Algumas Perguntas que Todo Santo dos Últimos Dias Pode Responder por Si Mesmo — Os Frutos do Espírito — O Uso Correto das Riquezas — Nenhuma Comparação entre a Riqueza Terrena e as Riquezas Eternas — O Princípio Não Deve ser Sacrificado pelas Riquezas — Consagração — Satanás Repreendido — Devemos Cultivar os Frutos do Espírito — A Obra de Deus, Sempre Adiante e Para Cima — O Destino Daqueles que Sacrificam o Princípio no Altar da Cobiça — Conclusão
Moses Thatcher
O pensamento frequentemente me ocorre: somos, como povo, honestos e sinceros nas profissões que fazemos? Provamos, por nossos negócios, nossos atos e nossas conversas, que cremos sinceramente em todos os princípios do Evangelho que temos estado dispostos a pregar a outros; ou, às vezes, em nossa fraqueza, pregamos uma coisa e praticamos outra? Manifestamos mais os frutos da carne do que os do espírito? Manifestamos maior amor pelas coisas deste mundo, e pelas honras dos homens, do que pelas riquezas eternas e pela honra de Deus? Estas são perguntas que todo Santo dos Últimos Dias deveria poder responder por si mesmo. ¶
Somos exortados por Paulo a estar firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e a não tornarmos a colocar-nos debaixo do jugo da servidão. O propósito que o Senhor tinha em vista ao nos reunir nesta terra reflete-se, ao menos em parte, nesta linguagem de Paulo, a saber: que possamos santificar o corpo desenvolvendo os frutos do espírito. Honestidade e sinceridade são frutos do espírito; ser fiel a Deus e uns aos outros são manifestamente frutos do espírito; a pureza de pensamento e ação é fruto do espírito. Injustiça, iniquidade, desonestidade, intemperança, impureza, insinceridade e hipocrisia são frutos da carne. Todas essas coisas se manifestam, às vezes, no amor indevido do homem pelas coisas do mundo, e em seu desprezo pelas coisas de Deus. Aqueles que vivem para as riquezas eternas são ponderados, dedicando tempo, reflexão e estudo à palavra de Deus; são as pessoas que desejam que o Senhor as examine e as prove, e conheça seu coração, e veja se há nele alguma iniquidade. Vê-se a verdadeira religião manifestada em tais pessoas por sua atenção aos enfermos, por seu cuidado com o órfão e a viúva; vê-se que são amigos dos pobres de Deus. Vê-se que se opõem à opressão em qualquer forma, opõem-se às usurpações dos que fariam mal ao povo. Vê-se que exortam o povo a obras de retidão, não apenas pelo preceito, mas também pelo exemplo. Vê-se que, como Élderes da Igreja, estão dispostos a ir aos confins da terra para pregar o Evangelho no estrangeiro, ou a dedicar seu tempo e talento à educação da juventude em casa. São sinceros e dedicados; vivem na luz do Espírito, sem duvidar dos princípios da verdade eterna. Não estão cheios de dúvida e apreensão, mas cheios de fé e boas obras. Desejam ver o povo avançar e prosperar, assegurando riqueza temporal enquanto buscam com afinco obter as riquezas maiores, as riquezas da eternidade. São eles que apreciam a autoridade e o poder do Sacerdócio, a eficácia da oração, pela qual os enfermos são curados. Ser instrumentos dignos nas mãos de Deus, ministrar em Seu nome, é mais gratificante para eles do que as riquezas do mundo. ¶
Durante o curto tempo em que talvez fale, desejo dirigir minhas observações especialmente aos jovens quanto a este ponto, pois aqui, como em outros lugares, estamos sujeitos a leis que produzem mudanças constantes. Hoje, os Santos dos Últimos Dias estão muito mais prósperos nas coisas deste mundo do que estavam há alguns anos; e é certo e apropriado que assim seja. O Senhor deseja conceder essas coisas a Seu povo. Não há mal algum na posse de riquezas devidamente adquiridas; não há mal algum na riqueza. Deus criou as riquezas da terra; Ele criou a capacidade da mente, o intelecto e as faculdades do homem, que o capacitam a acumular riquezas. Mas o amor às riquezas é perigoso. O amor excessivo pelas coisas do tempo tem levado os homens, em todas as épocas, a esquecer seu Deus, e a se entregarem a coisas em que não há proveito algum. Isto é o que nós, como indivíduos e como povo em geral, devemos evitar. O amor excessivo às riquezas, um desejo antinatural de acumular fortuna à custa do sacrifício do princípio — e à custa dos pobres honestos e merecedores de Deus — produz um abismo de separação sobre o qual a pregação jamais poderá lançar uma ponte. Devemos compreender que Deus, sendo o Pai de todos nós, ama o pobre humilde e merecedor tanto quanto ama o rico que seja igualmente digno. Devemos compreender que todos são amigos e irmãos igualmente, se igualmente dignos, capazes de se aproximar do trono de Deus. ¶
Tenho ouvido, recentemente, expressões de alguns jovens no sentido de que: "A teoria do Evangelho está toda certa, e, embora seja bela, não podemos negar o fato de que, mesmo em Israel, há grande poder na riqueza." Claro que há. Sempre houve, e provavelmente sempre haverá, porque a posse de riqueza produz poder. Vemos isso manifestado por toda parte, na história de toda nação; mas, quando contrastamos o poder da riqueza terrena com o das riquezas eternas, não pode haver comparação, sendo uma transitória, a outra eterna; uma se mede pelo tempo, a outra pela eternidade. Um homem pode ser verdadeiro e honesto diante do Senhor, e, ainda assim, ser rico nas coisas deste mundo. Deus teve, no passado, servos que eram ricos, e, contudo, tão dedicados quanto qualquer outro poderia ser. Abraão, Jó e Davi, por exemplo. É verdade que a subsequente queda deste último talvez possa ser atribuída, em certa medida, às indulgências e aos luxos resultantes de seu uso da riqueza. Mas sustento que as riquezas da terra pertencem ao Senhor, e Ele pode conferi-las a quem Lhe aprouver, e será de Seu bom agrado conferi-las a Seu povo quando estiver em condição apropriada para recebê-las e usá-las para Sua honra e glória. Mas é um erro que nossos jovens imaginem que seja melhor deixar de lado a obra de Deus, recusar-se a ir em missões, trabalhar no ministério em casa, ou servir como instrutores nas Escolas Dominicais — é um grande erro, e vou dizer-vos por quê. As riquezas, a menos que tenham sido adquiridas sob a aprovação de Deus, não produzirão felicidade. A posse de riquezas pode dar influência, poder, fama, adulação, mesmo entre nós, mas, a menos que aqueles que as possuem sejam homens de Deus, a menos que sejam homens de fé, crendo no sangue expiatório de Jesus, a menos que creiam no Sacerdócio de Deus, e em seu direito de dirigir tanto em assuntos espirituais quanto temporais, não são felizes, não possuem as riquezas que os guiarão com segurança, através do véu, até a presença de Deus. Podem crer em todas as ordenanças em que creem os homens fiéis; podem ter suas esposas seladas a eles sobre o santo altar de Deus; podem ter seus filhos casados segundo o novo e eterno convênio; podem comparecer às reuniões de conferência; pagar seu dízimo; e, finalmente, consagrar todos os seus bens; mas, se seu coração não estiver convertido, se não estiverem livres com a liberdade com que Cristo uma vez os libertou, se voltaram à servidão do mundo, perderam sua oportunidade de ouro. Assim como morrem sem fé, assim ressuscitarão sem fé. Se foram infiéis ao princípio, tardos para ouvir, se seu coração se endureceu, e lutaram, secreta ou abertamente, contra os princípios do Todo-Poderoso, quando despertarem por detrás do véu, descobrirão que, em seu amor pelas coisas deste mundo, perderam aquilo que talvez leve eras para recuperar. ¶
Presto meu testemunho de que essas coisas são verdadeiras. E, embora haja homens ricos nesta Igreja a quem respeito e que creio serem homens bons, ainda assim é coisa perigosa que nossos jovens concebam a ideia de que devem sacrificar o princípio no altar da conveniência, e serem hipócritas a fim de promover seus interesses e exercer a influência e o poder da riqueza no meio deste povo — tal ideia é perigosa, e é algo contra o qual nós, como Élderes em Israel, devemos nos precaver. Dai-me a influência, dai-me a fé e as orações de um homem que está disposto a ir aos confins da terra por amor de Cristo, e que tem em si virtudes de cura, poder para consolar, abençoar e curar os enfermos, consolar os quebrantados de coração e conduzir à vida eterna, em vez da influência de qualquer homem sem essas qualidades, ainda que seja tão rico quanto Jay Gould. É correto e apropriado usar a riqueza deste mundo para embelezar Sião, para o benefício daqueles dignos que dela necessitam — para a viúva e o órfão, e para o benefício das indústrias honestas e dos pobres retos que precisam de assistência. Um homem deveria estar tão disposto a administrar recursos para o bem de todo o povo quanto para si mesmo, na mesma capacidade. A mesma energia deveria ser demonstrada num caso como no outro. Deveríamos aprender a fazer pelo povo de Deus aquilo que estamos ansiosos por fazer por nós mesmos. Deveríamos aprender que o Espírito e o poder de Deus conduzirão a toda retidão, mas que um homem não pode ser desonesto e desfrutar desse Espírito; que não pode monopolizar as vias naturais da riqueza, privando o pobre de seus direitos, e desfrutar do espírito que vem do céu. A cobiça, com frequência, empurra os homens além da aquisição legítima, até o roubo respeitável. Se há tais homens em nosso meio, quando vierem as provações, quando se aproximarem os dias sombrios, haverá tremor na medula de seus ossos; e a fé diminuirá à medida que a riqueza mal adquirida aumentar; e, ao chegarem a seu fim, a escuridão estará diante de seus olhos, temerão as coisas que estão além do véu; sua fé vacilará; não saberão se o sangue expiatório de Jesus Cristo alcançará além da sepultura ou não, mas, se alcançar, não saberão se serão capazes de estar diante de Deus sem se envergonhar. Presto-vos meu testemunho de que os homens que se dedicam às riquezas deste mundo, à custa do sacrifício do princípio, ressuscitarão, na ressurreição, pobres, miseravelmente pobres! Estarão em maior pobreza do que os mais pobres em toda a Casa de Israel. ¶
Melhor seria pensarmos nas revelações de Jesus Cristo. Já falamos um pouco sobre a cooperação no passado. Já aludimos, algumas vezes, à consagração. Ouvi uma história a respeito de um irmão em Farmington, há alguns anos. A questão de reunir os Santos pobres da Inglaterra surgiu numa reunião noturna. O irmão tinha duas vacas, e doou uma para o propósito mencionado. A caminho de casa, um espírito de trevas lhe disse: "Foste muito tolo. Deste uma das duas vacas que possuías, enquanto o Irmão Fulano, homem muito mais rico do que tu, deu apenas cinco dólares. Ora, fizeste algo errado, algo tolo." E assim este irmão foi tentado, até que se voltou e disse, como que se dirigindo a Satanás: "Se não cessares de me tentar, voltarei ao Bispo, e lhe darei a outra também." [Risos.] Ora, é exatamente assim que sinto. Se, em algum momento, o Senhor me abençoou com recursos, e sou tentado a não fazer o que devo, por causa das ações de outros, espero sempre, quando tentado, sentir-me impelido a aproximar-me do Senhor e pedir Sua ajuda. Preferiria dar tudo o que tenho — e não é muito — e ser como um índio, vestido apenas com um cobertor, e ser aceitável ao Senhor, do que estar vestido de veludo e cercado de riquezas, sentindo que minhas orações jamais foram ouvidas pelo Todo-Poderoso. ¶
Não há razão para que não possamos ter todos os frutos do Espírito em nosso meio. Não há razão para que não possamos ter os dons e as bênçãos do Evangelho. Uma circunstância um tanto maravilhosa chegou recentemente à minha observação pessoal. Um menininho foi lançado violentamente de um cavalo, sua cabeça batendo no chão duro com grande força, causando severa concussão cerebral. Chamaram o médico, e também os Élderes. Os olhos do pobre menininho estavam fixos e vidrados; todos ficaram grandemente alarmados, pois o caso era sério, dizendo o médico que evidentemente havia coágulo de sangue no cérebro; o lado direito estava paralisado; o pulso quase imperceptível. Ele teve convulsões enquanto os Élderes o abençoavam, e muitos dos presentes acreditavam que ele estava morrendo, mas a garra da morte foi quebrada pelo poder da fé. A incredulidade foi repreendida, e a saúde e a razão foram rapidamente restauradas. Na manhã seguinte, o menino corria pelos cômodos, sem dor alguma na cabeça! Digo que o dom de curar, pelo poder de Deus, existe na Igreja, e poderia ser muito mais prevalente se vivêssemos para tanto. ¶
Presto meu testemunho, em conclusão, de que esta é a obra de Deus. Sei que seu destino é adiante e para cima; quaisquer mentiras que se tramem, quaisquer poderes que se combinem para retardar seu progresso, Deus, por fim, a fará a cabeça, e não a cauda. Há rapazes crescendo nestas montanhas que hão de aprender a amar tanto a liberdade, e hão de desejar tanto ver toda a humanidade livre, que manterão os princípios de nossa constituição nacional e todos os princípios justos, e convidarão os oprimidos de toda terra e clima a desfrutar das liberdades que Deus manterá em Seu Reino — a liberdade com que Cristo os libertará. ¶
Por outro lado, presto meu testemunho de que os homens que, dentro ou fora da Igreja, sacrificam o princípio no altar da cobiça, que roubam os ganhos dos pobres honestos, que monopolizam as vias do comércio para a opressão do povo honesto de Deus, hão de despertar além do véu decepcionados, infelizes, pesarosos e condenados. Serão condenados na medida em que Deus tornará sua mente tão viva que verão o passado, e compreenderão o futuro. Compreenderão plenamente que, talvez em um breve espaço de poucos anos, sacrificaram oportunidades, e abriram mão de chances pelas quais poderiam ter se tornado reis para o Deus Altíssimo, e salvadores no Monte Sião; que renderam todas essas bênçãos pelo amor de si mesmos, pela honra dos homens, pelas riquezas mundanas; e o testemunho das viúvas e dos órfãos se erguerá contra eles diante dos olhos do Senhor, e eles o verão e o compreenderão, e, na percepção de sua grande perda, sentirão que foram condenados. ¶
Oro para que sejamos fiéis e verdadeiros à nossa religião, e para que tenhamos a orientação e a inspiração do Altíssimo. Tenho pena de um homem que não tem inspiração alguma. Tenho pena de qualquer grupo de homens que procure, em sua ignorância e cegueira, retardar o progresso do Reino de Deus. ¶
Há um dia de profunda provação para aqueles que amam as coisas deste mundo mais do que amam as coisas de Deus. Se há tais pessoas entre nós, espero e oro sinceramente que o Espírito de Deus repouse sobre elas, que vejam o erro de seu caminho, se arrependam, voltem-se para o Senhor, e sejam salvas. Amém. ¶