Pulpit

Uma Obra Peculiar—A Verdade Combatida em Todas as Épocas—A Verdadeira Religião Nunca Persegue Seus Opositores—O Que a Verdade Tem Custado—Com Deus do Nosso Lado a Vitória É Certa—Os Santos Obrigados a Difundir o Evangelho—Longanimidade Ordenada—Um Povo Construtor de Templos—Sentimento Manifestado para com os Santos—Conflito Civil Está Por Vir

George Q. Cannon

1884-08-31

A obra de Deus, em todas as épocas, tem sido uma obra peculiar, entrando em contato com as ideias populares e com as noções preconcebidas dos homens, e encontrando frequentemente oposição do caráter mais mortífero. Em toda época em que a verdade foi revelada, teve hostilidade a enfrentar. Nenhum grande princípio jamais foi estabelecido entre os filhos dos homens sem custosos sacrifícios. A religião de nosso Senhor e Salvador foi estabelecida ao custo de sangue e vidas preciosos, e pode-se dizer inestimáveis, e tem sido característica da verdade, em toda época, ser odiada e combatida. Se, portanto, nós, como Santos dos Últimos Dias, estamos expostos à oposição e à hostilidade — tendo nosso nome lançado fora como coisa má, e homens pensando que prestam serviço a Deus ao nos matar — isto não é mais do que os homens têm suportado, em gerações passadas, pela verdade, por aquilo que agora se reconhece como a mais pura e mais celestial verdade. É com nossa geração como foi com a geração em que viveu o Salvador, e como tem sido com todas as gerações. A verdade que foi estabelecida tem sido reverenciada, ou os homens pensaram que a reverenciavam, e, ao olharem para trás, para os atos de seus antepassados, ou de outros povos, disseram a si mesmos: "Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos matado os profetas e aqueles que nos foram enviados." Disseram isto no tempo do Filho de Deus, e Ele os repreendeu por essas expressões, e os acusou de serem filhos de assassinos, e de estarem eles mesmos dispostos a praticar os mesmos atos que reprovavam e condenavam em seus pais.

Seria coisa incrível se não o tivéssemos visto e conhecido — que homens e mulheres são perseguidos, em nosso dia e em nosso tempo e em nossa nação, por causa da religião. Fazer tal afirmação alguns anos atrás — meio século atrás, ou pouco mais — teria suscitado incredulidade; os homens não teriam podido conceber a possibilidade de uma igreja, por mais ignorante, por mais desinformada, por mais falsas que fossem suas doutrinas, ser perseguida e seus adeptos mortos porque ensinava doutrinas falsas. Não tem sido o caso, na história de nossa raça, que a verdadeira religião procurasse destruir as religiões falsas, e o defensor de doutrinas falsas, por meio do derramamento de sangue. Nunca foi essa a prática da verdadeira religião, nem daqueles que criam na verdadeira religião. Quão absurdo seria imaginarmos o Salvador e os Apóstolos matando aqueles que discordassem deles em suas opiniões sobre religião! O simples pensamento é abominável para todas as nossas ideias sobre a religião de Jesus. Seria inconcebível que o Filho de Deus, ou Seus Apóstolos, ou qualquer de Seus discípulos, saíssem com a espada, ou com qualquer outra arma de destruição, destruindo aqueles que não criam como eles criam. De fato, nunca foi esse o caso. Não é esse o método que os homens verdadeiros adotam.

Ah! Mas dizem de nós — somos um povo tão perverso, tão desrespeitador da lei, tão fanático e cheio de preconceito, que se justifica matar-nos. É uma terrível confissão a se fazer — que, numa terra de lei, numa terra de princípios constitucionais, numa terra onde os homens podem ser tratados por transgredirem a lei, não haja outro recurso para conter a falsa religião senão a violência e o derramamento de sangue. É uma terrível confissão a se fazer, em nosso tempo — que este seja o único modo de enfrentar as doutrinas falsas, ou de aquietar, ou de pôr fim, ou de vencer aqueles que as propagam.

Ora, meus irmãos e irmãs, ao abraçar o Evangelho de Jesus Cristo, os Santos dos Últimos Dias foram ensinados — e aqueles de nós que eram jovens demais para compreendê-lo no tempo em que entramos na Igreja fomos ensinados quando tínhamos idade suficiente para compreender o princípio — que abraçá-lo poderia custar-nos a vida, que poderia custar-nos tudo o que tínhamos de precioso sobre a terra, e, até aqui, no progresso da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, não temos sido decepcionados. O abraçar e propagar a verdade tem custado sangue precioso, e ela não está sendo estabelecida na terra agora mais do que em qualquer tempo anterior, sem grandes sacrifícios da parte daqueles que são seus devotos. Deus nos porá à prova como povo. Ele nos provará, dar-nos-á a mais ampla oportunidade de mostrar nossa fé nEle, e nossa confiança na verdade que Ele revelou. Deveria valer mais do que tudo o que temos. Não podemos fazer sacrifícios grandes demais por ela. Se olharmos para o exemplo que nos foi dado por nosso Salvador, veremos o caminho em que Ele andou e o que suportou. Quando pensamos em Sua origem, Sua gloriosa origem, o Criador do céu e da terra, um Ser que havia reinado em glória e poder, descendo aqui e Se revestindo da mortalidade, e sofrendo como sofreu, suportando o que suportou, e morrendo a morte ignominiosa que morreu — quando pensamos nEle e em Sua vida, deveríamos estar reconciliados a passar por, e a nos submeter pacientemente a toda provação que o Senhor nosso Deus julgar conveniente chamar-nos a enfrentar. Deveríamos estar dispostos a fazer isso, mesmo que nos custasse nossos lares, como já tem custado, mesmo que nos custasse nossos amigos e nosso bom nome, e até a própria vida. Não é mais do que já custou a outros; e se quisermos entrar na glória que Deus alcançou, se quisermos sentar-nos com Ele e com Seus Apóstolos, e com os fiéis de todas as épocas, deveríamos estar dispostos a suportar o que eles suportaram. Deus nos chama a passar por essas coisas, e a suportá-las por amor à verdade. Há, contudo, esta consolação relacionada com a obra à qual estamos identificados — que Deus fez promessas de que ela jamais será entregue nas mãos de outro povo. Os Apóstolos aguardavam o tempo em que haveria uma grande apostasia, e o homem do pecado seria revelado, e advertiram a igreja de seu tempo a respeito dessa apostasia. Mas Deus nos deu a garantia de que esta Igreja, esta obra que Ele estabeleceu, jamais será entregue nas mãos de outro povo, mas que permanecerá para sempre, e continuará avante, realizando Seus desígnios, até que encha toda a terra. Esta é uma gloriosa promessa que nos foi dada, e a nossos filhos, e nela podemos confiar. Homens podem ser mortos, como já foram; povos podem ser expulsos, como já foram; esforços do caráter mais hercúleo podem ser feitos para extirpar esta obra da terra, mas temos a promessa de nosso Deus de que permanecerá, e de que não será derrubada. E isto é muito consolador em meio às aflições e provações a que seremos chamados, de tempos em tempos, a nos submeter. Olhando naturalmente para as coisas, contudo, pareceria presunçoso, num povo como o nosso, alimentar tais esperanças. Quantas vezes já nos disseram que, dentro de muito pouco tempo, a oposição a esta obra teria um caráter tal que a subjugaria completamente, e que era inútil tentarmos deter a maré de oposição ou sobreviver à tempestade de perseguição que se levantou contra nós.

Mas há um poder maravilhoso na verdade, um poder maravilhoso nos princípios de vida e salvação, e quando Deus está do lado de um povo, por mais fraco que seja, ele está fadado, com o correr do tempo, a ser vitorioso. Já se têm alcançado grandes resultados pela pregação da verdade. Não são apenas os Santos dos Últimos Dias que sentem os efeitos da verdade; outras pessoas sentem seus efeitos, ainda que não a abracem abertamente. A proclamação dos princípios de vida e salvação pelos Santos dos Últimos Dias tem levado milhares de pessoas a reconhecer o erro, muitos erros em que anteriormente criam, e a adotar visões diferentes e mais elevadas, e isto continuará a acontecer.

Mas o dever que nos incumbe, como povo, é trabalhar pacientemente na disseminação do Evangelho de Jesus Cristo por todas as nações da terra. É nosso dever levar estes princípios a toda nação, a toda parentela, a toda língua, a todo povo sobre a face de toda a terra; não apenas aos Estados Unidos, não apenas à Europa, mas à Ásia, à África, e às ilhas do mar, por todo o nosso continente, por estas nações do sul, e, de fato, por toda parte onde residam os filhos dos homens; e levantar uma voz de aviso e declarar aos habitantes da terra que se aproxima o tempo em que os julgamentos e as calamidades de que falaram os Profetas e os Apóstolos estão prestes a ser derramados sobre os ímpios. Este é o nosso dever; e este Evangelho do Reino, como já nos foi dito, deve ser pregado como testemunho a todas as nações antes que venha o fim. É um trabalho que nos incumbe como povo: e embora possa custar muitas vidas preciosas fazê-lo, a obrigação recai sobre nós, não obstante, e só podemos ser dela liberados pelo cumprimento do dever.

Minha mente, enquanto o Irmão Teasdale estava falando, tem-se detido numa revelação que Deus deu por meio de Joseph Smith, nos primeiros dias desta Igreja, na qual Ele descreveu à Igreja o espírito que deveriam ter a respeito das ofensas que lhes fossem infligidas, ou dos males que lhes fossem perpetrados como povo. Somos chamados a ocupar uma posição muito diferente da de qualquer outro povo. Devemos ser amantes da paz. Devemos ser homens que buscam estabelecer os puros princípios da retidão na terra, e cultivar e pôr em prática continuamente o espírito que Jesus procurou inculcar. Sabeis como Ele sentia quando estava na cruz. Disse Ele: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Devemos ter esse mesmo espírito também. Já fomos acusados, eu sei, e acusados com bastante liberdade, de nutrir um sentimento diferente, e de ter sentimentos de vingança e disposição, se tivéssemos o poder, de vingar-nos daqueles que se opõem a nós. Mas se assim fizéssemos, desmentiríamos a nós mesmos e as doutrinas que ensinamos. Privar-nos-íamos do Espírito e das bênçãos de Deus. Ocuparíamos uma posição antagônica àquela que Ele nos ordenou ocupar. O Senhor diz, nesta revelação:

"E quem perder a vida na minha causa, por amor a meu nome, tornará a encontrá-la, sim, a vida eterna.

"Portanto, não temais os vossos inimigos, pois decretei em meu coração, diz o Senhor, que vos provarei em todas as coisas, para ver se permanecereis no meu convênio, mesmo até a morte, para que sejais considerados dignos."

Pareceria estranho que tal linguagem fosse usada nos Estados Unidos, no ano de 1833, a respeito desta Igreja. O Senhor sabia, contudo, o espírito com que este povo e a proclamação desta verdade seriam recebidos, e advertiu Seu povo de que seriam considerados dignos, ou antes, que seriam fiéis mesmo até a morte. Diz a revelação:

"Porque se não permanecerdes em meu convênio, não sereis dignos de mim.

"Portanto, renunciai à guerra e proclamai a paz; e procurai diligentemente voltar o coração dos filhos para os seus pais e o coração dos pais para os filhos;

"E também o coração dos judeus para os profetas e os profetas para os judeus; para que eu não venha e fira toda a Terra com uma maldição e toda carne seja consumida diante de mim."

"Agora, falo-vos com respeito às vossas famílias: Se os homens vos ferirem ou às vossas famílias uma vez, e suportardes isso pacientemente, e não os injuriardes nem procurardes vingança, sereis recompensados;

"Mas se não suportardes isso pacientemente, será considerado uma medida justa contra vós.

"E também, se vosso inimigo vos ferir a segunda vez e não injuriardes vosso inimigo e suportardes isso pacientemente, vossa recompensa será centuplicada.

"E também, se ele vos ferir a terceira vez e suportardes isso pacientemente, vossa recompensa será quatro vezes duplicada;

"E estes três testemunhos levantar-se-ão contra vosso inimigo, se ele não se arrepender; e não serão anulados.

"E agora, em verdade vos digo: Se esse inimigo escapar à minha vingança, de modo que não seja levado a julgamento perante mim, então o advertireis em meu nome, para que não mais vos ataque, nem vossa família, nem mesmo os filhos de vossos filhos até a terceira e a quarta geração.

"E então, se ele vos atacar, vós, vossos filhos ou os filhos de vossos filhos até a terceira e a quarta geração, entregá-lo-ei em vossas mãos;

"E então, se o poupardes, sereis recompensados por vossa retidão; e também vossos filhos e os filhos de vossos filhos até a terceira e a quarta geração.

"Contudo, vosso inimigo está em vossas mãos; e se o recompensardes de acordo com suas obras, estareis justificados; e se ele procurou tirar-vos a vida e vossa vida estiver em perigo por causa dele, vosso inimigo encontra-se em vossas mãos e estais justificados.

"Eis que essa é a lei que dei a meu servo Néfi e a vossos pais, José e Jacó e Isaque e Abraão, e a todos os meus antigos profetas e apóstolos.

"E também, esta é a lei que dei a meus antigos: Que não saíssem para batalhar contra nenhuma nação, tribo, língua ou povo, a não ser que eu, o Senhor, lhes ordenasse.

"E se qualquer nação, língua ou povo declarasse guerra contra eles, deveriam primeiro mostrar um estandarte de paz a esse povo, nação ou língua;

"E se esse povo não aceitasse a oferta de paz, nem a segunda nem a terceira vez, eles deveriam levar esses testemunhos ao Senhor;

"Então eu, o Senhor, lhes daria um mandamento e justificaria os que saíssem para batalhar contra essa nação, língua ou povo.

"E eu, o Senhor, lutaria suas batalhas e as batalhas de seus filhos e as dos filhos de seus filhos, até que se tivessem vingado de todos os seus inimigos até a terceira e a quarta geração.

"Eis que isto é um exemplo para todos, diz o Senhor vosso Deus, de justificativa perante mim."

Esta revelação continua nesse tom, e é bem digna de nossa atenção, especialmente no tempo presente. Mostra-nos com toda clareza, meus irmãos e irmãs, que não há lugar para vingança no coração de um verdadeiro Santo dos Últimos Dias. Deus designa que sejamos um povo pacífico, um povo que ame e cultive a paz, um povo que procure, por todos os meios ao seu alcance, evitar a guerra e o derramamento de sangue, proclamar a paz, e suplicar ao povo pela paz; e Deus nos disse, da forma mais enfática, que lutaria nossas batalhas, que nos defenderia contra nossos inimigos. Ele não pretende que os Santos dos Últimos Dias sejam um povo que derrame sangue. Deus não permitiu que Davi, homem segundo Seu próprio coração, construísse o templo em Jerusalém, porque era homem de guerra, mas concedeu a seu pacífico filho Salomão, que foi um governante pacífico e não teve ocasião de lutar — concedeu-lhe o privilégio de construir Seu santo templo. Somos um povo construtor de templos. Deus nos deu uma missão desse tipo, edificar templos nos quais realizaremos as ordenanças de vida e salvação, e parece ser conveniente, em Sua providência, que nos abstenhamos de tudo o que nos tornasse impróprios para o desempenho deste elevado e sagrado chamado. Portanto, repito, que, de todos os povos que hoje habitam a face da terra, somos os mais urgentemente requeridos por nosso Deus a sermos amantes e cultivadores da paz, e a não buscar aquela vingança que satisfaz a paixão humana, que não é de Deus, e que se opõe ao Evangelho de Jesus, e aos sentimentos que Jesus invariavelmente inculcou e procurou impor a Seus discípulos. Já temos demonstrado isto repetidas vezes. Quantas vezes teríamos sido movidos à indignação, se tivéssemos deixado que os sentimentos humanos prevalecessem, diante das abomináveis falsidades que têm sido difundidas em nosso meio, fabricadas por homens cujo único objetivo tem sido atrair vingança sobre este povo, excitar os poderes governantes contra nós; incitar ação congressional contra nós, criar opinião pública contra nós, tornar justificável matar-nos, privar-nos de todo direito? Quantas vezes tem sido este o caso? Quão fácil nos teria sido, se tivéssemos seguido as influências que parecem naturais aos seres humanos em tais circunstâncias, vingar-nos deles. Mas, se assim tivéssemos feito, teríamos perdido o cuidado protetor de nosso Pai e nosso Deus. Quando tentamos fazer isto, colocamo-nos fora do âmbito de Sua proteção. Não poderíamos pedir-Lhe (como poderíamos fazer se observássemos Seus mandamentos) aquela proteção e aquela libertação que às vezes é necessária para nos livrar dos perigos iminentes com que somos ameaçados. E é por este princípio, seguindo esta política, adotando este curso pacífico e semelhante a Deus, que este povo tem sido preservado e abençoado até o tempo presente. É um espírito que devemos cultivar, cultivá-lo em todas as nossas associações, em nosso trato uns com os outros, em nosso trato com o mundo, e mesmo com aqueles que estão mais amargurados contra nós. Não nos cabe injuriar o injuriador; não nos cabe trocar epítetos vulgares com aqueles que se entregam a esse modo de guerra; mas nos cabe pôr nossa confiança em Deus, e deixar nossa causa com Ele. Pois não podemos defender-nos com armas terrenas. Somos demasiado fracos. Não somos fortes em número. Não somos fortes em riqueza. Não somos fortes em coisas mundanas. Não temos essas vantagens para nos ajudar e sustentar. Se somos sustentados, devemos ser sustentados pela providência e pelo poder soberano de Deus, nosso Pai Eterno, e não por poder terreno algum. Portanto, nosso caminho de segurança é o caminho que Deus nos apontou; não sermos um povo vingativo, não sermos um povo recriminador, não sermos um povo abusivo, mas sermos um povo manso, um povo longânimo, suportando pacientemente, mas, é claro, não nos sentando ociosos e indolentes, permitindo que se acumule sobre nós o desprezo, sem exercer os poderes que Deus nos deu para dissipar as falsidades. Mas isto pode ser feito no espírito de mansidão, não no espírito de vingança, não no espírito de injúria, não no espírito de hostilidade e ódio. Este espírito é antagônico ao espírito que Jesus possui, e que todos nós deveríamos possuir para sermos como Ele — para sermos preenchidos, como Ele foi, daqueles atributos desejáveis que eram tão aceitáveis ao Pai.

Desejei dizer-vos isto; pois sinto que o tempo presente é ocasião própria para trazermos estas coisas à mente. Há muitos acontecimentos de caráter tal que nos incitam a fazer e dizer coisas indignas de nós. A terra inteira parece estar cheia de falsidade; e, como já disse, muitas pessoas pensam estar prestando serviço a Deus ao nos matar. Já muitos jornais públicos — editores falando pelas colunas de seus jornais — justificaram o assassinato, e disseram que aqueles que o cometeram não eram particularmente culpados. Este espírito está no ar, e, se tivesse o poder, destruiria todo este povo: despovoaria estes vales, derramaria nosso sangue tão livremente quanto o sangue jamais foi derramado nas circunstâncias mais cruéis e desumanas. Sim, correria em riachos por todos estes vales, se alguns homens conseguissem o que querem. Homens, mulheres e crianças seriam visitados por matança indiscriminada, porque, em sua opinião, cremos numa religião falsa. Deus, em Sua misericórdia, contudo, está exercendo poder em nosso favor. Se não o fizesse, qual seria então o nosso destino? Poderia o homem ser nosso amigo? Poderia o homem nos libertar? Poderíamos nós mesmos, por qualquer esforço, por maior ou mais sobre-humano que fosse — poderíamos nós mesmos libertar-nos? Não, não podemos. Permiti-me repetir: Nossa única esperança é nosso Deus; nossa única força está nEle e em Sua providência, e Ele nos libertará. Permiti-me dizer-vos que Ele nunca deixou de nos libertar; e Suas promessas são tão firmes e imutáveis quanto Seu trono eterno. Podemos confiar nEle com a mais absoluta certeza de que não seremos enganados; mas de que, na mais extrema necessidade, na hora mais escura, em meio às mais profundas provações e aflições, Seu braço se estenderá em nosso favor, e Sua providência será exercida para nos salvar e nos libertar. Podemos ficar certos disto. Portanto, por mais escuras que sejam as perspectivas, por mais sombrias que sejam, lembremo-nos de que Aquele que está sentado no alto conhece nossa condição, e que pode nos libertar. Ele intervirá no exato momento em que for necessário, e nos resgatará de todo mal, e derrotará e reduzirá a nada todo plano e artifício urdido contra a paz e a prosperidade daqueles que colocam sua confiança nEle e na grande obra que Ele estabeleceu na terra. Disto posso dar testemunho. Sei do que falo. Sei tão bem quanto sei que estou aqui, e que estou falando convosco, que os Santos dos Últimos Dias, esta Igreja, ou o que chamamos a Sião de nosso Deus, será libertada, e avançará com poderoso vigor, e realizará tudo o que a seu respeito foi predito. Pois virá o dia, e não está longe, em que, em nossa própria nação, haverá conflito civil, haverá contendas domésticas, haverá a retirada da paz, e os homens ainda terão de vir aos Santos dos Últimos Dias em busca daquela paz e daquela liberdade do conflito civil que não se pode encontrar em nenhum outro lugar. Deus revelou isto e o predisse, há mais de cinquenta anos, e, com tanta certeza quanto Ele o predisse, se cumprirá ao pé da letra. Tudo o que temos a fazer é seguir o caminho que Ele nos apontou, guardar Seus mandamentos, deixando os resultados com Ele, e Ele controlará todas as coisas para a glória de Seu nome. Fomos ensinados a crer que virá o tempo em que o governo constitucional será derrubado nesta terra, e que caberá aos Santos dos Últimos Dias sustentar aqueles princípios que Deus inspirou os fundadores deste governo a incorporarem na Constituição; e isto parece estar se aproximando rapidamente. Quando o assassinato pode ser justificado, o assassinato de homens que adoram pacificamente seu Deus, sem ofender ninguém, sem cometer violação alguma da lei ou da boa ordem; quando podem ser abatidos cruel e desumanamente, e seus assassinos serem justificados por esse ato, parece que o tempo em que os princípios constitucionais falhariam está próximo. Mas isto não é tudo. Quando nós, que edificamos este país, e o fizemos aquilo que é pelos sacrifícios que fizemos — vivendo aqui em paz, homens e mulheres dedicando-se industriosamente a suas várias ocupações, não incomodando ninguém, observando toda lei que promove a boa ordem — quando um povo como o nosso, digo, é legislado contra e considerado indigno dos direitos de cidadania, sendo-lhe tirados quase todos os direitos que os homens livres valorizam, e pelos quais os pais de muitos deste povo sofreram e morreram — quando vemos tais atos justificados, e os homens que os praticam pensam que estão cometendo atos que serão aplaudidos por seus constituintes, que devemos concluir? Não deveríamos dizer: Certamente as predições estão se cumprindo, e o tempo se aproxima em que o governo constitucional terá de ser mantido por outras mãos que não as daqueles que agora professam ser seus defensores?

Peço a Deus, o Pai Eterno, meus irmãos e irmãs, que vos encha daquela paz que vem do alto, que vos encha daquela coragem que todo verdadeiro servo e serva de Deus deveria possuir. Peço que Ele vos preserve e vos guarde, para que, em meio a toda provação e aflição, permaneçais inabaláveis na causa de nosso Deus, o que peço em nome de Jesus Cristo, Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Uma Obra Peculiar—A Verdade Combatida em Todas as Épocas—A Verdadeira Religião Nunca Persegue Seus Opositores—O Que a Verdade Tem Custado—Com Deus do Nosso Lado a Vitória É Certa—Os Santos Obrigados a Difundir o Evangelho—Longanimidade Ordenada—Um Povo Construtor de Templos—Sentimento Manifestado para com os Santos—Conflito Civil Está Por Vir”, (1884-08-31). Pulpit Vault, 1884-08-cannon-a-peculiar-work. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).