Observações Introdutórias—Fé Aumentada em Deus—As Ideias Apresentadas por Joseph Smith—Dezoito Séculos Decorridos e Nenhuma Voz dos Mundos Celestiais!—Testemunho de Joseph Smith a Respeito do Pai e do Filho e de Santos Anjos—O Efeito de Suas Revelações Sobre a Mente dos Homens—Espiritismo—O Único Poder Por Meio do Qual a Piedade, o Poder de Deus e os Dons de Deus Podem Ser Manifestados com Segurança, i.e., o Sacerdócio—Joseph Smith Não Tentou Pregar o Evangelho Até Ser Devidamente Comissionado por Deus—João Batista—O Sacerdócio Superior—A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Está Sozinha—Os Resultados da Restauração do Evangelho—Maravilhosa Fé dos Santos dos Últimos Dias Considerando Suas Tradições—Progresso da Igreja—A Geração Que Cresce Nestas Montanhas—Conclusão
George Q. Cannon
O Presidente Cannon começou lendo uma parte da 84ª seção do Livro de Doutrina e Convênios: ¶
“Esse Abraão recebeu o sacerdócio de Melquisedeque, que o recebeu através da linhagem de seus pais, até Noé; E de Noé até Enoque, através da linhagem dos pais deles; E de Enoque até Abel, que foi assassinado pela conspiração de seu irmão e que recebeu o sacerdócio pelos mandamentos de Deus, pelas mãos de seu pai Adão, que foi o primeiro homem — Sacerdócio esse que continua na igreja de Deus em todas as gerações e que não tem princípio de dias nem fim de anos. E o Senhor também confirmou um sacerdócio sobre Aarão e sua semente, através de todas as suas gerações, sacerdócio esse que também continua e permanece para sempre com o sacerdócio que é segundo a mais santa ordem de Deus. E esse sacerdócio maior administra o evangelho e contém a chave dos mistérios do reino, sim, a chave do conhecimento de Deus. Portanto, em suas ordenanças manifesta-se o poder da divindade. E sem suas ordenanças e a autoridade do sacerdócio, o poder da divindade não se manifesta aos homens na carne; Pois, sem isso, nenhum homem pode ver o rosto de Deus, o Pai, e viver. ¶
“Ora, isso Moisés claramente ensinou aos filhos de Israel no deserto e procurou diligentemente santificar seu povo para que contemplassem a face de Deus; Eles, porém, endureceram o coração e não puderam suportar sua presença; portanto, o Senhor, em sua ira, pois sua ira estava acesa contra eles, jurou que enquanto estivessem no deserto não entrariam para o seu descanso, descanso esse que é a plenitude de sua glória. Portanto, tirou Moisés do meio deles, como também o Santo Sacerdócio; E o sacerdócio menor continuou, sacerdócio esse que contém a chave do ministério de anjos e do evangelho preparatório; Evangelho esse que é o evangelho do arrependimento e do batismo e da remissão de pecados e a lei dos mandamentos carnais, que o Senhor, em sua ira, fez com que continuasse na casa de Aarão, entre os filhos de Israel, até João, a quem Deus levantou, sendo cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe.” ¶
Depois do que disse: ¶
Ao levantar-me para me dirigir a esta vasta congregação nesta manhã, confio que possa ter a assistência do Espírito de Deus, para que eu seja capaz de falar com clareza e com voz distinta, de modo que todos possam ouvir as coisas apropriadas a nós na presente ocasião. Naturalmente, alguém se retrai diante da tarefa de dirigir-se a uma audiência tão grande. Isso exige um grande esforço físico; além disso, é um trabalho sério tentar ensinar e instruir o povo nas coisas de Deus. Eu não tentaria fazê-lo se não esperasse ter Sua ajuda. Mas o povo veio se reunir nesta manhã para ser alimentado, para que lhe fosse ministrado o pão da vida. Este é o nosso privilégio. Acreditamos nisso, e me regozijo por estar identificado com um povo que tem essa fé. ¶
Quando penso na grande mudança que se operou na terra na última metade de século com respeito à fé em Deus e às manifestações do poder de Deus, sinto-me extremamente grato, e mais especialmente porque eu e minha família estamos identificados com o povo que tem essa fé. ¶
Há cinquenta e três anos, o mundo religioso ficou horrorizado com as ideias apresentadas pelo Profeta Joseph Smith e por aqueles associados com ele. ¶
Dezoito séculos haviam decorrido desde os dias do Salvador e Seus Apóstolos, e durante a maior parte desse tempo nenhuma voz dos mundos celestiais havia sido ouvida pelo homem — ao menos essa era a afirmação feita pelo povo religioso daquele tempo. Um profundo silêncio prevalecia. Não houvera voz de Deus. Não houvera manifestações do Filho de Deus. Não houvera visitação angélica. O silêncio era profundo, absoluto e ininterrupto, tanto quanto se todos os meios possíveis de comunicação entre Deus, Jesus, as hostes angelicais e o homem sobre a terra tivessem sido inteiramente cortados. ¶
Joseph Smith, inspirado por Deus, apareceu e declarou que Deus vivia. Eras haviam se passado e ninguém O tinha visto. O fato de Ele existir era como uma tênue tradição na mente do povo. O fato de Jesus ter vivido era apenas suposto ser verdade porque mil e oitocentos anos antes homens O tinham visto. O fato de os anjos existirem baseava-se no conhecimento de que homens haviam registrado isso mil e oitocentos anos antes. O caráter de Deus — se Ele era um ser pessoal, se Seu centro estava em toda parte e em parte nenhuma, e Sua circunferência em toda parte — eram assuntos de especulação. Ninguém O tinha visto. Ninguém tinha visto alguém que O tivesse visto. Ninguém tinha visto um anjo. Ninguém tinha visto alguém que tivesse visto um anjo, e tudo o que se sabia a respeito dos anjos era o que havia sido registrado neste livro [a Bíblia]. É de admirar que os homens estivessem confusos? Que houvesse tal variedade de opiniões a respeito do caráter e do ser de Deus? Anjos eram pintados com asas — metade ave e metade homem, ilustrando com perfeição as noções absurdas que se haviam gerado na mente dos homens a respeito desses seres. Como poderia ser esperado que fosse diferente? Mas Joseph Smith, como eu disse, surpreendeu o mundo. Este ficou horrorizado com a declaração que ele fez e com o testemunho que prestou. Ele declarou que tinha visto a Deus. Declarou que tinha visto a Jesus Cristo. Declarou que tinha visto anjos, que tinha ouvido as vozes deles, que estes lhe haviam comunicado verdades divinas. Era algo inteiramente inaudito; e por ter feito essas declarações, foi ele considerado digno de morte? É uma coisa das mais maravilhosas, quando se contempla isso, que houvesse sido encontrado um homem que, depois de dezoito séculos de incredulidade e descrença, tivesse fé suficiente para buscar a Deus e obter revelação Dele — que se tivesse encontrado um homem que tivesse força suficiente e poder de Deus suficiente para fazer um afastamento tão grande a ponto de crer que seria possível a Deus revelar-Se ao homem. Todas as perseguições que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias suportou nos primeiros dias deveram-se ao fato de terem prestado testemunho dessa grande e importante verdade, de que Deus vivia, de que Deus era um Deus de revelação, e de que Deus havia comunicado uma vez mais Sua mente e Sua vontade a Seus filhos. ¶
Depois dessa revelação, a fé começou a crescer na mente e no coração dos homens. A especulação a respeito do ser de Deus cessou entre aqueles que receberam o testemunho de Joseph Smith. Ele testificou que Deus era um ser de corpo, que Ele tinha um corpo, que Ele tinha partes, que o homem foi feito à Sua semelhança, que Jesus era a exata contrapartida do Pai, e que o Pai e Jesus eram duas personagens distintas, tão distintas quanto um pai terreno e um filho terreno. Testificou também que os anjos não tinham asas, que eram homens que haviam guardado seus convênios com o Pai e com o seu Deus, e que haviam sido exaltados, por meio da obediência aos mandamentos de Deus, àquela condição em que podiam habitar em Sua presença e tornar-se Seus ministros. Aos poucos essa fé cresceu até que há milhares e milhares que a receberam e nela creem, que sabem por si mesmos a respeito de Deus, a respeito de Jesus Cristo, a respeito de Seu Evangelho e do plano de salvação; e a fé que outrora existiu foi restaurada à terra, e começou a crescer e a aumentar no coração dos filhos dos homens. ¶
Não somente a fé nas manifestações espirituais cresceu no coração dos Santos dos Últimos Dias, mas algo de caráter semelhante cresceu também no meio do mundo. O pêndulo que havia oscilado numa direção, na direção da extrema incredulidade, da extrema descrença, a respeito de tudo o que fosse de caráter espiritual, depois da organização desta Igreja, depois da restauração do Evangelho eterno em sua pureza e poder antigos, o pêndulo, digo, que havia oscilado a tal extremo numa direção, começou a oscilar na direção oposta, na direção da credulidade, e da disposição de aceitar algo que pudesse ser atribuído a uma origem espiritual. Uns quinze ou dezesseis anos depois de esta Igreja ter sido organizada, o espiritismo começou a aparecer, e milhares e milhares de pessoas estavam prontas a aceitar tudo o que qualquer charlatão escolhesse apresentar-lhes como resultado de manifestações espirituais, até que toda a nação dos Estados Unidos, bem como algumas nações da Europa, foram enganadas pelas mais extraordinárias declarações e ideias apresentadas por esses charlatães. Os homens, em alguns lugares, estão hoje bastante dispostos a crer em tudo o que se apresenta sob a forma de espiritismo. Toda sorte de histórias tem sido contada. Toda espécie de poderes tem sido manifestada. Mesas têm sido inclinadas. Não posso tentar descrever os muitos tipos de manifestações que têm ocorrido entre os homens. Mas a mesma disposição de aceitar a verdade, a mesma relutância em aceitar o Evangelho e as bênçãos e dons de Deus, tem continuado a se manifestar, e essa crença ou credulidade a respeito do espiritismo não teve nenhum efeito favorável sobre o povo no sentido de fazê-lo aceitar a verdade tal como ela é. ¶
Ora, há um poder, e somente um poder — como li a vocês neste trecho desta revelação — por meio do qual a piedade e o poder de Deus e os dons de Deus podem ser manifestados com algum grau de segurança — isto é, por meio do Sacerdócio do Filho de Deus. Tirem essa autoridade do meio dos homens, e eles ficariam precisamente na mesma condição em que o mundo se encontrava na época dessa revelação a Joseph Smith. ¶
Embora Joseph Smith, como já disse, tenha tido a permissão, em sua meninice, de contemplar o Pai e o Filho, tenha sido ministrado por santos anjos, ele não — e este é um fato muito notável e digno de nota — ele não, por causa dessas coisas, dessas visões gloriosas que teve, tentou exercer autoridade alguma como servo de Deus na administração das ordenanças do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Sua conduta neste aspecto destaca-se em contraste notável com a conduta de homens, centenas dos quais, por terem recebido em algum momento a impressão de que deveriam pregar o Evangelho, assumem esse santo chamado sem nenhuma outra autoridade além de uma mera impressão em sua mente. Ele absteve-se de fazer algo desse tipo. Esperou o bom prazer de Deus. E quão consistente foi isso! Quão em harmonia — agora vemos isso à luz da experiência e do conhecimento — com a vontade e o plano de Deus, que ele assim esperasse, e que um santo mensageiro fosse enviado com a autoridade do alto para impor as mãos sobre ele e restaurar à terra por seu intermédio o Sacerdócio eterno, por cuja administração os dons e bênçãos e o poder de Deus haviam sido manifestados nos dias antigos. ¶
Joseph Smith esperou pacientemente por anos, até o tempo devido do Senhor, quando Ele enviaria um mensageiro celestial, e Ele enviou João Batista. João detinha, nos tempos antigos, a autoridade para batizar para a remissão dos pecados, e detinha as chaves — tendo-as herdado de seu grande ancestral Aarão, do Sacerdócio Aarônico, que Aarão detinha, e que autoridade seus descendentes exerceram entre os filhos de Israel, até os dias de João, que foi chamado o Batista. Este João, disse Jesus, foi um profeta do qual nenhum maior jamais nascera de mulher. Ele foi um homem poderoso, e distinguiu-se acima de todos os homens sobre a face da terra por isto, que Deus o escolheu para ser o instrumento de batizar Seu Filho Jesus Cristo nas águas do Jordão. Ele foi uma personagem única a este respeito. João foi decapitado, como sabemos, para satisfazer os sacerdotes e a disposição assassina de uma mulher perversa. Quando morreu, detinha as chaves do Sacerdócio Aarônico — esse Sacerdócio, como já disse, que derivou de seu grande ancestral Aarão, irmão de Moisés. Levou consigo essa autoridade, e não havendo esta sido concedida desde seus dias até os dias de Joseph Smith, tornou-se seu direito legítimo, quando a autoridade devesse mais uma vez ser restaurada à terra, vir e conferi-la. Assim fez. Impôs as mãos sobre Joseph Smith e Oliver Cowdery, e os ordenou à autoridade que ele próprio detinha. Conferiu-lhes as chaves do Sacerdócio Aarônico, que ele exercera enquanto na carne. Quando esses homens foram assim ordenados, tiveram então o direito, que exerceram por mandamento de Deus, de batizar-se mutuamente, e de batizar outros que estivessem dispostos a arrepender-se de seus pecados, para a remissão dos pecados. ¶
Mas isso não era tudo. Algo mais era necessário. Este Sacerdócio superior, do qual li — este Sacerdócio maior, que detém as chaves dos mistérios do reino dos céus, as chaves do conhecimento de Deus — este Sacerdócio maior ainda estava reservado. João não o possuía. “Eu, na verdade,” diz ele, “vos batizo com água para arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” João não tinha aquela autoridade. Mas Jesus a detinha. E Jesus a havia conferido a Seus Apóstolos, três dos quais eram proeminentes entre os Apóstolos — um como Presidente, e os outros dois Conselheiros associados a ele — Pedro, Tiago e João. Estes três detinham as chaves deste Sacerdócio maior, que haviam recebido do próprio Filho de Deus. Vieram, como testificou Joseph Smith, e impuseram as mãos sobre sua cabeça, e conferiram-lhe as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque, o Sacerdócio superior, o Sacerdócio que é segundo a ordem do Filho de Deus. Esta autoridade foi conferida mais uma vez aos homens pela administração desses seres celestiais que haviam sido enviados por Deus, o Pai Eterno, para restaurá-la mais uma vez à terra. ¶
Portanto, esta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está sozinha. Está inteiramente desligada de toda outra organização sobre a face da terra. Não extrai seu poder de nenhuma organização existente. Não deriva sua autoridade, não deriva seu Sacerdócio de nada que exista entre os homens; mas, afirmando que a Igreja havia caído, que a autoridade do Santo Sacerdócio havia sido tirada da terra e retirada para Deus nos céus, por causa da maldade dos homens ao matar aqueles que detinham este Sacerdócio, era eminentemente próprio e consistente que, quando fosse mais uma vez restaurada à terra, o fosse a partir dos céus pela administração de santos anjos. ¶
O tempo não me permitirá deter-me longamente sobre os resultados do que ocorreu desde então. Mas posso dizer isto, que uma nova ordem de coisas começou na terra a partir do dia em que Joseph Smith foi ordenado, e do dia em que esta Igreja foi organizada. Mais uma vez a Igreja foi organizada, tendo dentro de si toda a antiga autoridade — o apostolado, o Sacerdócio, os dons, as graças, as bênçãos que caracterizavam a Igreja de Cristo no dia em que ela estava sobre a terra. Nada faltava. O mesmo poder, as mesmas bênçãos, os mesmos dons, a mesma união, o mesmo amor, o mesmo testemunho da parte daqueles que haviam recebido essas ordenanças, até que hoje temos nestes vales de montanhas um povo que é a exata contrapartida, em cada detalhe, daquela Igreja primitiva que Cristo e Seus Apóstolos organizaram sobre a terra. Toda natureza distintiva, toda característica, todo poder, toda ordenança que aquela Igreja possuía é reivindicada e possuída por esta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e os mesmos frutos, as mesmas características, as mesmas bênçãos, a mesma união, o mesmo poder acompanham a administração de suas ordenanças, e seguem seus crentes em toda a sua vida e em todas as suas operações. Vão com os missionários dela às terras mais remotas, e vocês os encontrarão como os exatos seguidores dos discípulos de Jesus, que estiveram com Ele na carne. Viajaram eles sem bolsa nem alforje? Assim fazem os Élderes da Igreja nestes últimos dias. Exerceram eles fé diante de Deus, para que seu caminho lhes fosse aberto? Assim fazem os Élderes nestes últimos dias. Batizaram eles crentes arrependidos para a remissão de seus pecados? Assim fazem os Élderes nestes últimos dias. Prometeram eles aos crentes arrependidos que foram batizados que receberiam o dom do Espírito Santo? Assim fazem os Élderes que saem nestes últimos dias. A mesma promessa, o mesmo dom, o mesmo poder que foi prometido antigamente é novamente prometido, e, o que é ainda melhor, é novamente concedido e desfrutado por aqueles que se habilitam a receber este precioso dom. Impuseram eles as mãos sobre os enfermos para a restauração de sua saúde? Assim fazem os Élderes nestes últimos dias; e os enfermos são curados; e o poder de Deus se manifesta entre os homens como não se manifestava havia muitos séculos. Encontraram eles, quando organizaram uma Igreja, um povo cheio de união e amor, amando-se uns aos outros e dispostos a praticar atos de bondade uns para com os outros, e pensando mais em seus irmãos do que em si mesmos? Assim fazem os Élderes nestes últimos dias ao organizar ramos da Igreja, e o mesmo espírito acompanha seus trabalhos e resulta de suas administrações em toda terra — não apenas em terras cristãs, mas em terras pagãs, e entre os nativos de nossas florestas e de nossas montanhas. Onde quer que estes Élderes vão, vão acompanhados pelo poder de Deus. Este repousa sobre o povo que recebe suas palavras, e eles se enchem do Espírito Santo, e seus corações se unem em união e amor, o que não se pode encontrar em nenhum outro lugar sobre a face da terra — Deus, dessa maneira maravilhosa, prestando testemunho dos trabalhos de Seus servos e de sua palavra, e cumprindo suas promessas ao conceder esses dons a todas as raças, a todos os homens que se submetem ao Evangelho que eles pregam. Não há uma única característica que a Igreja antiga possuísse que não se manifeste em nossos dias na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A mesma perseguição à Igreja, o mesmo ódio, a mesma inclinação a derramar o sangue de homens e mulheres inofensivos e inocentes, a expulsá-los de seus lares e a tratá-los com a mais extrema crueldade sob acusações infundadas e falsas representações — essa característica também não falta. Ela segue a Igreja. Segue os Élderes da Igreja aonde quer que vão. Podem ser tão puros quanto anjos — na medida em que é possível a seres terrenos sê-lo — no entanto são seguidos por essa maré de falsidade, de calúnia, de falsa representação, e também pela mesma disposição de matá-los, de derramar seu sangue; e Profetas foram mortos em nossos dias, o sangue de apóstolos foi derramado em nossos dias, o sangue de discípulos e Santos manchou a terra em nossos dias pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus. Não falta uma única característica; e hoje esta Igreja está de pé como um testemunho vivo aos olhos de todas as nações, de que Deus de fato restaurou o Evangelho eterno, de que Deus de fato falou mais uma vez dos céus, de que Ele de fato restaurou o Sacerdócio eterno, por cuja administração todas essas bênçãos vieram de maneira tão notável aos homens. ¶
Considerando a era de incredulidade que tivemos, considerando as tradições que herdamos, é maravilhosa a fé que tem sido manifestada por este povo chamado Santos dos Últimos Dias. Quando observo isso de certo ponto de vista, fico surpreso com o que testemunho. Os pais deste povo não tinham fé em nada desse tipo. Imbuídos das tradições que prevaleciam por toda a Cristandade, criam que os céus estavam selados, que todas as comunicações haviam cessado entre Deus e o homem, e que tudo o que tínhamos para depender era este livro [a Bíblia] para o conhecimento de Deus. Esta era a tradição incutida na mente de nossos antepassados, até se tornar uma crença cristalizada. Uma das coisas mais difíceis de fazer os homens crer, quando esta Igreja foi organizada pela primeira vez nestes últimos dias, era que seria possível a Deus falar, que seria possível a anjos virem à terra, que seria possível aquele poder ser manifestado mais uma vez. Todas essas coisas estavam associadas, na mente dos homens, à impostura. Um homem que fizesse tal afirmação era imediatamente acusado de ser um impostor, e de tentar enganar alguém. ¶
Esta Igreja tem feito seu progresso, apesar dessa incredulidade cristalizada, que tem sido como um muro de diamante diante de nós, cerceando nosso caminho, barrando nosso progresso no meio da família humana. Os homens ouviam e depois se afastavam com escárnio ao ouvir uma declaração da verdade. No entanto, apesar disso, ela tem um ponto de apoio na terra. E qual é o resultado? Uma geração está crescendo nestas montanhas, cheia da antiga fé, em certa medida livre das tradições de seus pais. Meus filhos, espero, terão mais fé do que eu, assim como eu tive mais fé do que meu pai. Fui treinado nesta fé. Meus filhos, confio, terão mais fé do que eu, e os filhos da geração presente terão mais fé do que seus pais, por esta razão, que estamos nos esforçando por incutir em sua mente esta fé; nos esforçando por promovê-la; nos esforçando por fazê-los crer que Deus é um Deus de revelação, que Deus não está distante, que Ele não está remoto, mas que Ele está próximo; nos esforçando por fazê-los crer que Deus responderá à oração, e vocês podem imaginar qual será o resultado. Todo jovem que sai — como no caso de nossos rapazes, que estão constantemente saindo — sai sem bolsa nem alforje. Qual é o resultado? Eles têm de buscar a Deus. Se querem um par de calças, têm de pedir a Deus que os consiga. Se querem uma refeição, têm de exercer fé nesse sentido. Ao enviar meus filhos para pregar o Evangelho, ou ao deixá-los ir, eu não lhes daria um dólar sequer para a viagem; e, já que estou sobre este assunto, direi que o pai que dá dinheiro a seus filhos para irem pregar o Evangelho lhes faz o maior mal que pode fazer. Eu não o faria mesmo que tivesse milhões à minha disposição. Não lhes daria um dólar. Deixem-nos sair e buscar a Deus, e obter conhecimento de Deus, por meio da fé e de poderosa oração. Quando um homem está com fome; quando um homem está sem amigos; quando um homem não tem lugar para dormir, ele, se crê em Deus e em Seus dons, certamente irá a Ele e lhe pedirá que lhe forneça o que necessita, e, quando suas orações forem respondidas, terá maior fé na próxima vez. Quando ele impõe as mãos sobre os enfermos e estes são curados, terá maior fé na próxima vez para ir e administrar aos enfermos, e, dessa maneira, a fé está crescendo e aumentando no meio dos Santos dos Últimos Dias, e o poder da piedade está se tornando cada vez mais manifesto. Mas estamos longe de ser o que deveríamos ser. ¶
Não tenho tempo para me deter mais nessas coisas. Gostaria de falar sobre assuntos correlatos; mas o tempo está passando e agora estou ultrapassando meu limite. ¶
Oro a Deus que os abençoe, que os encha do Espírito Santo, e que os ajude a buscar a Deus com maior fé; oro para que Ele os ajude a afastar seus pecados, e a guardar Seus mandamentos perfeitamente, para que possam receber as bênçãos que Ele tem reservadas para todos os fiéis, o que peço em nome de Jesus. Amém. ¶