O Evangelho, Nossa Posição e Nosso Chamado, Etc.
John Taylor
Ocupamos uma posição muito peculiar no mundo, e, em muitos aspectos, diferente da posição ocupada por qualquer povo que atualmente vive sobre a terra. Nossas ideias e opiniões, teorias e doutrinas; nossos princípios e nosso modo de vida em geral são muito distintos dos de outros povos. Vemos as coisas de outro ponto de vista do que o mundo geralmente vê. Nossas ideias baseiam-se na obra que Deus começou, pelo ministério de santos anjos, pela abertura dos céus, pela voz de Deus e pela revelação de Sua vontade à família humana — obra na qual toda a humanidade, quer a compreenda quer não, está muito interessada. Aprouve ao Senhor dar-nos a conhecer certas coisas das quais éramos ignorantes; e certas coisas das quais também o mundo da humanidade é ignorante; e das quais nada sabemos, nem poderíamos saber, senão pela revelação de Deus ao homem. ¶
O evangelho, disseram-nos, "traz à luz a vida e a imortalidade" — vida para nós mesmos, vida para nossas famílias, para nossas esposas e filhos, vida para nossos progenitores e vida para nossa posteridade; e, por conseguinte, está prenhe de acontecimentos maiores do que qualquer coisa que já tenha ocorrido sobre a terra. Ele retrocede, retrocede, retrocede até as eternidades que foram, desvenda coisas que agora existem e estão prestes a cumprir-se, e desenvolve coisas que hão de vir. Por conseguinte, como já disse, estamos numa posição diferente da de outros povos. Não vemos as coisas do mesmo ponto de vista que eles. Temos outras ideias, sentimentos e expectativas, e possuímos outro espírito e princípio de inteligência, diferente daquele geralmente difundido no mundo. Os homens do mundo falam do evangelho, mas não o compreendem. Nós, como Santos dos Últimos Dias, falamos do evangelho, mas compreendemos muito pouco a seu respeito. Somente na proporção em que vivemos nossa religião e possuímos o Espírito Santo é que compreendemos a posição que ocupamos, e não mais do que isso. ¶
Lemos, nas Escrituras, acerca de uma dispensação da plenitude dos tempos, quando Deus reuniria todas as coisas no céu e todas as coisas na terra — isto é, certa dispensação que incluiria tudo o que existiu em outros tempos e em outras dispensações, e que abrangeria numa só dispensação o que se espalhou pelo mundo em diferentes dispensações, desde o princípio dos tempos até o presente. Por isso, este é um assunto que afeta a terra e os céus; é um assunto que interessa tanto aos que estão nos céus quanto aos que estão sobre a terra. Ele remonta ao princípio dos tempos e se estende até a cena final de encerramento de todas as coisas pertencentes a esta terra em que habitamos. Por isso, como disse, ocupamos uma posição muito peculiar diante de Deus e também diante do mundo. O mundo não compreende nossa posição e, por isso, raciocina de modo muito estranho e muito vago a nosso respeito, formando noções muito estranhas sobre nós. Isso não é de admirar. É tanto quanto nós mesmos podemos fazer para compreender nossa posição. É tanto quanto os élderes desta Igreja podem fazer para magnificar seus chamados. É tanto quanto os Apóstolos ou a Presidência da Igreja podem fazer para compreender suas posições, e é preciso vigilância contínua, oração, abnegação própria e devoção a Deus, e a orientação contínua de Seu Espírito, para que possamos compreender o relacionamento que mantemos uns com os outros, com nosso Pai Celestial, com o mundo em que vivemos, com a nação a que estamos associados, com o mundo da humanidade em geral, e os deveres e responsabilidades que recaem sobre nós em relação a todos esses assuntos, tanto para com os vivos quanto para com os mortos. ¶
Temos uma luta a lutar. Temos uma fé pela qual contender. Temos princípios a aprender e a transmitir a outros. Temos nosso relacionamento com Deus, com os santos anjos e com o mundo a manter. Temos deveres e responsabilidades que recaem sobre nós, e que tanto a humanidade quanto nós mesmos compreendemos muito pouco. Geralmente se pensa que, se os homens pudessem, de uma forma ou de outra, assegurar sua salvação e chegar ao céu, como se diz, estariam realizando uma grande obra. Nós, porém, temos muito mais do que isso a fazer. Primeiro, temos de aprender nós mesmos o caminho da vida; e depois ensinar a outros esse caminho. Por isso, que significam nossos Setentas e nossos Sumos Sacerdotes, nossos élderes e nossos Apóstolos, e os homens que possuem o Sacerdócio de Deus? Que significam essas várias missões que empreendem às nações da terra? Que significa nosso ajuntamento aqui, e os esforços que fazemos para esse propósito? Que significa a edificação de templos e o ministrar neles? Que significam algumas dessas coisas das quais começamos a ter um leve vislumbre, referentes a certos deveres e responsabilidades que recaem sobre nós, pertencentes tanto aos mortos quanto aos vivos? Que significam aquelas Escrituras que falam de salvadores no Monte Sião? Que significam nossas dedicações a Deus, e as ordenanças que administramos em Sua casa? Que significa o desenvolvimento daqueles grandes princípios referentes às vidas eternas que começam a penetrar parcialmente em nossas mentes? ¶
O homem é um ser dual. Possui um corpo e um espírito. Está ligado tanto à eternidade quanto ao tempo. Existiu antes de vir para cá. Existe aqui. Existirá depois que sair daqui. Antes de vir para cá, tinha relação com inteligências; aqui a tem, se tão somente cumprir sua parte; e terá relação com elas depois. Estamos aqui numa missão. Em que consiste isso? Eis a questão. Alguns de nós têm de ir até os confins da terra e pregar o evangelho a toda criatura debaixo dos céus. Isso é algo que Deus exige de nossas mãos. Alguns de nós têm de ajudar a estabelecer o Reino de Deus sobre a terra. Alguns de nós têm de ajudar a purificar a Igreja de Deus. Temos agora o mesmo tipo de material que tinham em épocas anteriores para esse mesmo propósito. Em tempos anteriores, Deus colocou em Sua Igreja Apóstolos, Profetas, Pastores, Mestres e Evangelistas, para o aperfeiçoamento dos santos. Esses ofícios eram necessários à Igreja então, e são necessários agora. Todos nós temos nossas loucuras e fraquezas. Todos nós precisamos do auxílio do poder e do Espírito de Deus. ¶
Nós, Santos dos Últimos Dias, às vezes falamos do mundo, e somos muito levianos ao referir-nos às suas loucuras e fraquezas. Temos loucuras suficientes das nossas próprias; e muitas vezes questiono seriamente se eles não vivem tão perto de sua religião quanto nós da nossa. "Como assim", dirá alguém, "não somos um povo muito mais moral do que eles?" Deveríamos ser. Fazemos professões maiores do que eles. Eles não falam em ter revelação. Eles não falam em ter alguma missão especial às nações da terra, e nós falamos. Eles não falam de glória celestial alguma, e nada sabem a respeito dela. Nós professamos saber um pouco a respeito dela. Eles não visam a uma glória celestial, pois não sabem o que ela é; e nós compreendemos muito pouco a seu respeito. Uma coisa sabemos; uma coisa nos é claramente dita, e é que, se não formos governados pela lei celestial e não pudermos observar uma lei celestial, não poderemos herdar um reino celestial. Que é obedecer a uma lei celestial? De onde vem a lei celestial, para começar? Dos céus. Muito bem. Que têm as pessoas daqui, em geral — isto é, os de fora — a ver com isso? Nada. Elas não dizem ter tido revelação alguma. Nenhum princípio desse tipo lhes foi revelado. Elas vivem sob o que se poderia chamar de lei terrestre; e muitas delas, penso eu, dadas as circunstâncias, se saem tão bem quanto nós nas nossas. Professamos estar avançando num plano mais elevado do que elas. Professamos ter saído do mundo; ter-nos separado dos ímpios. Professamos estar sob a orientação de Apóstolos e Profetas, Pastores e Mestres, etc., e viver sob a inspiração do Altíssimo. Elas não professam nada disso. ¶
Estas são algumas das coisas que professamos crer; e algumas das coisas em que o mundo não crê. Temos, porém, o suficiente a fazer, cumprindo os deveres de nosso sacerdócio e chamado, sem nos preocuparmos com as loucuras e fraquezas daqueles que não são dos nossos. Como já disse, eles não professam o que nós professamos. Professamos ser governados por princípios mais elevados e motivos mais nobres, e por ideias mais exaltadas. Procuremos viver à altura de nossa profissão. No que diz respeito ao povo do mundo, eu, por mim, os vejo com muita caridade. Não nutro sentimentos vingativos contra eles. "Bem", dirão vocês, "não têm eles ideias curiosas a respeito de assuntos religiosos?" Sim, têm; mas têm tanto direito às suas ideias quanto eu tenho às minhas. Não tenho o direito de interferir com eles. Têm o direito de adorar o tipo de deus que lhes aprouver, ou da forma que lhes convier. Se um homem quiser adorar um cão vermelho, isso não é da minha conta. Cabe a mim e a meus irmãos cumprir os deveres que Deus colocou sobre nós. Ele nos revelou certos princípios dos céus para o benefício de toda a família humana, e faremos o que Deus nos ordenou. Nos perseguirão? Não importa. Deus nos disse para fazer certas coisas, e as cumpriremos, perseguidos ou não. Devemos cumprir nosso dever. Ao mesmo tempo, temos direitos e privilégios que nos pertencem em comum com todos os que vivem nos Estados Unidos. Temos tantos direitos nestes Estados Unidos quanto qualquer outro povo, e ninguém tem o direito de nos privar deles. Estão tentando nos privar deles o tempo todo. Isso não faz diferença. O princípio continua o mesmo, e cabe a nós zelar por nossos direitos. Deus nos deu aqui uma terra boa, e a pagamos. É nossa por direito de compra e posse. Se temos fazendas, ou lotes na cidade, ou heranças de qualquer tipo, nós as pagamos de acordo com as leis dos Estados Unidos. Cumprimos todas as exigências dos Estados Unidos que são constitucionais, e pretendemos continuar a fazê-lo sempre. Simplesmente contendemos por nossos direitos. Simplesmente contendemos pelos princípios da liberdade humana, não somente em nosso próprio favor, mas em favor de milhares que estão nestes Estados Unidos. Há milhares de homens honrados nestes Estados Unidos — no Senado e na Câmara dos Deputados, e por toda a terra — que estão bastante dispostos a que os homens tenham os direitos e privilégios de homens livres, e depois há milhares, dezenas de milhares e milhões de outros que querem pisar sob os pés os princípios da liberdade e privar os homens de suas liberdades. Quanto ao povo dos Estados Unidos, eu mesmo não tenho senão sentimentos de bondade. Sinto pena deles. Lamento ver pessoas agindo sob influências erradas, influências que as levarão à destruição. O povo do mundo está colocado sob influências que não compreende. Que há de errado com eles? Recebo a visita de muitos homens proeminentes dos Estados Unidos e de todas as partes da Europa, homens proeminentes de todas as classes e categorias, e, quando nos encontramos, falam de modo muito gentil e muito agradável. Admiram nossa bela cidade e suas melhorias, e não acreditam em uma centésima parte das histórias que se espalham a nosso respeito por toda a terra. Dizem: "Sabemos que não é bem assim." Há muitíssimos homens honrados entre os povos da terra, e não queremos nutrir um espírito de inimizade e ódio contra ninguém por causa dos atos infames de alguns homens sem princípios. Estamos aqui como salvadores no Monte Sião; e chegará o tempo, e não está muito distante, em que, por causa dos males, das corrupções, dos adultérios e da licenciosidade que prevalecem por toda a terra, Deus trará o povo a julgamento. Então chegará o tempo, e não está muito distante, em que os pecadores em Sião terão medo, e o temor surpreenderá os hipócritas. ¶
Estamos aqui para edificar o Sião de Deus, e não para nos edificarmos a nós mesmos. Estamos aqui para estabelecer a retidão, e para estabelecê-la primeiro dentro de nós mesmos; para sentir que "quanto a mim e à minha casa, temeremos a Deus." Devemos preparar-nos para a glória e para as vidas eternas, para que possamos associar-nos com os Deuses nos mundos eternos. Somos os filhos de Deus; mas ocupamos, em muitos aspectos, uma posição diferente da do resto do mundo, porque obedecemos ao novo e eterno convênio; fomos batizados em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados, e tivemos mãos impostas sobre nós para o recebimento do Espírito Santo, e vivemos à altura de nossos privilégios, muitos de nós. Por conseguinte, visamos, como já disse, a uma exaltação mais elevada e a uma glória maior do que o mundo conhece, e que nós mesmos, no presente, compreendemos apenas muito pouco. Mas melhoraremos de tempos em tempos e nos tornaremos mais bem instruídos nas leis da vida e nos princípios da verdade eterna. Estamos reunidos para esse propósito. ¶
Bem, irmãos e irmãs, Deus vos abençoe e vos conduza pelos caminhos da vida, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶