Por Que os Santos Se Reúnem—Suas Pretensões—O Que Sua Profissão Implica—Nenhum Direito de Julgar o Mundo—Todos Filhos de um Pai Comum—Muitos Bons Homens Inspirados pelo Espírito de Deus Que Não Possuíam o Dom do Espírito Santo—Como Joseph Smith Obteve Conhecimento—O Evangelho—O Que o Salvador Exigia—Operações do Espírito Santo—O Que É Exigido dos Santos—Seus Sentimentos—Dever dos Missionários—Sentimentos Nacionais Sepultados ao Abraçar o Evangelho—Relacionamento com Deus—Destino dos Fiéis—O Que Têm os Religiosos do Mundo a Oferecer?—Caráter dos Pretensos Reformadores—Direitos a Serem Defendidos—Práticas Corruptas Condenadas
John Taylor
Reunimo-nos de tempos em tempos para falar e ouvir, para meditar e refletir, para cantar e orar, para atender a nossos Sacramentos, e para buscar obter conhecimento dos deveres e responsabilidades que nos cabe cumprir. E então desejamos adorar o Senhor nosso Deus e conformar-nos às Suas leis; buscar conhecê-Lo e conhecer Seus propósitos, e compreender a posição que ocupamos em relação a nosso Pai Celestial e ao mundo em que vivemos. Estas são algumas das ideias e pensamentos que fluem, mais ou menos, pela mente dos Santos dos Últimos Dias; e geralmente desejamos conhecer a mente e a vontade de Deus, e então cumpri-la; pelo menos, estas são as pretensões dos Santos dos Últimos Dias. Nem sempre, porém, alcançamos esse padrão; mas a grande maioria do povo, tenho a alegria de dizer, busca conformar-se à mente, à vontade, à palavra e à lei de Deus. ¶
Tem-me dado grande prazer, ultimamente, ao viajar entre os Santos, testemunhar um espírito e sentimento deste tipo, que se tem manifestado abundantemente nas diferentes partes do Território que temos tido o prazer de visitar. E é assunto de considerável importância para nós, como povo, que compreendamos a posição que ocupamos no mundo, e os vários deveres e responsabilidades que nos cabem. Há várias teorias, noções e ideias no mundo pertinentes ao futuro. Nós mesmos fomos ajuntados das nações da terra sob a influência do novo e eterno Evangelho, e sob a orientação e ditame de Deus, nosso Pai Celestial; e a isto chamamos Sião, e a nós mesmos chamamos o povo de Sião, ou, em outras palavras, os Santos do Deus Altíssimo. Fazemos, na verdade, pretensões muito grandes. Ser Santo significa ser santo, ser puro, ser reto, ser virtuoso. A língua alemã é muito significativa neste ponto, e, chamando-nos segundo nosso nome, denominam-nos der Heiligen der Letzten Tage, ou os santos dos últimos dias. Esta é a profissão que assumimos. Dizemos que viemos aqui para aprender as leis de Deus, e para sermos ensinados em Seus caminhos, e que em nós se cumprem muitas das antigas profecias pertinentes a estas matérias, uma das quais é: "E vos tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família; e vos levarei a Sião. E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência." Há algo muito peculiar na posição que ocupamos, e na maneira pela qual fomos reunidos, o que não é geralmente compreendido pelo mundo da humanidade. ¶
Professamos, mais uma vez, ser a Igreja de Deus, e ser o reino de Deus; de fato, temos qualquer quantidade de profissão; mas a questão para mim, às vezes, é o quanto vivemos à altura de nossas profissões, e aderimos aos princípios que professamos crer e pelos quais professamos ser governados. Pois nos é dito nas Escrituras que não é "todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." E Jesus disse ainda: "Muitos me dirão naquele dia (isto é, falando do dia do juízo), Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?" Mas Ele diz que lhes dirá: "Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." Além disso, nos é dito que aquele que pratica a justiça é justo. E ainda, como um teste dado para orientação e direção de Seu povo, um mandamento rigoroso lhes é dado a respeito de nutrirem um apego indevido ao mundo. João diz: "Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." Não importa quais sejam suas profissões, não importa qual seja sua posição; aplica-se a todos. "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo." Fomos, de fato, chamados aqui a esta terra de Sião para realizar uma obra peculiar, que o Senhor colocou sobre nós, associada ao que se denomina a dispensação da plenitude dos tempos, na qual Deus reunirá, diz-se, todas as coisas em uma, sejam elas coisas nos céus ou coisas na terra. É uma dispensação na qual está compreendido tudo o que se liga a qualquer e a toda outra dispensação que já existiu desde que o mundo veio à existência, ou desde que as estrelas da manhã juntas cantaram de alegria; e abrange todas estas dispensações; é apropriado que nos esforcemos por compreender os vários deveres e responsabilidades que nos cabem. Diferimos do mundo em muitos aspectos; e tentarei apontar algumas destas coisas em que essa diferença existe. ¶
Somos propensos, às vezes, a sermos censuradores demais em relação ao mundo. Pensamos que agem de maneira muito má e ruim, e isso é verdade; mas, então, ao menos no presente, não somos seus juízes; não faz parte de nosso dever julgá-los. Quem somos nós? Os filhos de nosso Pai Celestial. Quem é o mundo, como às vezes denominamos aqueles que não são de nossa Igreja? Os filhos de nosso Pai Celestial. Pois Deus "de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra," nos é dito, "determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura tateando o pudessem encontrar; ainda que não está longe de cada um de nós." ¶
Ora, fora do Evangelho, fora da revelação, fora de qualquer comunicação especial do Senhor, todos os homens, mais ou menos, em toda parte, têm certas reivindicações sobre seu Pai Celestial, que se diz ser o Deus e Pai dos espíritos de toda carne. Então nos é dito que, quando Jesus falou a Seus discípulos, eles Lhe perguntaram como deveriam orar. Ele disse: Dizei, Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Quem? Nosso Pai — o Deus e o Pai dos espíritos de toda carne. Quando vos aproximardes Dele, dizei, Pai nosso, que estás nos céus. Então, eles pertencem a nosso Pai, tanto quanto nós. Quanto à operação do Espírito sobre o homem, permiti-me chamar vossa atenção para um fato geralmente compreendido por todos os homens reflexivos, e é que, não importa quão perverso um homem possa ser, quão longe possa ter se desviado do reto, tal homem geralmente admirará e respeitará um homem bom, um homem honrado, e um homem virtuoso; e tal homem frequentemente dirá: "Gostaria de poder fazer como aquele homem faz, mas não posso: gostaria de poder seguir um curso correto, mas sou vencido pelo mal." Não podem deixar de respeitar o bom e o honrado, embora eles próprios não sejam governados pelos princípios da honra e da virtude. Este mesmo espírito, que é dado a todo homem fora do Evangelho, tem se manifestado nas diferentes épocas do mundo. Quando digo fora dele, os Santos dos Últimos Dias me compreenderão. Quando falo do Evangelho, falo do Evangelho revelado por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e que tem existido, por vezes, através das diferentes épocas, e que, onde quer que existisse, trazia os homens a uma comunhão estreita com o Senhor; por isso o Evangelho é chamado o Evangelho eterno. As Escrituras afirmam inequivocamente que nosso Salvador "trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho," e onde quer que existisse conhecimento da vida e da imortalidade, era por meio do Evangelho; e onde quer e sempre que não houvesse conhecimento da vida e da imortalidade, não havia Evangelho. Mas, fora disso, houve muitas boas influências no mundo. Muitos homens, em diferentes épocas, que, em meio à maldade e à corrupção, tentaram deter a corrente do mal, colocaram-se no rol dos reformadores. Alguns destes foram o que se chama pagãos, outros o que se chama cristãos, e outros foram científicos e filantrópicos — amantes e benfeitores da raça humana. Os muitos reformadores que existiram em épocas anteriores foram homens, muitos dos quais desejaram sinceramente fazer a vontade de Deus, e cumprir Seus propósitos, na medida em que os conheciam. E há também milhares e dezenas de milhares de homens honrados vivendo hoje nesta nação, e em outras nações, que são honestos, retos e virtuosos, e que estimam princípios corretos e buscam ser governados por eles, na medida em que os conhecem. ¶
Mas há uma diferença muito grande entre este espírito e sentimento que leva os homens a fazer o que é certo, o qual é enfaticamente denominado uma porção do Espírito de Deus, que é dado a todo homem para seu proveito, e o que é chamado nas Escrituras o dom do Espírito Santo. Os homens podem desejar fazer o que é certo; podem ser bons, honrados e conscienciosos; e então, quando chegamos ao julgamento pertinente a estas coisas, nos é dito que todos os homens serão julgados segundo os atos praticados no corpo, e segundo a luz e a inteligência que possuíam. ¶
Tomarei, por exemplo, a posição dos reformadores, não recuando mais do que a Lutero e Melâncton; e então podeis chegar a Calvino, Knox, Whitfield, Wesley, Fletcher, e muitos outros; homens que desejaram, em seu tempo, beneficiar seus semelhantes; que se manifestaram contra o vício, e defenderam a prática da virtude, da retidão e do temor de Deus. Mas todos nós, que contemplamos estes assuntos, sabemos que esses homens nunca restauraram o Evangelho tal como foi ensinado por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; nem viam nem compreendiam da mesma forma as matérias bíblicas; tateavam, por assim dizer, no escuro, com uma porção do Espírito de Deus. Buscaram beneficiar seus semelhantes; mas, não tendo aquela união com Deus que o Evangelho concede, foram incapazes de chegar a conclusões justas a respeito destas matérias. Por isso, um introduziu e ensinou um princípio, e outro introduziu e ensinou outro; e dividiram-se e fragmentaram-se, e o espírito de antagonismo se encontrava, por vezes, entre eles; e, com todos os seus desejos de fazer o bem, não restauraram, nem puderam restaurar, o Evangelho do Filho de Deus, e nenhum entre eles foi capaz de dizer: Assim diz o Senhor. E essa é a condição do mundo religioso hoje; é Babilônia, ou confusão; confusão em ideias, confusão a respeito da doutrina, confusão a respeito das ordenanças, etc. E o que diremos de tais homens? Diremos que eram maus? Não. É lícito fazer o bem sempre, e todo aquele que busca promover o bem-estar da família humana é um benfeitor da humanidade, e deve ser sustentado. Mas agora vem outro princípio, diferente desse. Achamos, ao ler as Escrituras, que, no tempo em que Jesus apareceu na terra, havia uma variedade de seitas e partidos religiosos; havia os saduceus, os fariseus, os essênios, e outros. Mas a este povo se disse que havia apenas um Senhor, não muitos; uma fé, não muitas; um batismo, não muitos; e um Deus, que está sobre todos, e por todos, e em todos vós. ¶
Ora, isso era uma coisa que perturbava Joseph Smith em seus dias de juventude, e ouvi um relato de sua própria experiência a este respeito dos próprios lábios dele. Havia, em seus dias de juventude, um avivamento religioso na região onde morava. As pessoas que dele participavam eram, sem dúvida, sinceras. Vejo tais coisas de maneira diferente da de muitos homens. Não podemos razoavelmente supor que todos os homens são hipócritas quanto a tais assuntos. Finalmente, eles, para usar seu próprio termo, "converteram" alguns, e então começou a haver uma disputa sobre a que igreja os convertidos deveriam pertencer. Isso perplexou Joseph Smith. E tendo ele, certo dia, ao ler na Bíblia, encontrado aquela passagem na epístola de Tiago, onde diz: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada," foi e perguntou a Deus sobre o assunto. E o Senhor Se revelou a ele, e, entre outras coisas que lhe disse naquela ocasião, foi que nenhuma das seitas estava certa, que todas se haviam desviado do caminho, e ordenou-lhe que não se filiasse a nenhuma delas. ¶
Não preciso agora entrar nos detalhes de sua história, pois estas coisas são bem conhecidas; mas prosseguirei. O Evangelho que lhe foi restaurado era o mesmo Evangelho que Jesus introduziu e ensinou; o mesmo Evangelho que foi ensinado em parte por Abraão, e por Moisés — pois lemos que aos filhos de Israel se pregou o Evangelho no deserto, "mas a palavra pregada não lhes aproveitou, não sendo misturada com a fé naqueles que a ouviram." Por isso a lei foi acrescentada por causa da transgressão. Acrescentada a quê? Ao Evangelho. Que diferença há entre o Evangelho e as crenças de outras seitas e credos? O Evangelho sempre trouxe, e sempre trará, "à luz a vida e a imortalidade." Essa é a diferença. Enquanto outros tateiam no escuro, embora suas intenções, em muitos casos, sejam fazer o bem e praticar a retidão, na medida em que sabem, ainda assim não podem chegar ao conhecimento de Deus, nem se familiarizar com as coisas eternas sem o Evangelho; sem o dom do Espírito Santo, o espírito de revelação que procede de Deus. E quem há de tê-lo? Todos os que obedecem. "Mas eu pensava," dizem alguns, "que isso se limitava a um ou dois, ou a meia dúzia ou uma dúzia, conforme o caso, e que todo o povo nada tinha a ver com isso." Este é um grande engano, e agora vos mostrarei a diferença entre isso e as coisas tal como existem no mundo; entre a posição que ocupamos e a posição que o mundo ocupa. ¶
O mundo, como já vos disse, sem o auxílio do dom do Espírito Santo, sem o auxílio do Evangelho e da luz da revelação, é deixado a tatear bastante no escuro. Mas não assim com os Santos de Deus; não importa em que época do mundo tenham vivido, foram colocados sob outras circunstâncias; tiveram a luz da verdade a guiá-los, e revelação direta do Senhor. E aqui está a diferença entre um e outro. Quando Nicodemos veio a Jesus, foi a Ele de noite; era muito parecido com alguns homens em nossos dias, com respeito a seus sentimentos privados em relação aos "mórmons;" respeitam os "mórmons," não podem deixar de fazê-lo, mas não querem que se saiba; pois os Santos dos Últimos Dias, como os Santos de outrora, não são populares; de fato, somos considerados por muitos, como eram eles, de caráter desonroso, um povo com quem não seria considerado apropriado associar-se. Este era o caráter que o Salvador ostentava entre os religiosos autojustificados, mas hipócritas, de Seu tempo. Contudo, chamamo-Lo o Filho de Deus. E encontramos Nicodemos, um homem proeminente, um homem de discernimento e habilidade, esgueirando-se pela porta dos fundos, não querendo que se soubesse que havia visitado os "mórmons" — oh, não! — Jesus de Nazaré; contudo, ele desejava descobrir algo a Seu respeito, pois cria que nenhum homem poderia fazer as coisas que Ele fazia, a menos que Deus estivesse com ele. Jesus, ao explicar-lhe o Evangelho, disse-lhe que ele, para compreender Seus ensinamentos e Suas obras, teria de nascer de novo. Nicodemos não pôde compreender este dito; não sabia o que o Salvador quis dizer, pensando que o dito se referia ao nascimento natural do homem. O Salvador então lhe disse que, a menos que um homem nascesse da água e do Espírito, não poderia entrar no reino de Deus; que não poderia compreendê-lo; que nem sequer poderia vê-lo; que não poderia compreender o relacionamento existente entre Deus e o homem sem o dom do Espírito Santo. A pergunta naturalmente surgiria: como poderia o homem tornar-se possuidor deste dom celestial? Havia um jovem, por exemplo, um jovem de espírito elevado, honrado, que foi a Jesus, e dirigindo-se a Ele, disse: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? Jesus disse: Conheces os mandamentos: "Não matarás, Não furtarás, Não cometerás adultério, Não dirás falso testemunho, Não fraudarás, Honra teu pai e tua mãe, e amarás a Deus com todo o teu coração, e o teu próximo como a ti mesmo." E o jovem disse que aquelas coisas havia guardado desde a sua mocidade. Jesus então lhe disse que fosse e vendesse tudo o que tinha e desse aos pobres, e que viesse e O seguisse; prometendo-lhe que teria um tesouro no céu, ou, em outras palavras, teria a vida eterna, e beberia das águas que alegram a cidade de nosso Deus. Mas o jovem se retirou triste, pois possuía muitas propriedades. ¶
A respeito do Espírito Santo, de que temos falado, nos é dito que os discípulos foram instruídos a permanecer em Jerusalém até que fossem revestidos de poder do alto. Assim o fizeram, e quando estavam reunidos num só lugar, de um só acordo, orando e suplicando ao Senhor, o Espírito de Deus desceu sobre eles como um vento veemente e impetuoso, e repousou sobre eles. E começaram a falar em línguas, conforme o Espírito de Deus lhes dava a se exprimir. Havia ali pessoas de diferentes nações, e as ouviam falar, em sua própria língua, as maravilhosas obras de Deus. Alguns dos presentes disseram que estavam embriagados. "Estes homens estão cheios de mosto," diziam. "Ora, não," disse Pedro, "é apenas a terceira hora do dia" — isto é, cerca de nove horas da manhã. As pessoas geralmente não se embriagam tão cedo assim. O que significava tudo isso? Pedro lhes disse: "Isto é o que foi dito pelo profeta Joel, e nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão; e os vossos jovens verão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão." Em outras palavras, isso os traria a um relacionamento com Deus; abriria as visões de sua mente; inspirá-los-ia com o espírito de revelação; teriam uma esperança que entra além do véu, aonde Cristo, nosso precursor, entrou; e, sendo conduzidos e dirigidos sob a inspiração de Deus, teriam um Senhor, uma fé, e um batismo, e seriam guiados nos caminhos de toda a verdade. Ora, quando o povo perguntou o que deveria fazer para ser salvo, não lhes foi dito como diriam os fariseus, ou os essênios, ou os saduceus, ou qualquer dos outros partidos; mas lhes foi dito que se arrependessem e fossem batizados, cada um deles, em nome de Jesus Cristo, para remissão dos pecados, e prometeu-se-lhes que receberiam o Espírito Santo. Em outras palavras, nasceriam da água e do Espírito, e se tornariam novas criaturas em Cristo Jesus. O que, então, faria o Espírito Santo por eles, e em que consistia a diferença e a distinção entre isso e o outro espírito — isto é, o espírito que o povo do mundo tinha; pois tinham uma consciência que os acusava ou os desculpava, e muitos deles sentiam desejo de fazer o que é certo. Mas o dom do Espírito Santo era colocá-los numa posição pela qual pudessem saber e compreender por si mesmos. Qual foi a ordem de Jesus a Seus discípulos? "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão os que crerem." Que sinais? Ora, os doentes seriam curados, os coxos seriam feitos andar, os cegos veriam, e os surdos ouviriam, e aos pobres seria pregado o Evangelho. Ora, o que Jesus disse a Seus discípulos que o Espírito Santo faria quando viesse? Ele prometeu — "Ele vos guiará a toda a verdade." O que fará? Guiar-vos-á a toda a verdade — não a uma diversidade de sentimentos, não a diferenças de doutrina, não a uma variedade de ordenanças, mas vereis igualmente, compreendereis igualmente e entendereis igualmente. "Ele vos guiará a toda a verdade." Que mais fará? Trará à vossa lembrança as coisas passadas, de modo que sereis capazes de compreender as coisas de Deus tal como existiram nas diferentes épocas na terra e com os Deuses nos mundos eternos, e vereis olho a olho. E as Escrituras dizem que, quando o Senhor tornar a trazer Sião, seus atalaias verão olho a olho. Verão igualmente, compreenderão igualmente, estarão sob a mesma influência. Que mais fará? Vos anunciará as coisas que hão de vir. Sereis capacitados a olhar através do escuro panorama do futuro ainda por nascer, a afastar o véu do mundo invisível, e a compreender as coisas de Deus; a conhecer vosso destino e o destino da família humana, e os acontecimentos que se darão nas eras e tempos vindouros. Isso é o que o Espírito Santo fará, e nisso está a diferença entre aquele Espírito e a pequena porção daquele espírito que é dada a todo homem para seu proveito. Em outras palavras, os homens são introduzidos na família de Deus e na casa da fé, e se tornam herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo. Prometeram os discípulos estas coisas em seu tempo? Sim, prometeram. Recebeu-as o povo que obedeceu ao Evangelho? Sim, recebeu, e tão evidente era isso, em muitos casos, que Simão o Mago, vendo que os discípulos, pela imposição das mãos, conferiam o dom do Espírito Santo, e o povo falava em línguas e profetizava sob sua influência, ofereceu dinheiro aos Apóstolos, na expectativa de que lho conferissem por seu dinheiro, para que pudesse possuir aquele grande poder. Mas foi imediatamente respondido: "O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois supuseste que o dom de Deus se adquire por dinheiro." Estes homens, naquele dia, possuíam uma esperança que floresceu com a imortalidade e a vida eterna — uma esperança que se dizia entrar além do véu, aonde Cristo, nosso precursor, entrou. E havia também muitos da mesma classe de pessoas a quem Paulo alude quando diz: "outros experimentaram... foram apedrejados, serrados, tentados... mortos ao fio da espada," etc. E, diz Paulo, "porque os que isso dizem claramente mostram que buscam outra pátria * * * pelo que também Deus não se envergonha de se chamar seu Deus; porque já lhes preparou uma cidade." Obtiveram uma esperança que outros não têm. Receberam inteligência que outros não possuem. Ora, qual é a promessa feita ao mundo hoje, quando os Élderes dos Santos dos Últimos Dias lhes pregam o Evangelho? O que lhes tenho proclamado? O que lhes têm proclamado as centenas de Élderes aqui presentes hoje? Disseram-lhes que se arrependessem de seus pecados e fossem batizados em nome de Jesus, para remissão dos pecados, e que receberiam o Espírito Santo. Que Espírito Santo? O mesmo que os homens tinham em tempos passados, possuindo a mesma certeza, a mesma inteligência, o mesmo conhecimento e fé, e o mesmo relacionamento com Deus. E nós, em nossos dias, somos ensinados, como eles o foram em seus dias, a acrescentar à nossa fé a virtude, à virtude a fraternidade, à fraternidade a caridade, etc., que, se estas coisas habitarem em nós e abundarem, não seremos nem estéreis nem infrutíferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo — não no "creio que sim," não nas opiniões, não nas noções, não nas ideias, não nas teorias do homem, mas no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta é a posição que os Santos, nestes tempos, são chamados a ocupar; esta é a coisa que foi prometida aos Santos dos Últimos Dias; este é o princípio que eles mesmos receberam, e vós, Santos dos Últimos Dias, sois testemunhas destas coisas de que falo. Falo de coisas que sei; testifico de coisas que vi e que compreendeis, e é por esse mesmo princípio que fostes reunidos aqui nestes vales das montanhas. Aqui está a diferença entre a incerteza e a dúvida, e a verdade, a certeza e a inteligência. O Espírito de Deus dá testemunho ao nosso espírito — se estivermos vivendo nossa religião e guardando os mandamentos de Deus — de que somos filhos de Deus, como fez com os Santos de outrora, e não há adivinhação nem incerteza no assunto. Sabemos em quem cremos; e se os Santos dos Últimos Dias não têm este Espírito é porque não estão vivendo sua religião e guardando os mandamentos de Deus. Muito bem, sendo esta a diferença, o que vem a seguir? Ora, nos é dito, neste dia, que proclamemos o Evangelho ao mundo, como fizeram em dias passados. O que foi dito aos Élderes de Israel nestes dias? "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura." Exatamente como foi em dias passados. E o temos feito, e o estamos fazendo? Sim. Eu mesmo já viajei centenas de milhares de milhas para proclamar este Evangelho, sem bolsa nem alforje, confiando no Deus de Israel; e prefiro sair confiando em Deus para minha subsistência, apoiado pelo Senhor Deus dos Exércitos e pelo Espírito de Deus, e sob a promessa de Deus, do que sob a promessa de qualquer potentado terreno que se pudesse encontrar em qualquer parte do mundo. Por quê? Porque Deus é sempre fiel à Sua palavra e sustenta aqueles que Nele depositam sua confiança. E por isso dizemos que é uma certeza. Qual é o sentimento hoje entre nossos Élderes? Ora, aqui estão centenas deles saindo em missões, e continuam saindo. E qual é seu sentimento? Recebo numerosas cartas, algo como o seguinte: "Fui chamado para ir a uma missão. Considero uma honra estar engajado no serviço de Deus, e ser mensageiro de salvação para meus semelhantes, e tentarei estar pronto no tempo determinado e cumprir os deveres que me são exigidos." Estas e cartas semelhantes continuam chegando; e os Élderes saem em nome do Deus de Israel, levando sementes preciosas, as sementes da vida eterna, como mensageiros às nações da terra, os legados dos céus, comissionados pelo grande Jeová para proclamar as palavras de vida ao mundo, e retornam novamente regozijando-se, trazendo consigo seus feixes. Esta é uma obra que temos a fazer. Às vezes penso que alguns de nossos Élderes mal compreendem este assunto tão plenamente quanto poderiam, e farei aqui uma observação a esse respeito. Dizem que em algumas partes o povo lhes dá muito pouca atenção; em outras, muitos são batizados, etc. Ora, os Élderes não são responsáveis pelas ações de outros homens. É seu dever ir e pregar o Evangelho, e usar toda diligência e fidelidade, e serem sinceros e enfáticos, e buscar a orientação e direção do Senhor na proclamação de Sua palavra; mas nada têm a ver com o povo receber ou rejeitar sua mensagem. Se a recebem, é para seu benefício; se a rejeitam, é para sua condenação. Mas o Élder não é responsável, quer a recebam quer não. Se cumpre seus deveres, faz tanto a esse respeito quanto se milhares a recebessem. Mas milhares a estão recebendo, e estamos fazendo nossa obra e cumprindo nossos deveres, e enviando adiante o Evangelho. E então, tendo feito isso, o que mais? Ora, isso é tudo o que podemos fazer. Pregar estas coisas ao mundo; entregar o testemunho que Deus nos deu. E depois disso? Devemos persegui-los porque não creem como nós? Penso que não. Devemos tentar pressioná-los, e dizer-lhes que não têm governo nem leis corretas, e que estão errados em todos os pormenores a respeito destas matérias? Não sei que isso seja parte de nosso dever. Nosso dever é pregar o Evangelho, e se não o recebem, deixá-los, é só isso. Em alguns casos particulares, quando os discípulos, em dias passados, iam e pregavam o Evangelho, e o povo não o queria receber — Jesus lhes disse que lavassem os pés como testemunho diante Dele a respeito daquele assunto, e Ele mesmo trataria com tal povo. Temos de deixar essas coisas nas mãos de Deus, pois as nações, assim como nós mesmos, estão todas nas mãos de Deus. É verdade que se diz dos Doze Apóstolos que, no futuro, se assentarão sobre doze tronos julgando as doze tribos de Israel, mas também é verdade que João, o Revelador, diz: "Vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o livro da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." Diz-se, também, que os Santos julgarão o mundo, mas isso ainda não é agora; nosso dever agora é simplesmente pregar o Evangelho e entregar nosso testemunho, ajuntar os eleitos dentre as nações, e, tendo fielmente cumprido nosso dever, deixar os acontecimentos pertinentes aos outros nas mãos de Deus. ¶
Fomos ajuntados a estes vales das montanhas. Que deveres nos cabem agora? Edificar um Sião a nosso Deus. E quem há de nos auxiliar? O Senhor, e se Ele não o fizer, tenho certeza de que não podemos fazê-lo, e se Ele não nos mostrar como, não poderemos fazê-lo. Bem, algumas pessoas vêm e tentam nos converter. Muito bem, que convertam à vontade. Se têm algo a que vos converter, digo, por amor de Deus, aceitai-o, se têm algo mais inteligente do que aquilo que vos foi comunicado. Desejamos obter toda a verdade, de qualquer lado que venha, e toda coisa boa que possa ser manifestada, e se alguém tem verdades que não temos, estamos preparados para abraçá-las, mas não temos verdades para trocar pelas ficções, ideias, teorias e opiniões dos homens. Está escrito: "Serão todos ensinados por Deus." Receberam esses homens algo de Deus para comunicar? Se receberam, que o declarem, e se não receberam, que se calem. "Serão todos ensinados por Deus." Ele será seu instrutor, seu juiz, seu guia, seu diretor e seu legislador, e Ele lhes dará a luz e a inteligência de que precisam. Estamos operando com, e na posse de, princípios que são grandiosos, magníficos, gloriosos e inteligentes, que existiram em épocas passadas, que existem hoje, e que existirão para sempre e sempre, mundos sem fim, Amém. Estamos edificando o Sião de Deus, e Ele há de ser nosso instrutor. Estamos edificando o reino de Deus, e Ele há de ser nosso guia. Estamos edificando a Igreja de Deus, e, a menos que estejamos sob a orientação e influência do Espírito de Deus, não pertencemos à Igreja de Deus, ao Sião de Deus, nem ao reino de Deus. E, por isso, é necessário que compreendamos a posição que ocupamos. ¶
Temos estado no mundo, e temos pregado o Evangelho ao mundo, e o fazemos, e isso é parte de nosso dever, e o estamos cumprindo tão rapidamente quanto o Senhor nos abre o caminho. Temos feito muito. Penso que, numa assembleia há algum tempo, havia vinte e cinco nacionalidades representadas. Há alguma diferença de sentimento entre estas pessoas diversas? Não. Falando com um cavalheiro recentemente sobre algumas das dificuldades entre os ingleses e os irlandeses, disse-lhe que era lamentável que tal sentimento existisse. Bem, disse ele, são duas raças diferentes e não podem se afinar, sendo uma celta e a outra anglo-saxã, e suas simpatias e sentimentos são dissimilares. Suas ideias e sentimentos diferem; sua educação e seus instintos diferem. Isso é bem verdade, até certo ponto. Mas e quanto a nós? Estamos reunidos aqui sob a inspiração do Espírito Santo, e isso, como já disse, produz uma unidade de sentimento e espírito, uma unicidade e simpatia que não existe no mundo, e Jesus disse: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Temos entre nós pessoas de todas as partes dos Estados Unidos, da Irlanda, da Escócia e do País de Gales, da Inglaterra, da França e da Alemanha, da Dinamarca, da Noruega e da Suécia; também da Islândia, da Austrália, da Nova Zelândia, das ilhas do mar, e, de fato, de quase todo país civilizado. E como é isso, irmãos? Somos escandinavos; somos ingleses; somos escoceses, suíços ou holandeses, conforme o caso? Não; o Espírito de Deus, que obtivemos por obedecer às exigências do Evangelho; tendo nascido de novo, da água e do Espírito, fez-nos de um só coração, uma só fé, um só batismo; não temos entre nós divisões nacionais nem de classe deste tipo. ¶
Que buscamos, então? Buscamos introduzir entre nós o princípio da virtude, da integridade, da honestidade, e o conhecimento de Deus e de Suas leis. Isto é o que buscamos fazer. E prejudicamos algum homem ou grupo de homens ao fazê-lo? Penso que não. Direi, em crédito de nossos comerciantes, que são tidos como homens honrados, homens que pagam suas dívidas melhor do que a maioria da humanidade. Este é o relato que ouço de cavalheiros com quem me comunico. É agradável ouvir isso. É agradável ver o princípio da honra introduzido em nosso comércio; e devemos ser honrados uns com os outros e com todos os homens, tratando a todos com o respeito que merecem e a que fazem jus de nossa parte. Mas, por fazermos isso, devemos nos submeter a toda espécie de indignidade; devemos nos submeter a ser ultrajados, a ser difamados; devemos permitir que, em capacidade social, males e crimes sejam introduzidos em nosso meio, e nunca levantar nossa voz contra eles? Devemos permitir que nossos filhos e filhas se relacionem e se associem com homens e mulheres corruptos? Não. Mas se nossa juventude escolhe seguir um curso desse tipo, tudo bem? Não, não direi que está bem; seria melhor se agissem melhor. Estamos aqui para introduzir princípios corretos; e professamos estar avançando num plano mais elevado; professamos estar sob a influência da inspiração do Todo-Poderoso; e Deus não pode olhar para o pecado com o menor grau de tolerância. ¶
Deixai-me ler um pouco mais aquela oração: "Pai nosso, que estás nos céus." O quê, Ele é de fato meu Pai? Sim. É Ele nosso Pai? Sim. "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome." Somos filhos de Deus; essa é a relação que temos com Ele. Sendo nascidos do Espírito, tornamo-nos filhos de Deus. Os quê? Os filhos de Deus. E que mais? Os herdeiros de Deus, e coerdeiros com Jesus Cristo, nosso Senhor. É esta a posição que ocupamos? Assim dizem as Escrituras. E qual é a diferença entre aqueles que nasceram da água e do Espírito, e aqueles que não conhecem o Evangelho, e que não possuem nenhum de seus dons? Paremos e indaguemos. Tendes filhos, não é assim? Sim. O que serão os meninos quando crescerem? Serão homens, não é assim? São agora os filhos de homens. Se um homem é introduzido na família de Deus, e se torna filho de Deus, o que se tornará quando alcançar seu crescimento? Podeis calcular isso por vós mesmos. Está escrito: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Porém sabemos que, quando se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos." O que seremos? Herdeiros de Deus. Que mais? Coerdeiros com Jesus Cristo. O quê, coerdeiros com Jesus Cristo, nosso Senhor? Sim. O que possuem os herdeiros de um homem quando ele deixa este mundo? Herdam as posses do pai ou benfeitor falecido. Dizemos que Deus é o Deus do universo, o Fazedor dos céus e da terra, o Sustentador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E seremos coerdeiros com Ele? Assim afirma a Bíblia. Bem pode dizer o Senhor, em uma das revelações dadas por meio do Profeta Joseph Smith: "É rico aquele que tem a vida eterna." Jesus disse à mulher samaritana, ao pedir-lhe água para beber: "Se tu conhecesses o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber; tu lhe pedirias, e ele te daria água viva." "Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna." Novamente, Jesus disse a Seus discípulos: "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar." Onde? No céu, de que temos muito pouco conhecimento, e a respeito do qual compreendemos muito pouco. "E se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." O que havia na casa de Seu Pai? Muitas moradas. O quê! Moradas no céu? Sim? Que mais? Ele declara que ia preparar-lhes um lugar — moradas, para que onde Ele estivesse ali estivessem eles também. É muito claro, se pudéssemos apenas abrir nossos olhos e compreendê-lo tal como é. Há uma grande diferença entre este princípio e as ideias que os homens nutrem a respeito das coisas terrenas. O primeiro está em harmonia com a duração eterna e a exaltação do homem, e está em consonância com suas mais elevadas e exaltadas aspirações; o outro é momentâneo, transitório, fugaz e evanescente. Os homens estão agarrando e tomando o mundo, e as riquezas do mundo. Poderia mencionar os nomes de homens proeminentes desta nação — não importa, não gosto de tratar de personalidades — homens que juntam seus milhões. Aos poucos, caem num pequeno espaço de apenas dois pés por seis, e é só isso que resta. E que dizer de suas riquezas? Algo pertinente ao futuro? Não. Tais homens são tolos, se pudessem compreendê-lo; mas não podem. Eles, porém, pensam que somos grandes tolos. Havia um homem proeminente cujo nome esqueci, mas me lembro de alguns versos que escreveu. Quando eu partir, disse ele, os homens erguerão um esplêndido monumento à minha memória, sobre o qual escreverão: "Aqui jaz o grande!" Se eu pudesse me erguer e falar, diria: "Falso mármore, onde? Nada além de pó pobre e sórdido jaz aqui." Algum homem já levou algo consigo para fora do mundo? Não. Nus entram no mundo, e nus retornam; deixam para trás toda a sua riqueza. Então, se, como seres inteligentes, feitos à imagem de Deus, desprezarmos os ensinamentos de nosso Pai Celestial, e formos conduzidos por influências erradas, impróprias, impuras e incorretas, e permitirmos que nos façamos naufragar em nossa fé e boa consciência, não seremos os mais completos tolos quando estivermos diante do Juiz de toda a terra? Mas se pudermos conseguir assegurar a vida eterna e as exaltações, os tronos e os principados, os poderes e os domínios, de que às vezes falamos, e que são tão verdadeiros quanto qualquer coisa pode ser — se conseguirmos fazer isso, seremos amplamente recompensados por todos os inconvenientes que possamos ter de suportar, e por toda a dificuldade que possamos ter de enfrentar. ¶
Ora, voltaremos à velha oração novamente. "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino." Que reino? O reino de Deus. O que isso implica? Governo, domínio, autoridade, poder. "Venha o teu reino." O quê, que Deus dite os assuntos sobre a terra? Sim. Que Sua palavra, Sua vontade, Sua lei sejam proclamadas? Sim. Um dos antigos Profetas, falando destas coisas, disse: "porque a lei sairá de Sião, e a palavra do Senhor, de Jerusalém." Encontrareis estas coisas escritas em vossa Bíblia, e podeis procurá-las com calma. Ora, se devemos esperar que algo deste tipo aconteça, quando o conhecimento de Deus cobrir a terra como as águas cobrem o mar, e quando a vontade de Deus for feita na terra como é feita no céu, não deveríamos, como cidadãos do reino de Deus, tentar introduzi-lo e sermos governados por ele e estar sob sua influência? Penso que deveríamos. Devemos, então, nos render às falsas tradições, ideias, noções e opiniões dos homens? Penso que não. Queremos nos esforçar, em todas as relações da vida, em nossas relações familiares, em nossas relações individuais, em nossas relações matrimoniais, e em nossas associações com os homens, para nos conduzirmos da maneira que Deus quereria que fizéssemos, se Ele mesmo estivesse aqui para falar sobre esse assunto; e buscar colocarmo-nos em conformidade com Sua lei, Sua palavra e Sua vontade. ¶
Ora, as pessoas se dão a muito trabalho para tentar interferir em nossas relações matrimoniais. O que têm elas a nos dar em troca, fora destas coisas? Ó gentios, apresentai-nos algo superior ao que Deus revelou, e nós o abraçaremos. Mas não podeis fazê-lo. Desafiamos o mundo a apresentar quaisquer princípios melhores, mais puros ou mais exaltadores. O que nos dariam em troca daquilo de que buscam nos despojar? Introduziriam todas as instituições de um pseudocristianismo, com sua prostituição, suas casas de encontro, seu mal social, seu feticídio e infanticídio, e a hipocrisia e depravação política e social, e sua influência devassadora, desmoralizadora e corruptora, e chamariam isso de justa recompensa pela virtude, pureza, honra, verdade e integridade? Introduzir-nos-iam nos princípios defendidos por alguns de seus principais ministros, de usar a espada, a baioneta e o canhão para extirpar o que denominam heresia, colocar o homem contra seu semelhante e submergir a nação em sangue? O que nos dizem? Colocam-se como nossos exemplos, e, entre outras coisas, dizem que devemos casar como eles o fazem. E como é isso? Deixai-me perguntar a alguns de vós, homens venerandos e de cabeça branca, que fostes casados em vários lugares, que espécie de convênio fizestes? Perguntaram-vos se tomaríeis a mulher como vossa legítima esposa, por quanto tempo? Até que a morte vos separasse. Que coisa mais miserável. E é isso que têm a oferecer. Uma mulher toma um homem enquanto ele vive, e então, quando ele morre, tudo se perde no esquecimento; nenhuma unidade eterna, nenhuma reivindicação pertinente ao céu ou ao futuro; nenhum filho, nenhuma filha, nenhuma esposa, nenhum marido. Isso é niilismo, penso eu. Esta é a condição em que vos colocariam hoje, se lhes désseis ouvidos. Mas nos é dito que devemos lembrar-nos da rocha de onde fomos cortados, e da cova de onde fomos cavados. Deus nos mostrou princípios dez mil vezes mais exaltadores e enobrecedores do que qualquer coisa que eles têm a oferecer. Não; podeis continuar em tais operações; isso é problema vosso. Podeis regozijar-vos na ideia de viver com vossas esposas no tempo, e depois cair na sepultura sem esperança de qualquer união futura. Mas deixai-me ter minhas esposas e filhos, e minhas associações no mundo eterno. Deixai-me ter uma religião que viva no tempo, e exista enquanto rolarem as eras eternas. É esse o tipo de religião que quero, e se gostais da outra, tudo bem, ficai com ela. Mas concedei-me, por favor, a liberdade de buscar a felicidade à minha maneira; senão, tentarei tomá-la. Não quero nada daqueles princípios evanescentes que se desvanecem quando o tempo cessa. Professo ser um ser imortal, como todos nós somos. Uma centelha da Divindade, arrancada do fogo de Sua chama eterna, habita em nós, uma porção daquela inteligência que habita com os Deuses; a qual, se a seguirmos por meio da influência do Espírito Santo, de que tenho falado, nos trará de volta à presença de Deus; e conosco nossas esposas, nossos filhos, e nossas associações. A piedade, de fato, como afirma o Apóstolo Paulo, "para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir," e, apesar das ideias, da oposição e do desprezo de homens ignorantes e sem instrução, reinaremos e triunfaremos, não somente no tempo, mas ao longo das incontáveis eras da eternidade. É esse o tipo de religião que quero. Não daria uma palha pela outra; se outras pessoas gostam dela, tudo bem. Não quero interrompê-las. Mas elas querem interromper-nos; e o fazem, muitas delas, embora as tratemos sempre com bondade. Parecem ter uma verdadeira mania a este respeito; ficam obcecadas com nossos assuntos privados. ¶
Ora, há certos direitos inalienáveis que alguns homens desta nação consideram pertencer a todos os homens, um dos quais é o direito de viver. O governo dos Estados Unidos não deu aos homens a vida; receberam-na de outra e mais elevada fonte. O próprio Deus é o autor da vida e da existência, mais do que nós mesmos às vezes pensamos. Não há um só de vós que pudesse deixar este lugar hoje, a menos que Deus o permitisse, e não somente o permitisse, mas vos sustentasse e capacitasse a fazê-lo. Nele vivemos, nEle nos movemos, e dEle temos o nosso ser. ¶
Credes que estes homens são sinceros quando alegam que somos tão perversos e que desejam melhorar nossa moral? Seria algo semelhante ao casamento deles — termina em morte, e às vezes até antes disso. Qual tem sido o procedimento aqui? Quem são os autores e cúmplices das iniquidades que prevalecem em nosso meio? Homens perversos e sem escrúpulos, os pretensos defensores da reforma e de uma civilização hipócrita, tais como ministros, políticos e outros. Quem são os introdutores e criadores de nossos antros de jogo, ou lupanares, e dos atos abertos e flagrantes de devassidão e corrupção que prevalecem em nossas cidades onde residem gentios? Quem são os protetores da embriaguez e de outros vícios? Nossos pretensos reformadores cristãos. Estas são as instituições deles; e seus emissários têm tentado introduzir o assassinato dos inocentes na forma de feticídio e infanticídio. Podemos crer na sinceridade e veracidade de tais homens hipócritas, corruptos e degradados? Dizem-nos que é contrário à lei um homem ser casado como nós somos, especialmente se tem mais de uma esposa. Falam de poligamia; mas não é isso o que realmente pretendem. Mencionarei estas coisas outra vez. ¶
Há uma ou duas declarações que desejo fazer antes de encerrar. Manifestaram eles desejo de nos livrar da lascívia? Onde estão os lupanares? Para quem são mantidos? Para nossos bons vizinhos que amam tanto a virtude. De novo, quando milhares de homens se retiraram das urnas para não serem considerados obstrucionistas, o que nos impuseram? Ouvistes uma declaração sobre o Prefeito Little e seu filho. Falam de pureza! Havia alguma pureza nisso! O jovem foi obrigado a se opor ao registro de seu pai, que era um homem honrado, por quê? Por ter violado alguma lei? Não penso que tenha jamais violado uma lei poligâmica, mas tinha duas esposas há algum tempo, quando não havia lei contra isso. Algumas dessas coisas ainda pretendemos contestar. Não abandonamos nosso direito de voto. Se alguém pensa que sim, comete um grande engano. Não há um homem ou mulher em vinte, dos que se abstiveram de exercer seu direito de voto nas urnas, que, se a lei dos Estados Unidos fosse cumprida e os princípios constitucionais sustentados, pudesse ser molestado segundo a interpretação mais rígida das assim chamadas leis poligâmicas, e havemos de contestar estes direitos. Não vamos abrir mão de tudo. No interesse da paz, alguns de nós mantemos nosso direito de voto em suspenso no momento presente; mas, como afirmei em Conferência quando falei destas coisas — pretendemos lutar por nossos direitos, legal e constitucionalmente, palmo a palmo, até o último fim, e manter o princípio dos direitos humanos, no interesse de nós mesmos, no interesse de nossos filhos, no interesse dos homens honrados desta nação, e no interesse da liberdade do homem em todo o mundo. Portanto, não penseis que estamos abrindo mão de tudo: não abandonamos um único iota. Contudo, achamos melhor nos retirar até que tivéssemos uma oportunidade justa de contestar todas estas coisas pacífica e tranquilamente, e de lutar por nossos direitos legal e constitucionalmente, como cidadãos americanos e como homens. Podemos pensar que os homens são muito sinceros ao seguirem o curso que foi adotado contra nós? E que veio na esteira da recusa em deixar o Irmão Little se registrar? É pureza o que buscam? Aqui vem o proprietário de um lupanar e suas moradoras? Podem elas se registrar? Sim! Porque, segundo uma decisão, não uma lei, mas uma perversão da lei, prescreve-se aos cidadãos americanos um juramento, no qual vícios repugnantes e condenáveis são protegidos. E podem se registrar, enquanto os honrados e virtuosos são rejeitados. E nosso bom povo cristão tenta nos impor à força estas coisas. Bem, podemos aguardar nosso tempo. ¶
Referir-me-ei a outro caso que ocorreu. Outro homem, ao ser convidado a se registrar, depois de olhar o juramento, disse: "Não creio que possa prestá-lo, porque tenho uma esposa e mantenho uma amante." Mas foi solicitado a ler o juramento. Tendo-o feito, disse: "Vejo que o crime está aqui, em estar na relação de casamento, e, embora eu tenha uma amante além de uma esposa, a amante não está na relação de casamento, e posso prestá-lo." Este homem foi tido como sincero. Claro que era, e as pessoas dizem que foi honrado ao declarar seus sentimentos. Sim, foi honrado, se pode ser honroso para um homem se comprometer diante do altar a ser fiel à sua esposa e aos convênios que fez diante de Deus e testemunhas — e depois romper esses convênios; se isso é honra, pode ser chamado homem honrado, mas nós não chamamos isso de muito honrado entre nós. Isso mostra que a coabitação lasciva pode ser tolerada e protegida por homens que pretendem ser nossos mestres e nossos reformadores. Tais homens e mulheres, sob a antiga lei mosaica, teriam sido apedrejados até a morte. Digo: no seu secreto conselho não entre minha alma; com a sua congregação minha glória não se ajunte. ¶
Além disso, há uma pequena coisa a que desejo me referir, que ultimamente chegou ao meu conhecimento; tenho conhecimento de muitas coisas — pois os homens vêm a mim com toda espécie de assuntos. É uma circunstância deplorável. Um homem casado, considerado aqui um homem honrado, um homem reto, um homem que tem tomado parte ativa em algumas das escolas, que tem contribuído consideravelmente para a construção de igrejas, e que se pensava estar realmente buscando fazer o bem entre nós — recentemente buscou raptar uma jovem honrada, ou tentou persuadi-la a deixar seu lar clandestinamente com ele e ir para uma terra distante. Como podemos confiar nestas pessoas? São fatos; tenho as cartas; sei do que estou falando, e são estes, contudo, os que se supõe serem reformadores cristãos, identificados com igrejas, escolas, e outros lugares de aperfeiçoamento, que não hesitam em se associar com tais infâmias. Existe entre eles um estado de moralidade muito baixo, como sabemos. Como é conosco? Temos homens que às vezes fazem o mal? Sim. Sancionamos o mal? Pode um adúltero ter lugar entre nós? Digo-vos que não, não pode, e qualquer Bispo que permitisse algo do gênero deveria ele mesmo ser removido. Somos a favor da castidade, da pureza e da virtude, não nominalmente, mas realmente, e devemos fazer uma distinção entre uma coisa e outra e manter a virtude e os princípios corretos, apesar da hipocrisia e das corrupções que existem, pois existem entre nós e ao nosso redor. E cabe a nós zelar por nossas esposas, nossos filhos e filhas, e preservar nossa castidade, nossa honra e nossa virtude em todas estas matérias. Busquemos a bênção de Deus, e Ele nos ajudará e nos dirigirá. Mas, porque alguns destes homens fazem o mal, e agem iniquamente, condenaremos a todos? De maneira nenhuma. Há milhares e centenas de milhares de homens e mulheres honrados e retos, nesta e em outras nações, que, fora da religião, desprezariam se associar a tais infâmias. Tratai a todos os homens corretamente; mas cuidado com esse sistema frouxo de moral que existe no mundo; cuidado com o modo como vos associais com tais pessoas ou as permitis em vossas habitações. Cuidai bem de vós mesmos e de vossas famílias, de vossos filhos e vossas filhas; e busquemos fazer o que é certo e cultivar os princípios da verdade, e Deus nos sustentará, e Sião avançará, e nossos inimigos serão confundidos, de tempos em tempos, e a salvação fluirá para Israel, se Israel for fiel a si mesmo, e procuraremos realizar as coisas que Deus ordenou, e cumprir a obra que Ele nos deu a fazer. Pois, se algum dia a vontade de Deus há de ser feita na terra como é feita no céu, deveria começar na terra de Sião. Que Deus nos ajude a fazê-lo, em nome de Jesus. Amém. ¶