Epístola aos Santos
John Taylor
Escritório do Presidente, ¶
Cidade de Salt Lake, ¶
4 de abril de 1885. ¶
Aos Oficiais e Membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias reunidos em Conferência: ¶
Amados Irmãos e Irmãs: ¶
É eminentemente próprio, nas circunstâncias, não podendo estar convosco pessoalmente em nossa Conferência Anual, que vos dirijamos algumas linhas e vos expressemos nossa fé, nossos sentimentos e nossas esperanças a respeito da grande obra de nosso Deus, na qual todos nós mutuamente estamos interessados. Nunca, em tempo algum de nossa vida, tivemos mais alegria e satisfação no Evangelho e em seus trabalhos do que temos no presente momento. Profundamente gratos a nosso Deus por Sua bondade para conosco, ao permitir-nos ter um nome e um lugar entre Seu povo, e ser portadores de Seu sacerdócio eterno, estamos decididos, com Sua ajuda, a prosseguir com diligência e zelo redobrados no cumprimento de nossa parte na condução de Seus propósitos e de Sua obra. Vemos Sua mão maravilhosamente manifestada em favor de Seu povo. Sabemos que Seu poder está conosco, que Seus anjos cuidam de nós, e que nenhuma aflição pode cair sobre ninguém, por mais humilde que seja, sem que seja plenamente conhecida por Ele. Este conhecimento de que Deus está próximo de nós, e ouve e responde a nossas orações, é uma causa incessante de gratidão e louvor. Por um sábio propósito em Sua providência, Ele permite que os iníquos, no exercício de seu arbítrio, de tempos em tempos, afligam Seus seguidores. Desde os dias de nosso pai Adão, isto sempre foi assim, e assim continuará a ser, enquanto Satanás tiver algum poder sobre o coração dos filhos dos homens. Somos todos filhos do mesmo Grande Pai, e a cada um é concedida a oportunidade e o privilégio de exercer seu próprio arbítrio. Escolhemos servir ao Deus de Israel. Submetemo-nos a Suas leis, obedecemos a Seu Evangelho, e escolhemos o caminho que Ele nos assegura que nos conduzirá à Sua presença. Outros de Seus filhos preferem um caminho diferente. Cedem a uma influência diferente, e, sob seu poder, buscam destruir a obra de Deus e todos os que a ela estão ligados. Isto podem fazer no exercício do arbítrio que o Pai lhes concedeu. Não apenas nos tempos passados, mas em nossos próprios dias, os iníquos têm perseguido, atormentado e assassinado os Santos de Deus. Mas, ao fazê-lo, trazem sobre si mesmos condenação eterna, e seus atos são vencidos para a glória e exaltação de Seu povo fiel e para a realização de Seus propósitos na redenção da terra. ¶
Há alguns meses temos visto, nestes vales, uma exibição desta hostilidade mortal contra os Santos dos Últimos Dias. Não precisamos enumerar-vos todos estes atos de opressão e injustiça. Estais familiarizados com eles. Mas os melhores homens da comunidade, homens de vida pura, homens que têm dado exemplo ao povo desde que vieram a estas montanhas, e em todos os seus dias, que têm liderado em obras de retidão, que têm sido cidadãos do mais elevado caráter, foram escolhidos como vítimas de uma vil perseguição, e assaltados e denunciados como criminosos da classe mais baixa. Júris têm sido selecionados com o propósito expresso de condenar homens proeminentes na Igreja; e seu preconceito partidário tornou-se tão amplamente conhecido na comunidade que a expressão comum é que uma acusação nos tribunais, como atualmente constituídos, equivale a uma condenação. A regra de jurisprudência que nos foi legada através das eras passadas era que o acusado deveria ser considerado inocente até que se provasse sua culpa. Em nossos tribunais, lamentamos dizer, isto tem sido invertido. O ônus da prova recaiu sobre o acusado em quase todos os casos -- o juiz e o júri, tanto quanto a perseguição, parecendo vê-lo como culpado, e considerando que era seu dever fornecer toda a prova necessária para desculpá-lo da acusação de culpa. Entre todos os povos de língua inglesa, e por eras passadas, o júri tem sido visto como o paládio da liberdade humana. Tem sido o mais rico fruto de nossa civilização. Nenhuma garantia maior de justiça poderia ser imaginada por nossos antepassados do que que um homem acusado de crime tivesse seu caso submetido ao julgamento de seus pares -- seus vizinhos, vivendo nas proximidades -- e presumivelmente familiarizados com sua vida e com os motivos que o poderiam ter levado a cometer o crime do qual era acusado. A sabedoria do homem não conseguiu conceber meio mais justo do que este para decidir sobre a culpa ou inocência de seu semelhante quando acusado. Mas, neste distrito judicial, por um longo período passado, não conhecemos júri algum que tenha sido assim constituído. Os jurados têm sido selecionados por sua conhecida inimizade às partes acusadas, ou ao princípio envolvido no julgamento. ¶
O resultado tem sido que um Santo dos Últimos Dias estaria quase tão seguro buscando justiça nas regiões infernais, ou nas mãos de piratas argelinos, quanto em tribunais desta natureza. Acusações têm sido formalizadas contra diversas partes com base nas provas mais frágeis, e, em alguns casos, com base em provas que não teriam peso algum diante de qualquer júri imparcial. O resultado tem sido que um reinado de terror judicial prevaleceu, e ainda prevalece, nestes vales. Não vendo perspectiva de julgamento justo, os homens têm considerado melhor evitar a prisão por um tempo, ou até que houvesse a perspectiva de receber tratamento imparcial dos tribunais e júris. A acusação degenerou em perseguição. Uma lei que é, em si mesma, cremos, inconstitucional e dirigida contra a prática da religião, e assim vista por vários de nossos principais estadistas no Congresso, é aproveitada e levada a extremos provavelmente jamais imaginados por muitos dos homens que votaram por ela. Por vezes pensamos que fosse impossível a homens entregarem-se a sentimentos tão vingativos quanto os que aqui se têm manifestado; mas, ao buscarmos uma causa, fomos forçados à conclusão de que estas violentas perseguições visavam apenas provocar o povo a cometer algum ato manifesto pelo qual a administração entrante pudesse ser constrangida. ¶
Permiti-nos referir-nos a nossos próprios casos. O Presidente John Taylor, no início deste ano, ao ouvir da perseguição a que nossos irmãos estavam sujeitos no Arizona, decidiu visitar aquela região, em companhia de vários Élderes. Seu objetivo ao ir para lá era visitar e, na medida do possível, confortar os Santos. Cinco de nossos correligionários haviam passado por uma forma de julgamento, uma paródia de justiça, e três deles haviam sido enviados, sob sentença de prisão de três anos e meio e multa de $500 cada, para o que pode com justiça ser chamado a Sibéria americana, a mais de 2.000 milhas de distância de seus próprios lares -- a Casa de Correção de Detroit. Os outros dois haviam sido sentenciados a seis meses de prisão e multa de $500 no Presídio Territorial de Yuma. Todo membro de nossa Igreja ficou chocado com estes procedimentos ultrajantes. Pois, embora todos estivessem preparados para suportar as consequências legais da violação da lei Edmunds, não estavam preparados para tais perversões grosseiras e tirânicas da lei como as envolvidas naquelas sentenças. Nenhum homem que pudesse, por qualquer possibilidade, ser acusado, ousava mais submeter seu caso a tal tratamento. Muitos deles, portanto, deixaram seus lares, para buscar em terra estrangeira aquela liberdade da perseguição que lhes era negada na própria terra. Foi sob estas circunstâncias que o Presidente Taylor, e a companhia de Élderes já mencionada, visitaram o Arizona. Ao retornar, e estando em São Francisco, recebeu telegramas informando-lhe que não era seguro voltar a Salt Lake City. Desconsiderando-os, contudo, ele de fato retornou, e cuidou publicamente de seus negócios por algum tempo; entrementes, proferindo um discurso aos Santos no Tabernáculo. Vendo, porém, quão determinados certos oficiais federais aqui estavam a constranger, prender e obrigar sob fiança todo homem proeminente, e sendo informado de ameaças feitas contra sua própria liberdade, considerou sensato, nas circunstâncias, retirar-se por algum tempo, para cuidar de seus negócios de maneira mais reservada do que costumava fazer em seu ofício público. Isto tem continuado a fazer até o presente momento, recebendo e respondendo cartas, dando conselho e instrução, e dedicando-se assiduamente a todos os deveres de seu chamado, exceto ao proferir discursos públicos do púlpito. Nem ele, nem o Presidente George Q. Cannon, nem o Presidente Joseph F. Smith tiveram qualquer notificação oficial ou informação confiável de qualquer oficial do tribunal de que algum processo houvesse sido movido contra eles; ao mesmo tempo, suas residências, especialmente a do Irmão Joseph F. Smith, foram invadidas e vasculhadas, e o Marechal, seus delegados e seus vigias e espiões demonstraram um zelo em averiguar o paradeiro da Primeira Presidência que levou à conclusão de que desejavam colocá-los em seu poder e prendê-los. E não apenas nestes casos se manifestou essa ansiedade, mas o Presidente Woodruff e vários dos Doze Apóstolos, além de vários outros homens proeminentes, têm sido ameaçados e procurados com assiduidade. ¶
Na Inglaterra, em certa ocasião, o eloquente Lord Chatham disse, ao falar dos direitos do súdito, que a casa de um homem era o seu castelo: que, embora pudesse ser tão pobre que as chuvas do céu pudessem penetrá-la, e os ventos soprassem através de suas frestas, ainda assim o próprio Rei da Inglaterra não poderia cruzar seu umbral sem a permissão de seu dono. ¶
Uma ilustração recente do zelo destes oficiais e de seus subordinados veio à luz no caso do Presidente George Q. Cannon, que acaba de retornar do Leste. As ferrovias e estradas têm fervilhado de delegados de marechal e seus sequazes, para interceptá-lo e prendê-lo. Ainda não sabíamos que se tenha tornado necessário a cavalheiros honrados na América apresentar-se a tribunais, marechais ou qualquer oficial civil quando saem de casa a negócios, ou pedir passaportes, ou tê-los vistados. ¶
A pergunta nos tem sido feita, por quanto tempo pretendemos seguir este curso. Em resposta, dizemos que, em tempo algum de nossa existência, jamais recuamos da investigação de nossa conduta, de nossas palavras, ou de nossa vida, por qualquer tribunal justo. Vivemos sob o olhar do público, onde cada ato e expressão poderia ser examinado. Estamos hoje tão prontos quanto sempre para submeter nossos casos a um tribunal e júri de nossos pares, devidamente organizado, para que decida. Tão confiantes estamos de nossa inocência diante das supostas transgressões que não temos temor algum quanto ao resultado de tal julgamento. Estamos dispostos a enfrentar a questão a qualquer momento. Temos plena consciência de nossa inocência de toda violação das leis de Deus ou das leis constitucionais promulgadas pelo homem. Mas, se há leis feitas para nos armadilhar, por causa de nossa crença nas revelações que Deus deu à Sua Igreja, e de nossa prática delas, que um tribunal e júri decidam que violamos, desejamos, ao menos, que isso se dê com base no que todo o mundo chama de boa evidência e prova substancial, e não sobre preconceito religioso, e por uma determinação de condenar e punir, havendo ou não evidência. Deveríamos, ao menos, ter os mesmos direitos concedidos por lei a arrombadores, ladrões e assassinos. Nesse caso, caso se seguisse a condenação, a ela nos submeteríamos como os mártires se têm submetido em toda era em que Deus teve um povo sobre a terra, como perseguição infligida sobre nós por nossa adesão a Suas leis. ¶
Nossa fé e prática, pelas quais buscam nos condenar e punir, são a fé e a prática dos melhores e mais santos filhos de Deus. Se somos pecadores neste aspecto, então Abraão, a quem o próprio Senhor distingue como amigo de Deus, era pecador. Se somos pecadores, então Jacó, e Moisés, e Elcana, Salomão e Davi, e uma multidão de outros demasiado numerosos para mencionar, também eram pecadores. Até mesmo o próprio Jesus, o Ser a quem adoramos como nosso Redentor e Autor de nossa salvação, chamou o Pai Eterno, a quem Ele adorava, e a quem nos é ordenado adorar, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, mostrando que o próprio Deus do céu não atribuiu condenação alguma a esses homens por sua prática do casamento patriarcal; antes, em muitos casos, o ordenou, providenciou leis para sua organização, e chamou aos que o praticavam Seus amigos, e homens segundo o Seu próprio coração. E, o que é ainda mais digno de nota, que, ao escolher a linhagem da qual haveria de descender Seu amado Filho Jesus, escolheu uma linhagem distinta na terra, entre todas as nações, por ser poligâmica. Os mais renomados antepassados do Salvador do mundo, e a quem Ele mais frequentemente aludiu, eram polígamos. Pode, portanto, nossa crença e prática deste sistema de casamento ser tão errada quanto nossos opositores gostariam que parecesse? Quando se recorda este nobre grupo de filhos favoritos de Deus, e quando, além disso, trazemos à lembrança o fato de que a própria Bíblia, que deu ao mundo cristão todo o conhecimento que este tem de Deus e da piedade, teve, sob Deus, principalmente polígamos como seus autores. ¶
É afirmado por alguns de nossos inimigos que isto não é religião. Esta não é, porém, a visão dos membros da Comissão de Utah, pois eles disseram: ¶
"Este artigo de fé é uma parte tão essencial e substancial de seu credo quanto sua crença no batismo, no arrependimento para o perdão dos pecados, e coisas semelhantes." E ainda: "Todos os mórmons ortodoxos creem que a poligamia é correta, e que é uma parte essencial de seu credo." ¶
Também tem sido alegado no Congresso, por aqueles que se comprazem em denunciar nosso sistema de casamento, que o governo inglês na Índia aboliu o Sutti, e que, portanto, os Estados Unidos deveriam abolir o casamento plural. Se aqueles venerandos legisladores se tivessem familiarizado mais com a ação do Governo Imperial da Grã-Bretanha, teriam descoberto que, embora aquele governo tenha abolido a queima de viúvas, ele protege por lei, em todos os seus direitos, privilégios e franquias, 180.000.000 de polígamos, e os coloca em pé de igualdade com os demais. ¶
O Senhor nos revelou, por meio de Suas revelações especiais, tão clara e positivamente quanto jamais o fez a qualquer dos antigos profetas, certos princípios associados à eternidade do convênio do matrimônio, deu mandamentos definidos a esse respeito, e os tornou obrigatórios para que os cumpríssemos. Ele nos manifestou aqueles grandes e eternos princípios que ligam a mulher ao homem e o homem à mulher, os filhos aos pais e os pais aos filhos, e nos convocou, da maneira mais enfática e pontual, a obedecê-los. Estes gloriosos princípios envolvem nossos mais caros interesses e associações no tempo e ao longo das eternidades que hão de vir. Somos informados de que este é o Seu convênio eterno, e que existiu desde a eternidade; e, além disso, que todos os convênios que dizem respeito apenas ao tempo serão dissolvidos na morte e não mais obrigarão a família humana. Ele, além disso, nos disse que, se não obedecermos a esses princípios, seremos condenados. Crendo que estes princípios são de Deus e vêm de Deus, entramos em convênios eternos com nossas esposas, sob as mais solenes promessas, e da maneira mais sagrada. Entre os direitos que nos são garantidos na Constituição dos Estados Unidos, está não apenas que "o Congresso não fará lei alguma a respeito do estabelecimento de uma religião, ou proibindo o seu livre exercício," mas também que nenhum Estado promulgará lei que "prejudique a obrigação de contratos." Os nossos são contratos da mais sagrada natureza, e de tão vital importância para o tempo e a eternidade, que todas as obrigações e contratos mundanos se tornam insignificantes em comparação com eles. Entre muitos dos professores do cristianismo moderno, isto é visto como um erro, e, sem inspiração ou revelação sobre este assunto, toda a ideia que já se apresentou associada às relações matrimoniais é que se entra nesses contratos "até que a morte os separe." As belezas, as glórias e a perpetuidade desses laços domésticos, essas associações ternas que se agrupam em torno da organização familiar, perecem sempre que se aproxima o sinistro mensageiro Morte. Agora é feito crime, por homens não inspirados, possuir aquelas esperanças e praticar aqueles princípios que os mais virtuosos, retos, santos e eminentes homens de Deus estimaram como tesouros de valor inestimável. Sob uma política insensata, equivocada e suicida, buscam frustrar aquelas esperanças que são um consolo para a vida do crente nas revelações de Deus, e romper aqueles laços conjugais que brotam no tempo e hão de florescer e frutificar no Reino Celestial de nosso Deus, nas eternidades por vir. ¶
O cristianismo de hoje não pode nos oferecer nada de caráter eterno que compense o abandono da verdade que se exige de nós. O fato é que a humanidade, em seu esforço de corrigir o sistema de casamento de Deus, adotou um sistema que é inteiramente inadequado para salvar o homem dos terríveis males pelos quais está cercado. Onde há milhares e milhões de homens honrados e retos no mundo, que dedicaram toda a sua vida à promoção da moralidade e da virtude, e à extirpação de toda prática pecaminosa, os males contra os quais combateram têm aumentado constantemente ao seu redor. O sistema que ensinaram não era o sistema de Deus; não atendia, portanto, às necessidades do homem. Aqueles canais que Deus proveu para o exercício lícito dos apetites com que dotou o homem foram, sob o sistema agora em voga, represados, e a história da Cristandade nos informa com que resultados terríveis -- a degradação e a prostituição da mulher, e a propagação do mais terrível flagelo conhecido pela humanidade, o mal social, com seu séquito de horrores repugnantes. Com nosso conhecimento das leis de Deus, jamais poderemos adotar tal sistema e chamá-lo de civilização. E aproveitamos novamente esta oportunidade para advertir os Santos dos Últimos Dias contra aquelas práticas assassinas e condenáveis do feticídio e do infanticídio, as quais se têm tentado introduzir em nosso meio. Essas práticas são também os horríveis frutos de um sistema de casamento feito pelo homem, e têm se tornado tão terríveis que muitos dos principais pensadores do Oriente têm dito a seu povo, e trazido estatísticas para provar, que, a menos que esses crimes sejam interrompidos, dentro de pouco tempo a estirpe primitiva e puritana se extinguirá, e estrangeiros tomarão seu lugar, suas terras, suas casas e seus lares. Essas práticas diabólicas estão se tornando tão comuns que um dos historiadores mais confiáveis afirma positivamente que "milhões as praticam, porque pensam não poder arcar com o sustento dos filhos." ¶
Visto que os membros do sexo masculino de nossa Igreja que praticam o casamento plural são estimados em não mais do que dois por cento, ou pouco mais, de todo o corpo de membros da Igreja, consideramos um ato de grande injustiça que os outros noventa e oito por cento sejam maltratados e ultrajados, e tenham todas as suas relações comerciais perturbadas, valores de toda espécie desestabilizados, vizinhanças agitadas e alarmadas, e a propriedade do povo, de modo geral, colocada em risco, por causa desta "batida" contra estes supostos infratores da lei. ¶
A demonstração de quão pequena é a porção dos homens envolvidos nesta prática mostra, com a mais absoluta clareza, quão destituídas de fundamento são as acusações feitas contra nós, de que esta instituição ameaça a forma monogâmica de casamento, alegada ser a característica da civilização atual. ¶
Precisamos perguntar-vos, Santos dos Últimos Dias, aqui reunidos: as vidas e a conduta de nossos atuais pretensos reformadores vos oferecem exemplos que escolheríeis adotar, ou que gostaríeis que vossos filhos seguissem? Novamente, precisamos perguntar-vos: quem tem sido o introdutor de tavernas, casas de jogo e bordéis em nossas cidades e vilas? ou quem tem sido seu patrono, e o auxiliador e promotor de toda forma de libertinagem, que, quando viemos a estas montanhas, esperávamos ter deixado para sempre para trás? Chamamo-vos a guardar-vos e a proteger-vos, a vós e a vossas famílias, contra suas influências corruptas e insidiosas. Seus caminhos são os caminhos da morte, e suas veredas conduzem à destruição. Exortamo-vos, portanto, a preservardes vossos corpos e espíritos puros, a protegerdes a virtude e a honra de vossas esposas e filhas, a viverdes vossa religião, a tratardes com todos os homens honesta e honradamente, e a manterdes invioláveis aqueles gloriosos princípios que vos foram revelados. E, além disso, não permitais que nenhum destes abusos, com os quais temos de lidar, vos tente a retaliar da mesma maneira, ou a violar qualquer lei constitucional da terra. Lembrar-vos-eis de que Joseph Smith disse que aquele sagrado instrumento foi dado por inspiração de Deus, e que se torna nosso dever solene sustentá-lo em todas as suas disposições. E, embora homens possam, em zelo cego, buscar oprimir-nos e trazer-nos à servidão, não devemos deixar-nos provocar a fazer como eles fazem; mas manter os direitos, as imunidades, e buscar a felicidade e o bem-estar, assim como manter a liberdade de todos os homens, de todo nome, cor e credo. ¶
Em conclusão, testificamos solenemente aos Santos dos Últimos Dias e ao mundo, como já o temos feito tantas vezes no passado, que Deus estabeleceu Sua Sião, e que Sua obra prosseguirá, e que todos os que lutarem contra ela perecerão. Já tendes visto isto cumprido ao pé da letra no passado. ¶
Rogamos a Deus, o Pai Eterno, que vos abençoe em vossas famílias, em vossos campos, e rebanhos e manadas, e em vossos negócios e em todos os vossos justos empreendimentos, e que vos preserve das mãos de todos os vossos inimigos, e que, por fim, vos salve e vos exalte em Seu Reino Celestial, em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor. Amém. ¶
Vossos Irmãos, ¶
John Taylor, ¶
George Q. Cannon, ¶
Primeira Presidência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶