O Templo de Logan—Circunstâncias em que o Templo de Nauvoo Foi Construído—Fé Necessária para Tal Obra—Um Olhar Retrospectivo—Admissão de um Congressista—A Completude do Evangelho Não Se Deve à Sabedoria do Homem—Característica Notável de Muitos Membros Antigos da Igreja—Salvação para os Mortos
George Q. Cannon
O Presidente Cannon começou lendo o quarto capítulo de Malaquias, após o que disse: ¶
Ao levantar-me para dirigir-me a vós esta tarde, meus irmãos e irmãs, faço-o confiando no auxílio de vossa fé e orações, para que as observações que eu for levado a fazer sejam tais que se ajustem às vossas circunstâncias, e sejam um benefício para todos nós. ¶
Como sabeis, acabamos de regressar da dedicação do Templo que se concluiu em Logan. Tivemos, durante nossa ausência e nossas reuniões ali, um período deveras agradável. Creio que todos os presentes assim o sentiram, e que fomos grandemente favorecidos por Deus ao termos a permissão de concluir mais um templo no qual as ordenanças de vida e salvação possam ser realizadas. Houve grande regozijo por sua conclusão, e aqueles que nele trabalharam laboraram com muita diligência. Foram incansáveis em seus esforços e extremamente liberais em fornecer os meios necessários para a realização desta grande obra. ¶
É muito animador pensar que, em meio aos ataques que se fazem contra a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e às ameaças que circulam a nosso respeito e a respeito de nosso futuro destino, há fé suficiente no meio do povo para perseguir, sem desânimo e sem cessação, a grande obra que sentimos que nosso Pai colocou sobre nós. Não estivemos situados como estávamos em Nauvoo, quando concluímos ali nosso templo, pois então os operários que nele trabalharam eram como os judeus nos dias de Neemias, quando empreenderam reconstruir os muros de Jerusalém, e tinham de trabalhar parte do tempo, pelo menos, e grande parte dele também, com os instrumentos de trabalho numa mão e as armas de defesa na outra. Estávamos cercados por multidões e vivíamos num constante estado, pode-se dizer, de temor, por causa das ameaças que se faziam, das conspirações que se formavam, e dos ataques a nossos povoados periféricos, no incêndio de casas, na destruição de cereais, no abate a tiros de gado, e na expulsão do povo de seus lares. Mas, embora não estivéssemos nessa condição durante os anos em que estivemos empenhados na construção do Templo de Logan, não estivemos livres de ataques, ameaças e conspirações para nossa destruição. Se tivéssemos sido movidos pela fé comum dos homens, as mãos do povo teriam enfraquecido nesta grande obra, e teriam hesitado em sua realização. Mas nenhum sentimento desse tipo se manifestou ou se expressou. Sem se deixar intimidar ou desanimar por todas as circunstâncias que o cercavam, o povo levou adiante a obra, e agora tem a alegria e a satisfação de testemunhar sua conclusão. Parece que, na realização de tal trabalho, exige-se certo grau de fé, um grau incomum; pois, se nossas opiniões estiverem corretas, é uma obra importante, uma parte importante da obra do grande Deus, a construção de templos por Seu comando direto. E, sendo esse o caso, sem dúvida tal obra encontrará oposição da parte daquele que está determinado a fazer tudo o que estiver em seu poder para retardar a obra de Deus. Pela revelação do Evangelho de Jesus Cristo, as duas forças que estiveram em conflito uma com a outra desde o princípio da terra foram trazidas a uma proeminência que se pode dizer extraordinária. Assim que se propagou a notícia de que Deus falara de novo dos céus, um antagonismo e uma oposição se levantaram, tal como o mundo, por longo período, parecia não conhecer. O poder do mal foi trazido à luz, colocado em ativo exercício, e cumpriu-se a palavra do Salvador quando disse: "Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada; porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra. E serão os inimigos do homem os que são seus familiares." E isso tem continuado desde aquele dia até o presente, ganhando força, aumentando em volume e intensidade contra a obra de Deus, e para aqueles que não tinham fé, parecia que levaria apenas um curto período para que as ondas de oposição inundassem e submergissem por completo esta obra que nosso Deus fundou na terra. Mas, sendo esta obra de Deus, as promessas que Ele fez a seu respeito não falharam. Cada palavra até agora se cumpriu. Parecia, no início, uma luz fraca. Parecia que um pequeno sopro de vento a extinguiria; mas ela continuou a crescer, continuou a aumentar, até que seu clarão ilumina o horizonte, e é observado com interesse desde longe. ¶
Quando olhamos para trás, para o início desta obra, para as promessas que se fizeram a seu respeito, e para os trabalhos daqueles que se empenharam em fundá-la, é sumamente interessante, neste dia, marcar e ponderar sobre o que então se fez, e o que então nos foi prometido. Os homens se perguntam por que os Santos dos Últimos Dias creem nesta obra, por que creem nas pretensões de Joseph Smith como profeta de Deus. Expressa-se admiração porque acalentamos fé nas doutrinas que formam nossa religião; mas, para mim, é sumamente extraordinário que homens, possuidores dos poderes da razão, da faculdade de julgar entre a verdade e o erro, com a luz que existe sobre este assunto, com a extraordinária evidência a favor da divindade desta obra, duvidem de sua verdade, ou hesitem em aceitá-la. Sempre me pareceu, desde minha infância, desde que tive idade suficiente para compreender estes princípios, extraordinário que assim fosse. Deus fez promessas no início desta obra, a respeito de seu crescimento e futuro, cada palavra das quais se cumpriu. As evidências estão diante do mundo. Quando o Profeta Joseph recebeu pela primeira vez suas manifestações a respeito do surgimento desta obra, era apenas um menino de catorze anos de idade. Quando recebeu as placas que continham o Livro de Mórmon, tinha apenas vinte e um anos de idade. Quando esta Igreja foi organizada, tinha apenas vinte e quatro anos de idade. As revelações que então foram dadas, e que estão incorporadas no Livro de Doutrina e Convênios a respeito da organização da Igreja, são tais que, se eu não fosse um Santo dos Últimos Dias, e as lesse, e soubesse, como sei, a respeito do homem por meio de quem vieram essas revelações, e por meio de quem essa organização se efetuou, eu seria compelido a admitir que havia um poder ligado à organização desta Igreja, que havia uma luz e uma inteligência ligadas às revelações que então foram dadas, que não poderiam ter emanado de nenhuma outra fonte senão Deus. Seria mais difícil para mim rejeitar esta ideia e esta visão, do que aceitá-la. O peso e a preponderância do argumento estariam mais a favor dessa visão do que de qualquer outra. Que qualquer homem leia as revelações que Joseph recebeu antes do dia seis de abril de 1830. Que ele leia a revelação dada naquele dia a respeito da organização desta Igreja, e se puder fazê-lo sem ficar impressionado de que Deus está nisto, então há de ser, de fato, um exemplar extraordinário de incredulidade e dureza de coração. Uma igreja organizada precisamente segundo o padrão da igreja antiga, com doutrinas precisamente semelhantes, sem variar em um único particular das doutrinas da igreja antiga, e estas reveladas com extraordinária clareza e poder por um jovem sem instrução, que não tivera outra oportunidade de educação senão a que lhe proporcionaram as escolas comuns do país. Nunca houve um dia, desde que esta Igreja foi organizada até este dia do nosso Senhor, cinquenta e quatro anos e mais, em que um élder da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias jamais tenha deixado de sustentar a autenticidade divina das doutrinas que fora enviado a pregar, quando posto em contato com os homens mais instruídos da época, os teólogos mais versados. Em nenhum período de nossa história isso deixou de ser o caso. Enviando homens sem instrução, enviando homens não ensinados nas escolas de teologia, enviando homens vindos dos campos, do banco de trabalho e das oficinas, assim como o Salvador enviou Seus discípulos das camadas mais humildes da vida, com a Bíblia nas mãos, para pregar o Evangelho como Deus o restaurou; e onde quer que tenham sido postos em contato com o clero da época, em controvérsia ou de outro modo, sempre foram bem-sucedidos em sustentar suas doutrinas a partir das Escrituras. Que qualquer homem examine o sistema que Joseph ensinou, a organização da própria Igreja, com todos os seus oficiais, as ordenanças e as doutrinas, e será compelido a admitir, como me foi admitido por um proeminente membro do Congresso, que era um de nossos inimigos ferrenhos, que é a maior organização sobre a terra. Disse este cavalheiro: "Senhor Cannon, examinei a organização de sua Igreja: estou familiarizado com a organização católica; mas a organização de vocês é a mais magnífica de tudo o que jamais chamou minha atenção. É superior a toda outra organização na terra. Onde a conseguiram?" É claro que ele não estava disposto a dar a Deus crédito algum por isso. Eu dou a Ele todo o crédito, e não a Joseph Smith, nem a Brigham Young, nem a nenhum outro homem que se tenha identificado com esta Igreja de Cristo. ¶
Mas há outros pontos para os quais minha mente é levada nesta tarde, relacionados com este assunto. Joseph Smith recebeu o ministério de anjos; assim testificou. Testificou que um anjo veio a ele e lhe ensinou as doutrinas que depois ensinou ao povo. Se eu encontrar o trecho, lerei um pouco: ¶
"Enquanto estava assim suplicando a Deus, descobri uma luz surgindo em meu quarto, a qual continuou a aumentar até o aposento ficar mais iluminado do que ao meio-dia; imediatamente apareceu ao lado de minha cama um personagem em pé, no ar, pois seus pés não tocavam o solo. Ele vestia uma túnica solta, da mais rara brancura. Era uma brancura que excedia a qualquer coisa terrena que eu já vira; nem acredito que qualquer coisa terrena possa parecer tão extraordinariamente branca e brilhante. Tinha as mãos descobertas e os braços também, um pouco acima dos pulsos; os pés também estavam descobertos, bem como as pernas, um pouco acima dos tornozelos. A cabeça e o pescoço também estavam nus. Verifiquei que ele não usava outra roupa além dessa túnica, pois estava aberta, de modo que eu lhe podia ver o peito. ¶
"Não somente sua túnica era muito branca, mas toda a sua pessoa era indescritivelmente gloriosa e seu semblante era verdadeiramente como o relâmpago. O quarto estava muito claro, mas não tão luminoso como ao redor de sua pessoa. No momento em que o vi, tive medo; mas o medo logo desapareceu. Chamou-me pelo nome e disse-me que era um mensageiro enviado a mim da presença de Deus e que seu nome era Morôni; que Deus tinha uma obra a ser executada por mim; e que meu nome seria considerado bom e mau entre todas as nações, tribos e línguas, ou que entre todos os povos se falaria bem e mal de meu nome. Disse-me que havia um livro escondido, escrito em placas de ouro, que continha um relato dos antigos habitantes deste continente, assim como de sua origem e procedência. Disse também que o livro continha a plenitude do evangelho eterno, tal como fora entregue pelo Salvador aos antigos habitantes. Disse também que havia duas pedras em aros de prata — e essas pedras, presas a um peitoral, constituíam o que é chamado Urim e Tumim — depositadas com as placas; e que a posse e o uso dessas pedras era o que constituía os "videntes" nos tempos antigos; e que Deus as tinha preparado para serem usadas na tradução do livro." ¶
Não lerei o restante. Três vezes durante aquela noite este jovem foi visitado por este mensageiro angélico, e em cada entrevista as mesmas coisas lhe foram repetidas. Numerosas passagens de Escritura lhe foram citadas, e as doutrinas do Evangelho de Jesus Cristo lhe foram reveladas. No dia seguinte, foi novamente visitado, e novamente instruído: de modo que pareceu ser a vontade do Senhor que ficasse profundamente impressionado, tão profundamente impressionado que jamais esqueceria o que então lhe fora dito. Há esta declaração notável, uma declaração que foi publicada nos primeiros dias da Igreja, muito antes de seu cumprimento: ¶
"Que Deus tinha uma obra a ser executada por mim; e que meu nome seria considerado bom e mau entre todas as nações, tribos e línguas, ou que entre todos os povos se falaria bem e mal de meu nome." ¶
Certamente não se poderiam pronunciar palavras mais verdadeiras do que estas; pois por todo o mundo civilizado, já o nome de Joseph Smith tornou-se conhecido para o bem ou para o mal. Nenhum nome, provavelmente, próximo ao do Filho de Deus, nosso Redentor, é tido em tal veneração pelos milhares e centenas de milhares que creem no Evangelho do Filho de Deus; próximo àquele nome pelo qual nos aproximamos do Pai, o nome de Jesus — próximo a este, na mente de todos os que receberam o Evangelho, está proeminentemente o nome do Profeta Joseph Smith. Mas com uma intensidade de ódio igual à do amor que os Santos dos Últimos Dias têm por aquele nome, é o sentimento nutrido em relação a ele por aqueles que rejeitaram o Evangelho tal como ele o ensinou. Não se encontra em parte alguma da terra um cumprimento mais completo de uma predição do que em dias antigos, ou em qualquer época em que Deus tenha tido profetas sobre a terra. E assim tem sido com muitas outras predições que se fizeram naquele tempo. Joseph Smith previu com certeza e predisse com exatidão o crescimento desta obra; que os élderes desta Igreja levariam o Evangelho às nações da terra; que teriam êxito na medida em que tiveram êxito, e não mais. Ninguém foi levado a esperar que houvesse grandes conversões do povo pelos élderes desta Igreja. Joseph Smith, iluminado pelo Espírito de Deus, não fez tal predição, e não levou ninguém associado a ele a antecipar tais resultados. Ao contrário, esforçou-se, na medida de sua capacidade, para preparar o povo para uma perseguição como nunca se testemunhara sobre a face da terra desde os dias do Filho de Deus. Nunca ensinou ao povo que suas vidas seriam fáceis e agradáveis, que teriam uma navegação tranquila, que não teriam interrupções, ou que se tornariam populares junto ao mundo em geral. Ao contrário, constantemente instava com aqueles que enviava, para que tivessem em mente que teriam perseguição como consequência inevitável da proclamação do Evangelho. Ele os enviou, e eles, por sua vez, sempre que iam e davam testemunho da restauração do Evangelho, advertiam aqueles que o abraçavam de que podiam esperar perder tudo o que tinham, seu bom nome, seus bens, seus amigos e talvez a própria vida, antes de terminarem. Ele previu claramente que este seria o caráter da oposição com que teriam de lutar. Deus lhe revelara isso no princípio. Na primeiríssima noite em que este anjo o visitou, disse-lhe que seu nome seria tido para o bem e para o mal entre todo o povo, e ele bem sabia que assim seria. E quando os élderes saíram, saíram como colhedores de uvas depois de terminada a vindima. Não lhes foi dito que encontrariam pessoas às centenas ou aos milhares, prontas a abraçar a verdade. Não; mas lhes foi dito que encontrariam algumas pessoas aqui e ali, algumas pessoas de coração honesto, prontas a receber a verdade, algumas esperando que o Evangelho lhes chegasse; mas que não realizariam grandes conversões entre as nações gentias. Mas lhes foi dito, tal como se predissera no Livro de Mórmon, que entre os lamanitas, como são chamados naquele livro, isto é, entre os descendentes da casa de Israel, como são os índios, seu êxito seria extraordinariamente grande. Isto se cumpriu à risca. ¶
Cinquenta e quatro anos de experiência na pregação deste Evangelho entre as várias nações da cristandade nos provaram quão corretamente aquele homem de Deus previu o caráter desta obra. Reunimos o povo, pela bênção de Deus, das várias nações da terra; mas os reunimos aos poucos, por assim dizer. Não houve um grande influxo para a Igreja vindo dessas nações; mas, como disse, tem sido exatamente como uma colheita de uvas depois de terminada a vindima. E é um fato notável que a grande maioria do povo que forma esta Igreja — isto é, aqueles que eram adultos quando se tornaram membros dela — aguardava ansiosamente a chegada de alguma mensagem como a que os élderes trouxeram. Nosso venerado Presidente, que se assenta no estrado, era um de uma companhia de homens — ele mesmo um pregador metodista wesleyano — que aguardava o momento em que Deus revelaria algo dos céus, ou enviaria alguma mensagem mais de acordo com o Evangelho antigo do que aquele que tinham. Um grupo deles orava fervorosamente a Deus para que enviasse mais luz e mais poder; aquele poder que se manifestou nos dias dos apóstolos. Na ocasião em que o Élder Parley P. Pratt levou o Evangelho à cidade de Toronto, encontrou-se com este grupo. E aqui se assenta o Irmão Wilford Woodruff. Ouvi-o relatar que, em seus primeiros dias, saía em segredo e suplicava a Deus que restaurasse o Evangelho antigo, que restaurasse os dons antigos, que restaurasse o poder antigo, e recebeu de Deus uma promessa, antes de jamais ter ouvido falar dos Santos dos Últimos Dias, ou de jamais ter ouvido falar da organização desta Igreja, de que viria o tempo em que o verdadeiro Evangelho seria restaurado, e que ele teria o privilégio de identificar-se com ele. E os milhares que hoje compõem esta Igreja, que a ela se uniram quando adultos, estavam, a maioria deles, numa condição semelhante, um estado de espírito semelhante. Insatisfeitos com os credos existentes, membros, em muitos casos, de igrejas existentes, mas conscientes de que havia ausência daquele poder divino e daqueles dons celestiais que caracterizavam a Igreja nos tempos antigos; insatisfeitos com esta condição de coisas, suplicaram a Deus com ardor, fervor e ansiedade, que restaurasse Seu Evangelho à terra, ou que enviasse alguma mensagem de vida e salvação a eles. Assim estavam preparados para o Evangelho quando este chegou, e o receberam com alegria, porque seus corações estavam preparados, e são esses poucos que foram reunidos das nações da terra, com outros que também estão abertos, por causa da honestidade de seu coração, a receber a verdade. Joseph Smith disse que este seria o caráter desta obra. Mas é um fato notável — e desejo, antes de deixar este ponto, chamar vossa atenção para ele — que, onde quer que tenhamos ido entre aqueles povos que o Livro de Mórmon nos diz serem descendentes da casa de Israel, não tivemos dificuldade em convertê-los às centenas, e pode-se dizer aos milhares, à verdade. Estavam prontos a recebê-la sem dificuldade alguma. Parecia que seus corações haviam sido preparados pelo Deus dos céus, e tudo o que foi necessário foi dizer-lhes a verdade, e eram Santos dos Últimos Dias naturais, crentes naturais no Evangelho do Filho de Deus. ¶
Eu mesmo fui como missionário, como muitos de vós sabeis, às Ilhas Sandwich, cujos nativos creio serem um ramo dos índios deste continente, ou de alguma outra parte da casa de Israel. Não houve dificuldade em batizá-los, e não há dificuldade em batizar qualquer dos povos polinésios. Estão prontos a receber o Evangelho, prontos a ser batizados; muito diferentes, a este respeito, de nós, gentios; pois há um espírito de incredulidade entre a raça gentia; há uma dureza de coração; há uma falta de fé que impede as bênçãos de Deus de descerem como desceram nos tempos antigos sobre Seu povo do convênio. Os gentios são naturalmente incrédulos. É difícil convertê-los, difícil controlá-los, difícil para eles receberem a verdade em sua simplicidade e clareza. ¶
Ora, Deus disse, neste capítulo, que enviaria Elias, o profeta, antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor. Uma predição bem singular, uma predição notável, especialmente quando consideramos que, nesta época, os homens não creem no ministério de anjos; e o ofício daquele profeta seria "voltar o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que eu não venha e fira a terra com uma maldição." Elias havia de vir com um propósito específico. Não sei como a cristandade vai dispor-se para que este anjo venha. Se viesse, não suponho que a cristandade acreditaria que veio. Mas está registrado em nossos livros sagrados que o profeta Elias veio. Permiti-me, em relação a este assunto, ler um pouco sobre este ponto. Depois da conclusão do Templo de Kirtland, Joseph Smith e Oliver Cowdery testificaram que contemplaram o Filho de Deus. É um testemunho sumamente notável nesta época de incredulidade; mas testificam solenemente que contemplaram o Filho de Deus, e que, depois de O contemplarem, foram visitados por três personagens gloriosos, entre os quais estava o profeta Elias. Estas são as palavras que deixaram registradas: ¶
"Concluída essa visão, outra grande e gloriosa visão abriu-se para nós; pois Elias, o profeta, que fora levado ao céu sem experimentar a morte, apareceu diante de nós e disse: ¶
"Eis que é chegado plenamente o tempo proferido pela boca de Malaquias — testificando que ele [Elias, o profeta] seria enviado antes que viesse o grande e terrível dia do Senhor — ¶
"Para voltar o coração dos pais para os filhos e os filhos para os pais, a fim de que a Terra toda não seja ferida com uma maldição — ¶
"Portanto, as chaves desta dispensação são confiadas às vossas mãos; e assim sabereis que o grande e terrível dia do Senhor está perto, sim, às portas." ¶
Ora, posso imaginar como aqueles que se opõem a esta obra poderiam dizer: "Ora, é muito fácil para Joseph Smith e Oliver Cowdery fazerem tal declaração, porque parece corresponder ao que disse Malaquias, e o fazerem essa declaração é apenas antecipação daquilo que a Bíblia disse que aconteceria." ¶
Mas há algo notável nesta declaração: a vinda do profeta Elias havia de ser acompanhada de certos resultados — havia de voltar o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que o Senhor não viesse e ferisse a terra com uma maldição. ¶
Surge a pergunta: depois da visitação de Elias àqueles dois homens, foram os corações dos pais voltados para os filhos, e os corações dos filhos para seus pais? O próprio fato de estarmos construindo templos ao Deus Altíssimo é prova disso. Nunca houve prova maior da verdade de qualquer declaração do que a que se fornece nos atos dos Santos dos Últimos Dias sobre este ponto. O povo que compõe esta Igreja, antes de a ela se unir, nada sabia a respeito do plano de salvação, exceto o que havia recebido de seus mestres, os quais eram, eles mesmos, muito ignorantes; mas Deus, em Sua misericórdia, restaurou-nos certos princípios e conhecimentos a respeito dos mortos. Informou-nos de que, durante o tempo em que o corpo de Jesus dormia no túmulo, o Salvador foi e pregou aos espíritos que estavam em prisão. Refiro-me agora ao que diz Pedro, que, enquanto Seu corpo jazia no túmulo, "no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé." Pregou-lhes o Evangelho. Isaías diz que um dos objetos de Sua missão seria abrir as portas da prisão àqueles que estavam presos, e sem dúvida assim o fez naquela ocasião. Creio que o catecismo episcopal admite que Jesus desceu ao inferno. Certamente desceu, e visitou aqueles espíritos que estavam em prisão. Depois de Sua ressurreição, quando Maria se adiantou para saudar seu Senhor, e para abraçá-Lo, Ele disse: "Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai: mas vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus." Durante o intervalo entre Sua morte e ressurreição, Ele estivera ocupado em pregar aos espíritos em prisão. Abrira as portas da prisão àqueles que estavam presos; mostrando assim que, embora o castigo dos ímpios possa ser castigo eterno — sendo o castigo de Deus castigo eterno — o Senhor não sujeita Suas criaturas caídas a sofrer aquele castigo por todas as intermináveis eras da eternidade, como falsamente têm ensinado os assim chamados ministros cristãos. Vem um dia de libertação. Jesus pregou a redenção àqueles espíritos que foram desobedientes nos dias de Noé. Haviam jazido em tormento desde os dias de Noé — mais de 2.000 anos — até que o Filho do Homem girou as chaves de sua prisão, e pregou-lhes o Evangelho de arrependimento, para que se arrependessem de seus pecados, embora em espírito, e fossem julgados, como diz Pedro, segundo os homens na carne. Deus revelou esta doutrina aos Santos dos Últimos Dias, e é com o propósito de levá-la a cabo que construímos estes templos, para que possais entrar e oficiar vicariamente por aqueles que não tiveram esse privilégio na carne. ¶
Tem sido uma questão que tem agitado muitas mentes, quando se lhes disse que o nome de Jesus é o único nome dado debaixo do céu pelo qual o homem pode ser salvo — "Que, então, foi feito dos milhões de pagãos que jamais ouviram o som do nome de Jesus?" Estão morrendo aos milhares hoje. Nações estão perecendo sem jamais terem ouvido o nome do Filho de Deus. Esta pergunta nos tem sido feita muitas vezes quando temos pregado o Evangelho de salvação que Deus restaurou. As pessoas têm dito: "É possível que aqueles que não creem em vossa doutrina serão condenados? Se assim for, o que será de nossos antepassados? Tive pais cristãos que amavam o Senhor, e vós dizeis que aqueles que não são batizados segundo vosso método e por alguém com autoridade não podem entrar no Reino dos Céus." Muitas pessoas têm sido tentadas a rejeitar o testemunho dos servos de Deus, por causa disso, esquecendo que a cristandade tem ensinado doutrina semelhante a respeito das nações pagãs. O mundo cristão tem crido que todas essas nações seriam enviadas a um lugar de tormento sem fim, que vão para o inferno e jamais podem ser redimidas. Doutrina sumamente abominável! Tão inconcebivelmente cruel que basta para fazer os homens rejeitarem a Deus e tudo o que a Ele se relaciona, se se supõe que Ele pudesse ser o autor de tal ensino; como se Deus condenasse os homens ao inferno por ignorância — ocultando-lhes o Evangelho, e depois condenando-os por toda a eternidade, porque não souberam aquilo que lhes poderia ter sido revelado. Não; não há tal doutrina no Livro. Não há tal doutrina no Evangelho de salvação. Aquelas nações pagãs, como nossos antepassados, que morreram na ignorância do Evangelho de Cristo, ainda ouvirão a voz da salvação. Jesus e aqueles associados a Ele lhes ministrarão; pois somos todos filhos e filhas de Deus. Que faremos por todas as eras que ainda hão de vir, as eternidades que se estendem diante de nós? Não haverá salvação estendida aos ignorantes, e aos que erraram, e àqueles que teriam feito melhor se pudessem ter conhecido o plano de vida e salvação? Ora, certamente. O pequeno espaço de tempo que vivemos aqui na terra, por mais importante que seja para nós, comparado com as eternidades de nosso Deus, é apenas como um grão de areia entre as imensidões de grãos que há na praia do mar. Nosso Deus é infindável e eterno. Seu Evangelho é infindável e eterno, e enquanto houver uma alma a ser salva, Ele, e Jesus, que morreu por todos, e todos aqueles associados a eles que têm o mesmo Sacerdócio, trabalharão ansiosamente até que toda alma que puder ser trazida de volta o seja, que não tenha cometido o pecado imperdoável ao pecar contra a luz e o conhecimento, como fez Judas ao trair o Senhor de vida e glória; toda alma além destas será buscada por todas as eternidades de nosso Deus. O próprio inferno será sondado; cada fenda dele, cada parte dele será penetrada por Jesus, e pelos Santos de Deus, em busca das almas dos filhos dos homens, até que de cada fenda e de cada recanto nas regiões dos condenados sejam trazidos à luz e à glória, se obedecerem ao glorioso Evangelho do Filho de Deus, se se curvarem em submissão ao cetro do Rei Emanuel. É tudo o que precisam fazer — arrepender-se de seus pecados, arrepender-se deles nesta vida ou na vida futura, e afastá-los de si para bem longe. Este é o Evangelho de boas novas. Não é um evangelho que condena a maioria da família humana a uma condição interminável de tormento. Isto não é o Evangelho de Cristo. ¶
Ora, como já disse, o Senhor prometeu que Elias viria antes do grande e terrível dia. Ele o enviou, e os corações dos Santos dos Últimos Dias foram voltados para seus pais que morreram na ignorância do Evangelho do Filho de Deus, e temos a garantia da Escritura para crer que os corações dos pais nos mundos eternos, daqueles que viveram sobre a terra, estão voltados para seus filhos que agora aqui vivem, e que podem oficiar vicariamente por eles, e responder ao propósito que Deus designou ao atender a essas ordenanças que eles mesmos não têm o poder de atender. Certamente isto se cumpriu. Não é apenas o testemunho de Joseph Smith e Oliver Cowdery; mas de todo este povo. Estes Santos dos Últimos Dias, por todas estas montanhas, podem testificar que este espírito repousou sobre eles, e que seus corações foram voltados para seus pais, e que os corações de seus pais, sem dúvida, foram voltados para eles. E é um fato singular relacionado com o Evangelho que, contemporaneamente à revelação desta doutrina a Joseph Smith, um espírito pareceu tomar posse do povo nas terras orientais para investigar suas genealogias, e sociedades genealógicas se formaram em muitos lugares, sem que ninguém pudesse dizer exatamente com que propósito, a não ser um Santo dos Últimos Dias. Genealogias foram investigadas com maravilhosa diligência, poupando-nos grande quantidade de trabalho nestas questões. Foi um espírito estranho que se apoderou do povo americano, especialmente do povo da Nova Inglaterra, por volta daquela época. Era coisa comum, nos Estados do Oeste, quando eu era menino, que os homens não soubessem os nomes de seus avós; e conheci muitos homens inteligentes que não sabiam dizer os nomes de seus tios e tias, de seus pais e mães, irmãos e irmãs. Isso resultava do fato de que, ao mudarem-se para o Oeste, os emigrantes haviam deixado seus parentes para trás, e não haviam mantido viva na mente de seus filhos a lembrança de seus nomes. Mas nos últimos quarenta anos, um espírito diferente se apoderou do povo, e muitos se dedicam diligentemente a investigar os nomes de seus antepassados. Muitos volumes têm sido publicados sobre este assunto, e no Escritório do Historiador encontram-se muitos livros contendo as genealogias das famílias de muitos cujos membros se encontram neste território. Tais livros têm sido inestimáveis para nós, na realização desta obra. Assim, estas sociedades e este povo têm, sem perceber, ajudado a cumprir as palavras do Senhor, por meio de Malaquias, e a fortalecer a evidência de que Joseph Smith foi, de fato, um profeta inspirado de Deus. Na perseguição que esta Igreja recebeu; em ser expulsa de seus lares; em tudo o que agora se faz pelo Congresso dos Estados Unidos contra os Santos dos Últimos Dias, e neste trabalho genealógico a que acabo de aludir, homens de fora desta Igreja têm contribuído para provar que Joseph Smith foi, de fato, um profeta inspirado de Deus; pois não houve ação tomada pelo Congresso, nada se fez contra nós por turbas, ou por qualquer conspiração, que não tenha sido predito pelo profeta Joseph Smith, e temos o registro disso, e sabemos que é verdade. Sabemos do que falamos. Joseph Smith, anos e anos antes do início da guerra na Carolina do Sul, predisse que tal guerra ocorreria, e designou o lugar onde começaria. E os ímpios, por seus próprios atos, provaram ao mundo, a Deus e aos anjos, que Joseph Smith era um profeta inspirado de Deus, e que predisse aquilo que haveria de acontecer. ¶
Deus vos abençoe, em nome de Jesus. Amém. ¶