Trabalhos Missionários Revisados—Testemunho Obtido—Predições Cumpridas—Condição do Mundo—Perspectivas da Missão Suíça e Alemã—Classe de Homens Escolhidos pelo Senhor para Sua Obra—Restauração do Evangelho—O Sacerdócio Necessário—Como Foi Restaurado—Antigas Profecias a Respeito da Obra dos Últimos Dias—Por Que os Santos São Odiados—Perseguição Predita—Aspecto Político—Revelação Necessária—Distinção Entre o Espírito Santo e o Espírito Dado a Todo Homem—Verdadeira Educação—Como Joseph Smith e Orson Pratt Obtiveram a Sua—Como Abraão e Moisés Foram Ensinados—Ação do Congresso Considerada
John Q. Cannon
Élder John Q. Cannon
Meus irmãos e irmãs e amigos, é com sentimentos que sou totalmente incapaz de expressar que me apresento diante de vós nesta tarde — sentimentos, por um lado, de gratidão a meu Pai Celestial, por, depois de uma ausência de quase três anos desta cidade, ser novamente permitido reunir-me com meus irmãos e irmãs neste lugar, e sentimentos, por outro lado, de intensa timidez ao me apresentar diante de uma audiência tão grande. Mas confio, meus irmãos e irmãs, em vossa fé e orações durante os poucos momentos em que possa estar diante de vós, e confio, além disso, na promessa que nosso Senhor deu, quando disse: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." Estou satisfeito, de minha parte, de que nós, nesta tarde, nos reunimos em nome do Senhor, e estou consequentemente satisfeito de que Seu Espírito estará conosco à medida que o buscarmos, à medida que nos livrarmos de todo sentimento de mundanismo e nos reunirmos com corações puros para participar dos emblemas da morte e do sofrimento de nosso Senhor, e para sermos instruídos no plano que Ele estabeleceu para nossa salvação. ¶
Faz quatro dias que retornei de uma missão, e em seis semanas terá completado três anos desde que deixei esta cidade, em obediência a um chamado feito a mim pelas autoridades da Igreja. No dia 9 de agosto de 1881, deixei esta cidade numa missão à Grã-Bretanha, em companhia de onze outros missionários, que se destinavam à Escandinávia. Chegamos a Liverpool no devido tempo, e fui designado, pouco depois de minha chegada ali, à Conferência de Londres, onde labutei com grande prazer até o dia 17 de março de 1882. No início do mês, o então Presidente da Missão Europeia — o Apóstolo Albert Carrington — me notificou que eu deveria seguir para a Missão Alemã, e poucos dias depois de receber esta notificação me reuni a meu irmão no norte da Alemanha. Naturalmente, ao ir para a Alemanha, tive de aprender o idioma; era totalmente ignorante dele quando parti e quando ali desembarquei; mas o Senhor fortaleceu minha memória, e em pouco tempo fui capaz de me fazer entender, e prosseguir com o verdadeiro objetivo de minha missão. Labutei — não me cabe dizer com quanto êxito — até ser dispensado há pouco tempo para voltar ao lar. ¶
Posso dizer, meus irmãos e irmãs, que desfrutei grandemente de minha missão. A bênção do Senhor esteve comigo. As promessas que foram seladas sobre minha cabeça pela Presidência antes que eu partisse foram literalmente cumpridas, e, para mim, de modo muito notável. ¶
Acima de tudo, prezo minha missão pelo testemunho que ela me deu da verdade deste Evangelho. Pode parecer estranho a vós que eu faça esta afirmação; porque naturalmente se pensaria que eu já tinha um testemunho antes de partir. No entanto, confesso que não era esse o caso. Eu tinha ouvido o que o mundo chama de Mormonismo — desde minha infância eu não tinha ouvido outra coisa. Cria, tanto quanto era possível, que este, o Evangelho pregado pelos Élderes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, era a religião verdadeira, e era o caminho da redenção conforme proclamado por Jesus Cristo e Seus Apóstolos. Esta era minha firme crença. Mas um testemunho direto, firme e constante da verdade do Evangelho eu não tinha recebido, e foi para obter esse testemunho, mais do que por qualquer outra coisa, que obedeci ao chamado que me foi feito. Eu tinha ouvido, como vós, que todo homem que retornava de uma missão e se levantava neste púlpito ou em outro lugar para proclamar seu testemunho e relatar seus trabalhos — eu tinha ouvido todo homem dizer: "Sei que este é o Evangelho de Jesus Cristo." E senti dentro de mim mesmo: se posso adquirir um conhecimento da verdade do Evangelho por meio de ir numa missão, estou disposto a ir. Eu valorizava minha salvação e um conhecimento da verdade do Evangelho justamente tanto quanto isso. Bem, fui, e labutei com grande fraqueza, não tenho dúvida. Mas o Senhor ouviu minhas orações. Ele me concedeu um testemunho da verdade do Evangelho, e, desde o momento em que recebi o primeiro até este momento, um testemunho tem seguido o outro em rápida sucessão. Sou, portanto, capaz de proclamar diante de vós, como o tenho feito com muito prazer diante do mundo, que sei que Deus falou em nossos dias, que Ele Se revelou e restaurou Seu Sacerdócio, por meio do qual a família humana — aqueles dentre eles que estão dispostos a serem salvos e a obedecer às exigências que Ele deu — pode ser salva. ¶
Foi-me dito antes de partir — a observação foi feita a mim por meu pai: "Meu filho, encontrarás no mundo que as nações estão praticamente na mesma condição em que estavam os atenienses quando Paulo foi pregar-lhes. Têm templos e têm altares construídos, mas estes são dedicados ao 'Deus Desconhecido'." Achei que isto era verdade. Achei que a palavra, a palavra escrita de Deus, era lida em toda igreja em toda terra, e que toda família a possuía; mas fiquei surpreso ao descobrir que poucos estavam dispostos a receber as verdades ali contidas. Contentavam-se com a letra morta da lei; e, quando eu me propunha ou tentava explicar os princípios da vida e da salvação, os princípios que Jesus Cristo ensinou a Seus discípulos, e que estes ensinaram a todos os que quisessem ouvir seu testemunho, encontrei grande frieza. As pessoas não queriam ouvir. Contentavam-se com o que já haviam recebido. Esta foi minha experiência geral. Por outro lado, encontrei muitos que reconheciam para mim a verdade daquilo que eu havia dito. Quando eu lhes dizia: "a fé no Senhor Jesus Cristo é insuficiente para vos salvar em Seu Reino;" quando eu dizia que algo mais era necessário além de uma simples fé no Senhor Jesus Cristo, e tentava provar minha posição pelas Escrituras, encontrei muitos que diziam: "Tens razão; algo mais é necessário segundo as Escrituras; a fé sozinha não pode nos salvar." Mas, quando eu prosseguia para explicar os outros princípios do Evangelho — o arrependimento, o batismo para a remissão dos pecados por alguém que tenha autoridade para batizar, e a imposição das mãos para o dom do Espírito Santo — descobria que diziam: "Isso pode ser tudo verdade, é verdade, cremos, mas não o queremos." Essa tem sido minha experiência e a experiência de outros em muitos casos. Há milhares no mundo — falei com centenas, creio eu — que fizeram uma confissão semelhante — de que a fé, o arrependimento, o batismo, e a imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo, eram princípios bíblicos, que não podiam ser negados, que o mesmo Evangelho foi pregado por Jesus Cristo e Seus Apóstolos — mas encontrei, entre essas centenas, muito poucos que estivessem dispostos a obedecer a esses princípios. Tenho a felicidade de dizer, contudo, que alguns poucos os obedeceram — que fui o instrumento, nas mãos de Deus, de trazer alguns a um conhecimento da verdade, e sou muito grato por este privilégio. ¶
Talvez vos interesse saber algo a respeito das perspectivas atuais da missão Suíça e Alemã, onde labutei por mais de dois anos. Temos cerca de dezessete Élderes no campo. Alguns deles têm labutado na Áustria, um está na Itália, todos os outros estão na Suíça e na Alemanha. Em certas partes da Alemanha as leis são muito rígidas. Reuniões públicas de qualquer espécie são proibidas. Não nos é permitido, portanto, pregar. Isto foi provocado pela ação dos Socialistas, com quem somos confundidos. Eles têm realizado reuniões, como sabeis se ledes os jornais, e aprovado resoluções para derrubar governos e reinos, e reduzir tudo ao caos, se possível. No reino da Prússia, contudo, gozamos atualmente de considerável liberdade. Temos a permissão das autoridades da cidade de Berlim para realizar nossas reuniões regulares, e podemos anunciar essas reuniões nos jornais, se assim desejarmos. Naturalmente, nossas reuniões são visitadas ocasionalmente por detetives e policiais, para verem que nada contrário às leis do país seja divulgado, ação essa que, é claro, nos é bastante agradável. Isso, porém, se aplica apenas ao reino da Prússia. No reino da Baviera, que é fortemente católico, temos sido incapazes, até o presente momento, de obter direito algum. Fomos ameaçados e, em alguns casos, expulsos por termos tentado pregar o Evangelho. Fomos proibidos de realizar reuniões de qualquer espécie. Foi-nos até declarado que, onde sete pessoas se reunissem, esse número seria considerado uma reunião, e, se os participantes fossem estrangeiros, seriam expulsos, ao passo que os nativos seriam pesadamente multados. No Grão-Ducado de Baden vigora a mesma regra. No reino de Württemberg, nunca foi proibido que realizássemos reuniões, mas ainda não temos permissão oficial para fazê-lo. Na Suíça, naturalmente, temos plena permissão. Podemos realizar nossas reuniões em qualquer casa. Ainda não nos é permitido, nem de fato a ninguém, realizar reuniões ao ar livre. As perspectivas da missão, como as vejo, são muito boas, e penso que se aproxima o dia em que essas leis rigorosas serão quebradas, quando todos os que desejam servir a Deus da maneira que Ele ordenou, embora possa não ser de acordo com os desejos dos governantes, terão o privilégio. As leis da Baviera pretendem dar plena liberdade de culto; mas o fato real é que toda pessoa é proibida, por meio de pressão exercida sobre ela, de frequentar qualquer coisa que não seja a igreja estabelecida, que é a Católica, ou a Luterana. Espera-se que as pessoas frequentem, ou ao menos sejam membros de uma dessas igrejas; e são obrigadas a fazer um reconhecimento oficial de sua crença em seus livros de trabalho, que são uma espécie de credencial, contendo o nome, idade, ofício e local de residência de todo trabalhador no país. Neste livro cada homem deve anunciar sua religião, e, se esta for outra que não a Luterana ou a Católica, ele é posto em grande dificuldade e inconveniente, talvez encontre dificuldade em obter trabalho de todo; e, no caso de se chamar "mórmon", seria punido segundo os regulamentos que alguns dos Estados estabeleceram. Não creio que o rei da Baviera, e os governantes dos reinos, sejam tão amargurados quanto alguns dos funcionários subordinados. A mais forte perseguição que encontramos foi na cidade de Nuremberg, e isso foi da parte do juiz de circuito, um homem que, em outros aspectos, é muito liberal, mas cuja mente se tornou preconceituosa por causa de alguns relatos falsos que chegaram ao país, e que foram espalhados pela imprensa justo quando começávamos. Não obstante, espero — e creio que é o sentimento geral — que o dia não está distante em que a liberdade de culto será permitida — quando os Élderes poderão percorrer o país e proclamar o Evangelho sem temor ou incômodo. Oramos por esse dia, e temos grandes esperanças de que há muitos milhares naqueles países que receberão o Evangelho. ¶
Os Élderes estão labutando energicamente. Não têm poupado esforços para descobrir aqueles que estão dispostos a receber seu testemunho. Estão labutando fielmente e com bons resultados. A emigração tem sido bastante extensa, como sabeis; mas o número dos que foram batizados excede consideravelmente o número dos que emigraram. Nossos ramos, portanto, estão crescendo continuamente. ¶
Meus irmãos e irmãs: sou grato por poder testificar da verdade deste Evangelho, que está sendo pregado nestes dias. Sei que Joseph Smith foi um Profeta de Deus, e este é um testemunho que recebi por mim mesmo. Não é porque meus pais me ensinaram isto, ou porque ouvi isto de outros; isso me deu coragem para prestar este testemunho diante de outros. Mas me sinto livre para dizer a todos os homens: "Arrependei-vos e sede batizados, e recebereis o dom do Espírito Santo, que vos dará um testemunho como me deu a mim." Este é o testemunho, meus irmãos e irmãs, que sinto prestar diante de vós nesta tarde. ¶
Estou feliz de estar novamente nestas montanhas, de respirar este ar, de ver aqueles com quem cresci, e de sentir-me novamente em casa. Durante os três anos em que estive ausente, muitas mudanças ocorreram, algumas delas muito tristes para mim; mas sou grato de estar de volta uma vez mais. E agora que estou em casa, espero poder trabalhar firmemente na causa de Deus, e fazer minha parte para ajudar a edificar Seu reino sobre a terra. Este é o meu desejo, e oro para que o Senhor nos ajude a todos a permanecermos fiéis até o fim, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
Presidente Wilford Woodruff
Temos ouvido o testemunho de um de nossos rapazes mórmons destas montanhas, que foi chamado em sua juventude para ir às nações da terra declarar o Evangelho de Jesus Cristo aos habitantes delas. Este é um exemplo de toda esta obra mórmon no dia e geração em que vivemos. O próprio Joseph Smith não passava de um rapaz, um jovem sem letras, quando Deus o chamou há mais de meio século, para ouvir a voz do Senhor, e ser um instrumento em Suas mãos para lançar o fundamento de Sua Igreja e Reino sobre a terra, na última dispensação da plenitude dos tempos; e, desde aquele dia até este, homens têm sido chamados — alguns do arado, da plaina, do martelo, e das várias ocupações da vida — para irem e erguerem suas vozes e testificarem às nações da terra do Evangelho do Filho de Deus. E o Senhor tem manifestado Seu poder, e Sua misericórdia, a todos os que têm sido chamados a irem e testificarem de Seu nome; e o Irmão Cannon (John Q.), que nos dirigiu a palavra, como dezenas de milhares de outros, pode testificar diante de Deus, anjos e homens, diante dos céus e da terra, das verdades do Evangelho de Jesus Cristo, que nos foram reveladas no dia e geração em que vivemos. É uma obra maravilhosa e um prodígio na terra, e está atraindo a atenção de toda a família humana. Os habitantes da terra se maravilham e se perguntam, e muitas vezes desejam saber qual será o fim destas coisas. O Senhor chamou Joseph Smith, como descendente literal de José, que foi vendido para o Egito, para lançar o fundamento da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A Igreja havia estado no deserto por quase 1.800 anos. A Igreja e o Reino de Deus haviam caído. Os gentios haviam seguido o mesmo exemplo de incredulidade que os judeus, quando estes se apartaram do Evangelho de Cristo e mataram quase todo homem que portava o Santo Sacerdócio sobre a terra, ou que pregava o Evangelho do Filho de Deus ao mundo. Os judeus rejeitaram o Messias; deram-Lhe a morte; e labutaram para derrubar a Igreja, embora esta lhes tivesse ido em todo o poder e glória, e com todas as chaves, princípios, ordenanças e sacerdócio, tal como aos patriarcas e profetas em gerações anteriores. Por isso os judeus foram derrubados. Tiveram de pagar a conta por derramar o sangue do ungido do Senhor; e o Senhor arrancou o Reino de suas mãos, e o entregou nas mãos dos gentios; e Paulo, o Apóstolo aos gentios, os advertiu fortemente e fielmente a terem cuidado e serem cautelosos para não caírem pelo mesmo exemplo de incredulidade. "Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também." Mas todos os Profetas e Apóstolos entenderam, por visão e revelação, que haveria uma apostasia. Houve uma apostasia. Posso dizer, com verdade — quer o mundo o creia ou não — que, desde o dia em que os apóstolos e discípulos e aqueles que portavam o Sacerdócio do Senhor Jesus Cristo foram mortos, não houve homem algum sobre a face da terra do Senhor que tivesse o poder de administrar as ordenanças do Evangelho de modo a ter poder depois da morte. Compreendo perfeitamente que o mundo não crê nisto, contudo é verdade. Nunca houve homem algum que respirasse o fôlego de vida, em nenhuma era do mundo, que tivesse o poder de ir e administrar as ordenanças do Evangelho de Cristo, senão pelo poder daquele eterno e sempiterno Sacerdócio que Melquisedeque possuía, que Adão, Abraão, Moisés e Elias, e todos os antigos Patriarcas e Profetas, possuíam. Jesus Cristo o possuía. Ele era um Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e entrou na presença de Deus para interceder por Seus irmãos. Os Apóstolos o possuíam. Homem algum, em nenhuma era do mundo, teve poder para administrar as ordenanças do Evangelho sem ele. O próprio Deus, que criou mundos sobre mundos, criou todos estes mundos, e todos os que foram salvos foram redimidos pelo poder daquele eterno e sempiterno Sacerdócio. Mas, como disse antes, quando os Profetas e Apóstolos e todos os homens que portavam o Sacerdócio foram mortos, as ordenanças do Evangelho perderam efeito, e, em consequência disso, o mundo inteiro se encheu de seitas e partidos, de religiões falsas e princípios, até que quase parecia haver os seiscentos e sessenta e seis que João, o Revelador, viu em sua visão. E esta tem sido a condição de todo o mundo cristão, desde os dias de Jesus Cristo e Seus Apóstolos, até que o Senhor levantou Joseph Smith, e lhe ordenou organizar esta Igreja e Reino. Tentou ele fazer isto antes de receber o Sacerdócio? Não. Não tentou administrar nenhuma das ordenanças antes de receber o Santo Sacerdócio das mãos dos santos homens que lhe foram enviados por Deus, do céu. O primeiro homem que ordenou Joseph Smith e Oliver Cowdery ao Sacerdócio foi João Batista, que foi decapitado pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus. Assim foram ordenados ao Sacerdócio Aarônico. Joseph depois recebeu o Apostolado das mãos de Pedro, Tiago e João, que portavam as chaves do Apostolado. Deus Todo-Poderoso não podia estabelecer Seu Reino, Sua Igreja, Seu Sião — que a Santa Bíblia declara, desde Gênesis quase até o Apocalipse, que seria estabelecido nos últimos dias — sem homens que portassem aquele Sacerdócio. Deus teve de levantar um homem como Joseph Smith, e estabelecer Sua Igreja, por meio da qual preparar um povo para a vinda do Filho do Homem. Para este fim Joseph foi trazido. Ele recebeu esses oráculos de Deus. Lançou o fundamento desta Igreja e Reino em sua juventude, e ele, como o Salvador, e muitos dos outros servos de Deus, passou apenas pouco tempo na carne depois que começou seu ministério. O Salvador viveu apenas três anos e meio depois de iniciar Seu ministério. Joseph Smith labutou na carne cerca de 14 anos depois da organização da Igreja antes de selar seu testemunho com seu sangue, como fizeram outros Profetas e Patriarcas antes dele. Digo, desde aquele dia até este, o Senhor tem chamado homens para irem e declararem o Evangelho de Cristo. E o Irmão John Q. Cannon testificou, ele sabe por si mesmo. Sim, ele sabe. Não há dúvida disso. Há dezenas de milhares deste povo que podem prestar o mesmo testemunho. É verdade que há diferença entre os homens quanto à quantidade de testemunho que receberam para satisfazê-los da verdade desta obra. Muitos homens creem, mas muitos dizem que exigem certa quantidade de testemunho antes de saberem. Direi por mim mesmo: o maior testemunho que já recebi nesta Igreja (e passei mais de 50 anos de minha vida nela) tem sido o testemunho do Espírito Santo, tem sido a inspiração de Deus Todo-Poderoso, tem sido o espírito de vida e salvação, aquela voz mansa e delicada que tem repousado sobre mim e repousado sobre meus irmãos, desde o tempo em que fomos batizados nesta Igreja até o dia de hoje. Impomos as mãos sobre os enfermos, e eles são curados pelo poder de Deus. Impomos as mãos sobre nossos irmãos, e os separamos para missões. O Espírito de Deus repousa sobre nós e nos inspira em nossas palavras e pensamentos quanto ao que devemos selar sobre suas cabeças. Estas palavras se cumprem, e milhares e milhares podem testificar da verdade disto. ¶
A Bíblia contém uma vasta quantidade de profecia a respeito da última dispensação e da plenitude dos tempos; a respeito da edificação do Reino de Deus nos últimos dias; a respeito de um reino que se tornará um reino eterno, cujo domínio não terá fim. Deus mostrou isto a Daniel e a Nabucodonosor, como também a Isaías, Jeremias e Ezequiel. O Profeta Isaías retratou toda a história dos Santos dos Últimos Dias que ocupam estas montanhas de Israel. Ele descreveu nossas viagens até aqui, e nossos labores desde que chegamos aqui. Esses Profetas viram nosso dia, e falaram conforme foram movidos pelo Espírito Santo; e as profecias não são de interpretação particular. Suas palavras são palavras de verdade. Suas palavras tiveram seu cumprimento e o terão até o fim. As viagens desta Igreja têm sido por águas profundas, e isto não deveria ser algo estranho aos habitantes da terra. Direi aqui, sem temor de contradição, que homem algum, conjunto algum de homens, povo algum, igreja alguma, parte alguma do Reino de Deus pode viver piedosamente em Cristo Jesus sem sofrer perseguição. Mostrai-me um Patriarca ou Profeta que já tenha vivido que ensinasse as palavras de vida e salvação sem incorrer no ódio, na ira e na indignação das nações circunvizinhas, e me mostrareis algo que não fui capaz de encontrar na terra. Mas, sem me deter neste ponto, permiti-me dizer que é isto que aflige os mórmons. Esta é a causa da guerra movida contra nós por nossa nação hoje. Deus Todo-Poderoso decidiu estabelecer Sua Igreja e Reino na terra. Decidiu reunir Seu povo às montanhas de Israel para edificar um Sião. Esse Sião está aqui. Fizemos um começo. Viemos para cá, no dia 24 de julho de 1847, um pequeno grupo de pioneiros. Encontramos um deserto árido. Não parecia que homem branco algum pudesse viver aqui. Encontramos alguns índios pobres, miseráveis e degradados. Comiam um quarto de litro de grilos no café da manhã e no jantar, e isto, com algumas raízes, era todo o alimento que tinham. Hoje, aqui está um tabernáculo. Hoje, podeis viajar mil milhas por estes vales, de norte a sul, e os encontrareis cheios de vilas, povoados e cidades, e vereis templos, tabernáculos, etc. Que significa isto? Significa que o Deus dos Céus é um Deus de verdade. Ele decretou certas coisas, e essas coisas agora estão se cumprindo, apesar de toda a terra e do inferno. É isto que significa. Se não fosse por isto, Utah seria hoje um deserto, como era quando o encontramos. ¶
O testemunho dos Élderes de Israel é verdadeiro. Este é o Evangelho de Cristo. É o único Evangelho que o Senhor jamais revelou ao homem. E o Apóstolo Paulo diz: "Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema." Os filhos dos homens não creem no Evangelho. Terão tudo o mais sobre a face da terra, exceto o Evangelho. O Senhor decidiu cumprir Suas palavras e promessas, e estamos aqui para ajudá-Lo nesse trabalho. Viemos a estas montanhas por revelação, por inspiração. Fomos conduzidos aqui por Profetas, Apóstolos e homens inspirados; e esta Igreja e Reino tem continuado a crescer, desde o dia em que foi organizada até o presente. Continuará a crescer. O Evangelho de Cristo é a verdade. "Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?", disse Paulo aos Gálatas, ao lhes ensinar este princípio. Mas a verdade é impopular. O mundo está cheio de erro e falsidade. Não aceitará o plano de vida e salvação. ¶
Estamos nas mãos de Deus. Deus nos chamou para este labor. Ordenou-nos pregar o Evangelho às nações da terra. Isto temos feito, até onde as portas nos foram abertas. Parece estranho refletir sobre o fato de que nações como a Alemanha, a Áustria e a Prússia, deveriam erguer barreiras tão fortes quanto o ferro, por assim dizer, contra a pregação do Evangelho de Cristo em seu meio. Ainda assim o Senhor, como ouvimos do Irmão John Q. Cannon, está abrindo o caminho. Há um grande número da casa de Israel na Alemanha; há um grande número de honestos de coração por todas as nações da terra, e eles precisam ouvir o Evangelho. Temos pregado por mais de cinquenta anos. O mundo, em grande medida, o tem rejeitado. Ouvi Joseph Smith dizer muito a respeito da atitude que esta geração assumiria com relação ao Evangelho. Ele viu a situação. Disse ele: "O mundo lutará contra vós. O mundo guerreará contra vós. Vilas se levantarão e vos amotinarão, condados se oporão a vós, cidades se oporão a vós, e os Estados Unidos se coligarão contra vós. O mundo está cheio de trevas. O pecado e a maldade estão inundando o mundo como as águas cobrem o grande abismo. O diabo governa o mundo em grande medida. O mundo guerreará contra vós; o diabo o fará, a terra o fará, e o inferno o fará. Mas deveis testificar de mim. Deveis pregar o Evangelho, cumprir vosso dever, e o Senhor estará convosco. A terra e o inferno não prevalecerão contra vós." "E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno." E diria a nossos amigos que é este o espírito que vibra no peito de dezenas de milhares de Santos dos Últimos Dias nestas montanhas. Ficamos sobre este pedestal. Esta é nossa plataforma. Que temor temos nós com relação a nossos inimigos? Por que haveríamos de temer? Estamos nas mãos de Deus. Viemos a esta terra, neste tempo, numa missão. Nascemos de propósito nesta geração para tomar parte nesta obra. O Senhor requereu um elemento com que labutar. Ele edificará Sião. E presto meu testemunho aqui a todos os homens, e o prestaria a todo o mundo se tivesse o poder, de que a obra em que este povo está engajado, por pequena e insignificante que possa parecer, é a obra de Deus. Ela rolará adiante. Tornar-se-á uma montanha. Encherá toda a terra. Despedaçará todos os outros reinos, e permanecerá para sempre; pois Deus Todo-Poderoso assim o decretou. Escrevei isto. Observai os sinais dos tempos. Vede se estas coisas não são verdadeiras. Estamos vivendo num dia importante. Somos chamados a realizar uma obra para o Senhor, e a faremos enquanto tivermos tempo e oportunidade. Isto tem custado a vida de muitos homens; mas a vida dos homens é de pouca consequência comparada à vida eterna. Dai-me a vida eterna. Quanto a esta vida, que vale ela? Por que haveríamos de temer a morte? Ora, bendigam-se vossas almas, há poucos anos esta nação sacrificou um milhão de vidas em defesa do país. Isso pode estar certo. Não tenho nada a censurar. Mas é pior morrer pelo Reino de Deus do que morrer pela honra do país? Não muito. Então sejamos fiéis. Confiemos em Deus. Deixemos todas as coisas em Suas mãos, e tudo estará bem. ¶
Agora, gostaria de dizer algumas palavras antes de concluir, a respeito de nossa presente condição. Naturalmente, nossos assuntos se tornaram uma questão nacional. Os olhos de todo o mundo estão voltados para nós. Mas direi isto: é um espetáculo lastimável — é algo triste de contemplar — que nossos sábios Senadores, sim, nossos sábios Senadores, tenham de levar a falsidade aos salões do Congresso para trabalhar sobre ela e derrubar esta Igreja e Reino: assim também o púlpito, assim também a imprensa. Quem diz a verdade a respeito de Utah? Nem um homem em mil, dentre os que tentam representar este caso. Não temos um menino em Utah, em nossas escolas comuns, acima de doze anos de idade, que não saiba, ao ler as declarações de alguns desses Senadores, que estão argumentando sobre uma base falsa. Eles entendem isso perfeitamente. Desafio o mundo a provar que usamos em nossas escolas comuns algo além dos livros didáticos do mundo. Nem sequer usamos a Bíblia em nossas escolas comuns. Fazê-lo seria quase traição aos olhos de nossos inimigos. No entanto, esses venerandos Senadores nos representam fazendo isto. Por que argumentam os Senadores sobre premissas falsas para derrubar este povo? Se as pessoas dissessem a verdade a nosso respeito, estaríamos perfeitamente satisfeitos. Temos de nos satisfazer de qualquer forma. ¶
Bem, esta é a condição do mundo hoje. Somos chamados a pregar o Evangelho. Nós o pregamos. Há apenas um Evangelho. Qual é? Fé no Senhor Jesus Cristo; arrependimento do pecado; batismo para a remissão dos pecados; e o recebimento do Espírito Santo pela imposição das mãos. Estas são as doutrinas que Jesus ensinou, e que Seus Apóstolos ensinaram. ¶
Sinto prestar meu testemunho a estas coisas. Elas são verdadeiras. Deus está com este povo. E dizemos a nossa nação — mantende a Constituição e estaremos satisfeitos. Dai-nos os direitos dessa Constituição e estaremos satisfeitos. É um instrumento inspirado pelo poder de Deus. Nossos antepassados foram inspirados quando a redigiram. No entanto, é maravilhoso refletir sobre alguns princípios que têm sido estabelecidos — talvez não devesse aludir a estas coisas, mas estou apenas expressando minhas próprias reflexões — mesmo pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Em efeito, ela disse que podemos pensar como quisermos, mas não devemos agir. Perguntaria eu, em nome do Senhor, era isto tudo o que Thomas Jefferson, e outros, tinham em mente quando redigiram a cláusula a respeito da liberdade religiosa? E quanto aos homens agirem? Se era intenção apenas que os homens pensassem e não agissem, por que não dizê-lo assim no instrumento? Por que haveria de se declarar que "o Congresso não fará lei alguma a respeito do estabelecimento de uma religião, ou proibindo o livre exercício dela," se não fosse permitido aos homens agir? Ora, no exercício de sua religião, os homens devem agir: e é forçar os limites, é ultrapassar os limites da Constituição, aprovar leis que retirem os direitos e privilégios de qualquer povo por causa de sua religião — porque acontece de eles diferirem de seus vizinhos. Aonde levará tal rumo nosso governo? Direi o que fará. Rasgará o governo ao meio, como o vaso de um oleiro. Lançará a nação no pó. Derrubará o governo. Quando terminarem com os mórmons, haverá alguém mais com quem lidar. A Constituição é suficientemente boa para qualquer um. É suficientemente boa para os Santos dos Últimos Dias. Não temos princípio algum que não esteja de acordo com a Constituição dos Estados Unidos e as leis de Deus. Estamos perfeitamente dispostos a confiar a nós mesmos e nossos interesses nas mãos de Deus, e a deixar nossa nação também em Suas mãos; pois Deus julgará nossa nação; Ele nos julgará; Ele julgará todos os filhos dos homens, e julgará com juízo justo. O que os homens semeiam, colherão. A medida que usarem, com ela lhes será medido novamente. ¶
Rogo a Deus que abençoe esta nação. Rogo a Deus que dê sabedoria a nossos legisladores, para que possam manter os princípios constitucionais do governo, o único governo sobre a face da terra de Deus onde o Senhor pôde ter estabelecido Sua Igreja e Reino. Que possamos estar preparados para herdar a vida eterna é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶
Presidente John Taylor
Faz algum tempo desde que tomei o privilégio de falar aos Santos dos Últimos Dias neste lugar. Tenho visitado nossos povoados em diferentes partes de nosso Território. Ali frequentemente converso com o povo. Tendes aqui muitos que são capazes de vos ensinar e instruir, por isso é muito raro que me intrometa diante de vós nesta capacidade. Mas sempre sinto prazer em reunir-me com os Santos, em ouvir meus irmãos exporem os princípios da verdade eterna, e em ouvir os testemunhos que têm a dar a respeito do Evangelho do Filho de Deus. ¶
Deus nos revelou os princípios do Evangelho Eterno, e esse Evangelho traz a vida e a imortalidade à luz. A vida e a imortalidade só podem ser conhecidas pelas revelações de Deus, e o povo que não crê em revelação não pode ter conhecimento algum da vida e da imortalidade. É somente por meio desse princípio que essas coisas são ou foram desenvolvidas. Nós mesmos nada poderíamos saber de Deus, a partir do mundo em que vivemos, nem dos mestres dele, pois estes nem mesmo professam estar em comunhão com Deus, nem ter revelação Dele, e como poderiam falar daquilo que não conheciam nem compreendiam, ou que não lhes fora comunicado? Ser-lhes-ia impossível fazê-lo. Tem havido muitos, muitíssimos homens bons no mundo, nas diferentes épocas em que o Evangelho não existiu, que procuraram fazer o bem a seus semelhantes, e promover seu bem-estar e felicidade em capacidade social, política e religiosa, e procuraram introduzir princípios que fossem calculados para elevar e exaltar a humanidade na escala do ser. Isso é uma coisa, mas a inspiração do Altíssimo é outra coisa. Permiti-me mencionar aqui um princípio associado a essas ideias, que explicará um pouco as observações e a posição de nosso irmão, John Q. Cannon, que nos dirigiu a palavra nesta tarde. Disse ele que cria nos princípios do Evangelho, mas não tinha um testemunho deles — não compreendia a coisa —, até que obtivesse alguma manifestação adicional. Isso poderia ser atribuído à sua juventude e inexperiência nas coisas de Deus; quando foi posto face a face com as realidades da vida, e entrou em conflito com o mundo, viu-se na necessidade de recorrer a seu Pai Celestial, que lhe concedeu, por meio do Espírito Santo, aquele conhecimento de que fala. Mencionarei aqui um princípio. Fora do Evangelho, entre todas as classes de homens, entre todas as nações, tribos e povos, de toda cor e clima, em toda parte, foi-lhes dada uma porção do Espírito de Deus, para deles se aproveitarem. Isto nos é dito nas Escrituras, que Deus deu a todo homem uma porção de Seu Espírito; mas isso não é o dom do Espírito Santo. Onde os bons homens têm seguido a influência desse Espírito, ele os tem levado a fazer boas obras, a serem caridosos, a serem bondosos, a serem benevolentes, a cultivarem bons costumes e princípios corretos, a serem governados pelos princípios da honra, da verdade, da integridade e da virtude, e esses princípios prevalecem em maior ou menor grau entre as nações da terra e nesta nação. Esta é a porção do Espírito de Deus, como disse antes, que foi dada a todo homem para dela se aproveitar. Ora, aquelas pessoas de quem tanto falamos algumas vezes, os infiéis, têm uma porção deste Espírito, e muitos deles praticam muitas boas obras. Isto pode parecer estranho, não duvido, a muitos de vós, mas é um fato, não obstante. Aquele que pratica a retidão em qualquer lugar é reto, e aquele que pratica o mal é ímpio. ¶
Ora, qual é a diferença entre isso e o outro princípio? Jesus disse quando estava na terra: "Convém-vos que eu vá: porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei." Que faria o Consolador? "Esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." Ora, a porção do Espírito de Deus que é dada a todos os homens não faz isto. Não os conduz a toda a verdade, pois há grande diversidade de opinião entre eles. Um pode ser Metodista, outro Presbiteriano, um Quaker, outro Dunker, um Católico, outro Protestante, um Cristão, outro Maometano, um Pagão, e outro um infiel, e um assim e outro assado. Se os homens estivessem de posse do dom do Espírito Santo, isso os conduziria a toda a verdade, e haveria um só Senhor, como dizem as Escrituras, e uma só fé e um só batismo. Por isso um dos antigos Profetas, revestido pelo Espírito do Deus Vivo, olhou através da vista das eras futuras e contemplou eventos que ocorreriam nos últimos dias, e disse: "Quando o Senhor tornar a trazer Sião, seus atalaias verão olho a olho." Ali não haverá confusão alguma, nenhuma diferença de sentimento ali. Colocar-se-ão sob a orientação do Grande Eloím, e, sob Sua inspiração, serão capacitados a falar conforme forem movidos pelo Espírito Santo; e o Espírito de Deus, como antigamente, tomará das coisas de Deus e as mostrará a eles. Aí está a distinção entre os dois princípios. ¶
Como podemos esperar que o povo compreenda as coisas de Deus sem o dom do Espírito Santo? Os Élderes, quando são enviados a pregar, são instruídos a não pregar senão os primeiros princípios do Evangelho — a não pregar senão o arrependimento a esta geração. Por quê? Porque o povo não pode compreender princípios mais avançados. Recordo-me de conversar com um eminente clérigo há alguns anos. Era uma pessoa muito cavalheiresca, bem-disposta, inteligente, letrada, etc. Falei-lhe um pouco do Evangelho, mas descobri que ele não conseguia compreendê-lo. Por isso comecei a falar de política, história, geografia, e alguns pequenos princípios de ciência. Ele compreendia essas coisas perfeitamente, e não tivemos dificuldade em nos entender mutuamente; mas ele não conseguia compreender o Evangelho. Era ele um ministro? Sim; mas não tinha o dom do Espírito Santo, e era inútil eu tentar ensiná-lo. É assim que entendo estas coisas. ¶
Falando de educação, temos noções singulares de educação, e algumas pessoas dirão — e eu mesmo já o disse com frequência — que Joseph Smith era um homem bastante inculto. Era inculto quando era menino. Foi criado nas Montanhas Verdes de Vermont, e não teve nenhuma das vantagens do que chamamos de educação. O Senhor o levou para Sua escola, e lhe ensinou coisas que vi confundirem muitos dos mais sábios cientistas, dos pensadores mais profundos, e dos homens mais eruditos que já encontrei neste mundo. Por quê? Porque foi ensinado por Deus. A que se referiam esses princípios? À terra em que vivemos; aos elementos de que ela é composta; aos céus acima de nós; aos Deuses que existem nos mundos eternos; aos princípios pelos quais a terra foi organizada, sustentada, mantida e governada, e sua relação com outros planetas e sistemas; e, falando de governos, leis e princípios, ele possuía mais inteligência do que noventa e nove centésimos das pessoas de hoje. E procurou ensinar a outros, e essas coisas foram introduzidas no Templo do Senhor em Kirtland. ¶
Ouvi o Profeta Joseph citar a Bíblia alemã em apoio a nosso método de batismo por imersão, mostrando que a Tradução Alemã do Novo Testamento favorecia esta ideia, e que a palavra "Taufen" naquele idioma significa "mergulhar;" o mesmo que nosso termo imersão; e que, quando João Batista era chamado de John the Baptist, era "Johannes der Taufer," ou João o Mergulhador, o que é correto. ¶
Ouvi-o citar a Bíblia Hebraica em apoio a uma pluralidade de Deuses, mostrando que o sufixo "mem" na palavra Eloím ou Deus deveria ser traduzido no plural e ler, se traduzido literalmente, "e os Deuses disseram, façamos, etc." Certo é que, em nossa tradução atual, a palavra "nós" ou "façamos" indica essa ideia; pois "nós" é certamente plural e significa mais de um; e, embora nossa tradução faça-a dizer: "No princípio criou Deus os céus e a terra," também nos é dito que "no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Este estava no princípio com Deus. * * E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós," e ainda que "todas as coisas foram feitas por ele," visíveis e invisíveis. Ainda nos é dito que "há aqueles que são chamados deuses, quer no céu, quer na terra, (como há muitos deuses, e muitos senhores,) mas para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas." ¶
Se, como afirmado, Jesus estava com o Pai no princípio, certamente havia mais de um Deus — Deus o Pai, e Deus o Filho. Joseph Smith raciocinava sobre esta doutrina no momento em que fez esta citação da Bíblia Hebraica. ¶
Tivemos uma discussão neste Tabernáculo, há alguns anos, entre o Apóstolo Orson Pratt e o Dr. Newman — este último um religioso muito proeminente do leste — um Metodista, creio. O que chamam de doutor em divindade. O assunto da discussão era — "A Bíblia sanciona a poligamia?" O Sr. Newman era um homem bem-educado. Assim também Orson Pratt. O Sr. Newman recebeu sua educação nas escolas da época — em algum lugar dos Estados Unidos, talvez na ordem Metodista; mas não estou suficientemente familiarizado com sua história para dizer algo sobre isto; sei muito pouco a respeito do Sr. Newman. Mas sei onde Orson Pratt obteve sua informação. E, durante essa discussão, alguns pontos hebraicos foram debatidos, e o hebraico original teve de ser consultado. Orson Pratt estava tão familiarizado com o hebraico quanto o Sr. Newman. Onde obteve ele seu conhecimento? Recebeu-o no Templo em Kirtland, Ohio. Ao falar desse princípio, o princípio da educação, a vários homens de destaque justamente ontem, creio, mencionei a eles, ao aludir a idiomas, que fiquei um tanto surpreso ao descobrir que um velho senhor, com cerca de 80 anos de idade, que encontrei há pouco tempo, era profundamente versado na língua hebraica. "Onde a aprendeste?" perguntei. "Ora," disse ele, "aprendi-a no Templo em Kirtland;" e informou-me que agora estava estudando árabe. Fiquei um tanto divertido com a ideia de um velho de 80 anos começar a estudar árabe. Mas, para retornar. Raramente encontrei um homem mais inteligente na ciência da astronomia do que Orson Pratt. Onde obteve ele sua informação? Da mesma fonte. Estudou matemática todos os seus dias, e escreveu obras que é muito difícil a alguns homens compreender. No entanto suas obras estão registradas. ¶
A religião de Deus não é uma religião de ignorância. A quem devemos os primeiros princípios contidos neste livro [a Bíblia]? A Moisés. Quem era ele? Um homem de Deus. Quem lhe ensinou essas coisas? O Senhor. Por que princípio? O princípio da revelação; pois ele não poderia conhecê-las sem isso. Mas não fora ele ensinado nas escolas do Egito? Sim. E não obtivera ele um conhecimento de astronomia nessas escolas, também? Provavelmente o tivera, em parte; mas Deus lhe ensinou os pontos principais e proeminentes pertencentes a isso. E quem ensinou os egípcios? Abraão ensinou-lhes a ciência da astronomia, assim nos informam recentes egiptólogos, e lhes revelou o princípio a respeito dos movimentos dos corpos celestes. Onde obteve Abraão sua informação? Ao lermos a história a respeito deste assunto, é-nos dito que ele diz de si mesmo que era um seguidor da retidão; que buscava mais retidão; que examinou a história de seus pais e traçou sua genealogia até o começo do mundo, e desde antes do começo. Depois nos é dito, na mesma história, que o Senhor lhe deu um Urim e Tumim, pelo qual foi capaz de compreender muitas coisas que outros não entendiam, e pelo qual obteve um conhecimento dos corpos celestes e de seus movimentos. Moisés foi um dos primeiros a ilustrar este princípio; mas Abraão, que veio antes de Moisés, assim como José, o entendeu mais claramente do que Moisés. E naquelas coisas em que o mundo hoje está perplexo com relação às Escrituras, e aos seis dias de que ali se fala, Abraão fala desses dias como tempos, épocas, ou eras, diferentes e distintos dos dias de que fala Moisés, e seu registro concorda precisamente com muitos fatos geológicos que têm intrigado tantos desta geração. Onde obteve ele seu conhecimento? De Deus. Quem controla os céus e a terra? Os Deuses nos mundos eternos. Quem implantou certos princípios na matéria e em toda a criação? Deus o fez. Todas as coisas estão sujeitas a essas leis; e, se os homens puderem se colocar sob Sua orientação e encontrar o caminho para se aproximar do grande Eloím, saberão mais em pouquíssimo tempo do que todo este mundo junto sabe em toda a sua vida, e mais do que toda a inteligência combinada do mundo, pois Deus é o fundamento de toda a sabedoria, e a fonte de toda a inteligência e conhecimento. Dizem-nos que Salomão era um homem sábio. Onde obteve ele sua sabedoria? De Deus. Orou ao Senhor para que lhe desse sabedoria, e o Senhor lhe disse que, porque buscara sabedoria, a teria, e Ele também lhe acrescentaria os ricos tesouros da terra. ¶
Falo destas coisas para informação dos Santos dos Últimos Dias, e para desiludir-vos a respeito de alguns desses princípios de que os homens às vezes falam. O mundo possui certa quantidade de conhecimento e inteligência, e progrediu muito rapidamente nos últimos anos. Tivemos muitas descobertas nas artes e nas ciências, e nas pesquisas pertencentes à geologia, química, etc., mas muitas de suas ideias e deduções são perfeitamente tolas e ridículas. Tivemos a introdução das ferrovias, do gás, dos vapores, das manifestações do poder e uso da eletricidade, etc. Não obstante, esses princípios sempre existiram; era necessário apenas desenvolvê-los para trazê-los ao uso prático; e há milhares de outras coisas ainda não conhecidas, ainda por desenvolver, semelhantes àquelas que já foram descobertas. A respeito destas coisas, algumas são importantes, algumas não são muito importantes. A inteligência de que o mundo tanto se orgulha não é muito profunda quando a testamos pelos princípios da verdade eterna. ¶
A respeito da ação do Congresso dos Estados Unidos, que foi mencionada, quero dizer-vos, Santos, que não precisais vos preocupar com isso — não precisais estar nem um pouco preocupados com nenhum desses assuntos. Mas eles estão agindo ilegalmente. Pior para eles. Quando o Governo começa a derrubar as salvaguardas da sociedade, a rasgar em pedaços a Constituição dos Estados Unidos, e a pisotear as liberdades do homem, estão apenas preparando a nação para uma completa derrocada. Há muitos elementos de discórdia e desintegração por toda parte. O Congresso não deveria ser o primeiro a exibir exemplos de ilegalidade e violação de direitos constitucionais. Contudo, se eles podem suportar isto, nós também podemos. Não precisamos nos preocupar com nenhum desses assuntos; há uma Providência superior que controla os negócios dos homens e das nações. Assim podeis descansar perfeitamente tranquilos, vós, Santos dos Últimos Dias. Continuaremos a fazer o que é certo. Continuaremos a sustentar bons princípios. E que fareis vós? Justamente o que Jesus disse. Faremos o bem pelo mal. Que mais? Oraremos por aqueles que nos maltratam e nos tratam mal. Por quê? Para que possamos ser filhos de nosso Pai Celestial, e agir segundo o mesmo princípio pelo qual Ele age para com a família humana. Age Ele assim? Sim. Pois Ele faz nascer o Seu sol sobre maus e bons, e envia a chuva sobre justos e injustos. Introduziu certas leis no sistema de Seu governo que regulam todas as coisas relativas a estes assuntos. Ele não faz aquelas pequenas divisões que os Estados Unidos estão tentando fazer hoje. Ele é mais filantrópico. Trata a todos igualmente, e coloca a todos na mesma base. Então, procuraremos operar com Ele e por Ele, e no interesse da humanidade, e na proteção dos direitos humanos, e procuraremos, por todo meio legal e constitucional, manter e sustentar os princípios dos direitos humanos em favor de nós mesmos, em favor de nossos filhos, e em favor de milhares e dezenas de milhares de homens honrados que vivem nestes Estados Unidos. Podemos muito bem nos dar ao luxo de obedecer à Constituição dos Estados Unidos, e de sustentá-la, e podemos nos dar ao luxo de crer na Bíblia e obedecer a suas ordenanças, e praticá-las, o que eles não podem fazer, e não fazem. Como disse, podemos nos dar ao luxo de tratar bem a todos os homens, e orar por aqueles que nos maltratam e nos perseguem. Aqueles que procuram nos despojar são, em meus sentimentos, mais objetos de compaixão do que qualquer outra coisa. Sinto-me triste quando vejo o mau governo abundar em qualquer lugar, seja nesta nação ou em outras nações. Deus gostaria de ver paz, união e harmonia. Por essa razão introduziu o Evangelho, e os princípios de inteligência a ele associados. O homem é um ser dual, possui um corpo e um espírito, e está ligado ao tempo, e existirá na eternidade, e cabe a ele compreender a natureza de seu organismo, e sua relação com o mundo em que vive, e com Deus, nosso Pai Celestial. Que faremos, então? Ora, procuraremos viver uns para os outros; procuraremos ser honestos, honrados e virtuosos, não importa o que as pessoas possam dizer a nosso respeito. A respeito da mentira contada sobre nós, não precisamos nos preocupar. Não penso que sejamos muito melhores do que Jesus foi. As pessoas em Seus dias diziam que Ele era possesso de demônios, e, pior ainda, que expulsava demônios pelo poder de Belzebu, o príncipe dos demônios, e mataram-No dizendo que era um impostor e um enganador, e porque disse que era o Filho de Deus, quando sabiam que não era. E Sua teologia estava totalmente em desacordo com os doutos Rabinos daquele tempo, assim como a nossa está com os doutos Rabinos deste. Não podemos evitar isso. O que sabemos, como disse o Irmão John Q. Cannon, sabemos por nós mesmos. Não pedimos favores a homem algum. Eu não peço. Sei que Deus vive; sei que Ele revelou a verdade; sei que este é o Evangelho eterno. Sei que vós, Santos, se fordes fiéis, assegurareis para vós mesmos uma herança no reino celestial de Deus; mas, se não fordes fiéis a Deus e a vossa religião, não a assegurareis. Se fordes atrás das coisas do mundo e vos afastardes dos princípios da retidão, e pisardes aos pés os princípios da honra, da virtude, da verdade, ou da integridade, não entrareis nesse reino. Nem todo o que diz, Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus. Que faremos, então? Temeremos e amaremos a Deus e praticaremos a retidão, e enviaremos o Evangelho às nações da terra, apesar das loucuras, da maldade e da corrupção dos homens; e proclamaremos a verdade nestes vales e montanhas, e Sião se estenderá, crescerá e aumentará. Deus estará por Israel, e cantaremos: Aleluia! o Senhor Deus Onipotente reina, e Ele reinará até que tenha posto todos os inimigos debaixo de Seus pés. Que este povo tema a Deus e pratique a retidão, e eu não peço favores nem à terra nem ao inferno. Deus está ao leme. Ele conduzirá as coisas segundo os conselhos de Sua vontade. Ele dirá a esta nação e a outras nações, como disse às orgulhosas ondas do oceano: "Até aqui virás, e não mais adiante; e aqui se deterão as tuas orgulhosas ondas." Nossa segurança e nossa defesa estão no Senhor dos Exércitos. Confiemos nEle e obedeçamos a Suas leis, e Ele nos abençoará e nos sustentará no tempo e por todas as eternidades que hão de vir; e procuraremos beneficiar esta nação em tudo que pudermos, e em tudo que nos permitirem, e, se não nos permitirem, não poderemos evitar. ¶
Deus vos abençoe e vos conduza nos caminhos da vida. Amém. ¶