Pulpit

O Poder de Deus Manifestado na Coligação dos Santos—Propósitos da Coligação—Antagonismo de Satanás à Obra de Deus

George Q. Cannon

1884-08-23

Ocupamos uma posição muito peculiar como povo. Nossa posição não se assemelha à de nenhum outro povo sobre a face da terra de que tenhamos conhecimento. Deus comunicou Sua mente e vontade aos filhos dos homens, e isso nos foi dado a conhecer. Outros a ouviram tão bem quanto nós; mas distinguimo-nos deles por nossa recepção dessa palavra, nossa disposição de lhe obedecer, e assim estamos reunidos como estamos neste lugar e em outros povoados que os Santos formaram, não com o propósito, em primeiro lugar, de ganhar dinheiro e melhorar nossa condição, mas com o propósito de guardar os mandamentos de Deus e caminhar de acordo com as revelações que Ele nos deu. Fomos reunidos por extraordinárias manifestações de poder. O mundo não viu, e não pode ver, essas manifestações, pela razão de que seus olhos estão fechados pela incredulidade, e seus corações endurecidos pela mesma causa. As providências de Deus não são percebidas por eles. Não distinguem a mão e o poder de Deus nos acontecimentos que estão se dando. Não obstante, fomos reunidos. Cada um dos que estão aqui, trazidos das nações, foi trazido por manifestações, pode-se dizer, de poder miraculoso. Ele realizou, em nosso caso ou casos, aquilo que foi previsto pelos santos profetas desde o princípio. É uma obra maravilhosíssima, a coligação deste povo, tal como se encontram aqui, hoje, nestas montanhas. O modo pelo qual o Espírito de Deus tem sido derramado sobre o povo que recebeu o Evangelho, e o modo pelo qual foram movidos a abandonar seus antigos lares e antigas associações, e a separar-se de amigos e parentes, e a mover-se para o meio de um povo com quem não estavam familiarizados, e para uma terra da qual tinham pouco conhecimento — esta é a maravilha que se está operando no meio das nações da terra. Muitas pessoas pedem milagres, e suplicam aos Élderes, quando estes saem, que lhes mostrem um sinal para provar-lhes que são de fato os servos autorizados de Deus. Aquilo que contemplamos hoje nestas montanhas é um dos maiores sinais, é um dos maiores milagres que jamais se viu ou se exibiu entre os filhos dos homens. Podeis ler todos os registros que temos, sejam sagrados ou profanos, e não há nada que se aproxime desta obra em que estamos empenhados, e daquilo que foi realizado pelo derramamento do Espírito de Deus sobre o povo entre as várias nações. Onde, na história de nossa raça, aconteceu algo semelhante ao que testemunhamos? Onde, desde o princípio, um povo foi reunido dentre todas as nações da terra — movido por um impulso comum, um impulso simultâneo, um impulso do mesmo caráter, impelindo-os, em cada terra onde receberam o Evangelho eterno, a coligar-se a uma terra estranha, tal como os Santos dos Últimos Dias estão sendo coligados a esta terra? Nenhum ímã jamais atraiu ou puxou para si aquilo com que tem afinidade, com maior poder do que tem o Evangelho do Senhor Jesus Cristo atraído para si, do meio das várias nações, aqueles que têm afinidade com a verdade. Tem sido irresistível em seus efeitos. Não bem soou aos ouvidos dos eleitos de Deus por todos estes Estados Unidos, por todo o Canadá, por todas as várias ilhas do mar, no continente da Europa, e na longínqua Ásia, África e Austrália — não bem foram proclamadas as boas novas de salvação pelos servos de Deus, sob os auspícios do Todo-Poderoso, do que surgiu, no coração daqueles que assim ouviram a verdade, um desejo irreprimível e irresistível de deixar suas terras natais e identificar-se com o povo de Deus nestas regiões remotas, nestas Montanhas Rochosas. Para mim, quando o contemplo, parece-me esta a obra mais maravilhosa que já se realizou entre os filhos dos homens desde o princípio. Não há nada que possamos ler nos tratos de Deus com os filhos dos homens que se compare, em magnitude e em seus maravilhosos efeitos, com esta obra com a qual estamos identificados. E, contudo, os homens pedem uma evidência a respeito da verdade desta obra! Pedem sinais e milagres, como se houvesse algum milagre que pudesse ser operado diante de nossos olhos que se comparasse na menor medida a esta grande e miraculosa obra que se está realizando diante de nossos próprios olhos, e que nós mesmos estamos ajudando a levar a efeito. Não é como se o povo de uma nação estivesse sendo reunido, ou o povo de uma localidade estivesse sendo movido; mas em toda terra, em toda língua, entre toda raça e em toda nacionalidade por toda a terra, de polo a polo, de leste a oeste, de norte a sul, onde quer que os Élderes da Igreja tenham levado este Evangelho nestes últimos dias, e o som dele tenha saudado os ouvidos dos filhos dos homens, foram movidos desta maneira mais extraordinária, e atravessaram mar e terra, sem hesitar, sem vacilar, sem duvidar, e vieram associar-se no lugar que Deus designou como o lugar da coligação. Deus tem cumprido de modo maravilhosíssimo as promessas que fez em dias antigos a Seus servos a respeito desta dispensação dos últimos dias, e maravilhosíssimo tem derramado Seu espírito e Seu poder sobre os habitantes da terra, para fazê-los contribuir, por suas ações, para o cumprimento destas notáveis predições que foram proferidas milhares de anos atrás. Não há um Santo dos Últimos Dias ao alcance de minha voz, nesta manhã, que tenha sido assim movido, que não seja testemunha de Deus neste assunto, e uma evidência viva daquilo que Deus tem feito e está fazendo, porque cada um conhece o caráter da influência que operou sobre sua mente para trazer a efeito esta ação que resultou na coligação de si mesmo e do resto do povo.

Ora, meus irmãos e irmãs, tem havido um propósito nisto. Deus não desceu Ele mesmo do céu e Se revelou com Seu Filho Jesus Cristo em vão. Deus não enviou anjos do céu em vão. Deus não derramou este Espírito a que me referi sobre todos os habitantes da terra que estiveram dispostos a receber a verdade, em vão. Há um propósito tão antigo quanto o próprio homem, e quanto a própria terra, ao reunir-nos desta maneira, nesta condição, nestes vales, e esse propósito não tem sido que devêssemos quebrantar as leis de Deus, ou que devêssemos identificar-nos novamente com o mundo de onde fomos coligados. Isso certamente não tem sido o objetivo que Deus teve em vista ao realizar estas grandes obras; mas foi que devêssemos tornar-nos um povo distinto, um povo adquirido, um povo a quem Ele pudesse usar segundo Sua mente e vontade, e por meio do qual pudesse realizar Seus poderosos, Seus maravilhosos e Seus admiráveis propósitos. Esse é o objetivo que Ele teve em vista ao reunir-nos — separar-nos de Babilônia. É com esse propósito que o espírito tem repousado sobre o povo, sob cuja influência ele se coligou a estes vales, tão admiravelmente adaptados como lar para os Santos dos Últimos Dias, tão isolados do resto do mundo, que foram reservados até este dia tardio para que nós, como povo, os habitássemos. Se Deus tivesse designado de outro modo, Ele nos teria deixado permanecer dispersos entre as nações da terra; Ele nunca nos teria coligado; nunca teríamos tido esse espírito repousando tão poderosamente, e, como disse, tão irresistivelmente sobre nós; teríamos permanecido nas terras onde o Evangelho nos encontrou, a nós e a nossos pais; ainda estaríamos ligados ao povo de onde fomos coligados. Mas esse não foi o desígnio. Claramente escrito, tão claramente escrito quanto a luz do sol que contemplamos, tem sido o desígnio de nosso Deus em relação à coligação deste povo, um povo separado de todo outro povo sobre a face da terra — um povo escolhido por Deus, portando Seu nome, tendo em si o Espírito Santo que Ele derramou para nos fazer Seu povo — distinto de todo outro povo e nação — composto de pessoas de toda nacionalidade, mas fundidas juntas pelo poder do Espírito Santo, e feitas um só povo, com uma unidade que não se conhece entre povos ou nações de origem comum.

Não deveríamos, em vista destes fatos que nos são tão bem conhecidos, com os quais estamos tão familiarizados — não deveríamos colocar-nos na posição e continuar a operar na posição que Deus designa? Resistiremos a estas maravilhas que se realizam em nosso favor? Havendo sido assim elevados e coligados, seremos intratáveis e resistiremos aos propósitos de Deus, tão definidamente e tão maravilhosamente manifestos em nossa própria experiência? Se o fizermos, então a condenação do caráter mais terrível recairá sobre nós; porque não podemos dizer que temos sido ignorantes do que Deus tem feito. Como disse, cada Santo dos Últimos Dias que assim foi coligado tem em si mesmo um testemunho de que esta obra é de Deus; que não foi o homem que criou em nós este desejo de nos coligarmos e de nos identificarmos com o povo de Deus. Não é um espírito que veio do homem; não é um espírito que se difunde pela terra por ordem do homem; mas veio do próprio Deus; desceu dEle e repousou, por Seu poder, sobre todos os que o receberam, e cada um que assim foi coligado é testemunha disto. Devemos, então, colocar-nos continuamente na posição em que Deus designa que ajamos, e sermos submissos à Sua vontade.

Temos um adversário oposto a nós que é o mais astuto, o mais manhoso, o mais determinado, o mais inescrupuloso que se possa imaginar, e esse adversário é aquele que foi outrora um grande anjo, que possuía autoridade na presença de Deus. Ele era nosso irmão, sentado lado a lado com nosso Redentor, tendo iguais oportunidades com Ele. Mas ele se rebelou. Voltou-se contra o Pai, porque não pôde ter o que queria. Determinou que derrubaria o trono de seu Pai, e engajou-se numa rebelião para destruir Seus planos, e, por não ter tido êxito, tem buscado, desde aquele dia até este dia, destruir a obra do Pai, e não apenas destruir a obra do Pai, mas destruir a todo aquele que quisesse dar ouvidos ao conselho do Pai. Sobre esta terra ele exerceu, por gerações, grande domínio: seu domínio tem sido quase incontestado, e ele imaginou que ganharia a supremacia na terra, e teria êxito em impedir o Pai de cumprir Seus desígnios a respeito da terra. Portanto, tem buscado, por todos os meios ao seu alcance, destruir a obra do Pai. Derramou o mais precioso sangue que jamais correu nas veias do homem mortal para realizar seus propósitos. Encheu a terra de mentiras. Difundiu toda coisa abominável. Incitou os filhos de Deus, uns contra os outros, e inspirou-os com os mais mortíferos e hostis sentimentos contra tudo o que é santo, e puro, e semelhante a Deus. Faz apenas alguns dias que, inspirados por seu espírito perverso, nossos inocentes irmãos foram cruelmente assassinados, e se ele tivesse poder para tanto, varreria este povo inteiro da face da terra. Se pudesse, nos destruiria a todos, como aqueles Élderes foram destruídos há duas semanas, no Tennessee. É porque não tem o poder que não o faz; é porque nosso Pai e Deus o contém, e o restringe, e domina seus atos, que ele não o faz. A disposição está lá, a disposição de vontade está lá, o espírito assassino está lá, tudo está lá, o que é necessário para realizar isto, exceto o poder para fazê-lo, o qual Deus, em Sua providência, retém ou controla, de modo a impedir seu exercício. Sabemos disso. A experiência de 54 anos nos ensinou isto. Temos este tipo de adversário para enfrentar. Diante disto, qual deve ser nosso rumo? Obediência perfeita, implícita, inquestionável a nosso Pai e Deus. Qual deve ser o rumo de todo Santo dos Últimos Dias? Não devemos, por pensamento, por palavra, por ação, por qualquer exemplo, por qualquer influência, prestar auxílio algum a este ser que se opõe a nosso Deus, e que é nosso inimigo mortal, e o inimigo mortal de todo filho e filha de Deus. É para este propósito que estamos coligados. É para que possamos ser retirados da influência de Satanás. É para que nossa influência esteja do lado de nosso Deus, no estabelecimento da retidão, que estamos coligados. Não poderíamos operar nesta direção com qualquer grau de sucesso se estivéssemos dispersos entre as nações da terra. Nossa influência não seria sentida, seria perdida, não teria efeito algum. É apenas pela concentração, é apenas pela coligação, que podemos realizar os desígnios de nosso Pai e Deus. Olhai para nós hoje. Não somos 250.000 pessoas nestas montanhas, e, contudo, onde está o povo cuja influência se compare com a nossa? Onde está o povo cujos atos e cujos movimentos atraem a atenção que os nossos atraem? Mas dispersai-nos entre as nações, e a que se reduziria nossa influência? Não seria sentida, seria perdida. Mas Deus nos coligou, e Ele visa fazer de nós um grande povo. Preservará Seu Sacerdócio na terra, e seremos vitoriosos sobre nossos inimigos, e nossos filhos, depois de nós, herdarão a terra e o mundo. Estamos lançando o alicerce daquele reino que jamais será destruído, e o Senhor, por fim, reinará imperturbável e incontestado por 1.000 anos. Essa é a promessa de nosso Deus para nós, e é nessa obra que estamos empenhados hoje.

[O acima foi proferido em Smithfield, Condado de Cache, sábado de manhã, 23 de agosto de 1884.]

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “O Poder de Deus Manifestado na Coligação dos Santos—Propósitos da Coligação—Antagonismo de Satanás à Obra de Deus”, (1884-08-23). Pulpit Vault, 1884-08-cannon-the-power-of-god-manifested-in-the-gathering-of-the-saints. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).