Pulpit

Nossos Esforços para Informar o Mundo Acerca de Nossas Doutrinas, Etc.

Franklin D. Richards

Conferência Geral de Outubro de 1885·1885-10-01

A Providência parece sorrir sobre nosso ajuntamento em conferência neste momento. De fato, como povo, se levarmos em conta todas as bênçãos de nossa salvação comum, somos hoje altamente favorecidos do Senhor, em todo respeito geral. Penso que nossos corações deveriam ser movidos por um sentimento de gratidão por todas as Suas muitas bênçãos para conosco, tanto temporais como espirituais. Nossos irmãos aqui foram e melhoraram as condições de seu tabernáculo, de modo que estamos muito confortavelmente instalados. Os cantores, penso, sentem que se colocaram no lugar certo; uma boa mesa também foi providenciada para os repórteres. Aproveito esta oportunidade para convidar os repórteres de quaisquer jornais que possam estar presentes, que assim o desejem, a se aproximarem, sentarem-se a esta mesa e relatarem os procedimentos de nossa conferência. O único favor que pedimos de suas mãos é que nos relatem corretamente.

Temos nos esforçado por meio século para informar o mundo acerca dos princípios de nossa fé, e ainda não nos cansamos disso; ainda estamos enviando missionários aos quatro cantos da terra. Nós os enviamos sem limite de números ao povo desta grande nação, os Estados Unidos; temos procurado informá-los desde o ano de 1830, e especialmente desde a investidura em Kirtland em 1836, quando os Apóstolos, Sumos Sacerdotes e Élderes saíram a todas as partes desta nação, tanto quanto lhes foi permitido, e tão depressa quanto tiveram oportunidade, para informar o povo acerca dos princípios de nossa fé. Mas parece quase impossível chegar aos seus ouvidos, e muito menos provável alcançar seus corações. Parece ter sido mais fácil para nós, em dias antigos, receber aquela medida que o Senhor havia revelado para nosso benefício do que é agora, quando Ele está nos dando tanto que o vinho novo não pode ser recebido em vasos velhos, e se pudesse não sabemos quais seriam os resultados. Nestes nossos tempos, alguns dos fracos e desanimados, sem dúvida pensarão que, por causa dos esforços de perseguição contra nós, temos motivo para estar muito tristes, para fazer caras longas e ficar abatidos por estarmos oprimidos. Irmãos, não é assim. Não pensem nisso nem por um minuto. Enquanto formos tratados de maneira mais branda do que foi nosso Mestre, temos motivo para sermos gratos e devemos seguir nosso caminho regozijando-nos. Enquanto não formos tratados com mais dureza do que foram nossos irmãos em épocas passadas e nesta dispensação em que vivemos, temos motivo para sermos gratos.

Lamentamos a ausência de nossos irmãos da Primeira Presidência, e de vários do Conselho dos Doze Apóstolos. Ficaríamos alegres e gratos se pudéssemos tê-los todos conosco, mas estamos contentes por termos aqui tantos de nós quanto os que aqui se encontram. Esperamos que a conferência resulte no fortalecimento das boas resoluções de todo Santo dos Últimos Dias — no vigorar das energias de todos os que estão de algum modo afligidos, ou oprimidos por tentações e provações de qualquer espécie. O Senhor disse aos irmãos em Seus dias — aqueles a quem Ele designou, sobre quem impôs as mãos e ordenou ao apostolado — que essa seria a herança deles; que seriam difamados e levados à prisão, e que os homens pensariam que estavam prestando serviço a Deus ao tirar-lhes a vida da terra. E, disse Ele, é o servo maior do que seu senhor? Não. Ele lhes disse que, quando passassem por essas coisas, deveriam erguer a cabeça e regozijar-se; pois grande seria sua recompensa no céu. Portanto, temos a garantia de que, se formos verdadeiros e fiéis, sofreremos provações e tentações como sofreram em dias passados, e como José e Hyrum, e os irmãos dos Apóstolos, com uma hoste de Élderes, têm feito nestes últimos dias pelos princípios do Evangelho.

Essas coisas, porém, não devem nos abalar, ou, se de algum modo nos abalarem, devem apenas fortalecer-nos para permanecermos firmes na santa fé do Evangelho, nos princípios, ordenanças e instituições que o Senhor nos revelou. Podemos esperar encontrar oposição de todos os lados, mas nossa oposição pode vir de uma forma diferente daquela que nossos irmãos tiveram de suportar antigamente; devemos, porém, estar armados com o espírito da verdade divina, de modo que possamos compreender nosso dever em toda circunstância e condição da vida. Sei que alguns dos irmãos sentem que é uma coisa muito séria ser lançado na prisão. Ora, há muitas coisas piores do que isso. É mil vezes melhor ir para a prisão do que negar os princípios do Evangelho, e ser abandonado do Espírito Santo. O que disse o Irmão Brigham antes de nos deixar? Quando o Congresso aprovou a lei de 1862, eu o ouvi fazer esta observação — bastante surpreendente na época — de que um homem que não estivesse disposto a pagar sua multa e cumprir uma pena de prisão por uma mulher realmente boa e virtuosa não era digno de esposa alguma. Bem, aprendamos a olhar essas coisas de maneira apropriada, e a sermos gratos por nossas condições não serem piores. Olhemos continuamente para Deus; Ele guiará e controlará todas as coisas para o bem de Seu povo.

Há uma parte dos escritos do Apóstolo Paulo aos Efésios que parece tão apropriada à nossa condição, que me proponho a ler, aos ouvidos da congregação, uma parte do 6º capítulo, começando no 10º versículo:

"No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.

"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.

"Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais.

"Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e havendo feito tudo, ficar firmes.

"Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestindo-vos com a couraça da justiça;

"E calçados os pés com a preparação do evangelho da paz;

"Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.

"Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;

"Orando em todo o tempo com toda oração e súplica no Espírito, e vigiando nisso com toda a perseverança e súplica por todos os santos."

Li estas palavras por causa de sua notável adequação à nossa condição e circunstâncias presentes.

Sinto, ao tentar dirigir-me aos Santos, um grau muito grande de impotência, e de dependência do esclarecimento e do auxílio do Espírito Santo, a fim de que eu possa falar-vos por um curto período para edificação; pois sem o espírito do Evangelho, o Espírito Santo da verdade divina que é enviado para testificar de Deus e da verdade aos corações dos honestos na terra, nossos trabalhos serão de conta muito insignificante. Mas se tivermos o auxílio e a ajuda daquele Espírito, então poderemos ser edificados e regozijar-nos juntos como filhos de Deus — tanto aquele que fala quanto aquele que ouve.

Parece que, depois da epístola tão elaborada e abrangente que nos foi comunicada por nossos irmãos da Primeira Presidência, na qual eles parecem cobrir muitas das circunstâncias que agora cercam o povo de Deus, e na qual também nos dão tais palavras de exortação e instrução que, se seguidas por nós, devem não apenas nos fazer compreender melhor nossa condição, mas saber melhor como ocupar nossas posições com crédito para nós mesmos e para a aceitação de Deus, nosso Pai celestial — digo, pareceria, depois de ler aquela epístola, e tendo-a impressa em nossas mentes, como estou certo que deve estar em todos os que ouviram em espírito e em verdade, como se dificilmente fosse necessário dizer mais alguma coisa para nos colocar em ordem quanto aos nossos deveres e nos dar entendimento a respeito deles, ou força no desempenho deles. Mas cada um de nós tem um testemunho da verdade do Evangelho e da obra de Deus a dar aos nossos irmãos e irmãs, e eu mesmo sinto o desejo, em comum com meus irmãos, de comunicar tais coisas quanto me forem dadas, para que possamos ser encorajados na obra em que estamos empenhados; que possamos sentir fortalecidas em nós as nossas boas resoluções, que possamos ser levados a compreender em nome de quem confiamos, em cuja força permanecemos firmes, e que possamos também ser capazes de compreender, como o Apóstolo Paulo o fez, quando escreveu: "Não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais."

Nossa condição é muito peculiar com respeito a esta nação, e ainda assim não é mais estranha ou peculiar do que foi a condição do povo de Deus em outras eras, as quais estão registradas na história para nosso conforto, encorajamento e consolação. Portanto, sinto-me nesta manhã inclinado a falar um pouco sobre a natureza daquilo que se chama crime, que é imputado a nós.

Somos informados por homens em posições elevadas de que é o dever mais elevado dos bons cidadãos prestar obediência às leis da terra em que vivem. Ora, mal posso acreditar que qualquer professor de religião — qualquer honesto professor religioso de qualquer denominação cristã nestes Estados Unidos — possa honesta e solidamente endossar esse sentimento, muito menos qualquer um que esteja vestido com o arminho e honrado com um assento no banco judicial; contudo, é dos juízes que ouvimos isso. Um grande apóstolo do direito, o maior, mais competente e mais popular expositor da lei, desde os dias de Justiniano da antiga Roma até seus próprios dias, foi o renomado Sr. Blackstone. Quando porções de várias nações se estabeleceram juntas na ilha da Grã-Bretanha — algumas vindas dos estados setentrionais da Escandinávia, outras da Bretanha, e das diferentes partes das nações germânicas ou saxônicas — e haviam recolhido as leis desses países com o propósito de assimilá-las, de modo que aqueles povos vindos de seus vários países tivessem um uso estabelecido único de lei para a regulação de todos os seus procedimentos civis e criminais na adjudicação de suas disputas uns com os outros, o erudito Chanceler Blackstone empreendeu essa grande tarefa e, do alambique de sua mente inteligente e poderosa, produziu e enunciou suas concepções da lei. Essas concepções têm sido consideradas a base de toda a administração legal; os princípios fundamentais da jurisprudência entre todas as nações cristãs desde que ele as publicou.

Este ilustre cavalheiro, considerado até os dias de hoje como uma das maiores, senão a maior luz jurídica da era, estabeleceu de maneira clara e enfática que o homem não tem direito de fazer nenhuma lei contrária ou em conflito com a lei de Deus. Gostaria que todo advogado desta nação a lesse e a compreendesse; pois, quando se afastam dessa regra, tornam-se apóstatas da fé da verdadeira jurisprudência legal, tal como estabelecida por este distinto apóstolo do direito; e, além disso, ele sustentava que as leis que deveriam regular ou constituir a jurisprudência de toda nação eram derivadas e baseadas nas leis reveladas por Deus, por meio do Profeta Moisés. Este cavalheiro afirmou e estabeleceu como fato que os Dez Mandamentos, a antiga lei de Deus, eram considerados por ele a base e o princípio fundamental de toda lei, justiça e administração que deveriam existir entre a família humana. Ele reivindica isso como a base de sua obra. Assim, nenhum homem que seja verdadeiro advogado, seguindo a ordem do célebre Blackstone, pode dizer com verdade que é o dever mais elevado de um bom cidadão observar em todas as coisas as leis da terra, a menos que primeiro esteja estabelecido que essas leis são consistentes com as leis de Deus.

Ora, então, em que somos transgressores? Desejo chamar a vossa atenção para isto por alguns minutos, porque desejo que meus irmãos e irmãs compreendam sempre que forem questionados perante os tribunais desta nação — quero que nossos rapazes e moças que estão crescendo entre nós entendam qual é a natureza daquilo que se chama crime, o que é alegado contra seus pais, e do qual suas mães são participantes. Nunca foi alegado contra nós, como homens de Israel, como "mórmons", se assim o preferirem, que fôssemos violadores, ou tivéssemos sido, violadores da lei da terra até julho de 1862. Nunca foi provado e não pode agora ser demonstrado que nós, como povo, fôssemos violadores de qualquer lei da terra. Em 1862, foi promulgada uma lei contra a bigamia, ou poligamia. O termo bigamia sempre havia sido usado antes, mas agora foi associado à poligamia, a fim de que pudesse ser feito para alcançar, e ser entendido por todos como destinado aos Santos dos Últimos Dias.

Ora, então, para chegar ao ponto da questão, qual é o crime, se é que há algum, nesta doutrina do casamento celestial, tal como a mantemos, a doutrina do convênio eterno do matrimônio, a que está associada a pluralidade de esposas? Quando casamos nossas esposas pela primeira vez — éramos novo-ingleses, britânicos, escandinavos, etc. — casávamo-nos até que a morte nos separasse. Esse era o período pelo qual fazíamos o contrato, quer entrássemos na igreja e tivéssemos a ordenança solenizada por um eclesiástico, quer fosse feita perante um juiz de paz, um magistrado ou qualquer autoridade civil. Quando a lei de Deus veio, antes que a doutrina da eternidade e pluralidade do matrimônio nos fosse ensinada, o Senhor nos deu uma revelação, em época muito antiga, a respeito de membros de outras igrejas serem rebatizados. Alguns deles duvidavam da necessidade de serem rebatizados. Diziam que haviam sido batizados na igreja batista; que haviam sido aspergidos na igreja metodista, na presbiteriana, na congregacional: por que ser batizado novamente? O Senhor, em resposta a essa pergunta, disse a Seu povo que todos os antigos convênios Ele havia feito cessar; mas "eis", disse Ele, "eu vos dou um novo e eterno convênio." Portanto, todos tinham de sair, os que haviam sido batizados por homens sem autoridade para administrar, e ser batizados por alguém que tivesse autoridade, em nome de Jesus, para a remissão dos pecados, e para admissão na Igreja de Cristo. Com o tempo, quando havíamos andado diante do Senhor por vários anos, Ele nos revelou as leis do matrimônio. Pais bem-ordenados não ensinam a seus filhos, quando ainda os embalam no colo, a natureza do convênio, ou da ordenança, ou dos deveres do matrimônio. Esperam até que cresçam. É apropriado que esperem até que seus filhos tenham alcançado anos de juízo, entendimento, e talvez a idade da puberdade. Assim o Senhor, ao lidar com Seus filhos, não revelou este convênio eterno do matrimônio até que Seu povo tivesse vivido por algum tempo guardando as primeiras leis e ordenanças da Igreja, e aprendido a andar na luz do Espírito Santo, e a se purificar dos vários entraves de que eram acometidos quando entravam nas águas do batismo, e a se tornar mais bem preparados para princípios e verdades mais elevados. Um dos últimos grandes princípios que o Profeta Joseph foi ordenado por Deus a nos ensinar foi a lei que rege a eternidade do matrimônio; que, considerando que havíamos tomado nossas esposas apenas até que a morte nos separasse, deveríamos agora entender que estávamos, enquanto na carne, lançando o fundamento para domínios, coroas e exaltações eternas; que nossas esposas e nossos filhos nos foram dados por Deus com o propósito de lançar o fundamento de um reino; que teremos, se formos fiéis e obedientes, o convênio da vida eterna para nós mesmos e o poder de selar o mesmo sobre nossas gerações, para que se tornem, como as de Abraão, como as areias da praia do mar em número.

Os Santos dos Últimos Dias afirmam ser filhos de Abraão, e se são filhos de Abraão, farão as obras de Abraão. Foi difícil para homens e mulheres de todas as partes do mundo, que haviam vivido toda a vida na ordem monogâmica, aceitar esta doutrina da eternidade e pluralidade do matrimônio. Era "um novo e eterno convênio; e se não permanecerdes nesse convênio, então estareis condenados, diz o Senhor." Essa foi a obrigação imposta ao Profeta Joseph, e por meio dele, aos verdadeiros crentes da Igreja, sim, todos os que fossem dignos de aceitar essas obrigações. Foi aí que os Élderes e suas esposas estenderam sua fé, ampliaram sua obediência, e aceitaram os termos do novo e eterno convênio, que se estende não apenas pelo tempo, mas também pela eternidade.

Ora, eu pergunto, quem é prejudicado por um homem tomar uma segunda esposa, quando a esposa que ele já tem está de acordo e isso é mutuamente entendido entre ela, ele e a recém-noiva; sendo isso feito com mútuo entendimento e mútuo acordo, conforme a lei de Deus — pergunto, quem é prejudicado?

Em que consiste o crime da bigamia? É o seguinte. Quando um homem toma uma esposa, ele faz convênio de permanecer fiel a ela até a morte. Ele viola esse convênio quando toma outra mulher, sem o conhecimento de sua esposa; assim ele pratica fraude contra ela. É aí que entra o crime. A fraude é perpetrada contra sua própria família. Quero que os velhos e os jovens compreendam isso; quero chegar à raiz do assunto, e descobrir e mostrar qual é o crime, se é que há algum, que é imputado a nós. Esse crime de tomar outra esposa quando um homem já tem uma se chama bigamia; e há leis e penalidades contra isso. Entre os Santos dos Últimos Dias não se pratica fraude alguma, sendo a segunda esposa aceita com o mútuo consentimento da primeira, e de acordo com as revelações de Deus. Não há nisso crime algum, a menos que alguma lei de Deus seja violada, ou alguém seja prejudicado no assunto. Se esta transação que acabo de mencionar viola a lei de Deus, ou se prejudica ou infringe os direitos de um irmão ou de uma irmã, então pode haver algum fundamento para pronunciá-la crime, mas a crença em, e a prática de, a eternidade e pluralidade do convênio matrimonial não violam a lei de Deus, porque Ele ordenou a Seu povo que a aceitasse e obedecesse. Tampouco é uma infração dos direitos de outros, nem de homens nem de mulheres, mas dá a todas as mulheres a oportunidade de se tornarem esposas e mães honradas, e assim de excluir aquilo que se chama polidamente o mal social, com todos os seus horrendos acompanhamentos de sedução, feticídio, infanticídio e todo o cortejo de males monogâmicos sexuais que assolam e infestam a cristandade.

Se, então, não violamos nenhuma lei de Deus nem direito de nossos semelhantes, em que, pergunto novamente, consiste o crime de nossa fé religiosa? É nisto: que o Congresso o proíbe; assim como Dario proibiu Daniel de orar a Deus, e, porque ele persistiu, lançou-o na cova dos leões; do mesmo modo que Herodes fez matar todas as crianças do sexo masculino, na esperança de matar Cristo, nosso Salvador, em sua infância; do mesmo modo também que Nabucodonosor lançou os jovens hebreus nas chamas porque adoravam o Deus vivo em vez de seu ídolo. Em que consiste o crime de Daniel ao orar ao Deus de Israel? Simplesmente porque o rei Dario o proibiu de fazê-lo.

O que constituiu o crime dos jovens hebreus ao adorar o Deus do Céu? Unicamente porque Nabucodonosor lhes ordenou que adorassem a imagem de ouro, o que eles não fariam. Qual é a natureza intrínseca de nosso crime em crer e praticar o convênio eterno do matrimônio plural, tal como revelado pelo Todo-Poderoso, e conforme nos é ordenado fazer? Simples e unicamente isto: o Congresso aprovou uma lei tornando isso ofensa penal. Esta é toda a criminalidade que há nisso; e a pergunta permanece para cada um responder: obedeceremos a Deus ou aos homens?

O que é liberdade — a liberdade que tu e eu e todos os homens temos o direito de desfrutar? É não violarmos a lei de Deus, ou não infringirmos os direitos e as liberdades de nossos semelhantes. Essa é a verdadeira liberdade. Disso dependem também a lei e os profetas.

No estabelecimento deste princípio do Evangelho, o convênio matrimonial, ele se destina apenas ao povo de Deus, e não ao povo do mundo. Eles não o querem. Gostariam de ter aquela liberdade que não é liberdade, mas licenciosidade — pela qual podem continuar e perpetuar a sedução e o adultério entre eles — manter em funcionamento suas casas de prostituição e seus lugares de encontro. Faz parte dos negócios tanto dos poderosos quanto dos humildes manter essa degradação e destruição da parte feminina da raça, e é porque o povo de Deus tomou um rumo pelo qual toda mulher justa possa ter um marido honrado, tornar-se uma esposa honrada e ter uma posição na família e no lar, que nossos irmãos são levados à prisão; porque são fiéis às suas famílias; porque tomaram esposas a fim de criar filhos, ter uma geração para levar seus nomes e seu sacerdócio, e se tornarem um povo devotado ao Deus vivo.

Quero dizer, a esse respeito, como desejo que todos compreendam, que quando adotamos este princípio pelas revelações de Deus, não havia lei na terra contra ele. Compreendam isso, irmãos e irmãs. Mas é agora como nos tempos antigos, quando os cativos da Judeia foram levados à Babilônia. Seus captores encontraram excelentes qualidades neles, assim como hoje alguns dizem que apreciam nossa indústria, nossa iniciativa e nossa virtude "fora da relação matrimonial", mas querem que abandonemos este mandamento do Senhor e "nos tornemos como eles", "sejamos como eles são", e então eles gostarão de nós, e seremos todos bons companheiros.

Os representantes do país em Washington descobriram algo nestas montanhas que lhes é desagradável; que estamos aumentando; que nos deleitamos em nossos filhos, e não tomamos medidas para impedir sua vinda, como é feito com muita frequência no mundo; que estamos dispostos a tomar esposas e sustentá-las em vez de nos entregarmos à prostituição e coisas semelhantes; e disseram: "Isso não pode ser." Por isso, puseram-se a trabalhar e aprovaram uma lei contra nós, que impediria que levássemos a cabo os princípios de nossa religião. Quero que estes rapazes e moças, bem como os mais velhos, saibam que Deus nunca nos deu uma lei que estivesse em conflito com qualquer lei da terra; mas que o Congresso promulgou leis para nos fazer criminosos. Não há crime naquilo que praticamos, visto que nenhum homem é prejudicado, nenhuma mulher é prejudicada, e nenhum direito de pessoa alguma é invadido; pelo contrário, nosso povo é chamado a exercer uma grande medida de abnegação e autonegação, para que todos possam ser abençoados, e para que a caridade do Evangelho possa ser estendida a toda a família humana, tal como Deus a projetou e ordenou. Assim, não somos violadores da lei da terra, mas os legisladores da nação nos tornam transgressores. Deus nos ordena guardar Sua lei. O povo, por meio de seus representantes, diz que não devemos. É só isso que há nisso. Eles se propõem a dizer que não devemos observar a lei do matrimônio plural, e, em consequência disso, estão nos levando à prisão. Nossas saídas e entradas são vigiadas por delegados, a fim de encontrar algo com que nos levar perante um comissário ou um grande júri; não por qualquer crime que tenhamos cometido, mas porque obedecemos a Deus, o que o Congresso disse que não devemos fazer — fazendo uma lei contra nós — quando não estamos violando lei alguma.

Não gosto de falar contra meus semelhantes; simplesmente apresento estas coisas a vós para mostrar o real estado das coisas. É desagradável para mim dizer que os homens do Congresso de 1862, e os de 1882, não eram homens da mais imaculada virtude. É entendido em toda a terra que em nenhum lugar deste continente a prática da prostituição e da sedução de mulheres se dá em maior extensão do que na cidade de Washington, e por parte daqueles homens que ali vão para fazer leis contra este povo. Que atitude isso coloca o povo desta nação, e o Congresso do país, em relação a nós e a esta lei que estamos empenhados em guardar? Ora, assim que o Senhor estabelece Seu Evangelho e convênio, os espíritos do outro mundo procuram vir habitar entre nós; desejam uma paternidade entre os Santos do Deus vivo, onde possam ser recebidos com amor filial e não repelidos pelo feticídio, onde possam ser criados no temor de Deus, com a esperança de retornar puros à presença do Pai, sem se perderem por culpa de sangue ou outros crimes enquanto na mortalidade.

Como pensais que os espíritos consideram a necessidade de um nascimento nas nações da terra onde existe tanta libertinagem e prostituição? Digo-vos que esta mesma presunção do país em que vivemos, de que não teremos estes filhos para habitar em nosso meio e portar o nome de Cristo na terra, é uma presunção contra os próprios céus, e contra aqueles espíritos dos justos que aguardam ser aperfeiçoados por meio de seus sofrimentos na carne.

Ah! diz alguém, vós, gente das montanhas, sendo apenas de cento e cinquenta mil a duzentas mil pessoas, não precisais falar dessa maneira; pois aqui há uma grande nação de cinquenta e cinco milhões de pessoas que dizem que não deveis fazer isso, ou, se o fizerdes, não podereis ter um lar entre nós. Bem, admitiremos que cerca de duzentas pessoas dos Estados Unidos dizem a cada um dos Santos dos Últimos Dias que devemos abandonar essa doutrina, ou não podemos habitar nesta terra. Bem, essa é uma maioria terrível contra nós: mas olhemos um pouco para isso. Não creio que precisemos estar muito assustados. Recordai-vos de que certa vez um jovem estava com o profeta Eliseu, quando um grande exército cercou a cidade, tanto com cavalos como com carros, e uma batalha era iminente. Eram tempos turbulentos para Israel então, piores do que agora são para nós. O exército defensor era muito pequeno, e o coração do jovem começou a desfalecer. Ele não conseguia ver como o pequeno grupo de Israel iria prevalecer contra seus numerosos inimigos. Diante disso, Eliseu orou e disse: "Senhor, rogo-te que abras os olhos dele," o jovem, "para que veja." E o Senhor abriu os olhos do jovem; e ele viu: e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu. Não temas, disse o profeta, "pois os que estão conosco são mais do que os que estão com eles."

Ora, é exatamente assim conosco. Todos os pais que nos precederam, o Profeta Joseph, e Hyrum, os Apóstolos e Patriarcas, os Élderes, Sumos Sacerdotes, e hostes de outros, sem mencionar os pais de nossa geração de centenas de anos atrás, estão todos ao nosso redor, aguardando, vigiando e ansiosos por nos ver avançar e triunfar; de modo que temos muito mais a nosso favor do que contra nós, apesar dos cinquenta e cinco milhões em contrário. Portanto, não temos motivo para deixar nossas mãos caírem por medo, ou nossos joelhos tremerem; de forma alguma. Pelo contrário, digo-vos, meus irmãos e irmãs, que um dos maiores males existentes em nosso meio hoje é que somos demasiados. Podeis pensar que isso é uma afirmação dura; mas somos decididamente demasiados. Há pessoas entre nós que estão cometendo toda espécie de pecado e transgressão — pessoas que bebem com os beberrões e gastam seus bens com meretrizes e em vida dissoluta. Todos esses deveriam ser separados da Igreja, a menos que se arrependam prontamente. O número deveria ser reduzido, como o exército de Gideão. O Senhor disse a Gideão que ele tinha um exército grande demais, e este foi reduzido (da maneira relatada no sétimo capítulo do Livro dos Juízes) de trinta e dois mil para trezentos, que era tudo o que o Senhor queria. Os demais foram mandados para casa, e Gideão, seguindo as instruções do Senhor, pôs em fuga todas as hostes dos midianitas e amalequitas, que se dizia serem "como gafanhotos em multidão."

É exatamente esse o problema conosco. Há demasiados entre nós que não estão vivendo como Santos dos Últimos Dias deveriam viver. Além disso, há muitos que caminham à luz de outros homens. Se aqueles a quem cabe esse dever apenas afastarem de nós os que não servirão a Deus, nos encontraremos fortalecidos na obra em que estamos empenhados. Se fizermos o que é certo, não precisamos temer o que nossos inimigos possam fazer. O Senhor deseja apenas os honestos, os obedientes, os fiéis, e Ele "virará o mundo de cabeça para baixo, devastará seus habitantes," e glorificar-Se-á por meio de Seu povo.

Referi-me ao exemplo de Gideão de propósito, para vos lembrar de que a obra do Senhor não é sustentada pela força dos números, mas pelo Espírito de Deus — o espírito de obediência, que é melhor do que o sacrifício ou a gordura dos carneiros, e de que a sabedoria de Deus é melhor do que a força ou as armas de guerra.

Homens de inteligência — políticos de países europeus, bem como do nosso próprio país — visitaram este país, e ouvi-os dizer ao Presidente Young que tínhamos um governo muito forte neste Território. Todos sabemos isso: mas é bom ter homens sábios visitando Utah do estrangeiro e vendo a excelência e a força de seu governo.

Diria ao povo desta terra — visto que estão fazendo este espantalho da poligamia — que não se deixem enganar. O Governador disse a homens nas ruas que não se importava em nada com a poligamia; (sabíamos muito bem que não se importava, por sua conduta;) mas que era o poder da Igreja que precisava ser quebrado. Precisa? Esta é a obra do Senhor, e ninguém precisa se enganar quanto a isso. A ordem da igreja e do reino de Deus é o governo mais forte já conhecido nesta terra, e se o povo desta grande nação alberga quaisquer temores quanto às consequências ou efeitos de tal governo, por que, pergunto, não abraçam vós, da nação, vós do Congresso, vós do Gabinete, se preferirem, esta ordem de governo e a estabelecem sobre a nação! Podeis fazê-lo. Podeis arrepender-vos de vossos pecados, cada um de vós, e ser batizados para remissão deles. Podeis adotar e estender este governo forte que Deus estabeleceu nestas montanhas, e se o fizerdes, Deus vos estabelecerá, a vós e ao governo e a esta nação, para nunca vos afastardes de diante de Sua face; e sereis feitos o meio de ajudar a trazer a justiça eterna — o milênio — sobre esta terra, e de fazer com que o Espírito de Deus repouse sobre toda carne. Não vale a pena empenhar-se numa coisa dessas?

Mas, ah! O terrível fato existe de que o sangue dos profetas está sobre esta nação, embora a nação não tenha derramado seu sangue, ainda assim um Estado soberano o permitiu, e a nação não lavou suas mãos disso. Isso explica a terrível dureza de coração que se encontra neste país.

Não fosse por uma imprensa mentirosa e um povo corrupto em nosso meio, que incitam pessoas ignorantes a enviar petições contra os "mórmons" ao Congresso aos montes, a nação não poderia ser levada a tal frenesi, nem a fazer leis como a lei Edmunds contra nós. Mas fazem essas coisas porque seus corações são duros, e porque o sangue da inocência repousa sobre eles; esta nação ainda tem de se levantar e se livrar deste sangue, e colocar a responsabilidade onde ela pertence, ou terão de sofrer como cúmplices depois do fato por estas coisas terríveis feitas em seu meio — este povo expulso de cidade em cidade, despojado de seus bens; expulso para o deserto até este país, para encontrar um lar em que pudessem habitar em paz. Bendito seja Deus por nos permitir encontrá-lo! Tivemos um lar de paz e regozijo, e fomos abençoados em todas as coisas. Temos hoje necessidade de estar aterrorizados? Precisam nossos corações palpitar de medo? Já tivemos um acampamento do exército dos Estados Unidos em nosso meio, e não temos motivo para temer agora; Deus levará a cabo a libertação de Seu povo.

O Senhor nunca frustrou mais completamente o desígnio de um exército do que no caso daquele que veio até aqui, e nunca houve época em que Ele fizesse com que o ganho dos gentios fosse espalhado entre Seu povo mais eficazmente do que o fez com os bens que o exército trouxe a este país.

Temeremos hoje? Voltemos nosso olhar para Israel e vejamos sua libertação — tal como relatada na Bíblia e no Livro de Mórmon — vejamos o que Ele fez em tempos passados. O segredo do sucesso é a obediência aos mandamentos de Deus, e aos convênios que fizemos com Ele.

Não me cabe dizer o que farei quando for levado ao tribunal para ser julgado e sentenciado. Um homem não sabe o que fará. Recordemos o exemplo de Pedro, que andou com Jesus de dia e de noite. À luz dessas coisas, não convém alardear o que faremos; mas espero, pela bênção de Deus, permanecer firme e inabalável quando essas coisas me olharem de frente. Peço a Deus que me dê graça suficiente para que eu guarde Seus mandamentos, honre toda lei que Ele deu, ou vier a dar, e permaneça firme na verdade em toda circunstância da vida.

Rogo que a bênção de Deus esteja sobre vós. Sede verdadeiros e fiéis a Deus. Que os irmãos atendam àquelas coisas que a Primeira Presidência apontou em sua epístola a respeito dos transgressores, e daqueles que não temem a Deus nem observam Seus preceitos e leis. Guardai os mandamentos de Deus, e ensinemos nossas famílias a fazê-lo também, para que possamos crescer fortes em Sua justiça; então descobriremos que não importa quantos estejam contra nós, saberemos que há mais a nosso favor do que contra nós. Ele nos porá todos à prova, e descobrirá o que há em cada homem e o que cada homem é capaz de suportar. Nossas irmãs pensam que sofreram todo o mal desse assunto, que os homens ficaram bem e tranquilos; mas eu vos digo que os homens receberão sua parte inteira, e vós, irmãs, vos igualareis a eles, se permanecerdes verdadeiras e fiéis.

Que o Senhor conceda Sua bênção a cada um conforme tivermos necessidade; peço isso em nome de Jesus Cristo, Amém.

Como citar este discursoFranklin D. Richards, “Nossos Esforços para Informar o Mundo Acerca de Nossas Doutrinas, Etc.”, Conferência Geral de Outubro de 1885 (1885-10-01). Pulpit Vault, 1885-10-richards-our-efforts-to-inform-the-world-of-our-doctrines-etc. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).