com a ajuda de Deus, a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para redimir a raça, se isso for possível. Deus nos escolheu expressamente para esta missão. Exigia um povo de coragem, de integridade e de virtude, e creio que a grande maioria dos Santos dos Últimos Dias é um povo desse caráter. Por causa dessa virtude, estavam preparados para receber a verdade quando lhes foi proclamada. Não estavam corrompidos, e o Espírito de Deus tinha morada permanente neles. É fato notável que aqueles que não são virtuosos raramente se filiam à Igreja. Parecem ter-se corrompido de tal modo que o Espírito de Deus os abandonou, e perderam a força necessária para perseverar. ¶
Irmãos e irmãs, lembremo-nos da missão que Deus nos deu, e ponhamos nossa confiança nEle. Ele tem sido nosso salvador e nosso libertador em meio às muitas provações que tivemos de atravessar. Não obstante termos atravessado bastante durante os últimos seis anos, quando observo a condição do povo, ao viajar pelos povoados, sinto-me grato a Deus pela prosperidade que Ele nos concedeu. Entro nas casas dos irmãos em nossos povoados, e vejo grande conforto. Comparo-o com os tempos antigos, quando quase não tínhamos alimento, nenhuma habitação e muito pouca roupa, e agradeço a Deus por as provações que hoje temos de enfrentar terem assumido nova forma, e por Deus, em Suas providências, nos ter permitido habitar na terra para a qual Ele nos conduziu. Confio que continuará a fazê-lo. Espero que Ele nos dê paciência para suportar todas as coisas sem murmurar, e para prosseguir com nossa fé inabalada, sabendo que Ele compreende todas as coisas, e que, depois das provações, vem a bênção. Nunca atravessamos aflições severas sem que fossem compensadas na forma de grandes bênçãos derramadas sobre nós. E assim será. Provação seguirá provação; mas bênção seguirá bênção; e a causa da verdade se espalhará, os retos de coração serão reunidos, e a grande obra de Deus prosseguirá, não obstante todo esforço para se lhe opor e frustrá-la. E podeis notar isto: aqueles que combatem esta causa podem ser proeminentes por algum tempo. Às vezes, proeminência lhes é dada por causa de sua oposição a esta obra, e o fato de seus nomes serem ligados aos nossos é frequentemente tudo o que lhes dá proeminência. Mas, depois de algum tempo, quando deixam de ocupar as posições que ocupavam, e que davam certo peso às suas vozes, caem no esquecimento, como já caíram centenas que mais ou menos se destacaram em sua oposição contra nós. Não precisamos, pois, nos perturbar com o que diz este ou aquele que ocupa cargo oficial, e que por algum tempo se ensoberbece com a ideia de que é uma personagem importante, e que fará algo grande contra os Santos dos Últimos Dias. Já vi tantos desses homens desaparecerem e caírem no esquecimento. Sobem ao palco, e figuram por algum tempo, mas logo desaparecem. Portanto, não nos preocupemos com eles; mas sigamos o rumo que Deus apontou, e, pondo nossa confiança nEle, saibamos que todas as coisas serão dirigidas para o nosso bem. ¶
Antes de me sentar, há um assunto sobre o qual senti desejo de falar. Julgo-o de certa importância para nós, como Santos dos Últimos Dias. Foi mencionado ontem por dois ou três dos irmãos. Diz respeito aos acontecimentos de 1891, ligados à vinda do Senhor. Foi sugerido pelo irmão Roberts que algumas pessoas pensavam que tal acontecimento poderia dar-se, e ele estava ansioso para que os Santos não ficassem desapontados se nada ocorresse durante aquele ano que cumprisse essa expectativa, porque muitas expectativas têm sido acalentadas em relação àquele ano, e creio que tem havido, ao todo, agitação demasiada a respeito deste assunto. Já vi muitas vezes, em nossa história, homens sanguíneos atribuírem grande importância a certas datas. Lembro-me de quando 1883 estava chegando, ouvi de todos os lados que havia algo notável ligado àquele ano. Concordo plenamente com o que disse o Élder Thatcher ontem quanto a este ponto -- que 1890 foi um ano tão importante quanto qualquer outro que já vimos. E creio que assim será a cada ano. Não creio ser sensato fixarmos demais nossa mente em algum ano, como se este houvesse de trazer alguma coisa muito maravilhosa. Talvez assim seja. Não o contesto; pois todo ano nos chega carregado de grandes e maravilhosas mudanças. Não é um ano apenas; mas todos os anos entre nós e a vinda de nosso Senhor estarão repletos de acontecimentos. Estarão repletos de ocorrências estupendas. Deus assim o disse. Julgamentos serão derramados sobre os habitantes da terra, e aumentarão até que o próprio Senhor venha. ¶
Aproveitei a ocasião para mandar procurar o sermão que o irmão Joseph pregou, e lerei um pouco dele, para vos mostrar o que ele disse a este mesmo respeito, e para vos mostrar também que não precisamos esperar que 1891 traga algo como a vinda do Senhor. Foi dito ontem que ninguém sabe o dia nem a hora. Isso é verdade. Mas vos direi o que os homens podem saber. Podem saber que tal e tal tempo não é o tempo. Os homens podem profetizar que 1891 não é o ano. Embora não possam dizer o dia nem a hora, podem dizer que Ele não virá este ano nem no próximo, de acordo com as palavras de Deus já dadas. Há várias revelações que falam claramente a este respeito, às quais se fez alusão ontem pelos irmãos que falaram. Há muitos acontecimentos ainda por se dar, que ainda não ocorreram; e o Salvador não virá até que se deem. Estai certos disto, e não vos perturbeis nem vos agiteis quanto a estes assuntos, porque é fácil compreender que muitas coisas ainda hão de se cumprir antes que venha esse grande e glorioso evento. Contudo, como Ele nos disse, virá como ladrão de noite. Virá quando os habitantes da terra estiverem despreparados para Ele. ¶
Disse Joseph: ¶
"Certa vez eu estava orando fervorosamente sobre este assunto [isto é, a respeito da vinda do Filho do Homem], e uma voz me disse: 'Meu filho, se viveres até a idade de oitenta e cinco anos, verás a face do Filho do Homem.'" ¶
Foi isto o que a voz disse a Joseph. ¶
"Se viveres até a idade de oitenta e cinco anos, verás a face do Filho do Homem." ¶
Ele continua: ¶
"Fui deixado a tirar minhas próprias conclusões a este respeito, e tomei a liberdade de concluir que, se eu vivesse até aquele tempo, Ele apareceria. Mas não digo se Ele aparecerá, ou se irei eu para onde Ele está. Profetizo, em nome do Senhor Deus, e que fique registrado, que o Filho do Homem não virá nas nuvens do céu até que eu tenha 85 anos." ¶
Ora, no tempo em que Joseph fez esta profecia, Miller, dos milleritas, fazia previsões a respeito da vinda do Filho do Homem -- pelos anos de 1842-3-4. Nesses anos, como sem dúvida sabeis, se tiverdes sido informados, houve grande agitação por todos os Estados Unidos a respeito da vinda do Filho do Homem, e Joseph profetizou que Ele não viria pelos quarenta anos seguintes. ¶
Ele prossegue, e diz: ¶
"A vinda do Filho do Homem jamais será, jamais poderá ser, até que os julgamentos falados a respeito desta hora sejam derramados, julgamentos estes já iniciados. Não é desígnio do Todo-Poderoso vir sobre a terra e esmagá-la e reduzi-la a pó; mas Ele o revelará a Seus servos, os Profetas. Judá tem de retornar. Jerusalém tem de ser reconstruída, e o Templo, e a água tem de sair de sob o Templo, e as águas do Mar Morto têm de ser saradas. Levará algum tempo para construir os muros da cidade e do Templo, etc., e tudo isso tem de ser feito antes que o Filho do Homem faça Sua aparição. Haverá guerras e rumores de guerras, sinais nos céus acima e na terra abaixo, e o sol se converterá em trevas, e a lua em sangue; terremotos em diversos lugares, os mares se elevando além de seus limites. Então aparecerá o grandioso sinal do Filho do Homem no céu. Mas o que dirá o mundo? Dirá que é um planeta, um cometa, etc. Mas o Filho do Homem virá ao sinal da vinda do Filho do Homem, o qual será como a luz da manhã que vem do oriente." ¶
Ora, o Profeta explica isto em conexão com sua declaração quanto ao que a voz lhe dissera. Ele não afirmou que Jesus viria nas nuvens do céu, mesmo que vivesse até os oitenta e cinco anos; mas lhe foi dito que O veria, e ele qualificou isso, de modo que não houvesse mal-entendido a respeito deste assunto. ¶
Poderia ler-vos muitas revelações neste Livro de Doutrina e Convênios (tendo o livro em mãos) a respeito do mesmo assunto, nas quais o Senhor diz claramente que certas coisas se darão. Fez-se alusão ontem a algumas delas. ¶
"E também, em verdade vos digo que o Filho do Homem não virá na forma de uma mulher nem na de um homem viajando pela terra. Portanto, não vos deixeis enganar, mas continuai firmes, à espera de que os céus sejam sacudidos e a Terra trema e cambaleie como um homem embriagado; e os vales sejam elevados e as montanhas sejam rebaixadas e os lugares acidentados sejam aplainados -- e tudo isso quando o anjo soar sua trombeta. Mas antes que venha o grande dia do Senhor, Jacó prosperará no deserto e os lamanitas florescerão como a rosa; Sião florescerá nos outeiros e nas montanhas regozijar-se-á, e será reunida no lugar que designei." ¶
Estas são as palavras de Deus a respeito da vinda do Filho do Homem. Estas revelações nos dão, com grande clareza, os sinais que precederão Sua vinda. Portanto, não nos deixemos perturbar em nossa mente. Sinto ser importante que esta Conferência não se dissolva sem que se vos diga claramente que não deveis esperar a vinda do Filho do Homem, seja neste ano, seja no próximo. Embora não possamos profetizar o dia nem a hora, podemos profetizar algumas coisas a respeito de Sua vinda, isto é, coisas que se darão antes de Sua vinda. Deus não nos deixou em dúvida quanto a estes pontos. Se tiverdes tempo, lede a 29ª seção do Livro de Doutrina e Convênios, e a 45ª seção, e a 88ª seção. Portanto, Santos dos Últimos Dias, prossegui e cumpri vossos deveres com cuidado, com coerência, e com determinação de fazer aquilo que Deus exige de vossas mãos. Não esperdes algum grande cataclismo, que mostre a todo o mundo que este é o Reino de Deus. Talvez tal coisa se dê; mas vos direi o que observei durante minha vida -- que Deus age de modos naturais. Seus propósitos se realizam de maneira aparentemente bem natural -- tão natural que o mundo não consegue ver neles a mão de Deus. É preciso fé e o Espírito de Deus para mostrar estas coisas. ¶
Lembro-me de meus pensamentos e ideias quando eu era menino. Estando familiarizado com a revelação que Deus dera a respeito da Guerra Civil, pensei comigo mesmo: agora, quando isto se der, esta nação se convencerá de que Joseph é um profeta, porque a revelação era tão clara. Dizia onde a guerra haveria de começar, e outras particularidades a seu respeito, e, naquela época, toda a nação se felicitava por sua paz, e a probabilidade de guerra não era acalentada por ninguém. A ideia de que haveria uma guerra era ridicularizada. Como aquela revelação se cumpriu maravilhosamente! Mas quantas pessoas foram convertidas pelo rigoroso cumprimento daquela profecia? Não conheço uma sequer. Minha conclusão é que Deus age deste modo entre os filhos dos homens, e eles continuarão a endurecer seu coração contra todas as evidências da divindade desta obra, não obstante o contínuo cumprimento das profecias dos Élderes desta Igreja. Os habitantes da terra não se convertem pelo cumprimento das profecias, porque estas vêm de maneira tão natural. Aqui temos ciclones, e todas essas coisas que são evidências dos últimos dias, e quem se preocupa com isso? Ora, dizem-nos que é por meio do telégrafo e da facilidade com que as notícias viajam que sabemos mais dessas coisas. Sempre foram assim, e sempre serão, dizem eles, e isto não é evidência de que estes são os últimos dias; pois quando houve tempo em que não havia guerras, ou acidentes, ou em que não tivéssemos furacões, e tempestades, e terremotos? É deste modo que os Élderes são recebidos quando falam a respeito destas coisas. Portanto, Santos dos Últimos Dias, ponhamos nossa confiança em Deus e, aguardando o cumprimento de Suas promessas, olhemos adiante com os olhos da fé para o seu cumprimento, para que nos regozijemos nelas quando se cumprirem. Amém. ¶