Religião Revelada e Métodos de Adoração Feitos pelo Homem—Somente Uma Maneira Verdadeira e Aceitável de Adorar a Deus—Revelações Antigas e Modernas Se Corroboram Mutuamente—O Espírito de Deus é a Luz e a Vida de Todo o Mundo—Os Homens Geralmente Escolhem as Trevas em Vez da Luz—O Surgimento da Luz nos Últimos Dias—Joseph Smith e Suas Doutrinas—A Experiência Pessoal do Orador—As Operações do Espírito—O Caminho para Obter Conhecimento de Deus—A Necessidade do Sacerdócio e do Governo da Igreja—O Cabeça da Igreja é o Porta-Voz de Deus para a Igreja—A Perfeição, Beleza e Harmonia da Obra do Senhor
Charles W. Penrose
Sinto-me grato, meus irmãos e irmãs, por ter o privilégio de me reunir convosco neste lugar para adorar a Deus; e sinto-me muito grato por podermos nos reunir e adorar a Deus da maneira que Ele determinou; e que a religião que abraçamos não é fábula habilmente inventada pelo homem, mas é a própria verdade do Deus eterno, e foi enviada do céu nestes últimos tempos para nosso benefício, para nossa orientação e para nossa salvação, se a ela dermos ouvidos e a obedecermos. ¶
O Deus a quem adoramos não é um Deus de nossa própria invenção, mas um Deus que Se revelou a nós, até certo ponto, e que nos indicou o caminho pelo qual devemos andar. Há uma ideia prevalente no mundo de que todo o Deus que existe é apenas o que os homens formaram e moldaram em suas próprias mentes. É verdade que os povos da terra, em diferentes épocas, imaginaram muitas coisas a respeito da Divindade. Eles estabeleceram deuses próprios, adorando-os segundo suas próprias noções. Mas este não é o caso do povo chamado Santos dos Últimos Dias. Eles não formaram nem moldaram um ser diante do qual se prostrar e adorar; mas receberam comunicação de um Ser Divino com instruções sobre como deveriam agir, e essas instruções formam a sua religião. Os líderes desta Igreja não inventaram o sistema; mas todo princípio a ele ligado foi revelado do alto. ¶
O Deus que os "cristãos" adoram é um ser de sua própria criação — se é que pode existir um ser tal como o descrevem; formaram certas noções a respeito da divindade, e depois formularam essas noções em artigos de fé ou religião. O mesmo se dá com as nações pagãs, assim chamadas. Formaram ídolos de madeira e pedra; outros escolheram os corpos celestes, como o sol, que representam para eles certas qualidades que julgam a divindade deva possuir. Não que as nações pagãs realmente adorem a madeira ou a pedra como tais; mas as imagens que estabelecem, ou os objetos que reverenciam, apenas atraem sua atenção para algo por trás, acima e maior do que esses objetos. O mesmo se dá com o católico romano. Quando se prostra diante da imagem da Virgem Maria, ou diante da imagem do Salvador na cruz, não professa adorar a pintura ou a imagem; estas são apenas meios de conduzir a mente a algo além do que o olho natural vê. Mas essas várias divindades que os povos adoram são, afinal, emanações de suas próprias mentes; são deuses de sua própria invenção. Nisto reside a grande diferença entre as seitas da cristandade e do paganismo, e A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O povo desta Igreja peculiar adora um Ser que, até certo ponto, Se manifestou a eles, e que lhes disse o que sabem a respeito Dele. E as revelações que Ele fez de Si mesmo, e do Evangelho de salvação que recebemos, foram dadas em nosso dia e época por meio de homens que Ele próprio escolheu para esse propósito. O mesmo se dá com relação às diferentes ordenanças e doutrinas da Igreja a que pertencemos; e assim também com nosso modo de adoração, e tudo o que pertence à nossa religião. Tudo isso nos foi revelado, e o aceitamos como vindo de uma fonte superior. ¶
Nossa religião consiste naquilo que Deus nos revela, e não naquilo que nós mesmos fazemos e depois Lhe oferecemos. Algumas pessoas parecem ter a ideia de que Deus deveria receber sua adoração, não importa de que maneira seja feita; que Ele deveria aceitar as ordenanças que administram ou recebem, não importa quais sejam; que toda a adoração que oferecem deveria ser aceita pela Divindade, não importa em que forma seja concebida. Isso ocorre porque os habitantes da terra não compreendem o Deus verdadeiro e vivo e Seus caminhos. O Senhor não aceitará aquilo que Ele mesmo não instituiu; Ele não reconhecerá aquilo que Ele mesmo não revelou. Os habitantes da terra estão, é claro, livres para conceber modos de adoração, e podem elaborar seus próprios princípios e doutrinas religiosas, mas estes não são aceitáveis ao Senhor, nem é razoável esperar que Ele os aceite. Quando Deus Se manifesta aos habitantes da terra e lhes revela a verdade, e lhes dá a conhecer as ordenanças, então o povo fica sob obrigação de receber aquilo que Deus manifestou; mas o Deus Todo-Poderoso não está sob obrigação de aceitar aquilo que o homem inventou. É verdade que as doutrinas que Deus revelou nestes últimos dias não são novas; que não são reveladas pela primeira vez, só porque vivemos nos últimos dias. Em épocas anteriores do mundo, Deus Se manifestou e revelou aos habitantes da terra os Seus caminhos e os chamou a andar em Sua senda; e, portanto, muitas das coisas que Deus nos revelou podem ser encontradas nas antigas Escrituras. Homens santos de outrora, chamados da mesma maneira que os homens o são hoje, deixaram registrado algo do que Deus lhes manifestou; e essas coisas estão escritas na Bíblia e no Livro de Mórmon, e em registros que se perderam, mas que serão trazidos à luz nesta grande e última dispensação da misericórdia de Deus para com o homem. Assim, podemos tomar o livro chamado Bíblia e ler muitos princípios que nos foram manifestados em nosso dia; mas não os tiramos da Bíblia nem de nenhum desses registros. Nós os recebemos porque Deus os revelou a nós; e quando abrimos a Bíblia ou qualquer dos livros escritos por inspiração, e neles encontramos escritas muitas coisas que correspondem ao que Ele nos revelou, elas servem para corroborar a palavra viva de Deus, que desceu a nós do céu. ¶
As diferentes seitas da cristandade professam tomar a Bíblia, o Antigo e o Novo Testamento, como seu guia para a salvação; e dizem que tudo o que nela não se encontra, e que por ela não pode ser provado, não deve ser recebido como artigo de fé. Este é, em termos gerais, um dos princípios que perpassa as várias seitas "cristãs". Elas fundam sua fé, ou professam fundá-la, na Bíblia. Enquanto nós não adotamos essa posição, enquanto nossa fé não se funda na Bíblia nem em nenhum livro escrito, quando comparamos a Bíblia com o que cremos que Deus nos revelou, achamos que ela corresponde; achamos que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Este Livro assim o diz, e que as Suas obras são um eterno ciclo. A verdade não é nova; pode ser revelada novamente, e pode ser nova para o povo a quem é revelada. Mas há apenas um plano de salvação, um único Evangelho verdadeiro e eterno. Esse Evangelho Deus revelou no princípio; esse Evangelho Deus revelou em diferentes ocasiões; e nestes últimos dias Ele revelou novamente esse mesmo Evangelho antigo com grande clareza, e preparou o caminho para que todos os povos que desejarem a verdade possam chegar ao conhecimento dela, sem depender de livros escritos há centenas de anos, derramando novamente sobre o homem o mesmo espírito para guiá-los e dirigi-los, e para capacitá-los a compreender a Deus e Seus propósitos, que tinham os homens que escreveram as coisas contidas na Bíblia ou em qualquer outro livro inspirado deixado como registro. E nisto está outra grande diferença entre a religião dos Santos dos Últimos Dias e todas as outras religiões do mundo. Temos uma fé viva, um Deus vivo, e a palavra viva de Deus para nos guiar e dirigir todos os dias de nossa vida. Quando lemos a letra da palavra do Senhor, dada há épocas atrás, e que tem sido transmitida de geração em geração, temos a satisfação de saber que as coisas que Deus nos revelou foram reveladas aos antigos, e que, ao recebê-las, eles vieram a conhecer a Deus, a quem conhecer é vida eterna; e somos, por isso, encorajados a imitar seus exemplos, e também a evitar os erros em que caíram. ¶
Ora, embora não fundemos nossa fé na Bíblia nem em nenhuma outra obra escrita, ao mesmo tempo não há povo sobre a face da terra que creia tanto nas sagradas escrituras deixadas em registro e a nós transmitidas quanto os Santos dos Últimos Dias. Embora não dependamos de livros para nossa religião — pois nossa religião existiria ainda que não houvesse livros — ao mesmo tempo, demonstramos por nossas obras que temos mais fé na Bíblia do que o povo que professa fundar sua fé nela. No início de nossa religião, se posso usar esse termo — mas na verdade não há começo, pois é verdadeira, e a verdade é eterna, sem começo e sem fim; todo princípio de verdade sempre existiu, e quando, portanto, digo início de nossa religião, refiro-me ao início da revelação ao povo no dia em que vivemos — quando nossa religião foi revelada pela primeira vez, o mundo estava na ignorância a respeito de Deus e Seus caminhos. É verdade que havia um vislumbre de luz a Seu respeito, obtido pela leitura da Bíblia e de outras obras contendo os escritos de homens que, em tempos passados, foram, até certo ponto, inspirados. Pois a inspiração de Deus em tempos antigos não se limitava aos homens que escreveram as Escrituras judaicas. Os profetas judeus revelaram a palavra de Deus; os homens santos de Deus que se moviam entre o povo daquela nação foram inspirados do alto; mas Deus permitiu que Seu Espírito, que é a luz da verdade, e que manifesta a verdade, fosse derramado, até certo ponto, sobre todos os habitantes da terra; pois nele vivem, se movem e existem, e todos os povos, de qualquer época, raça ou país, que buscarem a Deus com coração honesto e oração fervorosa, desejando a verdade e serem ensinados por Deus, serão iluminados por Ele. Houve bardos, sábios e poetas inspirados, que proferiram palavras de verdade, palavras de inspiração a respeito de coisas sobre as quais foram esclarecidos por Deus. E muitas coisas que tais homens escreveram foram registradas e transmitidas, e fragmentos delas podem ser encontrados entre todas as nações e povos. Como diz o Apóstolo Paulo: "E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; Para que buscassem ao Senhor, se porventura tateando o pudessem encontrar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Porque somos também sua geração." O Seu Espírito iluminou a humanidade em todas as épocas, até certo ponto; pois o espírito do Senhor, que dá luz ao entendimento humano, é o espírito pelo qual vivemos; é o espírito da luz; é o espírito da vida. E assim como a luz que procede daquele glorioso luminar, o sol, dá luz à terra, e também luz à vegetação, e ao homem e ao animal, assim o espírito Daquele que nos criou tem sido derramado sobre todos os povos e sobre todas as coisas animadas; de fato, somos informados nas revelações de Deus, que a luz que ilumina nossos olhos é através Daquele que ilumina o nosso entendimento, e é a mesma luz que procede do seio de Deus, e enche a imensidão do espaço; que é a mesma luz que ilumina todo homem que vem ao mundo — o judeu, o gentio, o escravo e o livre. Somos informados de que "há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso os faz entender." Este é aquele espírito. É a luz de Cristo; é a luz de Deus. É a vida do nosso corpo, e também é a luz da nossa mente. Este espírito não se limita a uma raça de povo, ou a um país, ou a uma época ou geração, mas é universal; é Daquele em quem vivemos, nos movemos e existimos. É a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo. E se todos os homens fossem guiados por essa luz natural, essa inspiração natural que lhes dá entendimento, e pela qual existem, seriam guiados diretamente Àquele que é a fonte de toda luz; estariam então em condição de serem comunicados por Aquele que é seu Criador e Formador. Mas os habitantes da terra têm sido, desde o princípio, propensos a andar nos caminhos das trevas em vez de na luz, porque, como Jesus explicou, "as suas obras são más." Esta é a razão de haver tanta ignorância no mundo a respeito de Deus e de Seus caminhos. ¶
Quando o Senhor, em diferentes épocas, levantou homens que O buscaram, que aprenderam Dele, e que se colocaram em tal condição que Ele pudesse comunicar-Se com eles, e por meio deles com o restante da humanidade, de modo geral, esses homens foram desprezados e rejeitados pela multidão. As grandes massas do povo têm ido descendo no erro e nas trevas; tem sido difícil para elas andar naquele caminho estreito e apertado que conduz para cima, à luz, à inteligência, à pureza, à presença Daquele que é o autor da verdade; e, portanto, a vasta maioria dos servos de Deus, que foram chamados para serem testemunhas especiais do Todo-Poderoso perante um mundo caído, tem sofrido tratamento cruel e desumano por parte daqueles a quem foram enviados. Foram geralmente perseguidos; foram mortos, em muitos casos, da maneira mais ignominiosa; foram decapitados; foram despedaçados; foram lançados em fornalhas e em covis de feras, e a fim de escapar do maltrato, vagaram por colinas e montanhas, escondendo-se em covas e cavernas da terra; homens portadores de uma mensagem celestial, uma mensagem carregada de paz e boa vontade para com todos os homens, uma mensagem que envolvia também seu bem-estar e felicidade eternos. Esta é a razão de ter havido tanta ignorância no mundo a respeito de Deus; e é em consequência de sua desobediência, em consequência de sua maldade, em consequência de seu amor pelas trevas em vez da luz, em consequência de escolherem as coisas que vêm de baixo em preferência às coisas que vêm de cima. Pois há dois espíritos ou influências opostos sobre a terra, assim como há luz e trevas. Não podem habitar juntos; sempre estiveram e sempre estarão em guerra um contra o outro, mas um foge à aproximação do outro, assim como, quando a luz da manhã brilha sobre os cumes das colinas, as trevas fogem. ¶
Os habitantes da terra têm estado dispostos a se deixar conduzir pela influência das trevas; pois há um espírito de trevas sobre a terra, assim como há o espírito da luz, que conduz à morte tão segura e certamente quanto o espírito da luz conduz à vida. No princípio, Deus deu ao homem seu livre-arbítrio, deixando-o escolher, ou a luz ou as trevas, a verdade ou o erro, como lhe aprouvesse. Quando os homens escolhem receber a luz da verdade, o espírito da verdade os impele a fazer o bem, mas não os força a isso; é gentil e bondoso, e iluminará e abençoará se as pessoas estiverem dispostas a receber e agir sob suas incitações; mas se os homens escolhem andar em seus próprios caminhos, estão livres para fazê-lo sem impedimento, no que se refere ao espírito da luz forçá-los a andar no caminho do Senhor. Os habitantes da terra, em geral, têm escolhido andar nos caminhos que conduzem à morte; escolheram aquilo que é mau e o amaram, em vez daquilo que é bom; por isso não têm sido conduzidos para cima, à Fonte da Luz, nem têm sido capazes de comunicar-se com Ele. ¶
Quando nosso Pai Celestial começou esta obra com a qual vós e eu estamos identificados, o mundo estava nas trevas e sem conhecimento a respeito de Deus. Havia entre eles um pequeno vislumbre de luz a respeito de algumas coisas pertencentes a Deus, que os homens haviam lido na Bíblia; e havia alguns indivíduos, em outras gerações, que, buscando a verdade, obtiveram alguma compreensão dos princípios da verdade, mas não conheciam a Deus nem os caminhos de Deus. Não havia conhecimento definido nesta época a respeito da Divindade até que Deus Se manifestou ao Profeta Joseph Smith em Sua própria pessoa e por meio de Seu Filho. Joseph viu o Senhor, e ouviu a voz celestial dizendo: "Este é o meu Filho Amado; a ele ouvi:" e foi instruído pelo ministério de personagens vindos diretamente da presença da Divindade, a respeito das coisas de Deus. De modo que, ao lançar o alicerce desta obra, não tentou lançá-lo segundo suas próprias noções e ideias, nem segundo o que havia lido em livros, ou o que havia ponderado, ou o que ele ou outros homens haviam inventado; mas deu a conhecer a outros o que Deus lhe havia revelado. E quando testificou que Deus vivia, que Jesus, que morreu no Calvário, era o Filho de Deus, testificou daquilo que sabia, porque esses Seres Divinos Se haviam manifestado a ele. ¶
A Joseph Smith foi dado a entender da existência de certo registro escrito por homens que, em tempos passados, de maneira semelhante haviam recebido a palavra de Deus neste continente. O lugar de sua existência também lhe foi mostrado, e ele foi inspirado por Deus a traduzir aquele registro para a língua inglesa. Ora, Joseph Smith, ao realizar aquela grande obra, recebeu continuamente evidências da origem divina daquilo que escrevia ou fazia outros escreverem. Não era emanação de seu próprio cérebro, nem algo que ele houvesse inventado, mas era a obra do Senhor, tal como escrita pelos servos de Deus em tempos antigos, revelada a ele pelo poder do Senhor Deus, para que a traduzisse à nossa língua. Assim também com relação às revelações dadas a esta Igreja, e a respeito de toda doutrina e princípio pertencente à nossa fé. Não brotaram de seus pensamentos, não foram produto de sua mente; mas lhe foram reveladas pelo ministério de santos anjos, e pela inspiração daquele Espírito que dá luz ao entendimento. Pois ele recebeu bênçãos em maior grau do que são comumente derramadas sobre os filhos dos homens, como foi o caso de outros homens antigamente que foram chamados para realizar uma obra especial; sua mente foi iluminada muito além da condição de seus semelhantes, pois Deus lhe concedeu, no momento apropriado, o dom do Espírito Santo, pelo qual ele, assim como os homens antigamente, compreendeu, falou e escreveu a mente e a vontade de Deus. E Joseph Smith aprendeu como obter aquele dom glorioso e celestial, não somente para si mesmo, mas também para outros, e foi capacitado a instruir os habitantes da terra sobre como poderiam obtê-lo, como poderiam chegar ao conhecimento da verdade por si mesmos, e comungar com Deus por si mesmos; como poderiam obter conhecimento de Sua existência por meio deste dom celestial, para que pudessem ser guiados em Seus caminhos e saber que estavam andando em Suas sendas. Joseph não podia descobrir isso por si e em si mesmo; foi-lhe revelado do alto; e assim com toda doutrina e princípio, toda ordenança e mandamento que há em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Ora, embora esta religião seja divina, vinda diretamente de Deus, não é uma religião misteriosa, como alguns supõem. É muito clara, muito simples e muito fácil de compreender. Todos os povos sobre a face da terra podem compreendê-la; pode ser trazida ao alcance do entendimento do mais fraco de todas as raças; todos podem aprender e compreender aqueles princípios simples pelos quais podem chegar ao conhecimento de Deus e ser ensinados por Ele, e pelos quais podem seguir o caminho que é correto aos Seus olhos. ¶
O primeiro princípio da religião verdadeira é a fé. Jesus Cristo diz: "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." Isto é verdadeiramente assim. Todos os povos devem "nascer de novo" para poderem ver o reino de Deus, ou para poderem compreender os caminhos do Senhor. Isto é um mistério? Não, é claro e facilmente compreendido quando obtemos sobre ele o espírito e a luz de Deus. Jesus também disse: "Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus." Deve ocorrer uma mudança no coração humano. Os homens devem primeiro nascer da palavra de Deus, que vive e permanece para sempre. Como diz o Apóstolo Pedro, "sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre." O Apóstolo Tiago diz: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade." E lemos ainda: "a fé vem pelo ouvir... a palavra de Deus." O modo de Deus é este: Ele chama homens que estão preparados para Sua obra, inspira-os e os reveste de autoridade para O representar, e os envia a pregar a palavra de Deus. Quando prestam seu testemunho a pessoas honestas de coração, que desejam a verdade e que querem conhecer a Deus, o Espírito Santo que está nos servos de Deus, o Espírito que acompanha a palavra falada por autoridade, entra no coração de tais pessoas, e elas nascem da palavra de Deus, de modo que podem ver e compreender a verdade. Uma mudança se opera nelas pelo poder e influência da verdade divina, pela qual elas são capazes de ver a verdade tal como o orador a vê; a palavra falada pelo dom e poder de Deus leva convicção ao coração, e elas começam de imediato a reconhecer a autoridade Daquele que lhes imparte as palavras de vida. Nascem da palavra e são capazes de ver e compreender até certo ponto, tendo sua fé e suas ideias sido vivificadas pelo poder de Deus. A luz e influência do Espírito Santo, irradiando e procedendo do orador inspirado, acompanha a sua palavra. Enquanto seu testemunho é prestado sob a influência do Espírito Santo e por autoridade do alto, a convicção toma conta do povo, e se são honestos de coração e de desejos, isso dá testemunho em suas almas, "luz se une à luz e à inteligência." Sabemos disso por experiência. Quando os servos de Deus nos deram seu primeiro testemunho, uma impressão diferente foi produzida sobre nós de qualquer outra que houvéssemos experimentado ao ouvir os pregadores das diferentes seitas; foi o efeito da verdade pregada pelo poder do Deus vivo; deu testemunho ao nosso espírito, e sentimos que era verdade. Não podíamos explicar por quê; talvez não pudéssemos compreender a mudança, mas sabíamos que algo nos havia acontecido, diferente de tudo o que já havíamos recebido; sentimos que era verdade; o espírito de Deus deu testemunho em nossas almas de que era verdade; nascemos da palavra, e pudemos ver que aquela era a obra de Deus, e portanto pudemos prestar obediência voluntária à ordenança do batismo para remissão dos pecados por alguém que tinha autoridade de Deus. Depois de batizados, estávamos ansiosos por ter as mãos impostas sobre nossa cabeça, para recebermos o dom do Espírito Santo. Ao usar esse termo, "dom do Espírito Santo," não nos referimos a algum dom específico do Espírito, mas ao próprio dom do Espírito — o Espírito Santo dado a nós como dom de Deus. Encontraremos esse termo, "dom do Espírito Santo," usado nas antigas Escrituras e nas Escrituras dos últimos dias. É o próprio Espírito Santo dado a nós como dom do Todo-Poderoso. "Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." A promessa é para aqueles que se arrependerem e forem batizados para remissão dos pecados; eles receberão "o dom do Espírito Santo." O que é isso? É uma dotação maior e mais elevada do mesmo espírito que ilumina todo homem que vem ao mundo; um poder maior dado a nós como testemunha permanente, para ser luz aos nossos pés e lâmpada ao nosso caminho; como restrição contra o pecado, para nos guiar a toda a verdade, para abrir a visão da mente, para nos trazer à lembrança coisas passadas, e para nos manifestar coisas futuras. É o espírito de verdade que revela as coisas do Pai e do Filho, procedendo da presença do Todo-Poderoso e da própria glória em que Ele está revestido, o que O torna semelhante a um fogo consumidor. Se recebermos esse dom celestial, todos somos trazidos à comunhão com Ele; podemos compreender algo a Seu respeito, para que possamos seguir Seu exemplo até nos tornarmos semelhantes a Ele; pois se formos continuamente guiados por aquele espírito, com o tempo voltaremos à Sua presença e seremos capazes de desfrutar da plenitude de Sua glória. E enquanto permanecermos na carne, Ele não Se tornará um estranho para nós; não andaremos nas trevas como a maioria da humanidade, mas seremos filhos da luz, compreendendo a verdade tal como ela está Nele, e vendo o caminho pelo qual devemos andar. ¶
Nós, então, ouvimos a palavra e cremos nela; a fé nasceu em nossos corações, e saímos em fé e fomos batizados; e quando os servos de Deus, que haviam recebido sua missão do Todo-Poderoso, que tinham sido ordenados pelas mãos de Joseph Smith ou de outros a quem ele havia ordenado, impuseram as mãos sobre nossa cabeça, recebemos o dom do Espírito Santo. Qual foi a natureza da influência que se exerceu sobre nós? Alguma manifestação física de poder? Não. Alguém poderia perceber que houve uma mudança em nós? Não, creio que não. Sei como me senti, posso dar testemunho quanto à minha própria experiência, e creio que minha experiência a este respeito é a de outros também. ¶
Quando ouvi a palavra, cri nela e me regozijei com ela, e orei fervorosamente a Deus — eu era apenas um rapaz na época — em nome de Seu Filho Jesus, para que Ele me manifestasse se aquilo era verdadeiro ou não, para que eu não fosse enganado por nenhuma fábula habilmente inventada; para que eu não fosse desencaminhado; para que nenhum impostor tivesse poder sobre mim; mas para que eu fosse guiado nos passos que estava prestes a dar, pela luz de Deus. Orei séria e fervorosamente ao meu Pai Celestial, em nome de Jesus, vezes sem conta. Estando plenamente convencido em meu coração de que aquela obra era verdadeira, requeri o batismo; e quando fui batizado, recebi a certeza de que meus pecados haviam sido remidos, de que estava lavado e purificado espiritualmente, e de que saí das águas imaculado. Pude dizer com o antigo Apóstolo: "As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Eu era uma nova criatura; havia nascido de novo. Uma mudança havia se operado em mim; e meus desejos eram servir a Deus com todo o meu coração, com toda a minha alma e com todas as minhas forças. E quando as mãos foram impostas sobre mim pelos servos de Deus, e recebi o dom do Espírito Santo, não senti nenhuma manifestação física. Devo dizer que fiquei um pouco desapontado a princípio, pois esperava alguma manifestação assim, mas não recebi nenhuma naquele momento. O que experimentei? Descobri que minha mente estava aberta, que eu tinha maior luz; que algo havia vindo sobre mim, pelo qual eu podia ver claramente as coisas de Deus; e quando lia as escrituras, uma nova luz raiava sobre elas. Fui criado crendo na Bíblia. Havia lido nela quando criança, e memorizado boa parte dela; e quando recebi esse dom do Todo-Poderoso pela imposição de mãos, ele trouxe à minha lembrança aquelas coisas passadas; elas se destacavam claramente diante de mim, e eu podia compreender algo a respeito de Deus. Podia sentir que estava em comunhão com Ele. Quando orava, podia perceber que minhas palavras eram ouvidas, que Deus escutava e respondia. Quando orava por conhecimento e entendimento a respeito das coisas de Deus, elas me eram manifestadas. Isso me trouxe aquilo que é chamado nas Escrituras "a paz de Deus, que excede todo o entendimento." A alegria, a paz, a satisfação que isso me trouxe não poderiam ser descritas em palavras. Sabia que meu Redentor vivia; sabia que havia nascido de novo; sabia que o Espírito Santo estava operando em meu coração. Verdades me foram manifestadas que eu nunca havia ouvido ou lido, mas que depois ouvi pregadas pelos servos do Senhor; tudo isso foi testemunho para mim de que eu havia recebido a verdade. Menciono isto porque sei que esta é a experiência de outros. Quando vi os dons e as bênçãos do Evangelho manifestados, foi um testemunho renovado para mim. Quando vi os doentes serem curados, ouvi pessoas falarem em línguas, e depois ouvi outras darem a interpretação, e mais tarde vi o mesmo cumprido, muitas vezes de maneira maravilhosa e admirável, tudo isso foram testemunhos adicionais da divindade desta obra. Quando eu era apenas um rapaz, fui chamado a deixar meu lar e amigos — nenhum dos quais havia recebido o Evangelho — para sair pelo mundo entre estranhos, virando as costas ao lar, e deixando tudo para pregar o Evangelho sem bolsa nem alforje, recebi mais evidências da veracidade desta obra, pois muitas coisas me foram manifestadas durante minha experiência missionária. Quando batizava pessoas e impunha as mãos sobre elas, confirmando-as membros desta Igreja, elas testificavam que o Espírito Santo vinha sobre elas, o que lhes testificava que Deus vivia, e que aquela era Sua obra. E quando impunha as mãos sobre os doentes, eram curados. Tudo isso foram testemunhos adicionais para mim, e para aqueles que receberam a palavra por meu intermédio. ¶
Refiro-me a isto também porque esta é a experiência de tantos Élderes desta Igreja; e vós tendes o testemunho em vosso coração de que o que digo é verdade. Onde quer que os servos de Deus tenham ido levando esta mensagem, e o povo a tenha recebido e obedecido às exigências do Evangelho, receberam o Espírito Santo como dom do alto; e se foram guiados por sua luz, ela tem crescido neles dia após dia, e continuam avançando, sua luz brilhando cada vez mais até ao dia perfeito. Sabem que Deus vive; sabem que Sua existência não é um mito; sabem que Ele é um Ser real, que é seu Pai e seu Deus, sempre pronto a ouvir o clamor de Seus filhos quando estão dispostos a atender a Seus conselhos; e sabem que foram formados e moldados à Sua semelhança, e que todas as funções e atributos da Divindade neles se duplicam, de modo que, através de anos de fidelidade e progresso na escala do ser e do esclarecimento, poderão desenvolver-se até à plena majestade de Suas perfeições e tornar-se semelhantes a Ele. ¶
O Espírito Santo, esta dotação maior daquele espírito que naturalmente ilumina todo homem que vem ao mundo, é conferido a nós por um processo simples, o modo que Deus ordenou; e não pode vir de nenhuma outra maneira. Se houver alguém nesta congregação, nesta tarde, que deseje conhecer a Deus, ou que deseje conhecer a si mesmo, deve seguir esse único caminho — pode fazer como quiser a respeito, ou receber ou rejeitar, mas se quiser a bênção disso, deve buscá-la pelo caminho de Deus. Não podem obtê-la por sistemas feitos pelo homem; Deus tem Seu próprio caminho. Ele não reconhece, nem aceita os caminhos dos homens; mas se as pessoas O escutarem e andarem em Seus caminhos, Ele estará perto delas, e lhes dará testemunho em linguagem que elas, pelo poder e dom de Seu espírito, possam compreender. Mas devem crer; devem também arrepender-se; e o arrependimento necessário não consiste em chorar e lamentar o pecado, mas em afastar-se dele. Nenhum homem pode fazer de Deus seu amigo continuando no pecado, nem nenhuma mulher. Para se aproximarem de Deus e serem ensinados por Ele, devem ser humildes e como crianças, devem estar dispostos a receber instrução, resolvidos em seu coração a afastar-se de toda espécie de maldade, e a apegar-se ao que é reto. Esta é uma lição tanto para os Santos dos Últimos Dias quanto para os pecadores dos últimos dias. Se queremos aprender mais das coisas e dos caminhos de Deus, se queremos aproximar-nos Dele, devemos ser humildes e como crianças, dóceis por natureza, familiarizando-nos com o que Deus revelou, e andando no caminho que Ele apontou. Se os habitantes da terra andarem segundo a luz que Deus lhes deu, seja pelo espírito que lhes veio naturalmente ao nascer, seja pela dotação mais elevada chamada dom do Espírito Santo, receberão um grau ainda maior de poder e luz, e seu caminho se tornará cada vez mais brilhante até ao dia perfeito. Se houver alguma treva neles, é porque andam nos caminhos das trevas, porque praticam as obras do mal. Nenhum homem pode chegar a Deus a menos que tenha posto de lado seus pecados e suas loucuras e esteja disposto a ser ensinado por Deus. Se pensa que Deus virá aos seus termos e aceitará seus caprichos e noções, ele fracassará. Se está disposto a escutar, é como criança, disposto a ser ensinado, dizendo em sua alma: "Ó Deus, manifesta-me os teus caminhos, e com o teu auxílio andarei neles," o Senhor o ouvirá e lhe responderá, e ele aprenderá de Deus, e quanto mais andar nos caminhos do Senhor, mais perto de Deus chegará. Mas somente pela fé, pelo arrependimento, pelo batismo e pela imposição das mãos daqueles a quem Deus autorizou, podem os habitantes da terra receber o dom do Espírito Santo, pelo qual podem plenamente aprender e compreender as coisas divinas. ¶
As pessoas se admiram com a condição dos Santos dos Últimos Dias, com sua docilidade, com o modo de sua adoração, com a maneira pela qual sustentam as autoridades da Igreja; e concluem que somos um povo conduzido pela astúcia de homens, que estamos sob homens desejosos de exercer autoridade e poder, e de serem tidos como superiores a seus semelhantes. Raciocinam dessa maneira porque não nos compreendem; porque não compreendem nossos caminhos, nem o caminho do Senhor. A razão pela qual os Santos dos Últimos Dias são tão unidos quanto são, tão dóceis, tão dispostos a obedecer, é porque aprenderam por si mesmos a verdade do Evangelho que abraçaram. Sabem que há um Deus; sabem que Ele vive; sabem que Jesus é o Filho de Deus; sabem por experiência que, se atenderem à voz do Senhor — a palavra do Senhor a eles dada por meio de Seus servos — são felizes, têm aquela paz de que falei; e, ao contrário, se desobedecem aos conselhos do céu, não têm aquela paz, não estão satisfeitos consigo mesmos, e estão nas trevas. A razão pela qual os Santos dos Últimos Dias são tão dóceis, tão unidos e tão devotados ao Evangelho desta Igreja é porque sabem algo a respeito dele por si mesmos; sabem que é verdadeiro, pois Deus lhes deu testemunho, foram trazidos à comunhão com Ele, e este é o segredo disso. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, sabeis que aquilo de que estou falando é verdade; sabeis por vossa própria experiência. O Espírito Santo vos deu testemunho de que o que vos digo não é ficção, mas é fato vivo. E não precisamos abrir a Bíblia para ler os livros nela contidos a fim de descobrir a verdade de nossa religião; sabemos que é verdadeira sem isso. No entanto, quando lemos o conteúdo deste livro, achamos que corresponde ao que Deus nos revelou. Não dependemos do homem que nos batizou, ou daquele que impôs as mãos sobre nós para conferir o Espírito Santo, para o conhecimento desta obra; dependemos da inspiração do Senhor — a única fonte de conhecimento das coisas divinas. Todo homem e toda mulher nesta Igreja, e todo menino e menina que recebeu o Evangelho com sinceridade e verdadeiramente nasceu de novo, obteve um testemunho a respeito desta obra e conhece sua divindade por si mesmo ou por si mesma. Mas Deus estabeleceu na Igreja, para nossa orientação e direção, Apóstolos e Profetas, Evangelistas, Pastores, Mestres e Bispos, e outras autoridades, para que a Igreja, com todos os seus ramos, possa ser ensinada nos caminhos do Senhor, para que haja ordem na Igreja, e para que todas as coisas possam ser governadas segundo a vontade de Deus. E sabemos que, quando atendemos à voz desses homens, somos abençoados por Deus, e quando falam sob a inspiração do Espírito Santo, o mesmo Espírito em nosso coração nos testifica de que o que dizem é verdade. Alguém pode perguntar: se todo o povo tem o Espírito Santo, se todo o povo é trazido à condição de aprender de Deus por si mesmo e ser gradualmente conduzido à presença do Pai, para que precisamos de Apóstolos, de Profetas, etc.? Há grande necessidade deles. São absolutamente necessários para o governo da Igreja e do reino de Deus. Sem eles não poderia haver governo adequado da Igreja, e, de fato, sem eles não poderíamos receber as bênçãos que vêm das ordenanças. O plano de Deus é chamar certos homens e revesti-los de autoridade, e colocar sobre eles a autoridade para agirem por Ele. Isto se chama o Santo Sacerdócio, e naquele direito e autoridade pregam e administram as ordenanças de Sua Igreja. É por meio da autoridade deste Santo Sacerdócio que o povo é introduzido na Igreja — por meio desse canal recebe o dom do Espírito Santo, sem o qual não poderia ser conferido. O Espírito Santo é derramado universalmente, como antes observei, de modo que todo o povo o recebe; mas o dom do Espírito Santo é uma dotação mais elevada, pela qual o homem pode ser trazido à comunhão com o Senhor depois de ter recebido as ordenanças, que devem ser administradas por homens que possuem o Santo Sacerdócio, e que são autorizados a nele oficiar. Este é o caminho de Deus. Quando as pessoas recebem esta bênção divina, tornam-se membros de Sua Igreja, organização ordenada para o benefício e a bênção do povo de Deus; organização que, em todos os aspectos, segue o padrão antigo. Ao nos tornarmos membros da Igreja, subscrevemos suas normas. Nenhuma influência indevida é usada para induzir as pessoas a se filiarem à nossa Igreja, ou a manterem sua filiação depois de terem se filiado; se não desejam subscrever as normas da Igreja, estão livres para romper sua ligação com ela; mas se mantêm sua condição nela, espera-se que subscrevam suas normas. À frente desta Igreja estão três homens que são unidos em tudo quanto ao seu governo, representando a Santa Trindade, que também é uma; não uma em personalidade, mas uma em espírito, uma em fé, uma em ação, uma em desejo, uma em objetivo. Temos um Presidente e dois Conselheiros, que estão à frente da Igreja. O Presidente está à frente daquele quórum. Deus o chama para ser Seu porta-voz para todo o corpo. Se o Senhor tiver alguma revelação para a Igreja, como corpo organizado, Ele a comunica por meio do cabeça. No início desta Igreja, Ele advertiu e preveniu os Santos dos Últimos Dias, como comunidade organizada, a não receberem revelações por meio de ninguém, senão pelo cabeça da Igreja. Disse o Senhor: "E isto sabereis com certeza — que não há qualquer outro designado para receber mandamentos e revelações para vós, até que ele seja levado, se ele permanecer em mim... pois, se esse dom for dele tirado, ele não terá poder, a não ser para designar outro em seu lugar. E isto vos será por lei: Não recebereis os ensinamentos de qualquer pessoa que os apresente a vós como revelações ou como mandamentos; E isto vos dou para que não sejais enganados, para que saibais que não vêm de mim." Esta é a ordem. Portanto, embora todo homem e mulher possam receber o Espírito Santo e saber que Deus vive, possam pedir e receber, buscar e encontrar, bater e ter a porta aberta a eles; embora todos possam ter luz divina e compreender a verdade por si mesmos, embora seja o privilégio de todo homem viver de tal maneira que sua alma se encha da luz do céu, pela qual possa compreender os propósitos de Deus tal como afetam os homens e as nações, ainda assim, como membro da Igreja, ele deve atender à voz Daquele que está à frente, pois esta é a ordem. "Minha casa é uma casa de ordem, diz o Senhor, e não uma casa de confusão." Se Ele tiver algo para a Igreja, como corpo organizado, falará por meio do cabeça; e se somos iluminados pelo Espírito Santo, veremos a segurança disso, veremos que, sem esta ordem, estaríamos sujeitos a ser desencaminhados. Deus não falará à Sua Igreja por meio do pé, mas por meio do cabeça. E se o corpo estiver do mesmo espírito que o cabeça, responderá, assim como os membros do corpo humano, se em condição saudável, respondem à vontade do cabeça em qualquer coisa que o indivíduo tente fazer. O homem que está à frente possui as chaves de revelação para a Igreja; mas cada indivíduo pode receber revelação para si mesmo, se tiver o dom do Espírito Santo. E o Espírito pelo qual Deus revela por meio do cabeça é o mesmo espírito pelo qual Ele revela ao indivíduo para seu próprio benefício. A Igreja de Cristo é um corpo unido; não está dividida contra si mesma, porque é verdadeira, e a verdade é indivisível, é eterna e não pode ser destruída, nem dá testemunho contra si mesma. Nisto está a unidade dos Santos. Quando o Presidente da Igreja fala, todo o corpo responde, e quando ele traz algo para nossa orientação, dizemos em nosso coração, sob a mesma influência pela qual ele é inspirado, que aquela é a palavra de Deus, e nos regozijamos nela e lhe damos ouvidos. Por isso se manifestam a fé e a obediência dos Santos dos Últimos Dias. E fazem isto não ao homem, mas a Deus. Por meio do cabeça da Igreja, a voz de Deus chega ao povo, e quando lhe obedecem, não é ao homem que se curvam, pois os Santos dos Últimos Dias não são adoradores de homens. Saíram do meio da artimanha sacerdotal, lançaram fora o jugo da escravidão, e vestiram-se da liberdade do Evangelho eterno; e quando cedem à autoridade do Santo Sacerdócio, curvam-se a Deus Todo-Poderoso, seu Pai, que está representado em Seus servos na terra, e não ao homem. "Maldito o homem que confia no homem, e põe a carne por seu braço." Adoramos a Deus, nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, sob a influência do Espírito Santo, e aquilo que obedecemos recebemos como vindo Dele, e não do homem. Esta é a ordem, se tivermos olhos para ver, e coração para compreender. E é o mesmo com todas as diferentes autoridades da Igreja, cada uma em seu lugar e chamado; uma não interferindo na outra, cada parte e porção do santo sacerdócio adaptada a toda outra parte, assim como cada parte do sistema humano é adaptada e essencial ao bem-estar das demais partes. O cabeça não pode dizer aos pés: não tenho necessidade de ti; nem o pé pode dizer ao cabeça: não tenho necessidade de ti, mas cada parte tem necessidade da outra. E há harmonia nisso; há beleza nisso. Nenhum oficial ou membro do sacerdócio pode invadir os privilégios de outro; mas cada um tem seus deveres definidos, e todos são necessários para a ordem e o governo da Igreja, para a pregação do Evangelho, para o ajuntamento dos Santos, para a instrução do povo, para que todos possam ser conduzidos no caminho da vida, até chegarem à plenitude do conhecimento do Filho de Deus, e serem como homem perfeito em Cristo Jesus. Apóstolos são necessários em seu lugar; Setentas no seu; Sumos Sacerdotes no seu; Élderes, Sacerdotes, Mestres e Diáconos no seu; Bispos e Presidentes de Estacas, etc., no seu, todos tendo sido designados e ordenados por Deus. Esta organização é única em seu caráter; não há nada semelhante entre as instituições dos homens, não há nada semelhante no mundo. Não há nada de caráter terreno que se compare a ela. É bela, é gloriosa, é harmoniosa, é perfeita, porque é a obra de Deus. E se a levássemos a cabo plena e perfeitamente, que esplêndida organização teríamos! Que povo poderoso seríamos! Um povo cujo Deus é o Senhor, todos avançando em perfeita harmonia, cada um realizando sua parte nesta grande e poderosa obra. Mas somos, até certo ponto, como o resto da humanidade — propensos a fazer o mal, propensos a seguir nossos próprios caminhos, a tomar nosso próprio rumo, a sermos obstinados e teimosos. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, saímos do mundo, chegamos, em certa medida, ao conhecimento da verdade, ao conhecimento de Deus; sabemos que Ele vive, e sabemos que, seguindo o caminho que nos foi apontado pelos servos de Deus que foram designados para nos guiar, no devido tempo voltaremos a nosso Pai e Deus, e O veremos como Ele é, e seremos semelhantes a Ele, e herdaremos a plenitude de Sua glória. ¶
Que possamos seguir este caminho é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶