Verdades Autoexistentes—"Aos Pobres É Anunciado o Evangelho"—Arrependimento—Fé—"A Doutrina dos Batismos"—A "Imposição de Mãos"—Doutrina Forte Demais para Ser Suportada—O Conflito em Que os Santos Estão Empenhados—Templos e Seus Usos—Salvação para os Mortos
John Morgan
"Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento das obras mortas, e da fé em Deus, ¶
"Da doutrina dos batismos, e da imposição de mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno." ¶
Li o primeiro e o segundo versículos do 6º capítulo da epístola de Paulo aos Hebreus. ¶
Tendo sido solicitado a ocupar uma parte do tempo destinado ao nosso culto da tarde, desejo um interesse em vossa fé, orações e confiança, para que eu possa dizer as coisas que serão aceitáveis ao nosso Pai e Deus comum nos céus, e que serão para o nosso bem. ¶
Os Santos dos Últimos Dias que se congregaram esta tarde para o culto religioso vêm com um objetivo particular e específico, tendo em vista o fortalecimento de sua natureza espiritual, o recebimento de luz, inteligência e conhecimento do alto sobre assuntos que pertencem à vida eterna. Para nos capacitar a alcançar este objetivo, é necessário que retiremos nossa mente das coisas que nos cercam, e procuremos concentrar nossa fé nos deveres que nos incumbem no culto religioso. E não é frase sem sentido quando um Élder de Israel pede a fé e as orações de Israel em seu favor, para que possa ser revestido pela inspiração do Espírito Santo, a fim de dizer as coisas que serão para o bem do povo. ¶
Estabelecemos aqui certos princípios do Evangelho que Paulo ensinou aos Hebreus há quase 2.000 anos, mas princípios que não eram novos nem mesmo naquele dia; pelo contrário, princípios de verdade eterna que sempre existiram, que sempre existirão, que não podem ser mudados em sua forma, não podem ser aniquilados pela incredulidade da família humana; pois são autoexistentes e não dependem da crença ou incredulidade dos homens para sua sustentação ou para sua destruição. Nisto consiste sua grandeza, em que não dependem do braço de carne para sua existência; pois eram tão verdadeiros quando rejeitados pelos hebreus nos dias antigos quanto o eram em tempos anteriores a estes, como o são hoje — aceitos por poucos da família humana, mas rejeitados pela grande massa. Os Santos dos Últimos Dias, então, sentem-se felicitados neste ponto — que edificaram sua fé sobre uma rocha que não pode ser destruída, e que existirá não apenas ao longo das eras do tempo, mas por todas as intermináveis eras da eternidade. Tendo existido na eternidade no passado, existe hoje, e existirá nas eternidades vindouras. ¶
Estes princípios são simples e claros, tão simples e tão claros que um caminhante, ainda que tolo, não precisa errar neles; pelo contrário, são adequados à capacidade de toda a família humana, tanto o iletrado quanto o instruído. Havia esta particularidade a respeito destes princípios quando foram promulgados nos dias de Jesus: como regra, eram os iletrados da família humana que estavam dispostos a obedecer-lhes; era o povo comum que o ouvia de bom grado. Os mestres dos judeus, aqueles que tinham o controle das sinagogas, que ocupavam os lugares mais destacados da nação, rejeitaram o humilde Nazareno e Seus ensinamentos, enquanto pescadores das margens do mar da Galileia O ouviram e O receberam de bom grado. Essa particularidade, em maior ou menor grau, ainda se prende a estes princípios hoje. Reunidos das camadas médias da vida, das várias nações da terra, vindos do leste e do oeste, do norte e do sul, por causa do Evangelho; reunidos nestes vales das montanhas, os Santos dos Últimos Dias estão dispostos a sacrificar a boa opinião do mundo; dispostos a sacrificar tudo o que o homem tem por próximo e caro por causa da verdade; dispostos a abandonar parentes e lar, os túmulos de nossos antepassados, e aquelas associações que se enlaçam ao redor do coração — vindo para cá com o único propósito de sermos instrumentos nas mãos de Deus para estabelecer Seu Reino, para fazer cumprir Seus propósitos, para proclamar as boas novas do Evangelho — novas que foram proclamadas aos pastores nas planícies de Belém há 1.800 anos, "Paz na terra, boa vontade para com os homens"; trazendo conosco uma caridade e filantropia amplas para com o mundo, desejando melhorar a família humana, e permitindo que nossa caridade se estenda ainda mais além — alcançando por detrás do véu, tomando conta das coisas pertencentes não somente a esta vida, mas redimindo aqueles que nos precederam no mundo espiritual — permitindo que nossa caridade se estenda de tal modo que damos uma salvação possível a todo filho e filha de Adão que já veio à face da terra, ou que ainda há de vir. ¶
Paulo chama estes princípios que li de "a doutrina de Cristo". Chama um destes princípios de doutrina do arrependimento. Os Santos dos Últimos Dias que se reuniram das nações da terra confirmarão o que digo quando afirmo que a doutrina do arrependimento, tal como é crida por eles, é diferente em muitos aspectos da doutrina do arrependimento tal como existia nas terras de onde vieram. Como os Santos dos Últimos Dias entendem a doutrina do arrependimento, é afastar-se daquilo que é errado; abandonar o mal e apegar-se ao que é bom. Se um homem tem sido um transgressor, que não seja mais transgressor; que conforme sua vida aos princípios da integridade, da retidão e da honra; que guarde os mandamentos de Deus na letra e no espírito. Não me importa qual seja a profissão de fé de um homem; não me importa com que ar de santidade ele se revista; sem a observância desta lei em seu verdadeiro sentido, não há arrependimento. ¶
Paulo fala de outro princípio, que ele chama de fé; e no 11º capítulo de sua epístola aos hebreus, dá algumas informações a respeito de sua natureza e caráter. Diz ele: "Os quais, pela fé, venceram reinos, exercitaram justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha fizeram-se poderosos. As mulheres tornaram a receber pela ressurreição os seus mortos", etc. A fé certamente é um princípio da maior importância, e sem ela, pergunto aos Santos dos Últimos Dias, quanto tempo poderíamos existir como corpo? Tenho ouvido frequentemente a observação feita por aqueles não familiarizados com o Evangelho, aqueles que não conheciam a verdade, mas que ainda assim estavam dispostos a olhar com serenidade, sim, até mesmo com bondade, para os erros e falácias que, como diziam e criam, estamos praticando — a pergunta tem sido feita por esta classe de pessoas: "Como se dá, por que processo é que os Santos dos Últimos Dias, cercados como têm sido, cercados como estão hoje, envolvidos por todos os lados por dificuldades que parecem intransponíveis, dificuldades e obstáculos que poderiam causar, ao que parece, o mais forte coração a tremer e os joelhos mais firmes a vacilar — que, em sua hora de provação e tribulação, sempre tiveram confiança de que, no final, tudo estaria bem com Israel, que não importa o que se fizesse, provaria, no fim, ser para o bem do Reino de Deus, até que o lema 'Nada podem fazer contra nós, senão a nosso favor' se tornou palavra familiar no meio dos Santos?" Ora, quando os poderes e influências do mundo são exercidos sobre os Santos dos Últimos Dias, seja coletivamente, seja individualmente, eles se apegam a este princípio da fé; creem nas promessas do Deus de Israel; creem que Deus não falseará Sua palavra; creem que Deus estabelecerá Seu Reino e fará cumprir Seus propósitos na terra. A fé dos Santos dos Últimos Dias é um princípio vivo. Um Santo dos Últimos Dias desprovido do princípio da fé seria uma anomalia — de fato, tal pessoa não poderia ser um Santo dos Últimos Dias; pois é necessária fé no Deus de Israel para suportar as provas por que são chamados a passar. Contudo, calma e tranquilamente, deliberadamente, com plena confiança em Jeová, podem prosseguir no cumprimento de seus deveres tal como os entendem, crendo que, no fim, Deus será seu amigo e protetor no futuro, como o foi no passado; assim como Ele os fez atravessar as provações e tribulações de dias passados, assim o fará no futuro. Este princípio da fé, portanto, que Paulo ensinou aos hebreus, era certamente da maior importância, e é um princípio sem o qual teria sido impossível aos Santos dos Últimos Dias terem tido êxito. ¶
Paulo também fala da doutrina dos batismos; não no singular, mas no plural, aparentemente, como se houvesse dois batismos. "A doutrina dos batismos", diz ele. Encontramos, seguindo-se aos princípios da fé e do arrependimento, a doutrina do batismo para remissão de pecados, tal como João, o precursor de Jesus, ensinou, tal como Paulo ensinou, e tal como o próprio Jesus ensinou. Está registrado aqui que ensinaram o batismo para remissão de pecados, para aqueles que se submetessem à ordenança do batismo. Ou, em outras palavras, para explicar mais claramente o que desejo, os pecados dos seres humanos, até a idade em que são batizados, ficam registrados contra eles. Se estiverem dispostos a submeter-se à ordenança do batismo por imersão, tendo fé em Deus, arrependendo-se de seus pecados, por alguém que tenha autoridade, Deus lhes dá Sua promessa de que remitirá seus pecados; que tudo o que foi cometido no passado será apagado do livro de Sua memória, e, a partir daquele dia, ficam livres dos pecados do passado. A ordenança do batismo, então, não é para nós uma ordenança de mera formalidade, ou algo a que nos submetemos simplesmente porque é uma ordenança da Igreja. Pelo contrário, é positivamente essencial à salvação da família humana. Nicodemos, nos tempos antigos, foi a Jesus a respeito deste assunto, e, ao que parece, perguntou-Lhe se havia algum outro método, possivelmente melhor, pelo qual o homem pudesse entrar no Reino de Deus, e foi-lhe dito pelo Redentor que "nenhum homem poderia entrar no Reino de Deus, a menos que tivesse nascido da água e do Espírito." Esta é a lei tal como está estabelecida. Se há alguma divergência de opinião da parte de qualquer indivíduo a este respeito, não é comigo, mas é com a palavra de Deus, dada por meio de Seu Filho Jesus Cristo — que, a menos que um homem nasça da água e do Espírito, de modo algum pode entrar no Reino de Deus. Os Santos dos Últimos Dias creem nisto e agem em conformidade — que, a menos que um homem nasça de novo, nem mesmo poderia ver o Reino de Deus, muito menos entrar nele. A ordenança do batismo para remissão de pecados é, portanto, para os Santos dos Últimos Dias, uma ordenança de grande importância. ¶
Paulo fala de outra ordenança que denomina "imposição de mãos". Tenho encontrado, viajando no meio do mundo cristão, que muitas vezes as pessoas cristãs concordavam comigo em relação aos princípios de que tenho falado. Diziam: "Sim, cremos que essa ideia da fé é correta; cremos que essa ideia do arrependimento é correta; cremos até que essa ideia do batismo é correta"; mas não pareciam ter força suficiente para crer neste princípio chamado "imposição de mãos", que Paulo denomina uma das doutrinas de Cristo. Constatamos que este princípio é praticado no meio dos Santos dos Últimos Dias como também uma ordenança essencial — que, a menos que um homem seja batizado na água e nasça do Espírito, pela imposição de mãos, de modo algum pode entrar no Reino de Deus. Esta é a luz, dizem-nos, que é dada a toda alma que vem à terra; não apenas aos Santos dos Últimos Dias, não apenas aos santos dos primeiros dias, não apenas àqueles que foram batizados, mas a toda alma que vem à terra. Sendo essencial a ordenança do batismo para remissão de pecados, também o é a ordenança da imposição de mãos, para que os homens recebam o Espírito Santo; ou, em outras palavras, a imposição de mãos é o meio que Deus instituiu para que Seus filhos sejam colocados em comunicação com Ele mesmo, para que possam receber o Espírito que guia, dirige e encaminha a toda a verdade, que traz à nossa memória as coisas passadas, que nos mostra as coisas futuras, que abre as visões do céu e nos dá a conhecer a mente e a vontade de Deus. Lembro-me de um ministro com quem tive o privilégio de conversar a respeito deste princípio. Ele afirmou que parecia razoável; que, na verdade, não sabia se não seria correto, e que, sem dúvida, tinha sido negligenciado em tempos passados. Bem, pôs-se a refletir sobre o assunto, e leu: "Ele vos mostrará as coisas futuras." Veio até mim com algumas perguntas. Uma delas foi: "Quer dizer que o Espírito Santo mostrará a um homem as coisas futuras?" "Sim." "Bem, é claro que, se me mostrasse as coisas futuras, eu poderia falar disso?" "Sim." "Isso não me tornaria um profeta?" "Tornaria." "Bem", disse ele, "esta geração não suportará isto; é doutrina forte demais." Respondi-lhe que nenhuma geração de que eu já tivesse lido ou ouvido falar a suportou; mas que, em todas as eras passadas, quando Deus colocou homens aqui na terra com autoridade para conferir este dom, eles foram invariavelmente rejeitados pelos homens. Este princípio é crido e praticado pelos Santos dos Últimos Dias. Lemos, num caso, que sem dúvida está fresco na mente de muitos dos Santos dos Últimos Dias — como consta no 8º capítulo dos Atos dos Apóstolos — em que certos homens tinham sido batizados; mas foi preciso mandar chamar os Apóstolos para irem à parte do país onde ocorreram aqueles batismos, e lemos: "Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." Os Santos dos Últimos Dias creem que não apenas este princípio foi eficaz naquela direção naquele dia, mas que é tão verdadeiro hoje quanto o foi então. Os Santos dos Últimos Dias prestam testemunho de sua veracidade; que, tendo-se arrependido de seus pecados, tendo fé em Deus, tendo sido batizados, tendo recebido a imposição de mãos, receberam o Espírito Santo, receberam conhecimento, luz e inteligência do alto, que Deus lhes revelou certos princípios de verdade e retidão. Se assim é, pergunto, como podemos desaprender estas coisas? Como podemos deixar de saber destas coisas por ditame do mundo? Multas e prisão nos tirarão este conhecimento? A privação de direitos nos tirará este conhecimento? A própria morte nos tirará este conhecimento? Não, em verdade vos digo, não o tirará. Está conosco aqui hoje; estará e permanecerá conosco quando partirmos daqui. O conhecimento que tenho em relação a este princípio — do qual vos presto meu testemunho neste dia — que recebi pela imposição de mãos, espero conservar comigo enquanto viver de acordo com as leis e princípios da verdade e da retidão. Quando eu me desviar destes, poderá ser lançado sobre minha mente um véu de trevas; mas nunca poderei livrar-me do fato de que outrora tive conhecimento das coisas de Deus. ¶
Estes quatro princípios são chamados os primeiros princípios do Evangelho do Filho de Deus. Nestes princípios creem os Santos dos Últimos Dias. Estes foram os princípios enunciados por Joseph Smith há 50 anos. Estes foram os princípios, e praticamente os únicos princípios naquele tempo — quase os únicos princípios — na organização original da Igreja — que foram ensinados ao mundo. ¶
Mas reflitamos a respeito do registro e da história daquele dia. Dizem-nos os homens que certa doutrina em que cremos hoje — doutrina que foi ensinada e revelada em data mais recente — é a causa de nossa dificuldade. Mas pergunto-vos: não enfrentaram os Santos dos Últimos Dias, na história primitiva da Igreja, dificuldades como as que enfrentamos hoje? Não foram levados e arremessados de um lado para outro? Não estiveram sujeitos à perseguição e à morte, a multas e prisões? Não foram expulsos do mundo cristão naquele dia, antes que este princípio odioso — como o chamam — fosse revelado? Não foram expulsos pela doutrina da fé no Deus de Israel, pela doutrina do arrependimento, do afastamento da transgressão, pela doutrina do batismo para remissão de pecados, pela doutrina do dom do Espírito Santo pela imposição de mãos? Foram os Santos perseguidos antigamente? Assim o são hoje; e, sem dúvida, isto continuará até que um ou outro poder seja vencido; pois não se trata de uma luta entre um punhado de pessoas, cidadãos dos Estados Unidos, que vivem aqui no Território de Utah, e nos Estados e Territórios circunvizinhos, num número de 150.000 ou 200.000 pessoas, e o povo do mundo. Não é, de modo algum, uma contenda entre estas duas partes, tanto quanto não foi uma contenda entre Lutero quando, na Dieta de Worms, exclamou: "Aqui estou. Não posso fazer mais, nem menos." Não foi uma contenda entre ele individualmente e os sacerdotes, mas foi uma contenda entre a verdade e o erro, entre o certo e o errado. Foi uma contenda entre o avanço da família humana e o seu retrocesso. Este conflito hoje não pode ser reduzido ao punhado de pessoas que vivem no Território de Utah. Mas, saindo daqui como veias e artérias do coração humano, penetra e permeia todo o universo, indo dos rios até seus confins, e a todas as nações da família humana. Esta luta em que estamos empenhados hoje, a luta em que Joseph Smith estava empenhado há 50 anos, na infância desta obra; o choque de opiniões e o conflito de ideias que existiam nos dias de Nauvoo, que existem hoje; tudo isto não pertence somente aos Santos dos Últimos Dias, meus amigos, mas, pelo contrário, ao bem, à salvação e à redenção de toda a família humana — mais amplo em seu alcance, mais poderoso em sua influência do que geralmente se reconhece. Então, pode este conflito cessar por ordem dos homens? Podem ser aprovadas leis para deter esta luta? Está no poder de reinos, principados e governos deter a marcha e o progresso dos princípios da verdade? Não mais do que esteve em tempos passados, quando a marcha do pensamento em seu progresso foi tentada ser detida pela mão da igreja-mãe de Roma. Não mais hoje do que pôde nos dias em que os puritanos na Inglaterra, os huguenotes na França, pediram o privilégio de adorar a Deus segundo os ditames de sua própria consciência; e, quase como uma paródia da natureza humana, quando esses mesmos puritanos vieram para a terra da América, eles, por sua vez, puderam voltar-se contra os quacres e persegui-los por causa da religião, furando a língua das pessoas que não concordavam com eles em matéria religiosa. Mas que conseguiram com tudo isto? O mundo olha para trás — o mundo cristão olha para trás com vergonha para este registro de seus antepassados, e, contudo, por sua vez, faz hoje exatamente a mesma coisa, para ser seguido, em uma ou duas gerações, por pessoas cujo rosto se cobrirá do rubor da vergonha por, nesta terra livre da América, sob um governo estabelecido para a liberdade da família humana, onde o exilado religioso, o exilado por causa do pensamento e das ideias, das nações da terra pudesse vir em busca de proteção; por, nesta terra dedicada à liberdade e à igualdade de todos os homens, ter encontrado terreno a ideia de que os homens devem ser perseguidos por causa da religião, por causa da fé. Que os Santos dos Últimos Dias, então, entendam e compreendam que esta luta em que estamos empenhados se amplia e se estende, não apenas a nós, mas às nações da terra, a toda a família humana. Imagino ouvir alguém dizer: "Mas isso não é uma contradição?" Afirmastes há pouco que o batismo era essencial à salvação da família humana, e, como muito poucos da família humana foram batizados, que sucede com os demais que não tiveram o privilégio desta ordenança? Paulo escreveu corretamente, e os tradutores traduziram corretamente esta passagem que li, na qual se refere à doutrina dos batismos, pois há mais de um batismo. Lemos do batismo de água para remissão de pecados. Lemos de outro batismo; pois, como já citei, a menos que um homem nasça da água e do Espírito, de modo algum pode entrar no Reino de Deus. Então perguntamo-nos: Que será dos incontáveis milhões da família humana que não ouviram o som do Evangelho? Que faremos com aqueles que sequer ouviram algo a respeito do plano de salvação? Nossos amigos cristãos, por exemplo, dedicam muitos milhares de dólares e libras esterlinas à conversão dos pagãos, como se agradam de os chamar, e a levar a Bíblia àqueles que não a conhecem. Isto é certamente muito louvável; isto certamente mostra da parte deles um espírito da mais nobre filantropia; é uma evidência de boa vontade para com a família humana, e deve ser elogiado. Mas, visto que alcançam apenas a poucos, perguntamo-nos: Que será dos demais? Para os Santos dos Últimos Dias, este é um problema resolvido. Afirmamos isto não apenas com as palavras de nossos lábios; afirmamos isto não apenas em editoriais e panfletos escritos; mas provamos nossa fé por nossas obras. Quase ao alcance de minha voz aqui, está sendo erguido um magnífico templo, à custa de muitas centenas de milhares de dólares. Na cidade de St. George, no sul, à custa de quase meio milhão; em Manti, no condado de Sanpete; em Logan, no de Cache; temos quatro templos, concluídos ou quase concluídos. Em Nauvoo, quando os Santos eram açoitados pela perseguição, cercados por turbas, e por toda influência que a vingança diabólica pudesse conceber, exercida contra eles, edificaram ali um magnífico templo. Em Kirtland, nos dias de sua infância, quando os trabalhos que executavam eram muito árduos em comparação com os trabalhos que os Santos dos Últimos Dias têm de executar hoje na edificação destes templos, edificaram outro templo. Para que são estes templos? Há um propósito em sua edificação. Provamos nossa fé nestas coisas por nossas obras, procurando não apenas redimir a nós mesmos, procurando não apenas salvação para nossa própria casa, mas estendendo sua influência para além, alcançando aqueles de nossos progenitores que foram antes de nós para o mundo espiritual e ali estão, familiarizando-se com os princípios da vida eterna; pois, como está registrado no 3º capítulo da epístola de Pedro, "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé." Ou, como o encontramos ainda registrado no 4º capítulo da mesma epístola: "Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito." Encontramos também uma pergunta feita ao nosso Salvador, como está registrado no relato de Sua crucificação no livro de São Lucas. Um dos ladrões que foi crucificado ao lado de nosso Salvador disse-Lhe: "Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino." Jesus não poderia, coerentemente, fazer isto; pois já havia dito a Nicodemos, antes daquele momento, que, a menos que um homem nascesse da água e do Espírito, não poderia entrar em Seu Reino; e este ladrão, reconhecendo que era digno de morte, era, consequentemente, um pecador não arrependido e não batizado. Jesus, contudo, voltou-se para ele e disse: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." O mundo cristão cometeu o erro de imaginar, crer e ensinar que Jesus e o ladrão da cruz voltaram ao seio de nosso Pai e Deus no céu. Mas encontramos, depois da ressurreição de nosso Salvador, quando Ele estava junto à porta aberta do sepulcro, que Maria veio e, reconhecendo-O, estendeu as mãos para tocá-Lo. Mas Jesus disse: "Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus." Durante os três dias em que o corpo de Jesus jazeu no túmulo, então, onde estava o espírito que antes habitava aquele corpo? Segundo o testemunho de Pedro, como registrado no 3º capítulo da primeira epístola de Pedro, estava pregando aos espíritos em prisão; e Isaías nos diz que foi para isto que Jesus haveria de vir; foi para soltar as cadeias dos prisioneiros; foi para abrir a porta da prisão. Homens que viveram em dias passados, que deixaram de obedecer aos mandamentos de Deus, que passaram para o mundo espiritual, segundo a ideia aceita de poucos anos atrás — as ideias cristãs mudam a respeito destas coisas, sabeis — estas pessoas estavam eternamente perdidas. Não havia nenhuma possibilidade de sua redenção; mas, tendo fechado os olhos na morte como pecadores diante de Deus, estavam sob condenação por toda a eternidade. Uma estranha paródia, na verdade, sobre a ideia do amor e da misericórdia de Deus para com Seus filhos! Deus é amor, dizem-nos, e, contudo, no curto espaço da vida de um homem, os pecados e erros daquele homem — mais ainda do que isso, ele poderia ter vivido honrada e honestamente; poderia ter procurado fazer o melhor que soubesse; poderia ter sido um bom cidadão, um bom pai, um bom marido; poderia ter cumprido todos estes deveres de modo aceitável, e, contudo, se estivesse fora dos limites da Igreja e a morte o surpreendesse naquela condição, estaria eternamente perdido segundo a ideia cristã de poucos anos atrás. Os pensadores mais destacados de hoje, no mundo cristão, estão mudando materialmente suas opiniões a respeito deste assunto, pois, dentro dos últimos anos, ouvi o reverendo Henry Ward Beecher declarar que, se seu Deus reinasse no próximo mundo, todo homem e toda mulher que não aprendesse a verdade aqui deveria ter ali o privilégio de fazê-lo. Encontramos também o Dr. Thomas, de Chicago, luz de destaque no mundo religioso, e muitos outros distintos no mundo religioso, mudando hoje suas ideias e teorias a este respeito. Uma das particularidades ligadas ao Evangelho em dias passados apresenta-se muitas vezes à minha mente deste modo: Jesus ensinou algumas de Suas doutrinas no meio dos fariseus e escribas. Constataram que certas de Suas doutrinas eram populares; constataram que certas de Suas doutrinas eram muito agradáveis; constataram que certas de Suas doutrinas eram muito aprazíveis. E assim fizeram o que Ele disse que estavam fazendo. Colocaram vinho novo em seus velhos odres de fariseus; procuraram remendar seu manto de saduceu com um pedaço novo de pano; mas foi-lhes dito que arrebentariam seus odres, e fariam um rasgo maior em seu manto do que havia. Assim é hoje. Quando o Sr. Beecher apresenta ao mundo cristão a ideia de que há uma redenção além do túmulo, ele abala os pilares do assim chamado cristianismo; desfere-lhes um golpe mais forte do que poderia ser dado por um élder defendendo a mesma doutrina; e, quando o Dr. Thomas, de Chicago, expôs essa ideia à sua audiência culta, espalhou-se como fogo pelo país que um teólogo tão distinto quanto o Dr. Thomas havia declarado que havia uma possibilidade de redenção depois do túmulo. Este vinho novo, revelado do céu neste dia e época do mundo, por meio do Profeta Joseph Smith, homem que foi desprezado pelo mundo, está sendo tomado pelos sábios e derramado em seus odres sectários, e, no fim, o resultado será como o foi com os fariseus em tempos passados. ¶
Mas esta doutrina tem mais significado para os Santos dos Últimos Dias do que simplesmente a pregação aos espíritos em prisão. Lemos aqui na antiga Bíblia onde Deus, falando pela boca de um de Seus profetas, disse que certas coisas transcorreriam nos últimos dias. "Eis que", diz o Senhor por meio de Seu profeta Malaquias, "eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição." Assim, hoje os Santos dos Últimos Dias testificam que, tendo Deus enviado o profeta Elias à terra para revelar este princípio, ou antes, para dar a chave para a administração deste princípio, os corações dos filhos aqui na terra estão sendo voltados para os pais por trás do véu, e os corações dos pais por trás do véu estão sendo voltados para seus filhos aqui na terra, buscando-se mutuamente para sua redenção; pois, sem eles, não podemos ser aperfeiçoados, nem eles sem nós. Este plano de salvação em que creem os Santos dos Últimos Dias é amplo; na verdade, estende-se a toda a família humana, presente, passada e futura. Lemos no 15º capítulo de 1ª Coríntios uma explicação desta expressão de Paulo a respeito dos dois batismos. No versículo 29 daquele capítulo, diz ele: "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" Ou, como Paulo o expressa no versículo 19 do mesmo capítulo: "Se só nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens." Paulo, pregando aos coríntios, disse que muito poucos deles abraçaram o Evangelho. A grande massa rejeitou Paulo. Paulo, contudo, com aquela ampla filantropia de coração, iluminado pela luz que primeiro lhe veio a caminho de Damasco, teria ficado, na verdade, miserável se não tivesse aprendido este grande princípio de que, no mundo espiritual, seria pregado e ensinado a estes coríntios. Assim, os Santos dos Últimos Dias hoje seriam, de todos os homens, os mais miseráveis, se não reconhecessem este princípio da pregação aos espíritos em prisão e do batismo pelos mortos. Os Santos dos Últimos Dias estão cumprindo a Escritura, que diz que serão reunidos de volta a Sião "um de uma cidade, e dois de uma família". Em muitos casos, uma única pessoa de toda uma linhagem é tudo o que há na Igreja e Reino de Deus. Sendo esse o caso, que dizer dos pais e das mães, dos irmãos e das irmãs, dos parentes próximos e queridos, que não tiveram a oportunidade de aceitar o Evangelho? Quão gloriosa, quão grandiosa é a obra que enche de júbilo os corações de Israel, ao saber que podemos entrar nos templos do Deus vivo e redimir nossos mortos, e nos tornarmos, em verdade e em realidade, salvadores no Monte Sião! Certamente, nenhum princípio mais nobre, mais grandioso, mais poderoso jamais foi revelado à família humana do que este. E, ainda que possamos ter doutrinas odiosas ao mundo; ainda que possamos ter princípios que inovem sobre ideias estabelecidas; ainda que possamos ter ideias que conflitam com as dos honestos e dos bons, e daqueles que amam os princípios da integridade e da retidão; ainda que possamos ter tudo isto, contudo, quando refletirmos a respeito deste único princípio, ele por si só bastaria para recomendar os Santos dos Últimos Dias a todo o mundo civilizado; ele por si só deveria apagar de sua memória aqueles outros assuntos que parecem discordar deles e lhes são desagradáveis. Aquele princípio que se estende à salvação das inumeráveis miríades da família humana — a própria possibilidade dele deveria alegrar os corações de toda a família humana, deveria fazê-los pensar, sentir e agir com bondade para com um povo que procura levar a cabo este princípio. Mas a natureza humana é muito forte quanto a estes assuntos, e, como tem sido no passado, sem dúvida será no futuro — que é por meio de muita tribulação que subirão os que hão de ser vestidos com vestes brancas, e que é por meio de provação e tribulação que Deus há de ter um povo provado. Os Santos dos Últimos Dias não se iludem com a lisonjeira ilusão de que haverá paz, paz, paz para nós já; mas, pelo contrário, esta obra e esta luta continuarão; as nações da terra serão trazidas ao conhecimento da verdade; os honestos do sangue de Israel serão reunidos ao lar; o reino de Deus será edificado; templos serão erguidos, e os Santos entrarão neles e redimirão seus mortos, e farão alegrar os corações de nossos pais e nossas mães que foram antes de nós para o mundo espiritual; e nos uniremos aos Profetas e Apóstolos de dias passados, aos de hoje que nos precederam por detrás do véu; aos bons e verdadeiros de todas as eras; a nosso Irmão Mais Velho, Jesus Cristo, e a Deus, nosso Pai Eterno nos céus — todos unidos numa poderosa falange nesta grande e gloriosa obra dos últimos dias. ¶
Que Deus vos abençoe. Amém. ¶