Pulpit

O Objetivo da Cooperação — É Certo Sustentar o Amigo — A Economia Deve Ser Observada por Todos — Nossos Amigos São Aqueles Que Nos Ajudam na Hora da Necessidade — Guardar Santo o Dia de Sábado

Joseph F. Smith

1884-07-18

Tenho o prazer de ver tantos dos Santos reunidos aqui neste primeiro dia da conferência, e certamente espero que aqueles que se deram ao trabalho de vir à conferência no primeiro dia sejam amplamente recompensados por tê-lo feito.

Penso que devemos estar bem dispostos a cumprir qualquer dever que nos seja exigido como Santos dos Últimos Dias, no dia de sábado e em outras ocasiões designadas para o ajuntamento dos Santos. Devemos reunir-nos com o propósito de sermos fortalecidos e encorajados espiritualmente, para que nossa fé aumente e para que aprendamos os deveres que recaem sobre nós como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Não estamos nem de longe tão unidos quanto deveríamos estar. Se o povo de Huntsville, cujo Bispo tem estado a fazer seu relatório, estivesse unido como os Santos deveriam estar, e como confio que estarão algum dia, o mais provável é que estivessem financeiramente muito melhor do que estão agora.

A cooperação é um princípio com o qual o Presidente Young se preocupava muito, e que ele se esforçou, com seus irmãos, por gravar nas mentes do povo por toda a terra. Sob sua administração foram estabelecidas nossas instituições cooperativas, e, por seus esforços, muitos do povo, especialmente na parte sul de Utah e no Arizona, uniram-se em organizações chamadas "a Ordem Unida." O objetivo era a cooperação, para que os princípios de união no trabalho, bem como na fé, pudessem desenvolver-se em toda a sua extensão no meio dos Santos. Todos nós cremos em estar unidos na fé. Todos nós professamos crer que há um só Deus, uma só fé, um só batismo, e que devemos ser um só povo; mas, apesar de professarmos isso, nossa individualidade sobressai de modo muito proeminente. Muitos de nós não conseguem ver exatamente como veem nossos irmãos, e não podemos estar totalmente unidos com eles. Não esperamos — eu, pelo menos, não espero de modo algum — que o povo venha a ver as coisas do mesmo modo de uma só vez. Creio que esta é uma obra de grande importância, e uma que não se realizará sem anos de experiência, e talvez tenhamos de sofrer muitos castigos e repreensões antes de sermos levados à unidade da fé. Contudo, devemos procurar ver as coisas do mesmo modo, na medida do possível. Estarmos unidos não destrói em nada nossa individualidade. Podemos ser tão fortes em nossa individualidade quando unidos quanto aos propósitos e desígnios do Todo-Poderoso, quanto poderíamos ser em oposição a esses propósitos e desígnios, e a nossos irmãos que estão unidos quanto às coisas de Deus. Aliás, penso que evidencia uma característica de individualidade mais forte que homens e mulheres se harmonizem e se unam com os propósitos do Todo-Poderoso do que estarem divididos contra eles ou separados deles. De uma coisa tenho certeza, e é que devemos procurar familiarizar-nos com os princípios da economia. Devemos usar a melhor sabedoria, juízo e entendimento que pudermos obter, tanto em nossos assuntos e interesses temporais quanto espirituais. Tomai uma comunidade como a de Huntsville, ou qualquer comunidade de Santos numa Ala, isolada, talvez, num pequeno vale, e, se houver união e cooperação em seu meio, milhares e dezenas de milhares de dólares podem ser poupados em seus próprios bolsos; ao passo que, por outro lado, se os indivíduos forem deixados a fazer o que bem entenderem, milhares de dólares sairão de seus bolsos para os bolsos de especuladores e outros. Sei que isso é verdade. Como o Bispo Hammond disse muito acertadamente, há em Huntsville de meia dúzia a uma dúzia de máquinas de ceifar, quando duas ou três seriam suficientes para fazer todo o trabalho que é necessário realizar naquele lugar com essas máquinas. Sendo esse o caso, como afirmou o Bispo, então todos os milhares de dólares que foram gastos nessas máquinas e outros implementos supérfluos saíram da posse do povo para os bolsos de estranhos e forasteiros; ao passo que, se eles se tivessem contentado em ter apenas o suficiente, poderiam ter destinado o restante de seus meios a outras direções, ou tê-lo colocado de tal forma que lhes rendesse juros, em vez de ser operado e usado por seus inimigos, talvez, para sua destruição política ou religiosa. Não há razão para que o princípio da unidade não opere no meio dos Santos dos Últimos Dias, exceto que somos demasiado egoístas. Não deveria ser "cada um por si"; mas muitos de nós são cobiçosos. Desejamos em nossos corações ter tudo o que nosso vizinho tem, quer precisemos disso quer não. Para sermos como nosso vizinho; para que possamos associar-nos com ele, e para que nossas filhas possam associar-se com as filhas dele, e nossos filhos com os filhos dele, precisamos ter uma casa tão boa, móveis tão caros, tantos cavalos, tantos arados, máquinas de colher e de ceifar, e enfardadeiras, tantas vacas, tantas ovelhas, e tantos luxos, quer possamos custeá-los tão bem quanto nosso vizinho quer não. Ora, tudo isso é extremamente tolo. É errado. Vemos um veículo que custa 200 dólares, mais ou menos, e não precisamos absolutamente dele — só precisamos tê-lo para sermos como nosso vizinho — não seria melhor colocar esse dinheiro no banco, ou emprestá-lo a alguém em negócios, e assim, ao mesmo tempo em que beneficiamos outros com nosso capital, garantir juros sobre ele para nós mesmos? Certamente seria. Desse modo, o dinheiro seria uma ajuda para vós; ao passo que, se comprardes a carroça de que não precisais, além de pagardes um preço exorbitante na compra, o que geralmente é o caso, a carroça muito provavelmente ficará exposta ao sol e à chuva — como as carroças com demasiada frequência são deixadas por grande parte do povo — e logo se tornará inútil. Alguns homens não pensam duas vezes antes de comprar uma carruagem muito boa, uma charrete de molas, ou outro tipo de carroça, e tratá-la desse modo até que fique arruinada e sem valor. O mesmo se dá com maquinário agrícola valioso; compra-se demais dele e usa-se por dois ou três dias, ou duas ou três semanas numa estação, ou por um mês inteiro num ano — digamos, uma colheitadeira ou uma ceifadeira — e onde fica ela o resto do ano? Ao relento, no sol e na chuva, e, antes que possa ser usada na próxima estação, tem de ser levada a uma ferraria para reparos; pois, pela exposição, enferrujou-se, a madeira ressecou-se e cada junta afrouxou-se. É desse modo que algumas pessoas usam seus implementos agrícolas; ao passo que, com muito pouco trabalho, poderiam guardá-los num galpão, secos e seguros, e prontos para uso quando a próxima estação chegasse. Mas o melhor de todos os modos é — numa pequena comunidade em que cada homem conhece seu vizinho, e em que todos mantêm relações de boa vizinhança — consultarem-se uns aos outros e formarem corpos cooperativos com o propósito de conduzir os negócios necessários fora de sua pequena comunidade. Consultando-se assim uns aos outros, e usando a sabedoria combinada da comunidade quanto ao número de colheitadeiras, ceifadeiras etc. de que necessitarão para o trabalho da comunidade, muito se poderia poupar. Não é necessário que um só homem possua o maquinário. Todos poderiam unir-se, cada um contribuindo com certa quantia para sua compra, que poderiam usar em mútuo benefício, e cuidar para que fosse bem guardado e conservado quando fora de uso. Desse modo, uma comunidade poderia poupar milhares de dólares ano após ano, e sei que o princípio é correto para o povo de Sião. É um princípio de economia. O dinheiro é algo que o homem deveria ser capaz de cuidar, e usar sabiamente, se o tiver; se não souber cuidar dele, escapará de seus bolsos, tomará as asas da alvorada e fugirá.

Penso que devemos estar unidos em todas essas coisas, na compra de maquinário e da vasta quantidade de mercadorias que consumimos e que não fabricamos nem produzimos entre nós mesmos. O próprio fundamento de toda prosperidade real é a indústria e a manufatura domésticas. Isso está na base da prosperidade de toda comunidade permanentemente próspera. É a fonte da riqueza. Penso, portanto, que devemos incentivar a indústria doméstica. Devemos cooperar juntos; se há algum tipo de negócio em que haja lucro, operemos juntos e tenhamos o benefício desse lucro entre nós mesmos, em vez de dá-lo a estranhos. Por que devemos incentivar o estranho a vir para cá e importar carroças para nos vender, quando temos o talento e o dinheiro para sustentar esse negócio entre nós mesmos? Por que não deveríamos, antes, fazer nós mesmos essas coisas, e fornecer negócios e emprego a nosso próprio povo, muitos dos quais estão ociosos, e sermos independentes do mundo, e, se houver lucro nisso, colocar esse lucro em nossos próprios bolsos, e usá-lo para o conforto e a felicidade de nossas esposas e filhos? É um fato — pelo menos foi-me relatado como fato por uma pessoa que se supõe familiarizada com o negócio — que um homem que negocia carroças e implementos agrícolas no Território de Utah colocou 30.000 dólares em seu bolso num só ano, e ele é apenas um agente da companhia com quem negocia. Presumo que a companhia tenha colocado uma quantia igual em seus bolsos como resultado do trabalho dele; mas o agente, conforme fui informado, colocou 30.000 dólares em seu próprio bolso como resultado de seu negócio. Quem é que compra as carroças, os arados, as grades, as colheitadeiras, as ceifadeiras etc. no Território de Utah? São os gentios? Não, são os Santos dos Últimos Dias. Os que não são Santos dos Últimos Dias, via de regra, não se dedicam à agricultura. Se há alguns deles que cultivam a terra, são exceções à regra, e são muito poucos e espaçados. Não são eles que usam as carroças. É verdade que podem usar algumas delas nas minas, no transporte de cargas etc. A vasta maioria dessa classe de mercadorias é consumida pelos Santos dos Últimos Dias. O resultado é que os Santos dos Últimos Dias colocam esses 30.000 dólares no bolso do homem a quem me refiro. Esse mesmo homem fez parte de um Grande Júri e ajudou a indiciar um homem por casar-se, reconhecer e sustentar suas esposas. Esse mesmo homem se destaca muito acima de muitos de seus semelhantes na oposição aos Santos dos Últimos Dias, e no uso de seu poder, tanto no exterior quanto em Utah, contra os interesses do povo de quem obtém seu dinheiro.

Não sinto que os Santos dos Últimos Dias estejam usando sua melhor sabedoria, ou agindo segundo o princípio da mais alta inteligência, quando sustentam e dão preferência a tais homens, especialmente quando têm a habilidade, a inteligência e os meios para realizar todos esses negócios independentemente de estranhos ou forasteiros. Sei que podem fazê-lo, se apenas cooperarem juntos e conduzirem os negócios segundo princípios comerciais. Nossa honestidade para com o mundo é proverbial. É o testemunho universal dos de fora que negociam conosco aqui que os Santos dos Últimos Dias são o povo mais honesto e que melhor paga com quem já fizeram negócios. Creio que isso é verdade. Se um Santo dos Últimos Dias deve a um gentio e também a um irmão, diz-se que ele pagará ao gentio sempre, de preferência ao irmão. Bem, não sei se isso é correto. Penso que, se ele não puder pagar o montante integral a ambos, seria apropriado pagar a cada um uma proporção. Não seria isso tão honesto — em vez de pagar tudo ao gentio e deixar seu irmão sem nada? Penso que sim. Não sei se fazemos esse tipo de coisa em grande escala; mas já ouvi falar, algumas vezes, de pessoas que eram consideradas muito boas pagadoras para com os de fora, mas não eram tão pontuais em pagar seus irmãos. Não penso que isso esteja exatamente correto. Penso que não devemos endividar-nos além do que podemos pagar. O Senhor ordena isso. Devemos viver dentro de nossos meios, se possível, e, se não for possível, e continuarmos vivendo além de nossos meios, é apenas questão de tempo até que nem sequer tenhamos crédito, nossos amigos não confiarão em nós, e teremos de viver dentro de nossos meios, ou morrer, ou roubar, como alguém acrescentou. Quando chega a esse ponto, sinto-me como se sentiu o Dr. Johnson quando o mendigo o abordou: "Por que não vai trabalhar?" disse o Doutor. "Não consigo emprego, não consigo nada para fazer, e o senhor sabe, Doutor, que preciso viver." "Bem", disse o Doutor, "não vejo a menor necessidade disso." (Risos.) Quando um homem não quer pagar suas dívidas, ou não quer viver dentro de seus meios, sabendo qual é sua renda; quando um homem continua a endividar-se com seus vizinhos enquanto tiver algum crédito, sabendo o tempo todo que não pode pagar suas contas — bem, não sei se há muita necessidade de que esse homem viva. Talvez o mundo estivesse tão bem se ele partisse tranquilamente para algum lugar. Todo Santo dos Últimos Dias deveria aprender — e especialmente todo jovem de Israel deveria aprender — que cada um deles deveria procurar tornar o mundo um pouco melhor por sua presença nele, se possível. Todos nós deveríamos procurar fazer algum bem. Se fizermos isso, então haverá alguma necessidade de vivermos. Deus nos abençoará em nossos trabalhos e esforços; e, se cooperarmos juntos em nossos assuntos temporais e conduzirmos nossos negócios segundo princípios corretos, o mundo será melhor para nós, e estaremos melhor no mundo. Teremos mais meios para edificar o reino de Deus; teremos mais para usar no ajuntamento dos pobres, na edificação de Sião, no benefício dos Santos e em nosso próprio benefício, e teremos muito mais poder no mundo. O dinheiro é um agente poderoso nesta época degenerada. Diz-se que o conhecimento é poder. O conhecimento deveria estar acima do dinheiro ou da riqueza. Mas, na condição atual do mundo, o dinheiro toma a dianteira.

Isto não deveria ser o nosso caso. O Senhor diz nas Escrituras: "Granjeai amigos com as riquezas da injustiça." Para quê? Obviamente para que tenhais poder e influência com os injustos.

Ora, se tivéssemos riqueza — e certamente a teremos com o tempo — os que adoram a riqueza ou a cobiçariam e nos odiariam e tentariam destruir-nos para obtê-la, como alguns estão fazendo, ou então seriam obrigados a reconhecer o poder que poderíamos exercer por meio da posse de riqueza. Bem, não precisamos temer de modo algum a primeira possibilidade. Eles não podem nos destruir; pois o Senhor é nosso amigo, e nós somos amigos dEle. Ele não permitirá que nos roubem e saqueiem, e nos tirem nossas posses; ou, se o permitir, dar-nos-á mais abundantemente; porque, se possuirmos riquezas, elas serão do Senhor. Nós as dedicaremos a Ele, se cumprirmos nosso dever, e elas Lhe pertencerão, e certamente o Senhor protegerá o que é Seu. Não devemos desprezar essas coisas, mas devemos procurar usá-las para a realização dos propósitos plenos de sabedoria do Todo-Poderoso. O Senhor disse que Sião se tornará o mais rico de todos os povos. A terra é do Senhor, e a plenitude da terra é dEle. O gado sobre mil colinas é dEle. O ouro e a prata e toda a riqueza mineral destas vastas montanhas pertencem ao Senhor. E, embora os ímpios possam tomar posse deles por um pouco de tempo, hão de perecer com o tempo, e deixar toda a sua riqueza para trás. Não podem levá-la além da sepultura. Com o tempo, o Senhor há de dirigir esses assuntos de tal maneira que os justos, os que amam a Deus mais do que amam o mundo, e que usarão seus meios para a honra e a glória de Deus, sejam feitos possuidores da terra e de sua plenitude. Será deles para usar para todo propósito que seja correto e legítimo — para dirigir exércitos, se necessário — para dirigir nações, ou o mundo, se necessário, para a realização dos propósitos do Deus Todo-Poderoso. Não queremos desperdiçá-la nas concupiscências da carne. Não deveríamos desejá-la para esse propósito.

Se o fizermos, Deus a reterá de nós, espero eu; pois nenhum homem deveria ter riqueza para satisfazer as concupiscências e os desejos da carne. Devemos usá-la para a honra e a glória do nome de Deus, e para a edificação de Seu Reino.

Devemos, portanto, cooperar em nossas instituições mercantis. É tanto um dever sustentá-las quanto qualquer outro dever que recaia sobre nós, agora como em qualquer tempo anterior. Devemos dar preferência a nossos irmãos. Devemos ver as coisas do mesmo modo a respeito disso. Devemos estar unidos em tudo. Devemos estender de bom grado uma mão auxiliadora a nossos vizinhos de tempos em tempos. Se nosso vizinho é oprimido, se lhe falta conhecimento, entendimento ou habilidade na administração de seus assuntos, vós que tendes habilidade e experiência, e sabeis administrar vossas forças e meios, deveis esforçar-vos por instruir vosso vizinho ou irmão que não está tão bem informado quanto vós. As instruções que ele recebe desse modo o beneficiarão e não vos prejudicarão nem vos empobrecerão. Não devemos ser mesquinhos quanto a nada que possuímos que seja bom. Podemos partilhar livremente com outros sem diminuir nossa própria reserva. Podemos partilhar nossa experiência para o benefício de outros. Se nosso irmão está prestes a comprar algo que aparentemente não é necessário, seria um benefício para o pobre homem, que carece de discernimento, que o Bispo ou seus conselheiros, ou seu Mestre, fossem até ele e procurassem mostrar-lhe o erro que está prestes a cometer. Penso que devemos cooperar em todos esses assuntos, ser um só em todos os aspectos, e não sermos como o mundo, "cada um por si e o diabo por todos." O Senhor nos disse, numa revelação por meio do Profeta Joseph Smith, que, se não formos um só, não somos dEle. Ele disse que devemos estar unidos. Devemos ser um só. Devemos ver as coisas do mesmo modo. Devemos ajudar uns aos outros; ajudar nosso vizinho e nosso irmão. O Salvador descreve com muita beleza quem é nosso vizinho, no exemplo do bom samaritano. Quem é vosso vizinho? Quem é vosso irmão? Ora, o homem que vos serve na hora da necessidade; o homem que é vosso amigo na hora da adversidade; o homem que estende uma mão auxiliadora e vos salva do erro; o homem que vos dá o benefício de sua experiência e de sua inteligência superior — esse é vosso vizinho, vosso amigo e vosso irmão. Aqueles que abraçaram o evangelho — e especialmente aqueles que estão investidos da autoridade do Santo Sacerdócio, e são chamados a ser salvadores no Monte Sião — deveriam ser os primeiros e principais nesta boa obra de ser salvadores de seus vizinhos e de seus semelhantes na terra. É nosso dever ensinar princípios corretos, incuti-los nos corações de nossos filhos e nos corações de nossos vizinhos, e zelar para que esses princípios estejam arraigados em nossos próprios corações; pois, a menos que um homem tenha sido ele mesmo convertido, e tenha conhecimento da verdade, é tolice da parte dele empreender ensinar a outros o caminho correto. Mas, quando os princípios do evangelho estão plenamente estabelecidos em nossos próprios corações, podemos então ir ao meio de nossos semelhantes e dizer: "Vinde e segui-me." Podemos fazer isso com coerência. Somos chamados a ser mestres desses princípios aos habitantes da terra. Somos chamados a ser o povo de Deus, não um povo do mundo, pois saímos do mundo. Devemos estar unidos em todas as coisas, tanto temporais quanto espirituais. Para Deus, todas as coisas são espirituais. Não há nada de temporal para Ele, e não deveria haver distinção entre nós a esse respeito. Nossa existência terrena ou temporal é apenas uma continuação daquilo que é espiritual. Cada passo que damos na grande jornada da vida, a grande jornada da eternidade, é um passo adiante ou um retrocesso. Estamos aqui na mortalidade, é verdade; mas estamos além da condição que ocupávamos antes de vir para cá e assumir a mortalidade. Estamos um passo adiante de nosso estado anterior. O que é o corpo sem o espírito? É barro sem vida. O que é que afeta esse barro sem vida? É o espírito, é a parte imortal, o ser eterno, que existia antes de vir para cá, que existe dentro de nós, e que continuará a existir, e que, com o tempo, redimirá estes tabernáculos e os trará para fora das sepulturas. Toda esta nossa missão é espiritual. A obra que temos de realizar aqui, embora a chamemos temporal, pertence igualmente à nossa salvação espiritual e temporal. E o Senhor tem tanto direito de ditar, aconselhar, dirigir e guiar-nos na administração de nossos assuntos temporais, como os chamamos, quanto tem de dizer uma só palavra a respeito de nossos assuntos espirituais. No que Lhe diz respeito, não há diferença nesse aspecto. Ele nos considera seres imortais. Nossos corpos foram projetados para se tornarem eternos e espirituais. Deus mesmo é espiritual, embora tenha um corpo de carne e osso como o tem Cristo. Contudo, Ele é espiritual, e os que O adoram devem fazê-lo em espírito e em verdade. E, quando vierdes a separar o espiritual do temporal, cuidai para não cometer um erro. Alguns tendem a dizer: "o Senhor tem o direito de administrar meus assuntos espirituais, mas não permitirei que Ele interfira em meus assuntos temporais." Ora, bendita seja vossa alma, as coisas temporais pertencem às coisas espirituais. Elas servem ao homem espiritual, embora possam estar revestidas de um tabernáculo de carne. O Bispo tem tanto direito de aconselhar os membros de sua Ala a respeito da compra de mercadorias ou maquinário, onde e quando puder fazê-lo sabiamente, quanto tem de aconselhá-los a respeito de assuntos espirituais. Ele tem exatamente tanto direito de fazer uma coisa quanto a outra. Ele é um pai para o povo da Ala. Ele é colocado sobre o povo com o propósito de conduzi-lo pelo caminho da verdade e da retidão, e é de sua incumbência cuidar do temporal — se quiserdes fazer alguma distinção entre o temporal e o espiritual — assim como do espiritual. E o Presidente Taylor tem tanto direito de dirigir o povo nas coisas temporais quanto o tem nas coisas espirituais. Devemos reconhecer esse direito, e devemos fazê-lo livre e alegremente, porque devemos ver que é correto. Não estamos sob compulsão alguma de fazê-lo, se não virmos que é correto; mas, ao mesmo tempo, é um princípio correto, e todo Santo dos Últimos Dias deveria ter inteligência suficiente para saber que isto é o melhor que ele pode fazer — estar unido, ser um só com seus irmãos.

Ora, ides ter, dentro em pouco, uma eleição de autoridades do condado. Que ides fazer a respeito disso? Ides dividir os votos? Ides às urnas para riscar nomes e colocar o nome de outra pessoa? Espero que não. Não me importa quem seja colocado no cargo, senão na medida em que devemos obedecer aos mandamentos do Senhor nessas coisas. Devemos escolher homens justos, homens bons, para preencher essas posições. Por isso, se apenas conseguirdes homens bons para preencher esses cargos, ninguém deveria se importar com quem sejam, contanto que estejais de acordo quanto a eles, e sejais um só. Queremos que sejais um só, tanto nas coisas temporais, políticas e religiosas, de fato, em tudo a que puserdes as mãos com retidão. Queremos que sejais um só, um só como Deus e Cristo são um só, vendo as coisas do mesmo modo. Não procureis esmagar ninguém, nem edificar-vos à custa de vosso vizinho. Não o façais; é um costume do mundo, e é um princípio errado. Diz-se nas Escrituras que os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz. Que significa isso? Ora, como eu vejo, quando ides às comunidades católicas, descobris que os católicos mandam seus filhos a escolas católicas, e não a escolas protestantes. Descobris que eles dão preferência a comerciantes católicos. Não dão preferência a protestantes. Se há alguém para candidatar-se a um cargo, apresentarão seus amigos e votarão neles. Se viajardes como missionários por todo o mundo, descobrireis que isso é verdade. Vi isso em São Francisco, em Nova York, na Grã-Bretanha e no Continente, e onde quer que eu tenha estado, e, no entanto, considera-se criminoso que os Santos dos Últimos Dias sigam esta mesma regra. Poderíamos cometer traição contra os Estados Unidos se não mandássemos nossos filhos a escolas gentias, ou se não déssemos preferência a comerciantes gentios. Se um gentio quisesse candidatar-se a um cargo, e nós não votássemos nele, ora, estaríamos em rebelião contra o governo dos Estados Unidos. Vou dizer-vos, em poucas palavras, o que penso a respeito desses assuntos. Penso que os Santos dos Últimos Dias deveriam mandar seus filhos serem educados por aqueles que são seus amigos, e não por seus inimigos. Penso que os Santos dos Últimos Dias deveriam dar preferência a seus irmãos e sustentá-los, de preferência a seus inimigos. Creio que os Santos dos Últimos Dias deveriam cooperar juntos e fazer seus próprios negócios, em vez de pedir aos gentios que os façam por eles. Creio que os Santos dos Últimos Dias deveriam unir-se quanto a todas essas coisas, e conduzir seus negócios segundo os princípios mais sábios e econômicos, em vez de cada indivíduo fazê-lo por si mesmo, desperdiçando seus meios, sustentando seus inimigos, e obtendo materiais de que não tem uso. Isso é o que penso a respeito desses assuntos.

Hoje é sábado, e disso me alegro; pois alguém diria que eu estava profanando o sábado se eu vos pregasse desse modo no sábado. Mas hoje é sábado. É o sábado judaico. Só para o homem é que há um sábado. O Senhor separou um dia em sete no qual o homem deve descansar, porque isso é necessário para o corpo e a mente. Devemos adorar ao Senhor nesse dia. O homem não foi feito por causa do sábado, mas o sábado foi feito por causa do homem.

Cabe a nós cumprir nosso dever e viver nossa religião num dia da mesma forma que em qualquer outro. Sirvamos ao Senhor em retidão o dia todo, e Ele será nosso Pai e Amigo, e nossos inimigos não terão poder algum sobre nós. Este é o meu testemunho, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “O Objetivo da Cooperação — É Certo Sustentar o Amigo — A Economia Deve Ser Observada por Todos — Nossos Amigos São Aqueles Que Nos Ajudam na Hora da Necessidade — Guardar Santo o Dia de Sábado”, (1884-07-18). Pulpit Vault, 1884-07-smith-the-object-of-cooperation. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).