A Dependência do Orador em Relação ao Espírito Santo, Etc.
Moses Thatcher
Ao procurar dirigir-me a esta congregação nesta tarde, sinto certo grau de fraqueza e de dependência do Espírito Santo, conhecido dos Élderes de Israel; e, para que eu possa obter a orientação e a inspiração do Espírito Santo, a fim de me dirigir no que devo dizer, desejo ter parte em vossa fé e vossas orações. Nada, a meu ver, pode ser maior sacrilégio à vista do Todo-Poderoso do que empreender falar em Seu nome sem a inspiração de Seu espírito. Podemos falar sobre os ramos do saber e do conhecimento humanos, falando à maneira dos homens, com pouco deste sentimento de timidez, mas não quando empreendemos falar dos princípios de vida e salvação, do plano de redenção humana tal como sempre existiu — como existia antes de serem lançados os fundamentos do mundo, como continuará a existir até que todo filho de Deus, exceto os filhos de perdição, seja trazido de volta e exaltado em um grau de glória muito além da compreensão da mente finita. Tem-se dito, às vezes, que o assim chamado mormonismo é estreito, proscritivo e egoísta; contudo, os que o compreendem, mesmo em parte, jamais fizeram tal afirmação. ¶
Deus amou de tal modo a família humana que deu Seu Filho Unigênito para morrer pelos pecados do mundo, e em todos os tratos de Deus com a família humana, o estudante cuidadoso descobrirá que a corda mais profunda, a mais forte, a que produz a música mais doce, é a que vibra sob o toque deste infinito, quase incompreensível, amor do Todo-Poderoso. A pedra angular principal, o fundamento de nossa fé, está edificado sobre a doutrina da salvação vicária, fundada na mais profunda filosofia do amor. O fazer por outros aquilo que não somos capazes de fazer por nós mesmos é um princípio divino, cuja prática mina os próprios fundamentos do egoísmo humano, e exalta, glorifica e, na medida em que é compreendido e praticado, aproxima de Deus os que lhe obedecem. O Evangelho de Jesus Cristo não é, de modo algum, estreito. É mais amplo que a eternidade, mais profundo que a terra, mais elevado que os céus. Notai o afeto dos pais terrenos. Seu filho pode tropeçar e cair, seus pés podem trilhar caminhos desviados e proibidos, ele pode fazer dez mil coisas erradas, mas, em meio a tudo isso, o amor do pai e da mãe se estende e anseia pela recuperação e redenção do extraviado. Este amor, implantado no coração humano, é de origem divina. É a mola-mestra que impele os esforços salvadores. O plano de salvação, sendo permeado por ele, atinge infalivelmente o egoísmo humano e, ao ordenar-nos que façamos aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, não pode de modo algum ser estreito. ¶
Sejam quais forem os esforços de Satanás e das hostes que o seguem, sejam quais forem as coisas que possam fazer no futuro para destruir, o plano de um Pai Celestial misericordioso e amoroso é amplo o bastante para salvar, e salvará, em algum grau de glória, todo ser humano que já respirou ou jamais respirará o sopro da vida mortal, exceto os filhos de perdição que, pecando contra a luz, expõem Jesus à vergonha pública, negando a eficácia de Seu sangue expiatório depois de conhecerem seu poder. Graças a Deus, estes serão poucos em número. Sejam quais forem as opiniões dos sectários não inspirados quanto à condenação total do pagão, e da criancinha não aspergida que morre antes de despontar a razão em seu intelecto, ninguém, além dos já mencionados, será relegado à condenação eterna e aos sofrimentos e tormentos daquilo que se chama inferno. Os homens serão julgados pelas obras praticadas no corpo. Se, portanto, um homem, em plena posse de suas faculdades intelectuais, pecar contra a luz como pecou contra a luz o filho da manhã, Satanás, nenhum poder na terra ou no céu poderá salvá-lo. Pois ele deliberadamente, enquanto exercia livremente seu próprio livre-arbítrio, escolheu ser condenado. Para tais, os poderes de selamento, cujas chaves foram restauradas ao Profeta Joseph por Elias, não têm mais valia do que tiveram quando Satanás, seguido de uma terça parte das hostes do céu, procurou impor, contra o decreto de Deus e de Seu Filho Jesus, seu esquema coercitivo de redenção humana, esquema que, em sua própria natureza, se destinava a destruir completamente o livre-arbítrio do homem, negando-lhe assim os meios de crescimento e de exaltação inteligente final. Satanás sabia da existência de Deus e de Seu Cristo, Seu primogênito, e sabia de seu poder, honra, glória e domínio. Mas, sendo invejoso e cheio de orgulho ambicioso, ansiava por suplantar tudo para seu próprio progresso. Ele caiu, e foi lançado fora, como o serão os que o seguem e praticam as obras de seu mestre, pecando contra o conhecimento e a luz do céu. ¶
O plano coercitivo e destruidor do livre-arbítrio de Satanás, tendo sido rejeitado pelos conselhos do céu, foi adotado um plano melhor, mais nobre, fundado no amor desinteressado que destila as misericórdias de Deus no coração humano, como o orvalho do céu umedece e alegra a terra ressecada. Este plano, embora detenha as chaves da Trindade na autoridade de Seu sacerdócio, é, contudo, simples e de fácil compreensão — tão claro que nem o caminhante há de errar. Há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso lhe dá entendimento; os pecadores que ouvem e obedecem são levados ao arrependimento e, pelas portas do batismo de água e espírito, são tirados da iniquidade para o esclarecimento do conhecimento puro, até que, em obediência à lei celestial, obtenham as chaves de poder que os autorizam a passar pelos anjos, herdar a glória, tornar-se herdeiros de Deus, coerdeiros com Cristo; e, tendo em si vidas eternas, hão de gerar, através das intermináveis eras da eternidade, as almas dos filhos dos homens para a honra e glória de Deus, e criar e ter domínio sobre mundos. ¶
Tal é o alto destino do homem obediente. Mas Satanás foi acusador de seus irmãos desde o princípio, donde o regozijo dos anjos quando ele e os de sua espécie foram lançados à terra, sem corpo, sem posses e sem poder, exceto para o mal. Espíritos errantes nos reinos das trevas, buscando em toda parte e sob todas as circunstâncias entrar, contaminar e destruir as almas e os corpos dos homens. Onde Deus está, ele jamais pode habitar, nem podem aqueles que, tendo recebido o testemunho de Jesus, o negam. Estes jamais poderão, se rejeitarem a verdade, pecarem contra a luz e expuserem novamente Jesus à vergonha pública, permanecer na presença de Deus. Quando, pelo sangue expiatório de Cristo, seus espíritos e corpos forem reunidos na ressurreição dos iníquos e forem julgados segundo as obras praticadas no corpo, a segunda morte cairá sobre eles. A primeira morte resultou em uma separação temporária de corpo e espírito, mas a segunda resultará em separação eterna. Assim como os rebeldes no céu perderam seu primeiro estado, também estes perderão seu segundo estado e se tornarão como o primeiro. ¶
Quantas pessoas neste mundo hoje são capazes de se tornarem filhos de perdição? E estes são os únicos, dentre a família humana, que não serão salvos em algum grau de glória. Há duzentos mil seres humanos maduros e inteligentes, em todo o mundo cristão hoje, que tenham conhecimento suficiente para se tornarem filhos de perdição? Quantos, no mundo cristão, têm aquele testemunho de Jesus que o Apóstolo declarou ser o espírito de profecia? Tal testemunho é mais forte do que pode ser o testemunho da existência de qualquer coisa terrena, evidenciado pelos cinco sentidos. Assim como os céus são mais altos que a terra, também o testemunho de Jesus está acima da informação terrena, pois penetra em cada fibra do organismo humano. Um leve grau de inspiração, sem tal testemunho, capacitou os valdenses, dos quais o Irmão Leishman tem falado, a suportar, cantando canções de alegria e regozijo, os horrores da fogueira, da roda e do cavalete. Uma compreensão do testemunho que recompensa, no tempo e na eternidade, capacitou o Apóstolo Pedro a enfrentar, sem se abater, a morte por crucificação. Fez com que os discípulos de Jesus recebessem de bom grado o despojamento de seus bens e suportassem pacientemente o desprezo que sobre eles se acumulava. Quão poucos conseguem compreendê-lo! A coragem física é bastante comum, mesmo nesta era degenerada. Demonstrações de força bruta podem ser testemunhadas por toda parte. O verme rastejante, ao arrastar seu corpo viscoso, voltar-se-á e lutará por sua existência, e a mais baixa das criaturas de Deus luta pela vida. Um ser humano sensível e refinado, feito à imagem de Deus, pode enfrentar o perigo físico em toda forma, encontrando sem temor o selvagem feroz, enquanto os sombrios mensageiros da morte assobiam junto a seus ouvidos incautos. Sem um tremor sequer, pode escutar o zunido da metralha e o silvo dos projéteis, espalhando desolação e ruína ao redor; mas um escárnio de desprezo dos lábios do zombador, ou um ódio invejoso expresso em feroz sarcasmo, pode entorpecer a própria medula de seus ossos, fazendo-o tremer como uma folha de álamo. Assim os fisicamente valentes podem hesitar, vacilar e cair diante do ataque do egoísta zombador, cujo escárnio, para muitos, é como o veneno das áspides. Mas aquele que tem o testemunho de Jesus brotando em seu coração como uma fonte de água viva possui aquela coragem superior que tende para cima, passo a passo, até uma compreensão da inspiração que capacitou o Salvador, ao sofrer as agonias da morte, a proferir o sentimento de amor divino nascido do céu, expresso nas palavras: "Ó Deus, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." ¶
Nenhum homem, sem o Espírito Santo, pode testificar que Jesus é o Cristo; nem homem algum, em circunstâncias semelhantes, poderia proferir do coração tais sentimentos de perdão sem a inspiração direta do Todo-Poderoso. Os cristãos podem assimilar, pregar e louvar um amor que excede a compreensão da mente finita, mas nenhum mortal pode amar seus inimigos e orar pelo perdão daqueles que o maltratam e o matariam, sem o testemunho de Jesus e o conhecimento que o acompanha. ¶
Deus perdoará a quem quiser perdoar, mas de nós se exige que perdoemos a todos os homens. Peçam eles perdão ou não? Sim, peçam ou não! Esta doutrina está fundada na mais profunda filosofia e conduz à vitória final para todos os que, mediante a obediência aos mandamentos, obtiveram para o espírito ascendência sobre as paixões do corpo, e assim são capacitados a amar até mesmo seus inimigos. Escribas, fariseus e hipócritas se amam uns aos outros. A característica distintiva de um Santo é que ele pode fazer mais. E sua capacidade de fazer mais vem do conhecimento de que o amor de Deus não habita no coração que abriga ódio a um único ser humano sequer. Aquele que prega e pratica a doutrina do ódio não conhece a Deus. Assim como julgamos a qualidade de uma árvore pelo fruto que ela produz, também podemos julgar a qualidade de uma religião pelo fruto que ela produz, e não pelas professadas convicções de seus adeptos. ¶
Digo aos Santos dos Últimos Dias: se a religião que recebestes não vos impede de prestar falso testemunho, ou ela é falsa e não é a religião de Cristo, ou não está arraigada em vossos corações. A verdadeira religião há de ser, necessariamente, uma religião prática, ensinando o comerciante a dar dezesseis onças à libra, trinta e seis polegadas à jarda, e a ser honesto e verdadeiro em tudo. Ensinará o trabalhador a fazer trabalho honesto, e o empregador a dar salário honesto e justo pelo trabalho. Desvendará a hipocrisia e dará prêmio à execução da equidade e da justiça; substituirá a malícia pela caridade, o ódio pelo amor, a desconfiança pela confiança. Silenciará a voz da inveja e removerá o pé da opressão do pescoço do pobre. Seus campanários não lançarão sombra alguma sobre o filho de Deus sem-lar, faminto e trêmulo, deixado miseravelmente a perecer bem debaixo dos beirais do santuário. A verdadeira religião fará estas e dez mil obras semelhantes de caridade, sempre e onde quer que seja praticada. Os terríveis males vistos por toda parte no mundo cristão não foram predestinados, nem fazem parte da economia do céu, mas são frutos dos atos do homem pecador, resultados das leis de Deus quebradas e pisadas aos pés por homens cuja iníqua injustiça mancha e perturba a harmonia e a paz do universo. ¶
A verdadeira religião refresca o coração como as chuvas suaves refrescam o solo ressecado e sedento. A lei e os profetas dependem da perfeição — do fazer aos outros o que quereríamos que nos fizessem, prática sob a qual os monopólios opressivos, os males cruéis e os terríveis sacrifícios conhecidos em todo o mundo cristão se derreteriam como a neve diante dos raios do sol. Milhões podem professar seguir o manso e humilde Jesus, mas, se a miséria e a tristeza dos cristãos são o fruto que produzem, sua religião está morta, é falsa, ou não conseguiu agir sobre seus corações. Estreita é a porta, e apertado o caminho, e poucos são os que o acham. Simples, inequívoca, e contudo quão poucos, quão poucos, na verdade, parecem compreender essa declaração imutável de Cristo. ¶
Ministros que afirmam falar em Seu nome contradizem diariamente e procuram anular sua força. Há alguns anos, lembro-me de ter lido um sermão pregado pelo pregador de Brooklyn, o Reverendo Henry Ward Beecher, no qual seu poderoso intelecto — reconhece-se que é um dos maiores pensadores da era — parecia ter encontrado material com que transpor o abismo que separa as várias denominações cristãs, comparando o reino dos céus à cidade da Filadélfia, à qual conduziam muitas ferrovias, sobre cada uma das quais passavam diariamente muitos trens, com muitos vagões contendo muitas pessoas. Todos partindo de pontos diferentes, atravessando estradas diferentes, mas todos indo para a Filadélfia — isto é, o céu. Quão generoso, quão caridoso, quão humano! Mas, por mais agradável que seja a doutrina, falta-lhe um ingrediente importante: não é verdadeira. Beecher diz que há muitos caminhos. Cristo disse: estreita é a porta, não as portas, e apertado é o caminho, não os caminhos, etc. Visto que discordam e se separam, deixemos Beecher e sigamos Cristo. Um é autoridade, o outro não é. Jesus, o Mediador do convênio, o Capitão de nossa salvação, por cujo sangue expiatório nossos pecados são lavados, e por cujos méritos e nossa fidelidade seremos trazidos de volta à presença de Deus, o Pai, declarou que um homem não pode entrar no Reino de Deus a menos que nasça da água e do Espírito; e, contudo, pensai na audácia, na blasfêmia dos que afirmam agir em Seu nome e por Ele, ao mesmo tempo em que negam Suas declarações e tornam Suas leis, na estimativa daqueles a quem ensinam, nulas. E, contudo, essas mesmas pessoas são rápidas em rotular de anuladores todos os que procuram testar, de modo pacífico, as leis especiais e proscritivas do homem. Estas coisas indicam o que é genuíno e detectam o que é espúrio. Obedeçamos às leis de Deus; as leis de nenhuma nação cristã deveriam entrar em conflito com elas. ¶
Assim como o valor de uma moeda é largamente determinado por seu poder de compra, também o valor de uma religião pode ser em parte determinado por seu custo, e em grande parte pelas bênçãos que trará. Familiarizando-se com as emissões de moedas de nosso país, o homem cuidadoso e prudente é capaz, de muitos modos, de detectar falsificações. Notai, por exemplo, a emissão autorizada das peças de vinte dólares em ouro. Acima da águia, o brasão emblemático da nação, e cercadas por estrelas e raios de luz, estão as palavras "Em Deus confiamos"; ao redor da margem frontal, "Estados Unidos da América" e "Vinte Dólares." No pergaminho à direita e à esquerda, unindo-se no topo do escudo, encontramos as palavras "E pluribus Unum"; em sua garra esquerda a águia segura um feixe de três flechas. No verso, encontramos a efígie da cabeça da "Deusa da Liberdade," cercada por treze estrelas que representam os treze Estados originais. Através do diadema em sua cabeça está a palavra "Liberdade" (em certas moedas de prata de emissão mais moderna, "Liberdade" está impressa no escudo sobre o qual a Deusa se assenta). Estas, com a data de emissão e uma pequena letra indicando a casa da moeda que a cunhou, são as características distintivas da moeda a que aludimos. Ora, supondo que qualquer pessoa, de alta ou baixa condição, ignorante ou sábia, vos oferecesse uma moeda em troca de vinte dólares de valor, faltando-lhe qualquer destas características distintivas, não se despertariam vossas suspeitas? Se assim é, que pensaríeis de uma pessoa que vos oferecesse como genuína uma moeda que não trouxesse nenhuma das características nomeadas, exceto as palavras "Em Deus confiamos"? E que pensaríeis de qualquer um que a recebesse como moeda autorizada? Pensais que nosso Governo reconheceria tal moeda como genuína? Qual seria a penalidade por emitir e tentar fazer circular uma moeda assim, dita autorizada e genuína? Que os que refletem ponderem estas questões. ¶
Examinai agora o genuíno plano de redenção humana, cunhado pelo molde da inspiração, emitido pelo Todo-Poderoso e endossado por Seu Filho; a Fé, um princípio de poder; o Arrependimento, o afastar-se do pecado; o Batismo, o ser sepultado na água; e o Dom do Espírito Santo, conferido pelas mãos daqueles que têm a autoridade do Santo Sacerdócio para oficiar nas ordenanças do Evangelho, são características distintivas daquele plano, cuja obediência demonstra seu valor nos sinais que se seguem: expulsar demônios, curar os enfermos, falar em línguas, testemunho de Jesus, o espírito de profecia, os poderes de selamento, chaves e sinais de vidas intermináveis, tronos, domínios, todas as alturas, todas as profundezas, herdeiro de Deus, coerdeiro com Cristo. ¶
Pensai agora numa oferta, tida como genuína, de um plano que não tem nenhuma dessas características, exceto: "Crê em Cristo e serás salvo." Aceitai-a, experimentai-a, e vede se ela comprará aqueles dons e bênçãos mencionados, ou qualquer um deles. Falhando nisso, não seria genuína, ainda que a forma, em todo particular, correspondesse ao plano autêntico. Portanto, ninguém precisa ser enganado. ¶
O Irmão Leishman indicou, por suas observações, que a salvação baseada apenas na crença não é ensinada em lugar algum nas Escrituras. Isto requer uma qualificação, pois está escrito: ¶
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." ¶
Estando isto no mesmo capítulo e em conexão com o mesmo assunto, vê-se claramente que a crença de que se fala contempla as obras. Ora, que é fé ou crença? É um princípio de poder, por cujo exercício os mundos foram feitos. O próprio Cristo declarou que aquele que dissesse crer nEle e não guardasse Seus mandamentos não tinha a verdade nele. A verdadeira fé, então, funde-se com as obras e está inseparavelmente ligada a elas. O Apóstolo Tiago testifica que a fé sem obras é morta. No sentido de que a verdadeira fé conduz a verdadeiras obras, compreendemos os ditos acima citados. E é isso, presumo, o que o Irmão Leishman quis dizer. Ora, eu cria que viria a este Tabernáculo hoje. Neste aspecto, tinha uma fé viva, e ela me impeliu ao trabalho necessário para me trazer até aqui; por isso estou em vossa presença. Se minha fé estivesse morta, quanto tempo supondes que eu teria permanecido ausente? ¶
Se credes em Jesus, guardareis Seus mandamentos, e as afirmações de um homem, ou de qualquer número de homens, jamais poderão mudar este decreto divino. Disse Ele ainda: "Na verdade, na verdade te digo" (falando a Nicodemos) "que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino dos céus." Com que força milhares, entre este povo, podem perceber esta verdade. Quão verdadeiro, quão potente, e contudo quão pouco compreendido, é aquele dito que Cristo ainda declarou a Nicodemos: que, a menos que um homem nasça da água e do Espírito, não poderia entrar no reino dos céus. ¶
Parece que não somente o homem, mas também outras criações de Deus respondem a esta lei. A terra em que habitamos teve seu nascimento das águas. E, quando os pecados degradantes e corruptores do homem contaminaram sua face, foram remidos — varridos pela imersão. Abrindo-se as janelas do céu e rompendo-se as fontes do abismo, a terra foi literalmente batizada em água, assim como, futuramente, obedecendo à lei de sua criação, será literalmente batizada em fogo e no Espírito Santo. Assim, embora os homens possam considerar levianamente o fundamento sobre o qual repousa o plano de redenção humana, o céu e a terra dele testificam. ¶
Deus habita em fogo eterno, e nenhum ser humano que não tenha sido batizado em água e Espírito poderá suportar aquilo que há de vir, quando a terra for imersa em chamas, os montes se derreterem com calor ardente e se escoarem como cera. Para preparar a humanidade para o grande dia do Senhor Todo-Poderoso, Ele colocou em Sua Igreja Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Mestres, para que fizessem a obra do ministério e nos trouxessem à unidade da fé em Cristo Jesus. Qualquer igreja que tenha menos do que isso deveria mostrar o mandamento que autorizou a mudança. Se o Salvador fez tal mudança, ou qualquer mudança, é importante que o saibamos. Mas, se Ele não fez mudança alguma, certamente nos responsabilizará por aceitarmos qualquer uma que os homens tenham feito. Pode uma igreja que nem sequer traz o nome do Redentor, e que não tem nem Apóstolos nem Profetas, produzir os frutos desfrutados pelos discípulos de nosso Senhor nos dias de Seu ministério e depois dele? Alguma delas jamais afirma ter tais frutos? Quem entre elas tem os dons do Consolador, cuja missão era e é trazer à memória os ensinamentos de Jesus, mostrar as coisas que hão de vir e guiar a toda a verdade? Deus não muda, nem faz acepção de pessoas; as causas que Ele ordenou para produzir certos resultados em uma era os produzirão em outra. Que pensaríamos de um pai terreno que, tendo dedicado todo cuidado à educação, ao progresso e à exaltação de seu primogênito — dando-lhe instrução, encorajamento, simpatia e amor — mas, aos filhos nascidos depois, dava apenas a história do que fizera com o irmão mais velho? Pronto para ouvir e responder às orações do primeiro, surdo às súplicas dos demais. Um testemunho vivo para um, dúvida e desespero para os outros. Os frutos do conhecimento para um, formas mortas para os outros. Poderia tal pai ser considerado imparcial, generoso ou justo? Não. E, contudo, os homens querem que creiamos que Deus trata Seus filhos precisamente deste modo. Dou meu testemunho de que isso não é verdade. O Apóstolo Tiago declarou: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." Os homens nos dizem que Ele cessou de comunicar-Se com Seus filhos. Assim, Joseph, o rapaz iletrado, ficou confuso, perplexo e muito infeliz. O metodista, sem dúvida com boas intenções, disse-lhe: "Eis aqui está o Cristo." O presbiteriano, com igual sinceridade, pediu-lhe que os seguisse, enquanto o batista o instava a buscar Jesus, ao modo deles. Em meio a toda esta confusão e conflito, obedecendo à recomendação de Tiago, ele buscou sabedoria diretamente de Deus, e a obteve; recebendo, em tempo, autoridade para organizar a Igreja de Jesus Cristo, perfeita em todas as suas partes, como existia antigamente. Pelo conhecimento das coisas de Deus a ele reveladas, e pela autoridade do Sacerdócio Aarônico recebida de João Batista, e do Sacerdócio de Melquisedeque recebida de Pedro, Tiago e João, e não pelo saber do homem, ele realizou esta grande obra, que é genuína — o Evangelho de Cristo com todos os seus dons e bênçãos. E, assim como Jesus testificou, também nós testificamos: se alguém quiser fazer as obras do Pai, saberá se a doutrina é do homem ou de Deus. ¶
Nas coisas deste mundo, os homens são julgados inocentes ou culpados com base no testemunho de seus semelhantes; e, se os atrativos da riqueza são oferecidos como recompensa para pôr à prova as afirmações dos homens, poucos recusam, mas, quando a vida eterna, mediante o conhecimento do plano de redenção humana, é prometida sob condições simples, quão poucos estão dispostos a pô-la à prova. Assim se verificam as palavras do Salvador: "muitos são chamados, mas poucos, escolhidos." ¶
Quando eu tinha menos de quinze anos de idade, um Élder humilde, sem instrução (no saber do mundo), prometeu-me em nome do Senhor que, se eu obedecesse aos primeiros princípios do Evangelho, tal como foram ensinados e administrados nos dias de Jesus, eu saberia se a doutrina era de Deus. Obedeci e provei que suas palavras eram verdadeiras. Recebi um testemunho e o espírito de profecia. Não de Joseph Smith, nem de Brigham Young, nem de John Taylor, mas de Deus. Infeliz é a condição do Santo que não o recebeu, pois, em meio ao desprezo, ódio, ostracismo e perseguições do mundo, é a lâmpada que brilha ao longo do caminho estreito que conduz à presença do Criador. É o poço de água viva que salta para a vida eterna, a inspiração que testifica de um amor mais forte do que a morte; disposto a suportar todas as coisas, ao mesmo tempo em que roga à humanidade que receba a mensagem de um Pai misericordioso, longânimo e amoroso. Por esta razão os Élderes de Israel recebem de bom grado o despojamento de seus bens e, por assim dizer, tomam suas vidas em suas mãos, e vão até os confins da terra levando sua mensagem, enquanto suportam pacientemente os açoites e escárnios, o desprezo e os insultos daqueles a quem, para salvá-los, pereceriam. Com um amor como este em seus corações, quantos têm vagado sem simpatia, sem amigos e sozinhos, salvo pela companhia do Espírito Santo, pelas ruas de Londres, Liverpool, Paris, Nova York, e outras grandes cidades e regiões densamente povoadas do mundo! E quão verdadeiramente têm verificado as palavras: "Se odiaram o Mestre, também vos odiarão a vós." ¶
Lede as resoluções ferozes e as ardentes expressões de ódio provenientes de sociedades e organizações religiosas e de outra natureza. Elas vos inspiram sentimentos de amargura em retorno, ou profundos sentimentos de tristeza? Podeis lamentar por aqueles que fazem estas coisas por ignorância? Podeis pensar em Paulo, enquanto perseguia os primeiros Santos, crendo que prestava serviço a Deus, e orar também por estes? Milhares que foram enganados por aqueles que amam e fabricam mentiras, creem honestamente que seria um serviço a Deus expulsar os "mórmons" da terra. ¶
Lembremo-nos de que todos estes, e também os que nos julgam injustamente, com dureza, crueldade e malícia premeditada, tendo conhecimento de sua injustiça, foram fiéis a Deus no céu quando Satanás e uma terça parte das hostes lá lutaram contra Cristo e Miguel. Guardaram seu primeiro estado, e, seja o que for que, em sua cega maldade, sejam levados pelo poder das trevas a fazer aqui, oremos por eles, e, na medida do possível, retribuindo o bem pelo mal, tratemo-los com bondade, pois são filhos de nosso Deus. Enganados agora e inspirados pelo Príncipe das Trevas, contudo serão salvos futuramente, se não pecarem contra o Espírito Santo derramando sangue inocente. Ignorantes, baixos e iníquos, podem ser bêbados, blasfemos, portadores de falso testemunho, cujo testemunho pode levar ao encarceramento do inocente; profanadores de homens e mulheres, e praticantes de toda espécie de iniquidade; se não derramarem sangue inocente, Deus os salvará, embora, pela ordem das coisas, muitos estarão fora dos muros da cidade bela, entre aquela classe em cuja sociedade somente estão preparados para ir. ¶
Quando perseguidos, expulsos, e muitos mortos, os Santos imploraram ao Presidente desta grande nação por reparação; ele respondeu: "Vossa causa é justa, mas nada posso fazer por vós." Outro Presidente ordenou, com base em deturpações, o envio de um exército a Utah. Como tratará o Todo-Poderoso a estes? Serão julgados como vós e eu seremos julgados, segundo as obras praticadas no corpo. Segundo a luz que tiveram, serão responsabilizados. ¶
Em certa medida, nossa história como povo não é senão uma repetição da história dos primeiros cristãos. Paulinos, valdenses e huguenotes sabiam o custo de serem fiéis às suas convicções. Falamos deles agora como reformadores, homens e mulheres corajosos, valentes e tementes a Deus. Não eram assim considerados pelos que se comprazíam em matá-los. ¶
Deus preparou um lugar para todos. Fora dos portões estarão os feiticeiros, os adúlteros, os que amam e fabricam mentiras, e os que se assentam à porta fazendo dos homens ofensores por uma palavra estarão ali entre os cães, mas o meio de aumentar o conhecimento, e um poder, estará ao seu alcance. Milhares de homens honestos observam ansiosamente as questões de nossos dias, e, embora não tenham coragem moral para expressar interesse em nossa causa, sentem em seus corações simpatia pelos Santos e sentem ambas as coisas. O Senhor recompensará a tais segundo seu mérito, pois Ele é justo. Mas somente aqueles que obedeceram, ou que doravante obedecerão ao Evangelho em sua plenitude, poderão passar à presença de Deus e habitar para sempre no reino celestial. ¶
A doutrina da salvação pela fé, tão amplamente ensinada e crida, está fundada em um mal-entendido dos ditos do Salvador ao ladrão que Lhe pediu que se lembrasse dele quando viesse em Seu reino, e ao qual foi respondido: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lucas 23:43.) ¶
A expressão do ladrão não trazia promessa alguma de que seria salvo. Onde e o que é o paraíso são questões importantes. Não é o céu, nem é onde Deus habita, pois, no terceiro dia depois da crucificação, Cristo declarou a Maria que ainda não havia subido a Seu Deus e Deus dela. Onde, então, foi Ele naquele dia em que prometeu encontrar-se com o ladrão no paraíso? O Apóstolo Pedro diz que, tendo sido morto na carne, foi vivificado em espírito, pelo qual foi e pregou aos espíritos em prisão que foram desobedientes nos dias de Noé. Assim, parece que o paraíso é um lugar onde os espíritos dos desobedientes estão encarcerados, e, visto que Cristo lhes pregou Seu Evangelho, não é irrazoável supor que o ladrão também ali ouviu as condições sob as quais poderia ser salvo, pois, diz Pedro 4:6, "porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito." Ora, em conexão com esta doutrina clara e abrangente, que demonstra claramente que há salvação além da sepultura, quão facilmente se compreende o dito de Paulo sobre o mesmo assunto — "se os mortos absolutamente não ressuscitam, por que então se batizam pelos mortos?" Assim verificando e testificando a inequívoca declaração do Mestre de que nenhum homem, vivo ou morto, pode entrar no reino de Deus sem o batismo de água e de espírito. O batismo dos vivos por e em favor dos mortos está fundado na doutrina da salvação vicária — o fazer por nós aquilo que não podemos, sob certas condições, fazer por nós mesmos. Assim também é o sangue do Cordeiro, sem esforço algum de nossa parte, o meio vicário pelo qual nossos corpos e espíritos serão reunidos depois da morte. ¶
As opiniões dos homens quanto ao onde e ao que é o paraíso são de pouco valor. É, pelo menos, a morada dos espíritos, bons e maus. Um lugar de paz e descanso para os bons, de encarceramento e punição para os maus. Referindo-nos ao Território, poderíamos dizer que estamos em Utah, contudo os que aqui estão em Logan não estão em Salt Lake City, nem nenhum de vós está na prisão, embora estejais em Utah. ¶
Se todo ser humano que já viveu, ou que ainda há de viver, deve ser julgado pela lei da redenção, como creem os cristãos, e não há arrependimento além da sepultura, como então serão redimidos os infantes e os pagãos que nunca ouviram falar de Cristo ou de Sua lei? Para não falar dos mortos, que será dos quatrocentos milhões de chineses que hoje habitam o império da China, que não conhecem, e provavelmente jamais conhecerão nesta vida, coisa alguma acerca do Evangelho? E os duzentos e oitenta milhões de seguidores de Maomé, que, como os chineses, jamais ouviram falar do batismo de água e de espírito? Pensai então nos bilhões que morreram igualmente ou mais ignorantes destas questões vitais, e dizei-me que Deus pretende misturá-los com infantes de um palmo de altura, que morreram sem serem aspergidos por algum pobre sacerdote de mente estreita, sem autoridade do céu, e eu vos direi que não adoro este tipo de Deus. Os cristãos podem fazê-lo, e falar dEle como sem corpo e sem paixão; certamente não teria paixão alguma, nem de justiça, nem de afeição. O Deus a quem adoramos está cheio de compaixão, justiça e amor. Daí o amplo alcance de Seu plano de redenção humana, atingindo os vivos e os mortos, no tempo e na eternidade. Posso compreender como um demônio poderia querer condenar Suas criaturas ao castigo eterno sem audiência, sem lei, mas como os homens podem pretender adorar um Deus dotado de tais atributos é um mistério. ¶
O Deus de Abraão, Isaque e Jacó — Aquele que criou o céu e a terra, e é o pai de todos os espíritos — não condenará assim. Ele julgará os homens segundo a luz que tiveram e segundo as obras praticadas em seus corpos; e Seus juízos estarão cheios de misericórdia para com os que erraram por ignorância. Quanto às crianças inocentes, Cristo fixou sua condição: são do reino dos Céus. Homens iníquos e insensatos podem ensinar o contrário, mas não podem alterar o resultado. Mortais investidos de uma breve autoridade, segundo supõem, podem exercer domínio injusto sobre os corpos e almas dos homens, encarcerando muitos, matando alguns. Muitos Santos poderão, futuramente, ser ordenados a adorar a imagem de ouro ou perecer na fornalha ardente, negar sua fé ou ser lançados na cova dos leões. Tendes entre vós, Santos dos Últimos Dias, alguns que dariam, se necessário, suas vidas por vós e pela causa que abraçaram. Estão dispostos a morrer pelo testemunho de Jesus. Parece que a profecia prenuncia tal acontecimento. Pois, quando as almas daqueles que o Revelador João viu debaixo do altar de Deus, e que haviam sido mortos pelo testemunho que sustentavam, clamaram: "Até quando, ó Senhor, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?" foi-lhes respondido que repousassem "até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles." ¶
Se a morte violenta vier a alguns — e virá — poderão eles enfrentá-la como outros a enfrentaram, regozijando-se na verdade. Poderão aqueles em cujas mãos a balança do julgamento pende desigualmente, mudar a cor de vossos cabelos, acrescentar um côvado à vossa estatura, retardar ou acelerar vosso pulso? Podem eles remover a dor, repreender a morte e aumentar vossos anos? Não. Que podeis fazer por eles? Não podeis mudar os decretos de Deus, que escreveu nos arquivos do céu que, com o juízo com que julgarmos os outros, seremos julgados, e que receberemos a medida que medirmos aos outros; mas podemos orar-Lhe que adie o dia em que isto se cumprirá, na esperança de que os homens se arrependam e façam restituição aqui. Quão pouco pensaram nas consequências aqueles que fizeram promulgar o decreto especial que enredou o Profeta Daniel! Quão pouco pensaram no rei, jejuando e sem dormir, a quem haviam enganado e feito instrumento da traição. Com que alegria ouviu aquele rei, que temia o peso do sangue inocente, a voz do Profeta testificando da salvação temporal que Deus operara, subjugando e tornando inofensivos os leões. Quão triste, quão lamentável, por outro lado, foi a condição dos acusadores de Daniel, quando o decreto, cuja promulgação haviam causado, se voltou contra eles. Eles, suas esposas e filhos, sendo lançados na cova, retirado o toque de Deus das feras ferozes, os ossos das infelizes vítimas de suas próprias obras foram esmagados e quebrados antes mesmo que seus corpos alcançassem o fundo da cova. Assim será com todos os que assim procedem. Deus o decretou; o homem não pode mudá-lo. ¶
Ora, diz alguém: "estas doutrinas são escriturísticas e estão certas, mas a igreja mórmon nada mais é do que uma Teocracia Poligâmica, alheia ao Governo que permite sua existência." Sob certas condições, e regulado por revelação, cremos que é verdade quanto ao casamento plural, e, na medida em que a palavra teocracia transmite a ideia do governo de Deus nos assuntos dos homens, estamos dispostos a ser chamados teocráticos, e confessamos que preferimos o lema "Vox Dei vox Populi" a "Vox Populi vox Dei," pois pensamos que a voz de Deus deveria ser a voz do povo, mas sabemos muito bem que a voz do povo, com muita frequência, está longe de ser a voz de Deus. ¶
Quanto ao casamento patriarcal, diz-se que seus resultados são maus, e que, em consequência, há muitos corações partidos em Utah. Em resposta a estas afirmações, tenho a dizer que, quanto aos resultados, isso não é verdade, pois seus frutos são bons. A condição mental e física dos filhos de tais casamentos comprova isto de modo inequívoco. Se, contudo, o clamor de uma única esposa "mórmon" em Utah ou em qualquer outro lugar, seja na relação monogâmica ou poligâmica, cai em ouvidos surdos e corações insensíveis, Deus responsabilizará os culpados. Se algum dia chegar o dia em que os clamores das filhas de Sião passem despercebidos por seus maridos e alcancem os ouvidos do Deus de Abraão, será um dia triste para os élderes de Israel. E permiti-me dizer ainda: não conheço nenhum marido mórmon a cujo corpo ou alma da esposa esteja sujeito, exceto em amor, assim como ele mesmo, do mesmo modo, é obrigado a estar sujeito a Cristo e Suas leis. Em lugar nenhum do mundo as mulheres são mais livres do que em Utah. Como Deus odeia o repúdio, os maridos, entre este povo, só podem repudiar suas esposas pelas causas mencionadas nas sagradas escrituras; mas as esposas, por outro lado, podem reclamar liberdade e sustento com base em outros e mais numerosos motivos. Aqui, o homem considera sua esposa uma auxiliadora, companheira e parte de si mesmo, com cuja ajuda somente ele pode passar pelos anjos e herdar a glória celestial eterna. Ela não deve dominá-lo, nem ser pisoteada ou maltratada por ele, mas, tendo sido tirada de seu lado, seu lugar é junto de seu coração, para ser amada, estimada, protegida. Maridos, sede, pois, bondosos com vossas esposas. Quando pedirem pão, não lhes deis pedra; ao amor, não retribuais com ódio, pois, tão certo como Deus vive, se fordes ásperos e cruéis com elas, assim recebereis, em troca, tratamento áspero e cruel, até que o último centavo seja pago. ¶
Não fomos enviados aqui para manifestar os frutos da carne, mas os do espírito; e, se os corações de alguma das esposas dos élderes de Israel estão se partindo por causa da conduta de seus maridos, que Deus tenha misericórdia de tais maridos, pois, sabendo melhor, pecam contra a luz ao transgredirem seus convênios. A lealdade de uma esposa nesta Igreja não é devida a um marido infiel, enganador ou cruel. E aquele que considera sua esposa criatura de seu prazer pecaminoso, feita e dada para satisfazer sua natureza caída, é indigno de ter esposa ou de ser pai de filhos. Se eu procurasse encontrar felicidade na relação matrimonial, esperaria encontrá-la mais abundante, perfeita e pura em Utah, apesar de tudo o que se diz em contrário. E esta conclusão é alcançada depois de anos de observação aqui e no exterior. Em lugar nenhum existe tão grande confiança entre maridos e esposas como em Utah. Em lugar nenhum a impureza sexual é vista com maior repugnância, nem a castidade tida em maior estima. Filósofos, pregadores e moralistas podem insistir na imposição da monogamia instituída pelos romanos, mas sua prática, em todo o mundo cristão, está repleta de toda sorte de enganos, iniquidade e abominações sexuais. É melhor praticarmos o que pregamos e pregarmos o que praticamos, não deixando lugar para a desconfiança; pois, entre marido e esposa, onde a confiança morre, ali podeis cavar a sepultura do amor. Destruí uma, e a outra não pode existir. ¶
Em conclusão, sejamos considerados para com os outros, bondosos e corteses para com todos. Pelos vossos frutos sereis conhecidos. Um número de pessoas pertencentes a diferentes organizações cristãs tem, segundo entendo, realizado e está realizando reuniões de conferência em Logan. Toda facilidade para seu pacífico gozo enquanto aqui estiverem deveria ser-lhes estendida, e aqueles que tiverem inclinação para ouvi-los deveriam fazê-lo, conformando-se, de modo respeitoso, às regras que regem suas reuniões. Qualquer verdade que tenham é de Deus, e pertence ao Evangelho, que é uma lei perfeita de liberdade. ¶
Notai cuidadosamente as predições dos Profetas, vigiai os sinais dos tempos, lembrando-vos de que o fim não virá até que o Evangelho seja pregado como testemunho a toda nação e povo. Sem apreensões quanto ao resultado final, não nos esqueçamos de que, embora Deus perdoe a quem quiser perdoar dentre nós, Ele exigiu que perdoemos a todos os homens. No conhecimento do uso desta chave, há felicidade aqui, e exaltação futuramente. Que uma plena compreensão de seu significado seja concedida a todo coração honesto, é minha oração. Amém. ¶