A Morte dos Fiéis Não É Motivo de Luto—A Perpetuidade do Sacerdócio—Ingresso e Egresso Probatórios—Todo Conhecimento Vem de Deus—A Construção de Templos e Seus Propósitos—Exortações aos Santos
John Taylor
Pensei em vir aqui hoje para unir a minha condolência e simpatia às vossas, ao prestar a última homenagem de respeito aos restos mortais de vosso marido, vosso pai, vosso amigo, vosso Bispo. ¶
Estas são ocasiões que nos fazem sentir tristeza, e, no entanto, não devemos lamentar a partida de um homem bom — um homem de elevado espírito, honrado, um bom Santo dos Últimos Dias, como sempre considerei o Bispo Miller. Disseram-me que muitos de vós não tinham nascido quando o Irmão Miller foi instalado Bispo pela primeira vez; que só há duas mulheres, das quais sua esposa é uma, e três homens ainda vivos na Ala de quando ele foi aqui ordenado Bispo pela primeira vez; e que, durante o seu bispado, ele abençoou, quando crianças, um grande número dos que estão hoje aqui reunidos. ¶
Quando um homem que foi fiel e verdadeiro deixa este mundo para entrar noutro estado de existência, que há para lamentar? Deve a sua família lamentar? Não. Não podem evitar os sentimentos naturais de simpatia que brotam no coração ante a partida dos seus entes queridos; as esposas não podem deixar de sentir simpatia pelos seus maridos, e os maridos pelas suas esposas, os pais pelos seus filhos, e os filhos pelos seus pais. A família do Irmão Miller perdeu um bom marido, um pai amoroso, um amigo fiel, e, em tais circunstâncias, lamentam ao verem-se privados da sua companhia e do seu conselho. ¶
Quando os homens deixam esta terra, deixam-na para ocupar outra esfera, noutro estado de existência. E se, como é o caso do Irmão Miller, possuem o Sacerdócio que administra no tempo e na eternidade, tendo cumprido esta parte, como muitos outros que já deixaram o mundo, e como o nosso falecido irmão fez, conservam esse Sacerdócio nos mundos eternos, e nele operam. É um Sacerdócio eterno, que administra no tempo e na eternidade. E o Evangelho que recebemos nos revela princípios dos quais anteriormente éramos totalmente ignorantes. Mostra-nos a relação que existe entre Deus e o homem, e mostra-nos a relação que existe entre os homens que habitaram a terra antes e os que existem hoje. Mostra que, embora Deus nos tenha revelado o Sacerdócio na terra e nos tenha conferido esses privilégios, em gerações anteriores ele revelou o mesmo Sacerdócio a outros homens, e que esses homens, possuindo esse Sacerdócio, ministraram a outros aqui na terra; e que estamos operando com eles, e eles conosco, nos nossos interesses e nos interesses da Igreja e reino de Deus, auxiliando a edificar o Sião de Deus, e procurando estabelecer a verdade e a justiça sobre a terra; e que há um elo de ligação entre o Sacerdócio nos céus e o Sacerdócio na terra. ¶
Deus, o nosso Pai Celestial, reuniu a si, mediante a expiação de Jesus Cristo, muitíssimos homens grandes e honrados que viveram sobre a terra, e que foram revestidos dos poderes do Sacerdócio. Esses homens, tendo possuído esse Sacerdócio e nele ministrado sobre a terra, estão agora nos céus, operando com o Sacerdócio nos céus, em conexão com o Sacerdócio que agora existe sobre a terra. Por conseguinte, não me sinto triste quando vejo partir um homem bom, e, no entanto, em certos aspectos sinto. Há algo doloroso na separação. Mas vejo isso um pouco como era quando vínhamos para esta terra. Dizíeis aos vossos amigos, quando partiam: "Thomas, Mary, James ou William, ides para Sião; lamento ver-vos partir, e, contudo, alegro-me por irdes." Sentimos pesar ao separarmo-nos dos nossos amigos; mas, quando a luta termina, quando eles combateram contra o mundo e os poderes das trevas, e pelo Espírito e poder de Deus venceram e triunfaram, tendo permanecido verdadeiros e fiéis até o fim, e foram juntar-se às hostes nos mundos eternos, para se associarem ao Sacerdócio eterno que ali existe, sentimo-nos a lamentar? Não, eu não me sinto assim; não há motivo de luto: é motivo de regozijo. Em breve os seguiremos, pois esperamos unir-nos a eles. ¶
Há alguns dias assisti ao funeral de uma das minhas esposas; e, ao fazê-lo, contemplei a grande cidade dos mortos. Pensei comigo: aqui estão milhares de homens e mulheres honrados que dormem o sono da paz, que serviram ao seu Deus, e que já terminaram os assuntos deste mundo; e que, enquanto os seus corpos se decompõem aqui, os seus espíritos pairam nos céus. Sinto pena deles? Não; foram descansar, e tudo é paz para eles, conforme a mente e a vontade de Deus a respeito destas questões, tendo ele decretado ao homem que deve morrer. ¶
Desde a organização do mundo, miríades vieram e tomaram sobre si corpos, e partiram, geração após geração, para outro estado de existência. E assim é hoje. E suponho que, enquanto lamentamos a perda do nosso amigo, outros se regozijam por encontrá-lo além do véu; e enquanto ele nos deixou, outros estão vindo ao mundo ao mesmo tempo, provavelmente neste nosso território. Há uma mudança contínua, um ingresso de seres no mundo e um egresso dele. Pelo que a minha memória me indica, de um terço a um quarto da nossa população hoje é de crianças com menos de oito anos de idade. Há milhares de homens hoje sobre a terra, entre os Santos de Deus, dos quais foi decretado, antes de virem, que ocupariam as posições que ocuparam e ocupam, e muitos deles já cumpriram a sua parte e voltaram para casa; outros ficam ainda para cumprir os deveres e responsabilidades que lhes incumbem. ¶
Fiquei notavelmente impressionado ao olhar para os três lemas diante de mim; um é "Santidade ao Senhor", que suponho tenha sido colocado ali pelo vosso falecido Bispo. Há algo de belo e glorioso nessa contemplação. E, ao ouvir o Irmão Gardiner falar das suas visitas ao Irmão Miller para conversarem sobre as coisas do reino de Deus, isso indicou-me que o seu coração e sentimentos estavam interessados nisso, bem como no bem-estar do condado, como outros já testemunharam. Todos devíamos ter esses sentimentos, não somente os Bispos e Presidentes, mas todo o povo deveria interessar-se pelo bem-estar uns dos outros. O nosso bem-estar e felicidade dependem da nossa obediência às leis de Deus, da nossa conduta perante ele em todos os nossos atos. Desejamos ter inscrito, não somente na nossa capela, mas nos nossos corações e atos, "Santidade ao Senhor; Deus é o meu Deus, Deus é o meu Pai, Deus é o meu amigo"; e desejo consagrar-me e dedicar-me a ele, deveria ser o sentimento de todo homem e mulher, e especialmente de todo Santo dos Últimos Dias. Que não haja ato na minha vida, nenhum princípio que eu abrace, que esteja em desacordo com estas palavras, primeiramente inscritas pelo Todo-Poderoso, e profetizadas para se cumprirem nos últimos dias, de que até nas sinetas dos cavalos estaria escrito "Santidade ao Senhor". Isto não apenas de nome, mas há de estar escrito nas tábuas dos nossos corações, como que com uma pena de ferro, pois, quando este princípio se tornar universal, a justiça se estenderá "dos rios até aos confins da terra". ¶
Depois, aqui está outro lema: "Venha o teu reino." Todas estas coisas estão cheias de significado e interesse. Isto foi ensinado por Jesus aos seus discípulos quando estes vieram a ele, dizendo: ensina-nos a orar, como João ensinou os seus discípulos. Disse ele: "Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus." Quem? Nosso Pai. O quê, meu Pai e vosso Pai? Sim; e o Deus e Pai dos espíritos de toda a carne. Pai nosso, que estás nos céus; santificado seja o teu nome. Deixa-me reverenciar-te, ó Deus, em todos os meus atos, em todos os meus procedimentos, em todas as minhas associações com os homens e com a Igreja e reino de Deus e com o mundo — deixa-me reverenciar-te sempre. Santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Que reino? Qual é o significado de "venha o teu reino"? Significa o governo de Deus; significa a lei de Deus; significa a administração de Deus; significa o povo que ouviu e que está disposto a ouvir e a observar os mandamentos de Jeová; e significa que há um Deus disposto a guiar, dirigir e sustentar o seu povo. Venha o teu reino, para que o teu governo se estabeleça, e os princípios da verdade eterna, tal como existem nos céus, sejam transmitidos aos homens; e para que, quando lhes forem transmitidos, esses homens estejam sujeitos a essas leis e a esse governo, e vivam no temor de Deus, guardando os seus mandamentos e sob a sua direção. Venha o teu reino; para que a confusão, a lascívia e a corrupção, o mal e a maldade, o assassinato e o derramamento de sangue que agora existem entre a humanidade sejam abolidos, e os princípios da verdade e do direito, os princípios de bondade, caridade e amor, tal como habitam no seio dos Deuses, habitem conosco. ¶
"Seja feita a tua vontade." Não a minha vontade, não os meus desejos, não os meus anseios. Eu não sei, vós não sabeis, o que seria bom para nós; eu não sei o que seria bom para este povo senão o que Deus me ensina. Não desejo ensinar as minhas ideias; desejo conhecer a vontade de Deus, e então ensiná-la. Todos devemos procurar conhecer a vontade de Deus, e então fazê-la. Seja feita a tua vontade. Que vos trouxe a mim e a mim a vós aqui? Tínhamos algum conhecimento da vontade de Deus? Não, até que ele a revelasse. Tínhamos algum conhecimento do reino de Deus? Não, até que ele o revelasse; e muitos de nós temos ainda hoje muito pouco conhecimento disso, muito pouco na verdade. Temos muito pouco conhecimento do reino de Deus; e, no entanto, temos estado aqui ano após ano, e temos sido ensinados durante muitos anos os sagrados princípios da verdade comunicados pelo santo Sacerdócio, mas mal os compreendemos. Há algum princípio que recebemos, ligado ao Evangelho do Filho de Deus, que teríamos recebido se Deus não o tivesse revelado a Joseph Smith, seu Profeta? Não; nada sabíamos a seu respeito. Há alguém entre estes homens idosos e de cabelos grisalhos que chegou a compreender sequer os primeiros princípios do evangelho antes que ele os revelasse de novo? Não. Sabeis isso? Eu sei que é um fato. Conheci Joseph Smith e Brigham Young muito bem, e outros homens proeminentes desta Igreja; e encontrei-me com homens de diferentes nações, de todas as classes e graus de posição e inteligência, e sei que eles não conhecem os princípios da verdade eterna tal como Deus no-los revelou. Temos, então, algo de que nos gloriar? Eu não tenho, senão em Deus. Mas agradeço a Deus, nosso Pai Celestial, e ao seu Filho Jesus Cristo, e ao santo Sacerdócio que existiu, que Deus, na sua misericórdia, se tenha aprazido, por meio deles, em restaurar novamente o evangelho eterno, trazendo consigo luz, imortalidade e vida eterna. ¶
Que sabíamos nós a respeito das ordenanças do Evangelho — poderia eu encontrá-las em algum lugar? Não há um único homem vivo hoje que pudesse, senão porque Deus as revelou, e desafio qualquer homem a dizer que sabia algo dos princípios do evangelho eterno antes que Deus os revelasse. Descobriu algum de nós algo a respeito do Evangelho? Não. Quem sabia algo a respeito do ajuntamento? Os profetas tinham falado disso, mas quem compreendia as suas palavras? Ninguém. Sabiam eles algo a respeito de reunir homens numa terra de Sião que haveria de existir, ou a respeito do reino de Deus que seria estabelecido? Alguns deles falavam do que Daniel viu, mas nada sabiam a esse respeito; e continuam nas trevas a esse respeito ainda hoje, pois nenhum homem pode conhecer as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus, e não podem obter esse Espírito senão pela obediência à sua lei; e por isso há tanta incompreensão a nosso respeito, e permanecerão nas trevas até que obedeçam ao Evangelho do Filho de Deus. Que sabem eles a respeito do futuro? Nada. Que sabem eles a respeito da glória celestial, ou da terrestre, ou da telestial? Nada; nada compreendem a respeito destes assuntos; e, quando deixam este mundo, como disse um proeminente filósofo, dão um salto no escuro. Nós sabemos para onde vamos; sabemos para onde foi o Irmão Miller. Deus nos revelou estas coisas, e, por conseguinte, somos iluminados. Mas descobrimos isso pela nossa própria sabedoria e inteligência? Não, foi o Senhor quem o revelou. ¶
E que dizer dos nossos mortos, e que dizer da construção do nosso Templo? É uma coisa singular para os homens se dedicarem. Encontrais algo semelhante em qualquer outro lugar? Não. Lembro-me de conversar com o Barão Rothschild quando lhe mostrava o nosso Templo. Ele perguntou qual era o significado disso. Disse-lhe eu: Barão, os vossos Profetas, séculos atrás, sob a inspiração do Todo-Poderoso, disseram que o Senhor a quem buscais virá subitamente ao seu templo. "Sim," disse ele, "sei que disseram isso." "Podeis mostrar-me um lugar sobre a face da terra onde Deus tenha um templo ao qual venha?" Disse ele: "Não conheço nenhum lugar assim." Mas, se os vossos Profetas disseram a verdade, então deve haver um Templo construído antes que o vosso Messias possa vir. Perguntou ele: É este o Templo? Não, senhor. Que é isto, então? É um Templo, mas não o Templo de que falaram os vossos pais. Mas ainda haveis de construir um Templo em Jerusalém, e o Senhor a quem buscais virá a esse Templo. Para que serve isto, perguntou ele? Entre outras coisas, para que possamos realizar as sagradas ordenanças pelas quais somos tão caluniados, nas quais fazemos convênios eternos com as nossas esposas, para que tenhamos direito a elas na ressurreição. Quem revelou isto? Deus, o nosso Pai Celestial. E, porque ele revelou estas coisas, e porque estamos cumprindo estas coisas, a nossa nação, a rastejar nas trevas, envolta em treva profunda, sem conhecer mais de Deus e da eternidade do que aquela grade de ferro, torna criminoso para nós formar associações que devem existir "enquanto durar a vida, ou o pensamento, ou o ser, ou perdurar a imortalidade" — associações com as nossas esposas e filhos, com os nossos pais e mães, com os nossos amigos e associados, para que, quando a última trombeta soar e os mortos ouvirem a voz do Filho de Deus, possamos, com eles, ressuscitar para obter a exaltação que Deus preparou para os que o amam, guardam os seus mandamentos e são obedientes às suas leis. Havemos de renunciar a estas coisas e abandonar as nossas esperanças de vidas eternas e exaltações por causa de homens baixos, degradados, corruptos, embrutecidos e cegos? Em verdade vos digo: Não. Buscamos a verdade, a exaltação e as vidas eternas; a exaltação para nós mesmos, para os nossos pais e mães e para todos os homens e mulheres que possam compreender a lei de Deus, e que obedeçam aos seus preceitos e não rejeitem o Evangelho do seu Filho. ¶
Estas são as coisas que buscamos, e Deus está conosco e estará conosco, e nos sustentará, e nenhum poder na terra ou no inferno poderá deter o progresso desta obra; pois ela avança segundo o decreto do Deus Todo-Poderoso, e assim será desde agora e para sempre. E, como disseram os profetas, assim digo eu: ai daqueles homens e ai daquela nação, ou daquelas nações, que levantarem as mãos contra Sião, pois Deus as destruirá. Profetizo isto em nome do Senhor Deus dos Exércitos. E ele estará com o seu Israel, e sustentará o seu povo, e o fará sair vitorioso; e, se formos fiéis até o fim, obteremos tronos, principados, poderes, domínios, exaltações e vidas eternas no reino do nosso Deus, e o Irmão Miller estará lá. Procuremos imitar o seu bom exemplo e busquemos fazer o que é reto aos olhos de Deus e do homem. Deus deu-nos grandes princípios e colocou-nos na posse de grandes bênçãos. Apreciemo-los. Sejamos, com toda a sinceridade, honestos e virtuosos, verazes, santos e puros. Abstenhamo-nos da cobiça, da fraude, da lascívia e de toda a corrupção, e sejamos, de fato e em verdade, o que professamos ser: os Santos do Deus vivo. ¶
Deus vos abençoe no tempo e por toda a eternidade, em nome de Jesus. Amém. ¶