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As Condições em Que os Santos Prevalecerão—Prevalência da Paz—O Sentimento no Leste—Falsidades Engolidas Por um Público Crédulo—Nenhum Dano Real—Promessas Imediatas—Somente Uma Coisa a Temer—Os Santos Prevalecerão—Os Santos Prevalecerão Pela Fidelidade—Este Elogio do Mundo é um Sinal de Tristeza—O Poder de um Povo Unido—A Perseguição Mais Feroz Anterior à Poligamia—Sal Que Perdeu Seu Sabor—Somente Um Canal de Revelação—Vox Dei, Vox Populi—Os Sacerdócios Aarônico e Melquisedeque—Escrever e Falar—Espíritos Que Segredam e Murmuram—Artifícios Enganosos do Inimigo—Os Homens Que Têm Autoridade—A Parábola do Navio—O Homem Que Preside—Invocação

George Q. Cannon

1883-12-02

Lerei uma parte da Seção 103 do Livro de Doutrina e Convênios, começando no parágrafo 5:

"Mas em verdade vos digo que decretei um decreto que meu povo executará se atender, de agora em diante, aos conselhos que eu, o Senhor seu Deus, lhe darei.

"Eis que, porque o decretei, eles começarão a prevalecer contra meus inimigos a partir deste exato momento.

"E tendo o cuidado de cumprir todas as palavras que eu, o Senhor seu Deus, lhes disser, jamais deixarão de prevalecer, até que os reinos do mundo sejam subjugados sob meus pés e a Terra seja dada aos santos a fim de que a possuam para todo o sempre.

"Mas se não guardarem meus mandamentos e não tiverem o cuidado de cumprir todas as palavras minhas, os reinos do mundo prevalecerão contra eles.

"Pois foram designados para serem uma luz para o mundo e salvadores de homens;

"E se não forem salvadores de homens, serão como o sal que perdeu o sabor e, daí em diante, para nada mais presta senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.

"Mas em verdade vos digo: Decretei que vossos irmãos que foram dispersos retornem às terras de sua herança e edifiquem os lugares desolados de Sião.

"Pois, após muita tribulação, como vos disse num mandamento anterior, vem a bênção."

Sou grato, meus irmãos e irmãs, pela oportunidade de me reunir com vocês hoje sob circunstâncias tão favoráveis, e de participar dessa influência pacífica que sempre prevalece no meio dos Santos de Deus. É uma grande bênção que Deus nos concedeu, dar-nos a paz. É uma bênção que não tem preço, incomparavelmente maior do que quase qualquer outra bênção que possamos desfrutar; pois sem ela as demais bênçãos que pudéssemos ter estariam, em grande parte, obscurecidas pela ausência da paz.

Fui perguntado por alguns que encontrei desde a minha chegada à cidade ontem de manhã se não há uma grande agitação no leste a nosso respeito. Algumas das declarações dos jornais provavelmente deram essa impressão. Mas, até onde pude observar, não vi maior agitação neste momento do que a usual, ou do que tem sido usual nos anos passados, antes da reunião do Congresso. Há, sem dúvida, um desejo por parte daqueles que estão ansiosos por nos causar dano, de tentar, por meio de má representação e falsidade, despertar sentimentos contra nós, e fazer parecer necessário aos políticos e homens públicos que algo seja feito conosco para conter o crescimento desta organização tão temida, a Igreja de Deus. E é surpreendente -- seria ao menos surpreendente se não tivéssemos visto tantos casos deste tipo -- como os homens recorrem às falsidades mais infundadas -- falsidades que nem sequer têm a cor ou o fundamento ou a semelhança de algo real e verdadeiro -- para atingir os seus propósitos. Mas, presumindo a credulidade do público em relação a tudo o que diz respeito à nossa Igreja, à nossa organização e aos nossos movimentos, os homens se entregam às afirmações mais irresponsáveis a nosso respeito, sem parecer ter o mínimo receio de serem contraditados, pensando, aparentemente, que qualquer coisa que possam dizer a nosso respeito, por mais falsa que seja, será engolida pelo público crédulo. Nisso mesmo consiste, em grande parte, a fraqueza da oposição que se levanta contra a Igreja de Deus. A falsidade não tem existência alguma além da mera relação ou declaração dela. Não há fundamento nela. Não há nada de tangível a seu respeito. É uma mentira, e pode-se dizer, portanto, que é inexistente. E esta oposição contra nós -- isto é, uma oposição desta natureza -- não pode, no final, nos causar dano real, porque a verdade há de prevalecer, ao menos em nosso caso. Aquilo que é real, aquilo que é verdadeiro, aquilo que é genuíno, aquilo que tem existência, deve, pela própria natureza das coisas, prevalecer no confronto com a falsidade e a má representação. Nisso consiste, posso dizer, a nossa força. Sabemos que essas declarações que se fazem, tantas delas, a nosso respeito, são falsas, e podemos nos dar ao luxo de esperar para ver os desdobramentos que se seguirão, especialmente quando compreendemos, como compreendemos, que Deus, nosso Pai Eterno, fez promessas a nós a respeito desta própria condição de coisas a que agora aludo. Não é novidade para nós termos de enfrentar isso. Fomos avisados a respeito disso desde o começo, e, de fato, antes mesmo de a própria Igreja ser organizada. Ao Profeta Joseph foi dito o que ele poderia esperar, e o que todos os que se associassem a ele na crença e na prática da verdade poderiam esperar, e as advertências que então foram dadas, e que desde então têm sido tantas vezes repetidas a nós como povo, certamente tiveram o efeito de nos preparar -- ao menos em certa medida -- para enfrentar os males com que fomos assaltados e com que tivemos de lidar. Deus, nosso Pai Eterno, como disse, fez-nos promessas a esse respeito. Não somos deixados a imaginar qual será o resultado. A mente do Santo dos Últimos Dias não é deixada presa de apreensões e temores; pois Deus, por Sua palavra, removeu esses temores, e nos deu promessas imutáveis que a experiência de 53 anos nos provou serem confiáveis. Nós as provamos verdadeiras no passado, e certamente podemos confiar nelas para o futuro.

Há apenas uma coisa relacionada a esta obra -- falando por mim mesmo individualmente -- a respeito da qual tenho algum receio, e essa coisa somos nós mesmos. Nunca tive nenhum sentimento de medo enquanto estive em Washington, e as nuvens estavam escuras e ameaçadoras, e os nossos inimigos estavam ameaçando e ativos em seus preparativos para nos assaltar; nunca tive, posso dizer com sinceridade, nenhum medo quanto ao resultado das operações deles, contanto que os Santos em casa estivessem unidos e procurassem guardar os mandamentos de Deus. Mas quando ouvi, como aconteceu em uma ou duas ocasiões, sobre divisão -- por exemplo, em questões eleitorais -- e ao ouvir de irmãos que não estavam unidos em questões de política, então, confesso, um sentimento -- um sentimento de angústia, se assim posso descrevê-lo -- às vezes se apoderava de mim.

Deus, na revelação que li a vocês, deu claramente uma promessa a este povo, a esta Igreja.

"Mas em verdade vos digo que decretei um decreto que meu povo executará se atender, de agora em diante, aos conselhos que eu, o Senhor seu Deus, lhe darei.

"Eis que, porque o decretei, eles começarão a prevalecer contra meus inimigos a partir deste exato momento.

"E tendo o cuidado de cumprir todas as palavras que eu, o Senhor seu Deus, lhes disser, jamais deixarão de prevalecer, até que os reinos do mundo sejam subjugados sob meus pés e a Terra seja dada aos santos a fim de que a possuam para todo o sempre."

Ora, aqui está uma promessa que o Senhor deu, Ele diz, por um decreto positivo. É uma promessa dada com condições, e se as condições forem observadas, podemos ter certeza de que a promessa, em sua totalidade, será cumprida. Não há reservas quanto a isso, apenas a reserva ligada à condição em que ela é feita. "Eles prevalecerão" -- isto é, se guardarem os Seus mandamentos, se observarem o conselho que Ele nos deu. Ora, no próximo parágrafo, Ele diz:

"Mas se não guardarem meus mandamentos e não tiverem o cuidado de cumprir todas as palavras minhas, os reinos do mundo prevalecerão contra eles." O nosso destino, portanto, como povo -- isto é, como indivíduos ao menos -- está claramente apontado a nós nestes dois ou três parágrafos. O princípio pelo qual podemos ser bem-sucedidos como povo nos é dado de tal maneira que não podemos nos enganar a respeito dele. Também, se formos malsucedidos, se falharmos e nos tornarmos sujeitos aos nossos inimigos, as causas pelas quais essa sujeição se dará estão claramente apontadas a nós. A experiência dos anos que se passaram desde que esta revelação foi dada, na qual essas promessas estão consubstanciadas, provou-nos com toda a clareza a verdade da palavra do Senhor aqui falada. Nunca houve uma hora, desde que o Senhor deu esta palavra à Igreja -- nem uma hora sequer -- em que eles não prevalecessem sobre Seus inimigos, quando atenderam às Suas palavras e guardaram os Seus mandamentos. Onde estivemos cercados pelas circunstâncias mais ameaçadoras, quando parecia não haver maneira possível de escapar, Deus abriu, da maneira mais maravilhosa, o caminho diante deste povo e o tornou claro, e aquilo que parecia uma barreira intransponível diante deles foi removido, e eles foram capacitados a seguir o caminho que era certo para eles trilharem. Sabemos por experiência que, quando os Santos dos Últimos Dias têm sido mais fiéis, têm sido mais diligentes, quando têm sido mais zelosos em pregar o Evangelho, em construir templos, em cumprir a palavra do nosso Deus como Ele a deu a nós, então a ira dos nossos inimigos tem sido mais feroz contra nós. Mas, não obstante a ferocidade e o calor com que ela ardeu, tem sido impotente contra este povo para nos causar dano ou para interferir de qualquer maneira com o nosso crescimento, e com a realização dos propósitos de Deus a nós confiados. Deus sabe que isso é assim, e nós o sabemos. Provamos isso a nossa inteira satisfação -- ao menos assim me parece. Não é um bom sinal para nós sermos amados pelo mundo, e sermos falados bem pelo mundo, por mais agradável que isso possa nos ser, e por mais que nos afastemos da condição oposta de coisas, e temamos a sua manifestação, e desejássemos que pudesse ser de outra forma -- e é natural à natureza humana afastar-se dessas provações -- não obstante, é um dos piores sinais para nós, como povo, sermos bem falados pelo mundo, e estarmos livres de ameaças, de oposição e de ódio. Não é a verdadeira condição em que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deveria estar, ser mimada pelo mundo, ser acolhida pelo mundo, ser bem falada pelo mundo, ser bem-vinda pelo mundo, ter o favor derramado sobre ela pelo mundo, porque não devemos ser do mundo, tendo Deus nos escolhido do mundo. A nossa verdadeira condição é a que ocupamos hoje. Eu a acolho; agradeço a Deus por ela; pois as manifestações que vejo ao meu redor a nosso respeito me dão ampla testemunha de que os Santos dos Últimos Dias estão se esforçando para guardar os mandamentos de Deus; de que estão fazendo a vontade de Deus, ou esta ira, estas manifestações de ódio, esta intensa oposição, estas acusações infundadas não teriam existência contra nós. Digo que esta é a condição que Deus determinou que ocupássemos, e, em vez de sentirmos temê-la, de desejarmos que fosse diferente, de nos afastarmos dela, glorifiquemo-nos nela, agradeçamos a Deus do fundo do coração por estarmos ligados à Sua obra e termos o privilégio de tomar parte em cenas como estas -- cenas nas quais os nossos predecessores, que já foram ao descanso do nosso Deus, participaram, em seu dia e geração. Agradeçamos-Lhe por vivermos na terra e termos esta oportunidade -- esta grande e gloriosa oportunidade -- de mostrar a Ele que somos devotados a esse Evangelho que Ele revelou, aos seus princípios, às suas ordenanças, aos seus dotamentos e poderes, e à Igreja que está organizada sobre a terra, na plenitude de seu poder, nestes últimos dias. Estas são oportunidades pelas quais deveríamos ser profundamente gratos. Em vez de nos afastarmos delas, em vez de lamentarmos por elas, em vez de sentirmos temê-las, deveríamos ter o sentimento oposto, um de gratidão e agradecimento a Deus por nos ser permitido compartilhar delas, e viver em um tempo como o presente. Agradeço a Deus com todo o meu coração por isso, eu mesmo; e, no que diz respeito a estas manifestações, elas causam em mim apenas um sentimento -- assim tem sido até agora -- e esse é um sentimento de regozijo e ação de graças em meu peito, ao ver o cumprimento das predições dos santos profetas a respeito desta obra, e do ódio do mundo contra ela.

Ora, o que temos a temer? A única causa de temor em minha mente é, como disse, a nosso próprio respeito -- divisões, diferenças de opinião, ideias a respeito do rumo que se deveria seguir, que talvez não estejam de acordo com a mente e a vontade de Deus. É de suma importância para nós, como povo, sermos unidos. A nossa força, a nossa prosperidade, o nosso sucesso no passado deveram-se à união. É a união do povo que tem sido odiada, e que trouxe sobre nós a perseguição com que tivemos de lidar. Isso é tudo o que nos dá importância na terra. Tirem-nos a união, e o que há de notável ou digno de nota em cerca de 200.000 Santos dos Últimos Dias nas Montanhas Rochosas? Pois bem, seríamos como 200.000 pessoas em qualquer outro lugar, cheios de divisão e discórdia, que não valem nada nem têm importância particular alguma. Mas unam 150.000 ou 200.000 pessoas juntas, de um só coração e de uma só mente, um povo que está aumentando, e há um poder manifesto que impressiona os homens. Eles sentem que há ali um poder e uma influência incomuns que não conseguem compreender, tão diferentes são dos sistemas com que estão familiarizados. O fato de este povo ser unido cria um temor no peito daqueles que o desprezam. É isso, meus irmãos e irmãs, que nos deu influência, que nos deu importância, que nos fez o que somos, que faz com que ocupemos a posição que ocupamos. Tirem isso de nós, e seremos de fato, como diz esta revelação, como o sal que perdeu o seu sabor, bom para nada senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Tirem de nós, como povo, o princípio da união, e vocês tiram de nós o sal que nos dá o sabor que temos hoje. E é de suma importância para nós, como povo, mantermos isso constantemente em vista. É contra isso e contra aquela autoridade que nos faz um povo unido que se dirige toda a investida do ataque contra nós. São as revelações de Jesus Cristo, por meio daquele Sacerdócio que vem a nós, dando-nos testemunho pelo Espírito Santo, que nos trouxe a esta união, a esta unicidade que é tão característica desta Igreja. É contra a autoridade que produziu esses resultados que se dirige toda a força dos adversários deste reino.

Ouvimos falar de casamento plural, ou poligamia, como é chamada. Isso é meramente um grito de guerra. É meramente usado porque é uma palavra de ordem popular, e os que o usam sabem muito bem que o usam apenas nessa forma e para esse propósito; mas essa não é a questão real. Há algo mais do que isso, mais profundo do que isso, mais elevado do que isso, mais amplo do que isso; mas não é necessário deixar saber que é a isso que eles visam. A poligamia, portanto, atende ao propósito. Ela apela aos ignorantes; excita o clero; agita as paixões dos impuros, e inflama o ódio necessário para intensificar este conflito. Mas se fosse possível que a poligamia pudesse ser eliminada hoje, sem eliminar a nossa fé e nos fazer apóstatas, e todo homem que tem uma esposa plural a repudiasse, isso não diminuiria o ódio daqueles que se opõem a esta obra -- nem um pouco. Claro, se nos tornássemos apóstatas, seríamos como o mundo, e seríamos do mundo. Mas repito, não é a poligamia; nós sabemos disso. Sabemos que a perseguição mais feroz por que passamos em nossa experiência foi anterior à prática da poligamia, foi quando a poligamia não era uma doutrina desta Igreja, quando não era uma prática de nenhum membro desta Igreja. Portanto, o ódio que se nutre hoje contra esta obra não se deve àquela doutrina nem àquela prática. É a organização da Igreja de Deus sobre a terra. É a restauração do Santo Sacerdócio. É a autoridade pela qual homem é ligado a homem, pelo vínculo eficaz de união que se tem manifestado de maneira tão maravilhosa na história deste povo, desde o começo até o presente. É isso que é odiado. É o ajuntamento do povo. Como disse o General Clark, que comandou a milícia em Far West, quando os irmãos eram prisioneiros, disse ele: "Eu os aconselharia a se espalhar, e a nunca mais se organizarem com Bispos, Presidentes etc., para que não excitem os ciúmes do povo, e se sujeitem às mesmas calamidades que agora vieram sobre vocês * * * meu conselho é que vocês se tornem como os demais cidadãos, para que, por uma recorrência destes acontecimentos, vocês não tragam sobre si mesmos uma ruína irremediável."

Sem o saber, ele disse uma grande verdade, carregada de significado. Essa é, na verdade, a grande causa do ódio contra este povo. Se vocês se dividissem e deixassem de ouvir os seus Bispos, as suas autoridades presidentes, os Presidentes de suas Estacas, os Apóstolos, a Presidência da Igreja, o que haveria a seu respeito que despertasse oposição? O que haveria a seu respeito que os tornasse dignos de nota nos jornais? Como disse, vocês seriam como qualquer outro número de cidadãos que não estão unidos pelos laços do convênio eterno e do Evangelho. Tendo tido a verdade, e tendo tido o sabor da retidão, vocês seriam como sal que perdeu o seu sabor, bom para nada, próprio para nenhum outro propósito senão ser lançado fora e pisado pelos pés dos homens. Esta figura do Salvador nesta revelação -- e assim como Ele a usou para os Seus discípulos -- é uma figura das mais expressivas e abrangentes. Não há artigo no mundo tão completamente sem valor quanto o sal, depois que perde o seu sabor. Não se pode usá-lo para propósito algum, e é bom para nada, exceto para ser pisado pelos pés dos homens. E como isso se exemplifica com fidelidade na história deste povo. Quando um homem perde o Espírito de Deus, torna-se apóstata da obra de Deus, de que mais lhe serve? Não serve para nada. Ele nem sequer faz um bom sectário. E o mesmo aconteceria conosco, como povo, se perdêssemos o sal do Espírito de Deus; não serviríamos para nada.

Ora, há apenas uma maneira pela qual os mandamentos de Deus podem nos ser revelados. Deus não deixou isso em dúvida. Não nos deixou tateando na escuridão a respeito de Seus métodos de revelar a Sua mente e vontade aos Seus filhos. Bem no começo da obra de Deus nestes últimos dias, para remover toda dúvida a este respeito, Deus deu revelações a esta Igreja com clareza excedente, e havia um princípio que era enfaticamente insistido e reforçado, a saber, que havia apenas um canal, um único canal, por meio do qual a palavra de Deus e os mandamentos de Deus deveriam vir a este povo. A palavra de Deus não deveria vir do povo para cima. Não era vox populi, vox dei, mas devia ser vox dei, vox populi -- isto é, a voz de Deus e depois a voz do povo -- de Deus para baixo, pelo canal que Ele designasse; pelos meios que Ele instituísse, aquela palavra deveria vir ao povo, e quando obedecida pelo povo, traria a união, o amor e a força consequentes da união e do amor. E isso tem sido a peculiaridade e a excelência desta obra de Deus até agora na terra. A sua excelência tem consistido nisso. O seu poder, a sua glória, a glória que temos como povo, a glória que pertence à Igreja de Deus, consiste nesta característica peculiar: que a palavra de Deus a nós vem de Deus, e não do povo. Ela é recebida pelo povo, aceita pelo povo, submetida pelo povo, e isso produziu a união e o amor, como disse, que têm caracterizado a obra até agora em seu progresso na terra. Tirem dela esta característica e ela se torna fraca como água que não está confinada. Não há força nela. Não há nada a se temer a respeito dela. Não há nada que excite animosidade ou ódio. Mas deem-lhe esta característica e ela se torna um poder na terra. Ainda que houvesse apenas seis homens, seria um poder. Que haja doze, e é o dobro do poder, e assim se vai duplicando, e ele aumenta em razão proporcional, e assim continuará, contanto que esse princípio seja mantido e vivido. Deus revelou esse princípio no começo. Oliver Cowdery -- uma representação de cuja ordenação nos é dada neste teto -- recebeu, ao mesmo tempo em que o Profeta Joseph, o Sacerdócio Aarônico. João Batista, que por último deteve as chaves do Sacerdócio Aarônico na carne sobre a terra, impôs as suas mãos sobre Joseph, o Profeta, e sobre ele ao mesmo tempo. Depois recebeu, junto com Joseph, a administração daqueles que tinham detido as chaves do Apostolado na carne sobre a terra -- isto é, Pedro, Tiago e João. Eles ministraram a ele ao mesmo tempo em que ministraram a Joseph, na mesma ocasião, e ele se tornou Apóstolo com Joseph, sendo o segundo Apóstolo na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ora, poder-se-ia pensar que um homem assim favorecido, favorecido a receber o Sacerdócio Aarônico, favorecido a receber o Sacerdócio Melquisedeque e o Apostolado ao mesmo tempo que o Profeta, favorecido com o privilégio de batizar o Profeta de Deus, e de selar sobre ele o dom do Espírito Santo; poder-se-ia pensar, digo, que um homem assim favorecido teria ficado ao lado do Profeta e teria autoridade igual em dar a palavra de Deus por escrito ao povo. Mas não. Deus fez uma distinção e claramente disse a Oliver Cowdery que aquilo que ele escrevesse a esta Igreja não deveria ser por meio de mandamento à Igreja, mas por sabedoria. O Senhor lhe disse: "E se em toda e qualquer ocasião fores levado pelo Consolador a falar ou a ensinar, por meio de mandamento à igreja, poderás fazê-lo. Não deverás, porém, escrever por meio de mandamento, mas segundo a sabedoria." Era apenas o privilégio de um homem, a autoridade de um homem, o de se destacar preeminente na terra em um dado tempo, detendo as chaves e dando os mandamentos de Deus -- ou melhor, o Senhor dando os Seus mandamentos por meio dele, por escrito, à Igreja.

Nos primeiros dias havia um homem que foi testemunha do Livro de Mórmon, que havia sido selecionado pelo Senhor para manusear as placas, para senti-las pelo peso, e depois escrever o seu testemunho a respeito do que tinha visto e sentido. Ele obteve a posse de uma pedra de vidente -- ou, como às vezes é chamada, uma pedra de segredar. Por meio dessa pedra de segredar, ele professava obter revelações, que escrevia. E o Senhor deu um mandamento a respeito do assunto, e Oliver Cowdery foi ordenado a levar Hiram Page à parte e falar com ele a respeito do assunto. Foi instruído a lhe dizer que aquilo que ele havia recebido por meio daquela pedra não era de Deus, e que Satanás o havia enganado. Foi-lhe dito que esse poder não lhe fora dado, e "a ninguém desta igreja será designada qualquer coisa contrária aos convênios da igreja." Isto é, havia apenas um homem sobre a terra que tinha o direito de dar à Igreja mandamentos a respeito da palavra de Deus, e da condução da palavra de Deus, e esse era o homem que Ele havia selecionado. Assim, claramente, bem no começo desta obra, no próprio limiar dela, não restava dúvida alguma na mente daqueles que recebiam as revelações de Deus a respeito da política do Senhor na edificação desta obra sobre a terra. Vocês podem ver, facilmente, se refletirem por alguns momentos sobre o assunto, quão necessário é que isso seja assim. Invistam dois homens com esse poder, e qual é o resultado? Ora, há oportunidade para divisão. Invistam doze homens com ele, e vocês têm o mesmo resultado, em grau aumentado. Invistam todo o corpo do povo com ele, e qual seria o resultado? Vocês podem compreender isso com uma pequena reflexão. Não é a maneira de Deus proceder. Não é a maneira de Deus edificar o Seu reino. Não é a maneira pela qual Ele fundou a Sua Igreja, nem neste dia nem em nenhum outro dia em que tivesse uma igreja sobre a terra. É por meio desta fonte que os mandamentos devem vir ao povo de Deus. É por meio desta fonte que a palavra de Deus tem vindo a este povo durante os 53 anos que já se passaram. A prosperidade deste povo, o seu sucesso, e os triunfos que têm acompanhado esta obra devem-se a isso: que Deus escolheu um homem, e por meio dele deu a Sua palavra ao Seu povo, e, ao ouvirem o Seu conselho, ao obedecerem às manifestações de Deus por meio dele, foram conduzidos nesta carreira de prosperidade em que entramos, e na qual agora caminhamos. Desejo transmitir isto com todo o poder de que sou capaz às mentes dos meus irmãos e irmãs que aqui estão hoje, e a toda esta Igreja. Desejo que compreendam isso. Dou testemunho, como servo de Deus, de que este é o caminho, tendo Deus revelado isso a mim para o meu perfeito conhecimento, para a minha perfeita satisfação e entendimento. Não pode haver dois canais; há apenas um; tendo Deus escolhido apenas um. Ora, contanto que mantenhamos isso em mente, não corremos perigo algum como povo -- isto é, se o mantivermos em mente e lhe obedecermos. Estou disposto a arriscar a minha reputação -- nunca reivindico ser muito de profeta; não falo muito sobre profecia -- mas, como servo de Deus, estou disposto a arriscar a minha reputação ao fazer esta declaração: que, se vocês ouvirem a voz de Deus tal como se manifesta por meio do Seu servo que está à nossa frente, vocês jamais, de agora em diante até que a eternidade amanheça sobre vocês -- vocês jamais serão dominados por seus inimigos ou pelos inimigos do reino de Deus. Sei isso tão bem quanto posso saber qualquer coisa que ainda não se cumpriu. Há perigo entre nós de nos tornarmos divididos. Somos ameaçados agora pelos nossos inimigos. Eles gostariam de nos dividir. Já fizeram uma discriminação com a qual esperavam obter grandes resultados. Por suas leis, privaram os pais deste povo, os líderes deste povo, os homens que carregaram o calor e o fardo do dia -- privaram-nos daqueles direitos que nos pertencem tanto quanto lhes pertencem a eles. Procuraram nos humilhar no pó. A elite deste povo, os homens de vanguarda, os homens que estiveram na vanguarda do empreendimento e de toda boa obra -- e isso não é dizer nada depreciativo a respeito daqueles que não são dessa classe -- foram escolhidos exatamente como se escolheria, de uma tribo conquistada de índios, os chefes. Os chefes foram marcados, os homens governantes foram depostos, e a outra classe foi informada de que agora eles poderiam vir à frente. Ora, isso me lembrou da tirania que tem sido tão odiosa em tempos passados -- a tirania da Grã-Bretanha em seu tratamento do povo da Índia. Os homens governantes, todos privados de seu poder. O rei deposto. Mas isso nunca foi feito, exceto como resultado de guerra. O rei deposto; os chefes governantes, homens de influência, autoridade e poder entre o povo, foram despojados de tudo, e outro rei e outros chefes postos a governar, pela autoridade do conquistador. Mas isso nunca foi feito a não ser como consequência de guerra. Mas aqui, em um tempo de profunda paz, em um Território sem igual em sua prosperidade, a maravilha e a admiração de toda mente cândida e reflexiva; um Território deste tipo, porque a nossa religião não é popular, e por causa da nossa união tão temida, os homens governantes, sem qualquer julgamento ou condenação, sem prova de culpa alguma, foram removidos, por assim dizer -- isto é, tudo o que foi possível fazer foi feito para lhes tirar aquela autoridade e aquela influência que legitimamente lhes pertence, que eles conquistaram por longos anos de labor fiel no meio do povo, conquistaram-nas legítima e adequadamente, não tendo influência alguma que tenham recebido da ascendência ou da riqueza -- não tendo influência alguma senão a influência que Deus lhes deu, e que eles conquistaram por suas próprias boas obras. Esses homens, na tentativa de destruir este povo; de os dividir uns dos outros -- foi dito a esses homens: "Vocês se afastem. Nós os despojaremos de seu poder e de sua influência. Nós os humilharemos no meio do povo. Tiraremos de vocês toda a influência que pudermos, e veremos se não podemos dividi-los por meio deste processo." Esse é o objetivo. É, como disse, dividir-nos, despertar ambições nas mentes de outros, procurar incitá-los a não prestar atenção e a desconsiderar inteiramente os conselhos e os exemplos dos homens que têm sido fiéis, e que assim são postos de lado. Qual será o efeito disso? Perguntem a vocês mesmos esta pergunta. Vocês, Santos dos Últimos Dias, com vocês fica a resposta. Cabe a vocês dizer se os artifícios dos ímpios terão o efeito de fazer com que vocês deixem de dar ouvidos ao homem de Deus, ao homem que detém as chaves do Sacerdócio Eterno de Deus, ao homem escolhido pela eternidade, pelo próprio Senhor; cabe a vocês dizer se, por causa desses artifícios, vocês deixarão de prestar atenção aos seus conselhos. Cabe a vocês responder a esta pergunta importantíssima. Não tenho medo quanto ao resultado. Não tenho dúvidas, eu mesmo, quanto ao resultado. Pode haver pessoas imprudentes entre nós. Pode haver alguns que não tenham fé. Pode haver alguns que sejam impelidos por alguma ambição imprópria; mas alegro-me de que, na providência de Deus, haja uma oportunidade dada a todos esses de mostrarem o seu verdadeiro caráter, se tais houver entre nós. Aceito todas essas coisas como sábias na providência do nosso Deus, tendo Ele esta obra a Seu cargo; aceito-as como uma de Suas divinas providências a respeito desta obra, para testar este povo, para nos provar, para nos pôr à prova, para que nos conheçamos a nós mesmos; e não somente isso, mas para mostrar ao mundo -- o grande mundo da humanidade, que agora observa com intensa expectativa, acompanhando os resultados destas experiências em Utah -- que possamos mostrar a eles que Deus ainda está conosco, e que, não obstante todos os esforços dos ímpios, ainda somos um povo unido, disposto a ouvir a voz de Deus por meio de Seu servo divinamente designado -- o meio que Ele escolheu. O mundo deve saber que os homens por cuja administração recebemos esses preciosos dons do Evangelho ainda são os homens que têm autoridade junto a Deus, e que têm uma pretensão às Suas bênçãos e ao Seu cuidado sustentador. Esses são os resultados que espero ver alcançados por meio do que agora está sendo feito.

É uma coisa das mais extraordinárias que esta lei Edmunds -- uma lei tão inconstitucional em todos os aspectos -- seja agora considerada quase como uma lei meritória, e que, por não termos nos despedaçado sob a sua aplicação, e ela não ter produzido os resultados idealizados pelo seu autor, e por aqueles que instaram por sua aprovação -- ela seja agora, como disse, tratada como se fosse uma lei benigna, e destinada para o nosso bem; e por não a aceitarmos como tal, isso deveria ser considerado razão suficiente para que houvesse legislação adicional! É uma posição das mais extraordinárias de se assumir. No entanto, essa é a posição adotada por muitos.

Ora, meus irmãos e irmãs, usei uma figura muitos anos atrás, quando costumávamos nos reunir no velho pavilhão, antes de o novo tabernáculo ser construído, à qual me referirei hoje. Foi em um tempo em que se falava bastante sobre a nossa mudança daqui. Astrólogos previam isso, e havia alguns que pareciam inclinados a dar crédito às suas previsões. Em observações feitas em certa ocasião, eu disse que era meu hábito, quando atravessava o oceano -- e já estive tanto no Oceano Pacífico quanto no Atlântico muitas vezes -- quando surgia uma tempestade, ou parecíamos estar em perigo por causa do gelo ou de qualquer outra causa -- observar o capitão do navio. Eu notava o seu comportamento, e pensava que, por meio dele, poderia formar uma ideia correta do nosso perigo. Ele conhecia o navio. Conhecia as suas capacidades. Conhecia, provavelmente melhor do que qualquer outra pessoa, a nossa posição e o nosso perigo, e, portanto, como disse, eu tinha prazer em observar o seu comportamento. E assim é a respeito da obra de Deus. É meu privilégio, como Apóstolo do Senhor Jesus Cristo, ter as revelações de Jesus. É meu privilégio viver de tal maneira que tenha o dom de profecia, e tenha sabedoria e conhecimento de Deus. É meu privilégio ter todos esses dons e bênçãos repousando sobre mim, em virtude do meu chamado. Se eu for fiel a isso, eles repousarão sobre mim. Mas não é meu privilégio guiar este navio. Não é meu privilégio escrever revelações ou mandamentos a esta Igreja. Por mais que eu me regozije no conhecimento de Deus, por mais que eu possa possuir as revelações de Jesus, esse não é um privilégio que me foi concedido, nem foi concedido a nenhum outro Apóstolo, ou dirigente, ou membro desta Igreja, senão a um, e esse é o homem que Deus escolheu para deter as chaves. Portanto, em tempos de perigo, sejam quais forem os meus próprios sentimentos -- e, como sabem aqueles que me conhecem, geralmente tenho opiniões formadas sobre todo assunto que se levanta -- não obstante essa característica, eu sempre olho, e sempre olhei, para o homem que Deus colocou para presidir sobre o Seu povo. Observo o seu comportamento. Sei que cabe a ele dar o sinal. Cabe a ele dirigir os movimentos da tripulação do Navio Sião. Cabe a ele dirigir como ele deve ser conduzido, na medida em que o poder humano seja necessário para esse propósito, e quando não há tremores nele, quando não há indícios de temor de sua parte, quando ele se sente sereno e confiante, sei que posso fazer o mesmo com a maior segurança, e que todo este povo pode confiar naquele Deus que colocou um profeta, um vidente e um revelador para presidir sobre o Seu povo na terra. Não precisamos ter medo. Não precisamos tremer. Não precisamos ceder à ansiedade. O que devemos fazer é buscar a mente e a vontade de Deus. Gostaria que os homens de Sião fizessem isso mais do que fazem. Sou zeloso pelo meu Deus. Sou zeloso pela autoridade do Santo Sacerdócio que Ele conferiu aos homens. Desgosta-me ver os meus irmãos cederem à influência daqueles que estão fora de nós, e que atacam esta obra e dizem: "vocês são governados demais pelos seus líderes." Quando vejo homens fazendo isso, temo e tremo por eles. Eles cedem a uma influência que não é de Deus, a influência do mundo, a influência que combate Sião. Gosto de ver um homem leal a esta obra, leal à causa de Deus, leal ao Santo Sacerdócio, decidido a permanecer firme a ela. É tudo o que nos salvou até agora; é tudo o que nos deu poder até agora na terra, e quando abandonarmos isso, Deus nos abandonará e nos deixará entregues a nós mesmos. Sou, portanto, zeloso pelo meu Deus. Sou zeloso pelo Santo Sacerdócio. Sou zeloso pela honra, pela dignidade do homem que preside sobre Sião, e sempre fui. Ao longo de toda a minha vida, tive esse sentimento. Não é um sentimento novo. É um que nasceu em mim, e continua comigo, e oro para que sempre seja o meu sentimento enquanto eu viver na terra. Quero morrer tendo esse sentimento; sei que é o sentimento certo, e que estamos sempre no caminho certo quando buscamos o conselho de Deus por meio do Seu servo designado.

Deus os ajude, meus irmãos e irmãs; Deus ajude a todo homem em Sião; Deus me ajude, e a todos os que ocupam posições de liderança nesta Igreja, a ter isso em mente, e a sermos humildes, mansos e submissos, obedientes ao conselho do servo de Deus, para que, no final, Deus nos coroe em Seu reino celestial, o que peço em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “As Condições em Que os Santos Prevalecerão—Prevalência da Paz—O Sentimento no Leste—Falsidades Engolidas Por um Público Crédulo—Nenhum Dano Real—Promessas Imediatas—Somente Uma Coisa a Temer—Os Santos Prevalecerão—Os Santos Prevalecerão Pela Fidelidade—Este Elogio do Mundo é um Sinal de Tristeza—O Poder de um Povo Unido—A Perseguição Mais Feroz Anterior à Poligamia—Sal Que Perdeu Seu Sabor—Somente Um Canal de Revelação—Vox Dei, Vox Populi—Os Sacerdócios Aarônico e Melquisedeque—Escrever e Falar—Espíritos Que Segredam e Murmuram—Artifícios Enganosos do Inimigo—Os Homens Que Têm Autoridade—A Parábola do Navio—O Homem Que Preside—Invocação”, (1883-12-02). Pulpit Vault, 1883-12-cannon-conditions-on-which-the-saints-shall-prevail. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).