Pulpit

A Missão de Joseph Smith—Necessidade de Tal Missão—Evidências de Apostasia—Restauração do Evangelho e Estabelecimento do Reino de Deus—Ódio e Perseguição Dedicados a Joseph Smith, uma Evidência de Seu Chamado Divino—Mais Prova de Inspiração

B. H. Roberts

1884-01-28

A pedido da Presidência da Estaca de Davis, em Sião, proferi duas palestras em cada uma das Alas daquele condado. Sendo eu um homem jovem, dirigi-me aos jovens, com o propósito de fortalecer sua fé no Evangelho de Jesus Cristo, que foi revelado novamente à terra nesta época do mundo. E, ao considerar o assunto que temos diante de nós esta noite — "A Missão de Joseph Smith" — desejo mostrar a meus jovens irmãos e irmãs que nossos pais não seguiram fábulas engenhosamente inventadas, mas que eles, e assim também nós, temos razões boas e suficientes para crer que a missão de Joseph Smith foi divina.

Ao considerar o assunto de nossa palestra, surge naturalmente a pergunta: Qual foi a missão de Joseph Smith? Foi a missão de Joseph Smith, sob a direção de Deus, estabelecer a Igreja de Cristo e o Reino de Deus sobre a terra; e, para a realização desta obra, ele dedicou toda a energia de sua vida, e foi fiel até a morte.

Mas esta afirmação sobre qual era sua missão dá origem a outra pergunta: "Há alguma necessidade de que se realize uma obra como a que se atribui a Joseph Smith?" O mundo cristão crê que, quando Cristo esteve sobre a terra em carne, Ele então estabeleceu Sua Igreja e Seu Reino, e que estes continuaram entre os homens desde aquele tempo até o presente. E, embora muitas mudanças tenham ocorrido em relação a princípios e doutrinas, e divisões e subdivisões tenham perturbado o mundo religioso — ainda assim afirmam que aquelas coisas essenciais à existência da Igreja e do Reino de Cristo permaneceram entre os homens. Esta é a teoria deles. Temos uma teoria oposta à deles.

A primeira revelação que Joseph Smith recebeu do Senhor foi de que os homens ensinavam como doutrina os mandamentos e preceitos dos homens, e que Ele [o Senhor] não reconhecia as instituições deles como Sua Igreja ou Reino, e disse a Joseph que não se juntasse a nenhuma delas.

Vedes, então, aqui, que temos duas proposições apresentadas diante de nós; se uma é verdadeira, a outra deve ser falsa; ambas não podem estar corretas. Se a teoria sustentada pelo mundo cristão for verdadeira, então não parece haver necessidade de que se realize uma obra como a que atribuímos a Joseph Smith; pois, se o Reino de Deus continuou sobre a terra desde os dias de Jesus até o presente, então não haveria necessidade de que alguém fosse suscitado para estabelecer aquilo que já estava aqui; e provar que não havia necessidade de tal obra, como a que se atribui a Joseph Smith, seria um grande passo para provar que ele era um impostor. Mas, se pudermos mostrar que a teoria sustentada pelo mundo cristão está incorreta — se pudermos provar que houve uma apostasia — que os homens têm seguido como doutrina os mandamentos dos homens; se pudermos provar que a Igreja e o Reino de Cristo não estavam sobre a terra na época em que a missão de Joseph Smith começou — então a necessidade de tal obra, como a que afirmamos que ele realizou, torna-se evidente; e, se há necessidade de tal obra como a restauração do Reino de Deus à terra, não poderia Joseph Smith ter sido o instrumento nas mãos de Deus na realização daquela obra?

Consideremos, então, a questão — Houve uma apostasia? Não podemos examinar este assunto em detalhe. Tudo o que poderemos fazer é referir-nos brevemente a algumas daquelas profecias que se relacionam com o assunto. Começamos chamando vossa atenção para o 24º capítulo de Isaías, a partir do 4º versículo: "A terra pranteia e se murcha; o mundo enfraquece e se murcha; enfraquecem os mais altos do povo da terra.

"Porque a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno.

"Por isso a maldição consome a terra, e os que habitam nela serão desolados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão."

Tenho encontrado homens no mundo que tentam desfazer a força desta profecia, da seguinte maneira: lembram-nos de que Isaías viveu na dispensação mosaica, quando a lei dos mandamentos carnais estava em vigor; e afirmam que era desta lei carnal que Isaías falava — era a lei de Moisés que seria transgredida; as ordenanças mosaicas que seriam mudadas; o convênio mosaico que seria quebrado. Estas afirmações, porém, são incorretas — pelo fato de que a lei mosaica jamais foi considerada, por aqueles que a compreendiam, "um convênio eterno". Foi dada para um propósito específico, e, quando cumpriu aquele propósito, foi deixada de lado.

Lemos de Gálatas, 3º capítulo, versículo 8:

"Ora, tendo a escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti."

Disto se depreende que o Evangelho foi pregado a Abraão. No 4º capítulo de Hebreus, versículo 2, Paulo, falando do antigo Israel, diz:

"Porque também a nós foi pregado o evangelho como a eles, mas a palavra da pregação de nada lhes aproveitou, porquanto não estava acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." Não somente, então, o Evangelho foi pregado a Abraão, mas também aos filhos de Israel. Ora, voltemos ao 3º capítulo de Gálatas, pois Paulo, tendo afirmado que o Evangelho foi pregado a Abraão, faz esta pergunta (versículo 19):

"Logo, para que é a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita."

Acrescentada a quê? Acrescentada ao Evangelho, que, antes daquele tempo, já havia sido pregado a Abraão, e também ao antigo Israel. Mas os israelitas, sob Moisés, foram incapazes de viver a lei perfeita do Evangelho, não eram suficientemente fortes para vencer o mal com o bem, como o Evangelho requer, de modo que uma lei de mandamentos carnais foi "acrescentada" ao Evangelho — uma lei que incluía o princípio de "olho por olho, dente por dente" — uma lei adequada à sua capacidade. Paulo, ainda falando deste assunto, no mesmo capítulo de Gálatas já citado (versículo 23), diz:

"Porém, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar.

"De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.

"Mas, depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio."

Destas passagens da Escritura aprendemos o seguinte: o Evangelho foi pregado a Abraão, e também ao antigo Israel. Os israelitas foram incapazes de viver a lei do Evangelho — de modo que uma lei de mandamentos carnais, conhecida como a lei de Moisés, foi dada como aio para conduzi-los à lei superior: Cristo veio e introduziu aquela lei superior — o Evangelho —, explicou seus preceitos, e apontou a diferença entre ela e a lei de Moisés. O Evangelho tomou o lugar da lei de Moisés, que foi deixada de lado, tendo cumprido o objetivo para o qual foi acrescentada ao Evangelho. Se, então, a lei de Moisés não era um convênio eterno, esta profecia de Isaías, que estamos considerando, não se refere a ela, pois a profecia de Isaías dizia respeito a um convênio eterno.

Encontramos em Hebreus 13:20 o seguinte: "Ora, o Deus de paz, que tornou a trazer dos mortos o nosso Senhor Jesus Cristo, o grande pastor das ovelhas, pelo sangue do convênio eterno, vos aperfeiçoe," etc.

Disto aprendemos que o sangue de Cristo é chamado o sangue do convênio eterno. Paulo, escrevendo a Tito, dá-nos a entender que vivia "em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos", e esta vida imortal que Deus havia prometido — este convênio eterno que Deus fizera com o homem antes que o mundo começasse — foi selado pelo sangue de Cristo, e esta vida e imortalidade foram trazidas à luz por meio do Evangelho — e é chamado, na Escritura, o evangelho eterno ou convênio eterno; e Isaías diz que as leis do convênio eterno, ou as leis do Evangelho, serão transgredidas, as ordenanças do Evangelho serão mudadas: e, em consequência destas graves transgressões, a terra será queimada, e poucos homens restarão; cujo juízo ainda paira sobre os habitantes da terra. Tendo, então, provado que esta profecia de Isaías se refere ao Evangelho, e não à lei de Moisés, lembremo-nos de que Jesus disse: "Ainda que o céu e a terra passem, nem um jota nem um til de minha palavra deixará de se cumprir, mas tudo se cumprirá." Ou Isaías se enganou quando falou movido pelo Espírito Santo, a respeito de o mundo se afastar daquela ordem de coisas inaugurada pelo Salvador, ou então o mundo cristão está incorreto ao sustentar que o Evangelho, em tudo o que é essencial, continuou desde os dias de Jesus até o presente.

Alguns poucos escritores cristãos notáveis, mais francos do que seus semelhantes, admitiram livremente a apostasia da cristandade. Apresentaremos seu testemunho. João Wesley, em seu 94º sermão, diz:

A razão pela qual os dons extraordinários do Espírito Santo já não estão mais na igreja "é porque o amor de muitos esfriou, e os cristãos voltaram a ser pagãos, restando-lhes apenas uma forma morta."

A citação seguinte é tirada da página 163 do Dicionário da Bíblia de Smith. Esta obra é endossada pelos nomes de 63 teólogos, tanto da Europa quanto da América, todos notáveis por sua erudição. Dizem eles:

"Não devemos esperar ver a Igreja das Sagradas Escrituras realmente existindo em sua perfeição sobre a terra. Ela não se há de encontrar assim perfeita, seja nos fragmentos reunidos da cristandade, seja, ainda menos, em qualquer um daqueles fragmentos isoladamente." Este é um franco reconhecimento de tudo o que afirmamos a respeito da apostasia da Igreja primitiva. Cristo e Seus Apóstolos estabeleceram a Igreja sobre a terra, nos dias de seu ministério, e agora nos dizem que ela não se há de encontrar sequer nos fragmentos reunidos da cristandade — isto é, tomem-se os princípios de verdade que cada seita possui, juntem-se todos, e, ainda assim, desta coletânea de verdades não encontraríamos o Evangelho de Cristo. Tomemo-los, então, pela palavra: resta-lhes apenas uma forma morta — "A Igreja de Cristo não se encontra sobre a terra." Estas admissões, da parte dos escritores proeminentes da cristandade, aliadas à segura profecia de Isaías, obrigam-nos à conclusão de que os homens corromperam o Evangelho, tal como ensinado por Cristo e pelos Apóstolos — que houve uma apostasia, e é necessário que Deus estabeleça novamente Seu Reino sobre a terra.

Por meio deste exame, veremos que as Escrituras predizem a restauração do Evangelho. Aprouve ao Todo-Poderoso, enquanto Seu servo João estava na ilha de Patmos, mostrar-lhe muitas coisas que haveriam de transcorrer no futuro. Envolto em uma visão celestial, ele viu, entre outras coisas, "outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo." Depreende-se desta passagem da Escritura, que se encontra no 14º capítulo de Apocalipse, que o anjo que há de vir com o Evangelho fará sua aparição pouco antes de os juízos de Deus serem derramados sobre os filhos dos homens nos últimos dias — "na hora do juízo de Deus". Este Evangelho não haveria de ser pregado meramente a uma nação ou povo, mas a TODA nação, toda tribo, toda língua e todo povo. Parece-me evidente que todas as nações, línguas e povos deviam estar sem o Evangelho, ou por que seria necessário ao Senhor restaurá-lo pelo ministério de um anjo a todos os povos e línguas, se algum deles já o possuísse? Há outro profeta que predisse o estabelecimento do Reino de Deus sobre a terra nos últimos dias. Refiro-me a Daniel, o profeta hebreu, que estava entre os judeus cativos, levados de Jerusalém para a Babilônia pelo rei Nabucodonosor, cerca de seiscentos anos antes de Cristo. O Senhor deu a este mesmo rei da Babilônia um sonho maravilhoso, mas ele o havia esquecido. Reuniu todos os seus sábios e magos, e exigiu que lhe dissessem o seu sonho, e a interpretação dele. Se não o fizessem, a morte seria a pena. Isto causou grande consternação entre os sábios, mas o Senhor revelou a coisa a Daniel, que compareceu diante do rei com o sonho, e a interpretação dele.

O rei viu uma grande estátua, cuja cabeça era de ouro; os braços e o peito, de prata; o tronco, de bronze; as pernas, de ferro; os pés e os dedos dos pés, em parte de ferro e em parte de barro de oleiro. Viu também uma pequena pedra, cortada dos montes sem auxílio de mãos, que feriu a estátua nos pés e nos dedos dos pés, e os despedaçou; então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados juntamente, e se tornaram como a pragana das eiras de verão, e o vento os levou, mas a pequena pedra se tornou um grande monte e encheu toda a terra. Tal foi o sonho. Daniel, ao dar a interpretação, disse a Nabucodonosor: "Tu, ó rei, és rei de reis; pois o Deus do céu te deu o reino, o poder, e a força, e a majestade... tu és a cabeça de ouro." (Daniel 2, versículos 37 e 38.) A cabeça desta grande estátua, portanto, era o reino babilônico, que floresceu nos séculos sexto e sétimo antes de Cristo, mas, em 538 a.C., foi destruído. Continua Daniel: "E depois de ti" — Nabucodonosor — "se levantará outro reino, inferior ao teu." (Versículo 39.) O Império Medo-Persa sucedeu ao reino babilônico, e durou de 538 a 331 a.C., sendo representado pelo peito e os braços de prata na grande estátua.

Citemos novamente: "E outro terceiro reino, de bronze, o qual dominará toda a terra." (Versículo 39.) O Império Macedônio sucedeu ao Medo-Persa, tendo sido fundado por Alexandre, o Grande, e de fato "dominou" o mundo então conhecido, durando até 161 a.C.

"E o quarto reino", diz Daniel, "será forte como ferro; da maneira que o ferro esmiuça e enfraquece tudo, e como o ferro que quebra todas essas coisas, assim" o quarto reino "esmiuçará e quebrará." (Versículo 40.) O Império Macedônio, fundado por Alexandre, o Grande, foi eliminado pelo Império Romano, que o suplantou completamente em 161 a.C. A nação romana é a quarta grande nação vista por Nabucodonosor na estátua, e é representada pelas pernas de ferro; e, assim como o ferro despedaça todos os outros metais, também a nação romana despedaçou os outros reinos da terra.

Resta-nos ainda os pés e os dedos dos pés da estátua, que são em parte de ferro e em parte de barro. Que reino ou reinos representam eles?

No ano 364 d.C., o Império Romano foi dividido entre Valentiniano e Valente. A parte ocidental do império foi assolada pelos godos, vândalos, hunos e outras tribos que habitavam a parte norte da Europa, até ser totalmente destruída em 483 d.C. De suas ruínas surgiram aqueles reinos e impérios que, hoje, ocupam a parte ocidental da Europa.

A parte oriental do Império Romano foi destruída pelas invasões dos sarracenos, e desta parte da antiga Roma surgiram os reinos que agora ocupam o leste da Europa e o oeste da Ásia.

O antigo Império Romano, então, representado na estátua pelas pernas de ferro, foi dividido e subdividido, até que os reinos representados pelos pés e dedos dos pés desta estátua estão em existência. A respeito destes pés e dedos dos pés, diz Daniel: "Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, ELES" — Quem? Ora, aquelas nações que surgiram das ruínas do Império Romano — "misturar-se-ão com semente humana, mas não se apegarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro." As nações agora existentes casam e se entrecasam — "misturam-se com semente humana", esforçando-se, deste modo, por unir seus interesses e evitar a calamidade, mas tudo em vão; não se apegam umas às outras mais do que pedaços duros de ferro se dissolveriam e se tornariam uma só substância com o barro. Já traçamos, agora, esta profecia até nossos próprios tempos — até os reinos que existem em nossos próprios dias. Que se segue? Ora, diz Daniel: "Mas nos dias desses reis", representados pelos pés e dedos dos pés da estátua, "o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e esse reino não será deixado a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo estará estabelecido para sempre."

Não somente, então, João nos diz que o Evangelho, na hora do juízo de Deus, será restaurado à terra pelo ministério de um anjo, mas o Profeta Daniel nos proclamou que, nos últimos dias (pois diz ele — 2º capítulo, versículo 28 — "Há um Deus nos céus... ele fez saber ao rei o que há de ser nos últimos dias"), o Deus do céu estabeleceria Seu reino, e nos deu a garantia de que permaneceria para sempre. Nunca aparecerá letra alguma escrita nas paredes dos templos daquele reino, dizendo que o reino está dividido e entregue a outro povo. Seja qual for nosso destino como indivíduos, podemos ter a certeza de que o Reino de Deus veio para ficar.

Tendo mostrado pelas Escrituras não apenas que haveria uma apostasia universal, mas também uma restauração do Evangelho, e o estabelecimento do Reino de Deus nos últimos dias, estamos agora livres para indagar quais são as razões dos homens para rejeitarem Joseph Smith como instrumento de Deus na realização desta obra.

Será o fato de Joseph Smith ter sido rejeitado pelo mundo, odiado e perseguido por milhares, alguma evidência contra ele ter sido o servo escolhido de Deus para realizar a poderosa obra de estabelecer o Reino de Deus sobre a terra nos últimos dias? Que a história responda a esta pergunta. Como têm sido recebidos os servos de Deus em todas as épocas do mundo? Muito da mesma forma que o foi Joseph Smith. Paulo, falando dos Profetas, diz-nos: "Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados" (Heb. 11:37). Jesus foi odiado e desprezado pelo mundo, e finalmente morto pelos ímpios. Seus Apóstolos e discípulos não tiveram sorte muito melhor. A respeito dos Apóstolos, diz Paulo: "Nós somos loucos por causa de Cristo... até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa; e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos caluniados, e consolamos; até o presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos." (1 Cor. 4.) Foi Joseph Smith desprezado mais do que estes antigos servos de Deus foram? Mas Jesus diz: "Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, e quando vos excluírem, e injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do Homem. Regozijai-vos naquele dia, exultai; porque, eis que é grande o vosso galardão no céu, porque assim faziam os seus pais aos profetas. Ai de vós quando todos os homens de vós falarem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas." (Lucas 6:22, 26.)

Em outra ocasião, o mesmo Grande Mestre disse a Seus discípulos: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos odeia." E não vale hoje o mesmo princípio? E se Joseph Smith era, de fato, servo de Deus, não o odiaria o mundo? Este princípio também é válido quando aplicado ao povo de Deus como um todo. Se os Santos dos Últimos Dias fossem tão vis e corruptos, ou tão ímpios quanto são representados por seus inimigos, se fossem tão licenciosos quanto se diz que são — então, tão certo quanto Deus vive, seriam do mundo; e, sendo do mundo, e sendo verdadeiro o princípio que Jesus estabeleceu, então o mundo os amaria; mas, pelo fato de este povo ser odiado pelo mundo, temos a garantia de que não são do mundo: mas Deus os escolheu do mundo, e o mundo os odeia.

Que Joseph Smith foi desprezado, rejeitado e perseguido pelos homens não é objeção válida a que ele fosse o honrado servo de Deus. Tenho ouvido outras objeções levantadas contra Joseph Smith: como a de que ele era iletrado — sem instrução na sabedoria do mundo — e isto era verdade. Isto é, em sua juventude, ele era iletrado, e seus conhecimentos escolares eram limitados, mas, à medida que cresceu até a idade adulta, dificilmente se poderia queixar de sua falta de instrução, pois provou ser capaz de rivalizar com todos os eruditos da época.

Também se alega que tanto ele quanto seus seguidores eram homens vindos das classes humildes da vida, e não se contavam entre os advogados, os governantes e os professores. As mesmas objeções foram levantadas contra Jesus e Seus seguidores — Seus Apóstolos. Mas a que equivale tal objeção? Não são estes exatamente a classe de homens que Deus quase invariavelmente tem chamado para realizar Sua obra? Leio a seguinte passagem do primeiro capítulo de 1ª Coríntios:

"Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres são chamados.

"Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;

"E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são: Para que nenhuma carne se glorie perante ele."

Dizer, então, que a condição de Joseph Smith era humilde, e que ele era iletrado quando chamado para a obra de Deus, em vez de constituir objeção válida contra ele, é, pelo contrário, uma evidência em seu favor.

Tendo assim afastado as objeções levantadas contra ele ser um homem bom e servo de Deus, indaguemos a seguir a evidência de que foi um instrumento nas mãos de Deus para restaurar o Evangelho e estabelecer o Reino de Deus sobre a terra. Que evidências têm os Santos dos Últimos Dias a oferecer ao mundo de que ele realizou esta importante obra? Primeiramente, a própria obra: a instituição que ele organizou — é um exato fac-símile daquela que Cristo instituiu quando ministrou sobre a terra. Ensinaram os antigos Apóstolos a fé no Senhor Jesus Cristo como Salvador do mundo — ensinaram a salvação em Seu nome? Sim, e nós também! Ensinaram o arrependimento, que inclui o abandono do pecado? Sim, e nós também! Ensinaram o batismo por imersão para a remissão dos pecados? E a imposição de mãos para o recebimento do Espírito Santo? A ressurreição dos mortos e recompensas e punições futuras? Sim, e nós também!

Tinham eles na Igreja Apóstolos, Profetas, Setentas, Élderes, Bispos, Evangelistas, Pastores, Mestres e Diáconos — juntamente com outros auxílios e governos na organização da Igreja? Sim, e os mesmos estão hoje na Igreja de Cristo, que Joseph Smith, sob Deus, organizou sobre a terra.

Desfrutavam os antigos Santos os dons e bênçãos espirituais do Evangelho — os dons de conhecimento, sabedoria, fé, cura, línguas, interpretações, discernimento de espíritos, revelação, profecia, visitação de anjos, etc.? Sim: e desfrutam os Santos dos Últimos Dias destas coisas? Sabeis que sim, pois sois testemunhas destas coisas — então esta instituição se assemelha exatamente àquela que Jesus estabeleceu sobre a terra quando aqui esteve. É a mesma em seus princípios e ordenanças; em seus ofícios e organização; e os mesmos resultados — os mesmos dons e graças decorrem da obediência a seus requisitos. Se compararmos a instituição conhecida como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias com aquela instituição descrita no Novo Testamento, vereis que correspondem uma à outra, como face responde a face no espelho. Esta façanha de organizar uma Igreja que se assemelhasse em todo aspecto à de Cristo tem sido a ambição dos eruditos e piedosos reformadores por séculos passados; mas fracassaram. O mundo, contudo, é agora obrigado a admitir uma ou outra das duas conclusões seguintes: ou Joseph Smith, embora fosse um jovem iletrado, superou de tal modo a erudição e a sabedoria das eras, e realizou, pelo poder de seu próprio gênio, aquilo que o gênio auxiliado pela erudição não pôde fazer em séculos anteriores; ou, então, devem concluir que Deus, de fato, novamente falou dos céus, e revelou o Evangelho e a organização de Seu Reino, por meio de Joseph Smith. A primeira conclusão é absurda; a segunda é a verdadeira solução do mistério, e milhares o testificam.

Outra razão que ofereceria para sustentar seu chamado de Deus é — ele começou certo. Vi em algum lugar um lema que diz: "Bem começado é meio feito."

Jesus, estando certa vez entre Seus discípulos, pareceu curioso por saber o que o povo pensava a respeito dEle; disse então a Seus Apóstolos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" Responderam-Lhe que alguns diziam que era João Batista, outros, Elias, ou um dos profetas. "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" Respondeu Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas," disse Jesus, "porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus... e também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mat. 16.) Qual era aquela "pedra" sobre a qual a Igreja havia de ser edificada? Era sobre o princípio de Deus revelar aos homens que Jesus era o Cristo — o princípio da revelação.

Na primavera de 1820, Joseph Smith, em obediência à instrução dada em Tiago — "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada" — orava no bosque ao Pai, quando de repente foi envolto por uma gloriosa visão. Viu uma coluna de luz descendo do céu — ela repousou sobre ele — seu brilho excedia o brilho do sol ao meio-dia. No meio desta gloriosa luz estavam duas personagens, semelhantes uma à outra. Um deles, de pé um pouco acima do outro, apontando para o de baixo, disse: "Este é o Meu Filho Amado; Ouvi-O!" — "Bem-aventurado és tu, Pedro, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus." O mesmo se poderia dizer agora a Joseph Smith, pois o Pai lhe havia revelado o Filho. "E sobre esta pedra edificarei a minha igreja." Daí dizermos que Joseph Smith começou exatamente sobre o mesmo princípio sobre o qual Jesus disse que edificaria Sua Igreja.

Não apenas Joseph começou certo, mas continuou certo. João, o Revelador, disse que um anjo traria o evangelho eterno à terra na hora do juízo de Deus; Joseph Smith declara que o anjo Morôni, que fora um dos antigos Profetas neste continente americano, veio até ele, e lhe ensinou muitos princípios do Evangelho, e também lhe entregou as placas metálicas que continham o Livro de Mórmon, no qual está contida a "plenitude do evangelho eterno". Assim foi o Evangelho restaurado à terra, segundo a predição da Escritura. João fez a predição; Joseph Smith declara seu cumprimento.

Além disso, ele recebeu a autoridade para administrar as ordenanças deste Evangelho, tal como as Escrituras determinam. Não tomou a honra para si mesmo, pois as Escrituras o proíbem. Lerei do 5º capítulo de Hebreus, versículo 4. Paulo, falando daqueles que ministram nas coisas pertencentes a Deus, diz:

"E ninguém toma para si essa honra, senão o que é chamado por Deus, como Aarão."

A questão agora para nossa consideração é: como foi Aarão chamado? Pois, se pudermos descobrir como ele foi chamado, saberemos então como todos os demais homens devem ser chamados antes de terem autoridade para administrar no Evangelho. Suponhamos que, nos livros de estatutos do Território de Utah, encontrássemos uma lei que dissesse: "Nenhum homem será governador de Utah, exceto seja nomeado como o Governador Young o foi." Se aquela lei estivesse em vigor, que faríamos se estivéssemos sem governador, e desejássemos um? Voltaríamos à história de Utah, e descobriríamos como o Governador Young foi nomeado, e então nomearíamos outro do mesmo modo; muito bem, façamos o mesmo no caso que temos diante de nós, pois são casos paralelos. Como foi Aarão chamado? Lemos, no 4º capítulo de Êxodo, que o Senhor chamou Moisés para ir libertar Israel do Egito. Moisés escusou-se, e desejou que o Senhor enviasse outra pessoa, pois não era eloquente, mas tardo de fala. Isto irou o Senhor, que disse: "Quem fez a boca do homem?" E o Senhor prometeu estar com ele, e ensinar-lhe o que deveria dizer. Ainda assim Moisés hesitou; então o Senhor disse: "Não é Aarão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele fala muito bem... e ele falará por ti ao povo: e ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus." Em outra ocasião, quando foi concedida mais autoridade a Aarão, a palavra do Senhor veio por meio de Moisés, dizendo: "Farás chegar a ti teu irmão Aarão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para que me sirvam como sacerdotes," etc. (Êxodo, 28º capítulo.) Disto, então, aprendemos que Aarão foi chamado pela palavra de Deus vindo a um Profeta de Deus, chamando-o para administrar nas coisas pertencentes a Deus; e Paulo estabelece a lei — ninguém toma para si esta honra, exceto seja chamado do mesmo modo que Aarão o foi. Joseph Smith foi chamado segundo esta lei. João Batista, um Profeta de Deus, que possuíra o Sacerdócio de Aarão quando esteve na terra, veio a Joseph Smith e a Oliver Cowdery, e, impondo-lhes as mãos sobre a cabeça, ordenou-os ao Sacerdócio Aarônico, o que lhes deu autoridade para pregar o arrependimento, e batizar para a remissão de pecados. Posteriormente, Pedro, Tiago e João vieram, e conferiram-lhes o apostolado, o que lhes deu autoridade para edificar o Reino de Deus em todo o mundo. Assim, ele recebeu sua autoridade de Deus segundo a lei do Evangelho relativa a este assunto.

Mas cheguemos a uma prova mais positiva do que a que já consideramos.

Leio da 84ª seção de Doutrina e Convênios, versículo 64, no qual o Senhor, falando aos primeiros Élderes da Igreja, faz-lhes esta promessa por meio de Joseph Smith: "Portanto, como disse a meus apóstolos, também vos digo que toda alma que acreditar em vossas palavras e for batizada pela água para remissão de pecados receberá o Espírito Santo."

Eis aqui, agora, uma promessa que um impostor não ousaria fazer. Está ao alcance de todos os homens testar a verdade de se Joseph Smith estava autorizado a fazer tal promessa ou não. É um teste tão válido quanto aquele que Jesus deu ao povo em Seus dias, quando os ensinava nos templos, dizendo: "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Assim, agora, este mestre moderno nos diz que, se crermos em suas palavras, e formos batizados, receberemos o Espírito Santo. Se esta promessa não se cumprir, então prova, além de toda controvérsia, que a pessoa que a fez é um impostor. Mas, sendo esta uma coisa que o homem não pode conferir a outro pelo seu próprio poder, se a promessa se cumpre, e os homens de fato recebem o Espírito Santo, então isto é evidência positiva de que Joseph foi autorizado por Deus a fazer aquela promessa. Milhares podem testificar que esta promessa se cumpriu. A maioria de vós, neste salão, se fosse chamada a isso, sem dúvida testificaria que recebeu o dom e o poder do Espírito Santo. Quanto a mim, posso testificar que recebi o Espírito Santo, mediante a obediência ao Evangelho. Ele tem expandido minha mente, e me capacitado a compreender muitos dos princípios ligados à Igreja e ao Reino de Deus. Tenho frequentemente sentido seu efeito vibrar do alto da cabeça às plantas dos pés. Tão facilmente poderia duvidar da existência da luz do sol quanto duvidar da existência do Espírito Santo dentro de mim, o qual recebi em cumprimento desta promessa contida em Doutrina e Convênios.

Mas leio adiante, na mesma seção: "E estes sinais seguirão os que crerem: Em meu nome realizarão muitas obras maravilhosas; em meu nome expulsarão demônios; em meu nome curarão os enfermos; em meu nome abrirão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos; e a língua dos mudos falará; e se algum homem lhes administrar veneno, não lhes fará mal; e o veneno de uma serpente não terá poder para lhes fazer mal. Dou-lhes, porém, o mandamento de que não se vangloriem destas coisas nem falem delas diante do mundo." Isto é, não devemos gloriar-nos diante do mundo de que Deus prometeu livrar-nos destas coisas. Podemos aprender uma lição de Jesus a este respeito — O diabo O levou ao pináculo do templo, e disse-Lhe: se és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: Ele aos Seus anjos ordenará a Teu respeito, e nas mãos deles Te sustentarão, para que nunca tropeces em alguma pedra. "Também está escrito," respondeu Jesus, "não tentarás o Senhor teu Deus." Assim hoje, não devemos nos gloriar destas coisas, nem tentar o Senhor.

Mas estarão estes sinais e bênçãos na Igreja que Joseph Smith estabeleceu? Vós, meus irmãos e irmãs, sabeis que estão: sabeis que é coisa comum mandar chamar os Élderes para administrar aos enfermos, e eles são curados, e milhares em Utah, e centenas em todo o mundo, podem testificar que viram o poder de Deus manifesto na Igreja. Se estas promessas feitas por meio de Joseph Smith não se tivessem cumprido, teriam provado que ele era um impostor; o fato de se terem cumprido é evidência de que foi chamado de Deus.

O Senhor deu ao antigo Israel uma regra pela qual pudessem provar os homens que lhes falavam em nome do Senhor, para que soubessem se Deus os havia enviado ou não; encontrareis isto no 18º capítulo de Deuteronômio, versículo 22.

"Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele."

Este, então, foi o teste estabelecido; se suas profecias não se cumprissem quando a roda do tempo as trouxesse a termo, o Senhor não os havia enviado. Se suas profecias se cumprissem, então Israel poderia saber que o Senhor os havia enviado. Uma vez que se afirma que Joseph Smith é um Profeta de Deus, submetamo-lo a esta regra. Muitas de suas predições estão registradas; examinemo-las. Devemos limitar-nos a apenas algumas, porém, pois a falta de tempo nos impede de fazer um exame muito extenso.

Chamo vossa atenção para uma predição registrada na seção 103 de Doutrina e Convênios, versículos 5, 6 e 7.

"Mas em verdade vos digo que decretei um decreto que meu povo executará se atender, de agora em diante, aos conselhos que eu, o Senhor seu Deus, lhe darei. Eis que, porque o decretei, eles começarão a prevalecer contra meus inimigos a partir deste exato momento. E tendo o cuidado de cumprir todas as palavras que eu, o Senhor seu Deus, lhes disser, jamais deixarão de prevalecer, até que os reinos do mundo sejam subjugados sob meus pés e a Terra seja dada aos santos a fim de que a possuam para todo o sempre."

Esta profecia foi dada em fevereiro de 1834 — poucos meses depois de os Santos terem sido expulsos do condado de Jackson, no Missouri. Ora, tomai a história dos Santos desde aquele tempo até o presente, e, a meu ver, parece uma série contínua de triunfos. A expulsão dos Santos do condado de Jackson não deteve o progresso do Reino de Deus. O Evangelho foi pregado mais extensivamente, e os frutos dos labores dos Élderes foram mais abundantes; e, quando, cinco anos depois, os Santos foram expulsos do Estado do Missouri, 12.000 foram expulsos, em vez de 1.200, como nas expulsões do condado de Jackson. O único efeito visível de sua expulsão do Missouri foi dar novo ímpeto à obra. Os Santos exilados estabeleceram-se em Illinois, começaram a construir uma grande cidade, e iniciaram a construção de um nobre templo, ao mesmo tempo em que enviavam o Evangelho às nações europeias. Oito anos depois, quando novamente foram obrigados a mudar-se, em vez de 12.000 partirem, foram 20.000 os que iniciaram sua marcha para o Oeste. Estabeleceram-se nestas montanhas, e, embora grandes dificuldades tenham tido de ser superadas, ainda assim a obra de Deus tem crescido; e, se os Santos tivessem de mudar-se novamente, 150.000 deixariam seus lares — assim, a perseguição não deteve a obra de Deus.

Além disso, quando os Santos estavam no Missouri, tinham apenas um templo; hoje temos um templo concluído e vários outros em construção — alguns dos quais logo estarão terminados.

Em 1833, expulsaram nossos pais de um único condado no Missouri; cinco anos depois, constatou-se que já possuíam vários condados.

Em 1846, expulsaram nossos pais de uma única cidade e seus arredores; vieram para o deserto, e fundaram um Território que possuímos; e estamos nos espalhando pelos Estados e Territórios circunvizinhos, e hoje o clamor dos filhos de Sião é — "Dai-nos espaço para que possamos habitar!" Prevalecemos contra todo obstáculo — a profecia, até aqui, tem se cumprido; e, se apenas atendermos aos conselhos de Deus, jamais deixaremos de triunfar, até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de Seu Cristo.

Na seção 87 de Doutrina e Convênios, encontra-se a notável profecia de Joseph Smith relativa à grande rebelião dos Estados do Sul. Antes de ler a parte da profecia sobre a qual desejo falar mais particularmente, prepararei o caminho para ela. Ao raciocinar com incrédulos sobre a veracidade das Escrituras judaicas, tenho frequentemente aludido às muitas profecias da Bíblia, e então mostrado, pela história, que estas predições se cumpriram — logo, foram inspiradas. Geralmente tentavam destruir a força de meu argumento afirmando que as predições foram feitas depois de os acontecimentos terem transcorrido; isto é, não eram predições de fato, mas foram escritas por fanáticos para enganar a humanidade. Mas desejo mostrar a meus jovens irmãos que esta profecia sobre a guerra da rebelião não pode ser derrubada por suposições como estas a que acabo de aludir.

Esta revelação e profecia sobre a guerra foi dada em 25 de dezembro de 1832; os acontecimentos que ela prediz não começaram até 1861 — 29 anos depois de a profecia ter sido feita. Tenho ouvido vários dos principais Élderes da Igreja dizerem que levavam consigo cópias manuscritas daquela profecia em suas viagens de pregação por todos os Estados, e ocasionalmente a liam ao povo: melhor ainda — no ano de 1851, o Élder F. D. Richards publicou na Inglaterra um livro chamado "A Pérola de Grande Valor"; entre outras matérias interessantes que continha, estava esta profecia sobre a guerra. Isto foi nove anos antes de a guerra que ela predizia começar. Como este livro foi amplamente distribuído tanto na Europa quanto na América, ninguém jamais poderá usar contra ele o velho argumento infiel — isto é, que a predição foi feita depois de o acontecimento já ter ocorrido.

Leio do Livro de Convênios:

"Em verdade, assim diz o Senhor em relação às guerras que logo ocorrerão, a começar pela rebelião da Carolina do Sul que, por fim, terminará com a morte e sofrimento de muitas almas; e chegará o tempo em que a guerra se derramará sobre todas as nações, começando desse lugar.

"Pois eis que os estados do sul se dividirão contra os estados do norte e os estados do sul recorrerão a outras nações, mesmo à nação da Grã-Bretanha, como é chamada, e eles também recorrerão a outras nações a fim de se defenderem contra outras nações; e então a guerra se derramará sobre todas as nações."

Já mostramos que esta predição foi feita vários anos antes de começar a se cumprir. Resta-nos agora provar que os acontecimentos mencionados de fato ocorreram.

É fato histórico que o primeiro tiro disparado "naquele infausto acontecimento" foi disparado sobre o Forte Sumter, de uma bateria rebelde na Carolina do Sul, e dali a guerra se espalhou para outros Estados. A confusão começou, então, onde Joseph Smith disse que começaria — na Carolina do Sul.

Havia de "terminar com a morte e o sofrimento de muitas almas". Isto, porém, foi contrário às expectativas tanto do Norte quanto do Sul. O Sul afirmava que, em pouco tempo, seria capaz de obrigar o Norte a reconhecê-lo como nação independente. Enquanto isso, Abraham Lincoln estava igualmente confiante em sua capacidade de pôr o pé sobre o pescoço da Rebelião e esmagar sua vida; seu primeiro recrutamento de tropas foi de apenas 90.000 homens, por 90 dias. Mas, quaisquer que fossem as expectativas dos homens, o Senhor havia dito que a guerra "terminaria com a morte e o sofrimento de muitas almas". Todos os que conhecem a história da Rebelião sabem que assim terminou.

Eu mesmo visitei muitos dos campos de batalha nos Estados do Sul. Não faz muito tempo estive no campo de batalha de Shiloh, no rio Tennessee, onde 20.000 homens foram mortos em dois dias: também passei pelos campos de batalha em torno de Nashville, Franklin e Murfreesboro; também sobre Missionary Ridge, Chickamauga (grafado "Chiamaugel" no impresso original) e Lookout Mountain. No verão passado visitei Richmond, e passei por aquela região onde se travaram as Batalhas do Deserto (Wilderness), onde mais de trezentos mil homens deram suas vidas por suas respectivas causas; e, ao trazer à memória os milhares que haviam sido mortos nestes campos de batalha que mencionei, e em muitos outros, disse eu: O fato de Joseph Smith ter sido um Profeta de Deus está escrito em caracteres de sangue para esta geração, e, contudo, não o levam em conta.

Mas esta guerra havia de terminar no "sofrimento de muitas almas", e, quando trouxe à memória a tristeza da irmã que aguardava em vão o retorno do irmão — o companheiro de sua infância — quando pensei nas lágrimas que haviam sulcado a face pálida da mãe que aguardava em vão o retorno de seu filho, que, na alegria da juventude, fora combater pela causa de seu país — quando pensei na esposa que ainda vigiava e esperava o retorno daquele cujo braço forte havia de ser seu amparo pela penosa marcha da vida — quando trouxe à memória toda a angústia que estes corações sentiram, exclamei — que Joseph Smith foi um Profeta de Deus é testemunhado pelas lágrimas e pelos soluços dilacerantes destas multidões que esperaram e aguardaram em vão o retorno de seus entes queridos.

Os Estados do Sul haveriam de recorrer à Grã-Bretanha para os ajudar. Fizeram-no? Sim. A Confederação dos Estados do Sul enviou dois homens, os senhores Mason e Slidell, para negociar com o governo inglês, com vistas a obter auxílio; mas foram capturados e trazidos de volta aos Estados Unidos. Este é um fato histórico bem conhecido. A Inglaterra, também, havia de recorrer a outras nações para se proteger contra outras nações. Isto se cumpriu? Para responder a esta pergunta, basta aludir aos tratados agora existentes entre a Grã-Bretanha e outras nações europeias. Assim vedes que esta profecia, até onde a lemos, cumpriu-se minuciosamente — cumpriu-se em cada detalhe, e o restante se cumprirá, à medida que as rodas do tempo trouxerem os acontecimentos a termo; e o cumprimento destas profecias prova, além de controvérsia, que Joseph Smith foi um Profeta de Deus, e "falou como foi movido pelo Espírito Santo".

Há apenas mais um item ao qual me referirei, e então concluirei.

Sempre me pareceu estranho que Joseph Smith devesse dar a vida, até que encontrei a seguinte passagem da Escritura: está contida no 9º capítulo de Hebreus, versículos 16 e 17:

"Porque onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador.

"Porque um testamento é confirmado em caso de morte; porquanto não é válido enquanto vive o testador."

Joseph foi o instrumento por meio do qual Deus introduziu a dispensação da plenitude dos tempos — a maior de todas as dispensações — na qual Deus completará Sua obra pertinente à salvação dos homens sobre a terra; foi uma grande obra — Joseph havia de testificar dela — e "onde há testamento, é necessário", diz Paulo, "que haja a morte do testador". Assim, quando Joseph Smith caiu junto ao velho poço, na cadeia de Carthage, atravessado pelas balas de assassinos, colocou a pedra angular sobre sua missão, selando-a com seu sangue — e, desde aquele momento em diante, ela está em vigor para todo o mundo.

Como citar este discursoB. H. Roberts, “A Missão de Joseph Smith—Necessidade de Tal Missão—Evidências de Apostasia—Restauração do Evangelho e Estabelecimento do Reino de Deus—Ódio e Perseguição Dedicados a Joseph Smith, uma Evidência de Seu Chamado Divino—Mais Prova de Inspiração”, (1884-01-28). Pulpit Vault, 1884-01-roberts-joseph-smiths-mission. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).