Pulpit

"A Verdade É Poderosa e Prevalecerá"—Introdução dos Princípios da Verdade Eterna—Cumprimento da Profecia em Nosso Próprio Tempo—Princípios do Evangelho Dignos de Consideração—Sua Impopularidade—Posição Peculiar dos Santos dos Últimos Dias—O Reino de Deus Predito Pelos Profetas—Joseph Smith—Nenhum Poder Pode Deter a Mão do Todo-Poderoso—O Evangelho de Cristo É a Lei da Salvação—Perseguição—Poligamia—Tratai Vossos Semelhantes Corretamente—Início do Milênio—Guerra Entre Deus e o Diabo—Fé—O Segredo da Força dos Santos—Responsabilidade dos Governantes, Etc.—Responsabilidade dos Santos

Wilford Woodruff

1884-01-06

Há um provérbio ou ditado que tenho ouvido muitas vezes em minha vida, e que penso ter grande peso, e é este: "a verdade é poderosa e prevalecerá." Penso que isto se tem manifestado em toda esfera em que a verdade tem sido empregada, seja aplicada temporal ou espiritualmente; seja aplicada à esfera das nações, das famílias, ou dos indivíduos; seja aplicada ao mundo ou ao reino de Deus. Penso que, em toda época do mundo, a verdade, seja popular ou impopular, tem provado, ao fim de seu labor, prevalecer em todos os casos. Quando Colombo foi movido pelo Espírito de Deus a atravessar o oceano para encontrar um novo continente, seu objetivo e seus desejos eram impopulares entre aqueles que o cercavam, e foi somente depois de muito trabalho que conseguiu obter o favor de alguns dos governantes das nações, a fim de receber ajuda suficiente para realizar seus desejos. Mas, no fim, prevaleceu. Encontrou um novo mundo, por assim dizer, que hoje contém uma população da raça anglo-saxônica que soma cinquenta milhões de pessoas. O início do projeto de Colombo foi certamente impopular, mas o resultado provou-o verdadeiro. E assim em todos os casos, sempre que os homens foram inspirados a receber a verdade, ou a promulgar algum princípio que fosse um benefício para a família humana, geralmente foram impopulares. Quando Robert Fulton se propôs a demonstrar o poder do vapor num barco a vapor, a multidão que se reuniu para ver o acontecimento não se reuniu para ver o sucesso; reuniu-se para escarnecer, para ver um homem fracassar em realizar uma obra que consideravam impossível. Mas, quando o vapor foi aplicado à embarcação, ela se moveu. A invenção era certamente muito rudimentar, mas havia verdade nela, e prevaleceu em grande medida; pois o vapor é a grande força motriz de toda a maquinaria do mundo, em grande parte. E assim também com um conde escocês, quando anunciou que havia um homem que ia tentar iluminar a cidade de Edimburgo com fumaça. O homem foi considerado louco. Mas havia verdade naquela fumaça, e ela iluminou a cidade, e desde então tem dado luz a muitas outras cidades. O princípio prevaleceu, e agora é adotado por todo o mundo. Assim também com o Sr. Morse, o eletricista. Sem êxito, na primeira instância, [em 1837-8] buscou auxílio tanto do Congresso americano quanto do governo inglês, para poder realizar suas ideias; mas, por fim, [em 1843] obteve auxílio do Congresso, e sua invenção da telegrafia demonstrou seu sucesso, e agora é utilizada por todo o mundo civilizado. E assim poderíamos prosseguir a mostrar que, em quase todas as instâncias em que os homens se propuseram a introduzir novos princípios — princípios de verdade — princípios que beneficiariam a família humana — geralmente foram muito impopulares, até que a verdade se manifestasse ao mundo.

A mesma coisa se pode aplicar à introdução dos princípios da verdade eterna pertinentes à salvação da família humana sob um ponto de vista espiritual. Quando nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo saiu ao mundo para ocupar a posição para a qual havia sido ordenado por Deus, poucos eram os indivíduos que tinham fé nEle, ou que aguardavam a vinda do Filho do Homem em cumprimento da profecia. Jesus, durante toda a Sua vida, pode-se dizer, desde a manjedoura até a cruz, foi muito impopular junto à massa da família humana, mais particularmente junto aos habitantes de Jerusalém. Sua história está diante do mundo. Morreu de morte ignominiosa na cruz, e aqueles da própria casa de Seu Pai, os Sumos Sacerdotes, e os principais homens de Jerusalém, foram todos favoráveis à Sua morte. Contudo, o Salvador possuía a verdade. Ofereceu a verdade ao mundo; ofereceu vida e salvação ao mundo. Mas os princípios que ensinou eram impopulares em Seus dias. Reuniu ao Seu redor uns poucos seguidores; mas a aceitação de Seus princípios custou-lhes a vida, assim como custou a vida do próprio Salvador. Não conheço nenhum homem — exceto João, o Revelador — que tenha escapado. Todos morreram mortes violentas. Tiveram de selar seu testemunho com seu sangue. Alguns foram crucificados; outros foram serrados, decapitados, ou de algum modo mortos pela palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo. Foram mortos por sua religião. Como é hoje? Que nome tem sido mais honrado, ou mais exaltado como exemplo ao mundo, do que o nome de Jesus Cristo? O mundo católico, o mundo protestante, de fato todo o mundo cristão professa honrar o nome de Jesus Cristo. O Salvador possuía a verdade, mas ela não foi recebida em Seus dias e época.

A respeito de nosso próprio tempo, minha mente é frequentemente levada a refletir sobre isto. Meio século já se passou diante dos olhos desta geração, desde que o Deus do céu começou, como em épocas anteriores do mundo, o cumprimento da profecia e da revelação contidas na Bíblia — este bom e velho livro em que o mundo cristão professa crer tanto. O Senhor tem estendido Sua mão para cumprir algumas dessas profecias e princípios que Ele havia predestinado antes que o mundo existisse, e que deixou registrados por meio de homens santos que escreveram e falaram conforme foram movidos pelo Espírito Santo, de geração em geração. Estas profecias estão conosco hoje. Estão contidas na Bíblia, um livro publicado aos milhões por todo o mundo cristão. O mundo cristão professa honrar a Bíblia, e honrar as profecias e os ditos de Cristo e dos Apóstolos. Mas creem eles no cumprimento destas coisas? Creem eles no cumprimento destes princípios e verdades que hoje estão sendo cumpridos aos olhos do céu e da terra? Não. Aquelas profecias e aqueles princípios — que o Deus do céu estendeu Sua mão para realizar — são tão impopulares hoje em todo o mundo cristão quanto o eram quando Jesus de Nazaré esteve em carne e os proclamou à nação judaica. Ocupamos a mesma posição que eles ocupavam naquele dia e geração no que diz respeito a estas verdades. Ora, como já disse, a verdade é poderosa. Sempre prevaleceu em toda época do mundo. Prevalecerá nesta dispensação como o fez em outras. O Deus de Israel não deixará hoje de realizar os princípios que Sua mão estendeu para estabelecer, do mesmo modo que não deixou de fazê-lo nos dias de Adão, Enoque, Noé, ou de Jesus, ou nos dias de qualquer outra dispensação.

Os princípios a que aludo — os princípios do Evangelho — são dignos da atenção e da compreensão, ao menos, dos Santos dos Últimos Dias, e seria bom que o mundo cristão também os levasse em consideração; pois, se a verdade há de prevalecer na terra, isso certamente envolverá o destino de toda esta geração, judeu e gentio, alto e baixo, rico e pobre, Sião e Babilônia. Envolverá o destino de todo o mundo — dos mil e quatrocentos milhões de pessoas que nele respiram o fôlego de vida. E presto registro e testemunho, como servo de Deus, de que o Deus do céu estendeu Sua mão para realizar aqueles grandes e eternos princípios que decretou antes de o mundo ser feito, e que deixou registrados pela boca de Seus profetas, para serem cumpridos na última dispensação e plenitude dos tempos. São estes princípios populares hoje? Não são. Por que não? Porque o mundo não é governado pelo espírito de inspiração; porque seu povo não busca o Senhor; porque não honra Seu nome; mas é governado e controlado por outros princípios. Mas o Senhor há de reinar sobre Seu próprio Reino, não obstante o Diabo ter, hoje, grande domínio, como o teve em quase toda época do mundo. Os habitantes da terra têm seu arbítrio. Devem usar aquele arbítrio segundo os desejos de seu próprio coração, seja para o bem, seja para o mal. Mas o dia está próximo em que o Senhor mostrará aos filhos desta geração que há um Deus em Israel, como o fez em outras dispensações em que reinou. Em toda a história dos tratos de Deus com o homem, este princípio, cedo ou tarde, tem se manifestado: que a virtude exalta uma nação, enquanto o pecado é uma vergonha para qualquer povo. Vereis que isto se manifestou na história de todas as nações debaixo do céu — em sua ascensão, progresso e prosperidade, e em sua queda, declínio e sua derrocada e destruição finais. Constatareis, em cada caso, que o pecado, o erro, as trevas, a falsidade, o obrar errado lançaram o fundamento da derrocada de toda nação e cidade debaixo do céu, desde a fundação do mundo até o presente. O que os homens semeiam, colherão, e a medida com que medirem aos outros lhes será medida.

Hoje ocupamos uma posição peculiar como povo — como Santos dos Últimos Dias, aqui nestas montanhas. Eis aqui um povo que cresce na terra, organizado numa Igreja, chamada a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Como surgiu a organização daquela Igreja? Ora, o Deus do céu proclamou, por meio de Seus profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e outros, cujos escritos estão contidos dentro das capas da Bíblia, que, nos últimos dias, estenderia Sua mão para chamar Sua Igreja do deserto e das trevas e do erro, e estabelecê-la sobre o fundamento da verdade, sendo Cristo Jesus a pedra angular. O Deus do céu também proclamou, por meio de Daniel, há 4.000 anos, que, nos últimos dias, estabeleceria um reino que jamais seria destruído; e o reino não seria deixado a outro povo, mas esmiuçaria e consumiria todos aqueles reinos, e permaneceria para sempre. Aquele profeta também declarou que uma pequena pedra seria cortada do monte, sem auxílio de mãos; que a pedra se tornaria um grande monte e encheria toda a terra; e que despedaçaria todos os outros reinos. Foi aquele Profeta inspirado pelo Espírito e poder de Deus? Digo, em nome do Deus de Israel, que sim, e assim também foi Isaías quando falou do ajuntamento do povo aos montes de Israel para estabelecer o Sião de Deus em sua beleza, força, poder e glória. O Deus do céu também inspirou um profeta, quando ele estava na ilha de Patmos — João, o Revelador — e, em conexão com os grandes acontecimentos da última dispensação e plenitude dos tempos, ele viu, em visão, um "anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo." Ora, desejo que esta congregação; desejo que o mundo; desejo que o mundo cristão; desejo que os sacerdotes de hoje que clamam em voz alta pelo derramamento de sangue inocente para realizar seus desejos — desejo que estes sacerdotes, e todos os que labutam para derrubar o "mormonismo", perguntem cuidadosamente se aqueles profetas foram inspirados por Deus. E, se foram inspirados por Deus, se é correto que façam guerra contra a obra de Deus na terra. Se não seria melhor deixar estas coisas em paz — deixá-las nas mãos do Senhor, e permitir-Lhe governar e controlar como Lhe aprouver? E, se estes homens foram inspirados pelo Senhor e fizeram aquelas proclamações — com milhares de outras na Bíblia e nas revelações de Deus — a questão é: prevalecerá esta guerra contra Deus e contra Sua obra? Os ímpios não terão tal poder; pois o Senhor estendeu Sua mão para cumprir estas coisas que foram preditas por Seus Profetas — para estabelecer Sua Igreja e Reino sobre a terra. Ele chamou Profetas, e eles foram inspirados por Deus. Joseph Smith foi um Profeta de Deus. Foi um homem suscitado pelo poder de Deus. Recebeu o testemunho do Evangelho de Jesus Cristo por visões e revelação, tal como o recebeu João, o Revelador. Anjos lhe apareceram e lhe ensinaram os caminhos da vida. Aqueles homens que detiveram o Sacerdócio — que foram mortos em carne pela palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo — visitaram Joseph Smith. João Batista conferiu-lhe o Sacerdócio Aarônico; Pedro, Tiago e João, o apostolado e o Sacerdócio de Melquisedeque; e todos os Profetas que detiveram quaisquer chaves e poderes pertencentes ao Evangelho também visitaram Joseph Smith, e lhe conferiram aquelas chaves, poderes e autoridade para administrá-los na terra. Estas são verdades eternas, tão certo quanto vive o Deus do céu, e prevalecerão, quer os homens creiam nelas, quer não, quer os ímpios guerreiem contra elas, quer não. Estas verdades pertencem ao próprio Deus. Ele é o autor delas. Ele proferiu certos decretos, e eles terão seu cumprimento na terra.

Ora, no que diz respeito aos Santos dos Últimos Dias, direi a meus irmãos e irmãs: devemos contemplar estes princípios. Não há poder algum organizado debaixo dos céus que possa deter a mão de Deus Todo-Poderoso. Ele estendeu Sua mão para realizar Seus propósitos. O mundo odeia este povo, porque o Senhor os chamou para fora do mundo, do mesmo modo que chamou Seus discípulos antigamente. Esta é a posição que ocupamos hoje, como Seu povo. Embora nosso número seja pequeno, ainda assim "o menor virá a ser mil, e o mínimo um povo grandíssimo": e o Senhor apressará isto a Seu tempo. Um pequeno já se tornou mais de mil, ou de cem mil, e, apesar de toda oposição, este pequeno se tornará uma grande nação, e Deus apressará isto a Seu tempo, porque Deus é nosso amigo. Ora, estas são verdades. Emanaram do próprio Deus.

O Evangelho de Jesus Cristo é a lei da salvação. Nenhum homem pode ser salvo sem ele. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê — judeu ou grego, católico, metodista, batista, ou qualquer outra seita ou partido sobre a face da terra.

Nós, como Santos dos Últimos Dias, somos chamados a edificar Sião. Fomos reunidos para sermos instruídos por inspiração e por meio do Santo Sacerdócio, nos princípios da verdade eterna. Esta é nossa condição hoje. Cinquenta e três anos se passaram desde que esta obra começou. Joseph Smith habitou em carne cerca de catorze anos depois de organizar esta Igreja. Ele detém as chaves desta dispensação de ambos os lados do véu, e as deterá para sempre. Deus o ordenou para realizar certa obra. Ele a realizou. Permaneceu na terra até que sua obra estivesse concluída. Todas as chaves, poderes e princípios que Deus lhe deu, ele os deixou com seus irmãos; embora o que quer que tenha deixado com seus irmãos não lhe tenha sido tirado; pois, como diz Jesus numa revelação dada a respeito do Sacerdócio:

"Pois aqueles que forem fiéis de modo a obter estes dois sacerdócios de que falei e a magnificar seu chamado serão santificados pelo Espírito para a renovação do corpo;

"E aquele que recebe a meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto, tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado;

"E isto está de acordo com o juramento e convênio que pertencem ao sacerdócio;

"Mas aquele que quebrar esse convênio após tê-lo recebido e desviar-se dele totalmente não receberá perdão dos pecados neste mundo nem no mundo vindouro."—Doutrina e Convênios, Seção 84.

Assim, embora o Senhor confira a Seus servos os mesmos poderes e bênçãos que Ele próprio detém, isto não retira estes poderes e bênçãos do Pai. O Pai possui tudo o que possuía antes. O Filho possui tudo o que lhe foi dado. Assim também os filhos do Deus vivo. Quando um homem confere estes dons, bênçãos e poderes a outros, não os perde ele mesmo. O Senhor suscitou Joseph Smith. Ele organizou esta Igreja. Está organizada há 54 anos no próximo abril. E qual tem sido a consequência? Tivemos oposição? Sim. Tivemos perseguição? Sim. Não é o desejo de muitos milhões de pessoas nossa derrocada? Sim; e muitos desejam nos ver mortos. Alguns homens vão a ponto de estarem dispostos a matar, totalmente, homens, mulheres e crianças, porque creem naquilo que se chama "mormonismo", mas que é, na verdade, o Evangelho de Jesus Cristo. Estas coisas são hoje proclamadas ao mundo. Qual é o problema? O mormonismo é impopular. Por que é impopular? "Porque," dizem os sacerdotes de hoje, "interfere em nossos direitos. Pregamos por salário e adivinhamos por dinheiro, e, se os mórmons prevalecessem na terra, perderíamos nosso negócio, e não podemos suportar isto." "Ora," diz o mundo, "professais crer na poligamia, e é por isso que sois perseguidos." Não, estais enganados quanto a isto. A pior perseguição que esta Igreja já sofreu foi antes de a poligamia ser revelada à Igreja. Tivemos mais prosperidade desde que cumprimos aquela lei, e nos esforçamos por realizá-la conforme o mandamento de Deus, do que jamais tivemos como povo antes. E aqui está o princípio, para mim — falo como indivíduo; falo por mim mesmo — se esta obra é de Deus; se o Evangelho de Jesus Cristo, como revelado a Joseph Smith, é verdadeiro, então Deus cuidará dele; se a lei patriarcal do casamento vem do Deus de Israel, Ele cuidará dela; Ele a protegerá e a defenderá, e Ele sustentará o povo que a cumpre. Digo isto em nome do Deus de Israel. E, se não é de Deus, quem a quer? Eu não; nem este povo tampouco. Falo deste princípio porque desejo que meus irmãos e irmãs compreendam os pontos de vista que tenho a respeito dele.

Sei que estamos empenhados na obra do Senhor. Sei que esta é Sua Igreja. Ele a organizou com Profetas e Apóstolos, em cumprimento de predições feitas há milhares de anos. Esta é uma obra que foi ordenada antes de o mundo existir. O Senhor Todo-Poderoso jamais criou um mundo como este, e o povoou por 6.000 anos, como o fez, sem ter algum propósito em vista. Aquele propósito era que pudéssemos vir aqui e exercer nosso arbítrio. A provação por que somos chamados a passar destina-se a nos elevar, para que possamos habitar na presença de Deus, nosso Pai. E aquela eterna variedade de caráter que existiu nos céus entre os espíritos — desde Deus em Seu trono até Lúcifer, o filho da alva — existe aqui sobre a terra. Aquela variedade permanecerá sobre a terra nas criações de Deus, e, até onde sei, por todas as intermináveis eras da eternidade. Os homens ocuparão glórias e posições diferentes segundo suas vidas — segundo a lei que guardarem em carne.

Mas desejo que os Santos dos Últimos Dias compreendam sua posição. Nossa confiança está em Deus. No que diz respeito aos homens, é nosso dever tratar nossos semelhantes corretamente, deixá-los nas mãos de Deus se nos perseguem. O Senhor tem uma controvérsia com esta geração. Esta Bíblia, o Antigo e o Novo Testamento, contém uma vasta quantidade, direi, de tremendas revelações, de tremendos acontecimentos, que pairam sobre as cabeças do povo desta dispensação. Cairão estes acontecimentos sem se cumprir? Não; tanto quanto não caíram nos dias da queda da Babilônia, de Nínive, de Jerusalém, e de outras cidades nas nações da terra. Quando os habitantes de Jerusalém se tornaram maduros em iniquidade; embora Jerusalém fosse a cidade real, na qual estava o Urim e Tumim, e na qual se faziam sacrifícios ao Senhor, ainda assim a cidade foi arrasada, e os judeus têm sido pisados sob os pés dos gentios por 1.800 anos. Vivemos no início do Milênio, e perto do fim do 6.000º ano da história do mundo. Tremendos acontecimentos aguardam esta geração. Podeis ler um relato deles nas revelações de São João; a abertura dos selos; o soar das trombetas; o derramamento das pragas; os juízos de Deus que hão de sobrevir aos ímpios quando a grande Babilônia vier em memória diante de Deus, e quando a espada que está banhada no céu cair sobre a Idumeia — ou o mundo — quem poderá suportar estas coisas? Aqui estamos, vivendo no meio destes tremendos acontecimentos.

Estamos nas mãos de Deus; nossa nação está, e assim também as nações da terra; e, quando se propuserem a derrubar o Reino de Deus, que está decretado que seja estabelecido, terão alguém contra quem lutar além de Joseph Smith, Brigham Young, ou John Taylor, ou qualquer outro dos líderes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Esta guerra é entre Deus e o diabo, entre a luz e as trevas, a verdade e o erro, entre os céus e a terra; e aquele Deus que tem sustentado Sua obra desde a criação do mundo está obrigado a fazê-lo até o fim. Onde já lestes que o Reino de Deus seria derrubado nos últimos dias? Não podeis encontrar isto em parte alguma nas páginas dos registros da verdade divina. Não; as revelações de Deus se cumprirão. E devemos exercer fé nesse sentido. Como os antigos tiveram fé; como o mundo foi criado pela fé; como Noé construiu uma arca e pregou o evangelho do arrependimento por 120 anos pela fé; como Abraão saiu sem saber para onde ia, pela fé; como os antigos realizaram muitas obras poderosas, tais como a subjugação de cidades e reinos, pela fé; portanto, digo aos Santos dos Últimos Dias, o Deus de Israel, vosso Pai Celestial, por Seu Filho Jesus Cristo, pelos santos anjos, e por todo princípio de verdade eterna, requer de vós que exerçais fé nas revelações de Deus, pois elas se cumprirão, tão certo quanto vive o Senhor. Deus está com este povo. Mas é requerido de nós que ouçamos Sua voz, obedeçamos Seus mandamentos, e nos humilhemos diante dEle. E agradeço ao Senhor por ter vivido para ver o tempo em que creio haver grande melhora entre os Santos dos Últimos Dias. Creio que estão exercendo maior fé em Deus. E há uma calma prevalecendo entre os mórmons — assim chamados — que é uma maravilha e um espanto para o mundo. O mundo se pergunta por que não estamos agitados com a oposição exercida contra nós pelos milhões de pessoas que habitam este continente, bem como pelos povos das nações da terra. A razão de nossa calma é: Deus é nosso amigo, nosso legislador, nosso libertador. Se o Senhor não puder sustentar Sua obra, certamente nós não poderemos. Mas Ele pode. Sempre o fez, e o fará até o fim. Portanto, digo aos Santos: não temais. Confiai em Deus. Não desfaleça vosso coração. Que vossas orações subam aos ouvidos do Senhor dos Exércitos, dia e noite. Pedi o que quiserdes. Quando o fizerdes, o Senhor responderá vossas orações, se pedirdes o que é correto. Ali está nossa força. Está em Deus. Não tenho esperança em nenhuma outra coisa. Mas considero os Santos dos Últimos Dias como ocupando uma posição das mais gloriosas neste dia e época do mundo. Esta é a primeira vez, desde que Deus criou o mundo, que Ele estabeleceu uma dispensação para permanecer sobre a terra até a vinda do Filho do Homem — para permanecer em poder, força e glória, até o Milênio, até que Ele reine, a quem pertence o direito de reinar. Eis o que se estende diante de vós! Eis o poder de Deus! Eis a prosperidade de Sião! Eis as bênçãos que repousaram sobre vossas casas, vossas terras, vossos rebanhos e manadas, vossos filhos — as bênçãos da terra tanto quanto as dos céus — neste poderoso deserto árido! Deveríamos, então, ter alguma dúvida ou temor com respeito ao Reino de Deus? Não! Como povo, deveríamos nos levantar em fé e poder diante de Deus, e dar a conhecer nossas necessidades, e deixar nosso destino em Suas mãos. De qualquer modo, ele já está lá. Ali permanecerá. E, no que diz respeito à nossa nação, deixo-a nas mãos de Deus; mas prouvera a Deus que seus olhos estivessem abertos para ver e compreender as responsabilidades que sobre eles recaem. Prouvera a Deus que os governantes de nossa terra — o Presidente dos Estados Unidos, o Congresso dos Estados Unidos, a Suprema Corte dos Estados Unidos — aprendessem a responsabilidade que o Deus do céu lhes exigirá na administração daqueles gloriosos princípios estabelecidos na Constituição do governo deste país. O Deus do céu responsabilizará esta nação, bem como todas as outras nações, pela maneira como estes princípios são usados. Se os usarem mal, será sua perda. Se pisarem a Constituição aos pés; se se propuserem a privar qualquer parte dos cidadãos dos direitos que a Constituição lhes garante, serão responsabilizados, e terão de pagar a conta. Quando sangue inocente é derramado, isso custa algo; e prouvera a Deus que nossa nação pudesse compreender as bênçãos de que desfruta. Não há nação sobre a face da terra que tenha a mesma liberdade que nos é garantida pela Constituição de nosso país.

Temos alguma guerra com nosso Governo? Temos alguma acusação a fazer contra ele? De modo algum. Sinto pesar que esta nação semeie sementes que, ao amadurecerem, trarão destruição; pois sei, tão certo quanto vive Deus, que, se este ou qualquer outro governo se afastar dos princípios da verdade, amadurecer em iniquidade, abandonar o Senhor, abandonar os princípios da vida e da liberdade, o Deus do céu o responsabilizará. Juízos virão sobre os ímpios. Quando os homens se afastam dos princípios da verdade e se apegam às trevas e à maldade, colhem o redemoinho; lançam o fundamento para a desolação.

Rogo a Deus, meu Pai Celestial, que Sua bênção repouse sobre nós como Santos dos Últimos Dias; que possamos compreender e entender nossa posição, nossos deveres e nossas responsabilidades diante de Deus. Quando olho, irmãos e irmãs, para este punhado de homens e mulheres aqui nestas montanhas de Israel, digamos 150.000, dentre os mil e quatrocentos milhões de pessoas que habitam a terra; quando percebo a responsabilidade que Deus depositou sobre os Santos dos Últimos Dias, a responsabilidade de edificar este grande reino de nosso Deus, de proclamar ao mundo os princípios da vida, luz e verdade eternas; quando reflito sobre estas coisas, pergunto a mim mesmo: Que tipo de homens deveríamos ser? Nosso número é pequeno, mesmo comparado apenas aos habitantes desta nação, sem falar dos habitantes do mundo; contudo, como já disse antes, digo novamente, o Deus do céu olha para os Santos dos Últimos Dias para levar avante Sua obra.

Sejamos, então, cuidadosos. Compreendamos nossa condição. Compreendamos que estamos aqui numa missão. Compreendamos que seremos responsabilizados pela maneira como a cumprirmos. Deveríamos estar dispostos a sacrificar tudo pela edificação do Reino de Deus. Todo homem que buscar salvar sua vida e abandonar os princípios do Evangelho não é digno da vida eterna. Quantos têm dado a vida, desde a criação do mundo, pela verdade? O próprio Jesus desceu abaixo de todas as coisas. Ele desceu, creio eu, mais baixo do que qualquer outro homem jamais será chamado a descer. Somos nós maiores do que Jesus? Se somos chamados hoje a dar a vida, que importa? Não é tão bom morrer pelo Evangelho quanto morrer por qualquer outra coisa? Um milhão de homens, há poucos anos, sacrificaram suas vidas pela honra desta nação. Não importa pelo que sejamos chamados a passar, mantenhamos nossa integridade a Deus. Onde está o homem cuja mente foi iluminada pela inspiração de Deus para compreender o reino celestial, ou a lei celestial, ou o Evangelho de Jesus Cristo, que possa suportar a ideia de seguir um curso pelo qual seria cortado de herdar as bênçãos que esperava para o futuro? Não, eu preferiria morrer mil mortes a ser privado destas bênçãos. Temos um longo tempo para viver quando terminarmos aqui. Toda a eternidade está diante de nós. Valerá a pena para vós, valerá a pena para mim — não importa o que venha, não importa o que esta nação possa fazer para nos oprimir — sermos verdadeiros e fiéis a nossos convênios, a nossas esposas e filhos, a nosso Deus e a nosso país; valerá a pena sermos fiéis até o fim.

Rogo a Deus que este seja nosso destino, que sejamos verdadeiros e fiéis até a morte, e herdemos a vida eterna, por amor de Jesus. Amém.

Como citar este discursoWilford Woodruff, “A Verdade É Poderosa e Prevalecerá"—Introdução dos Princípios da Verdade Eterna—Cumprimento da Profecia em Nosso Próprio Tempo—Princípios do Evangelho Dignos de Consideração—Sua Impopularidade—Posição Peculiar dos Santos dos Últimos Dias—O Reino de Deus Predito Pelos Profetas—Joseph Smith—Nenhum Poder Pode Deter a Mão do Todo-Poderoso—O Evangelho de Cristo É a Lei da Salvação—Perseguição—Poligamia—Tratai Vossos Semelhantes Corretamente—Início do Milênio—Guerra Entre Deus e o Diabo—Fé—O Segredo da Força dos Santos—Responsabilidade dos Governantes, Etc.—Responsabilidade dos Santos”, (1884-01-06). Pulpit Vault, 1884-01-woodruff-truth-is-mighty-and-will-prevail. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).