O Ajuntamento — O Senhor Castigará os Ímpios — Poligamia e Prostituição — Estatísticas de Crime Cometido por Mórmons e Não Mórmons — A Maldade dos Estados da Nova Inglaterra — A Posição Degradada dos Funcionários dos Estados Unidos, Conforme Exibida nos Tribunais de Utah
John Taylor
Tenho o prazer de ter esta oportunidade de me reunir com vocês nesta conferência, e de lhes falar um pouco sobre alguns dos princípios associados aos nossos deveres em nossa ligação com a Igreja e o Reino de Deus. ¶
Os Santos dos Últimos Dias ocupam uma posição muito peculiar no mundo, mas não sei se temos algo muito particular a dizer sobre essa questão. É verdade que usamos nosso próprio arbítrio ao vir para cá, mas há certos propósitos do Todo-Poderoso, associados ao nosso ajuntamento, sobre os quais tivemos muito pouco controle. Há um dito notável na revelação de São João, referente a uma certa Babilônia, que diz o seguinte: ¶
"E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas. ¶
"Porque já os seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela." ¶
Há algo muito significativo no texto aqui citado. Parece que João, numa parte anterior de sua visão, havia visto um anjo que precederia este outro. Ele diz: ¶
"E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, ¶
"Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." ¶
Como Santos dos Últimos Dias, temos ouvido essas coisas de tempos em tempos. Temos falado sobre a abertura dos céus, as manifestações de Deus, nosso Pai Celestial, e de Jesus, o Mediador do Novo Convênio, sobre a restauração do Evangelho, e a organização da Igreja e do Reino de Deus. Temos falado bastante sobre o santo sacerdócio, e sobre a autoridade de Deus ter sido conferida ao homem desde os céus, o que nos coloca em comunicação com nosso Pai Celestial; e também sobre a organização de Sua Igreja de maneira que está de acordo com Sua vontade e sob Sua inspiração. Temos ouvido citar, de tempos em tempos, passagens como esta: ¶
"Ajuntai-me os meus santos, aqueles que fizeram comigo um convênio com sacrifício." ¶
Novamente: ¶
"E vos tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família; e vos levarei a Sião: ¶
"E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência." ¶
Muitas outras passagens de natureza semelhante estão contidas na Bíblia, na qual todos nós, pelo menos, professamos crer; e, pelas manifestações do poder de Deus, e pela luz da revelação, fomos instruídos nas coisas da eternidade, e a organização da Igreja de Deus foi efetuada. Começou há mais de 54 anos, e a obra tem progredido desde então até o presente; e todas as organizações efetuadas relativas ao sacerdócio foram feitas sob a direção imediata do Espírito do Deus vivo, e nos foram dadas por revelação direta, para que fôssemos instruídos nas leis da vida e capacitados a realizar as coisas que Deus havia designado desde antes da fundação do mundo, relativas a estes últimos dias; e com essas coisas estamos, em geral, familiarizados. ¶
Quando Jesus esteve na terra, e Seus discípulos Lhe pediram que lhes ensinasse a orar, Ele disse: ¶
"Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." ¶
Nisso Ele fazia referência direta aos acontecimentos que agora se dão entre nós como povo. "Venha o teu reino." Por quê? Para que "a tua vontade seja feita na terra, assim como no céu". Estamos aqui com o propósito de nos familiarizarmos com a vontade de Deus, com a lei de Deus, com a ordem de Deus, com o domínio de Deus; e estamos aqui para estabelecer o reino de Deus. Estamos aqui para sermos instruídos nas coisas relativas à Igreja de Deus, e à sua purificação. Estamos aqui para edificar uma Sião de Deus, o que implica os puros de coração. Depois, estamos aqui para enviar o Evangelho a toda nação, tribo, língua e povo. Estamos aqui para construir templos ao nome do Senhor, e para oficiar neles. Estamos aqui para representar Deus sobre a terra como Seu sacerdócio, e estamos reunidos nas diferentes estacas, como vocês estão reunidos aqui hoje, para cuidar de vários deveres associados a esse sacerdócio, e para nos familiarizarmos com todos os traços principais associados à Igreja e ao Reino de Deus sobre a terra. Cabe a nós, como estacas, como povos, e como Santos de Deus, aprender a compreender a relação que mantemos com Deus, nosso Pai Celestial, e com Sua Igreja e Reino aqui na terra, com Jesus, o Mediador do Novo Convênio, e com o sacerdócio que está além do véu; e também nos familiarizarmos com as coisas na terra ligadas ao bem-estar da humanidade, seja na terra de Sião, seja em qualquer outra terra. E estamos reunidos com o expresso propósito de sermos ensinados e instruídos em todos esses princípios. Não estamos aqui, assim como Jesus não estava aqui, para condenar o mundo; como Ele diz: ¶
"Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." ¶
Este era o objetivo proeminente de Sua missão à terra, "que o mundo fosse salvo por ele"; e estamos aqui para realizar Seus propósitos. Temos certas relações com o mundo enquanto nele estamos, que não podem ser ignoradas, e temos certos deveres a cumprir associados a elas, que devem ser respeitados. Sendo assim, estamos aqui como parte integrante dos Estados Unidos, e temos deveres a cumprir como cidadãos deles, e espera-se que cumpramos todo requisito próprio, observemos toda lei correta, e nos governemos com propriedade e retidão, honra, verdade e integridade, e sejamos bons cidadãos deles; estas são coisas que se esperam de todo povo honrado. E cabe a nós cumprir as obrigações e deveres que nos incumbem em relação à nação com a qual estamos associados. Temos outro dever a cumprir para com as nações da terra. É enviar-lhes o Evangelho; e, para isso, os Doze estão organizados, e os Setentas, e os élderes são enviados como mensageiros de Deus, para que a humanidade possa abraçar as verdades eternas do Evangelho, pelas quais a vida e a imortalidade são trazidas à luz; para que ela, junto conosco, tenha o privilégio de participar das ricas bênçãos da vida eterna; para que ela, junto conosco, tenha a oportunidade de ser instruída nas leis da vida, e para que ela, junto conosco, seja feita participante de todas as coisas associadas à Igreja e ao Reino de Deus. Estes são seus privilégios, na medida em que forem obedientes às leis e ordenanças a eles relativas, e viverem segundo os requisitos do céu. Até que essas coisas se realizem, outras coisas que Deus designou em relação às nações da terra não se cumprirão; pois o povo da terra é toda Sua progênie, e Ele se interessa pelo bem-estar da humanidade em geral. Ele espera que façamos o mesmo. Estamos construindo templos, e estamos oficiando nesses templos. Por que fazemos isso? Há algo muito peculiar neste assunto. Bem, podemos estar fazendo isso em parte por nós mesmos, em parte por nossas esposas e nossos filhos, em parte por nossos pais e nossas mães, e tios e tias, e muitos de nossos amigos e antepassados com quem temos tido convivência, e em parte por muitos outros com quem não temos convivência; para que sejamos unidos e permaneçamos como salvadores no Monte Sião. Vocês ouviram o irmão Cannon lhes dizer hoje que havia uma companhia de cerca de 40 pessoas indo a Logan nesta manhã, com um bispo, para cumprir alguns desses deveres, e essas coisas estão começando a ser geralmente compreendidas entre os Santos dos Últimos Dias. ¶
Todos esses deveres e responsabilidades nos incumbem. Todas essas coisas estão ao nosso alcance. Como povo, se vivermos nossa religião e nos provarmos dignos, temos o privilégio de desfrutar todas as bênçãos e misericórdias que Deus, nosso Pai Celestial, nos concedeu por meio do Evangelho e de nossa obediência a ele; e desejamos cumprir nosso dever para com todos -- cumprir, como dizem na Igreja da Inglaterra, nosso "dever naquele estado de vida ao qual aprouve a Deus nos chamar". Aprouve a Deus chamar-nos a estas terras e nos usar para certos propósitos, no interesse da humanidade e para o bem-estar de um mundo caído. Este é o objetivo de estarmos reunidos, e para que possamos edificar uma Sião ao Senhor, e sermos instruídos em todos os princípios de retidão, verdade, integridade, e tudo o que se relaciona com nossa felicidade presente e futura, e assim nos tornarmos os abençoados do Senhor, e nossa progênie conosco. ¶
Estas são algumas das coisas que nos incumbem. Por isso Sião está começando a alongar seus cordéis e aumentar suas estacas, e estamos nos espalhando ao norte, ao sul, e em várias outras direções. Procuramos zelar pelo bem-estar dos Santos de Deus, em seus vários povoados, onde quer que estejam, e protegê-los de toda maneira que nos seja possível estender proteção, segundo o princípio da união, da harmonia e da fraternidade, inspirados pelo Espírito do Deus vivo. Por isso, cabe à Primeira Presidência zelar por todas essas coisas, e, às vezes, em circunstâncias peculiares, somos obrigados a enviar alguns Santos de uma estaca para fortalecer outras estacas de Sião, para que o povo seja preservado em seus direitos e liberdades das agressões de pessoas inescrupulosas, que procuram tirar vantagem das circunstâncias em que nosso povo possa se encontrar. ¶
Às vezes nos queixamos de nossas provações: não precisamos fazer isso. São coisas necessárias para nossa perfeição. Às vezes achamos que não somos tratados corretamente, e penso que pensamos corretamente sobre algumas dessas coisas. Achamos que há tramas sendo urdidas para nos armadilhar; e penso que pensamos corretamente sobre isso. Ao mesmo tempo, não precisamos nos surpreender com essas coisas. Não precisamos nos espantar com um sentimento de ódio e animosidade. Por quê? Porque vivemos num dia e numa era peculiares do mundo, chamados distintamente de últimos dias, nos quais se diz que Deus terá uma controvérsia com as nações da terra. Há algumas coisas nesses assuntos que os homens não compreendem. Pensam que os homens manipulam os assuntos dos homens. Em parte o fazem, e são muitas vezes usados como instrumentos pelo Todo-Poderoso, e às vezes por outro poder chamado Lúcifer, conforme as circunstâncias. Mas, quanto às nações da terra, Deus ergue uma nação e derruba outra, segundo os conselhos de Sua própria vontade. E lemos de nações que, anos atrás, floresceram e foram grandes, prósperas e poderosas, das quais hoje nada sabemos, a não ser o que aprendemos em algumas páginas de história; foram apagadas e riscadas como nações, e hoje não existem. Nações e impérios se ergueram e caíram; cresceram, aumentaram e prosperaram, e depois decaíram, se desmoronaram e morreram. O Senhor manipula todas essas coisas segundo os conselhos de Sua própria vontade. Mas os homens, em geral, entendem muito pouco desses assuntos; pois tem havido muito pouca comunicação com Deus por eras, até que Ele estivesse preparado para revelar Sua vontade nestes últimos dias. Contudo, os homens professam temer a Deus, e muitos deles procuram adorá-Lo. Há algo muito notável dito pelo profeta Isaías, quando teve sua visão aberta a respeito dos acontecimentos que se dariam nos últimos dias. Ele diz: ¶
"Eis que o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua face, e espalha os seus moradores. ¶
"E assim como for o povo, assim será o sacerdote; como o servo, assim o seu senhor; como a serva, assim a sua senhora; como o comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura. ¶
"De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada, porque o Senhor pronunciou esta palavra. ¶
"A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra. ¶
"Porque a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno. ¶
"Por isso a maldição consome a terra, e os que habitam nela serão desolados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão." ¶
Há muitas declarações feitas pelos profetas em relação a essas coisas -- de que o Senhor derramaria Seus julgamentos sobre a terra. Jesus fala da destruição que sobrevirá ao povo, que atingirá Jerusalém, que envolverá nações, e das cenas que se darão nos últimos dias -- que o sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. Ligada a isso está parte da obra em que estamos empenhados. Uma voz deveria ser ouvida, como disse antes, dizendo: ¶
"Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas. ¶
"Porque já os seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela." ¶
De acordo com essa declaração, que faz parte do grande programa em que nós, Santos dos Últimos Dias, cremos, fomos reunidos a esta terra, que denominamos a terra de Sião. Saímos do mundo, e alguns de nós mal sabem por quê; contudo, viemos, tendo obedecido ao Evangelho e recebido o dom do Espírito Santo. Tem havido um sentimento e um espírito operando sobre nós, que iluminou nossa mente e nos impeliu para frente. Nosso grande objetivo era, quando estávamos em outras terras distantes desta, fazer todo esforço possível para chegarmos à terra de Sião. Compreendíamos para que era? Em parte sim, em parte não. Viemos porque pensávamos que era a terra de Sião. Viemos, se nos compreendemos bem, para que não participássemos dos pecados nem recebêssemos das pragas da Babilônia; e para que nós, e nossas esposas, e nossos filhos, e nossas associações, pudéssemos estar livres das corrupções, abominações e males que existem e prevalecem em todo o mundo; e para que pudéssemos chegar a um lugar onde pudéssemos aprender as leis da vida, onde nossos filhos pudessem ser criados no temor de Deus, e onde esperávamos poder adorar a Deus segundo os ditames de nossa própria consciência. Às vezes pensamos que cometemos um pequeno equívoco nisso. Acho que não; pois ainda havemos de compreender uma coisa, e assim também as nações da terra -- que "o Senhor reina: alegre-se a terra; alegrem-se as muitas ilhas". Sim, todos nós havemos de aprender que "o Senhor reina". ¶
Ligados a esses princípios estão todos os assuntos comuns da vida -- isto é, temos corpos como as outras pessoas; precisamos de alimento, precisamos de vestimenta, precisamos de habitações para viver, precisamos de terra para cultivar, campos, jardins e pomares; nossos filhos nascem como os de outros, e vivemos e existimos praticamente como os demais seres humanos. São filhos de nosso Pai Celestial, e nós também. Mas o Senhor achou por bem nos reunir, e abriu nosso caminho, e nossas linhas caíram em lugares agradáveis. Contudo, cada vez que os Santos foram reunidos, manifestou-se, da parte dos ímpios, um espírito de opressão, um espírito de perseguição, um espírito sanguinário, um espírito que procurava nos roubar de nossos direitos, despojar-nos de nossos lares e heranças. Isto já esperávamos, entre outras coisas. Nunca sonhamos com outra coisa senão que tal estado de coisas existiria. Lembro-me de que, quando o Evangelho me foi pregado pela primeira vez, antes de eu ser batizado, ouvi uma palestra mais ou menos assim: "Ora, não temos nada de particular a lhes prometer, apenas o favor de Deus, se vocês viverem retamente e guardarem Seus mandamentos. Vocês podem ser perseguidos, afligidos, encarcerados, ou mortos pelo testemunho que tiverem de dar em favor da religião que são chamados a obedecer; mas podemos lhes prometer que, sendo esse o caso, vocês terão vida eterna." Bem, tivemos um pouco do outro também misturado a isso. E tenho visto turbas se reunirem, de tempos em tempos, em diferentes partes destes Estados Unidos, e tive de enfrentá-las repetidas vezes. Por exemplo, fui expulso do Missouri anos atrás, junto com todo o povo. Fomos roubados e saqueados, e tivemos de reunir o pouco que tínhamos para ajudar uns aos outros. Todos os que tinham uma parelha a puseram à disposição para ajudar seus irmãos a se afastarem de quem? De seus perseguidores cristãos, isto é, dos assim chamados cristãos. Gostaria de ter outro nome para eles. [Risos.] Ajudamo-nos uns aos outros até chegarmos a Illinois. Estive lá, e sei do que estou falando. Senti-me muito infeliz? De maneira nenhuma. Desfrutei tanto quanto desfruto hoje. Senti-me bastante tranquilo. Já estou acostumado a essas coisas, e não há nada de muito particular nelas. Com o tempo, construímos a bela cidade de Nauvoo. Também construímos ali um templo, e oficiamos nele, e recebemos muitas bênçãos preciosas das mãos de Deus, das quais o mundo nada sabe, e jamais saberá, até que abrace o Evangelho do Filho de Deus. Mas fomos expulsos novamente, e estamos aqui hoje. Deixamos nossa propriedade? Sim, deixei, uma quantidade considerável, e assim fizeram muitos outros. Tínhamos uma cidade ali, e a deixamos. O que nos foi feito antes disso! Fomos atacados por turbas, saqueados; fomos levados perante tribunais; fomos perseguidos e proscritos; isso nos foi feito enquanto estávamos ali, e, em muitos casos, tivemos de nos defender com nosso próprio braço direito, ou sofrer nas mãos de assassinos rastejantes que buscavam nossa vida. Tive de fazer isso repetidas vezes, bem naquela terra. Tive de manter guardas em minha casa, o mesmo fez o Presidente Young, por quase dois anos, para não sermos assassinados. Estive na prisão com Joseph e Hyrum, quando foram mortos a tiros a sangue frio. Estávamos ali colocados sob a proteção, ou pretensa proteção, do Governador, que disse ao Dr. Bernhisel e a mim que seria melhor não trazermos armas conosco para nos defender, e que empenhou sua palavra e a palavra do Estado por nossa proteção. Vi essa palavra violada e calcada no pó. Vi esses homens, a quem se prometera proteção, mortos a tiros, a sangue frio, por assassinos reunidos para esse propósito. Estas são coisas que testemunhei nos poucos anos que vivi sobre a terra. Quando deixei Nauvoo, deixei uma casa muito boa, muito bem mobiliada. Deixei tapetes no chão, fogões nos aposentos, louça de cerâmica nos armários, e entrei em minha carruagem, com minha família, e a deixei para buscar aquela proteção entre os índios vermelhos, que não pudemos encontrar entre o povo que vivia nesta tão gabada terra dos livres e lar dos bravos, este pretenso asilo dos oprimidos. Fomos protegidos aqui entre os índios, e me senti perfeitamente seguro entre eles. Iria hoje entre os homens vermelhos que percorrem estas montanhas com a mesma disposição que iria a qualquer outro lugar, e me sentiria tão seguro quanto lá. ¶
Falo dessas coisas para mostrar alguns dos sentimentos que se manifestaram. Bem, dirá alguém, você não ficou zangado? Ah, não, não particularmente. Senti que estava tudo bem. Era parte do programa. Eu precisava de instrução, e outras pessoas também precisavam, e era necessário que fôssemos colocados numa posição em que pudéssemos obtê-la. Não nos sentimos muito infelizes. Sentimo-nos bastante confortáveis. O quê! Quando vocês deixaram seus lares? Sim. Senti-me tão tranquilo quanto já me senti em toda a minha vida. Senti, pelo menos, que estaria a salvo das mãos de homens sanguinários e de turbas, e que seria colocado numa posição em que poderia me proteger melhor do que ali, e outros sentiram muito o mesmo. Lembro-me de que costumávamos cantar uma canção mais ou menos assim: "A caminho da Califórnia, na primavera faremos nossa jornada, muito além das fontes do Arkansas, passaremos entre as Montanhas Rochosas." [Risos.] ¶
Era assim que costumávamos cantar. Lembro-me de um garotinho meu -- ele era, então, embora já não seja um garotinho hoje, pois já se passaram cerca de 39 anos -- que costumava cantar isso, e todos os meninos ao redor também. Encontrou seu avô um dia, que, chamando-o pelo nome, disse: "Joseph, você não vai cantar isso quando deixar sua casa e for para lá." "Ah, sim, vovô", disse ele, "vou cantar isso então." Finalmente, saímos. Com o tempo, seu avô veio, e ele correu ao seu encontro. Estávamos acampados então em cerca de um pé de neve. Ele correu em direção ao avô e começou a cantar: ¶
"A caminho da Califórnia," etc. ¶
"Veja", disse ele, "vovô, agora posso cantar isso." Bem, falo dessas coisas para mostrar alguns dos episódios pelos quais passei. Chegamos aqui e encontramos esta terra um deserto, coberto em geral de artemísia, e alguns poucos índios dispersos vagando por aí. Tivemos de começar a construir nossas casas, pois não havia nenhuma quando chegamos; e, desde então, o deserto e os lugares solitários floresceram como a rosa, e o deserto se alegrou, como foi predito nas Escrituras. Sentimos que estamos meio confortáveis nestes vales das montanhas, mas o diabo ainda não morreu. [Risos.] Não pensávamos que estivesse morto; temos uma obra a realizar; e nos propomos, com a ajuda do Todo-Poderoso, a realizar essa obra. Não esperamos ser frustrados nisso tampouco, e não antecipamos que será derrubada. Cremos que Deus vive nos céus e manipula as nações da terra, e ai daqueles que lutam contra Sião! Digo-lhes, em nome de Deus, que Ele lutará contra eles. [Amém.] ¶
Este é meu testemunho a respeito desses assuntos. As pessoas podem pensar que são muito espertas ao perseguir os Santos, mas com o tempo descobrirão que estão do lado errado da questão, e muitas delas o descobrirão quando já for tarde demais. Descobrirão quando a colheita tiver passado e o verão tiver terminado, e dirão: "Minha alma não está salva." Vocês, Santos dos Últimos Dias, que às vezes começam a tremer nos joelhos, e a temer certas circunstâncias, fariam melhor em confiar no Deus vivo do que ceder a temerosos presságios nesses assuntos; pois Sião segue avante e para cima, e Deus está ao seu lado, e Ele protegerá Seu Israel se apenas Lhe formos fiéis. Estamos aqui para esse propósito. Deus sustentará Israel e permanecerá ao lado de Seu povo. [Amém.] Há uma coisa muito certa, muito certa mesmo, e é que, seja lá o que os homens pensem, e como quer que tramem e conspirem, este Reino jamais será entregue nas mãos de outro povo. Crescerá, se espalhará e aumentará, e nenhum homem vivo pode deter seu progresso. Por isso me sinto bastante tranquilo, como já disse, pois o Senhor reina, e que o povo se alegre. ¶
De tempos em tempos, temos certas investidas contra nós. Algo desse tipo parece estar em curso hoje, e eu gostaria -- ia dizer que gostaria de poder falar sobre algo melhor -- mas esses assuntos são tão apropriados quanto qualquer outro, no que sei, pois são coisas que temos de enfrentar face a face. Nós, Santos dos Últimos Dias -- o que somos? Professores de religião. Somos? Sim. Estão sendo promulgadas leis a fim de nos privar de nossos direitos religiosos, ao passo que a Constituição dos Estados Unidos diz que o Congresso não fará lei alguma a respeito do estabelecimento de uma religião, nem proibindo o livre exercício dela. Isso é verdade? Leiam por si mesmos na Constituição. Isso é o que professamos como americanos. Temos homens em nosso meio que introduziram juramentos de teste, ao passo que a Constituição diz que "nenhum teste religioso jamais será exigido"; contudo, introduziram juramentos de teste, e as pessoas são obrigadas a jurar certas coisas que a Constituição diz que não devem ser permitidas. Somos cidadãos americanos aqui? Penso que sim. Temos algum direito? Penso que deveríamos ter. Estão sendo eles calcados aos pés? Sim, estão; e essas coisas estão sendo feitas com impunidade. Como é isso? Ora, a Constituição é tratada pelos políticos de hoje como a Bíblia é tratada pelos professores de religião. Vocês falam com os "cristãos" sobre a Bíblia, e descobrirão que creem nela quando está fechada. Gastarão centenas de milhares de dólares para enviá-la aos gentios, mas, quando chega a hora de abri-la, eles mesmos não creem nela. Perguntem-lhes sobre profetas, apóstolos, evangelistas, pastores, instrutores e diáconos. Eles os têm? Não, nem mesmo professam tê-los. Perguntem-lhes sobre serem batizados em nome de Jesus, para a remissão dos pecados, por homens com autoridade, e sobre a imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, e descobrirão que não querem ouvir nada sobre esses princípios. Não creem neles. Ora, eles até se opõem a que as pessoas se casem para a eternidade! Creem que homens e mulheres devem se casar apenas até que a morte os separe. Isso é um assunto muito frio. Não cremos em nos casarmos apenas para o tempo. Cremos em fazer convênios para a eternidade, e em estarmos associados a nossas esposas e filhos além do véu. Recebemos instruções do Senhor a respeito dessas coisas, e desejamos cumpri-las. Como já disse, a Constituição estabelece que o Congresso não fará lei alguma a respeito do estabelecimento de uma religião, nem proibindo seu livre exercício. Contudo, pergunta-se aos homens qual é sua fé religiosa; bem aqui em nossos tribunais, hoje. Estas são coisas que nós, como cidadãos americanos, temos o direito de examinar; de zelar bem por nossas liberdades, e de vigiar bem nossos inimigos. Pois estes não são apenas nossos inimigos, mas são inimigos da liberdade humana, inimigos dos direitos do homem e inimigos de Deus. Cabe a nós zelar bem por essas coisas, e, em nossas eleições e em todos os assuntos semelhantes, ver que somos muito cuidadosos na administração desses assuntos, e que não somos atropelados nem enganados quanto às nossas liberdades por homens inescrupulosos. Falo dessas coisas nesta sua conferência, para sua informação e para sua advertência; e diria: sejam unidos, diligentes e enérgicos, e defendam seus direitos como homens. ¶
Lembro-me de que, há algum tempo, um cavalheiro chamado Sr. Pierpont (que foi Procurador-Geral sob o Presidente Grant) me visitou. Fiquei satisfeito em vê-lo, e fico satisfeito em ver todos os cavalheiros honrados. Convidei-o para jantar, e conversamos bastante. Mas deixem-me introduzir aqui outro assunto. Na época em que a lei Edmunds foi aprovada, eu morava no que é conhecido como Gardo House. Tinha a maioria de minhas esposas morando comigo ali, e, depois de examinar cuidadosamente a lei Edmunds, pensei comigo mesmo: ora, o Congresso está ficando muito insensato; este Governo está ficando muito, muito tolo; estão calcando aos pés os direitos constitucionais. Não importa, disse eu, obedecerei esta lei. Tinha lugares confortáveis para minha família em outros lugares, e pedi a minhas esposas que fossem para seus próprios lares, e vivessem ali, e assim o fizeram, para que eu, ao menos, pudesse cumprir aquela parte da lei; pois, tola ou não tola, minha ideia era cumprir, na medida do praticável, os requisitos da lei, e não me colocar a mim, à minha família ou a meus amigos em perigo por qualquer tolice minha. Esperavam muitos daqueles homens corruptos -- não digo, ao falar deles, que todos sejam corruptos -- que, quando essas leis fossem aprovadas, expulsássemos nossas esposas e as tratássemos como eles tratam suas mulheres em tais circunstâncias -- fazendo delas meretrizes. Não há tal sentimento em meu peito, nem no peito deste povo. Fizemos convênios eternos com nossas esposas, e permaneceremos com nossas esposas, e Deus nos sustentará em proteger os direitos da inocência, e em cumprir aquelas obrigações eternas que assumimos. Mas podemos, uma vez ou outra, ceder um pouco às loucuras e fraquezas dos homens, quando nenhum princípio de verdade está envolvido. Nessas circunstâncias, eu tinha uma irmã que cuidava da casa para mim, quando o Sr. Pierpont veio jantar comigo. Eu disse: "Sr. Pierpont, permita-me apresentar-lhe minha irmã. Não nos é permitido por lei ter esposas aqui." [Risos.] Depois de conversar mais com ele sobre o assunto, disse: "Ora, Sr. Pierpont, o senhor está bem familiarizado com todos esses assuntos legais. Embora eu tenha cedido nesse ponto, para não ser um obstrucionista, e não deseje agir como um feniano, ou um niilista, ou um comunista, ou um Ku Klux, ou um regulador, ou um Plug Ugly, ou um Molly Maguire, ainda assim, senhor, defenderemos nossos direitos e nos protegeremos de toda maneira apropriada, legal e constitucional, e disputaremos palmo a palmo cada passo que se der para nos privar de nossos direitos e liberdades." E faremos isso da maneira de que falo. Estamos fazendo isso hoje; e, como vocês já ouviram expresso em outras ocasiões, parece muito que o tempo se aproxima em que este país se despedaçará; pois, se o povo desta nação estiver tão cego e infatuado a ponto de calcar aos pés a Constituição e outras salvaguardas providas para as liberdades do homem, não nos propomos a ajudá-los em seus empreendimentos suicidas e traiçoeiros; pois nos foi dito por Joseph Smith que, quando o povo desta nação calcar aos pés a Constituição, os élderes desta Igreja se reunirão em torno da bandeira e a defenderão. E pode chegar a isso; podemos estar mais perto disso do que alguns de nós pensam, pois o povo não é muito zeloso na proteção dos direitos humanos. E, quando legisladores, governadores e juízes se unem para procurar derrubar o templo da liberdade e destruir os baluartes da liberdade humana, todos os amantes da liberdade verão que estão jogando um jogo perigoso, e colocando em risco a perpetuidade dos direitos humanos. Pois não levará muito tempo para que os inconsequentes sigam seu exemplo, e podem soltar um elemento que jamais poderão conter novamente. Parecemos estar de pé sobre um precipício, e as paixões tumultuadas dos homens estão agitadas pela disputa política e partidária; os elementos da discórdia estão fervilhando e rugindo como se pressagiassem uma tempestade próxima; e nenhum homem parece competente para tomar o leme e guiar o navio do Estado através dos temíveis recifes que ameaçam por todos os lados. Estas são coisas perigosas, mas cabe a nós, como bons cidadãos, obedecer à lei na medida do praticável, e nos deixarmos governar por princípios corretos. ¶
Mandei ler alguns artigos na Conferência Geral, dando minhas opiniões a respeito de alguns desses assuntos. Foram publicados, mas farei ler um ou dois trechos para sua informação. ¶
O Presidente Cannon então leu o seguinte: ¶
A distinção que se faz entre poligamia e prostituição: ¶
1º. O Congresso fez uma lei que afetaria a ambas; e a coabitação com mais de uma mulher foi tornada crime, seja em poligamia, seja fora da poligamia. ¶
2º. O Governador, transformado em legislador, acrescentou a esta lei, e inseriu num juramento de teste para funcionários, as seguintes palavras a respeito da coabitação, "na relação matrimonial"; assim, clara e definitivamente sancionando a prostituição, sem nenhuma lei dos Estados Unidos, ou autoridade alguma. ¶
3º. Os Comissários dos Estados Unidos, também, sem legislação, adotaram a ação do Governador, e continuaram insistindo nesta interpolação, no juramento de teste em questões eleitorais, e colocaram todos os polígamos sob este juramento inconstitucional, e liberaram as prostitutas e seus amantes das obrigações impostas aos demais. ¶
4º. O Promotor Público sancionou essas coisas, e seguiu curso semelhante; e, enquanto fez a todos os grandes jurados "mórmons" certas perguntas sobre sua fé religiosa nas doutrinas da Igreja "mórmon", e os recusava se respondessem afirmativamente quanto à sua crença na poligamia, recusou-se a perguntar a outros jurados se acreditavam na prostituição, ou se acreditavam em coabitar com mais de uma mulher ou não. ¶
5º. O Juiz Presidente Zane, quando instado a decidir esta questão, recusou-se a interferir, ou dar qualquer outra decisão. ¶
Assim, uma lei foi primeiramente aprovada pelo Congresso, que foi pervertida pela administração, por todos os seus funcionários, que oficiaram neste Território, e feita para servir aos interesses de um partido que colocou em sua plataforma política uma cláusula antimórmon; e provaram claramente que há uma combinação, à qual se juntaram todos os funcionários do Estado que oficiam neste Território, para apoiar esta intriga política no interesse do partido, e ao custo da lei, da equidade, da jurisprudência e de todas as salvaguardas que a Constituição prevê para a proteção dos direitos humanos. ¶
O Congresso não pode ser condenado por esses procedimentos. A lei, tal como está escrita nos Livros de Estatutos da nação, não faz tal distinção, no que diz respeito à qualificação de jurados, entre os que coabitam com mais de uma mulher na relação matrimonial, e os que o fazem fora dessa relação. Todo o restante foi auxiliado por funcionários aqui. A lei diz: "Seção 5: Que, em qualquer processo por bigamia, poligamia ou coabitação ilegal, sob qualquer estatuto dos Estados Unidos, será causa suficiente de recusa a qualquer pessoa sorteada ou convocada como jurado ou substituto, primeiro, que esteja ou tenha estado vivendo na prática de bigamia, poligamia, ou coabitação ilegal com mais de uma mulher, * * ou segundo, que acredite ser certo que um homem tenha mais de uma esposa viva e não divorciada ao mesmo tempo, ou que viva na prática de coabitar com mais de uma mulher." Ver-se-á, assim, que as mesmas perguntas podem ser propriamente feitas a ambas as classes; e essa foi a evidente e inequívoca intenção do Congresso. Mas o Promotor Público, com fervoroso zelo, muda tudo isso; em sua cruzada religioso-política contra a fé dos Santos dos Últimos Dias, insiste em seu direito de propor a pergunta com a interpolação do Governador acrescentada, ao passo que ignora inteiramente o outro lado da questão; por isso, os que coabitam fora da relação matrimonial podem sair impunes, sem interrogatório nem questionamento, e, quando se chama a atenção para essa perversão da lei, ele afirma que tem o direito de propor as perguntas que escolher, e recusar-se a fazer as que não deseja fazer; de fato, que todo o procedimento era, para ele, um assunto puramente opcional. Assim, todo o peso da lei é injusta e iniquamente lançado sobre os ombros daqueles que creem e agem na relação matrimonial, e inteiramente retirado dos outros, que se tornam os jurados que hão de acusar, julgar e condenar a outra classe, muito mais honrada. ¶
Farei ler algo mais. Alega-se que somos um povo muito corrupto, que somos um povo muito sem lei; que somos um povo muito ímpio; que somos um povo muito lascivo; e, por isso, tornou-se necessário que aprovem e executem certas leis, a fim de que sejamos colocados sob a tutela de pessoas mais puras e mais virtuosas. É por isso que quero que se leiam algumas estatísticas a respeito desse assunto, e não teria mandado lê-las, nem me detido sobre esses assuntos, senão pelo princípio da autodefesa. ¶
O Presidente Cannon então leu o seguinte: ¶
"A população de Utah pode ser estimada em 160.000 em 1883. ¶
"Destes, digamos, 130.000 eram mórmons, e 30.000 gentios, uma estimativa muito generosa quanto a estes últimos. ¶
"Neste ano, 46 pessoas foram enviadas à Penitenciária, condenadas por crime. Dessas, 33 eram não mórmons, e 13 reputadas mórmons. ¶
"Segundo a estimativa acima de população, a proporção ou percentual seria de um preso para cada 10.000 mórmons, ou um centésimo de um por cento, e dos gentios, um condenado a cada 909, ou cerca de um nono de um por cento. De modo que a proporção real de criminosos é mais de dez vezes maior entre os gentios de Utah, com a estimativa acima muito generosa, do que entre os mórmons. ¶
"Argumenta-se que esses presos não mórmons não representam justamente a média de crime em todo o país, mas são o resultado do fluxo das classes desesperadas para o oeste, para as fronteiras da civilização; com maior verdade respondemos que os presos mórmons não representam o mormonismo, nem são resultado do mormonismo, mas das consequências de um afastamento dos princípios mórmons; e dos 13 presos classificados como "mórmons", a maior parte o era apenas por ligação ou associação familiar. ¶
Prisões na Cidade de Salt Lake, 1883 -- mórmons, 150; não mórmons, 1.550, ou mais de dez vezes o número de prisões de mórmons. ¶
"Novamente, estima-se que há 6.000 não mórmons, e 19.000 mórmons, na Cidade de Salt Lake, o que mostra, entre os mórmons, uma prisão a cada 126 e 2/3. ¶
"Não mórmons, uma prisão a uma fração menor que quatro, ou seja, pouco mais de vinte e cinco por cento." ¶
O Presidente Taylor continuou: ¶
Façamos o melhor que pudermos disso, é um mau retrato, e não deveria existir entre as moradas dos Santos. E quanto a nossos Santos bêbados? Nossos violadores do dia de sábado? Nossos trens de banho dominical, onde muitos de nossos jovens se misturam com os ímpios? E quanto a muitos outros males que existem entre nós? É uma vergonha que essas coisas existam em Sião, nas cidades dos Santos; mas nossos pretensos reformadores são dez vezes mais baixos e mais depravados do que nós. Sim, mas então temos dez vezes crimes demais; e é triste vê-lo, e só podemos explicá-lo por este princípio, de que o trigo e o joio devem crescer juntos até a colheita. A rede do Evangelho recolhe de toda espécie, bons e maus, ovelhas e cabritos. Novamente, é apenas justo, para com aqueles que se opõem a nós, dizer que têm seus ministros, suas Escolas Dominicais, suas igrejas, seus hospitais, etc., e muitos, muitíssimos homens e mulheres bons e honrados. Mas, com todas essas agências, o registro os mostra, como um todo, dez vezes mais corruptos do que nós. Antes que viessem, estávamos comparativamente livres de suas imoralidades grosseiras. Mas e hoje? O registro mostra que deles são os antros de jogo, as casas de encontro, deles são os bordéis e as tabernas, etc., e, se, o que Deus não permita, temos feticídio e infanticídio, isso lhes pertence -- estas são instituições deles, não nos pertencem. Será, então, alguma surpresa que tenham dez vezes a quantidade de crime? Este é um retrato terrível, e, contudo, esses são nossos reformadores, nossos acusadores; deles procedem nossos tribunais, nossos júris, etc., eles se arrogam ser nossos regeneradores, e tentam nos tornar tão bons quanto eles. ¶
O Presidente Cannon leu novamente: ¶
"O Dr. Nathan Allen, de Lowell, declarou, num artigo lido perante uma recente reunião da American Social Science Association, que 'em nenhum lugar da história do mundo a prática do aborto foi tão comum quanto neste país; e expressou a opinião de que, somente na Nova Inglaterra, muitos milhares de abortos são praticados anualmente.' ¶
"O Dr. Reamy, da Ohio State Medical Society, diz: 'De uma correspondência muito extensa, verbal e escrita, neste e em outros Estados, juntamente com investigação pessoal e fatos acumulados * * que nos tornamos uma nação de assassinos.' ¶
O Rev. Dr. Eddy escreve ao Christian Advocate a respeito de uma pequena vila de 1.000 habitantes: 'Contudo, aqui, e em outros lugares, onde 15 por cento das esposas têm a criminosa audácia de praticar esta arte negra, há uma porcentagem ainda maior e adicional que a endossa e a defende. * * Entre pessoas casadas, essa prática se tornou tão generalizada que pessoas de alta reputação não apenas cometem este crime, mas não se abstêm de falar dele com jactância entre seus íntimos, sobre o feito e os meios de realizá-lo.' ¶
O Dr. Allen afirma ainda: 'Examinando o número de mortes, verificamos que há absolutamente mais mortes do que nascimentos entre as crianças estritamente americanas, de modo que, à parte a imigração e os nascimentos de filhos de origem estrangeira, a população de Massachusetts está diminuindo rapidamente. * * A taxa de natalidade no Estado de Nova York mostra o mesmo fato, que as famílias americanas não crescem em nada, e a inspeção dos registros em outros Estados mostra que a mesma observação se aplica a todos.' ¶
O Bispo Coxe, da Igreja Episcopal Protestante de Nova York, numa carta pastoral a seu rebanho, escreve: 'Já adverti anteriormente meu rebanho contra a culpa de sangue do infanticídio pré-natal. Se dúvidas existiram anteriormente quanto à propriedade de minhas advertências sobre este assunto, elas devem agora desaparecer diante do fato de que o próprio mundo começa a se horrorizar com os resultados práticos dos sacrifícios a Moloque, que profanam nossa terra. Novamente vos advirto que aqueles que praticam tais coisas não podem herdar a vida eterna. Se há uma condenação especial para os que derramam sangue inocente, qual deve ser a porção daqueles que não têm misericórdia de sua própria carne.' ¶
O Dr. Cowan, doutor em medicina, escrevendo sobre o que chama de 'O Assassinato dos Não Nascidos', diz: 'Que este crime não é apenas generalizado neste grande continente, mas está rapidamente aumentando, temos o testemunho de médicos, cujas investigações têm sido minuciosas, e cuja posição social e integridade não podem ser questionadas.'" ¶
O Presidente Taylor continuou: ¶
Refletindo sobre os detalhes nauseantes acima, e examinando cuidadosamente os registros irrefutáveis das estatísticas prisionais, observo deliberadamente o peso do testemunho fornecido por uma hoste de seus homens mais honrados e confiáveis no leste, a quem presto toda honra, que calma e deliberadamente os declaram "uma nação de assassinos", "os matadores dos inocentes", os que consomem a própria carne, em conexão com este terrível registro que temos em nossas cidades proeminentes, exibido diante de nossos olhos, seus antros de infâmia e crime, impudentemente e sem pejo desfilados diante de nós, e enfiados bem debaixo de nosso nariz. Ao olhar para essas coisas, pergunto a mim mesmo se a depravação humana pode descer mais baixo, e vem a humilhante resposta, sim! sim!! sim!!! A pergunta que surge é: em quê? A natureza mais condenável deste registro é que se procura atenuar esses crimes por meio de lei injusta, feita ostensivamente para punir o crime, mas na verdade para perverter a justiça e proteger a falsidade, a chicanice e a intriga. Temos uma administração local que estabelece juramentos de teste para tentar encobrir os crimes de seus amigos, e proteger prostitutas, fornicadores e adúlteros, e tornar crime aquilo que em lugar nenhum é proclamado crime pelo Todo-Poderoso. E então temos essas paredes caiadas e sepulcros pintados que, sob a aparência de protetores da virtude e defensores e advogados da pureza e da reforma moral, trazem todo o peso de sua influência e posição para se voltarem contra a inocência, a virtude e a integridade. Certamente, como se diz, a justiça caiu na rua, a retidão permanece longe, e o juízo não pode entrar. Mas e nosso povo? Com todas as suas fraquezas, tolices e imperfeições, das quais nós, como povo, temos muitas aos olhos de Deus, ainda assim estão, na balança de uma equidade imparcial perante a lei, segundo o registro, dez vezes superiores a nossos acusadores; mas, quanto aos pontos de prostituição, meretrício, jogo e outros vícios, sem mencionar os terríveis crimes de feticídio e infanticídio, nada temos a ver; estas são apenas instituições deles, e não nos pertencem. ¶
Mas poder-se-ia argumentar: não se espera que o executivo e o judiciário administrem a lei tal como a encontram? Certamente; e, se se limitassem a isso, todos os homens honrados os apoiariam. Mas os governadores não estão autorizados em lugar algum a introduzir juramentos de teste, em violação da lei, para proteger os espoliadores da virtude, o bordel e o adúltero; nem se exige do judiciário, no exercício de sua função legal, que ignore os precedentes dos tribunais, nem que sancione a composição de júris manipulados. ¶
Mandei ler essas coisas por mais de um motivo. Primeiro, para mostrar a hipocrisia daqueles que vêm aqui nos ensinar moralidade, e que proscrevem os atos de um povo puro e diligente que habita nestas montanhas. E, por outro motivo, para proteger nossos irmãos e irmãs das investidas de tais demônios em forma humana como as pessoas aqui mencionadas. Não podemos ter, e não teremos, adúlteros e adúlteras entre nós, muito menos teremos aqueles que, por assassinato, mancham sua consciência e se condenam para sempre. Vocês, irmãs, protejam-se contra essas infâmias, ou se afundarão, cada vez mais fundo, em poços de infâmia e ruína que jamais sonharam. Não me admiro de que os profetas se tenham expressado tão fortemente quanto o fizeram a respeito dos acontecimentos que hão de sobrevir ao mundo. Lembro-me de que, há uns 30 anos, havia um de nossos irmãos numa cidade do leste; ouvi um relato de que sua esposa estava envolvida em algo desse tipo. Perguntei-lhe se era verdade. Ele disse que era. Não sei se em toda a minha vida senti tal repugnância por um ser humano como senti por ela. Preferiria ter tocado numa cascavel a ter tocado em sua mão. E sinto o mesmo hoje. Não podemos nos degradar com essas práticas demoníacas. Nem todos são culpados; pois, como já disse com frequência, há milhares e milhões de homens e mulheres honrados por toda esta terra. Mas esses males que existem nesta e em outras nações são quase terríveis demais para se falar deles; contudo, é necessário que sejam apresentados a vocês, Santos dos Últimos Dias, para que se lembrem do poço de onde foram cavados, e da rocha de onde foram talhados; para que apreciem, em alguma medida, as bênçãos que desfrutam, e sua liberdade dessas infâmias nesta terra de Sião. E digo a vocês, bispos -- se encontrarem adúlteros e adúlteras na Igreja, desliguem-nos; não podem se associar com os Santos dos Últimos Dias. ¶
Outra coisa: recentemente fui chamado como testemunha -- talvez vocês tenham visto algum relato disso nos jornais -- e quero dar alguma explicação a respeito dos assuntos que então apresentei, porque não são geralmente compreendidos: fui obrigado a divulgar certas coisas. Não as sabia, para divulgá-las. Talvez alguns de vocês tenham tido pessoas que lhes vieram com suas confidências. Eu já tive. Mas não quero ser confidente. Por quê? Porque, se me fizessem confidente, e eu fosse chamado perante um tribunal, não poderia, como homem honrado, revelar suas confidências, e, contudo, dir-se-ia que eu era um transgressor da lei; mas nenhum homem honrado pode revelar confidências que lhe foram confiadas. Por isso, digo-lhes que guardem seus próprios segredos, e se lembrem do que se chama o credo mórmon, "Cuide de sua própria vida". Não quero saber os segredos das pessoas, aqueles que não posso contar. E não pude contar muita coisa àquele tribunal; pois evitei cuidadosamente saber mais do que pudesse evitar sobre tais assuntos. Fui questionado a respeito de nosso templo, o que, é claro, não pude divulgar. Fui questionado a respeito de registros que não pude lhes contar, porque não sabia. Evitei cuidadosamente adquirir conhecimento desses assuntos. Eles não construíram nossos templos. Jamais tivemos nenhuma revelação de Deus, por meio deles! Podemos ter tido do diabo [risos], mas jamais tivemos revelações de Deus por meio deles. E penso que há algumas coisas que temos o direito de guardar sagradamente em nosso próprio peito. Diz-se-nos: "O segredo do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes mostrará o seu convênio." Ora, se o Senhor me confiasse um segredo, não creio que o contaria a ninguém; não creio que o faria, a menos que Ele mo dissesse. Então, não quero saber os segredos de vocês. Fui perguntado se certas ordenanças poderiam ser realizadas em diferentes lugares. Disse-lhes que sim, sob certas circunstâncias. "Onde", perguntaram-me -- "em algum lugar além dos templos?" Sim. Em algum lugar além da Casa de Investidura? Sim. "Onde, em alguma outra casa?" Em outra casa, ou ao ar livre, conforme as circunstâncias pudessem exigir. Por que disse isso? Não é um templo o lugar apropriado? Sim; mas se diz, em nossas revelações relativas a esses assuntos: ¶
"Em verdade, em verdade vos digo que, quando eu dou um mandamento a qualquer dos filhos dos homens de fazer um trabalho ao meu nome, e esses filhos dos homens usam toda a sua força e tudo o que têm para realizar esse trabalho, e não deixam de ser diligentes, e são atacados por seus inimigos e impedidos de realizar esse trabalho, eis que me convém já não requerer das mãos desses filhos dos homens o trabalho, mas aceitar suas ofertas." ¶
Assim, sob tais circunstâncias, percebemos que nossas operações em outro lugar serão todas corretas; não faz diferença. É a autoridade do sacerdócio, não o lugar, que valida e santifica a ordenança. Perguntaram-me se as pessoas poderiam ser seladas fora dos templos. Sim. Poderia ter-lhes dito que fui selado fora, e muitos outros também. ¶
Quero mostrar-lhes um princípio aqui, vocês, Santos dos Últimos Dias. Quando perguntaram a Jesus se Ele achava próprio que Seus discípulos colhessem espigas no dia de sábado, Ele lhes disse: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado." Que mais? Direi que o homem não foi feito para os templos, mas os templos foram feitos para o homem, sob a direção do sacerdócio, e, sem o sacerdócio, os templos não valeriam nada. ¶
Falo dessas coisas para sua informação: mas os homens não estão autorizados a agir tolamente a respeito desses assuntos. Os templos são lugares apropriados para muitas ordenanças, e, entre essas ordenanças, a do matrimônio; mas, então, se somos interrompidos por homens que não conhecem nossos princípios, tudo bem, isso não impedirá a obra de Deus, nem interromperá a realização das ordenanças. Deixem-nos fazer seu trabalho, e procuraremos fazer o nosso. ¶
Enquanto eu estava no tribunal, há poucos dias, e contemplava a assembleia de juízes, advogados, oficiais de justiça, testemunhas, espectadores, etc., muitas reflexões de caráter bastante peculiar passaram por minha mente, algumas das quais aqui repetirei. ¶
Não pude deixar de pensar, ao contemplar a cena, que não havia necessidade alguma de tudo isso; essas partes não precisavam ter se colocado neste peculiar dilema. Havia ali um jovem abençoado com mais que inteligência comum, gozando, entre todos os que o conheciam, de uma reputação das mais invejáveis de virtude, honestidade, sobriedade e todas as demais características desejáveis que costumamos supor formam um homem respeitado e amado, em todo o mundo civilizado. Fora educado, desde a mais tenra infância, na criação e na admoestação do Senhor; frequentara Escolas Dominicais e Sociedades de Melhoramento dos Rapazes, onde sua conduta fora das mais agradáveis; mais que isso, alguns anos atrás, ainda bastante jovem, demonstrara sua devoção à fé em que fora criado, saindo sem bolsa nem alforje, para pregar, no meio dos incrédulos, as doutrinas de uma fé das mais impopulares. E, ao chegar a este ponto de minhas reflexões, minha mente instintivamente vagueia até um monumento que contemplei no cemitério da Cidade de Salt Lake apenas alguns dias atrás. Aquele monumento registra, em palavras próprias de respeito e admiração, a devoção de dois jovens missionários num distante Estado do sul, um dos quais caíra vítima da violência de uma turba, tendo selado com seu sangue o testemunho que dera, o outro permanecera junto dele nessa hora de grave necessidade, e resgatara seu corpo dilacerado, trazendo-o em segurança por milhares de quilômetros até o lar de seus pais enlutados e de seus correligionários pesarosos. Este jovem heroico é aquele agora processado perante os tribunais de seu país, por uma suposta ofensa contra a moralidade da época. Supondo que os relatos a seu respeito se provassem corretos, e ele de fato tivesse uma esposa plural, qual seria então a situação? Ele, desde que consegue se lembrar, fora ensinado a reverenciar a Bíblia como a palavra de Deus, a reverenciar as vidas e os exemplos dos antigos varões que Jeová honrou, fazendo-os Seus confidentes, e revelando-lhes os segredos de Seus desígnios divinos; lera a respeito de um que foi chamado "o amigo de Deus, e o pai dos fiéis", de outro que se disse ser "um homem segundo o coração de Deus"; de um terceiro que, em todas as coisas, se diz ter feito a vontade do Céu, e assim por diante, até que se pudessem contar às dezenas; contudo, todos esses homens, os amigos, associados e confidentes do grande Criador do céu e da terra, eram homens com mais de uma esposa, alguns com muitas esposas, e ainda assim possuíam, e se regozijavam, no amor e na honra do grande Juiz de todo o mundo, cujos juízos são todos justos, e cujas palavras são todas retidão. Este jovem é acusado de seguir esses exemplos dignos; afirma-se que tomou por esposa uma jovem bela e virtuosa, pertencente, como ele, a uma de nossas famílias mais respeitadas, e que também crê na Bíblia, e no exemplo dado por aquelas santas mulheres de outrora, tais como Raquel, Rute, Ana e outras, que honraram a lei de Deus, e se tornaram mães de profetas, sacerdotes e reis. E, à medida que minhas cogitações prosseguiam, pensei: que necessidade tinham esses dois de seguir tais exemplos de uma era passada; por que não andar no caminho do mundo de hoje; unir-se à nossa civilização cristã moderna, e, se a paixão guiava suas ações, por que se chamarem um ao outro de marido e esposa, por que santificar suas associações com alguma cerimônia sagrada; havia necessidade alguma disso? Por que não fazer como dezenas de milhares de outros fazem, viver na condição de amor ilícito? E então, se algum filho fosse temido dessa união não santificada, por que não continuar seguindo nossos exemplares cristãos, remover o embaraço fetal, chamar alguns dos imitadores de Madame Restell, os abortistas, homens e mulheres, que poluem nossa terra, o que teria sido sub-rosa, elegante, moderno, respeitável, cristão, como o cristianismo se apresenta nesta geração. E, se isso não desse certo, o jovem poderia ter lançado sua vítima à rua para perecer, ou morrer de contaminação, como se faz em dezenas de milhares de casos, da maneira mais santificada, pelos hipócritas de hoje. Então, em qualquer um desses casos, o jovem cavalheiro poderia ter sido recebido na boa sociedade, ser mimado e aplaudido; poderia ocupar um cargo em nosso governo, ser até um vice-marechal, escrivão ou o que fosse, e, mais ainda, ser capaz de responder a todas as perguntas necessárias; e ser admitido como grande jurado sem ser trazido como escória de um sorteio aberto, mas como cidadão respeitável no painel regular. Ou, novamente, esses dois, no caso de nascer um filho, poderiam confiá-lo aos cuidados de alguma megera degradada, alguma criadora de bebês, onde, gradual e silenciosamente, sua vida inocente se esvairia, e, com o tempo, os pais aflitos receberiam o aviso antecipado de que seu querido pequenino, apesar de todo cuidado, estava morto e sepultado. Este é um crime respeitável, um crime cometido principalmente por aqueles que frequentam igrejas de alto tom e salões de reunião elegantes, em veludos e plumas, em sedas e cetins, e que, com olhos erguidos e voz hipócrita, insultam a majestade do Céu, resmungando: "Senhor, tende misericórdia de nós, miseráveis pecadores." Contudo, são assassinos -- assassinos da pior espécie, derramadores de sangue inocente, consumidores de sua própria carne, a quem a vingança de Deus aguarda. Contudo, este jovem e esta jovem poderiam ter feito tudo isso, e nenhum oficial de justiça, com pés apressados, teria perseguido seus passos, nenhum grande júri manipulado, com unânime prontidão, faria a vontade de promotores excessivamente zelosos; nenhum juiz federal derrubaria precedentes, ignoraria a lei, desrespeitaria a justiça de propósito para condenar. Não, poderiam então ter sido amigos, associados, companheiros de juiz e promotor, governador e comissário: mas agora, como não se associaram iniquamente, nem tomaram meios de destruir os resultados de sua união, mas vivem honesta e virtuosamente, como se alega, como marido e mulher, ele está diante do banco dos réus, acusado de uma ofensa contra a dignidade dos Estados Unidos, e, para condená-lo, leis opressivas, administradas de maneira ainda mais opressiva, são postas em prática com toda a engenhosidade que a malícia pode conceber e o ódio adotar. E ali, nesta posição ignominiosa, ele permanece, com toda pessoa que pudesse ser sua amiga excluída do júri, sem a possibilidade de um julgamento justo por seus pares, nenhum dos integrantes do painel tendo a menor simpatia por ele: e por tais pessoas este infortunado jovem cavalheiro tem de ser julgado, condenado, processado, proscrito e sentenciado, por causa de sua firme e inabalável fé no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, de Davi, Salomão, e numerosos outros homens tementes a Deus e honrados que, como Ele, desprezaram a hipocrisia e o falso moralismo de um mundo ímpio, e ousaram obedecer às ordens de Jeová. Dessas coisas aprendera pela Bíblia, na Escola Dominical; não é de admirar, então, que nossos pretensos reformadores estejam tão ansiosos por excluir a Bíblia de nossas escolas distritais, pois seus ensinamentos e exemplos condenam tão enfaticamente as teorias em que se baseiam os atos e a legislação do Congresso, bem como o rumo seguido por aqueles que procuram ajudar na regeneração de Utah, ora acrescentando à lei, ora subtraindo dela, conforme melhor sirva para proteger suas próprias práticas corruptas, ou, por outro lado, por meio de procedimentos extrajudiciais, sob o manto da lei, pervertem-na, para perseguir e processar os mórmons. ¶
E onde se deu esta cena? Nos suntuosos palácios de Belsazar, cercado por suas esposas, concubinas e nobres, e onde se viu escrito nas paredes: "Mene, mene, tequel, ufarsim"? Não. Foi na destruição das cidades de Sodoma e Gomorra, quando não se puderam encontrar dez justos para desviar a ira de um Deus ofendido, ou em Pompeia ou Herculano, que, por sua vez, por suas práticas libidinosas e iníquas, como Sodoma e Gomorra, sofreram a vingança do fogo eterno? Não. Foi nas saturnais dos bacanais da antiga Grécia e Roma? Não. Aquelas nações há muito foram derrubadas, e hoje só são conhecidas por alguns leitores de história antiga. Foi durante o reinado da primeira república francesa, quando elevaram uma prostituta à condição de deusa da razão? Não. Foi nos dias da inquisição, quando o cavalete, a forca, o feixe de lenha e as chamas eram postos a serviço para forçar vítimas relutantes a testemunhar sobre coisas que sua consciência proibia, e que pereceram aos milhares por ousarem pensar e agir, e crer em Deus e adorá-Lo segundo os ditames de sua consciência? Não. Foi sob a influência de Baco, ou nas festas noturnas exibidas em Roma sob Nero? Não. Esta cena se deu em pleno dia, no século XIX, no ano de nosso Senhor de 1884, no Tribunal Federal, na Cidade de Salt Lake, num tribunal presidido pelo Juiz Zane, Juiz Presidente dos Estados Unidos no Território de Utah, auxiliado pelo Promotor Público Dickson, e pelos demais agentes da lei, e na presença de várias centenas de cidadãos americanos. Para com esses senhores, pessoalmente, não tenho nenhum ressentimento, nenhuma queixa a fazer. Entendo que gozam da reputação de serem homens instruídos e honrados em todos os outros assuntos. Mas estão numa posição infeliz; representam uma causa tão baixa, que é impossível olhá-la sem repugnância e comiseração; representam uma necessidade política, uma exigência partidária, é preciso fazer capital político por meio da perseguição e do processo de cidadãos americanos que abraçaram uma fé impopular, e eles são as ferramentas com que se há de fazer o trabalho imundo, desprezível e bárbaro. Não invejo seu ofício. Não tenho desejo algum de estar em seu lugar. Que minha obra seja fazer a vontade de Deus, edificar a verdade, a virtude, a retidão, a honra e a paz sobre a terra, e eles que continuem, se assim preferirem, na infeliz obra que seu partido lhes designou. ¶
Antes de terminar, direi que não falei sobre este assunto com nenhum sentimento de acrimônia em meu coração para com as partes envolvidas nesses procedimentos. Alguns dos cavalheiros nele envolvidos, em outros aspectos, gozam de excelente reputação. Direi ainda que nós, como Santos dos Últimos Dias, temos frequentemente ouvido relatar e reiterar em nossos ouvidos que o mundo estava ficando cada vez pior, enganando e sendo enganado, e que ficaria cada vez pior. Portanto, não precisamos nos surpreender ao ver o cumprimento dessas coisas. Além disso, desejo declarar especificamente que, embora essas abominações existam e esses atos de injustiça ocorram, deixamos que os perpetradores desses atos sigam seu próprio caminho vão. Mas cabe a nós zelar bem contra as inovações dos corruptos e dos intrigantes; cabe a nós zelar bem por nossas liberdades; e então cabe a nós tratar honrada, correta e adequadamente todos os homens e mulheres honrados. Embora milhares estejam envolvidos em cometer esses crimes, demasiado terríveis para se refletir sobre eles: ao mesmo tempo há milhares e milhões de homens e mulheres honrados por todas as nações, e muitos deles entre nós. Não os classificamos com os corruptos, os libidinosos e os assassinos; embora, de nossa parte, devamos ser muito cuidadosos com nossas associações, e conhecer o caráter daqueles que recebemos em nossas casas, ou permitimos que nossos filhos se associem. ¶
Que Deus os abençoe e os conduza nos caminhos da vida; e, enquanto outros procuram exaltar o crime e o assassinato a uma bela arte, e louvar essas práticas libidinosas; e enquanto temos juramentos de teste formulados com o propósito de proteger o adúltero e a adúltera; e enquanto homens honrados são impedidos, ou voluntariamente se abstêm, de votar, e meretrizes e fornicadores, e homens que traem suas esposas e se associam com outras mulheres, são considerados homens honrados e protegidos pelas autoridades deste Território, cabe a nós nos protegermos contra tudo o que é impróprio, e sermos puros, especialmente vocês que carregam os vasos do Senhor. Que Deus os abençoe, e os conduza nos caminhos da vida, em nome de Jesus. Amém. ¶