Uma Comparação — A Ira do Homem Convertida em Louvor a Deus — A Queda do Senador Edmunds — O Destino Daqueles que se Opõem à Obra de Deus — A Perseguição pela Religião é Inútil — O Caso dos Huguenotes — Intemperança — Estatísticas Alarmantes — A Bebida, Causa de Outros Males — Apelo aos Santos
Moses Thatcher
Sinto-me, de fato, muito grato pelas circunstâncias felizes e pacíficas em que nos encontramos hoje, e não posso deixar de perceber quão diferentes são das que nos cercavam há um ano. A pressão do mundo exterior, naquela época, era muito grande, e o poder daquele que tem sido opressor desde o princípio foi exercido por toda esta nação para o dano da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Mas, quando os perigos têm ameaçado, aprendemos a apelar para as forças invisíveis do céu contra as forças visíveis da terra, e, em nenhuma época do mundo que eu conheça, o direito jamais deixou de triunfar quando aqueles que o sustentavam eram dirigidos, sustentados e apoiados pelo poder de Deus, nosso Pai eterno. Quando os homens fazem de sua missão especial contender contra esta grande obra, não percebem que Deus é uma força, não conseguem compreender aquele exercício de fé que desvia os dardos de nossos inimigos e nos livra das armadilhas que políticos astutos e sacerdotes iníquos e ímpios armam para enredar o povo. Quão bem me recordo de uma conversa que tive, há cerca de um ano, com um homem muito ponderado, um homem ligado à Igreja, mas que, às vezes, se inclina a ver as coisas de um ponto de vista natural. Foi pouco depois da chegada dos Comissários que vieram a Utah para aplicar as disposições da lei Edmunds. Este irmão não ignorava os esforços que haviam sido feitos por toda a União para assegurar a promulgação dessa e de outras medidas proscritivas, nem ignorava a intenção dos principais políticos do Partido Republicano de forjar correntes com que nos amarrar, ao mesmo tempo em que nos privavam de nossas liberdades. Compreendia muito bem os meios que haviam sido usados; não ignorava as ondas lacrimosas de preconceito que haviam varrido cada Estado da União. Percebendo quais eram as intenções dos iníquos, e compreendendo o poderoso poder de uma nação poderosa, sentiu-se perturbado e desejou saber se algo não poderia ser feito para chegar a um meio-termo na questão; em outras palavras, se não seria possível submeter ao Presidente e ao Gabinete certas propostas pelas quais o povo pudesse ser capacitado a manter seus direitos e liberdades. Não esqueci quais foram minhas reflexões enquanto ouvia seus comentários, e lembro-me da resposta que fui levado a dar. Foi esta: Havíamos sido reunidos dentre as nações da terra. Viemos a estas montanhas para servir a Deus, sem respeito aos pensamentos ou aos votos de outras pessoas. Viemos para cá para manter a liberdade de consciência e a liberdade de culto, as disposições da Constituição de nosso país comum, e não para transigir com elas sob termo algum; que eu não conhecia sabedoria terrena alguma na qual pudéssemos confiar com segurança para manter esses direitos; que, se os assuntos religiosos, políticos e sociais do povo fossem entregues à administração de uma centena dos homens mais sábios, porém não inspirados, que se pudessem encontrar em Sião, eles fracassariam completamente em realizar os propósitos de Deus, ainda que, em seus esforços para agradar aos homens, pudessem sacrificar a liberdade e a liberdade de consciência, violar as disposições sagradas da Constituição, e transformar aqueles a quem procuravam servir em escravos dóceis, indignos das bênçãos que, por direito, pertencem a um povo livre; que a adoção de tal política nos colocaria, dentro de seis meses, numa condição de confusão e miséria tal que somente Deus poderia aliviar nossa aflição; que, por outro lado, se exercêssemos fé nEle, vivêssemos nossa religião, fôssemos orantes e humildes, Ele nos faria sair vitoriosos, como já fizera tantas vezes antes. Não podemos ver como o Senhor tem contido as paixões dos homens e feito com que sua ira O louve? Reflitamos sobre a diferença entre o poder exercido pela grande luz principal do Partido Republicano durante a aprovação do projeto Edmunds no Senado dos Estados Unidos, pouco mais de um ano atrás, e o exercício da influência desse mesmo homem um ano depois. O Senador Edmunds, quando primeiro apresentou seu projeto, era, no Senado, quase supremo. Pelo poder de seu intelecto e pela veemente invectiva de sua língua, governava, por assim dizer, como senhor absoluto, e seu projeto, inconstitucional e injusto, foi aprovado no Senado com pouca oposição. Poucos estadistas se dispunham, então, a medir forças com ele, mas notai os resultados quando Deus o fez, um ano depois. ¶
Teria a fé deste povo mudado? Cremos mais nas leis de Deus em março de 1882 do que em março de 1883? Certamente não. Por que, então, foi o Senador Edmunds incapaz de levar adiante seus pontos de vista e medidas a respeito deste povo neste último ano, como conseguira fazer no ano anterior? Porque Deus é uma força no mundo e em seus assuntos, quer os homens o reconheçam, quer não. Seu poder sempre foi, e sempre será, maior do que o poder do homem. ¶
Os homens podem pensar o que quiserem e escarnecer daquilo que lhes agrade chamar de fanatismo, mas isto eu sei: vergonha e confusão coube ao Senador Edmunds quando, depois de seis horas de vão esforço para forçar a aprovação de outra medida infame contra nós, levantou-se no Senado e confessou que podia ver, pela decisão do presidente da sessão, e pelos votos de seus opositores, que era impossível levar adiante a medida que tinha em mãos, e, portanto, propôs o encerramento da sessão. Foi sua derrota, seu constrangimento e sua vergonha obra da sabedoria do homem? Cremos que não. Estamos dispostos, ao menos, como sempre estivemos, a reconhecer a mão de Deus nessas coisas. Deus não somente tem nas mãos os destinos das nações, mas também tem o destino de cada homem individualmente. Ele pode humilhar aqueles que medem forças com Ele, como já fez muitas vezes no passado. Não tememos o poder, nem nos regozijamos com a queda de homem algum, pública ou privada, mas aprendemos, pela experiência, que, quando se levantam e contendem contra este povo e contra os princípios de liberdade e direito, Deus os marca, e seu curso, daí em diante, não é ascendente, mas descendente. Em março de 1882, quando em Washington, D.C., em companhia de outros irmãos, visitando o Irmão George Q. Cannon, então nosso honrado delegado, lembro-me dos sentimentos expressos por alguns membros do Partido Republicano. Vinham em particular e diziam: "Consideramos este projeto" — referindo-se ao projeto Edmunds — "infame em suas medidas; podemos ver que é inconstitucional, que procura roubar de todo um povo seus direitos políticos. Mas nossa profissão é a política; não temos outro ofício, e numerosas petições chegam aqui diariamente de nossos eleitores, suplicando-nos, ordenando-nos, que aprovemos alguma lei para a supressão do "mormonismo". Ora, que faremos? Se não atendermos às suas exigências, nossos eleitores, nas eleições futuras, nos rejeitarão nas urnas." Não foi um argumento semelhante usado pelos judeus, quando disseram: "Se assim o deixamos, todos crerão nele, e os romanos virão, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação"? Temendo isso, crucificaram-no, e qual foi o resultado? A própria coisa que procuravam salvar foi a que rapidamente perderam. Quando pesados na balança, foram achados corruptos, cruéis, vingativos, assassinos; incapazes de manter princípio, defender a justiça, ou fazer o que sabiam ser certo. Uma disposição para oprimir dominava seu coração, e a tirania marcou seus atos a tal ponto que Deus os rejeitou como povo, espalhou-os aos quatro ventos, e fez deles, no meio das nações, escárnio e provérbio. ¶
Nesse sentido, que qualquer um que se sinta disposto se dê ao trabalho de examinar o Congressional Record, e veja como aqueles que estavam dispostos a sacrificar o princípio no altar de tudo o que era errado, dispostos a sacrificar as liberdades de um povo pobre e oprimido, tiveram seu retorno. Não foram mais de cinquenta por cento deles rejeitados nas urnas? Perguntai aos democratas como isso aconteceu, e por que aconteceu, e eles não vos poderão dizer. Perguntai aos republicanos, e eles não vos poderão dizer. Mas perguntai a Deus, que tem nas mãos os destinos das nações e dos povos, e Ele vos poderá dizer. Por outro lado, examinai o registro daqueles que, sem temor, se levantaram em defesa da liberdade constitucional, mantiveram inviolado seu juramento de posse, sustentaram o direito, e foram fiéis a si mesmos. Eles também sentiram a pressão do sentimento público inflamado por sacerdotes, mas não se curvaram às suas exigências tirânicas. Também perceberam os perigos e riscos que poderiam cercar seus esforços por reconhecimento futuro nas urnas, mas, tendo coragem moral, firmaram-se sobre o princípio, não sobre o preconceito, e seus eleitores, em grande medida, endossaram sua política e sustentaram sua conduta heroica. Se fui corretamente informado, uma porcentagem muito maior daqueles que sustentaram o direito na questão "mórmon" no 47º Congresso foi devolvida ao 48º Congresso, do que daqueles que seguiram a política oposta. Não devemos nutrir temor algum de homens ou de nações, pois não podem impedir o Todo-Poderoso de realizar Seus propósitos, ou de cumprir Seus decretos. A história, até onde pude rastrear, em nenhum lugar registra êxito obtido pelo ódio e pela perseguição sobre homens empenhados em princípio, justiça e verdade. ¶
As convicções dos homens, suas crenças religiosas e suas práticas religiosas justas não podem ser removidas deles pela perseguição. A aproximação mais próxima do êxito nesse sentido foi, talvez, o massacre de São Bartolomeu, na França, no qual setenta mil huguenotes indefesos pereceram miseravelmente, vítimas da malícia e crueldade do catolicismo romano. ¶
Essa chocante carnificina de homens, mulheres e crianças foi consentida por Carlos IX, então Rei da França, e, quando seu aliado, Filipe III da Espanha, dela soube, riu, a única vez que se soube que riu em sua vida. O Papa de Roma iluminou a cidade eterna, mandou cunhar medalhas, celebrar missa, e chamou Carlos de "defensor da fé", em comemoração àqueles hediondos atos de sangue e miséria. ¶
Não obstante a aprovação pontifícia concedida ao rei por aquele setenta-mil-vezes assassinato, ele foi, até sua morte, dia e noite, assombrado pela lembrança de suas vítimas, até que sua miséria e remorso fizeram, dizem, com que gotas de sangue exsudassem pelos poros de sua pele. Por meio dessas crueldades, os huguenotes receberam um golpe terrível, mas a consciência dos homens continuou a afirmar a independência, e o direito de adorar a Deus sem entraves continuou a crescer. A liberdade de que agora desfrutamos é apenas o fruto da luta pelo direito, que a perseguição, por fim, solidificou, uniu e tornou forte, nos alicerces amplos e profundos da nação mais livre da terra; preparando, assim, o caminho para a missão de Joseph, o Profeta. Muitos progressos haviam sido feitos, mas, em assuntos religiosos, Joseph encontrou o povo insincero, e as práticas do mundo cristão inconsistentes e infundadas. Guiado pela luz do céu, desferiu um golpe fatal na adoração idólatra de um Deus sem corpo e sem paixões, que os ensinamentos de falsos sacerdotes haviam erguido na imaginação do povo. Ao fazê-lo, perturbou um mar de malícia que, desde então, não conheceu descanso. Mas, embora esse mar irado possa levantar ferozes ondas de perseguição, o ceticismo, a incredulidade e a hipocrisia sacerdotal hão de ceder, pois Joseph Smith, o Profeta do Todo-Poderoso, veio como precursor e mestre da verdadeira fé em Deus, que não pode ser vencida; ela prevalecerá. O reino de Deus se levantará e brilhará. Dizem que estamos procurando estabelecer um governo teocrático. O que é teocracia? O reino e o governo de Deus. Quem contenderá contra ele — os Santos dos Últimos Dias? Não. É nosso dever contender por ele, e ajudar a edificá-lo. É um governo de pureza. É um governo do povo, e para o povo; mantém a liberdade e o direito, e sempre se opõe à opressão e ao mau governo. Gostaria de me deter sobre o assunto, mas o tempo não permitirá, pois desejo, no momento, abordar outro, de profundo interesse para nós. ¶
Fomos chamados a sair das nações da terra para servir ao Senhor. "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas." Nesse sentido, desejo abordar algumas práticas existentes entre nós que não são agradáveis aos olhos de Deus. A intemperança é uma delas; o uso do álcool, o uso de bebidas inebriantes que fazem o sangue ferver e enlouquecem o cérebro, incitam ao pecado, degradam o homem, destroem seu melhor juízo, expulsam o Espírito de Deus de seu coração, e tornam sua companhia insegura para as filhas de Sião. Qual é hoje a condição das nações cristãs a esse respeito? Duzentos mil homens e mulheres lotam apenas os asilos de pobres, prisões e manicômios da Grã-Bretanha. Setenta e cinco por cento deles, míseras vítimas do alcoolismo. Podemos considerar legítimo e honroso um negócio que priva cento e cinquenta mil homens e mulheres de lares confortáveis, os enlouquece, e os envia, como idiotas balbuciantes e indigentes, aos manicômios e cadeias de uma nação cristã, a qual obtém do tráfico de bebidas uma receita de $150.000.000 por ano, e ainda assim acha essa soma enorme insuficiente para cobrir as despesas decorrentes de seu uso? Não podemos, coerentemente, assim considerá-lo. ¶
Além da devassidão, da miséria, da ruína e da morte causadas pelo uso de bebidas inebriantes, o desperdício na Grã-Bretanha é simplesmente alarmante. Setenta e cinco milhões de alqueires de grão — quantidade igual ao que Utah produziria, à nossa taxa atual de produção, em quarenta anos — são anualmente consumidos ali na fabricação de bebidas. Os habitantes da Grã-Bretanha gastam anualmente com bebidas inebriantes mais de $640.000.000. Durante os últimos sete anos, gastaram para o mesmo fim mais do que suficiente para cancelar sua dívida nacional, ou construir uma nova casa para cada família do reino, e escolas para educar todas as suas crianças. ¶
Se o dinheiro gasto ali com bebidas durante o último meio século tivesse sido investido em títulos a cinco por cento de juros, seria agora igual a toda a riqueza capitalizada da nação, incluindo suas cidades, ferrovias, navios, fábricas, minas, fazendas, campos e jardins. E, contudo, à vista desses números, extraídos de relatórios parlamentares, ouvimos o clamor da carência e as queixas de opressão. Não oprimem as pessoas a si mesmas no uso — no uso excessivo — de coisas que enfraquecem e corrompem seu corpo e escurecem sua mente? ¶
Será a condição de nossa própria nação, a esse respeito, muito melhor? Pouca coisa, se é que alguma. Em 1882, segundo relatórios oficiais, o povo dos Estados Unidos pagou quase o dobro por bebidas do que pagou por pão. Mais do que o valor total dos produtos de todas as nossas fábricas de lã, algodão, botas e calçados. Uma quantia igual a setenta por cento dos salários pagos em todas as instituições fabris do país, durante o mesmo período. Trezentos milhões de dólares, mais do que foi pago em impostos governamentais, estaduais, territoriais, municipais e escolares combinados. Suficiente para educar as crianças de uma nação de 300.000.000, ou seja, seis vezes mais numerosa do que a nossa, no mesmo ano. ¶
A nação consome, em bebidas, o valor de todas as bibliotecas públicas e privadas do país a cada sessenta dias, e gasta anualmente nove vezes mais com bebida do que com impressão e publicação. ¶
Ora, que podemos dizer a respeito do povo de Utah? Em geral, são temperantes, mas há espaço para muito progresso. Aqui, não tenho meios de obter conhecimento exato por estatísticas, mas arrisco a afirmação de que se gasta, mesmo em Utah, mais dinheiro com álcool do que se despende com a educação de nossas crianças, ou com a manutenção do governo territorial. Não gastamos mais meios na compra de estimulantes do que pagamos para sustentar a Igreja e o Reino de Deus na terra? E, ao fazê-lo, não estamos, talvez sem pensar, minando a virtude de nossos rapazes, e a castidade de nossas moças? Não costumam os ébrios e as prostitutas andar de mãos dadas, e os salões de bebida e as casas de má reputação crescer lado a lado? ¶
Se tivéssemos os meios de averiguar os fatos, estou convicto de que descobriríamos que nove em cada dez casos de queda de virtude entre nós poderiam ser atribuídos ao uso e à influência de alguma bebida. Sou levado a essa conclusão por conhecimento positivo de alguns casos tristes que caíram sob minha observação pessoal. Além disso, o amor à bebida é transmissível. Nenhum homem, portanto, pode ser um verdadeiro servo de Deus enquanto lega infortúnio e miséria — talvez decrepitude e idiotia — à sua posteridade. Se algum de nós não consegue controlar seu apetite pela bebida, que ao menos não transmita sua sede como herança a seus filhos, que deveriam ser gerados em pureza, e trazidos ao mundo livres de apetites antinaturais e degradantes que tendem à luxúria da carne. Um homem viciado na intemperança não pode sujeitar-se à vontade de Deus, nem pode governar suas paixões para a santificação de seu corpo, e, falhando nisso, não pode razoavelmente esperar governar outros em retidão para a salvação deles. Como, então, são tais homens dignos de estar à frente de famílias em Sião? Para mim, poucas vistas são mais dolorosas do que ver uma esposa pesarosa curvada sobre a tina de lavar roupa, trabalhando como escrava para sustentar a si mesma e a seus filhos; e, talvez, seu marido bêbado, aquecendo seu corpo miserável e inútil do lado ensolarado dos muros frequentados por outros de sua espécie. Se pudéssemos contemplar, através dos olhos pesarosos, o coração aflito de tais esposas — e há algumas até mesmo em Sião dessa espécie — dificilmente encontraríamos ali uma bênção para aqueles que levam o cálice tentador aos lábios de seus maridos decaídos. É verdade que o tráfico de bebidas, entre os cristãos, é regulado por lei e geralmente conduzido sob licença, mas isso não o torna um negócio honroso, nem, tanto quanto posso ver, de forma alguma restringe os males que decorrem de seu uso. Regular e licenciar a fabricação e a venda indiscriminada de uísque pode, em alguns lugares, ser um mal necessário e inevitável, mas tais leis, como agentes morais e reformadores, certamente provaram ser um fracasso. As crianças pobres e famintas, os homens depravados, e as mulheres arruinadas que visitam todas as noites os palácios de gim de Londres, Liverpool, Nova Iorque, Chicago e outras grandes cidades, falam inequivocamente de fracasso. As prisões lotadas, os asilos de pobres, os manicômios testificam do fracasso. O jogador que recorre à falsificação como meio de recuperar sua fortuna, o bêbado que se revolve na sarjeta e blasfema o nome de Deus, o louco delirante cuja razão a bebida destronou, o assassino que tirou a vida de seu irmão enquanto embriagado e morre com uma maldição nos lábios ao cair pelo alçapão da forca, todos testificam da desgraça, do fracasso absoluto e da ruína irreparável causados pelo uso do álcool, tornado de fácil acesso pelas regulamentações da lei. ¶
Permiti-me, em nome do Senhor, exortar os Santos a se absterem de seu uso. Ela enfraquece o corpo e prejudica a mente. Quando se exige a mais alta ordem de excelência física, a ciência proíbe seu uso. Homens treinados para grande esforço físico e longa resistência são obrigados a ser temperantes, ou serão derrotados. Aqueles que competem por honrarias universitárias ou literárias compreendem o valor da temperança. Diante desses fatos, o Élder, Sumo Sacerdote ou Setenta que é viciado no uso de bebidas está inapto a realizar os trabalhos que Deus lhe exige. Será possível que nós, como Élderes de Israel, dentro e fora do país, não consigamos ver os resultados dessas coisas? Não sabemos que o semelhante gera o semelhante? Não sabemos que homens cujo sangue está febril e cujo juízo está cego não estão aptos a se multiplicarem e encherem a terra, não estão aptos a estar naquela santa lei do matrimônio, ordenada e tornada sagrada pelo Todo-Poderoso? Que o mundo fale e ridicularize a instituição do casamento celestial. O que mais nos preocupa em Utah é o fato de que não há homens suficientes que compreendam as leis da vida, e que se mantenham puros e santos, sobre a base mais elevada dessa lei sagrada, para se tornarem maridos de todas as mulheres puras e hoje casáveis em Sião. Deus previu o que as nações fariam. Foi-nos dito ontem pelo Élder Erastus Snow que homens de grande influência no mundo pregavam a doutrina da limitação humana, que conduz ao assassinato. E, contudo, esses mesmos homens vos pregarão moralidade, a vós e a mim. Enquanto matam sua própria prole, e incitam outros a fazê-lo, dizem-nos que não devemos obedecer às leis de Deus relativas ao aumento. Digo que obedeceremos. E segundo princípios naturais, segundo princípios científicos. Os rapazes e moças que vivem segundo a lei do Senhor tornar-se-ão a cabeça, e não a cauda. Terão corpos mais fortes, mentes mais fortes, e, pela força da "sobrevivência dos mais aptos", hão de, por fim, sob a direção da revelação divina, governar os assuntos do mundo. Assim foi predito; Deus o decretou, quem o impedirá? Unamo-nos, portanto, em voltar o rosto contra as práticas más tão prevalentes no mundo. Comecemos a compreender e a viver segundo as leis da natureza, percebendo que suas violações trazem penalidades que, por vezes, são transmitidas até a terceira e quarta geração. Na transmissão da vida, Deus confiou a Suas criaturas as funções mais elevadas e mais delicadas, as quais, se abusadas, acarretam miséria, e, muitas vezes, morte prematura. Deus tem Sua glória na perpetuação da vida. Com admiração e assombro, contemplamos a vida por toda parte. Vemo-la lutando no reino vegetal, e respirando nas criações animais. Cortai e pisoteai a erva daninha nociva, e, contudo, pela lei que governa seu aumento, ela luta para crescer, e, a menos que seja completamente destruída, amadurece semente para nova vida, e assim se perpetua. Toda a natureza responde à lei eterna do aumento. O homem, incitado por aquele que se rebelou no céu, é o único que procura frustrar a vida, e trazer confusão e morte. Enquanto ele e seus emissários se esforçam, pela prática de crimes hediondos, até mesmo o assassinato, para limitar o aumento humano, santifiquemo-nos, nós, os Santos, em corpo e alma, sendo puros de coração e mente, uma linhagem apta pela qual espíritos nobres possam possuir tabernáculos para a glória de Deus, o Pai dos espíritos. Que os pais e as mães em Sião gerem filhos, como foi gerado Samuel, o antigo profeta, e digo-vos que não há poder na terra ou no inferno que possa deter o progresso deste povo. Aumentaremos e nos espalharemos, até que Sião se levante e brilhe, e o Reino de Deus tenha supremacia e domínio para sempre. Amém. ¶