O Povo Peculiar de Deus Chamado um Reino de Sacerdotes—Seu Ministério Assim Prefigurado—Os Sacerdócios de Melquisedeque e Aarônico—Sua Restauração nos Últimos Dias—A Pregação do Evangelho—Efraim e Manassés—A Linhagem do Profeta Joseph Smith—Predestinação e Eleição—A Dispersão e o Ajuntamento de Israel—O Sacerdócio Infinito, Administrando no Tempo e na Eternidade—A Cegueira dos Gentios às Coisas de Deus—A Ressurreição dos Mortos e a Redenção de Israel
Erastus Snow
Chamarei a atenção da congregação para as palavras do Senhor por meio de Moisés, dirigidas aos filhos de Israel, contidas nos versículos 5 e 6 do capítulo 19 de Êxodo: ¶
"Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu convênio, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha: ¶
"E vós me sereis um reino de sacerdotes e povo santo." ¶
Em conexão com esta passagem, lerei as palavras do Apóstolo Pedro, registradas no versículo 5 do capítulo 2 de 1 Pedro: ¶
"Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo." ¶
Também o versículo 9 do mesmo capítulo: ¶
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." ¶
O Élder Penrose referiu-se esta manhã ao fato de que uma grande porção dos Santos dos Últimos Dias é chamada e ordenada para portar alguma parcela do Sacerdócio, observando que, por vezes, ele havia questionado em seu íntimo por que isso nos foi assim designado. Isto me trouxe à lembrança as Escrituras que acabei de ler em vossos ouvidos. A consideração deste assunto envolve toda a missão dos Santos dos Últimos Dias. A promessa de Deus ao antigo Israel, contida no primeiro texto, expõe os propósitos de Jeová ao escolher a semente de Abraão de modo especial e separá-la de outros povos e nações, tomando-a sob seu cuidado e orientação particulares, e conduzindo-a, como o fez, para fora do cativeiro egípcio com mão poderosa e braço estendido, plantando-a em Canaã em cumprimento das promessas feitas ao seu pai Abraão, e a Isaque e Jacó. E quando Deus chamou Abraão para deixar a casa de seu pai e ir a uma terra que lhe mostraria e que depois lhe prometeu, a ele e à sua semente, por herança, tinha isto em vista: fazer dele e de sua semente um povo peculiar; fazer deles instrumentos em suas mãos para realizar o bem em benefício do mundo. ¶
Ele prometeu a Abraão, em outra ocasião, que nele e em sua semente todas as nações da terra seriam abençoadas. E embora isto se referisse principalmente à vinda do Filho de Deus por meio de sua linhagem, que havia de ser o Sumo Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa profissão, o Redentor do mundo, implicava também o fato de que, por meio de sua semente, o Evangelho seria levado a todo o mundo, e os oráculos de Deus entregues aos homens; que profetas e homens justos seriam levantados para agir como porta-voz de Deus entre os povos em que vivessem, e teriam Abraão por pai. Entre seus descendentes, também, seu Templo, bem como o Tabernáculo, seriam estabelecidos, e as ordenanças seriam reveladas por meio deles, e o Sacerdócio lhes seria conferido, e a palavra de Deus seria preservada entre eles e transmitida às gerações futuras, mantendo assim o verdadeiro caráter e conhecimento de Deus, e perpetuando-o sobre a terra. Esta foi uma grande obra que o Senhor se propôs a realizar quanto à semente de Abraão, e foi por esta razão e propósito que ele prometeu estabelecer seu convênio com eles para sempre. ¶
Ora, o Sacerdócio a que se refere a Escritura não dizia respeito somente àquela ordem inferior ou menor conhecida como o Sacerdócio Levítico, confirmado por convênio sobre Arão e sua semente e sobre a casa de seus pais, a tribo de Levi, cujo Sacerdócio oficiava ao oferecer sacrifícios e todos os deveres menores pertinentes à lei; mas compreendia algo mais do que isto, o Sacerdócio como um todo, incluindo o de Melquisedeque, ou seja, aquela santa ordem de Sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus. E quando Moisés foi feito porta-voz do Senhor a Israel nesta preciosa promessa, encontramo-los dando ouvidos a ele e guardando seus convênios, sendo eles um povo peculiar para com ele, acima de toda a terra, uma geração escolhida, um sacerdócio real; e ele se referia a eles como um povo por inteiro, e não apenas aos levitas, e ao Sacerdócio, como antes observei, como um todo, incluindo, é claro, o Sacerdócio de Melquisedeque; daí as palavras de Pedro: "Vós sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa." ¶
O mesmo grande propósito e objetivo prevalecem no tempo presente. O chamado e a missão dos Santos dos Últimos Dias são cumprir o que aqui está prometido nestas Escrituras — trazer a restauração de Israel disperso, o estabelecimento de Sião, a preparação de um povo para a vinda de Cristo; um povo que há de ser Salvadores sobre o Monte Sião, cumprindo assim uma das profecias de um dos profetas judeus a respeito do Sião dos últimos dias, de que Salvadores subiriam sobre o Monte Sião para salvar a casa de Esaú, mas o reino seria do Senhor. Por maior que seja o número dos empregados nesta obra de salvação, como Salvadores sobre o Monte Sião, todos deverão trabalhar como auxiliares e cooperadores de Cristo na salvação dos homens. ¶
Deus prometeu, nas revelações dadas aos Santos dos Últimos Dias, dar-lhes a conhecer a plenitude de todas as dispensações anteriores, e confirmou sobre seus servos nesta dispensação da plenitude dos tempos as chaves de todas as dispensações anteriores, e revelou todas as ordenanças dadas a conhecer aos antigos; portanto, é o nosso chamado completar a obra que foi inaugurada nas dispensações anteriores de Deus para o homem. No princípio, Joseph Smith recebeu o dom de ver visões e o dom de traduzir línguas mortas por meio do Urim e Tumim; e, tendo exercitado esses dons por algum tempo, recebeu as chaves do Sacerdócio Aarônico, juntamente com seu irmão Oliver, sob as mãos de João Batista, que era um ser ressuscitado, e que foi o último dos Sumos Sacerdotes judeus sob a dispensação da lei, o único filho de Zacarias, o Sumo Sacerdote, e filho da promessa, que foi decapitado por ordem de Herodes, tendo antes cumprido sua missão de preparar o caminho do Senhor, e tendo pregado o batismo de arrependimento para a remissão dos pecados, testificando de Jesus que havia de vir, e batizando os que o recebiam, inclusive o próprio Salvador. João, tendo terminado sua missão, selou seu testemunho com seu sangue, ressuscitou dentre os mortos e continuou a deter aquelas chaves do Sacerdócio que herdou de seus pais e que lhe foram confirmadas pelo anjo do Senhor quando tinha oito dias de idade. E era pessoa apta e apropriada para ser enviada a conferir aquelas chaves do Sacerdócio sobre Joseph e Oliver. Em devido tempo, como lemos na história que ele nos deixou, Pedro, Tiago e João lhe apareceram — foi num período em que eram perseguidos por seus inimigos e tiveram de viajar a noite toda, e no alvorecer do dia seguinte, quando estavam cansados e exaustos, quem lhes aparece senão Pedro, Tiago e João, com o propósito de lhes conferir o Apostolado, cujas chaves eles próprios haviam detido enquanto na terra, chaves que lhes tinham sido conferidas pelo Salvador. Este Sacerdócio, conferido a eles por aqueles três mensageiros, abrange todos os ofícios do Sacerdócio, do mais elevado ao mais humilde. Como frequentemente nos foi ensinado, as chaves da presidência deste Apostolado representam a mais alta autoridade conferida ao homem na carne. E por virtude destas chaves do Sacerdócio, o Profeta Joseph procedeu, de tempos em tempos, a ordenar e organizar o Sacerdócio em seus diversos quóruns, tal como o vemos hoje na Igreja. E se se perguntar por quê, e com que propósito, a resposta seria a ideia contida na linguagem que citei: em conformidade com o desígnio do Senhor de levantar para si um povo peculiar, uma nação santa, um sacerdócio real — um reino de Sacerdotes, que hão de ser salvadores sobre o Monte Sião, não apenas para pregar o Evangelho aos remanescentes dispersos de Israel, mas para salvar até o extremo as nações dos Gentios, na medida em que estes escutarem e puderem ser salvos pelo plano que Deus proveu. ¶
O primeiro grande trabalho deste ministério é ir ao estrangeiro e pregar o Evangelho às nações. O Evangelho do reino deve ser pregado a todos os povos, nações e línguas antes que o fim possa vir; e é por meio da pregação da palavra e da administração das ordenanças do Evangelho que Israel é buscado dentre as nações entre as quais está disperso, especialmente a semente de Efraim, a quem pertencem as primeiras promessas, a promessa das chaves do Sacerdócio. Pois deve-se lembrar que, de toda a semente de Abraão que o Senhor escolheu para portar as chaves pertencentes a esta santa ordem de Sacerdócio, a semente de Efraim, filho de José, foi a primeira e principal. Enquanto a tribo de Levi, a que pertenciam Moisés e Arão, foi especialmente encarregada da administração dos assuntos do Sacerdócio menor sob a lei, Efraim, o filho peculiar e escolhido de José, foi aquele a quem o Senhor nomeou por sua própria boca e por meio dos Profetas para herdar as chaves da presidência deste Sumo Sacerdócio segundo a ordem do Filho de Deus. Nisto também vemos o cumprimento dos convênios e promessas de Deus; não que José, por direito de primogenitura, herdasse esta bênção, pois Rúben foi o primogênito entre os doze filhos de Jacó; mas nos é dito em Crônicas, capítulo 5, que Rúben perdeu este direito de primogenitura por seu adultério, e que Deus o tomou dele e o conferiu aos filhos de José; e, dentre os filhos de José, escolheu Efraim como o principal; e, embora o Patriarca Jacó, como lemos no capítulo 49 de Gênesis, tenha adotado em sua própria família dois filhos de José, Efraim e Manassés, colocou Efraim, o mais novo, em primeiro lugar, e o abençoou com a bênção principal, dizendo que Manassés seria grande, mas Efraim seria maior do que ele; que se tornaria uma multidão no meio da terra. Outra Escritura também diz, a respeito de Israel disperso, que Efraim se misturou entre os povos; e, falando do ajuntamento de Israel na dispensação dos últimos dias, o Profeta Jeremias disse que Deus ajuntaria Israel e o conduziria como um pastor a seu rebanho, dizendo: Eu sou Pai para Israel, mas Efraim é meu primogênito. Ora, se Efraim foi disperso e se misturou entre os povos até que sua identidade se perdeu entre as nações, como serão eles reconhecidos e receberão as bênçãos prometidas — como é que Efraim há de ser o primogênito do Senhor no grande ajuntamento dos últimos dias? Se voltarmos à bênção que Moisés deu às doze tribos de Israel, conforme se encontra em Deuteronômio, veremos ali que, ao abençoar a tribo de José, ele os encarregou especialmente do dever de ajuntar o povo desde as extremidades da terra. Disse ele: os chifres de José são como os chifres de unicórnios, que empurrarão os povos juntos desde as extremidades da terra, e são eles os milhares de Manassés e os dez milhares de Efraim; mostrando que serão os dez milhares de Efraim e os milhares de Manassés que estarão nas fileiras dianteiras a levar a mensagem do Evangelho até as extremidades da terra, e a ajuntar Israel dos quatro cantos do mundo nos últimos dias. Quem quer que tenha lido cuidadosamente o Livro de Mórmon terá aprendido que os remanescentes da casa de José habitaram no continente americano; e que Leí soube, pesquisando os registros de seus pais que estavam escritos nas placas de latão, que era da linhagem de Manassés. O Profeta Joseph nos informou que o registro de Leí estava contido nas 116 páginas que foram primeiro traduzidas e depois roubadas, e das quais nos é dado um resumo no primeiro Livro de Néfi, que é o registro do próprio Néfi, sendo ele mesmo da linhagem de Manassés; mas que Ismael era da linhagem de Efraim, e que seus filhos se casaram na família de Leí, e os filhos de Leí se casaram com as filhas de Ismael, cumprindo assim as palavras de Jacó sobre Efraim e Manassés no capítulo 48 de Gênesis, que diz: "E seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Abraão e Isaque, e multipliquem-se em multidão no meio da terra." Assim, esses descendentes de Manassés e Efraim cresceram juntos neste continente americano, com uma mescla da casa de Judá, descendente de Múleque, que deixou Jerusalém onze anos depois de Leí, e fundou a colônia depois conhecida como Zaraenla e encontrada por Mosias — formando assim uma combinação, uma mistura de Efraim e Manassés com os remanescentes de Judá; e, pelo que sabemos, com os remanescentes de outras tribos que possam ter acompanhado Múleque. E assim cresceram no continente americano. Mas não nos é dito que o Profeta Joseph e os primeiros Élderes desta Igreja, que foram chamados e escolhidos por Deus para portar o Sacerdócio e lançar o alicerce desta obra, descendessem de qualquer parte desses remanescentes que povoaram a América na antiguidade, e cuja história nos é dada no Livro de Mórmon. Contudo, encontramos em Doutrina e Convênios a declaração a respeito dos primeiros Élderes desta Igreja, de que eram da casa de Efraim; e outra passagem, referindo-se aos ímpios e rebeldes, diz que serão eliminados dentre o povo, pois os rebeldes não são da semente de Efraim. E há uma passagem no Livro de Mórmon, que faz parte da profecia de José escrita nas placas de latão e citada por Leí, a respeito do Profeta Joseph Smith, dizendo que ele havia de ser levantado nos últimos dias para traduzir os registros dos nefitas, e cujo nome seria Joseph, e que seria descendente daquele José que foi vendido para o Egito, e também que este seria o nome de seu pai. ¶
Ora, se o Profeta Joseph Smith foi aquele vaso escolhido saído dos lombos de José, poder-se-ia perguntar: que evidência temos desta linhagem? Respondo: o testemunho de Deus, o melhor de todos os testemunhos, pois nenhum registro guardado por homem mortal pode se igualar a ele; e isto, ademais, por causa daquela máxima pitoresca, mas sensata: "é preciso um homem sábio para saber quem foi seu pai, mas um tolo pode descobrir quem foi sua mãe." E ainda que tivéssemos a linhagem dos pais, não seria tão certa e segura para nós quanto a palavra do Senhor. Pois ele teve seus olhos sobre os espíritos escolhidos que vieram à terra nas várias eras, desde o princípio do mundo até este tempo; e, como disse a Abraão, falando das multidões de espíritos que lhe foram mostradas em visão celestial: vês que alguns são mais nobres do que outros? Sim. Então podes saber que havia outros ainda mais nobres do que estes; e fala do mesmo modo da multidão dos corpos celestiais; e disse a Abraão: tu és um daqueles nobres que escolhi para serem meus governantes. O Senhor enviou aqueles espíritos nobres ao mundo para realizarem uma obra especial, e designou seus tempos; e eles sempre cumpriram a missão que lhes foi dada, e sua futura glória e exaltação lhes estão asseguradas; e é isto que entendo pela doutrina da eleição, de que falam o Apóstolo Paulo e outros escritores sagrados: "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, para que seja o primogênito entre muitos irmãos." Tais foram chamados, escolhidos e eleitos por Deus para realizar certa obra em certo tempo da história do mundo, e a seu devido tempo os preparou para essa obra. Recorda-se que, quando Jeremias foi chamado por Deus em sua juventude, ele, para se desculpar, queixou-se de sua mocidade e de ser tardio de fala, e o Senhor lhe disse que seria boca por ele e matéria para seu coração, pois, disse ele, o conhecia e o havia chamado desde o ventre de sua mãe para ser profeta às nações. E assim chamou João Batista, enviando seu anjo Gabriel a seu pai Zacarias, dando-lhe a promessa de que sua esposa Isabel, embora velha e estéril, ainda conceberia e daria à luz um filho, cujo nome seria João, e que seria precursor do Salvador, a preparar o caminho diante dele. E assim elegeu a semente de Efraim para ser aquele povo peculiar a que me referi, aquela nação santa, um reino de Sacerdotes, um povo para receber os convênios e os oráculos, e para ser testemunha, perante certas nações, do Deus de Israel. E quão rigorosos foram seus mandamentos de que não tivessem outros deuses além dele, para que fossem uma repreensão constante aos idólatras e a todos os que não creem no Deus verdadeiro e vivo. ¶
Ora, o mesmo espírito de revelação que buscou o Profeta Joseph nos lombos daquele José que foi vendido para o Egito, e que o levantou nesta dispensação para receber as chaves do Sacerdócio e lançar o alicerce desta grande obra na terra, também chamou os filhos de Abraão dentre os reinos e países da terra a primeiro ouvir e depois abraçar o Evangelho eterno; e os remanescentes da semente de Efraim, que foram dispersos da Palestina e que colonizaram as margens do Mar Cáspio, e daí seguiram para o norte da Europa, oeste da Escandinávia e norte da Alemanha, penetrando na Escócia e na Inglaterra, conquistando aquelas nações e reinando como monarcas da Grã-Bretanha, e misturando sua semente com a raça anglo-saxônica, espalhando-se pelas águas como uma videira frutífera, conforme predisse Jacó, cujos ramos correriam por sobre o muro. Seu sangue permeou a sociedade europeia, e correu nas veias dos primeiros colonos da América. E quando os livros forem abertos e a linhagem de todos os homens for conhecida, verificar-se-á que eles foram os primeiros e os principais em tudo o que há de nobre entre os homens, nas várias nações, ao romper os grilhões da realeza, das artimanhas sacerdotais e de toda espécie de opressão, e os primeiros entre os homens a sustentar e manter os princípios de liberdade e franquia neste continente, estabelecendo um governo representativo, e assim preparando o caminho para a vinda da plenitude do Evangelho eterno. E são estes os primeiros dentre os espíritos que o Senhor preparou para receber o Evangelho quando lhes foi apresentado, e que não esperaram que os Élderes os buscassem pelas colinas e recantos da terra, mas eles próprios buscavam os Élderes, impelidos por um espírito que então não podiam compreender; e por esta razão estiveram entre os primeiros Élderes da Igreja; eles e seus pais tendo sido vigiados desde os dias em que Deus prometeu aquelas bênçãos sobre Isaque, Jacó, José e Efraim. E são estes os que se acharão nas fileiras dianteiras de tudo o que há de nobre e bom em seu tempo, e que se acharão entre aqueles cujos esforços se dirigem a estabelecer sobre a terra aqueles princípios celestiais que tendem diretamente à bênção e à salvação, a melhorar a condição de seus semelhantes e a elevá-los na escala de seu ser; e também entre aqueles que recebem a plenitude do Evangelho eterno e as chaves do Sacerdócio nos últimos dias, por meio dos quais Deus determinou ajuntar de novo, para si mesmo, um povo peculiar, uma nação santa, uma semente pura, que há de estar sobre o Monte Sião como salvadores, não somente para a casa de Israel, mas também para a casa de Esaú. ¶
Ora, a obra de levar o Evangelho às nações e ajuntar o povo, por mais poderosa que seja, não é a principal; é apenas o lançamento do alicerce para a obra ainda maior da redenção das miríades de mortos da semente de Israel que pereceram sem a plenitude do Evangelho, que também são herdeiros das bênçãos prometidas; mas não havia chegado o tempo, quando faleceram, do cumprimento de tudo o que Deus prometera a Abraão, Isaque e Jacó a respeito de sua semente. Ezequiel, no capítulo 37 de seu livro, ilustra belamente esta doutrina em sua visão do vale dos ossos secos. Refiro-vos respeitosamente a ela. A substância da visão é esta: o Senhor mostrou a Ezequiel um vale cheio de ossos humanos secos; e lhe pergunta se aqueles ossos podem viver. Ezequiel respondeu: "Senhor Deus, tu o sabes." O Senhor então lhe diz que profetize aos ossos: "Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor"; e, ao fazê-lo, houve um estremecimento, e eis que os ossos se ajuntaram, osso a seu osso; e, segundo a palavra do Senhor por meio dele, carne e pele e nervos vieram sobre eles, e o fôlego de vida entrou neles, e eis que se puseram em pé, um exército extraordinariamente grande. O Senhor então diz ao Profeta que estes são toda a casa de Israel; e que se queixam do não cumprimento das promessas sobre eles, dizendo: "Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados." Mas ele lhe diz ainda que profetize a eles, dizendo: "Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel", etc. E por quem será realizada esta grande e maravilhosa obra? Respondo: pelos milhares de Manassés e pelos dez milhares de Efraim; por este mesmo povo que há de buscar e ajuntar a casa de Israel, e que virá como salvadores sobre o Monte Sião. ¶
Paulo nos diz, a respeito do Sacerdócio de Melquisedeque, que é segundo a ordem de uma vida sem fim, sem princípio de dias nem fim de anos; ou, por outras palavras, que é eterno; que ministra no tempo e também na eternidade. Pedro, Tiago e João, e seus companheiros de labor, ainda ministram em seu Sacerdócio do outro lado do véu; e Joseph Smith e seus irmãos companheiros ainda ministram em seu ofício e chamado, sob o conselho e direção destes mesmos Pedro, Tiago e João, que ministraram na terra, e que conferiram a Joseph as chaves de seu Sacerdócio; e todos os Élderes desta dispensação que se mantiverem fiéis e magnificarem seu chamado na carne continuarão, ao partirem daqui, seus trabalhos no mundo espiritual, retendo o mesmo santo caráter e a alta responsabilidade que aqui assumiram. E estes homens estarão ali ocupados em buscar os remanescentes de seus pais, da casa de José, por meio de Efraim e Manassés; e depois todas as demais tribos de Israel; enquanto seus filhos e os filhos de seus filhos, permanecendo na carne, detendo o mesmo Sacerdócio, estão edificando e continuarão a edificar Templos e a entrar neles, e ali oficiar por toda a casa de Israel, cujos ossos estão secos e cuja esperança se perdeu; mas com quem há de ser, como o Apóstolo Pedro o expressou: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos." Quando Pedro sepultou seu Senhor, sepultou também sua esperança, e, neste estado de espírito, disse: "Vou pescar." Voltou ao antigo modo de vida, e seus companheiros Apóstolos o acompanharam. Depois de trabalhar a noite toda sem pescar nada, o Salvador lhes apareceu, mas os discípulos não o reconheceram; e, ao saber que nada haviam apanhado, disse-lhes que lançassem a rede do outro lado do barco, e imediatamente a rede se encheu de peixes. E logo a inspiração do Todo-Poderoso veio sobre Pedro, que disse: é o Senhor; é um de seus feitos. E a impetuosidade de sua natureza era tal que não pôde esperar, mas lançou-se à água para ir ao encontro do Salvador, sabendo que era Ele com tanta certeza como se o próprio Pai lho tivesse dito. E, ao chegarem à praia, encontraram que seu Senhor lhes preparara alimento, do qual todos participaram. E então o Salvador repreende Pedro, dando-lhe a entender que o havia chamado, a ele e aos demais apóstolos, para serem pescadores de homens, e diz a Simão Pedro: "Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?" Pedro respondeu: "Sim, Senhor; tu sabes que te amo." O Salvador lhe disse então: "Apascenta os meus cordeiros"; repetindo sua pergunta e admoestação três vezes. Esta repreensão bastou a Pedro pelo resto de seus dias; nunca mais ouvimos falar de que ele fosse pescar. ¶
A manhã da ressurreição desponta sobre nós. Não tardará que encontremos Joseph e seus irmãos supervisionando e dirigindo os trabalhos dos Élderes de Israel nos Templos de nosso Deus, laborando pela redenção dos mortos, obra que continuará durante o descanso do milênio, quando o Salvador governará sobre toda a terra. ¶
As nações gentias não compreendem estas coisas. O Congresso e os sacerdotes assalariados são cegos e ignorantes a respeito delas. E por quê? Porque não "nasceram de novo," estando na mesma condição em que se encontrava Nicodemos quando o Salvador lhe disse que, a menos que um homem nascesse de novo — isto é, nascesse da água e do Espírito — não poderia entrar no (nem ver o) reino de Deus. Falam de religião, e se dizem mestres do Cristianismo; na medida em que honestamente creem, e demonstram por suas obras, que Cristo era o Filho de Deus, nessa medida Deus os terá em memória; na medida em que honestamente recebem aqueles princípios de moralidade que devem governar os homens em seu proceder na vida e em seu trato com seus semelhantes, e os respeitam e se esforçam por vivê-los, nessa medida ele os terá em honrosa lembrança, e serão contados entre os honrados da terra, e a misericórdia do Senhor os alcançará a seu devido tempo; mas o hipócrita que oculta seu coração perverso sob o manto da religião, que tem forma de piedade mas nega o seu poder, a todos estes ele fará definhar. ¶
Compreendendo isto como o compreendemos, não nos admiramos de que esta classe de pessoas se combine com os poderes da terra para lançar obstáculos no caminho desta comunidade. Mas permitirá o Senhor que tragam perseguição sobre nós? Talvez o permita; e o fará, se for necessário podar a vinha, purificar seu povo do pecado, expurgar o mal e afugentar os hipócritas de Sião; pois está decretado que o temor surpreenderá os hipócritas em Sião; e, se ele permitir que os ímpios se combinem contra nós, o fará reverter para a salvação dos justos. Os justos podem suportar as provações, pois sabem que ¶
Por trás de uma providência carrancuda, Ele oculta um rosto sorridente. ¶
E que depois de muita tribulação vem a bênção. E tais são de Efraim. Amém. ¶