A Recente Viagem do Presidente John Taylor a Bear Lake—Seleções de Seus Discursos Proferidos nos Diversos Povoados—A Obra de Deus—Os Acontecimentos dos Tempos—Ajuntamento—Ordenanças do Templo—O Objetivo do Casamento—Casamento Plural—Uma Lição Terrível—As Leis de Deus Devem Ser Cumpridas—O Sacerdócio—Partidos, Panelinhas, Argolas, Murmuradores—Deus Está do Lado de Israel
John Taylor
Ocupamos uma posição diferente da de qualquer outro povo sobre a face de toda a terra. Temos uma grande obra a realizar, e há deveres e responsabilidades que recaem sobre nós que não recaem sobre nenhum outro povo. Não há homem vivo, nem que jamais tenha vivido, que pudesse ter organizado e posto em ordem a obra em que estamos engajados. Não há homens vivos, sem o auxílio do Todo-Poderoso, capazes de levar esta obra à sua consumação. Todos os que nela operaram tiveram de confiar no Deus vivo para instrução, orientação e sustento, e todos os que daqui em diante nela operarem, ou que agora nela operam, terão de confiar na mesma fonte. Esta obra está associada aos propósitos e desígnios de Deus, que Ele contemplou e planejou desde antes da fundação do mundo. O dia em que vivemos foi falado e profetizado por todos os Profetas que existiram desde que o mundo é mundo, e nas Escrituras é enfaticamente denominado "a dispensação da plenitude dos tempos," em que Deus reunirá todas as coisas em uma, sejam elas coisas na terra ou coisas nos céus. Nem Joseph Smith, nem Hyrum Smith, nem Sidney Rigdon, nem Brigham Young, nem eu mesmo, nem ninguém associado à Igreja no momento presente, tivemos qualquer participação na origem destas coisas. Esta obra foi iniciada pelo Todo-Poderoso; tem sido conduzida por Ele, e sustentada por Seu poder, e se um dia for consumada, sê-lo-á pelo poder, direção e sustento do Senhor Jeová, de Jesus, o Mediador do novo convênio, e depois por meio do Sacerdócio aqui na terra. Estas coisas se originaram nos céus, nos conselhos dos Deuses; e a organização do Sacerdócio, e o poder deste, e tudo a ele pertencente, foi confiado dos céus principalmente por meio de Joseph Smith, e por meio de outros que estiveram associados com ele nesta grande obra. ¶
Os tempos em que vivemos estão prenhes de grandes acontecimentos, e virão coisas que afetarão todos os povos — guerras e rumores de guerras, pestilência, terremotos, as ondas do mar se elevando além de seus limites; estes e outros julgamentos irão adiante entre as nações da terra até que, como dizem as Escrituras, será vexação ouvir seu relato. Eu simplesmente observaria, no entanto, a respeito destas coisas, que são os decretos do Todo-Poderoso. Não são algo que se originou conosco. Encontramo-las mencionadas na Santa Bíblia, o registro dos judeus; encontramo-las mencionadas no Livro de Mórmon, o registro dos nefitas, e também nas revelações que nos foram dadas pelo Senhor por meio do Profeta Joseph Smith; e há muitos hoje vivos que sabem que estes acontecimentos se cumprirão, por coisas que lhes foram manifestadas. ¶
Associado a esta grande obra de Deus está o princípio do ajuntamento, e o trabalho de construir templos. Fomos ajuntados das diferentes nações da terra para a terra de Sião, para que fôssemos ensinados por Deus, e ficássemos sujeitos à vontade de Deus, à palavra de Deus e à lei de Deus. Um templo foi construído em Kirtland, Ohio, num estágio muito inicial da história da Igreja, no ano de 1836, ou seis anos depois da organização da Igreja. Algumas das ordenanças da casa de Deus foram reveladas e praticadas ali, e muitas revelações, visões e grandes manifestações do poder de Deus foram dadas ao povo. Depois foi construído um templo em Nauvoo, onde outros desenvolvimentos se deram, e outras ordenanças mais avançadas foram reveladas e administradas. Foi por meio de grande luta e energia indômita que estas coisas puderam ser realizadas. Antes da conclusão deste último templo, Joseph e Hyrum foram mortos. Mas finalmente o templo foi terminado e dedicado a Deus, e muitos princípios que haviam sido revelados a Joseph Smith — e que ele havia comunicado às principais autoridades da Igreja antes de sua morte — foram ali levados a cabo e administrados pelo Santo Sacerdócio. Estamos agora construindo outros templos. Há um que foi concluído há vários anos em St. George, e muitos milhares de pessoas foram atendidas naquele templo, tanto pelos vivos quanto em favor dos mortos. Temos outro templo em Logan, e outro também em Manti, ambos progredindo muito favoravelmente, assim como o de Salt Lake City. Ora, quanto ao uso destes templos, nem nós nem ninguém mais vivo tinha qualquer ideia até que isso nos foi revelado por Deus — exatamente como foram revelados os primeiros princípios do Evangelho, pois em lugar algum da terra podiam ser encontrados. Joseph Smith disse aos Doze, em minha presença, antes de sua partida para a Grã-Bretanha: "Se encontrardes um povo que tenha corretamente até mesmo os primeiros princípios do Evangelho de Cristo, não precisareis batizá-los, pois a posse desses princípios será um sinal de que possuem alguma porção do Santo Sacerdócio." E a isto o Apóstolo João dá testemunho quando diz: "Todo aquele que transgride, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho." Mas eu jamais encontrei ninguém — e já viajei muitos milhares de milhas — que tivesse corretamente até mesmo os primeiros princípios do Evangelho, nem tampouco nenhum de meus irmãos — os Doze, Setentas, Élderes, Sumos Sacerdotes, etc. — jamais encontraram tal povo. Nós mesmos nada sabíamos a respeito destas coisas até que nos foram reveladas dos céus a Joseph Smith. Nenhum povo fora dos Santos dos Últimos Dias sabe como construir templos. O mundo não saberia hoje o que fazer com eles, se os tivesse. Nem religiosos, cientistas, políticos, estadistas, filantropos, nem quaisquer outros saberiam como administrar naqueles templos, se os tivessem. Não saberiam mais como administrar ali do que esta mesa que está diante de mim; e então seríamos tão ignorantes quanto eles a este respeito, não fosse pela inteligência que nos foi transmitida pelo Todo-Poderoso. Mas Ele nos deu revelação a respeito deste assunto; Ele nos disse o que fazer e como fazê-lo, e qual será o resultado de nossa ação na realização destas ordenanças. ¶
Mas o mundo é ignorante a respeito de muitas outras coisas; nada sabem sequer a respeito do casamento nem de seu objetivo. O que sabem eles sobre a união eterna? Nada. Existe algum homem vivo fora desta Igreja que terá algum direito sobre sua esposa do outro lado do véu? Não. Por quê? Porque em todos os seus casamentos, não importa por qual igreja ou denominação sejam celebrados, a cerimônia declara distintamente: "até que a morte os separe." Esta é o auge da perfeição no mundo cristão a este respeito! Nada mais pode ser encontrado em lugar algum, entre nenhum dos religiosos professos do mundo; a aproximação mais próxima pode ser encontrada não entre os ministros, mas na literatura barata da época, pois esta às vezes se refere à perspectiva de "uniões eternas" no futuro, ao passo que as igrejas não reconhecem tal princípio. Deus revelou, por meio de Seu servo Joseph Smith, algo mais. Ele nos falou a respeito de nossas associações no futuro. Ele nos falou a respeito de nossas esposas e de nossos filhos serem selados a nós, para que tivéssemos direito sobre eles na eternidade. Ele nos revelou a lei do casamento celestial, associado ao qual está o princípio do casamento plural. Falarei um pouco sobre este assunto. Raramente me refiro a ele, mas há necessidade disso ocasionalmente. Falo dele como daquela lei que nos foi dada por Deus. Não sei, mas fui informado de que há aqueles que parecem se opor a esta lei em um ou dois lugares por onde temos viajado. Ora, não ouso me opor a nada do gênero. Não ouso violar nenhuma lei de Deus. E vou dizer-vos o que Joseph Smith disse sobre o assunto. Ele apresentou este princípio aos Doze, e os chamou a obedecê-lo, e disse que, se não o fizessem, o reino de Deus não poderia avançar um passo sequer. Por que não poderia avançar um passo sequer? Porque tínhamos uma religião para viver, mas nenhuma que colocasse nossas associações sobre princípios eternos, ou nos desse direito uns sobre os outros nas relações familiares nos mundos eternos. Mas por meio deste princípio, poderíamos ser selados uns aos outros através do tempo e da eternidade; poderíamos nos preparar para uma exaltação no Reino Celestial de Deus. É uma das maiores bênçãos jamais conferidas à família humana. É uma lei eterna que sempre existiu, tanto em outros mundos quanto neste mundo. Chamarei aqui a vossa atenção para a própria revelação, que diz: ¶
"Em verdade, assim diz o Senhor a ti, meu servo Joseph, já que te dirigiste a mim para saber e compreender como eu, o Senhor, justifiquei meus servos Abraão, Isaque e Jacó; assim como Moisés, Davi e Salomão, meus servos, no que diz respeito ao princípio e doutrina de terem muitas esposas e concubinas —" ¶
"Eis que eu sou o Senhor teu Deus, e te responderei quanto a este assunto. ¶
"Portanto, prepara o teu coração para receber as instruções que estou prestes a dar-te e para obedecer a elas; porque todos a quem esta lei é revelada devem obedecê-la." ¶
Vereis que isto está estritamente de acordo com o que vos disse que Joseph Smith disse aos Doze — que se esta lei não fosse praticada, se não entrassem neste convênio, então o reino de Deus não poderia avançar um passo sequer. Ora, não nos sentíamos dispostos a impedir que o reino de Deus avançasse. Professávamos ser os Apóstolos do Senhor, e não nos sentíamos dispostos a nos colocarmos numa posição de retardar o progresso do reino de Deus. A revelação, como ouvistes, diz que "todos a quem esta lei é revelada devem obedecê-la." Ora, esta não é minha palavra. Não fui eu quem a fez. Foi o Profeta de Deus que nos revelou isso em Nauvoo, e dou testemunho deste fato solene perante Deus, de que Ele revelou este princípio sagrado a mim e a outros dos Doze, e nesta revelação afirma-se que é a vontade e a lei de Deus que "todos a quem esta lei é revelada devem obedecê-la." E a revelação diz ainda: ¶
"Pois eis que eu te revelo um novo e eterno convênio; e se não cumprires esse convênio, então serás condenado." Pensai nisto. Pois é dito ainda: "ninguém pode rejeitar esse convênio e ter permissão de entrar em minha glória." ¶
Há muitas pessoas que tentam se desculpar a este respeito, e que se esforçam por fazer como bem lhes aprouver, mas, tão certo como vive o Senhor Deus, Ele não as desculpará. Ele espera que aqueles que professam ser Seu povo cumpram aquela lei. A revelação prossegue dizendo: ¶
"Pois todos os que receberem uma bênção de minhas mãos obedecerão à lei que foi designada para essa bênção e suas condições, como instituídas desde antes da fundação do mundo." ¶
"E quanto ao novo e eterno convênio, foi instituído para a plenitude de minha glória; e aquele que recebe sua plenitude deve cumprir a lei e cumpri-la-á; caso contrário, será condenado, diz o Senhor Deus." ¶
Pensei em ler um pouco desta revelação. A revelação inteira é bastante extensa. Mas ela diz que todos os convênios até então firmados nada valem, e que não serão de nenhum benefício às pessoas além da sepultura. ¶
Ora, como já disse, a razão era bastante óbvia para que uma lei deste tipo existisse. Como povo, professávamos ser Santos dos Últimos Dias. Professávamos ser governados pela palavra, pela vontade e pela lei de Deus. Tínhamos uma religião que poderia servir para viver, mas nenhuma para morrer. Mas este era um princípio que Deus nos havia revelado, e devia ser obedecido. Eu sempre havia mantido ideias estritas de virtude, e senti, como homem casado, que isto era para mim, fora deste princípio, algo pavoroso de fazer. A ideia de ir e pedir a uma jovem que se casasse comigo, quando eu já tinha uma esposa! Era algo capaz de agitar sentimentos das profundezas mais íntimas da alma humana. Sempre havia mantido o mais estrito apreço pela castidade. Nunca em minha vida vi ocasião em que soubesse de um homem enganando uma mulher — e isso acontece frequentemente no mundo, onde, não obstante o crime, o homem é recebido na sociedade, e a pobre mulher é vista como uma pária e uma excluída — sempre considerei tal coisa infame, e tal homem um vilão, e mantenho hoje as mesmas ideias. Assim, com os sentimentos que eu mantinha, nada senão o conhecimento de Deus, e as revelações de Deus, e a veracidade delas, poderia ter me induzido a abraçar um princípio como este. Procurávamos adiar, tanto quanto possível, o que se poderia chamar o dia mau. Algum tempo depois de estas coisas nos terem sido dadas a conhecer, eu cavalgava para fora de Nauvoo, e encontrei Joseph Smith que vinha entrando, também a cavalo. Alguns de vós que conheciam Nauvoo sabem onde ficava o cemitério. Encontramo-nos na estrada que subia àquela colina. Fiz uma reverência ao Irmão Joseph, e tendo feito o mesmo a mim, ele disse: "Pare;" e olhou para mim com muita intensidade. "Olha aqui," disse ele, "essas coisas de que se tem falado precisam ser cumpridas, e se não forem postas em prática logo, as chaves serão retiradas." Bem, o que eu fiz? Senti-me disposto a impedir este grande e eterno princípio, e a tratar levianamente as coisas de Deus? Não. Respondi: "Irmão Joseph, vou tentar levar essas coisas a cabo," e depois o fiz, e o fiz mais de uma vez; mas nunca violei nenhuma lei dos Estados Unidos ao fazê-lo, e desafio-os a provar o contrário. ¶
Relatei isto para mostrar por que estes convênios eternos são firmados; e aquele homem entre vós que buscar pervertê-los, e ensiná-los a outros, e buscar frustrar os desígnios de Deus a respeito deles, digo-vos que Deus porá Sua mão sobre ele, a menos que se arrependa e tome rapidamente outro rumo. Não sei quando falei tão claramente como fiz hoje; mas estes são os sentimentos de meu coração e são verdadeiros. Cabe a nós magnificar nossos chamados e não brincar com as coisas de Deus. Devemos sustentar e manter invioláveis os princípios que Deus nos confiou. E quanto a esta nação e suas ideias e sentimentos, pedimos muito pouco a homens não razoáveis que não estão familiarizados com os princípios de que falam. Esta nação terá o suficiente com que se ocupar, dentro em breve, sem se incomodar conosco. Cabe a nós aprender os caminhos de Deus e nos colocarmos em sujeição à Sua lei. E então não basta que os homens se casem com esposas e sejam selados de acordo com a ordem de Deus; devem tratá-las devidamente quando as têm; devem tratá-las como tratariam anjos de Deus; devem ser cheios de bondade, misericórdia e longanimidade; devem prover para elas e fazê-las felizes e confortáveis, e cuidar das famílias que delas têm, e assim ganhar o favor de Deus, e o respeito de todos os homens honrados. As leis do céu não devem ser violadas. Devemos guardar sagrados os santos convênios em que entramos. Vou relatar aqui uma circunstância que chegou ao meu conhecimento há pouco tempo, e que servirá para mostrar as terríveis consequências que se seguem à violação da lei de Deus. ¶
Certo Bispo escreveu-me para saber o que deveria ser feito no seguinte caso: um homem havia estado ausente de casa em missão, e durante sua ausência sua esposa havia cometido adultério. Respondi que a mulher teria de ser separada da Igreja; mas pedi que o marido ofendido viesse me procurar. Ele o fez, trazendo consigo sua esposa delinquente e três meninos lindíssimos — três dos meninos mais lindos que já vi. Trouxe também consigo o vilão que causara o dano. Mas eu lhe disse para levá-lo dali, que eu não teria nenhuma comunicação com semelhante desprezível patife. O marido explicou que desejava falar comigo na presença de sua esposa, se lhe fosse conveniente. Queria saber o que seria feito no caso. Disse-lhe que teria de confirmar a decisão do Bispo no caso, mas leria para ele o que diz a lei sobre o assunto. George Reynolds, um de meus secretários, estava presente, e pedi-lhe que lesse certas partes da revelação sobre o casamento celestial; pois haviam se casado segundo aquela ordem. Aquela revelação diz que: "sendo que me indagaste a respeito do adultério, em verdade, em verdade eu te digo: Se um homem receber uma esposa pelo novo e eterno convênio e ela estiver com outro homem que eu não lhe houver designado pela santa unção, ela terá cometido adultério e será destruída." E em outra parte diz: "serão destruídos na carne e entregues às bofetadas de Satanás até o dia da redenção, diz o Senhor Deus." Ora, disse eu, não fui eu quem fez esta lei. Encontro-a na palavra de Deus. Não me cabe mudá-la. Não posso fazer mudança alguma. Lamento por estas criancinhas. Lamento pela vergonha e infâmia que sobre elas recaiu; mas não posso reverter a lei de Deus. Não cometi este crime; não sou responsável por ele; não posso assumir a responsabilidade dos atos de outras pessoas. Bem, isso me partiu o coração. O marido chorou como criança, e a mulher também; mas eu nada podia fazer quanto a isso. Falo disto com o propósito de trazer à tona outras coisas, e de apresentá-las diante do povo. E o princípio que desejo gravar em suas mentes é que nenhum de nós tem o direito de violar as leis de Deus. ¶
O Presidente de uma Estaca não tem o direito de violar estas leis; seus Conselheiros não têm o direito de fazê-lo; os Bispos não têm o direito de fazê-lo; os Sacerdotes, Mestres e Diáconos não têm o direito de fazê-lo. Deus nos chamou para estarmos em lugares santos, e colocou sobre nós a responsabilidade do Sacerdócio. Ele espera que sejamos tão fiéis a esse Sacerdócio e à sua administração quanto os Deuses o são nos mundos eternos. Podemos pensar que podemos fazer isto, aquilo e aquilo outro à revelia da palavra de Deus, mas fique entendido que não podemos esconder coisa alguma do Senhor; as Escrituras dizem: "O inferno e a perdição estão perante o Senhor; quanto mais o coração dos filhos dos homens?" Podemos conseguir esconder nossos assuntos dos homens; mas está escrito que por toda palavra e todo pensamento secreto teremos de prestar contas no dia em que as contas tiverem de ser rendidas perante Deus, quando a hipocrisia e a fraude de qualquer espécie de nada nos valerão; pois por nossas palavras e por nossas obras seremos justificados, ou por elas seremos condenados. Cabe a nós andar retamente diante de Deus. E cabe ao Sacerdócio — os Presidentes de Estacas, Bispos, Sacerdotes, Mestres e Diáconos — serem governados pela lei de Deus, e verem que não prevalece iniquidade alguma na Igreja, e se prevalecer, deve ser tratada de acordo com a lei de Deus, e não de acordo com as noções e opiniões dos homens. Não temos o direito de perdoar isto e mudar aquilo, e pensar que vamos salvar os homens permitindo que toda espécie de iniquidade prevaleça. É dever daqueles em autoridade fazer com que as coisas se resolvam. Às vezes os assuntos são deixados avançar a tal ponto que surgem ressentimentos, divisão, contenda e discórdia, e tudo isso porque Mestres, Bispos e outros não cumprem seu dever. Em nossos Tribunais de Bispos, e em nossos Sumos Conselhos, devemos ser governados pela lei de Deus, e não por nossas noções e simpatias, ou coisa alguma do gênero, e não porque é filho de alguém, ou irmão de alguém, ou parente de alguém. Se eu tiver filhos, irmãos ou parentes, e eles fizerem algo errado, tragam-nos e julguem-nos de acordo com a lei de Deus, e façam o mesmo comigo e com todos os demais. Às vezes pensamos que vamos tolerar isto, aquilo ou aquilo outro. Talvez um homem seja um beberrão, e sendo um sujeito bastante bom, pensamos em tolerá-lo. Digo-vos que ele deve ser tratado de acordo com a lei de Deus, e o mesmo para a profanação do sábado, o adultério, e outras violações de Suas leis. Os Santos não podem violar impunemente nenhuma das leis de Deus, e os oficiais da Igreja devem zelar para que não o façam. Não devemos ser governados por simpatias. Minhas simpatias, no caso que relatei, eram muito fortes; mas não devo ser governado por simpatias — devo ser governado pela lei de Deus. ¶
"A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma." Deus organizou Sua Igreja segundo o padrão que existe nos céus, e nos deu leis para seu governo, e colocou à frente dela o santo Sacerdócio, que é segundo a ordem de Melquisedeque, que é segundo a ordem do Filho de Deus, e que é segundo o poder de uma vida sem fim, e depois introduziu também o Sacerdócio Aarônico como apêndice ao outro. E o que são estes Sacerdócios? O Sacerdócio é o governo e domínio de Deus tal como existe, seja nos céus ou na terra, e onde quer que aquele Sacerdócio seja introduzido, e o Evangelho seja introduzido, vida e imortalidade são trazidas à luz; de modo que os homens possam ser colocados em comunhão com Deus; de modo que, pelo espírito de luz, verdade e revelação, possam recuar as névoas das trevas, contemplar o panorama das eras futuras, e contemplar os desígnios de Deus tal como se desdobram em toda a sua majestade, poder e glória. Esta é a posição que nós, como Sacerdotes do Deus Altíssimo, deveríamos ocupar. Deveríamos sentir que não vivemos para nós mesmos, mas que vivemos para Deus — vivendo para realizar Seus propósitos. Estamos aqui para edificar Sua Igreja e purificá-la de todo mal, para que possa ser apresentada diante do Pai como a noiva, a esposa do Cordeiro, sem mácula nem ruga. Estamos aqui para edificar um Sião ao Senhor dos Exércitos — um Sião, que significa os puros de coração — um povo que estará preparado para os grandes acontecimentos prestes a se cumprir sobre esta terra, e que será capaz de suportar as convulsões que hão de derrubar o mundo — e Ele nos deu o Sacerdócio exatamente para esse propósito. ¶
Mas há aqueles em nosso meio que, embora tenham nome e posição na Igreja, desrespeitam a autoridade do Sacerdócio, tanto local quanto geral. Ouço às vezes falar de partidos, e de panelinhas, e de argolas em nosso meio. O quê! Um partido na Igreja e reino de Deus? O quê! Argolas associadas aos princípios da verdade eterna — associadas à lei celestial que emana de nosso Pai Celestial? O diabo formou uma argola e foi expulso do céu por tê-la formado, assim como uma terça parte dos espíritos que se associaram a ele. Foram expulsos porque conceberam princípios que se opunham à palavra, à vontade e à lei de Deus, e todo homem que seguir seus passos, a menos que rapidamente se arrependa, será colocado na mesma posição — também será expulso. A lei de Deus deve ser posta em vigor contra o transgressor. Nenhum homem que professa ser Santo dos Últimos Dias pode transgredir impunemente. O Sacerdócio de Deus não pode ser desrespeitado impunemente. Temos homens em nosso meio que não têm medo de falar contra as autoridades da Igreja nas localidades em que vivem. Judas, em sua epístola geral, refere-se a tais homens. Ele os menciona como "semelhantemente adormecidos, contaminam a carne, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades." No entanto, ele diz: "Miguel, o arcanjo, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele, mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, falam mal do que não sabem... são nuvens sem água, levadas dos ventos... estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a escuridão das trevas. Estes são murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências; e cuja boca fala coisas muito arrogantes, admirando as pessoas por causa do proveito." Também Pedro fala de tais personagens: "Mas estes, como animais irracionais, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção." Ora, temos homens assim por toda parte. Creio que o Irmão Hosea Stout os descreve como "espertinhos." Pensam que são mais sábios e melhores do que os outros, e querem regular os assuntos de Deus, quando Deus não lhes deu nenhuma autoridade para isso. Mas ai daqueles que lutam contra as autoridades da Igreja de Deus. Que tais sejam levados perante os tribunais próprios; pois nenhuma maledicência, nem nada do gênero, pode ser tolerada na Igreja e reino de Deus. São coisas que prevalecem mais ou menos em várias partes do Território. Suponho que temos de enfrentá-las. Sempre estiveram, em maior ou menor grau, mescladas à Igreja e reino de Deus sobre a terra; mas cabe às autoridades expurgar a Igreja de todas essas coisas, e ter um povo que seja unido, que seja um só, e que seja governado pela lei de Deus. Se eu violar alguma lei da Igreja, tragam-me perante ela; se outra pessoa o fizer, tragam-na também; mas não andem por aí, escondidos, caluniando e deturpando. Ajamos como homens, ao menos, se não formos Santos; mas devemos ser fiéis ao nosso chamado e profissão, e honrar nosso Deus. Não há nada de novo em tudo isto. O espírito de rebelião tem se manifestado desde que o diabo e seus anjos foram expulsos do céu. Ele e eles têm feito guerra contra os Santos, e assim continuarão a fazer; mas Satanás finalmente será vencido. Antes disso, porém, Satanás será amarrado por mil anos, e durante esse tempo teremos ocasião de construir templos e ser batizados pelos mortos, e realizar uma obra pertinente ao mundo que já foi, assim como ao mundo que agora é, e de operar sob a direção do Todo-Poderoso, cumprindo aqueles desígnios que Ele contemplou desde a fundação do mundo. ¶
Cabe a nós vivermos santa, justa, pura e retamente perante Deus, para que tenhamos uma reivindicação legítima sobre Ele. Se assim fizermos, então vos digo, em nome do Deus de Israel, que clamareis ao Senhor e Ele ouvirá e vos responderá; que vos achegareis a Ele e Ele Se achegará a vós, e derramará sobre vossas cabeças bênçãos que não vos entrou no coração conceber; e se todo Israel assim fizer, e temer a Deus e praticar a justiça diante Dele, não há poder existente que possa causar dano aos Santos; pois Deus está do lado de Israel, e Ele porá um livro nas fauces de nossos inimigos. E direi aqui: ai dos que lutam contra Sião, ai dos que conspiram contra Sião, pois Deus lutará e conspirará contra eles! E ai dos hipócritas em Sião e daqueles que professam temer a Deus e se revolvem na transgressão; Deus estará atrás de vós, pois dentro em pouco os pecadores em Sião ficarão amedrontados, e o pavor surpreenderá o hipócrita. Ora, purifiquemo-nos da iniquidade, pois Deus vai fazer avançar Sua obra, e quer eu ou vós façamos o que é certo ou não, isso não fará diferença, a obra avançará: é avante, avante, avante, e continuará sendo avante, até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre. ¶