O Presidente, Sentindo-se Um Pouco Fraco no Corpo, Pediu a Atenção Considerada da Congregação—Deus Interessado no Bem-Estar de Toda a Família Humana—A Organização da Igreja, e a Responsabilidade que Recai Sobre o Sacerdócio—Deus Deu a Cada Um uma Porção de Seu Espírito—As Instigações Desse Espírito—A Maldade dos Habitantes da Terra nos Dias de Noé—Por Que Veio o Dilúvio—Os Antediluvianos Não Se Arrependeriam—O Evangelho Novamente Pregado Como um Aviso—Perseguição—Nossa Relação com Esta Nação de um Ponto de Vista Político—Uma Comunidade Foi Edificada Nestas Montanhas Pelos Mórmons Sob a Bênção de Deus—Tratados Injustamente Como Povo Pelo Governo Pátrio—Os Santos dos Últimos Dias Têm Direitos Que Buscarão Legalmente Manter—Conclusão
John Taylor
Permitam-me dizer que, em consequência da imensa multidão que se reuniu nesta ocasião, será absolutamente necessário que se mantenha a mais rigorosa ordem e tranquilidade, para que todos possam ouvir; pois é um grande esforço dirigir-se a tantos milhares de pessoas. Como me sinto um pouco fraco no corpo, espero, portanto, que me deem sua atenção tranquila e considerada. ¶
Ouvimos muitos princípios interessantes desde o início desta conferência. ¶
Ocupamos hoje uma posição muito peculiar, e é próprio que nós, como Santos dos Últimos Dias, compreendamos essa posição e nossas várias responsabilidades em relação ao mundo em que vivemos, à nação com a qual estamos associados, e aos deveres e responsabilidades que nos incumbem como mensageiros da salvação, para proclamar o Evangelho à humanidade. É ainda necessário que compreendamos o passado, que compreendamos o presente, e que também — sob a influência e pela direção do Espírito do Deus vivo — compreendamos as coisas do futuro; pois nós, como Santos dos Últimos Dias, temos relação com o passado, temos relação com o presente, e temos relação com o futuro. ¶
Em relação aos habitantes do mundo em geral, às vezes penso que nutrimos noções muito errôneas a respeito deles — que nossas ideias são estreitas demais e limitadas demais, que não compreendemos a relação em que estão com Deus, nosso Pai Celestial — e somos propensos a cair no mesmo erro em que caíram os judeus em épocas anteriores, e a clamar: "Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor são estes." Porque Deus nos concedeu luz e inteligência, e nos revelou Sua vontade, somos propensos demais a olhar para o resto da humanidade como estranhos e indignos da consideração Divina; mas somos informados de que Deus fez de um só sangue todas as famílias da terra, e que lhes deu uma porção de Seu Espírito para se beneficiarem dela. Somos também informados de que Deus é o Deus e Pai dos espíritos de toda a carne. Nos é dado a entender que Ele se interessa pelo bem-estar de toda a família humana, pois está escrito que todos são Sua prole. Portanto, nós, como Santos dos Últimos Dias, deveríamos sentir em relação ao mundo e a seus habitantes o mesmo que Deus, nosso Pai Celestial, sente em relação a eles; pois nos é dito que Deus amou tanto o mundo que deu Seu Filho Unigênito para expiar seus pecados, para que todo aquele que nEle cresse não perecesse, mas tivesse vida eterna, e, se este é o sentimento de nosso Pai Celestial em relação aos habitantes da terra, deveríamos nutrir o mesmo sentimento. Quando Jesus esteve na terra, quando estabeleceu o Evangelho sobre ela, tal como foi estabelecido nestes últimos dias, Ele disse: "Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." E, quando comissionou Seus Apóstolos, Seu mandamento foi: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." A danação ou condenação do povo que rejeitou o Evangelho, Ele não pôde evitar; ofereceu-lhes as palavras da vida, e, de acordo com as leis eternas que existem nos céus, os homens devem ser governados por certos princípios, se desejarem associar-se com os Deuses, e, se, quando o Evangelho foi pregado, não o receberam, a condenação recaiu sobre eles. E a condenação decorre disto: que a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más. ¶
O Senhor Jesus nos deu uma comissão do mesmo tipo para com o mundo da humanidade, e vocês têm ouvido, durante esta Conferência, a maneira como essas coisas foram introduzidas, de modo que é desnecessário que eu as repita. Basta dizer que foram introduzidas pela abertura dos céus, pela aparição de Deus nosso Pai Celestial e de Seu Filho Jesus Cristo, pela ministração de santos anjos, pela restauração do Sacerdócio, e pela revelação de Sua vontade ao homem. Vocês compreendem muito bem a natureza da organização, e os deveres que incumbem a certos indivíduos e quóruns nesta Igreja. Os Doze são designados como testemunhas especiais às nações da terra, e são investidos de poder e autoridade para abrir o Evangelho, introduzi-lo, e revolver suas chaves para todo o povo, e a palavra aos Apóstolos — e a outros associados com eles — aos Élderes de Israel em geral é: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." Isso é exatamente como foi em épocas anteriores. Para auxiliar os Doze nos trabalhos em que estão empenhados, estão os Setenta, que são chamados como testemunhas especiais às nações da terra. Para quê? Quem organizou estes Setenta, e estes Doze, e quem ditou seus deveres e responsabilidades? O Senhor. Por que Ele o fez? Porque, como em épocas anteriores, Ele se interessava pelo bem-estar da família humana, e não é, nem nunca foi, a vontade de Deus que a humanidade perecesse, mas que todos fossem trazidos a um conhecimento da verdade, e à obediência a ela, se assim o quisessem, e, se não, quando os Doze, os Setenta, os Élderes, e os vários oficiais que foram ordenados e separados para pregar o Evangelho, tiverem cumprido suas missões às nações da terra, terão feito exatamente o que o Senhor exigiu de suas mãos, e nada mais. Desejo ainda declarar aos Doze e aos Setenta, e aos Élderes, que não são responsáveis pela aceitação ou rejeição, pelo mundo, daquela palavra que Deus lhes deu para comunicar. É próprio que usem toda a diligência e fidelidade necessárias, e que, de maneira clara e inteligente, e com oração e fé, saiam como mensageiros às nações, como legados dos céus, revestidos de autoridade do Deus dos Céus, sim, a autoridade do Santo Sacerdócio, que é segundo a ordem do Filho de Deus, que é segundo a ordem de Melquisedeque, que é segundo o poder de uma vida sem fim. Ele os dotou, como já ouviram, de autoridade para convocar os homens a se arrependerem de seus pecados, e a serem batizados em nome de Jesus para a remissão dos pecados, e então Ele lhes disse para impor as mãos sobre o povo que assim cresse, e que assim fosse batizado, e conferir-lhe o dom do Espírito Santo, e, quando tiverem cumprido seus trabalhos, e cumprido seus deveres, suas vestes estarão livres do sangue desta geração, e o povo então ficará nas mãos de Deus, seu Pai Celestial. Pois o povo, como já foi dito, será responsabilizado perante Deus por sua rejeição do Evangelho, e não perante nós. ¶
Vou falar um pouco mais sobre o povo da terra, que tem em seu meio o Cristianismo, e outras profissões religiosas. Já citei o que está declarado nas Escrituras — que Deus deu a todo homem uma porção de Seu Espírito para se beneficiar dela. Mas isso não tem relação particular com o Evangelho. É um princípio que está implantado no coração de todo ser humano fora do Evangelho; e, sob sua influência, existem e têm existido muitos princípios grandes e bons no mundo e entre seus povos. Quase todos os homens, em toda parte, que possuem algum grau de inteligência, sentem que é certo ser honesto; e todas as nações civilizadas, influenciadas por esse sentimento, promulgam leis para punir o ladrão, o vigarista, e o homem que se apodera da propriedade alheia de qualquer maneira injusta, e esses sentimentos e princípios são geralmente sustentados pelos homens honrados de todos os países, e operam mais ou menos entre todas as nações. A chicanice, o engano e a fraude são vistos como males no mundo moral; e os homens influenciados por esse princípio — que, como já disse, está implantado no seio de todo indivíduo — sentem repúdio por atos de engano e fraude de qualquer espécie, embora algumas pessoas os pratiquem em grande escala. Homens sob a influência desse espírito no mundo mercantil, por exemplo, consideram uma desonra não cumprir seus compromissos, não pagar suas dívidas honestas, e leis são feitas para alcançar os infratores nesses casos. Tão forte é o sentimento de honra em muitos — nesta nação, na Inglaterra, na França, na Alemanha, e em outras nações europeias — que muitas dessas pessoas que seriam consideradas honradas em seus sentimentos e instintos, se a calamidade as atinge e são incapazes de cumprir suas obrigações, muito frequentemente se suicidam, por mais errado que seja; preferem morrer a serem desonradas. Ora, esses sentimentos de honra são bons até certo ponto; mas isso está fora do Evangelho. Há, é claro, muitos comerciantes desonestos e homens de grandes recursos, que usam seu talento e riqueza com o propósito de tirar vantagem dos incautos, e oprimir os pobres; e neste e em outros países, roubam anualmente milhares de milhões de riqueza dos desavisados e pobres por seus atos duvidosos e ganância insaciável; trazendo pobreza, tristeza, miséria e angústia a milhões das classes trabalhadoras honestas. Como Deus lhes implantou uma porção de Seu Espírito, Ele os responsabilizará, e não a nós, por seus atos; e, em vez de possuírem riqueza e honra, seus nomes se tornarão infames na terra e no futuro. E, em vez de se revolverem em seus ganhos mal obtidos, encontrar-se-ão com Dives, implorando a suas vítimas por uma gota d'água para refrescar sua língua ressecada. Com Evangelho ou sem Evangelho, homens honrados não podem condescender à chicanice e ao engano; e, seguindo a orientação daquele mentor interior, não poderiam ceder a essas práticas insensíveis e frias. Além disso, existe nos homens em geral um horror ao derramamento de sangue inocente, e leis são promulgadas para prevenir crimes dessa natureza e punir o infrator. De onde vêm todas estas coisas? Daquele espírito que Deus implantou no seio de todos os homens. Vocês podem tomar os homens mais baixos e degradados, alguns dos maiores criminosos talvez, e eles dirão, se virem um homem honrado, um homem virtuoso, um homem bondoso e generoso, um homem que age retamente — "Respeitamos esse homem, o honramos, o respeitamos por suas virtudes; não conseguimos imitá-lo, lamentamos dizer," e desta maneira reconhecerão o que é bom e sentirão que eles mesmos estão fazendo o mal. Estes são alguns dos princípios que existem na natureza humana. São bons até certo ponto. Ao mesmo tempo, prevalece outro sentimento — isto é, o de proteger a virtude e a castidade. Não é praticado tão amplamente quanto deveria ser; existe uma grande dose de hipocrisia neste assunto. Mas, apesar disso, está implantado no coração de milhões da família humana; e eles veem o sedutor da mulher e o que se contamina a si mesmo, e aqueles que praticam crimes associados a estes assuntos, com repugnância. As nações hoje, porém, estão se revolvendo na podridão e corrupção com respeito a estes assuntos, contudo há milhares e milhões de homens e mulheres que abominam a impureza e o vício, e não podem sancionar a libertinagem em nenhuma de suas formas repugnantes. Todas estas coisas são boas em seu lugar; mas isso, por si só, não é o Evangelho. ¶
Ora, em tempos antigos, nos dias do dilúvio, por exemplo, o povo se tornou muito corrupto, tanto assim que nos é dito que as imaginações do coração dos homens eram somente más continuamente, e as Escrituras dizem que arrependeu ao Senhor de haver feito o homem, por causa de suas corrupções e maldades; mas alguns nos dizem que Noé se arrependeu de que o homem tivesse sido feito, por causa das abominações e males que testemunhou em seus dias. Deus destruiu os ímpios daquela geração com um dilúvio. Por que os destruiu? Ele os destruiu para o benefício deles, se conseguirem compreender isso, mas duvido muito que todos vocês consigam ou não. Deixem-me explicar um pouco. Somos informados, como já disse, que Deus é o Deus e Pai dos espíritos de toda a carne. Somos ainda informados de que Jesus, o Filho de Deus, existia antes que os mundos fossem. É também declarado que Ele é nosso irmão mais velho, e que nós também pré-existíamos — isto é, nossos espíritos pré-existiam. Quando Satanás obteve ascendência sobre os habitantes da terra a ponto de eles se terem afastado de Deus, e violado Suas leis, quais seriam os sentimentos daqueles espíritos nos mundos eternos? Permitam-me perguntar a todas as pessoas inteligentes: não seriam propensas a voltar-se para seu Pai Celestial e dizer: "Pai, olha para aqueles habitantes corruptos. Tu os vês?" "Sim, eu os vejo e os conheço." "É justo que nós, teus filhos, sejamos condenados a habitar aqueles corpos imundos e corruptos, e assim sermos submetidos a Tua ira e indignação, e talvez passem milhares de anos antes que possamos voltar novamente à Tua presença?" "Não, não é justo," e nesse princípio o Pai os destruiu com um dilúvio, e recomeçou a povoar a terra com a semente de um homem justo. ¶
Mas, permitam-me perguntar, o que fez o Senhor antes de enviar o dilúvio? Enviou Noé entre eles como um pregador de retidão; enviou Enoque; enviou muitos Élderes entre o povo, e eles profetizaram a eles que, a menos que se arrependessem, o julgamento os alcançaria; que Deus inundaria a terra com um dilúvio e destruiria seus habitantes — isto é, aqueles que não quisessem ouvir o Evangelho do Filho de Deus; pois o Filho de Deus já existia então, não pessoalmente na terra, mas existia em espírito, e a promessa que lhes foi feita era de que Ele viria e expiaria os pecados do mundo. Foram-lhes ensinadas estas coisas, mas eles as rejeitaram, isto é, a grande maioria deles o fez. Também nos é dito que Enoque andou com Deus, e que ele tinha uma cidade chamada Sião, e o povo se reunia a Sião naquela época, assim como reunimos o povo a Sião nestes dias. Enoque andou com Deus, e foi por Ele instruído, e ele instruiu o povo de Sião. Há um relato muito breve disso na Bíblia. Ali somos simplesmente informados de que "Enoque andou com Deus; e não estava mais, porquanto Deus para si o tomou." Não se julgou necessário dizer mais sobre este assunto; mas os fatos foram que Enoque e o povo de sua cidade, tendo sido ensinados por mais de trezentos anos nos princípios do Evangelho antes que o julgamento alcançasse o mundo, foram trasladados. Assim, o povo daqueles dias tivera aviso justo, mas somente muito poucos lhe deram atenção. Somos informados, a respeito do Livro de Enoque, que se testificará dele em tempo devido, e então saberemos mais a respeito destas coisas do que sabemos agora. Mas e quanto àqueles que foram desobedientes? Foram lançados na prisão. Por quanto tempo ali permaneceram? Até que Jesus veio. O que Ele fez então? Foi e pregou aos espíritos em prisão. Ele foi "mortificado na verdade, na carne," somos informados na Bíblia, "porém vivificado pelo Espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé." Está isso na Bíblia, perguntam os cristãos? Sim, está em sua Bíblia. ¶
Assim vemos os tratos de Deus com aquele povo. Noé não tinha nada a fazer senão pregar o Evangelho, e obedecer à palavra do Senhor. Nós não temos nada a fazer senão atender às mesmas coisas. Deixamos, então, os habitantes da terra nas mãos de Deus. Não nos cabe julgá-los; pois o Senhor diz: "o julgamento é meu, e eu retribuirei." Quando os homens têm oferecidas a eles as palavras da vida, e eles as rejeitam, tornam-se então responsáveis perante seu Deus, e a condenação é, como já declarei antes, que a luz veio ao mundo; mas os homens amam mais as trevas do que a luz, porque suas obras são más. Os homens perseguem os Élderes quando saem para pregar. Perseguiram Jesus. Perseguiram Seus discípulos. Homens, em muitos casos, mesmo nesta nação — uma nação que é enfaticamente chamada a terra dos livres, o lar dos valentes, e o asilo dos oprimidos — puseram alguns de nossos Élderes à morte, por causa do testemunho que lhes prestaram. Isso, porém, está tudo de acordo com as predições de Jesus. Ele disse a Seus discípulos que "se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim." Em outras palavras, o Salvador disse: "Se me amam, amarão vocês; se me recebem, receberão vocês; se me rejeitam, rejeitarão vocês; se me perseguem, perseguirão vocês." E Ele ainda disse — e é singular que tivesse de dizê-lo a Seus discípulos, homens que eram bons, virtuosos, puros, retos, e desejosos de promover o bem-estar da humanidade — é singular que tivesse de dizer: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." Eram estes homens inimigos da humanidade porque lhes disseram a verdade? Todos os homens inteligentes diriam: Não. São aqueles Élderes que saem hoje a proclamar o Evangelho inimigos da humanidade? Todos os homens inteligentes dirão: Não. Bem, tentariam vocês coagir os homens? Não. Por quê? Porque Deus não o faz, e Ele não quer que nós o façamos. Eu não usaria nenhuma influência senão a da verdade para conduzir qualquer homem a um conhecimento da verdade. Qualquer outra influência, qualquer outro poder, qualquer outro espírito não é de Deus. Há uma espécie de falso Cristianismo que pensa ser certo perseguir as pessoas por causa de sua religião, mas aqueles possuídos por esse espírito, sejam quem forem, são de seu pai o diabo, porque fazem as obras dele. Deus crê na liberdade da humanidade, e Satanás foi expulso do céu porque procurou tirar o livre-arbítrio do homem. Em várias épocas do mundo, sob vários disfarces, a mesma coisa tem sido tentada. Às vezes políticos, às vezes religiosos, e às vezes outros pretextos são introduzidos para oprimir a humanidade, e privá-la daquela liberdade que é seu direito de nascença, e que todos os homens têm o direito, sob a lei de Deus, de desfrutar. ¶
Agora venho falar de nossa relação com esta nação de um ponto de vista político. Estamos aqui neste Território de Utah. Fomos instruídos pelo Senhor a nos reunirmos aqui, e obedecemos a Seu mandamento, exatamente como fizeram, como já disse, na Sião de Enoque em seus dias. Quando chegamos aqui, trouxemos nosso corpo conosco. Não é uma coisa espiritual, pois todos nós somos muito literais e muito temporais. Temos braços e pernas, olhos e ouvidos, como outras pessoas — somos filhos de nosso Pai Celestial, como o são os outros. Ele introduziu o Evangelho, como já disse antes, e um de seus princípios é o do ajuntamento, e nós nos ajuntamos. Não preciso citar-lhes as Escrituras da Bíblia sobre este assunto, pois vocês as conhecem, e não preciso ocupar tempo citando-as hoje. Estamos aqui. Quem veio em primeiro lugar? Um número de pessoas dos Estados do leste, do oeste e do sul, que creram no Evangelho e o obedeceram. Não é necessário entrar em nossa história, e me deter nos acontecimentos como se deram em Ohio, no Missouri, ou em Illinois. Deixemos passar todas essas coisas. Vocês podem lê-las em nossa história. Mas, como já disse, estamos aqui. Sob quais auspícios? De acordo com as leis e os costumes dos Estados Unidos, colonizamos cidades, vilas e povoados; nos estabelecemos em fazendas, etc., o que tínhamos o direito de fazer. Compramos e pagamos pela propriedade que possuímos, como o fazem outros cidadãos. ¶
Neste ponto, o Presidente Taylor, sentindo-se fraco, pediu ao Presidente Geo. Q. Cannon que falasse um pouco sobre o assunto. ¶
O Presidente Cannon disse: O Presidente Taylor está sofrendo de fadiga e vai descansar um pouco. Nós nos reunimos aqui, como ele disse, e edificamos uma comunidade nestas montanhas — uma comunidade que, se não fosse pelo preconceito com que temos de lutar, seria a admiração da humanidade. Os desprezados "mórmons," despojados de suas propriedades, expulsos para o deserto como proscritos, como impróprios para a sociedade de seus concidadãos; tendo sido tratados desta maneira por causa de supostos crimes — essa era, ao menos, a justificativa oferecida para o tratamento dado aos Santos dos Últimos Dias, porque eram um povo tão ímpio que mereciam ser tratados com violência de turba, e o mundo inteiro, pode-se dizer, consentiu com o veredicto que fora pronunciado sobre nós, ou pelo menos não havia virilidade e coragem suficientes na nação para levantar a voz contra isso, embora milhares de pessoas sentissem que era um ultraje. Expulsos para as montanhas desta maneira, despojados de nossos bens; alguns de nós chegando a estes vales descalços, com quase nenhuma roupa suficiente para nos cobrir durante o inverno seguinte, Deus abençoou o povo, e, por meio da sabedoria, do poder e da influência que Ele concedeu a este povo, eles edificaram, como já disse, uma comunidade nestas montanhas, que é a admiração de todo homem sem preconceito. Estes assim chamados "ladrões mórmons," estes "fora-da-lei mórmons," este povo considerado indigno de viver em Illinois e no Missouri vieram para cá, e vemos hoje centenas de povoados, centenas de cidades, edificados da maneira mais admirável. Existe aqui um governo para a proteção tanto dos pobres quanto dos ricos; e tenho dito com frequência que, quando levamos em consideração o fato da pobreza do povo, e que tivemos um influxo anual de cerca de 3.000, em média, de imigrantes estrangeiros, desconhecedores de nossos métodos de vida, não familiarizados com nosso clima, chegando aqui despojados — isto é, chegando aqui com muito pouco para ajudá-los — é uma das coisas mais admiráveis que uma comunidade como esta possa absorver tantas pessoas anualmente, e não mostrar evidências de pobreza extrema. Não temos indigentes. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, estes resultados — e penso que, dadas as circunstâncias, são significativos — devem-se à bênção, sabedoria, poder e orientação de nosso Deus. Fomos sustentados aqui por Seu braço. No entanto, ao mesmo tempo, fomos tratados como um enteado pelo governo pátrio. Leais como somos até o âmago; crendo, como cremos, que a constituição de nosso país é inspirada por Deus; considerando esta forma de governo como dada por Deus, e como a melhor forma possível de governo humano; não obstante nutrirmos estas opiniões, fomos tratados desde o início como se fôssemos estrangeiros, e como se fôssemos um enteado, em vez de um filho nascido legalmente, e merecedor das bênçãos a que têm direito o resto de nossos irmãos e irmãs no pacto da União. Temos tido este tipo de tratamento desde o início. Todo ato nosso tem sido visto com desconfiança. Não obstante, temos prosperado. Deus tem estado conosco. Sua bênção tem estado sobre nós. Temos mantido a boa ordem nestas montanhas, não porque governadores foram enviados para cá sem terem sido de nossa escolha; não porque funcionários federais foram enviados para cá em cuja seleção não tivemos voz alguma; não porque, por vários anos, tem sido quase considerada uma qualificação para os oficiais odiarem o povo "mórmon" entre o qual os funcionários federais iam servir; mas porque tem havido uma união no meio do povo, tem havido sabedoria, tem havido um poder no governo que Deus concedeu. Deus desenvolveu verdadeiro estadismo no meio destes Santos dos Últimos Dias. Há centenas de homens nesta comunidade que podem tomar um grupo de pessoas e ir para estas terras desérticas selvagens e edificar uma cidade, ou várias cidades, e governá-las e controlá-las de uma maneira que, se o mundo inteiro fosse governado assim, produziria os resultados mais grandiosos e felizes. Demonstramos nossa capacidade de autogoverno, e é algo inerente, pode-se dizer, ao povo, surgindo, como creio, da sabedoria e da bênção que Deus concedeu aos homens. Não há hoje comunidade alguma, dentro dos limites destes Estados Unidos, que possa fornecer tantos homens práticos deste caráter quanto os Santos dos Últimos Dias, e as evidências disso podem ser vistas na boa ordem que prevalece por todas estas montanhas, do norte ao sul, e do leste ao oeste, onde quer que vivam e tenham influência os Santos dos Últimos Dias. Louvo a Deus por isso. Não reivindico crédito algum para o homem neste assunto. É a bênção divina, e está de acordo com o plano que foi pré-arranjado nos céus. Ora, o próprio fato de nos terem permitido sermos expulsos para estas montanhas mostra-nos a mão de Deus nisso. Não havia espaço para expansão em nossa antiga posição. Não poderíamos ter crescido; não poderíamos ter nos desenvolvido. Mas nossos inimigos estavam determinados a nos tornar grandes, e nos lançaram fora, e nos enviaram para uma terra que Deus evidentemente havia designado para ser colonizada exatamente por um povo como o nosso. Não há tal terra debaixo do sol hoje. É o habitat, o verdadeiro habitat dos Santos dos Últimos Dias, admiravelmente adaptado em cada característica de seu clima, de suas condições, de suas montanhas, de seus vales, de seus riachos cristalinos, e a escassez de água tornando-a admirável para a colonização por um povo esparso, um povo como o nosso. Nenhuma população densa poderia viver aqui. ¶
O Presidente Taylor, neste ponto, tomou novamente a palavra e disse: Senti o esforço quase excessivo para mim. Não estou muito forte no corpo no momento, mas continuarei. ¶
Consideramos, como Santos dos Últimos Dias, que temos direitos aqui, e, embora tenhamos sido tratados, poderíamos dizer, com bastante desprezo pelo governo que deveria nos proteger, contudo, ao mesmo tempo, temos aderido estritamente à letra da lei, mesmo diante da suposta pureza que essas pessoas (nossos inimigos) afirmam possuir. Não temos resistido a nenhuma destas coisas, mas temos tratado aqueles homens que vieram como nossos opressores, se assim se pode dizer, com bondade e o devido respeito, não obstante terem introduzido em nosso meio muitas coisas em desacordo com as leis e a constituição dos Estados Unidos, e com nossos direitos como cidadãos americanos. Cedemos por enquanto, mas nos propomos, em favor de nós mesmos, de nossos filhos, em favor das instituições desta nação, e de milhares de homens honrados nela, a testar estas coisas até "o último recurso," e ver, legal e constitucionalmente, se esta nação sustentará estes atos ou não, e então, se sustentar, os deixaremos nas mãos de Deus, e seguiremos nosso rumo, confiando nEle. Mas uma coisa direi, e é que esta causa vai em frente; e, como disseram meus irmãos, também eu digo, que Deus a começou, e Ele cuidará dela. Sei o que estou dizendo. Sei que, ao falar, estou falando não apenas a vocês, mas ao mundo inteiro; pois isso será publicado ao mundo. E eu lhes digo, Santos dos Últimos Dias, não temam, não tremam nos joelhos, pois o Deus de Israel está do lado de Israel, e também as hostes de anjos. Há mais a nosso favor do que pode haver contra nós; e Deus sustentará o direito e cuidará, e preservará Seu povo, se apenas fizerem o que é certo. ¶
Abraçamos o Evangelho. Colocamo-nos numa posição diferente da do mundo. Entramos em sagrados convênios com o Senhor, e Ele espera que cumpramos nossos convênios, e aqueles que não os cumprirem serão condenados. Existem certas regras e regulamentos que existem nos céus, assim como na terra. Somos informados de que, antes de podermos entrar no reino celestial de Deus, teremos de passar pelos anjos, e pelos Deuses, e, se os Santos dos Últimos Dias almejam uma exaltação celestial, devem viver e observar a lei celestial, ou não a obterão, tanto quanto não a obterão os gentios. Ouçam isto, ó Santos dos Últimos Dias! Deus espera que sejam puros, virtuosos, santos, retos, orantes, honestos, obedientes à Sua lei, e que não sigam os desígnios e desejos de seu próprio coração. Deus revelou muitas coisas a vocês, e revelará muitas mais. Ele espera que observem Sua lei, e aqueles que não quiserem observá-la, é melhor que desistam hoje, quanto antes melhor, pois Deus espera que façamos Sua vontade em todas as coisas. Se somos Setenta, temos de ir às nações da terra. Se somos membros dos Doze, também temos de ir às nações e pregar o Evangelho, ou zelar para que esta obra seja feita. Se somos Presidentes de Estacas, devemos cumprir nosso dever, aproximar-nos de Deus, e buscar a revelação de Sua vontade, para que possamos conhecer as coisas que fazemos, e as coisas de que testificamos. Se somos Bispos, devemos cumprir nossos deveres, ou seremos removidos de nosso posto. Não me importa a quem estas palavras possam afetar; pois Deus está edificando uma Sião, e essa Sião significa os puros de coração, os honrados, os retos, os virtuosos, e aqueles cuja simpatia se estende à promoção do bem-estar da família humana. Ele espera que trabalhemos em favor dos interesses de um mundo caído, e que tragamos todos ao conhecimento da verdade que a escutarem e a obedecerem. Ele então espera que edifiquemos templos, como já temos feito e continuamos a fazer. E aqui permitam-me dizer que louvo os Santos dos Últimos Dias pela energia que têm demonstrado nestas coisas. E cabe a nós honrar nosso Deus, e obedecer a todas as leis justas e constitucionais, e sermos tranquilos e pacíficos, e trabalharmos por, e sermos amigos da humanidade, mas não condescendermos com suas práticas perniciosas, corruptas e condenáveis, ou Deus os julgará como julgará a eles. Cabe a nós fazer o que é certo, e praticar a retidão, e Deus nos abençoará. Não precisamos temer nada quanto ao futuro; e, quando tivermos concluído estes templos, iremos e administraremos neles as sagradas ordenanças da casa de Deus, e o Espírito e a bênção de Deus repousarão sobre nós, e ficaremos de pé, como dizem as Escrituras, como salvadores no monte Sião, e o Reino será do Senhor; e ai! daqueles que lutam contra Sião. Amém. ¶