Liberdade de Consciência—O Homem Responsável Perante Deus—A Queda de Adão e Eva Preordenada—Redenção e Ressurreição—O Evangelho nos Tempos Antigos e Modernos—Cumprimento da Profecia—Uma Falsidade Refutada—Casamento Patriarcal—Sua Pureza e Seu Propósito Eterno
Wilford Woodruff
Sinto-me disposto a ler um capítulo da Bíblia; o capítulo que lerei contém, talvez, uma cadeia de verdade mais forte a respeito da vida e da morte, da queda e da redenção do homem, da redenção e ressurreição dos mortos, do que qualquer outro que eu conheça na Bíblia. ¶
O orador então leu o capítulo 15 de 1 Coríntios, e disse: ¶
Antes de prosseguir a fazer quaisquer observações sobre este capítulo, desejo dizer que não há pessoa alguma que saiba, antes de entrar neste edifício, quem se dirigirá à assembleia, e, portanto, não temos sermões preparados para proferir; pode ser um moleiro, ou pode ser um pedreiro, pode ser um carpinteiro, ou pode ser um agricultor, um advogado, um comerciante, ou outro qualquer; esta prática é peculiar à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e a tendência é fazer com que o orador, seja quem for, dependa do espírito de inspiração para guiar seus pensamentos e ditar suas observações. E, de modo geral, se Deus, por este meio, não nos dá nada a dizer, nada podemos dizer para instruir o povo. ¶
Tenho frequentemente expressado minhas opiniões a respeito da posição que ocupamos perante o céu e a terra, perante Deus, anjos e homens, e as opiniões de Jesus e de seus Apóstolos e Élderes, tal como nos chegaram, dão a chave do que desejo dizer sobre este assunto. Se há um Imperador, um Rei, um Presidente, um governante de qualquer nação ou povo — seja uma monarquia, um reino ou uma república — que retire de qualquer de seus súditos ou concidadãos o direito de adorar a Deus segundo os ditames de sua própria consciência, priva-os de um direito que o Deus dos céus lhes garantiu. Estes são os sentimentos dos Santos dos Últimos Dias. Cremos em conceder a todos os homens liberdade, liberdade de espírito e de ação; cremos que os religiosos de todo credo e fé devem desfrutar da liberdade de adorar a Deus segundo os ditames de sua própria consciência, direito que lhes é garantido pelo próprio Deus; e o homem ou grupo de homens que privasse seus semelhantes deste direito dado por Deus assume uma responsabilidade pela qual haverá de responder perante o tribunal de Deus. Se eu tivesse o poder e o controle do mundo inteiro, jamais pensaria em privar homem, mulher ou criança deste direito natural, deste direito inerente, fossem suas opiniões religiosas verdadeiras ou falsas. Podeis encontrar na história algum momento em que Deus tenha forçado alguém ao céu ou ao inferno? Não, não podeis. E nós, como Santos dos Últimos Dias, reivindicamos este direito e privilégio para nós mesmos, de adorar a Deus, de crer em Deus, e de crer nos registros da verdade divina — a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e as Revelações de Deus. ¶
Um orador público, um mestre do povo, é responsável perante Deus e perante seus semelhantes pela doutrina que ensina; se ensina qualquer outro evangelho que não aquele estabelecido na Bíblia e ensinado pelos antigos Profetas e Apóstolos, está sob condenação, não importa quem seja. Paulo percebeu este fato tão intensamente que, ao falar sobre isso em certa ocasião, disse: "Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema"; e repete este sentimento duas ou três vezes. ¶
Desejo dizer algumas palavras sobre um dos versículos que li, o 22º: "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados." O mundo, mais ou menos, tem encontrado muitos defeitos em Mãe Eva e em Pai Adão, por causa da queda do homem; o que tenho a dizer a respeito disso, expresso como minha própria opinião. Adão e Eva vieram a este mundo para desempenhar exatamente o papel que representaram no jardim do Éden; e direi que foram ordenados por Deus para fazer o que fizeram, e portanto se esperava que comessem do fruto proibido, a fim de que o homem pudesse conhecer tanto o bem quanto o mal, passando por esta escola de experiência que esta vida nos proporciona. Isto é tudo o que desejo dizer sobre Pai Adão e Mãe Eva. Adão caiu para que os homens fossem, e os homens são para que tenham alegria; e alguns têm encontrado defeito nisso. Tem-se dito que Deus ordenou a Adão que se multiplicasse e enchesse a terra; e tem-se dito que Adão não estava sob a necessidade de cair a fim de se multiplicar e encher a terra, mas compreendereis que foi a mulher que foi enganada, e não o homem; e, segundo a justiça de Deus, ela teria sido lançada sozinha ao mundo humilde e desolado, e assim o primeiro grande mandamento não poderia ter sido cumprido, a menos que Adão tivesse participado do fruto proibido. Reconhecemos que, por meio de Adão, todos morreram, que a morte, por causa da queda, deve recair sobre toda a família humana, também sobre os animais do campo, os peixes do mar e as aves do céu, e todas as obras de Deus, no que a esta terra diz respeito. É uma lei imutável e irrevogável. É verdade que alguns foram trasladados, e haverá vivendo sobre a terra milhares e milhões de pessoas quando o Messias vier com poder e grande glória para recompensar cada homem segundo as obras feitas no corpo, os quais serão transformados num abrir e fechar de olhos, da mortalidade para a imortalidade. Não obstante, deverão passar pela provação da morte envolvida na mudança que sobre eles virá. O próprio Salvador provou a morte; ele morreu para redimir o mundo; seu corpo foi colocado no túmulo, mas não viu corrupção; e, após três dias, ressuscitou do túmulo e revestiu-se de imortalidade. Ele foi as primícias da ressurreição. Não houve profeta, santo ou pecador, desde os dias de Pai Adão até os dias de Jesus, que tenha ressuscitado dentre os mortos pelas chaves e pelo poder da ressurreição. Embora leiamos de alguns que foram restaurados à vida, isto não era o que se chama de ressurreição. ¶
Quanto à redenção, Paulo disse: todos os filhos de Adão são redimidos da queda pelo sangue expiatório de Jesus, e todas as crianças são redimidas, assim como as demais pessoas. Não há criança ou menor que tenha morrido antes de chegar aos anos de responsabilidade que não esteja redimido, e que, portanto, esteja inteiramente além dos tormentos do inferno, para usar um termo sectário. E qualquer doutrina, como a aspersão de crianças ou qualquer rito religioso para as criancinhas, não tem efeito algum, nem neste mundo nem no mundo por vir. É uma doutrina inventada pelo homem, e, portanto, não ordenada por Deus; e desafio qualquer homem a encontrar, em qualquer dos registros da verdade divina, alguma ordenança instituída para a salvação das criancinhas inocentes; seria desnecessária pela própria evidência, e a única coisa que se pode encontrar é onde Jesus tomou as criancinhas em seus braços e as abençoou, o que é, e seria, perfeitamente correto de se fazer, segundo a ordem de Deus. Mas a aspersão de crianças, ou a doutrina de que as crianças vão para o inferno sob quaisquer circunstâncias, é uma doutrina ordenada pelo homem e não por Deus, e, portanto, é de nenhum proveito e inteiramente errada e desagradável aos olhos de Deus. Isto é tudo quanto às crianças. Direi novamente que elas são redimidas pelo sangue de Jesus Cristo, e, quando morrem, sejam de pais cristãos, pagãos ou judeus, seus espíritos são levados para junto de Deus, que os deu, e nunca vão sofrer tormentos de espécie alguma. ¶
Outro assunto sobre o qual desejo dizer algumas palavras: "Em Cristo todos são vivificados." Desde o dia em que o pecado entrou no mundo, os homens têm sido responsáveis por seus próprios atos, e isto tem sido conhecido nesta terra desde, pelo menos, o dia em que Caim matou seu irmão Abel. E o pecado tem se apresentado em graus diferentes; há o assassinato, a blasfêmia, a mentira, o roubo, a fornicação, e abominações de muitas formas diferentes, que têm acompanhado o homem de geração em geração. Pois havia um poder que habitava sobre a terra na forma de milhares e milhões de espíritos caídos, um terço das hostes do céu, que haviam sido expulsos do céu com o diabo na grande rebelião, que permanecem naquela condição e que não possuem tabernáculos, e fazem guerra contra os Santos de Deus, onde quer e quando quer que se encontrem sobre a terra, e contra todos os homens; buscam destruir toda a família humana, e assim o têm feito desde o princípio até o dia de hoje, e não cessaram seus trabalhos, nem pretendem cessá-los enquanto Satanás permanecer solto. Todos os filhos dos homens que chegam aos anos de responsabilidade são culpados de pecado, todos inclinados a fazer o mal como as faíscas são a voar para cima. "Que faremos para sermos salvos" foi o clamor do povo que ouviu a pregação de Pedro no dia de Pentecoste, e o mesmo se pode dizer aplicável a todos os homens em toda geração. A resposta seria: obedecer à lei do Evangelho. Este é o meio seguro dado para a salvação da família humana. A lei de Deus, o Evangelho de Jesus Cristo, cujo Evangelho contém as leis de Deus; contém as ordenanças, contém os mandamentos, e todo homem que os quebra é culpado perante Deus. E direi aqui, pois desejo ser entendido por todos os homens, que nossa fé é que nunca houve senão um só Evangelho sobre a terra, embora hoje existam seiscentas e sessenta e seis diferentes fés religiosas, todas mais ou menos diversas umas das outras; mas há apenas o único e verdadeiro Evangelho eterno, e nunca haverá outro, e é o mesmo Evangelho que foi ensinado a Adão, a Noé, a Abraão, Isaque, Jacó e aos Patriarcas, e que Jesus e os Apóstolos pregaram; nunca variou nem um pouco, nem uma única vez, nem jamais variará. E digo que, se ensinarmos qualquer outro Evangelho que não o que foi ensinado por Jesus e seus Apóstolos, ensinamos um falso Evangelho, e estaremos sob condenação perante Deus, anjos e homens. ¶
Qual é o Evangelho como ensinado pelo próprio Jesus? O primeiríssimo princípio foi a fé no Messias; este foi o primeiro princípio jamais ensinado ao homem. Quando Adão, depois de ser expulso do jardim do Éden, foi a Adão-ondi-Amã oferecer sacrifício, o anjo do Senhor lhe perguntou por que o fazia. Adão respondeu que não sabia, mas que o Senhor lhe ordenara que o fizesse. Foi-lhe então dito que o sangue de touros e bodes, de carneiros e cordeiros deveria ser derramado sobre o altar como símbolo do grande e último sacrifício que seria oferecido pelos pecados do mundo. O primeiro princípio, então, jamais ensinado a Pai Adão foi a fé no Messias, que havia de vir no meridiano do tempo para dar sua vida pela redenção do homem. O segundo princípio foi o arrependimento. E o que é arrependimento? O abandono do pecado. O homem que se arrepende, se for um que profere palavrões, não mais os profere; ou um ladrão, não mais rouba; afasta-se de todos os pecados anteriores e não mais os comete. Não é arrependimento dizer: arrependo-me hoje, e depois roubar amanhã; este é o arrependimento do mundo, que é desagradável aos olhos de Deus. O arrependimento é o segundo princípio. ¶
Tenho ouvido muitos homens dizer que nenhuma ordenança é necessária, que apenas a crença no Senhor Jesus Cristo é necessária para a salvação. Não aprendi isto de nenhuma revelação de Deus ao homem, seja antiga ou moderna. Mas, pelo contrário, a fé em Cristo, o arrependimento e o batismo para a remissão dos pecados foram ensinados pelos patriarcas e profetas, e por Jesus Cristo e seus Apóstolos. O batismo para a remissão dos pecados é uma ordenança do Evangelho. Diz alguém que o batismo não é essencial à salvação. Jesus não apenas o ensinou, mas ele próprio se submeteu a esse requisito, não porque fosse batizado para a remissão de pecados, mas, como disse, "para cumprir toda a justiça," dando assim, neste como em todos os demais aspectos, o exemplo para todos os que o seguem. Quando estes princípios do Evangelho são cumpridos, o homem então está apto a receber o Espírito Santo; e este dom sagrado é concedido hoje como o foi antigamente, pela imposição das mãos de homens que possuem a autoridade para administrar as ordenanças do Evangelho. Estes são os primeiros princípios do Evangelho em que nós, Santos dos Últimos Dias, cremos e que ensinamos a nossos semelhantes. ¶
Joseph Smith recebeu o ministério de Anjos, e organizou por revelação a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e foi ensinado por aqueles que a ele ministraram sobre o que ensinar ao povo, que era o Evangelho eterno. ¶
Novamente, os homens recebiam o Espírito Santo pela imposição das mãos, depois de serem batizados para a remissão dos pecados. O Espírito Santo era concedido daquela maneira, segundo a promessa daqueles que pregavam o Evangelho. Joseph Smith, quando organizou esta Igreja em 1830, organizou-a por revelação; e embora tivéssemos centenas de igrejas e sistemas e religiões, nem uma única denominação sobre a terra, naquele tempo, pregava o Evangelho tal como ensinado pelos antigos profetas e apóstolos, ou tinha uma igreja organizada sobre a terra, com Profetas e Apóstolos, ou com sinais acompanhando os crentes como nos dias antigos. Podeis apontar uma sequer? Nunca ouvi falar de nenhuma até ouvir os Élderes desta Igreja pregarem o Evangelho e expor a ordem de Deus. Quando Deus ordenou a Joseph Smith que fosse organizar a Igreja, que autoridade tinha ele para fazê-lo? Nenhuma, até que foi ordenado sob as mãos daqueles que haviam detido as chaves do Sacerdócio sobre a terra. E direi a esta assembleia que, nos dias de Jesus Cristo, ele ensinou estes princípios aos judeus; trouxe o Evangelho aos judeus, e estabeleceu seu reino entre eles, e veio com todos os seus dons, graças e poderes: os enfermos eram curados; os demônios eram expulsos; os dons se manifestavam entre eles. Mas os judeus o rejeitaram, e finalmente o mataram — a ele e a seus Apóstolos. Ele veio à casa de seu próprio Pai, mas não foi recebido; e então, segundo ordenado, este Evangelho foi aos Gentios — somos todos Gentios em capacidade nacional, não somos judeus, os judeus são outra classe de homens; deram morte ao Salvador, e têm sofrido por 1.800 anos em consequência disso — têm sido pisados sob os pés dos Gentios até o presente dia. Aqueles que participaram daquele feito, e aqueles que o sancionaram, disseram: Caia o seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos depois de nós. O Juiz Gentio estava disposto a soltá-lo, pois não encontrava culpa nele; mas o sentimento e o parecer dos judeus era: "Crucifica-o, crucifica-o!" Que infiel há, não importa quem seja, que não creia em Deus, se ler as revelações do céu e ver o cumprimento da profecia desde o princípio de Gênesis até nossos dias, verá que se cumpriram ao pé da letra. Não há nada que tenha sido predito por Jesus ou pelos Apóstolos que já não tenha se cumprido ao pé da letra, na medida em que o tempo tenha permitido, e o que não se cumpriu ainda se cumprirá. Quando, digo, o Evangelho foi pregado aos Gentios, foi-lhes levado com todo o seu poder, sua beleza e glória, Sacerdócio e ordenanças, tal como foi oferecido aos judeus. E Paulo, escrevendo aos romanos, disse-lhes que não fossem soberbos, mas que temessem; pois, se Deus não poupou os ramos naturais, que eram os judeus, por causa de sua incredulidade, como poderia ser mais misericordioso para com os ramos não naturais, que eram os Gentios? Tem havido a verdadeira Igreja de Cristo sobre a terra desde que os Apóstolos foram mortos? Podeis encontrar uma Igreja sobre a terra organizada como foi naqueles dias? Não, nenhuma. Os Gentios seguiram o exemplo dos judeus em sua incredulidade, e em dar morte àqueles que portavam o santo Sacerdócio; e, em lugar da Igreja de Cristo, surgiu toda espécie de igreja durante os últimos 1.800 anos. Mas, nestes últimos dias, Deus novamente restaurou o Evangelho eterno; e todo homem que crê na Bíblia deve crer no cumprimento da revelação, e não pode crer no cumprimento da profecia sem crer que Deus enviaria novamente à terra anjos para entregar aquele Evangelho. E por que enviar um anjo para este propósito? Porque o Evangelho foi retirado da terra em consequência da incredulidade dos Gentios, e da poderosa oposição levantada contra os poucos, comparativamente, que o representavam. E em cumprimento da revelação de São João, João Batista veio a Joseph Smith, e lhe conferiu, depois de um período de preparação de sua parte, o Sacerdócio Aarônico, que o autorizou a pregar e batizar para a remissão dos pecados, e a administrar o sacramento, mas não a impor as mãos para o recebimento do Espírito Santo. A seu devido tempo, porém, Pedro, Tiago e João também lhe apareceram, e lhe conferiram a ordem de Melquisedeque do Sacerdócio e o Apostolado, que lhe deram o poder de organizar o reino de Deus sobre a terra. Estas são verdades, quer o mundo as creia ou não. Não faz diferença; é a obra do Deus Todo-Poderoso, e ele é seu autor. Como é com os Élderes de Israel? Deus chamou homens do arado, do martelo e da bigorna, da bancada do carpinteiro, etc., mortais iletrados e fracos, e eles foram enviados ao mundo para testificar deste novo e eterno Evangelho restaurado em nossos dias. E o que têm dito eles aos metodistas, aos batistas, e a todos os demais religiosos e classes de homens? Deus Todo-Poderoso me deu uma dispensação do Evangelho, e a ofereço a vós; aquele que crê no Senhor Jesus Cristo, e que eu sou seu servo, tendo sua mensagem do Evangelho a declarar a todos aqueles a quem sou enviado, e se arrepende e é batizado para a remissão de seus pecados, receberá o Espírito Santo. Este tem sido o teor da mensagem que temos levado aos homens e às nações nos últimos cinquenta anos. E agora, se Deus nada tem a ver com isto, como é que temos sido capazes de ajuntar milhares e dezenas de milhares dentre quase todas as nações debaixo do céu pela simples proclamação da mensagem do Evangelho? Quanto tempo levaria antes que Joseph Smith, ou qualquer outro homem que fosse levar a mensagem que nós levamos, e fazer as promessas que fazemos, fosse descoberto como impostor, a menos que as promessas que fizesse fossem genuínas e vistas de modo a dar inteira satisfação àqueles que atendessem à sua palavra? Todo o segredo de nosso êxito, no que diz respeito a fazer conversos, é que pregamos o mesmo Evangelho, em toda a sua simplicidade e clareza, que Jesus pregou, e que o Espírito Santo repousa sobre aqueles que o recebem, enchendo seus corações de alegria e regozijo indizíveis, e fazendo-os um só; e então eles próprios conhecem a doutrina, se é de Deus ou dos homens. E este Evangelho de Cristo, que oferecemos, é o que tem conduzido esta Igreja desde sua primeira organização até hoje. E, como tenho dito frequentemente, se não fosse pelo Evangelho a nós revelado, poderíamos ter trabalhado até sermos tão velhos quanto Matusalém, e Utah, hoje, seria tão estéril quanto era em 1847, quando pela primeira vez chegamos a estes vales. Naquele tempo encontramos um deserto estéril, sim, tão estéril quanto o deserto do Saara, sem marca alguma da raça anglo-saxônica. Mas percorrei Utah hoje, e encontrareis casas e cidades, jardins e pomares, casas de reunião e tabernáculos e escolas e residências, com a bênção de Deus acompanhando os trabalhos do povo; e uma comunidade de pessoas de quase todas as nações, tiradas das várias seitas e partidos, e eles estão aqui pela inspiração do Deus Todo-Poderoso, e eu o sei. Não temos tido poder, por nós mesmos, de influenciar homem ou mulher algum a respeito destas coisas. Eles têm sido influenciados pelo testemunho de Jesus Cristo, e pelo Evangelho do Filho de Deus. Estes são os princípios pelos quais todos os homens são salvos. Todos os homens são salvos pelo e por meio do sangue de Jesus Cristo, mediante a obediência ao Evangelho. ¶
Reconheço nossa condição e a posição ocupada por esta geração. Sei que somos vistos como um povo mau, e somos considerados um povo muito ignorante. Nunca houve mais epítetos lançados sobre Jesus Cristo e os Apóstolos do que sobre os Santos dos Últimos Dias. Por que isto? Somos nós assim tão piores do que o mundo? Não, não somos. O que, então, está errado? O Senhor Todo-Poderoso pôs sua mão para ajuntar seu povo, e edificar seu Sião, e estabelecer sua Igreja nestes últimos dias; e o mundo não gosta da doutrina que ensinamos, pois ela põe o machado à raiz da árvore, e consequentemente temos sido perseguidos desde a época em que esta Igreja foi organizada até hoje; e a perseguição continuará, mais ou menos, até que reine aquele a quem pertence o direito de reinar, até que o Senhor Jesus Cristo venha nas nuvens do céu para recompensar cada homem segundo as obras feitas no corpo. ¶
Ora, desejo dizer aos Santos dos Últimos Dias que somos chamados a certa obra, e temos sido chamados por Deus, e nós, como Élderes, temos ido aonde quer que fôssemos enviados, levando nossas vidas em nossas próprias mãos, viajando centenas e milhares de milhas sem bolsa nem alforje. Tenho vadeado pântanos e nadado rios, e tenho pedido meu pão de porta em porta; e tenho dedicado quase cinquenta anos a esta obra. E por quê? Havia ouro suficiente na Califórnia para me contratar a fazê-lo? Não, em verdade; e o que fiz, e o que meus irmãos fizeram, fizemo-lo porque nos foi ordenado por Deus. E esta é a posição que ocupamos hoje. Temos pregado e trabalhado dentro e fora do país, e pretendemos continuar nossos trabalhos, com a ajuda de Deus, enquanto pudermos ter liberdade para fazê-lo, e até que os Gentios se provem indignos da vida eterna, e até que os juízos de Deus alcancem o mundo, os quais estão à porta. Sabe esta geração o que a espera? Sabe nossa própria nação? Não, o mundo ignora o que, mais cedo ou mais tarde, há de sobrevir-lhe. ¶
Aqui está o mundo cristão, professando crer na Bíblia; podeis me mostrar onde alguma das predições dos profetas, sejam as de Jonas à cidade de Nínive, ou as de Isaías a Israel, ou a Tiro e Sidom e outras cidades e povos antigos, tenham caído por não se cumprir? Não, nenhum homem pode apontar uma única profecia dos servos de Deus que tenha falhado em seu cumprimento. Não sabe o mundo cristão que a Bíblia está cheia de revelação apontando para este dia e época do mundo? Que leiam as revelações de São João, dadas a ele enquanto estava na Ilha de Patmos, e saberão que juízos aguardam esta geração antes da vinda do Filho do Homem. Há uma obra para alguém realizar. Mas quando nos propomos a declarar, com toda a seriedade, que Deus tem algo a ver com a obra em que estamos empenhados, riem-se em nossa cara, e a razão é que se afastaram de Deus e são inteiramente incapazes de compreender seus caminhos ou seus propósitos; e, em lugar de crer no significado simples e literal da palavra de Deus, a espiritualizam a seu bel-prazer. Daniel estava preparado para entrar no covil dos leões; os três hebreus não temeram o destino que os aguardava; os Apóstolos foram valentes pela verdade e não recuaram diante da morte por sua causa, e por que puderam aqueles homens, e outros em circunstâncias semelhantes, manter suas convicções sem vacilar? Porque, em primeiro lugar, tinham a verdade e a conheciam por si mesmos; e, em segundo lugar, o Espírito Santo, o Consolador, os sustentava como só aquele poder pode fazer em todas as cenas difíceis pelas quais o povo de Deus é chamado a passar. E assim é hoje. O que os Santos dos Últimos Dias têm feito, pregando o Evangelho sob toda espécie de dificuldades, edificando cidades e subjugando terras devolutas, e estabelecendo-se na terra, têm feito pelas revelações e mandamentos de Deus a eles dados. ¶
Direi algumas palavras a respeito de certo princípio, e a razão de o dizer é que não podemos deixar de observar os sinais dos tempos tal como se apresentam hoje. Estava lendo nos jornais, ontem à noite, um discurso reportado como tendo sido feito por Joseph Smith, filho do Profeta Joseph Smith, no qual nos acusa de seguir um curso inteiramente diferente do de seu pai; que seu pai nada tinha a ver com as investiduras que fazem parte de nossa fé religiosa; e que seu pai nada tinha a ver com a ordem patriarcal de casamento; e acusa nossos bispos de poluírem as mulheres de suas respectivas alas, de modo que não estariam aptas a serem esposas. Esta última acusação é tão palpavelmente falsa e tão inteiramente mentirosa que é inteiramente indigna de nossa atenção, e creio que devo pedir desculpas a esta congregação por sequer me referir a ela. Mas mostra quão fraca deve ser a esperança e a fé de homens que pretendem ser mestres do povo, quando descem a difamar o caráter de homens inocentes, mentindo deliberadamente na esperança de reforçar e estabelecer sua própria causa peculiar. E quanto às demais: desejo dizer que Joseph Smith profere falsidades quando diz o que se relata que ele disse sobre seu pai: pois testifico a esta congregação, e peço aos nossos jovens que se lembrem disto depois que eu me for, que Joseph Smith foi quem primeiro me deu a conhecer as próprias ordenanças que damos aos Santos dos Últimos Dias em nossas investiduras. Recebi minha investidura sob a direção de Joseph Smith. Diz-se que Emma Smith, a viúva do Profeta, sustentou até seus últimos momentos que seu marido nada teve a ver com a ordem patriarcal de casamento, mas que foi Brigham Young quem a inventou. Testifico perante Deus, anjos e homens que Joseph Smith recebeu aquela revelação; e testifico que Emma Smith deu seu marido em casamento a várias mulheres enquanto ele vivia, algumas das quais vivem hoje nesta cidade, e algumas podem estar presentes nesta congregação, e que, se chamadas, confirmariam minhas palavras. Mas eis que ouvimos publicação após publicação, hoje em dia, declarando que Joseph Smith nada teve a ver com estas coisas. O próprio Joseph Smith organizou toda investidura em nossa Igreja e a revelou à Igreja, e viveu para receber toda chave dos sacerdócios Aarônico e de Melquisedeque das mãos dos homens que os detiveram enquanto na carne, e que os detêm na eternidade. ¶
Sinto-me levado a dizer aos Santos dos Últimos Dias em toda parte, irmãos e irmãs, fazei o bem e colhereis o bem; o que semeardes, também colhereis. O que nossa nação semear, também colherá, e o que medir aos outros lhe será medido de volta, transbordante, recalcado e sacudido. Tenho sentimentos peculiares ao refletir sobre a condição de nossa própria nação. Aqui estão os metodistas e presbiterianos e outros, todos se combinando para usar sua influência religiosa e política para derrubar o "mormonismo," que dizem ser uma abominação na terra, e uma grande mancha no brasão de nossa nação. "Ó, meu Deus," sinto-me levado a dizer, "quisera que nossa nação pudesse ver e compreender as coisas como realmente são." Desejo fazer uma pergunta. Quando o sexto anjo tocar sua trombeta, revelando os atos secretos dos homens a um mundo reunido, o que nos incluirá, quais serão os sentimentos da geração presente e dos governantes e homens e mulheres proeminentes de nossa nação, bem como os de outras nações, e os líderes do mundo cristão, quando aquele anjo declarar a todos aqueles que condenaram e clamaram contra os Santos dos Últimos Dias, especialmente aqueles que tomaram parte de destaque, dizendo: "Vós mesmos estais contaminados com mulheres, e vossos próprios atos, que estão registrados no alto, se levantarão em juízo contra vós"? Digo a esta nação, e especialmente àqueles que estão ativamente empenhados em promover uma cruzada contra nós sob o manto da religião: "O pecado jaz à vossa própria porta, e o que nos medirdes vos será, segundo a lei eterna da retribuição, medido de volta, e não podereis escapar disso." Declaramos a todos os homens que o Deus dos céus ordenou a Joseph Smith que introduzisse e praticasse a ordem patriarcal de casamento, incluindo a pluralidade de esposas. E por quê? Porque era a lei dada a Abraão, Isaque e Jacó, para certos propósitos; para que homens santos pudessem ter suas esposas e filhos consigo na manhã da primeira ressurreição, em sua organização familiar, para herdar reinos, tronos, principados e poderes na presença de Deus através das eras sem fim da eternidade. Senhoras e senhores, os Santos dos Últimos Dias não são o povo que pensais que são; não são culpados dos crimes e da maldade de que são acusados, mas, pelo contrário, são, como povo, livres dos pecados e abominações desta geração. Somos representados como uma comunidade de adúlteros, e como assassinos. Não somos mais culpados de tais crimes do que o foram Abraão, Isaque e Jacó. O que Deus nos revelou, e aquilo que nós mesmos sabemos ser correto e verdadeiro, prezamos e reverenciamos; e os convênios em que entramos em consequência das revelações de Deus a nós, mantemos sagrados. Amamos e respeitamos nossas esposas e filhos, e não poderíamos mais negar-lhes suas reivindicações sobre nós como esposos e pais, do que poderíamos negar a nosso Deus. ¶
Outra coisa: não há homem algum que já tenha vivido que possa reivindicar uma esposa ou um filho na ressurreição, a menos que ele e ela tenham sido casados e selados por autoridade divina, por um homem delegado do céu para realizar a ordenança do casamento. Todos os contratos não ordenados por Deus, celebrados pelos homens, terminam com esta vida, e são, portanto, sem efeito vinculante no mundo por vir. E aqui está a diferença entre a posição dos Santos dos Últimos Dias e a do mundo cristão a respeito do estado matrimonial. A natureza de nosso convênio matrimonial é sagrada e vinculante, tanto para o tempo como para a eternidade, e eu tão pouco pensaria em negar a meu Deus quanto em romper a relação existente entre mim e minhas esposas e filhos. Nossas esposas plurais e nossos filhos nos são tão caros quanto a esposa única e os filhos dos Gentios lhes são a eles; e, mais ainda, casamos com nossas esposas por mandamento de Deus, e por autoridade de seu Santo Sacerdócio, que foi novamente restaurado à terra; e se nos mostrarmos fiéis e verdadeiros a ele e uns aos outros, reivindicaremos nossas esposas e filhos no mundo por vir. Amém. ¶