Pulpit

O Tipo de Deus em que os Santos Creem—O Ceticismo no Mundo—Os Milagres Não Se Devem a uma Suspensão da Lei—Resultados da Fé Exercida pelos Santos—A Providência em Seu Favor—Ideias Quanto à Forma e aos Atributos dos Seres Celestiais—Como Joseph Smith Obteve Seu Conhecimento—O Que Nossa Fé Custou

George Q. Cannon

1884-05-04

Ao levantar-me para dirigir-me a vós, meus irmãos e irmãs, nesta noite, desejo ter parte em vossa fé e orações, para que eu seja levado a falar sobre aqueles pontos de doutrina ou princípios que sejam adequados às nossas necessidades e às circunstâncias que nos cercam.

É uma grande responsabilidade levantar-se como mestre diante de um povo tão numeroso como o que se reuniu dentro desta casa nesta noite, especialmente para falar em nome do Senhor, e não creio que homem algum deva fazê-lo a menos que possa contar com o auxílio daquele espírito que Deus prometeu conceder a Seus servos.

Nós, que pertencemos à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, cremos em Deus; não um Deus que viveu há alguns milhares de anos, mas um Deus que vive hoje; um Deus que tem voz com que falar hoje, e que tem braços e cabeça, e poderes corporais assim como espirituais, que pode comunicar Sua mente e Sua vontade a Seus filhos, com a mesma facilidade nos dias em que vivemos como o fez nos dias do Salvador e Seus discípulos, ou nos dias dos profetas. Se há alguma característica própria da época presente mais notável do que outra, é o declínio da fé em Deus. É uma característica de nossa época e de nosso tempo, e é uma que se manifesta cada vez mais entre o que se chama de nações cristãs. Eu mesmo tenho ficado com frequência — especialmente nos últimos anos — impressionado com o contraste entre a incredulidade presente e a fé a respeito de Deus que existia nos dias em que saí pela primeira vez a pregar o Evangelho, ou nos dias de minha juventude. O ceticismo cresce por toda parte, e se não fosse por esta Igreja, e pela fé que os Santos dos Últimos Dias acalentam, e que se esforçam por incutir na mente de seus filhos, e de todos a quem têm acesso, não haveria igreja alguma de que eu tenha conhecimento que, como igreja, creia em Deus, nosso Pai Eterno, tal como Ele é descrito nas Escrituras — um Deus que pode ouvir e responder — literalmente responder — as orações daqueles que a Ele se dirigem com fé. A ideia tornou-se muito prevalente nos últimos anos, no chamado mundo cristão, de que Deus não interfere por nenhuma providência especial em favor de povo algum ou de indivíduo algum; que Ele governa o universo e a terra sobre a qual estamos, e cujos habitantes formamos parte, por meio de leis grandiosas e universais, e que essas leis nunca são revogadas. Em outras palavras, que não há intervenção especial da providência em favor de indivíduos ou de povos, mas que o Senhor governa por aquelas grandiosas leis aplicáveis a todos, e às quais todos têm de se submeter, e que Ele não Se importa em ouvir os apelos de indivíduos em favor de si mesmos, ou daqueles em quem estão interessados, nem em conceder providência especial a nações; e é essa característica de crença que faz com que a humanidade familiarizada conosco alimente as ideias que frequentemente expressa a respeito de nosso futuro. Ouvireis com frequência dizer — já ouvi dizer, posso afirmar, centenas de vezes, quando falei com amigos que não são de nossa fé, sobre a intervenção da providência em nosso favor, e a fé que tínhamos a respeito das livrações que seriam operadas por nós — disseram-me que Deus está do lado dos batalhões mais fortes, que Deus está do lado da artilharia mais pesada, que Deus está do lado do maior número; e frequentemente provoquei sorrisos de incredulidade com a simples declaração de nossa fé em Deus, e nossas esperanças e expectativas a respeito do cuidado que Ele tem tido conosco, das livrações que Ele tem operado por nós, e das promessas que Ele nos fez a respeito do futuro.

Sobre este ponto, e a este respeito, diferimos, como já observei, de todo povo que conheço — nesta característica de nossa religião, esta confiança implícita num Deus que pode ouvir e que pode responder à oração, num Deus que não está do lado do maior número, a menos que o maior número esteja certo; num Deus cujo poder não se exerce em favor dos batalhões mais fortes, nem da artilharia mais pesada, a menos que os batalhões mais fortes e a artilharia mais pesada estejam certos. Cremos, como às vezes se tem dito, que Deus e um homem são grande maioria, e que quando Ele Se propõe a realizar determinada obra, todos os poderes da terra e os poderes do inferno combinados não podem impedir a realização dessa obra; que não há poder que possa, de modo algum, frustrar Seus propósitos; e que Ele intervirá pelo exercício de Seu poder Todo-Poderoso em favor do indivíduo, em favor da comunidade, ou em favor da nação a respeito da qual falou, e que buscam fazer Sua vontade. Provamos isso, pelo menos para nossa própria satisfação. A história deste povo está repleta de ilustrações do caráter mais notável, estabelecendo esta verdade, no que a nós diz respeito, para além de toda controvérsia; e tenho a satisfação de dizer que esta fé aumenta em vez de diminuir entre os Santos dos Últimos Dias. Alegro-me com esse conhecimento. Em minhas associações com nosso povo em vários lugares, verifico que há um crescimento constante de fé naquele Deus a quem adoramos, e em Seu poder de salvar-nos e de livrar-nos, e em Seu poder de abençoar-nos e de nos conceder os justos desejos de nossos corações. Isso não requer necessariamente uma suspensão da lei. Não foi suspensão de lei, da parte de nosso Salvador, que O fez reunir dos elementos o pão e os peixes necessários para alimentar a multidão. Não foi suspensão de lei que O fez abrir os olhos dos cegos, ou fazer com que os enfermos fossem curados. Não foi suspensão de lei que O fez ascender à vista de Seus discípulos, depois de Sua ressurreição, quando os visitou. Sei que se diz que os milagres são uma suspensão de lei; mas em vez de serem uma suspensão de lei, devem-se ao conhecimento de uma lei superior, à compreensão de leis maiores, pelo conhecimento das quais se realizam os chamados milagres. A uma pessoa que nunca viu o efeito da eletricidade, se estivesse neste Tabernáculo e visse estas luzes acenderem-se instantaneamente ao toque da eletricidade — uma pessoa que não compreendesse as leis da eletricidade diria: "Ora, isto é milagroso." Ou a uma pessoa ignorante, uma pessoa que nada soubesse da lei da eletricidade, pareceria maravilhoso que alguém, de pé na extremidade de um fio estendido sob o oceano, pudesse, ao tocar aquele fio, comunicar-se a uma distância de quase 3.000 milhas, e pudesse falar com uma pessoa na outra extremidade do fio. Se isso tivesse sido mencionado nos dias de nossos antepassados, teriam declarado que era uma impossibilidade. Tal poder teria sido milagroso a seus olhos, e teriam dito que tal coisa era contrária a todas as leis conhecidas relativas à transmissão do som e do pensamento; mas para nós, que compreendemos esta lei — ou, se não a compreendemos, que vemos as operações da eletricidade; que sabemos que podemos ir ao escritório do telégrafo e enviar uma mensagem à Europa desta cidade, e receber uma resposta dentro de poucas horas; de fato, recebê-la aqui a uma hora do dia mais cedo do que foi transmitida de lá, o que frequentemente se faz. Nós, que testemunhamos isso, já não o consideramos um milagre, nem uma suspensão de lei, nem uma violação das leis que regem a transmissão do som ou do pensamento. Aceitamo-lo porque nos tornamos familiarizados com ele. E assim, se compreendêssemos a lei pela qual Jesus operou quando alimentou a multidão, seria tão simples para nós quanto a lei da eletricidade o é hoje. Se compreendêssemos a lei pela qual os enfermos foram curados, e a vista restituída aos cegos, ou pela qual Ele contrariou as leis da gravidade e ascendeu à vista de Seus discípulos ao céu — se compreendêssemos essas leis, elas nos seriam simples, como o são todas as leis quando compreendidas.

Não há suspensão de lei da parte de nosso Pai quando Ele intervém em favor de Seus filhos. Ele tem espíritos ministradores que ministram, como nos diz o Apóstolo, àqueles que hão de ser herdeiros da salvação. Jesus transmite a ideia de maneira muito bela, quando diz que nem um cabelo de nossa cabeça cai ao chão sem que Ele o note. Esta foi a espécie de fé que Ele ensinou a Seus discípulos, e é a espécie de fé em que criam os antigos, aqueles que escreveram a Bíblia, aqueles que escreveram o Livro de Mórmon, e é a fé que nos foi transmitida, que Deus se esforça por estabelecer no coração dos filhos dos homens, para aproximá-los d'Ele e capacitá-los a participar daquele poder que Ele está disposto a conceder aos homens, se O seguirem.

Como disse, a história desta Igreja está repleta de exemplos deste caráter. Quando partimos do Estado de Illinois e atravessamos o Mississippi quando estava congelado, os líderes desta Igreja, enviando suas carroças com os poucos bens que possuíam, lançaram-se a um deserto, sem saber para onde iam. Moisés e os filhos de Israel, quando saíram do Egito, tinham uma ideia mais definida de seu destino do que os Santos dos Últimos Dias, quando saíram de Illinois; porque os filhos de Israel sabiam que as promessas feitas a seu pai Abraão, a respeito de Canaã (que era a residência dos chefes de suas tribos), tinham de se cumprir. As tradições do povo os levavam a olhar de volta para Canaã como a terra que eventualmente haveriam de herdar. Mas não havia tais tradições em que pudéssemos apoiar-nos. Diante do povo estendia-se um deserto inabitado, de duas mil milhas de extensão, a respeito do qual pouco se sabia, mas o povo não hesitou. Deus falara pela boca de Seu servo Joseph Smith, o Profeta, a respeito dos Santos dos Últimos Dias, dizendo que estariam nas Montanhas Rochosas, e se tornariam um povo numeroso, um grande povo. Os Doze Apóstolos, que então presidiam a Igreja, foram levados pelo Espírito de Deus a organizar o povo em companhias, e a animá-los a olhar para a frente, para uma jornada no deserto até uma terra à qual Deus nos conduziria, e que, quando a encontrássemos, saberíamos que era a terra destinada a nós. Havia lugares atraentes em Iowa, pois Iowa estava então comparativamente despovoado. Seguimos trilhas indígenas com nossas carroças, pois não havia estrada regular de carroças. Construímos pontes através dos riachos de Iowa — isto é, riachos que não eram vadeáveis — para atravessarmos nossas carroças e gado. Todo o país era um ermo. Os Santos dos Últimos Dias poderiam, se quisessem, ter-se estabelecido ali, mas a voz do Espírito não era para se estabelecerem ali. Atravessamos o rio Missouri, permanecemos durante o inverno em suas margens, e então, na primavera, os pioneiros lançaram-se através do que hoje é o Estado de Nebraska, então Território Indígena. A fertilidade daquelas planícies não os tentou a fazer delas sua morada, mas prosseguiram, sem que homem algum da companhia soubesse para onde iam, sem que homem algum da companhia jamais tivesse pisado aquele solo, ou soubesse coisa alguma, por experiência prática, sobre o caráter da região que adentravam.

Ora, isto era fé em Deus. É fácil dizer, depois de demonstrado que se podiam fazer povoados nestas montanhas — que se podiam colher plantações — é fácil dizer que isso não era grande empreendimento. Lembro-me de uma história contada a respeito de Colombo. Depois de ter feito a descoberta da América, e ao regressar à Espanha, em certa ocasião, num banquete com vários fidalgos espanhóis, alguém desdenhou da descoberta que fizera, da viagem que empreendera, e do resultado dela. Ele pegou um ovo que estava por perto, e perguntou qual deles poderia fazer aquele ovo ficar de pé sobre uma extremidade. Todos tentaram, mas fracassaram; não conseguiram fazer o ovo ficar de pé. Ele então pegou o ovo, bateu-o na mesa, achatando-o, e fez o ovo ficar de pé. "Senhores," disse ele, "é fácil fazer um ovo ficar de pé quando se sabe como fazê-lo." É fácil descobrir uma terra depois que já foi descoberta. É fácil falar sobre o povoamento destes vales, e do que aqui se fez, depois que a obra foi realizada e o problema resolvido; depois que se demonstrou, além de toda dúvida possível, que este país é habitável, que estes vales produzirão colheitas capazes de sustentar a vida humana, e que estes riachos que descem das montanhas podem ser usados para irrigar estas terras, e usados com sucesso. Mas houve um tempo em que havia dúvida a respeito disso. Quando os pioneiros chegaram a este vale, não havia dúvida na mente do homem que conduzia o povo, por mais que houvesse na mente de outros. Sua mente estava clara, e todo o povo sentia que ele tinha o direito, dado por Deus, como Seu servo, de designar aquele lugar. Tinham fé para crer que Deus os sustentaria ao fazer o que lhes fora dito, e se estabeleceram naquele lugar, tendo fé em Deus, crendo que Ele os ouviria, crendo que já os tinha ouvido, crendo que continuaria a protegê-los e a cumprir todas as promessas que lhes fizera; e provaram então, se já não o haviam provado antes, que Deus, o Pai Eterno, é um Deus perto de nós e não distante. E quando os grilos desceram, como o fizeram em 1848, em miríades das montanhas, escurecendo toda a face do vale, arrasando numa só noite campos de trigo que eram tão promissores quanto campo algum poderia ser, e deixando-os tão nus quanto a palma da mão de um homem, ainda assim a fé deles não fraquejou: continuaram confiantes de que aquele Deus que os havia conduzido até ali continuaria a preservá-los, e a suprir suas necessidades; e quando parecia que a fé deles havia sido posta à prova até o extremo, quando o último ponto havia sido alcançado, Deus interveio por um meio muito natural. Ele não desceu Ele mesmo, isto é, à nossa vista, para que O víssemos visivelmente; Seus anjos não vieram para que os víssemos visivelmente; mas Ele enviou as gaivotas, que vieram aos milhares e devoraram aqueles grilos, deixando-os amontoados às margens das valas de irrigação. Tendo comido até se fartarem, então vomitavam, e, tendo comido novamente, vomitavam de novo, e assim continuaram a obra de devorar até que todo campo ficou livre daqueles insetos destruidores. Ora, um incrédulo talvez não visse a mão de Deus nisso, mas os corações dos Santos dos Últimos Dias viram Sua mão, e despertou-se profunda gratidão. Orações de ação de graças subiram ao Deus do céu por Sua intervenção em nosso favor. O povo sentiu que seu Deus ainda estava perto deles, que ainda ouvia e respondia às suas orações, e lhes concedia os desejos de seus corações.

E assim tem sido desde aquele dia até o presente. Não obstante as muitas medidas tomadas contra nós como povo, os muitos planos que pareciam tão promissores àqueles que os arquitetaram a respeito da destruição dos Santos dos Últimos Dias; quando parecia que a destruição era inevitável, que nenhum poder poderia nos salvar, Deus interveio por Seu poder maravilhoso e escapamos, e hoje, apesar desses muitos esforços, somos um povo livre nas montanhas, tendo o privilégio, que Deus disse que teríamos, de O adorar, e de gozar de paz e prosperidade, se continuarmos a depositar nossa confiança n'Ele e a guardar Seus mandamentos; de modo que hoje, por todos estes vales, de uma ponta a outra, encontra-se um povo que, apesar de todas as ameaças que se fulminam, de todos os projetos que se iniciam, de todos os esforços feitos para nos destruir como organização religiosa, para derrubar nossas liberdades, para nos roubar aqueles direitos que são caros a todo homem que nasceu livre — apesar dessas ameaças, reina paz e tranquilidade ininterrupta por todos estes vales, nos peitos, nas casas, nos círculos familiares, de todos os Santos dos Últimos Dias, de uma ponta a outra desta terra. Não se pode testemunhar em parte alguma da face da terra exibição mais grandiosa de fé, exibição mais sublime de confiança em Deus, do que a que oferece o exemplo dos Santos dos Últimos Dias. Eles testificam aos céus, a Deus, o Pai Eterno, aos santos anjos, e a todos os homens, que, seja qual for a incredulidade que prevaleça em outros lugares, sejam quais forem os sentimentos de ceticismo em outras terras e entre outros povos, eles, pelo menos, têm-se apoiado, inabalável e indubitavelmente, sobre Suas gloriosas promessas, e estão dispostos a confiar n'Ele até o extremo, crendo que Ele é de fato um Deus que está, como já disse, perto de nós e não distante. De fato, fora deste povo, dificilmente se encontra homem ou mulher que tenha alguma concepção clara a respeito do próprio Deus. Perguntai a membros de igrejas: "Como é o vosso Deus? Quem é o Ser que adorais?" — e a resposta, sem dúvida de muitos, seria: "Grande é o mistério da piedade. Isso é algo que não compreendemos." É um tema quase proibido. Perguntai a ministros de religião a respeito do caráter e da forma de Deus, e quão poucos há que tentarão dar qualquer resposta razoável. Quase não têm ideia alguma. Creem eles que Ele seja um ser pessoal? Quase nunca encontrei um cristão professo que assim cresse. Dizem que Deus é espírito. Verdade bastante. Mas não tem Deus poderes? É Deus uma substância difusa, preenchendo toda a criação? Essa é a ideia que muitos têm. E tomai o cristão professo e o infiel professo, e deixai que cada um fale sobre Deus, e verão que estão tão próximos quanto é possível estar. O infiel, que não tem fé em Deus, crê na natureza. O cristão, que professa crer em Deus, se tentar definir seu Deus, o descreverá de modo semelhante ao que um infiel descreveria o poder criador.

Mas qual é a verdade a respeito de Deus? Ouçamos o que diz Moisés —

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.

"E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou."

Que poderia ser mais claro do que isto! "E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou." De novo diz Moisés:

"Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez;

"Macho e fêmea os criou, e os abençoou, e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados."

Contudo, tendo esta Bíblia em suas mãos, dificilmente se encontrará um cristão professo que creia nesta declaração de Moisés, de que Deus criou o homem à Sua própria imagem, não obstante o fato de que Paulo, em duas ou três passagens de suas epístolas, na verdade diz que Jesus é a expressa imagem da pessoa de Seu Pai. Escreveu-o assim aos Gálatas. Escreveu-o assim aos Hebreus. Disse-lhes que Jesus Cristo era a expressa imagem de Deus, Seu Pai. E temos registrado o fato de que Abraão falou com Deus, e que Abraão intercedeu junto a Deus. Lembrai-vos da ocasião em que três personagens desceram e visitaram Abraão. Diz-se que Abraão falou com o Senhor, e intercedeu junto a Ele a respeito da destruição que estava prestes a cair sobre Sodoma. Intercedeu, dizendo que, se encontrassem cinquenta homens justos em Sodoma, Ele pouparia a cidade? Intercedeu, dizendo que, se fossem apenas quarenta e cinco, ou quarenta, ou trinta, ou vinte, e finalmente chegou a dez — que se encontrassem dez homens justos, Ele pouparia a cidade? E Ele prometeu que o faria. Falou com Ele como um homem fala com outro. De novo, temos o registro de Moisés em Êxodo, onde nos diz que os setenta anciãos de Israel comeram e beberam na presença do Deus de Israel. Temos também a declaração de que as duas tábuas de pedra que continham a lei e o testemunho foram escritas pelo dedo de Deus, por Seu próprio dedo. E quando Moisés Lhe rogou que pudesse ver Sua pessoa, Ele lhe disse que veria Suas costas; mas Seu rosto não seria visto. Fez essa promessa a Moisés, e Moisés viu Sua pessoa.

Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a quem adoramos como Deus, era um homem semelhante a nós, a tal ponto que Sua divindade não foi reconhecida por nenhum sinal externo pelos judeus. Não havia nada em Sua pessoa que pudessem descobrir que O tornasse um Deus, o criador dos céus e da terra, mais do que os ilhéus das Ilhas Sandwich poderiam descobrir na pessoa do capitão Cook, que descobriu suas ilhas. Acreditaram que ele era um deus quando primeiro veio entre eles; mas ele mostrou sinais de temor mortal, pelos quais souberam que não era um deus, e o mataram. Os judeus puseram à prova, como pensavam mais completamente, a divindade de Jesus. Quando O penduraram na cruz, disseram zombando: "Se és o Filho de Deus, desce da cruz." Presumiam que acreditariam n'Ele e O aceitariam como o Filho de Deus, se Ele descesse da cruz. Ele era, em todos os aspectos, um homem, no que se refere à aparência exterior; Sua parte exterior era a de um homem; mas, não obstante, Ele era um Deus. Ele era o Filho primogênito do Pai Eterno, que Se assenta entronizado em glória e majestade, cercado por fogo ardente. Ele era o Filho daquele Ser, e era a expressa imagem de Sua pessoa, semelhante a Ele, tendo cabeça, tendo os sentidos que os homens têm, tendo todas as feições corporais que temos, e Seu Pai era exatamente como Ele, ou, em outras palavras, Ele era exatamente como Seu Pai. Nada há mais claramente transmitido e ensinado do que isto nas Escrituras da verdade divina, a Bíblia, e no entanto homens que professam ensinar a piedade e ensinar a respeito de Deus esforçam-se por destruir esse sentimento e essa fé na mente do povo.

Quando existem tais equívocos na mente dos filhos dos homens, é claro que não pode haver fé correta exercida; homens que não sabem a quem ir, a quem invocar, ou a quem orar. "Esta é a vida eterna," diz Jesus, "que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." Isto era a vida eterna — conhecê-Lo, compreendê-Lo, entender o Ser que nos deu vida, que nos criou. Portanto, quando um homem compreende isto, vai a Deus com perfeita confiança. Pede a Deus como pediria a seu pai terreno aquilo que deseja.

Meus irmãos e irmãs, é uma verdade gloriosa que nos foi ensinada, que somos literalmente filhos de Deus, que somos Seus descendentes literais, assim como Jesus era literalmente descendente d'Ele, e que Ele é nosso Pai tanto quanto nosso pai terreno é nosso pai, e podemos ir a Ele com um sentimento de proximidade, sabendo isto, compreendendo-o pelas revelações que Deus nos deu.

Gostaria de ler-vos um pouco, para refrescar vossa memória e mostrar-vos como esta fé, que por tanto tempo esteve perdida para a terra, foi restaurada; pois a memória dela — a memória de como Deus era — havia desaparecido da mente humana. Centenas de anos haviam decorrido desde que algum homem vira a Deus. Tudo o que se sabia, portanto, a respeito d'Ele, de Sua personalidade e de Seus atributos, era o que estava escrito na Bíblia; mas, por meio da espiritualização que ocorrera, por meio da atribuição de duplos sentidos à palavra clara de Deus, a verdade desvaneceu-se da mente dos homens. Não havia homem sobre a terra, de que tenhamos conhecimento, que pudesse dizer algo sobre Deus, ou sobre um anjo. Como observei aqui há alguns domingos, a ideia geral que prevalecia a respeito dos anjos era que eram meio aves, que eram homens ou mulheres com asas de penas crescendo de suas costas. Sei que há criaturas mencionadas nas Escrituras que têm asas, mas não são homens, não são anjos, como os que vêm ministrar à família humana. No entanto, vereis em todas as representações pictóricas de anjos em nossas Bíblias de família seres vestidos de modo semelhante a uma mulher, com feições que se assemelham às de uma mulher, e com asas de penas crescendo de suas costas. Essas ideias tornaram-se comuns, e ainda prevalecem por todas as nações cristãs.

Ora, como já disse, a verdadeira concepção de Deus, assim como a verdadeira concepção dos anjos, desaparecera da mente dos filhos dos homens. Mas Joseph Smith, impelido pelo Espírito de Deus, escolhido, como plenamente creio, assim como o foram os antigos profetas, desde antes da fundação do mundo, para lançar o alicerce desta grande obra dos últimos dias, foi movido a inquirir de Deus. Lerei um pouco do que se diz a respeito disto:

"Em meio à inquietação extrema causada pelas controvérsias desses grupos de religiosos, li um dia na Epístola de Tiago, primeiro capítulo, versículo cinco, o seguinte: E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Jamais uma passagem de escritura penetrou com mais poder no coração de um homem do que essa, naquele momento, no meu. Pareceu entrar com grande força em cada fibra de meu coração. Refleti repetidamente sobre ela, tendo consciência de que se alguém necessitava da sabedoria de Deus, era eu, pois eu não sabia como agir e, a menos que conseguisse obter mais sabedoria do que a que tinha então, nunca saberia; pois os religiosos das diferentes seitas interpretavam as mesmas passagens de escritura de maneira tão diferente, que destruíam toda a confiança na solução do problema através de uma consulta à Bíblia. Finalmente cheguei à conclusão de que teria de permanecer em trevas e confusão, ou fazer como Tiago aconselha, isto é, pedir a Deus. Resolvi 'pedir a Deus,' concluindo que, se Ele dava sabedoria aos que tinham falta dela, e concedia-a liberalmente, sem censura, eu podia aventurar-me. Assim, seguindo minha determinação de pedir a Deus, retirei-me para um bosque a fim de fazer a tentativa. Foi na manhã de um belo e claro dia, no início da primavera de 1820. Era a primeira vez na vida que fazia tal tentativa, pois em meio a todas as ansiedades que tivera, jamais havia experimentado orar em voz alta.

"Depois de me haver retirado para o lugar que previamente escolhera, tendo olhado ao redor e encontrando-me só, ajoelhei-me e comecei a oferecer a Deus os desejos de meu coração. Apenas iniciara, imediatamente se apoderou de mim uma força que me dominou por completo; e tão assombrosa foi sua influência que se me travou a língua, de modo que eu não podia falar. Uma densa escuridão formou-se ao meu redor e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita. Mas, usando todas as forças para clamar a Deus que me livrasse do poder desse inimigo que me subjugara, no momento exato em que estava prestes a sucumbir ao desespero e abandonar-me à destruição — não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do mundo invisível, que possuía uma força tão assombrosa como eu jamais sentira em qualquer ser — exatamente nesse momento de grande alarme, vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!

"Meu objetivo ao dirigir-me ao Senhor era saber qual de todas as seitas estava certa, a fim de saber a qual me unir. Portanto, tão logo me controlei o suficiente para poder falar, perguntei aos Personagens que estavam na luz acima de mim qual de todas as seitas estava certa (pois até aquele momento jamais me ocorrera que todas estivessem erradas) e a qual me unir. Foi-me respondido que não me unisse a qualquer delas, pois estavam todas erradas; e o Personagem que se dirigia a mim disse que todos os seus credos eram uma abominação a sua vista; que aqueles religiosos eram todos corruptos; que: 'eles se aproximam de mim com os lábios, mas seu coração está longe de mim; ensinam como doutrina os mandamentos de homens, tendo aparência de religiosidade, mas negam o seu poder.'

"Novamente me proibiu de unir-me a qualquer delas; e muitas outras coisas disse-me, as quais não posso, no momento, escrever. Quando tornei a voltar a mim, estava deitado de costas, olhando para o céu."

Eis o testemunho de alguém que realmente viu o Pai e o Filho. Eram tal como descritos por todos os que os viram — personagens literais, personagens com corpos tangíveis, sendo o Filho a expressa imagem do Pai. João, o Revelador, também viu um que era semelhante ao Filho do Homem. Descreve Sua pessoa. Lembrai-vos de que ele se prostrou e adorou um anjo em certa ocasião, pensando que fosse o Senhor, e o anjo o proibiu de fazê-lo, dizendo-lhe que não deveria adorá-lo, pois era um de seus companheiros de serviço, os profetas. João, porém, tinha uma concepção correta da grande verdade de que o Filho estava na exata imagem de Seu Pai.

Ora, não só temos este testemunho, mas temos o testemunho de outros a respeito deste assunto. Sem dúvida vos lembrareis, meus irmãos e irmãs, do que se diz a este respeito na visão que nos veio. Foi uma visão vista por Joseph Smith e Sidney Rigdon. A eles foi revelado o destino eventual dos vários habitantes da terra, as várias glórias e reinos que nosso Pai e Deus tem reservados para Seus filhos. Ora, dizem eles:

"E enquanto meditávamos sobre essas coisas, o Senhor tocou os olhos do nosso entendimento e eles se abriram; e a glória do Senhor cercou-nos de resplendor.

"E contemplamos a glória do Filho, à direita do Pai, e recebemos de sua plenitude;

"E vimos os santos anjos e os que são santificados diante de seu trono, adorando a Deus e ao Cordeiro, a quem adoram para todo o sempre.

"E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive!

"Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai —

"Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus."

Estes dois homens de nossos dias (há cinquenta e dois anos no último mês de fevereiro) contemplaram o Filho de Deus — Jesus, o Unigênito — e O viram à direita do Pai, ocupando a posição que sempre Lhe foi designada, e na expressa imagem da pessoa de Seu Pai, tal como Ele é descrito por todos os que O viram. Depois disso, Joseph Smith e Oliver Cowdery viram ambos o Salvador, e ambos testificaram quanto à Sua pessoa. Isso ocorreu em 3 de abril de 1836, depois da conclusão do Templo de Kirtland.

"Retirou-se o véu de nossa mente," dizem eles, "e abriram-se os olhos de nosso entendimento.

"Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós; e sob seus pés havia um calçamento de ouro puro, da cor de âmbar.

"Os seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; o seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e a sua voz era como o ruído de muitas águas, sim, a voz de Jeová, que dizia:

"Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou o vosso advogado junto ao Pai."

Oliver Cowdery, assim como Joseph Smith, viu essa visão; contemplaram esse glorioso personagem, o próprio Filho de Deus, quando aceitou o Templo de Kirtland após sua dedicação. Estas testemunhas são também complementadas por centenas de outras que contemplaram, em visão ou de outro modo, personagens gloriosos nestes últimos dias. Há homens vivos que viram o Filho de Deus, que ouviram Sua voz, e que foram ministrados por Ele em nossos dias e geração. Diante destes testemunhos, que não podem ser impugnados com êxito, é de admirar que a fé cresça no coração do povo de Deus, os Santos dos Últimos Dias? Que, apesar do crescimento do ceticismo fora desta Igreja, a fé continue a manifestar-se e a alojar-se no coração dos Santos dos Últimos Dias? Mas, assim como a fé cresce entre os Santos dos Últimos Dias, como consequência natural a fé diminuirá no coração daqueles que rejeitam este testemunho a respeito da verdade. Este foi o crime, o grande pecado, ao menos, da nação judaica. A luz veio ao mundo, mas os homens escolheram as trevas em vez da luz; portanto a luz que havia neles se tornou trevas. A nação judaica se entregou à dureza de coração e à incredulidade. Foram deixados como presa daquele espírito de incredulidade que fomentaram, até rejeitarem a Deus, até rejeitarem o Filho de Deus, com toda a Sua divindade, com Seus grandes milagres, com Seu poderoso poder, com Sua vida pura e imaculada — rejeitaram-No, mataram-No, e a luz que havia neles se tornou trevas. Ele conferiu poder notável àqueles que receberam Sua palavra, e cresceram em fé; mas aqueles a quem pregaram, aqueles que ouviram seu testemunho e o rejeitaram, tornaram-se presa daquela outra influência, o poder das trevas, o poder de Satanás, e derramaram sangue inocente, e lamento dizer que este é o caso, no tempo presente, com nossa própria nação. O sangue de homens justos tem sido derramado cruel e desumanamente sobre este solo livre. Este homem que contemplou estas visões; este homem, o primeiro em centenas de anos que descreveu, que pôde descrever a pessoa de Deus, que pôde dizer que O contemplou, que se levantou como poderosa testemunha no meio desta geração para dizer, em verdade, que Deus vivia, que Jesus vivia; este homem foi cruel, traiçoeira e desumanamente assassinado; e assassinado, ainda, sob a honra empenhada de um dos estados soberanos desta nossa nação; o próprio governador do estado empenhando sua honra pessoal e a honra do estado de que ele (Joseph Smith) seria protegido, mas foi cruelmente morto como os profetas que o precederam, que haviam dado testemunho semelhante. Selou seu testemunho com seu sangue, declarando até o fim que aquilo de que havia testificado era a verdade, disposto a morrer, se necessário, para selar seu testemunho e torná-lo tão inatacável que jamais pudesse ser posto em dúvida dali por diante. Este homem foi assim morto, e quem há que tenha sido punido por isso? Não mais do que os assassinos dos profetas foram punidos em dias antigos, não mais do que os assassinos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo foram punidos, não mais tem sido o caso nesta ocasião. Não; seu sangue ainda mancha o solo, ainda clama, com o sangue de todos os mártires, a Deus no céu, por vingança contra seus culpados assassinos. E o testemunho que ele deu tem sido dado por outros, e de modo semelhante outros compartilharam aquele destino. Nosso venerado Presidente, que se assenta esta noite neste lugar, seu sangue mancha o mesmo solo. Ele mesmo escapou por pouco do mesmo destino. Na providência de Deus, foi poupado para um sábio propósito, e tem vivido entre nós até este dia — um mártir vivo, uma testemunha viva da crueldade do homem para com aqueles que testificam que Deus vive.

Meus irmãos e irmãs, a fé que recebemos custou o melhor sangue deste século. A fé que recebemos custou o sangue do Filho de Deus quando a ensinou aos homens sobre a terra. A fé que recebemos custou o sangue de Isaías, de Jeremias, e de outros dos profetas que foram mortos pelas verdades que declararam. Sempre foi um sacrifício custoso, este ensino da verdade à família humana. O adversário tem estado determinado a que o conhecimento de Deus não se espalhe entre o povo, se puder impedi-lo. Matou Jesus, matou todos os Seus apóstolos que pôde, até que por toda a vasta terra não houvesse homem algum que pudesse levantar-se e dizer ao povo: "Assim diz o Senhor," ou que pudesse levantar-se com a autoridade do Sacerdócio do Filho de Deus e dizer: "Sou servo de Deus, e esta é a vontade de Deus, tendo-a Deus revelado a mim." Fecharam a boca de todos esses. Selaram-nos na morte. Não restou ninguém a quem pudessem alcançar. Então, quando os céus se tornaram como bronze sobre a cabeça dos filhos dos homens, surgiu uma igreja tendo aparência de religiosidade, mas negando o seu poder, até que hoje, por toda a cristandade, homens que professam ser ministros de Jesus Cristo nada sabem a respeito d'Ele, não têm comunicação com Ele. Um rei com embaixadores aqui, e esses embaixadores não recebem comunicação alguma da corte que os autoriza. Que absurdo! Quem jamais ouviu falar de tal coisa? Há algo neste livro (a Bíblia) que sugira tal coisa? Quem jamais ouviu falar de um servo de Deus sem conhecimento algum d'Ele, sem revelação alguma d'Ele? Não há tal coisa neste livro. Está reservado aos homens do século dezenove, e dos séculos precedentes, levantarem-se e fazerem tais afirmações como estas, e quem pode acreditar nelas?

Ora, Deus restaurou o Evangelho eterno à terra. Disse aos filhos dos homens que, se vierem a Ele e obedecerem a Seus mandamentos, receberão um testemunho da verdade desta obra, como nos tempos antigos, pelo dom e poder do Espírito Santo. Não precisam depender de Joseph Smith, se ele estivesse aqui, ou de Oliver Cowdery, ou de Sidney Rigdon. Outros têm sido ministrados. Outros receberam o Espírito Santo. Este é o privilégio de todo ser humano que guardar os mandamentos do Todo-Poderoso. Não é o privilégio de todos ver o Pai no momento presente, ou ver o Filho. Nossa fé não é suficientemente forte, mas está crescendo. Mas é o privilégio de todo ser humano receber o dom do Espírito Santo, se ele ou ela obedecer aos mandamentos de Deus. Este é um privilégio universal. É como o ar que respiramos. É como a luz que ilumina nossos olhos. Assim é com o dom do Espírito Santo. É concedido a toda alma que se curvar em submissão à vontade de Deus, guardar Seus mandamentos, e tiver as ordenanças administradas por alguém que Deus reconheça como Seu servo. É isto, meus irmãos e irmãs, que é o glorioso aspecto da obra em que estamos empenhados. É isto que deveria estimular-nos e encher-nos de fé. Que os homens façam o que quiserem a respeito desta obra de nosso Deus; Deus fez promessas a respeito dela. Sua palavra não pode falhar. Ele ouve e responde às orações de Seus filhos. Ele está perto de nós e não distante, e intervirá por Sua maravilhosa providência, invisível para os que não veem Sua mão e não têm Seu Espírito, mas visível para os que são iluminados por Seu Espírito, de modo que possam ver e reconhecer as manifestações de Deus em seu favor. E assim somos conduzidos, e assim seremos conduzidos até que, emergindo destas trevas, emergindo desta incredulidade, sejamos introduzidos na plenitude da glória de nosso Deus, e habitemos com Ele eternamente, se formos fiéis aos convênios que fizemos, o que peço que aconteça, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “O Tipo de Deus em que os Santos Creem—O Ceticismo no Mundo—Os Milagres Não Se Devem a uma Suspensão da Lei—Resultados da Fé Exercida pelos Santos—A Providência em Seu Favor—Ideias Quanto à Forma e aos Atributos dos Seres Celestiais—Como Joseph Smith Obteve Seu Conhecimento—O Que Nossa Fé Custou”, (1884-05-04). Pulpit Vault, 1884-05-cannon-kind-of-god-the-saints-believe-in. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).