O Consolo Que os Enlutados Têm—Outras Calamidades Piores Que a Morte—Efeitos do Pecado—O Que Se Ganha Pela Fidelidade—Como Todos Serão Julgados—A Ressurreição—Provas da Ressurreição de Cristo—O Testemunho do Orador
Joseph F. Smith
É muito difícil dizer qualquer coisa, num momento de tristeza e luto como o presente, que traga alívio imediato aos corações pesarosos daqueles que choram. Tais aflições só podem ser plenamente aliviadas com o passar do tempo e a influência do bom espírito sobre os corações dos que choram, pelo qual podem obter conforto e satisfação em suas esperanças quanto ao futuro. Pela perda de um pai ou de uma mãe na família não há reparação adequada; não há remédio neste mundo que supra tal perda, e a única consolação que temos é a esperança de que possamos viver de tal maneira que nos seja permitido reencontrar nossos amados, fiéis e verdadeiros amigos que partiram antes de nós, ou que virão depois de nós, e desfrutar novamente de sua companhia em outra esfera ou estado, que será imortal. Se pudermos apenas ficar satisfeitos em nossa mente pelo testemunho do bom espírito, sabendo que o curso que seguimos nesta vida é tal que nos garantirá esse privilégio, então, nessa reflexão há um grau de conforto e satisfação, senão de alegria, apesar de nossa separação, no tempo, daqueles que amamos e estimamos, pois, embora tenham partido de nós, sabemos que os reencontraremos numa esfera melhor e mais duradoura. Lembro-me de meus sentimentos quando fui chamado, pela primeira vez, a me separar de um de meus filhos — meu primogênito. Pareceu-me uma perda irreparável — uma calamidade, e se eu não tivesse contido meus sentimentos, teria sentido que era cruel da parte do Senhor permitir que alguém tão brilhante, tão puro e inocente fosse levado pela mão da morte, depois de permanecer conosco apenas o tempo suficiente para se tornar a alegria de nosso coração e a luz de nosso lar. De fato, foi uma dura provação para nossos sentimentos separar-nos de alguém que parecia tão indispensável à nossa felicidade, e por algum tempo pareceu que a substância de nossa alegria e esperança havia fugido para sempre; mas aprendi que há muitas coisas que são bem piores do que a morte. Com meus sentimentos e opiniões atuais, e com o entendimento que tenho da vida e da morte, eu preferiria de longe acompanhar cada filho meu à sepultura em sua inocência e pureza, do que vê-los crescer até a idade adulta e se degradarem pelas práticas perniciosas do mundo, esquecerem o Evangelho, esquecerem a Deus e o plano de vida e salvação, e se afastarem da única esperança de recompensa eterna e exaltação no mundo vindouro. ¶
Muito melhor, no meu entender, é acompanhá-los à sepultura antes de terem começado tais atos temerosos, ou de terem caído em tais erros temerosos. Preferiria mil vezes morrer enquanto tenho a fé do Evangelho em meu coração e a esperança da vida eterna dentro de mim, com a perspectiva de me tornar digno de herdar uma coroa de vida eterna, que é o maior dom de Deus ao homem, do que viver na posse de tudo o que o mundo oferece e perder esse dom. ¶
Seria muito melhor para mim e para toda a minha família morrer na fé do que viver e negá-la, e trazer sobre nós vergonha, desonra e ruína para sempre. ¶
O Evangelho nos foi revelado nesta dispensação. A revelação do Evangelho é uma realidade; não há nada de fictício nisso. É odor de vida para a vida, ou de morte para a morte. O plano de salvação foi revelado para a redenção do mundo. Iremos negá-lo depois de nos termos familiarizado com suas gloriosas verdades? ¶
Nenhuma pessoa pode se afastar da verdade para as trevas e o erro e para "caminhos torpes e proibidos," e continuar naquele curso sem perder todo o direito às bênçãos e privilégios da primeira ressurreição. ¶
Se a verdade não tivesse sido revelada ao mundo, e a humanidade tivesse sido deixada na ignorância com relação a estes princípios, seria algo muito diferente; haveria alguma desculpa para eles; mas o fato de que a luz veio ao mundo, de que a verdade foi revelada e o caminho da salvação delineado e tornado simples e claro para que todos nele andem, torna absolutamente necessário que todos cheguem ao conhecimento da verdade, andem circunspectamente, e guardem os mandamentos que o Senhor deu. Seria imensuravelmente melhor para nós depormos nossos corpos agora, na fé do Evangelho, do que vivermos até uma idade avançada e nos afastarmos dela, perdendo assim nosso direito à vida eterna. ¶
Se vivermos e nos afastarmos da verdade, seremos separados, ao longo das incontáveis eras da eternidade, da companhia daqueles que amamos. Não teremos nenhum direito sobre eles, e eles não terão nenhum direito sobre nós. Haverá um abismo intransponível entre nós, que não poderemos atravessar, um em direção ao outro. Se morrermos na fé, tendo vivido vidas retas, somos de Cristo, temos a garantia de recompensa eterna, estando na posse dos princípios da verdade eterna, e seremos revestidos de glória, imortalidade e vidas eternas. Enquanto peregrinamos na carne, passamos grande parte de nossa vida em tristeza; a morte nos separa por um curto período, alguns de nós passam além do véu, mas virá o tempo em que nos reencontraremos com os que partiram, e desfrutaremos da companhia uns dos outros para sempre. A separação é, por assim dizer, apenas por um momento. Nenhum poder poderá então nos separar. Tendo Deus nos unido, temos um direito uns sobre os outros — um direito inegável — na medida em que fomos unidos pelo poder do sacerdócio no Evangelho de Cristo. Portanto, é melhor sermos separados nesta vida por uma pequena estação, ainda que tenhamos de passar por privação, tristeza, dificuldade, labuta, viuvez, orfandade, e muitas outras vicissitudes, do que sermos separados por toda a eternidade. Ao cumprirmos os princípios do Evangelho, tornamo-nos herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo. A antecipação destes grandes privilégios nos traz felicidade agora, e fortalece nossas esperanças de exaltação e recompensa eterna no reino de Deus no futuro. Nenhum outro poder senão o de Deus, por meio do conhecimento da verdade, pode dar tal prazer, paz de espírito, consolo e felicidade aos corações pesarosos dos mortais. O Evangelho foi revelado para a salvação e exaltação dos filhos dos homens, e se apenas o recebessem, traria, por fim, felicidade pura e perfeita a todos, até mesmo uma "plenitude de alegria." ¶
Olhemos para o futuro. Não devemos remoer as dificuldades pelas quais já passamos. Este é um mundo de tristeza, de cuidado, de provação; um mundo de decepção, ansiedade e labuta. Nós o encontramos como é, e muitos de nós contribuímos para que não seja melhor. Quando Deus organizou o mundo, Ele o declarou bom, mas os homens transgrediram as leis e se afastaram das sendas da vida. A humanidade não vive pelos princípios da justiça, da verdade, da retidão e da igualdade. São transgressores da lei, e cairão sob sua condenação. Lamento dizer que a humanidade traz sobre si mesma o mal, e portanto o sofrimento. Os homens se levantam e oprimem seu próximo. Muitos têm prazer em oprimir seus semelhantes, e o fazem porque não têm o Espírito de Deus nem o amor do Evangelho em seu coração. Odeiam a justiça e a retidão, e são estranhos à misericórdia, porque não conhecem a Deus nem Sua lei, nem compreendem os resultados de seus próprios atos. Ao passo que, se estivessem imbuídos do bom espírito, confortariam e elevariam aqueles ao seu redor. Se os homens usassem devidamente as bênçãos que Deus lhes deu para o bem de toda a humanidade, logo poderíamos ver os efeitos na melhoria do mundo; mas muitos estão tão decaídos e degradados que nada lhes importa, nem a si mesmos nem a ninguém mais. ¶
Muitos são mais amantes do prazer e da luxúria do que amantes de Deus. Deleitam-se nas concupiscências da carne, na satisfação de seus apetites, com desejos malignos, vivendo em corrupção, devassidão, orgias e toda espécie de maldade. Muitas pessoas não sabem como ser felizes, não sabendo como usar as bênçãos que Deus lhes deu. Se tivessem todo o mundo, o usariam para satisfazer suas próprias paixões e desejos vis, para sua própria destruição. Mas se possuíssem o espírito correto, buscariam promover a paz e a felicidade da humanidade e estender a influência do Evangelho de luz e verdade a todo o mundo. Amariam a pureza, a virtude, a honestidade, a sobriedade e a retidão. Deveríamos usar as bênçãos que recebemos para a glória do Senhor. Deveríamos confortar os que choram e prover para os que estão em necessidade. Se usássemos as bênçãos que Deus nos deu para Sua honra e glória, todos seriam felizes; mas nem todos vemos nem agimos da mesma forma. Na medida em que não usamos os dons ou talentos que nos são dados por Deus para a elevação da humanidade, conhecemos bem demais os tristes resultados. São a miséria e a ruína para o tempo, e talvez para toda a eternidade. ¶
Todo homem terá de prestar contas de sua mordomia, e cada um de nós será responsabilizado por suas próprias obras, sejam boas ou más. Seremos julgados pelos atos praticados na carne; se foram maus, teremos de pagar a pena e satisfazer a justiça e as exigências de uma lei quebrada. Aqueles que pecaram contra o Espírito Santo não terão redenção. Todos serão salvos, com esta exceção, e sairão da "prisão" e serão exaltados e receberão uma recompensa e uma herança nas moradas preparadas para eles na casa de Deus. Deus não julga os homens como nós julgamos, nem os vê sob a mesma luz que nós. Ele conhece nossas imperfeições — todas as causas, os "porquês e razões" Lhe são manifestos. Ele nos julga por nossos atos e pelas intenções de nosso coração. Seus julgamentos serão verdadeiros, justos e retos; os nossos são obscurecidos pelas imperfeições do homem. Somos obrigados a obedecer às leis de Deus a nós reveladas no Evangelho. Cabe à Irmã Urie e a seus pequeninos cumprir estas leis ao longo de suas vidas. Cabe à viúva e ao órfão viver segundo os princípios do Evangelho, serem fiéis e guardarem os convênios que fizeram. Se assim fizerem, serão exaltados em Seu reino, e receberão tudo o que seu coração possa legitimamente desejar. Receberão a recompensa, se forem fiéis, e nada perderão. Deus não permitirá que os justos sejam privados das bênçãos que justamente merecem; alcançarão sua exaltação. Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, nem o coração do homem pode conceber a glória e a exaltação que estão reservadas para os fiéis. ¶
Este é meu testemunho a respeito deste assunto. Conheço o Irmão Urie há bastante tempo; era um homem de bom coração; era amigo da humanidade, na medida em que estava em seu poder sê-lo, o que comprovou por muitos atos de bondade para com seus semelhantes. Ele agiu, algumas vezes, de forma imprudente para consigo mesmo e sua família. Lamento dizer isto, mas não podemos ignorar o fato, ele é bem conhecido demais. Não creio que ele tenha prejudicado ninguém além de si mesmo e de sua família. Eles o perdoarão, nós o perdoaremos, e confio que Deus o perdoará por esta loucura. Não creio que ele fosse capaz de tocar um fio de cabelo de qualquer homem sobre a terra, ou levantar um dedo para prejudicar alguém. Ele foi amigo da causa de Sião e dos Élderes de Israel. Receberá sua recompensa se tiver sido fiel aos seus convênios com Deus. Não creio, por um momento, que os tenha abandonado ou jamais negado a fé. Ele responderá pelo mal que cometeu contra si mesmo e sua família. Deus não o abandonará, na medida em que ele não O abandonou e Lhe foi fiel, e ele será preservado, mas terá de sofrer a consequência de sua loucura e pagar a dívida. Digo isto: se eu tivesse o poder, como salvador sobre o Monte Sião, eu o perdoaria, e nada me daria mais alegria e prazer do que administrar a recuperação, a salvação e a exaltação ao Irmão Urie. ¶
Obedeçamos à nossa religião. Guardemos os mandamentos de Deus, e criemos nossos filhos no caminho da vida e da salvação, ensinando-lhes os princípios do Evangelho, a serem virtuosos, honestos e puros, para que possam levar vidas puras e santas e se apegar à fé, para que todos possam sair vitoriosos e receber a coroa e a bênção das vidas eternas. O Bispo Kesler estava dizendo que somos seres mortais. É verdade que todos nós somos revestidos de mortalidade, mas nossos espíritos existiam muito antes de assumirem este tabernáculo que agora habitamos. Quando este corpo morre, o espírito não morre. O espírito é um ser imortal, e, separado do corpo, voa para o lugar que lhe foi preparado, e ali aguarda a ressurreição do corpo, quando o espírito retornará e voltará a ocupar este tabernáculo que ocupou neste mundo. ¶
Este grande e glorioso princípio da ressurreição já não é mera teoria, como alguns pensam, mas é um fato consumado, que já foi demonstrado além de toda contradição, dúvida ou controvérsia bem-sucedida. Jó, que viveu antes da ressurreição de Cristo, possuindo o espírito de profecia, aguardava com expectativa o tempo da ressurreição. Ele compreendia o fato. Entendia o princípio e conhecia o poder e o desígnio de Deus para cumpri-lo, e predisse sua realização. Ele declara: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra;" e diz ainda: "e depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus." Ele aguardava algo ainda não realizado, algo que nunca havia sido feito neste mundo antes de seus dias. Não se cumpriu senão muito depois de seu tempo. Tendo recebido o espírito do Evangelho e da revelação, foi capacitado a olhar para o tempo ainda por nascer e ver seu corpo, que se decompusera e reduzira a pó, ressuscitado dentre os mortos. O que ele viu pelos olhos da fé tornou-se história real para nós, e possuímos não apenas o registro histórico do fato, mas o conhecimento, pelo testemunho do Espírito Santo, de sua veracidade. Não estamos, portanto, na mesma situação de Jó; vivemos nos "últimos tempos," que estão prenhes de acontecimentos grandiosos e gloriosos, entre os quais o maior é este glorioso princípio da ressurreição dos mortos, que já não é mera predição, esperança acalentada, ou promessa profética, mas realidade; pois, muito antes de nossos dias, já foi de fato cumprida. O próprio Cristo rompeu as barreiras do sepulcro, venceu a morte e a sepultura, e saiu "as primícias dos que dormem." Mas alguém dirá: como podemos saber que Jesus foi morto ou ressuscitado? Temos abundante evidência para mostrar que Jesus foi crucificado e ressuscitado. Temos o testemunho de Seus discípulos, e eles apresentam evidência irrefutável de que O viram crucificado, e testemunharam as feridas dos pregos e da lança que Ele recebeu na cruz. Testificam também que Seu corpo foi depositado num sepulcro em que ninguém jamais fora posto, e rolaram uma grande pedra até a porta e se retiraram. ¶
Ora, os principais sacerdotes e fariseus não ficaram satisfeitos com a crucificação e o sepultamento de nosso Senhor e Salvador; lembraram-se de que, ainda em vida, Ele havia dito que depois de três dias ressuscitaria, de modo que estabeleceram uma guarda forte para proteger o sepulcro e puseram um selo sobre a pedra, para que Seus discípulos não viessem de noite e roubassem o corpo, e dissessem ao povo: "Ele ressuscitou dentre os mortos," e assim perpetrassem uma fraude sobre o mundo. ¶
Eis que, por este mesmo ato, aqueles incrédulos guardas se tornaram testemunhas reais do fato de que um ser celestial veio e rolou a pedra, e de que Jesus saiu. Os discípulos testemunham e testificam da ressurreição, e seu testemunho não pode ser refutado. Portanto, permanece firme, e é verdadeiro e fiel. ¶
Mas é esta a única evidência que temos com que contar? Não temos nada além do testemunho dos antigos discípulos em que apoiar nossas esperanças? Graças a Deus, temos mais. E a evidência adicional que possuímos nos capacita a nos tornarmos testemunhas da veracidade do testemunho dos antigos discípulos. Vamos ao Livro de Mórmon; ele testifica da morte e ressurreição de Jesus Cristo em termos claros e inequívocos; podemos ir ao livro de Doutrina e Convênios, que contém as revelações desta dispensação, e ali encontraremos evidência clara e bem definida. Temos o testemunho do Profeta Joseph Smith, o testemunho de Oliver Cowdery, e o testemunho de Sidney Rigdon, de que viram o Senhor Jesus — o mesmo que foi crucificado em Jerusalém — e que Ele Se revelou a eles. Joseph e Sidney assim testificam: ¶
"Nós, Joseph Smith Júnior e Sidney Rigdon, estando no Espírito, no décimo sexto dia de fevereiro do ano de mil oitocentos e trinta e dois de nosso Senhor — Pelo poder do Espírito abriram-se nossos olhos e iluminou-se nosso entendimento, de modo a vermos e compreendermos as coisas de Deus — Até as coisas que existiram desde o princípio, antes de o mundo existir, as quais foram ordenadas pelo Pai, por meio de seu Filho Unigênito, que estava no seio do Pai desde o princípio; De quem testemunhamos; e o testemunho que prestamos é a plenitude do evangelho de Jesus Cristo, que é o Filho, o qual vimos e com quem conversamos na visão celestial." (D. e C., seção 76, versículos 11-14.) Foram chamados para serem testemunhas especiais de Jesus Cristo e de Sua morte e ressurreição. ¶
Temos também o testemunho dos antigos discípulos que viveram neste continente, quanto à crucificação e à ressurreição. Encontrareis seu testemunho registrado no Livro de Mórmon. Os discípulos que viveram neste continente sabiam o que se passara em Jerusalém; o Senhor lhes mostrou estas coisas. Depois de Sua ressurreição, Ele Se manifestou a Seus discípulos neste continente, e mostrou-lhes as feridas que recebera no Calvário. Convenceram-se de que Jesus era o Cristo e o Redentor do mundo. Contemplaram-No na carne, e disso testificam, e seu testemunho é verdadeiro. Temos o testemunho de muitas testemunhas. Temos o testemunho de onze testemunhas especiais quanto à autenticidade divina do Livro de Mórmon, livro que testifica da ressurreição de Cristo, contendo, como contém, os registros dos antigos profetas e discípulos de Cristo neste continente, confirmando assim seus testemunhos. ¶
Será esta toda a evidência que temos? Não. Joseph Smith declarou ousadamente ao mundo que, se a humanidade se arrependesse sinceramente de seus pecados e fosse batizada por autoridade, não somente receberia a remissão de seus pecados, mas, pela imposição das mãos, receberia o Espírito Santo, e conheceria a doutrina por si mesma. Assim, todos os que obedecem à lei e permanecem na verdade tornam-se testemunhas desta e de outras verdades igualmente grandiosas e preciosas. Hoje há milhares de Santos dos Últimos Dias vivendo em Utah e por todo o mundo que alcançaram a posse destas coisas, tanto homens quanto mulheres. Se testemunharmos, por nossos atos e de nosso coração, nossa determinação de cumprir a mente e a vontade do Senhor, teremos esta dupla garantia de uma gloriosa ressurreição, e poderemos dizer como disse o Profeta Jó — foi uma declaração gloriosa a sua — "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará (novamente) sobre a terra; e depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus; a quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro; e por isso as minhas entranhas se consomem dentro de mim." Milhares receberam este testemunho e podem testemunhar a Deus e testificar de coração que sabem destas coisas. ¶
Presto meu testemunho, e certamente ele tem tanta força e efeito, se for verdadeiro, quanto o testemunho de Jó, os testemunhos dos discípulos em Jerusalém, dos discípulos neste continente, de Joseph Smith, ou de qualquer outro homem que disse a verdade. Todos têm igual força e são vinculantes para o mundo. Se nenhum homem jamais tivesse testificado destas coisas sobre a face do globo, quero dizer, como servo de Deus, independentemente dos testemunhos de todos os homens e de todo livro que já foi escrito, que recebi o testemunho do Espírito em meu próprio coração, e testifico diante de Deus, dos anjos e dos homens, sem medo das consequências, que sei que meu Redentor vive, e que O verei face a face, e estarei com Ele em meu corpo ressuscitado sobre esta terra, se eu for fiel; pois Deus me revelou isto. Recebi o testemunho, e presto meu testemunho, e meu testemunho é verdadeiro. O testemunho dos Santos dos Últimos Dias soma-se e está em harmonia com o dos discípulos de Jesus Cristo que viveram em Jerusalém, os que viveram neste continente, o Profeta Joseph, Oliver, Sidney e outros, a respeito de nosso Redentor crucificado e ressuscitado, porque não o receberam deles, mas pelo mesmo espírito pelo qual eles o receberam. Nenhum homem jamais recebeu este testemunho a menos que o Espírito de Deus lho revelasse. ¶
Reveremos o Irmão Urie novamente. A Irmã Urie o encontrará do outro lado da sepultura. O espírito e o corpo serão reunidos. Nos veremos uns aos outros na carne, nos mesmos tabernáculos que temos aqui na mortalidade. Nossos tabernáculos serão trazidos à luz tal como foram depostos, embora se efetue uma restauração; todo órgão, todo membro que tenha sido mutilado, toda deformidade causada por acidente ou de qualquer outra maneira, será restaurado e corrigido. Todo membro e articulação será restaurado à sua estrutura própria. Nos conheceremos uns aos outros e desfrutaremos da companhia uns dos outros ao longo das intermináveis eras da eternidade, se guardarmos a lei de Deus. Cabe a nós permanecermos verdadeiros e fiéis, e guardarmos nossos convênios, e criarmos nossos filhos nas sendas da santidade, da virtude e da verdade, nos princípios do Evangelho, para que possamos, com eles, estar preparados para desfrutar do dia perfeito e eterno. ¶
Que Deus vos abençoe, e minha oração sincera é que o Senhor abençoe a Irmã Urie e seus queridos pequeninos neste luto; que Ele preserve suas vidas, os estabeleça firmemente na fé do Evangelho e no amor à verdade, para que sejam dignos de sair na manhã da primeira ressurreição, coroados de glória e vidas eternas. Pronuncio esta bênção sobre eles, na medida em que vivam fielmente, em nome de Jesus. Amém. ¶