A Liberdade Religiosa Garantida pela Constituição — Não Mera Liberdade de Crença — Onde a Linha Deve Ser Traçada — Os Direitos Naturais Devem Ser Protegidos — O Perigo da Legislação Especial — O Objetivo do Ajuntamento dos Santos — O Estabelecimento do Reino de Deus — O Cumprimento Literal da Profecia — A Restauração da Igreja Cristã — A Autoridade do Sacerdócio — A Falta de Autoridade Divina — Provas da Missão Divina dos Santos dos Últimos Dias — O Matrimônio Plural, uma Instituição Religiosa — Uma Doutrina Bíblica — O Direito Constitucional de Praticá-lo
Charles W. Penrose
Tenho tido o prazer de ouvir as observações do Irmão Caine, que acaba de voltar de Washington; alegro-me em saber que seu coração, tal como o nosso, está voltado para a verdade, e que seu desejo, em comum com o nosso, é edificar o Reino de Deus na terra, e contender pelos direitos que nos pertencem como cidadãos americanos. Algumas pessoas parecem imaginar que, por termos abraçado uma doutrina que não é popular no mundo, por termos abraçado uma fé que é contrária às noções geralmente aceitas a respeito de religião, não deveríamos ter direito algum como cidadãos de nosso país comum. Não vemos o assunto sob essa luz. Consideramos que temos o direito, sob a Constituição dos Estados Unidos, de crer em tudo o que nos parecer correto, e não somente de crer, mas de praticá-lo, na medida em que possamos fazê-lo sem interferir nos direitos de outras pessoas. A primeira emenda à Constituição dos Estados Unidos diz: "O Congresso não fará lei alguma relativa ao estabelecimento de uma religião, nem proibindo o livre exercício desta." Entendemos essa emenda tal como está escrita. Não desejamos interpretá-la, nem dar-lhe qualquer significado diferente do que a linguagem simples transmite. A linguagem é: "Que o Congresso não fará lei alguma relativa ao estabelecimento de uma religião." Com o estabelecimento de religião, então, o Congresso não tem nada a ver. O Congresso não pode instituir uma religião, nem pode fazer lei alguma relativa ao estabelecimento de uma religião — isto é, para impedir seu livre exercício. Há algumas pessoas, nestes últimos tempos, que interpretam essa emenda no sentido de que as pessoas podem crer no que quiserem, mas isso não traz consigo liberdade de prática. As pessoas podem crer no que lhes parecer correto, mas não devem praticá-lo se isso for contrário às opiniões da grande maioria. Ora, parece-me que essa é uma interpretação muito estreita do significado dessa Emenda à Constituição. Parece-nos, como deve parecer à grande massa do povo do país — o povo soberano —, que, sem emenda constitucional alguma, ou aprovação de lei alguma, as pessoas em toda parte são, por si mesmas, livres para crer. Não pensamos que uma lei possa interferir com a crença, ainda que se aprovasse uma com o propósito de interferir com ela. A crença de um homem não pode ser controlada por Ato algum do Congresso ou do Parlamento. Nenhum edito de um governo, ou de qualquer outro corpo legislador, pode interferir com minha liberdade de crença. Quando uma proposição é colocada diante de minha mente, e reflito sobre ela, e ela me parece correta, minha mente a recebe e eu a creio. Às vezes as pessoas creem a despeito de si mesmas. Às vezes um homem crerá numa coisa a despeito de seus próprios desejos de não crer. Então essa fé não pode ser controlada por pessoa alguma fora do próprio homem, e às vezes ele mesmo não pode controlá-la. Edito ou lei algum, ou poder algum do homem sobre a terra, pode alterar a crença de um homem, ou impedi-lo de crer. Pode-se promulgar uma lei para impedir que essa crença seja posta em prática; mas ela não pode interferir com a crença, e não é necessária emenda alguma à Constituição, promulgação alguma do Congresso ou de qualquer corpo legislador sobre a terra, para proteger um homem na mera crença. Então nos é claro que a intenção era que um homem tivesse não somente o direito de crer, mas que fosse protegido no livre exercício dessa crença. Como declara a linguagem, o Congresso não deve fazer lei alguma relativa ao estabelecimento de uma religião, nem proibir o livre exercício desta. Que é o exercício da crença em religião? Ora, são certos atos que os homens praticam, impelidos por sua crença, impelidos por sua religião. Suponhamos que um homem creia ser correto ser batizado na água — sepultado na água para a remissão dos pecados — como pode ele evidenciar sua crença nesse princípio? Só pode fazê-lo do modo especificado pelo Apóstolo Tiago. Ele diz: "Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." "Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" Esse é o único modo pelo qual a fé pode ser verdadeiramente demonstrada — pelas obras. Se creio que o batismo é correto, evidencio minha crença sendo batizado, e, se não sou batizado, isso mostra que minha fé é muito fraca, ou que ela não existe: que não tenho a coragem de minha fé, ou então que não creio de modo algum. ¶
Ora, consideramos que temos o direito perfeito, sob a Constituição de nosso país, de crer no que nos parece correto, e então praticá-lo. "Bem", dirá alguém, "não pensais que deveria haver alguma restrição a isso? Devem as pessoas ser protegidas em qualquer tipo de religião que tenham? Suponde que um homem viesse da Índia, e cresse ser dever religioso, sob certas circunstâncias, estrangular um homem; teria ele o direito, sob a Constituição dos Estados Unidos, de estrangular? Além disso, há pessoas que creem ser correto, na Índia, queimar uma viúva na pira funerária, para que seu espírito seja enviado para fazer companhia a seu marido no outro mundo. Teria essa pessoa, ou essas pessoas, o direito, sob a Constituição dos Estados Unidos, de pôr em prática sua crença neste país?" Dizemos que não. Dizemos que o Thug não tem aqui o direito de praticar sua fé. Dizemos que o Suttee não poderia ser estabelecido neste país. "Por que não? Credes que é correto, sob certas circunstâncias, que um homem tenha mais de uma esposa, e que aqueles que assim creem são protegidos pela Constituição na prática de sua religião. Por que não deveriam aqueles que creem ser correto estrangular, ou queimar viúvas, ter o direito de praticar sua religião sob a Constituição dos Estados Unidos?" A linha divisória é muito simples, como geralmente é a verdade. É muito fácil traçá-la. Deve ser traçada em consonância com o espírito da Declaração de Independência, e com os princípios que fundamentam nosso governo. Na Declaração de Independência estabelece-se que há certos direitos que não podem ser alienados, que são naturais, que são inerentes, que não são concedidos pelos governos: não pertencem à política, mas são inerentes ao indivíduo — o direito à vida, o direito à liberdade, o direito à propriedade, e o direito à busca da felicidade. Esses direitos são inalienáveis. Pertencem a todo indivíduo. Não são conferidos pela lei. Pertencem-nos. Nascem em nós. Pertencem a toda pessoa que respira o fôlego de vida. Então, um ato de qualquer indivíduo ou de qualquer governo que infrinja esses direitos naturais é errado em si mesmo. Se algum indivíduo interfere nos direitos de seus semelhantes, pode ser contido pela lei secular. O direito à vida, à liberdade, à busca da felicidade e à propriedade pertencem igualmente a todos os indivíduos. Um corpo de pessoas que professa uma fé não deve interferir nos direitos de nenhum outro corpo de pessoas que professa outra fé. Os Santos dos Últimos Dias, assim como os pecadores dos últimos dias, o metodista assim como o católico, o judeu assim como o gentio — todas as pessoas igualmente, neste grande país, devem ser protegidas igualmente nesses direitos naturais que lhes pertencem. ¶
Aqui, então, é onde a linha deve ser traçada. Tudo o que as pessoas professam fazer em nome da religião, que interfira nos direitos de outros, é errado, e a lei secular pode intervir e proteger os cidadãos, e conter ou punir aquelas pessoas que tentam fazer isso sob o pretexto da religião. Se eu fizer algo que interfira na vida, na liberdade, na felicidade ou na propriedade de meu vizinho, a lei tem o direito de intervir e proteger meu vizinho, e conter-me. Mas, se minha religião — aquilo que creio ser verdadeiro, e que procuro pôr em prática como parte de minha fé — não interfere nos direitos humanos, não infringe em grau algum os direitos de meu semelhante, nem o Congresso, nem qualquer outro poder legislativo sobre a face da terra, tem o direito de interferir comigo sob a Constituição do país. Tenho o direito ao exercício de minha religião, contanto que ela não infrinja os direitos de outras pessoas. É aí que traçamos a linha, e pensamos que é o lugar correto. E estamos defendendo não somente nossos próprios direitos a esse respeito, mas os direitos de todo o povo sobre a face desta terra. Como disse o Irmão Caine, esta tarde, ao aprovar certos decretos que infringem nossas liberdades religiosas, o Congresso dos Estados Unidos está fazendo algo que recairá sobre os próprios indivíduos que têm tentado estabelecer esse princípio ou promulgar essas leis. Porque podemos ser a sociedade ou o corpo visado hoje, e amanhã outra seita, partido ou corpo pode ser visado pelos mesmos decretos que são promulgados contra nós, e talvez valham em ambas as direções. É má regra a que só funciona num sentido. Pode parecer conveniente hoje escolher os "mórmons" para legislação especial, por serem impopulares; mas, em pouco tempo, algum outro corpo religioso neste país poderá ter a mesma legislação hostil aplicada a ele, a pesar sobre ele com maior peso do que sobre nós. Não se pode violar um princípio de verdade sem sofrer consequências muito ruins. Aqueles que tentarem fazer isso certamente colherão o fruto de seus trabalhos em algum momento ou outro. E, quando o Congresso dos Estados Unidos começa a remover as pedras fundamentais do sistema que os pais desta nação construíram, está trabalhando em terreno muito perigoso, e as consequências disso não se limitarão às poucas pessoas contra as quais essas medidas são tomadas. É dever de todo patriota, de todo homem que ama seu país, e de toda mulher que ama seu país, fazer sua parte para impedir a aprovação de decretos como esses, e para reivindicar os princípios e as doutrinas que fazem parte da Constituição de nosso amado país. Assim, estamos defendendo não somente nossos próprios direitos, mas os direitos de outros, e este é um dos deveres que nos são impostos por nosso Pai Celestial. ¶
Fomos trazidos de várias partes da terra a estes vales das montanhas para que pudéssemos estabelecer um sistema de religião que foi revelado do céu, que nosso Pai Celestial nos confiou. Não tiramos essa religião de nenhum dos livros sagrados existentes; não elaboramos esse sistema a partir da Bíblia, ou de qualquer outra obra religiosa; mas ele nos foi revelado em nossos próprios dias e tempo. Deus quebrou o silêncio das eras. Esse mesmo Deus que falou aos profetas de antigamente, cujo registro temos no Antigo Testamento, e que enviou Seu Filho Jesus Cristo, no meridiano do tempo, para morrer pelos pecados do mundo — esse mesmo Deus que inspirou os Apóstolos de Jesus Cristo em suas grandes obras falou Ele mesmo do céu em nossos próprios dias, e anjos desceram dos tribunais de glória com uma mensagem de vida e salvação para os habitantes da terra. Esta Igreja, este sistema, esta organização à qual pertencemos não foi estabelecida pela sabedoria do homem, mas foi estabelecida pelo poder de Deus, pelo mandamento do Todo-Poderoso, e tem sido sustentada por Ele até o presente. Todos os esforços feitos para destruí-la só tenderão a edificá-la. Toda lei que os Estados Unidos possam aprovar com a intenção de desintegrar esta obra, de dividir o povo, de esmagar o poder que existe no meio dos Santos dos Últimos Dias, só tenderá a consolidar o povo, a uni-lo mais estreitamente, a tornar sua fé mais intensa, suas convicções mais certas, e sua determinação mais persistente. Esse será o efeito. Deus está trabalhando com este povo, e tem trabalhado com ele desde o princípio. E isto, como ouvimos esta tarde, não é mera questão de fé. Temos visto tantas provas de um poder que tudo governa, e manifestações de providência especial, tanto como povo quanto como indivíduos, em resposta a nossas orações, que sabemos que Deus vive, que Deus responde à oração, que o Deus Todo-Poderoso está com os Santos dos Últimos Dias enquanto guardarem Seus mandamentos e fizerem Sua vontade, e que Ele fará reverter para o bem todo o mal que se pretenda contra nós. ¶
Esta obra é estabelecida com o propósito de realizar Seus desígnios a respeito desta terra em que vivemos. A terra é do Senhor, e a sua plenitude. O gado sobre mil colinas é Seu. A prata e o ouro Lhe pertencem, e a vida de toda a humanidade está em Suas mãos. Ele é Senhor sobre todos, bendito para sempre, e é Seu direito reger, regular e controlar todas as coisas sobre a face deste globo. Jesus Cristo, Seu Filho amado, esteve aqui. Ele habitou na terra por um tempo, e realizou a obra que Lhe foi designada, pela qual obteve todo o poder e se assenta à direita do Pai; e vem o tempo em que Ele se colocará sobre a terra, estabelecerá Seu governo e domínio, estendendo-o de polo a polo e de costa a costa, e os reinos deste mundo se tornarão o reino de nosso Deus e de Seu Cristo; não em algum sentido figurativo, místico, espiritual, mas real e verdadeiramente, como fato. O Salvador, como predito pelos profetas, veio sobre a terra literal e verdadeiramente. Foi pendurado na cruz, e Seu espírito deixou Seu corpo. Foi posto no túmulo, mas foi ressuscitado dos mortos, não em sentido espiritual, ou algum sentido mítico, mas real e verdadeiramente Seu corpo foi ressuscitado dos mortos. Nesse corpo, Ele apareceu a Seus discípulos, e subiu de sua vista, dizendo que da mesma maneira desceria novamente. E Suas promessas são que, quando vier pela segunda vez, não será como o menino de Belém, desprezado e rejeitado, homem de dores e experimentado nos sofrimentos; nem para ser perseguido pelos Seus, mas virá nas nuvens do céu, em poder e grande glória, para assentar-se no trono de Seu Pai Davi, e reinar e governar dos rios até os confins da terra, de modo que todas as nações, tribos, línguas e povos O sirvam e Lhe obedeçam. Ora, aguardamos a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e a esperamos tanto quanto, quando o sol se põe, esperamos que se levante sobre os cumes dos montes pela manhã. E, quando Ele vier, esperamos que seja Ele mesmo — Jesus de Nazaré, nosso Irmão Mais Velho, o primogênito de Deus no mundo espiritual, o Unigênito de Deus na carne. Esperamos que Ele venha e reine sobre a terra como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, e esperamos que todos os reinos, todos os governos, e todas as instituições que os homens estabeleceram sejam despedaçados, e, como Nabucodonosor os viu na visão que Daniel interpretou, tornar-se-ão como a palha da eira de verão, e serão varridos, e lugar nenhum se achará para eles sobre a face de toda a terra; porque o Reino de Deus e de Seu Cristo prevalecerá em toda parte, e cobrirá a terra. Pois é o reino de que falaram os Profetas, e nos é dito que "o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu" — isto é, sobre toda a terra, não é? — será Seu reino, e "serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno." Ora, esperamos o cumprimento de todas essas coisas, e, quando se cumprirem, ocorrerão exatamente como estão escritas, como outras profecias já se cumpriram. Quando Isaías profetizou que "a virgem conceberá e dará à luz um filho" e que "chamará o seu nome Emanuel", o profeta quis dizer o que disse, e assim se cumpriu; e todas as predições a respeito da segunda vinda, como se chama, do segundo advento do Messias, e do estabelecimento do Reino e governo de Deus sobre a terra, se cumprirão exatamente como os profetas predisseram. Não há necessidade de mistificar, nem de espiritualizar, nem de explicá-las; elas se cumprirão palavra por palavra; pois "o céu e a terra passarão, mas nem um jota ou um til da palavra de Deus passará; tudo se cumprirá." ¶
Ora, esta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, à qual pertencemos, é estabelecida pelo Todo-Poderoso com o propósito expresso de abrir o caminho para a realização desta grande obra. Nesta Igreja está o germe daquele reino que Daniel viu. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, estabelecida pelo poder de Deus, pela autoridade do Altíssimo, é exatamente a mesma Igreja que Jesus Cristo edificou — isto é, a mesma em todos os seus princípios essenciais; a mesma organização, o mesmo tipo de oficiais, as mesmas doutrinas, a mesma em seu espírito, a mesma em suas ordenanças, a mesma no poder que acompanha essas ordenanças, doutrinas, princípios e mandamentos revelados à Igreja antiga. É governada exatamente da mesma maneira que era governada a igreja que Jesus Cristo estabeleceu quando esteve sobre a terra. Todo princípio ensinado pelos antigos Apóstolos em sua época é ensinado pelos Apóstolos dos últimos dias em sua época. E os Apóstolos em nossos dias têm a mesma autoridade, ou Sacerdócio, como se chama, que tinham os Apóstolos em sua época, os quais Jesus ordenou; porque aqueles que detinham as chaves desse apostolado na terra em tempos anteriores desceram à terra, literal e verdadeiramente, e ordenaram homens à mesma autoridade e apostolado que detinham enquanto viviam na carne. É assim que o apostolado foi restaurado. Essa autoridade existe nesta Igreja, e nunca mais lhe será tirada. Aquilo a que os Santos dos Últimos Dias chamam o Sacerdócio é a autoridade dada por Deus aos homens para agir em Seu nome, de modo que o que fazem por Sua autoridade, e da maneira que Ele designou na terra, seja reconhecido no céu — o que selarem na terra será selado no céu, e o que desligarem na terra será desligado no céu. Deve ser feito como Deus dirige, segundo as revelações de Sua vontade. Mas esta autoridade, este direito, este poder de Deus existe nesta Igreja, como existiu na Igreja antiga, porque foi de fato restaurado pelos próprios homens que detinham suas chaves. E, na verdade, no final das contas, é isso que o mundo combate. Todos esses planos e artimanhas, toda essa legislação e essas influências que são exercidas sobre esta Igreja, sobre este sistema que o mundo chama de "mormonismo", são exercidas em consequência da restauração desse poder e dessa autoridade. É a autoridade do reino. Veio para ficar. Veio para prevalecer. Primeiro pregará o evangelho do reino, como testemunho a todas as nações; depois reunirá os eleitos de Deus dos quatro cantos da terra; edificará templos ao nome do Deus Altíssimo, nos quais os homens poderão administrar as ordenanças que pertencem à salvação dos vivos e à redenção dos mortos. Realizará tudo o que foi predito pelos profetas a respeito do Reino dos Últimos Dias. ¶
Ora, este é o tipo de obra em que estamos empenhados. Foi introduzida pelo Todo-Poderoso para realizar todos aqueles grandes acontecimentos sobre os quais lemos nos escritos dos antigos profetas e que ainda não se cumpriram; há muitíssimas coisas contidas no Antigo Testamento às quais as pessoas dão pouca atenção hoje em dia. Têm a ideia de que as coisas se cumprirão de alguma forma espiritual, ou de algum modo mítico e místico; não sabem exatamente como; e é ofício de certos homens contratados para pregar o evangelho fazer explicações misteriosas de passagens das Escrituras, que conseguem encobrir, e conseguem confundir o povo mais do que antes de se tentar a exposição. Não obstante, todas aquelas predições que se referem a acontecimentos que hão de ocorrer na terra nos últimos dias hão de se cumprir exatamente como estão escritas, e esta obra, esta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, esta coisa chamada "mormonismo", foi introduzida pelo Todo-Poderoso com o propósito expresso de realizar essas coisas; é por isso que é universalmente combatida. Todas essas diferentes seitas da cristandade moderna são como as seitas do paganismo, sem comunicação com o mundo eterno. Não recebem revelação alguma de Deus. Seus ministros não têm autoridade alguma, exceto aquela que obtêm de suas congregações. Muitos deles não pretendem ter nenhuma outra, quando pressionados de perto. Pregam aqueles dogmas em que o povo crê e que são aceitáveis ao povo — cada ministro de cada seita pregando aquilo que os membros desejam ouvir. Todas essas diferentes seitas contêm muitas pessoas boas que estão tentando fazer o bem, tentando servir a Deus, e muitas outras que são hipócritas. Mas, como seitas, como sociedades, como igrejas, não são autorizadas por Deus. Podeis rastrear todas elas até sua origem, e descobrir que essa origem é de natureza humana. Não vieram de Deus; vieram dos homens, alguns deles homens bons, talvez. Homens se reuniram e formularam credos e organizaram sociedades, e essas sociedades cresceram e se espalharam, e, com o tempo, tornaram-se ortodoxas na terra. No início foram perseguidas e combatidas, mas, à medida que cresceram em riqueza assim como em número, fizeram nome e alarido e se tornaram um poder na terra, e são reconhecidas e entendidas como seitas ortodoxas. Mas nenhuma delas é ordenada por Deus. Não foram estabelecidas por mandamento divino, e seus ministros não foram autorizados divinamente a pregar o evangelho, nem a administrar as coisas do Reino. Pode haver, e sem dúvida há, homens entre elas que pregam aquilo que creem ser verdadeiro. Mas a crença de um homem não é autoridade. Um homem pode crer que uma coisa é correta, mas isso não lhe dá autoridade para representar a Deus nesse assunto. Um homem pode crer que é correto aspergir um bebê e chamar isso de batismo. Mas, ainda supondo que seja correto — embora não seja — o fato de ele crer que é correto não lhe daria autoridade para administrar, porque o faz "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo", e ele não tem o direito de tomar esses nomes em vão em seus lábios, e ele os toma em vão a menos que tenha sido autorizado a usar esses nomes. Nenhum homem tem mais direito de usar o nome da Divindade na administração de uma ordenança, sem autoridade, do que um cidadão comum, sem autoridade, tem o direito de usar o nome e fingir ser o representante do Governo dos Estados Unidos, ou da Grã-Bretanha, ou da Alemanha; nem um pouco. Mas os homens parecem pensar que, porque Deus não interfere, têm o direito de fazer muitas coisas que Ele nunca ordenou, e fazê-las em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. ¶
Ora, como acabo de dizer, a autoridade para administrar as coisas da Igreja de Deus foi restaurada da maneira que vos disse. É por isso que reivindicamos, nesta Igreja, o direito de administrar essas ordenanças, e é por isso que fazemos a ampla afirmação de que, fora desta Igreja, não há autoridade alguma no mundo para administrar em nome do Senhor. Se existe tal autoridade, que aqueles que afirmam possuí-la mostrem suas credenciais e provem de onde a obtiveram. Ora, nesta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, não somente essa autoridade é restaurada, e as mesmas doutrinas, princípios e ordenanças que existiam na Igreja cristã primitiva também são restaurados, mas os acompanham o mesmo espírito, os mesmos dons, manifestações e poder que existiram na Igreja antiga. E aqui está uma das grandes provas da verdade daquilo que vos tenho exposto: onde quer que os servos de Deus ligados a esta Igreja e detentores desta autoridade vão pelo mundo — e saem sem bolsa nem alforje para administrar: não há pregadores assalariados nesta Igreja — onde quer que vão e proclamem este evangelho, dizem ao povo que, se crerem no Senhor Jesus Cristo, e se arrependerem de seus pecados, e forem batizados para a remissão dos pecados, receberão o Espírito Santo, pela imposição das mãos; e que esse Espírito Santo que lhes será dado é exatamente o mesmo espírito, em suas manifestações e em seu poder, que os Apóstolos conferiram ao povo pela imposição das mãos na Igreja cristã primitiva, e que repousava sobre os antigos profetas, pelo qual escreveram as coisas chamadas escritura: o mesmo espírito que Jesus Cristo tinha sem medida; aquele espírito que Ele deu a Seus Apóstolos quando soprou sobre eles e disse: "Paz seja convosco: assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós * * Recebei o Espírito Santo:" aquele mesmo espírito que esteve sobre eles no dia de Pentecostes; aquele espírito que se manifestou à Igreja em Corinto pelo dom de línguas, interpretações, visões, sonhos, curas e milagres, e todos aqueles sinais que Jesus Cristo prometeu aos que cressem. Estes se manifestam no meio dos Santos dos Últimos Dias; este espírito, este poder, é revelado a eles e a eles comunicado. Não somente à Presidência e aos Doze Apóstolos, e outros Élderes dirigentes, mas a cada indivíduo, a toda pessoa que crê, se arrepende e é batizada, e sobre quem são impostas as mãos daqueles que têm autoridade de Deus para administrar em Seu nome. Ora, esses homens poderiam reivindicar essa autoridade e ser impostores; pois o mundo tem estado cheio de impostores, e há muitos deles hoje em dia — impostores religiosos; esses homens poderiam reivindicar ter essa autoridade, mas não poderiam comunicar este poder, o Espírito Santo. Mas onde quer que as pessoas recebam esta doutrina, e a obedeçam em seu espírito, seu testemunho é, em toda terra, em todo canto da terra, onde quer que os servos de Deus tenham penetrado, que receberam para si mesmas, por revelação, pelo Espírito Santo do alto, um testemunho de que esta obra é a obra de Deus, e que esses homens são Seus servos. É por isso que estão aqui. É por isso que estão reunidos nestes vales das montanhas. Estão aqui porque receberam a verdade, e um conhecimento dela, porque receberam as ordenanças da Igreja e obtiveram o poder que as acompanha; porque Deus testificou a eles individualmente, que Ele falou dos céus, que restabeleceu Sua Igreja, e que chegou o tempo para a edificação do Reino dos últimos dias e o estabelecimento do domínio de Deus em toda a terra, e são chamados a ajudar na obra; não somente os Apóstolos e o Sacerdócio, mas todos os membros da Igreja são chamados a tomar parte na obra. E aqui estamos, nestes vales das montanhas, unidos como um bando de irmãos — não pelo poder do homem, não pela coerção do homem, não pela opressão, não por regras arbitrárias, mas pelo espírito e poder do Deus Eterno, enviado do alto, que tem sido derramado universalmente sobre os membros da Igreja. Este é o nosso testemunho ao mundo. ¶
Sabemos que Deus vive. Sabemos que há "providências especiais" de Deus. Sabemos que esta obra prevalecerá. Sabemos que todos esses planos e artimanhas adversos dos homens, sejam de indivíduos ou de nações, só tenderão a impulsionar esta obra, e a realizar os propósitos do Todo-Poderoso no meio dos filhos dos homens. É por isso que temos tanta confiança. Não é porque pensamos tão bem de nós mesmos. Não professamos ser um grande povo, exceto em nossa unidade — nisso somos grandes — exceto em nossa laboriosidade, temperança e sobriedade, pois somos um povo temperante, sóbrio e econômico. É claro que há exceções a isso. Há homens e mulheres entre nós, como há em todas as denominações, que não darão ouvidos a bons conselhos nem farão o que é correto. Não obstante a promessa feita por todo homem e mulher que entra nesta Igreja de ser santo e justo, verdadeiro e fiel, e de evitar o pecado, há alguns que não se sujeitarão a suas obrigações solenes, nem cumprirão seus convênios uns com os outros. E aqueles que quebrarem promessas uns com os outros muito provavelmente quebrarão promessas feitas ao Deus Todo-Poderoso. Mas, como corpo, somos um povo unido, econômico, temperante e sóbrio, e procuramos fazer aquilo que consideramos correto. Podemos cometer erros como outras pessoas: mas, como corpo de pessoas, estamos no caminho estreito e apertado, o único caminho para a cidade celestial, e não desejamos desviar-nos nem para a direita nem para a esquerda. Àqueles que andaram nesse caminho em tempos antigos, Jesus Cristo disse que seriam combatidos pelo mundo, que o mundo os odiaria. "Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos odeia." Fomos chamados a sair do mundo da mesma maneira. Somos chamados com um chamado especial, e temos uma missão especial a cumprir. Não há uma só alma nesta Igreja que não tenha uma missão. Somos chamados a sair do mundo para sermos o povo do Senhor, para sermos Santos do Altíssimo, para nos consagrarmos e nos dedicarmos, corpo e alma, com tudo o que temos — os frutos dos trabalhos de nossas mãos, os frutos dos esforços de nossas mentes — à obra em que estamos empenhados, a obra do Grande Deus na terra, usando-nos Ele como instrumentos. Este é o tipo de povo que somos. Este é o tipo de povo a que o mundo se opõe. ¶
Ora, quanto àquele aspecto de nossa fé sobre o qual fazem tanto alarido — um direito que reivindicamos sob a Constituição dos Estados Unidos, e contra o qual têm sido aprovadas leis no Congresso, elaboradas para impedir que cumpramos os mandamentos de Deus a respeito de nossas relações familiares — esse aspecto parece perturbar o equilíbrio de nossos amigos "cristãos". Qual é o problema? "Ora, credes que os homens podem ter mais de uma esposa." Sim, alguns homens, homens bons. Não cremos que um homem mau devesse ter esposa alguma. Só os bons merecem as boas. E cremos que homens justos, homens virtuosos, homens que não usariam impropriamente qualquer poder ou faculdade de sua natureza, deveriam ter permissão de ter esposas e criar uma posteridade santa, e instruir seus filhos nos caminhos da virtude, da honestidade e da retidão. Não cremos que seja correto que os homens cedam às suas paixões animais. Não cremos que seja correto fazê-lo, quer em matrimônio plural, quer em matrimônio singular, ou fora dele. Cremos que o matrimônio é um estado santo, ordenado por Deus, com o qual o Congresso não tem o direito de interferir. É um assunto religioso para nós. É uma ordenança santa estabelecida pelo Pai Eterno. Reivindicamos que as mulheres da Igreja são filhas de Deus, e Deus tem certo direito quanto à sua disposição. Não cremos que seja correto que um homem escolha e selecione como bem lhe aprouver, e faça o que quiser independentemente de Deus Todo-Poderoso. Lemos no Antigo Testamento que "quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram." E se declara que a iniquidade do homem era grande, e Deus trouxe um dilúvio sobre a terra. Ora, para entender isso corretamente, temos de saber em que posição estavam essas pessoas, e por que eram chamadas "filhos de Deus". Esses homens estavam na mesma posição que os Santos dos Últimos Dias. Eram herdeiros do Sacerdócio. Eram os filhos de Deus. Tinham obedecido aos santos convênios. Tinham recebido a palavra do Senhor. Estavam consagrados ao Todo-Poderoso. Mas saíram de seus convênios e de seu compromisso com o Senhor, e tomaram para si esposas das filhas dos homens que não estavam no convênio, e assim transgrediram a lei de Deus. A lei de Deus a esse respeito tem sido a mesma em todas as eras, e foi dada a este povo — que os filhos de Israel se casem com as filhas de Israel, e não saiam a casar-se com o estranho. Esses homens fizeram isso, e Deus ficou desagradado, como está hoje com os Santos dos Últimos Dias, que são chamados a sair do mundo para serem Seus servos, para serem santos ao Senhor, para serem limpos, porque carregam os vasos do Senhor, quando saem e se casam com o estranho. A lei é que não façam isso, mas que se casem sob o convênio eterno, e tenham suas esposas dadas a eles pelo Senhor, e seladas a eles por uma ordenança santa revelada do céu, num lugar santo preparado para esse propósito — seladas pelo tempo e por toda a eternidade, de modo que a morte não poderá romper o vínculo da união; que, embora a morte possa separá-los por um pequeno período, quando ressuscitarem não haverá necessidade de se casarem ou se darem em casamento, porque foram casados na terra pela autoridade de Deus Todo-Poderoso pelo tempo e por toda a eternidade, tal como Adão e Eva o foram, pois Deus deu Eva a Adão antes que a morte entrasse no mundo. Cremos que homens bons, que demonstraram sua aptidão para as responsabilidades do santo matrimônio, podem, sob a direção do Senhor, obter mais de uma esposa, podem tê-las seladas a eles pelo mesmo convênio e pelo mesmo vínculo, para serem suas esposas no mundo eterno; e esperam, quando partirem daqui, ir aonde está Abraão — àquele lugar chamado o seio de Abraão. Ali estarão em companhia congenial. Confirmarão as palavras de Jesus, que disse: "Muitos virão do oriente e do ocidente, e do norte e do sul, e se assentarão com Abraão, Isaque e Jacó no Reino de Deus"; enquanto outros, que supunham ser "os filhos do Reino", serão "lançados fora". E receio que muitos de nossos bons amigos cristãos, tão terrivelmente chocados com este aspecto de nossa fé, quando chegarem à porta e olharem para dentro e virem Abraão e Sara e Agar e Quetura, e aquelas concubinas dadas por Deus a Abraão — quando os virem no reino eterno, quererão dar as costas e ir para companhia mais congenial, o que estão em plena liberdade de fazer. Se Abraão estivesse hoje sobre a terra, essas mesmas boas pessoas o colocariam na penitenciária, e, no entanto, chamam Abraão de "pai dos fiéis, amigo de Deus", e querem ir para seu seio quando morrerem! Se Jacó estivesse aqui com suas quatro esposas, por meio das quais "edificou a casa de Israel", cujos nomes dos doze filhos hão de ser inscritos nas portas da cidade santa, a Nova Jerusalém, que há de descer de Deus, do céu, como noiva adornada para seu marido — digo que, se Jacó estivesse hoje sobre a terra, o colocariam na prisão! Bem, esta é a coerência de algumas pessoas que professam crer na Bíblia. Vêm homens tentar vender a Bíblia aos Santos dos Últimos Dias. Ora, bendigam-se suas almas, não há povo na terra que creia tanto na Bíblia quanto os "mórmons". Cremos no Antigo e no Novo Testamento, na tradução do Rei Tiago. Foi por meio de nossa crença nesse registro que a maioria de nós se tornou Santos dos Últimos Dias; pois, sendo familiarizados com a Bíblia, quando os servos de Deus vieram com o evangelho, achamos que era o mesmo que estava estabelecido naquele registro sagrado, e isso nos induziu a abraçar a fé comumente chamada "mormonismo". ¶
Bem, agora, este aspecto de nossa fé ao qual aludi — não tenho tempo de comentá-lo em todas as suas implicações, e muitas pessoas não o entenderiam mesmo que eu o fizesse — é uma instituição divina. Permiti-me dar meu testemunho a esta congregação, como gostaria de dá-lo a todo o mundo, de que é uma instituição pura e santa; não para trazer as mulheres à servidão, mas para colocá-las na posição para a qual foram criadas — para dar-lhes a oportunidade de se tornarem esposas e mães honradas, de modo que não restasse "margem alguma para a concupiscência se aproveitar", nenhum campo para as artimanhas do sedutor e do adúltero, do corrupto e do ímpio. O Deus Todo-Poderoso estabeleceu este sistema. É uma ordenança religiosa estabelecida por autoridade de Deus, por revelação do alto, e administrada por cerimônias religiosas. Pertence a este Sacerdócio, e a nenhum outro. Não estamos buscando estendê-la ao mundo, nem introduzi-la a outros povos. Está confinada ao Sacerdócio. É "uma lei do meu santo sacerdócio", diz o Senhor, e há limites, limitações e regulamentos que não podemos ultrapassar. E não é para os ímpios. ¶
Ora, então, nesse sentido, considerando isto como uma instituição religiosa, como um sacramento, como uma ordenança de nossa fé, como parte de nosso credo, como um estabelecimento de nossa religião, reivindicamos o direito ao seu livre exercício diante de Deus e diante dos homens. Se alguém puder provar-nos que é errado, que é impuro, que seus efeitos são maus para este mundo ou para o mundo vindouro, isso seria algo totalmente diferente, e teria seu efeito sobre nós, porque, como membros desta Igreja, estamos empenhados na verdade, na salvação, na glória de nosso Deus. Queremos alcançar o reino celestial. Queremos preparar-nos para a sociedade dos santos, a sociedade dos melhores que já viveram sobre a face da terra, e para isso somos Santos dos Últimos Dias. Se os homens pudessem provar-nos que estamos errados, então teriam alguma chance de nos converter. Mas, quando pisoteiam nossos direitos inalienáveis, nossos privilégios constitucionais, nossa liberdade religiosa, ora, então, sentimo-nos inclinados a resistir. Mas não vamos lutar. Naturalmente repelimos os ataques contra nós, mas é à maneira de defesa. Nosso lema, como o dos voluntários de Londres, é: "Defesa, não desafio." Defendemos nossos direitos e privilégios contra todos os ataques, e, ao fazê-lo, estamos defendendo os direitos de todo o povo deste grande país. Pois, se arrancardes o alicerce da estrutura que os pais estabeleceram, toda a instituição pode desabar com estrondo. Digo-vos que temos de vigiar essas coisas, e esta é parte de nossa missão. Devemos pregar o evangelho e edificar o Reino de Deus, e contender por nossos direitos constitucionais, porque nos são dados pelo Senhor. A Constituição de nosso país foi revelada por Deus. Deus nos deu a conhecer que Ele inspirou os autores da Constituição, e fez com que aquele instrumento fosse trazido à luz, para que todo o povo pudesse ser protegido em seus direitos. Reivindicamos os mesmos direitos que as outras pessoas, e nada mais. Recebemos este princípio de nossa fé em conexão com muitos outros, e reivindicamos que, se não infringirmos os direitos de outros, deveríamos ter liberdade em seu exercício. Se um homem tivesse permissão para forçar alguma mulher a ser sua esposa, ou para interferir com a esposa de seu vizinho, ou infringir os direitos de outro homem, então a lei secular poderia intervir e interferir. Mas, enquanto a mulher for livre — nenhuma mulher entre nós é coagida, nenhuma mulher é colocada em servidão, toda mulher está em liberdade de casar ou não casar — enquanto for esse o caso, não pensamos que a lei tenha direito algum de interferir; e pretendemos contender por nossos direitos palmo a palmo, legalmente, respeitosamente; mas, nisto, somos tão firmes quanto estas montanhas eternas, que não se movem pelos ventos do inverno nem pelo calor do verão. Esta é a obra de Deus, e ai de nós se não pregarmos o evangelho! Ai de nós se abandonarmos, ou tentarmos vender, permutar ou comprometer um dos princípios eternos que foram enviados dos céus e que temos de levar aos confins da terra! Mas, se formos fiéis à nossa missão e chamado, se permanecermos firmes e verdadeiros, e considerarmos Deus antes do que o homem, Deus lutará nossas batalhas. Tudo o que parece estar contra nós se tornará para nosso bem. As nuvens que nos ensombram de tempos em tempos se abrirão e se dissiparão, e o glorioso sol da prosperidade brilhará sobre nós. Se formos verdadeiros e fiéis, o Deus Todo-Poderoso fará reverter todas as coisas para nosso bem, e nos fará mais que vencedores. E toda nação, povo, instituição e sociedade que lutar contra Sião se tornará como o sonho de uma visão noturna — passará; e aqueles homens que lutarem contra esta obra serão, como disse o profeta: "Como o faminto que sonha, e eis que lhe parece que come, porém, acordando, se acha a sua alma vazia, ou como o sedento que sonha, e eis que lhe parece que bebe, porém, acordando, eis que ainda desfalecido se acha, e a sua alma, com sede." Assim será com todos os que lutarem contra esta obra e tentarem derrubá-la. Não porque sejamos mais poderosos do que qualquer outro, não porque sejamos tão numerosos, não porque sejamos eruditos, não porque sejamos ricos, mas porque o Deus Todo-Poderoso estabeleceu esta obra, e Ele a fará prevalecer. Dou meu testemunho de que sei que isto é verdade. ¶
Que Deus abençoe os Santos dos Últimos Dias e una seus corações, para que sejam um só. Que possam guardar aquelas coisas preciosas em vasos de barro que o Deus Todo-Poderoso lhes confiou. Se encontraram a Pérola de Grande Valor, que a estimem acima de todas as coisas terrenas, e suportem toda oposição e toda influência exercida contra eles, e saiam triunfantes; e que Deus abençoe aqueles que se reuniram conosco esta tarde, e lhes dê conhecimento da verdade desta obra, para que possam desfrutar de suas bênçãos conosco e ser salvos no Reino de Deus, por causa de Cristo. Amém. ¶