Pulpit

A Dispensação da Plenitude dos Tempos — Restauração do Evangelho — Deveres do Sacerdócio — O Futuro de Sião — Inconsistência dos Perseguidores dos Santos — Incidentes da História da Igreja, Etc.

John Taylor

1882-03-05

Vivemos em tempos peculiares; operamos numa era repleta de acontecimentos; estamos associados a uma dispensação peculiar, e temos uma obra a realizar que, em muitos aspetos, difere da de todas as outras eras ou épocas. A dispensação a que estamos ligados é chamada nas escrituras a dispensação da plenitude dos tempos, na qual, está registado, Deus reunirá todas as coisas em uma, quer sejam coisas na terra, quer sejam coisas nos céus. Há ideias associadas a esta dispensação que são, em muitos aspetos, distintas e diferentes das que foram enunciadas e proclamadas em eras e dispensações anteriores; e, na medida em que a presente dispensação há de abranger tudo o que esteve ligado a todas as dispensações passadas — todos os traços proeminentes, bem como os menores, que caracterizaram a Igreja e o reino de Deus em dias antigos, que foram essencialmente necessários ao seu crescimento e desenvolvimento —, esses traços devem reaparecer em ligação com a obra de Deus nestes nossos dias. Se as manifestações e os desenvolvimentos de outras dispensações nos foram dados a conhecer, nos foram reveladas doutrinas, teorias, organizações e sistemas que existiram em todas elas; porque é enfaticamente a dispensação da plenitude dos tempos. Se tiveram algo peculiarmente característico nos dias dos antigos Patriarcas, o mesmo nos foi revelado. Se tiveram algo proeminente e importante na dispensação de Noé, nós o temos, e, se Noé foi chamado a pregar o evangelho ao mundo no seu dia, antes da sua destruição, o mesmo se dá connosco.

Se, nas dispensações abraâmica ou mosaica, Deus revelou princípios importantes, temos um conhecimento claro dessas coisas que nos foram dadas a conhecer, e das razões, dos porquês e dos comos a elas pertencentes. Se tiveram algo entre os antigos profetas e homens de Deus, o mesmo nos foi desenvolvido. Se, nos dias de Jesus, tiveram manifestações, revelações, doutrinas ou organizações, essas coisas nos foram dadas a conhecer. Ou, se ao povo neste continente, a quem Deus revelou a sua vontade — quer o povo que veio da Torre de Babel, quer os que vieram de Jerusalém durante o reinado de Zedequias —, se algo lhes foi revelado, o mesmo nos foi revelado. E é por isto que certas coisas existem relativas a organizações, etc., referidas pelo Irmão Hatch.

Temos aqui, no teto deste edifício, retratado para nós, Morôni a dar a conhecer a Joseph Smith as placas de que o Livro de Mórmon foi traduzido, placas essas que tinham sido escondidas na terra; e, ligado a elas, estava o Urim e Tumim, por meio do qual sagrado instrumento Joseph foi capacitado a traduzir os antigos carateres, agora dados a nós na forma do Livro de Mórmon; no qual são expostas as teorias, doutrinas, princípios, organizações, etc., destes povos que viveram neste continente. As pessoas falam da sua descrença quanto a estas coisas. Isso é assunto de pouca importância para nós. Não tenciono trazer argumento algum sobre esta questão, nada me importando o que as pessoas creem. Sabemos certas coisas, e, sabendo-as, consideramo-las factos consumados. Se tomássemos o mundo e as suas ideias e teorias, veríamos que dificilmente há uma pessoa em cada mil que creia na Bíblia. O mundo cristão professa crer na Bíblia; isto é, creem nela quando fechada, mas não quando aberta. Consequentemente, não me proponho, pelo menos esta tarde, dirigir-me aos incrédulos, quer se apresentem sob o nome de cristãos, quer sob qualquer outro nome. Estou a falar de certos princípios a um povo que crê que eles são verdadeiros; e desejo referir-me mais particularmente a alguns acontecimentos ligados aos tratos de Deus com os seus filhos terrenos.

Quando João estava na ilha de Patmos, certas coisas lhe foram reveladas que haveriam de acontecer nos últimos dias, e ele profetizou sobre elas. Enquanto envolto em visão profética, contemplando os propósitos de Deus tal como haveriam de se desenrolar em tempos posteriores, viu, entre outras coisas, um anjo voando pelo meio do céu, tendo o evangelho eterno para pregar aos que habitam na terra, a toda nação, tribo, língua e povo; dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. Esta foi uma declaração feita por este antigo apóstolo e profeta de Deus, enquanto banido por causa da sua religião, tal como certos homens hoje nos baniriam, se pudessem. Declaramos agora ao mundo que esta parte das visões de João se cumpriu; que o anjo veio e apareceu ao homem sobre a terra, conferindo-lhe este encargo celestial, a saber, a responsabilidade de abrir uma nova dispensação do evangelho; e declaramos que o próprio Deus participou nisto, e que Jesus, o Mediador do novo convénio, o acompanhou, ambos os quais apareceram a Joseph Smith, ocasião em que o Pai, apontando para o Filho, disse: "Este é o meu amado Filho, escutai-o." Seguindo-se a isto, o evangelho havia de ser pregado a toda nação. Que evangelho? O mesmo evangelho que foi pregado a Adão, e aos Patriarcas e homens de Deus de toda época; o evangelho da salvação e libertação do pecado por meio da expiação de Jesus Cristo, a ressurreição dos mortos, a vida imortal e todas as bênçãos a ela associadas. E quando este evangelho foi primeiramente proclamado nesta era, quem sabia algo sobre ele? Ninguém; não estava, nem tinha estado, entre os homens durante séculos. O mundo da humanidade tinha sido deixado sem comunicação direta dos céus e, como consequência natural, enquanto se arrastava nas trevas, seguia os desígnios e desejos do seu próprio coração; era governado por sistemas feitos por homens, e curvava-se ao ditame, às noções, teorias e loucuras dos homens. Não havia apóstolo, nem profeta, nem homem inspirado de Deus que detivesse o seu Santo Sacerdócio para dizer: Assim diz o Senhor, este é o caminho, andai nele.

A este respeito, posso aludir a um incidente da minha experiência pessoal, para mostrar o estado do mundo, religiosamente, há uns quarenta ou cinquenta anos. Não estando então familiarizado com esta Igreja, um grupo de nós reuniu-se com o propósito de examinar as escrituras; e descobrimos que certas doutrinas foram ensinadas por Jesus e pelos apóstolos, que nem os metodistas, nem os batistas, nem os presbiterianos, nem os episcopais, nem qualquer das seitas religiosas, ensinavam; e concluímos que, se a Bíblia era verdadeira, as doutrinas da cristandade moderna não eram verdadeiras; ou, se estas eram verdadeiras, a Bíblia era falsa. As nossas investigações foram feitas com imparcialidade, e a nossa procura da verdade foi extensa. Examinámos todo princípio religioso que chegou ao nosso conhecimento, e sondámos os vários sistemas ensinados pelas seitas, para averiguar se havia algum que estivesse em harmonia com a palavra de Deus. Mas não encontrámos nenhum. Além das nossas pesquisas e investigações, orámos e jejuámos diante de Deus; e a substância das nossas orações era que, se Ele tivesse um povo em algum lugar da terra, e ministros autorizados a pregar o evangelho, que nos enviasse um. Esta era a condição em que estávamos. Sabíamos tudo o que os metodistas sabiam então, e tudo o que sabem agora. Sabíamos tudo o que os presbiterianos sabiam então, e tudo o que sabem agora. Sabíamos tudo o que os episcopais sabiam então, e tudo o que sabem agora. Sabíamos tudo o que os católicos romanos sabiam então, e tudo o que sabem hoje; pois familiarizámo-nos com as suas doutrinas e examinámo-las cuidadosamente, bem como as teorias de todos os homens que pretendiam ter conhecimento da luz do evangelho. Orámos com fervor; e, em resposta às nossas orações, o Senhor enviou-nos o élder Parley P. Pratt, que dá conta disto na sua autobiografia, publicada depois da sua morte. O irmão Pratt, ao relatar as circunstâncias, diz que o irmão Heber C. Kimball foi a sua casa uma noite, depois de ele se ter deitado; que o irmão Kimball lhe pediu que se levantasse, o que ele fez, e então começou a profetizar-lhe. Disse-lhe que havia um povo no Canadá que procurava um conhecimento do evangelho, e que oravam a Deus para lhes enviar um ministro que lhes revelasse a verdade. O irmão Kimball então comissionou-o para se dirigir ao Canadá, dizendo-lhe que o Senhor o abençoaria e lhe abriria o caminho. Pouco antes disso, os Santos tinham estado ocupados a edificar o Templo em Kirtland, Ohio, e estavam todos muito apertados quanto a meios, tendo o irmão Pratt, entre outros, dedicado tudo o que tinha de sobra para esse fim. Entre outras coisas que o irmão Kimball lhe disse foi que, para onde ele ia, encontraria meios para se aliviar, e que muitas pessoas abraçariam o evangelho, e que isso seria o meio de introduzir o evangelho na Inglaterra. E, além disso, disse ele, a tua esposa, que agora não tem filhos, terá um filho. Com o tempo, ela teve de facto um filho, e chamaram-lhe Parley. Não sei se ele estará presente; mas ia dizer que o conheci antes de ele nascer. [Riso.]

Falo disto para mostrar que naquele tempo não havia ninguém, de quem tivéssemos conhecimento, de quem pudéssemos obter informação a respeito do evangelho do Filho de Deus, ou que nos pudesse ensinar as doutrinas que Jesus e os seus apóstolos ensinaram, tal como contidas nas escrituras. O irmão Pratt veio e encontrou-nos, e veio em resposta à nossa oração; pelo menos, essa é a minha fé quanto ao assunto. E cumpriram-se todas estas coisas? Sim: eu próprio fui batizado, e outros também, e eu batizei muitos outros naquela terra; e foi também o meio de enviar o evangelho à Inglaterra. John Goodson, que apostatou há muito, John Snyder, um homem bom e fiel que foi um dos membros do comité da Nauvoo House, e que morreu na Ala 17 desta cidade, Isaac Russell, e Joseph Fielding, tio do irmão Joseph F. Smith, faziam parte do nosso grupo, abraçaram o evangelho, e foram depois chamados para acompanhar o irmão Heber C. Kimball e Orson Hyde à Inglaterra, com o propósito de abrir a obra naquela terra; e fui eu a primeira pessoa que escreveu uma carta para a Inglaterra sobre o assunto do evangelho; fi-lo a pedido do irmão Fielding, que me pediu que escrevesse por ele a um irmão e cunhado seus, que eram ministros na Inglaterra. Foram estes os homens que ajudaram a introduzir o evangelho na Inglaterra naqueles primeiros dias. Falo disto para informação de muitos de vós.

Quando o irmão Pratt veio ter comigo, eu era, talvez, tão versado na letra da Bíblia como o sou hoje, e, assim que ele começou a falar de profetas, eu disse: Sim, cremos neles. E ele falou de apóstolos, e eu observei: Sim, temos procurado tais homens, mas não conseguimos encontrá-los. Falou da organização da Igreja tal como era antigamente; e do dom de línguas e do dom de curar, etc., e ficámos encantados com a sua mensagem, era algo que procurávamos, e tudo era novo para nós. Tínhamos ouvido rumores sobre os mórmons, tal como as pessoas ouvem hoje rumores sobre nós; e os rumores que ouvíamos não eram dos mais elogiosos, tal como não o são os que se propagam sobre nós hoje, nem os que se propagavam sobre Jesus e os Santos de outrora. Sabeis que o clero piedoso e hipócrita daquele tempo apresentava o Salvador como a criatura mais vil que já existiu, e influenciava o povo contra Ele; pois diziam, se cura os doentes, dai glória a Deus, pois sabemos que este homem é pecador; e, quando expulsava demónios, esta mesma classe atribuía-o ao poder de Belzebu, o príncipe dos demónios; e falavam dele como sendo um bastardo, e lançavam-lhe toda espécie de calúnias. O Salvador, ao falar aos seus discípulos, deu-lhes a entender que, na medida em que o tinham perseguido, também os perseguiriam a eles; e disse, além disso, que, quando os perseguissem numa cidade, fugissem para outra; e também lhes disse que se regozijassem grandemente quando fossem perseguidos por causa da retidão. O quê, mentirem sobre vós aventureiros e demagogos políticos que procuram roubar-vos e saquear-vos? Sim; esse é um bom e favorável sinal. Se fôssemos culpados das infâmias que procuram atribuir-nos, isso seria outra coisa. Mas, embora não sejamos tão bons como poderíamos ser, sabemos que o que dizem e publicam ao mundo sobre nós, que tem tido a tendência de despertar os sentimentos do público em geral contra nós, são falsidades infernais. "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos," etc., nisto apenas partilhamos a sorte dos honrados de outras épocas, os homens de Deus que suportaram o abuso dos seus semelhantes, e que, em muitos casos, foram perseguidos muito pior do que nós. Os nossos atuais atacantes ainda não aprenderam a fazê-lo; mas tentam, em pequena escala, introduzir a inquisição, e podem, aos poucos, em certa medida, conseguir realizar os seus objetivos nefastos. Esta é a sua obra; se eles a podem suportar, pensamos que nós também podemos. Há milhares de homens honrados que olharão com desprezo para todos estes esforços sem princípios e mentirosos.

Depois de o Senhor ter falado a Joseph Smith, e de Jesus se lhe ter manifestado, e depois de Morôni lhe ter revelado as placas escondidas que continham a história dos antigos habitantes deste continente, as quais, na sabedoria de Deus, foram traduzidas para a nossa própria língua na forma do Livro de Mórmon, e que, em ligação com a Bíblia, hão de ser o meio de confundir as falsas doutrinas, sendo uma corroborativa da outra em princípio e doutrina e em relação aos desígnios e propósitos de Deus — depois disto, era necessário que o sacerdócio detido pelos homens em tempos antigos fosse restaurado nestes últimos dias, para que as pessoas agora, como os homens naqueles dias, pudessem ser autorizadas a agir em nome do Senhor. Por isso, João Batista, que detinha as chaves do Sacerdócio Aarônico, veio e impôs as mãos sobre as cabeças de Joseph Smith e Oliver Cowdery, usando estas palavras: "A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão de pecados; e ele nunca mais será tirado da Terra, até que os filhos de Levi tornem a fazer, em retidão, uma oferta ao Senhor." Depois de terem sido ordenados a este sacerdócio, que é segundo a ordem de Aarão, era necessário que tivessem outro sacerdócio, que é segundo a ordem de Melquisedeque, e segundo a ordem do Filho de Deus. E, consequentemente, Pedro, Tiago e João vieram e conferiram esse sacerdócio. Por que vieram eles? Porque eram os últimos que detinham as chaves desse sacerdócio. Depois de esta ordem de sacerdócio ter sido introduzida, a organização que hoje possuímos foi gradualmente efetuada, a qual é tão plena e completa, talvez, como alguma vez existiu sobre a terra. Quão perfeita era nos dias de Enoque não nos é dito, mas tudo o que lhes foi revelado quanto à organização da Igreja de Deus, bem como quanto a doutrinas e ordenanças, nos foi revelado, exceto uma coisa, que é o princípio e o poder da translação; isso, porém, será restaurado a seu devido tempo. E, se eles no seu dia edificaram uma Sião, temos uma para edificar no nosso dia, e, quando isto for feito e tudo estiver pronto, a Sião que o povo de Enoque edificou, e que foi translada, descerá do alto, e a Sião dos últimos dias, que este povo edificará, subirá em virtude deste princípio e poder, e a Sião antiga e a dos últimos dias se encontrarão uma com a outra, e os habitantes de ambas se abraçarão e beijarão uns aos outros, assim nos é dito nas revelações de Deus.

Somos devedores a ninguém, exceto a Deus, o nosso Pai Celestial, pela organização que possuímos; e, como me ocorre uma pequena circunstância a respeito do seu funcionamento prático, vou mencioná-la. Entre outros lugares, enviámos a Bear Lake uma cópia do modelo de petição que estamos agora a apresentar ao Congresso. Creio que foi na quarta-feira que foi enviada daqui, e no sábado à noite foi devolvida com milhares de assinaturas. É assim que fazemos as coisas aqui. Em poucos dias tivemos umas cinquenta mil assinaturas, e presumo que, antes disto, haja mais dez ou vinte mil dos povoados mais distantes. Que manifesta isto? União e simpatia uns para com os outros, todos testificando de uma só coisa, o que muito me alegrou ver. As pessoas têm dito que sabemos que a poligamia não é um princípio da nossa religião; mas aqui estão petições assinadas por umas setenta ou oitenta mil pessoas, todas testificando da sua fé quanto a este princípio. Penso que o testemunho de setenta ou oitenta mil pessoas, vivendo mesmo no meio dele, e a maioria das quais nasceram nele, deve ser tão forte como o de uns poucos curiosos que sabem pouco ou nada a respeito.

O evangelho foi então revelado, para quê — para vós e para mim, ou para este homem e para aquele homem? Não; foi para o benefício do mundo; foi no interesse da humanidade; e havia de ser proclamado a toda nação, tribo, povo e língua, por homens comissionados de Deus para o fazer. Esse dever pertence especialmente aos Doze, quer o façam pessoalmente, quer vejam que seja feito. Eu próprio viajei dezenas de milhares de quilómetros, e assim fizeram os meus irmãos, visitando as nações da terra nas suas cidades mais proeminentes, declarando-lhes os princípios do evangelho tal como Deus os revelou. E poderíamos encontrar homens sobre a terra que pudessem opor-se-nos com êxito? Declaro diante de Deus que nunca encontrei um, tomando a Bíblia como padrão; nem se pode encontrar hoje ninguém que o consiga, e é esse o problema.

Naquele dia, dizem-nos, os mansos regozijar-se-ão no Senhor; e os necessitados entre os homens se alegrarão no Santo de Israel. Deus tem tido o seu povo disperso entre as nações, e o seu testemunho havia de ir a todas as terras; e cabe aos Doze, aos Setentas, aos Sumos Sacerdotes e aos élderes o dever de levar esta mensagem e apresentá-la no espírito do evangelho, não para forçar a verdade goela abaixo dos homens, como certos indivíduos forçariam as suas opiniões peculiares goela abaixo de nós. Mas, quando fomos enviados, fomos enviados para ensinar, não para sermos ensinados. Nada podíamos aprender deles a respeito do evangelho, pois eles não o conheciam. Não nos podiam ensinar, por isso o Senhor, ao enviar os primeiros élderes, disse-lhes que eram enviados para ensinar, não para serem ensinados. Fomos no meio de oposição e perseguição, de tumultos e expulsões, e fomos sujeitos a todo insulto, indignidade e infâmia que homens perversos e corruptos pudessem inventar, e temos suportado tais coisas o tempo todo, e muitos tiveram de dar as suas vidas no conflito, e hão de, tal como outros o fizeram outrora, quando chegar o tempo, alcançar uma ressurreição melhor. E continuamos a lutar, em face de uma oposição geral, confiando no nosso Deus para nos sustentar, enquanto continuamos a semear a preciosa semente do evangelho eterno, e a manter no nosso meio os princípios da vida eterna, e da liberdade, da liberdade civil e da igualdade para a raça humana. E os nossos filhos, que cresceram, estão agora a fazer o que nós fizemos; e eles também estão cheios do Espírito, cheios de vida, luz e inteligência, tendo, como nós tínhamos e ainda temos, os interesses da humanidade no coração, ao moverem-se entre o povo como mensageiros de vida e salvação. O nosso rumo é para diante; e vamos nós parar? Não. Sião há de ser edificada, Deus decretou-o, e nenhum poder pode deter o seu progresso. Ouvis isto? Profetizo isto em nome do Senhor Jesus Cristo. Pois Sião há de e será edificada, apesar de toda oposição, o reino de Deus estabelecido sobre a terra de acordo com os desígnios e propósitos de Deus. Isto é verdade, e achá-lo-eis verdade se viverdes o suficiente, e, se morrerdes, achá-lo-eis verdade; não fará diferença. "Mas não seremos perseguidos?" Sim, e não diz Jesus: Bem-aventurados sois vós quando os homens vos injuriarem e vos perseguirem, etc. — quereríeis ser privados dessa bênção? "Mas já tivemos disso o suficiente." Ó, tiveram? Não importa, terão de o suportar. "Mas," dizeis vós, "não temos certos direitos constitucionais?" Sim, no papel, mas, quando os pondes à prova, o papel não vale muito; é como massa de tarte, facilmente quebrada. Não damos muita atenção a estas coisas. Homens honrados guiar-se-ão por constituições, e leis, e princípios, mas pessoas desonrosas não o farão. Portanto, temos de fazer o melhor que podemos, seguindo um curso reto, para que possamos merecer as bênçãos de Deus. "Qual será o resultado disto?" Nada me importa qual possa ser o resultado; é um assunto de muito pouca importância para mim. "Esperais tais coisas?" Sim, e assim tem sido há anos; nunca esperei outra coisa associada ao evangelho. Quando o abracei pela primeira vez, considerei-o um compromisso para toda a vida; e, quando o encarei de frente, se pudesse ter satisfeito a minha consciência sem ele, tê-lo-ia feito; mas não pude, e suponho que muitos de vós tenham estado na mesma situação. Cria que era verdadeiro, e vós também; e, depois de ter sido batizado e de terem imposto as mãos sobre a minha cabeça para a receção do Espírito Santo, soube que era verdadeiro pelas operações do Espírito Santo sobre o meu coração. E esta é a experiência comum de todos os Santos. Algumas pessoas parecem pensar que vamos deitar fora a nossa religião num "abrir e fechar de olhos". Não conheço tal sentimento entre este povo. Houve homens que aprenderam a suportar coisas tão más como as que nos afligem. A minha mente volta a Daniel, que era um homem que temia a Deus. Havia, no seu tempo, um grupo de conspiradores políticos — e provavelmente uma boa parte de conspiradores religiosos associados a eles — que conspiraram contra ele, pois Daniel era um homem de Deus com grande favor junto do rei; e o único modo de conseguirem realizar os seus planos era armando uma armadilha para o apanhar por meio de um édito do rei. Fizeram-no ao levar o rei a emitir uma proclamação de que nenhum homem pediria petição a deus ou homem algum por trinta dias, salvo ao rei, sob pena de ser lançado na cova dos leões. Isto foi feito expressamente para apanhar Daniel, mas o rei não foi posto a par do segredo. O seu pedido foi concedido, e o decreto estabelecido pela assinatura do rei, que já não podia ser alterado, segundo a lei dos medos e persas, que não se alterava. Quando Daniel soube disto, diz-nos que foi para sua casa e, estando as janelas do seu quarto abertas para Jerusalém, curvou-se diante do seu Deus, e orou e deu-lhe graças, como dantes fazia, três vezes por dia. Não vacilou, embora conhecesse a natureza do decreto e as leis que o regiam; mas sabia também que o Deus a quem servia era capaz de o livrar. Vigiaram-no, é claro, e finalmente queixaram-se dele; e ele foi julgado culpado de violar a lei. A lei tinha de seguir o seu curso, embora o rei, quando isso lhe foi dado a conhecer, se sentisse muito triste, e pusesse o seu coração em livrar Daniel. Ele não sentia como alguns sentem para connosco; embora tenham havido esforços louváveis de alguns poucos para manter os princípios constitucionais, e os reconhecemos como os sentimentos e sentires de homens honrados, que desejam ver princípios corretos mantidos na nossa terra. Não houve apelação no caso de Daniel; ou, como certa classe de cristãos hoje diria, "Daniel teve de ir." Lançaram-no na cova dos leões. O rei foi à cova cedo na manhã seguinte, sentindo-se muito preocupado com ele, e clamou: "Daniel, servo do Deus vivo! Dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?" Daniel falou e disse: "Ó rei, vive para sempre! O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano." Ora, ele ousou fazer isto, o que mostrou que havia nele alguma virilidade. Temos outro exemplo nos três jovens hebreus, que se recusaram a curvar-se diante de uma imagem de ouro que tinha sido erguida. Chamar-lhe-emos monogamia? [Riso.] As condições eram que, se não se curvassem diante desta imagem de ouro, seriam lançados numa fornalha de fogo ardente. Recusaram-se de facto a obedecer a este decreto real, dizendo: "Se assim for, que o nosso Deus, a quem nós servimos, nos pode livrar da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei, ele há de nos livrar. Mas se não (disseram eles), fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste." Isto, evidentemente, foi considerado uma grande afronta da parte deles, recusarem-se a curvar-se diante deste deus. Estes três homens foram lançados na fornalha, e os seus perseguidores, no seu ânimo e zelo religioso, aqueceram-na a tal grau — evidenciando neste aspeto o mesmo sentimento que vemos manifestado para connosco de forma diferente — que os homens que lançaram Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha foram eles próprios destruídos pelas chamas. E parece que o próprio rei ficou curioso por olhar para dentro da fornalha para saber do seu destino, e, ao fazê-lo, para seu espanto, viu quatro pessoas no meio das chamas, uma das quais parecia ser semelhante ao Filho de Deus. Nabucodonosor então chamou estes três homens para saírem, o que fizeram; e nem sequer o cheiro do fogo se encontrou nas suas vestes, nem um cabelo das suas cabeças foi chamuscado. Tal foi a fé daqueles jovens, e tal a sua conduta, que todos os homens honrados puderam aprovar e apreciar a nobreza do seu proceder; e até os deuses os puderam admirar; e a sua integridade para com Deus foi o meio da sua promoção ao favor do rei, e à distinção na terra. Esperemos que os descendentes desse povo, nestes dias, nas provações por que têm de passar, que agora se desenrolam na Rússia, na Europa, e noutros lugares, e aparentemente a começar nesta terra, se mostrem tão fiéis à sua integridade como foram estes nobres exemplos de virilidade e fé em Deus.

Mas, voltando ao ídolo dos cristãos. Os piedosos, zelosos, religiosos e hipócritas do nosso dia, unindo-se a demagogos políticos, estabeleceram para nós um deus a adorar, que representam vanglorosamente como a personificação de tudo o que é puro e virtuoso, incorporando o esclarecimento e a civilização do século XIX. O seu deus está revestido de dourado e ouropel, mas por dentro está impregnado do mal social, com os seus dois anexos gémeos, o aborto e o infanticídio. Como um grande Moloque, esmaga a virtude feminina, pisa a inocência, e prostitui e destrói milhões das belas filhas de Eva. No entanto, este monstro repugnante, imundo, devasso e degradado é apresentado à nossa veneração e adoração pelos seus corruptos devotos cristãos como a essência de tudo o que é grande e grandioso, nobre e louvável; e somos chamados a prostrar-nos e a adorar este monstro repugnante, sob a ameaça de penas e sanções inconstitucionais, e a violação de todo princípio de liberdade e proteção garantidos pela Constituição.

Adoraremos nós este Moloque antinatural e lascivo? Curvar-nos-emos diante do santuário deste monstro fétido, corrupto e devasso? Não! Adoraremos o Senhor nosso Deus, obedeceremos aos seus mandamentos, e, se formos fiéis, vivermos a nossa religião e guardarmos os seus mandamentos, o Deus a quem adoramos há de nos livrar das mãos dos nossos inimigos, e triunfaremos sobre todos os nossos adversários.

Houve homens que viveram mais perto do nosso tempo que puderam enfrentar a inquisição com a sua fogueira, potro e polegares esmagados, e, no meio dos seus sofrimentos, puderam entregar-se com toda a serenidade e calma nas mãos de Deus; e nós podemos certamente fazer o mesmo. Se os governantes desta nação se puderem dar ao luxo de manipular os sagrados direitos do povo garantidos pela Constituição desta grande nação, e derrubarem impiedosamente o templo da liberdade erguido a custa de tanto sangue e tesouro, em vez de glória antecipada, hão de trazer destruição sobre a nação, e ruína e infâmia sobre si mesmos. Uma vez manipulados os sagrados baluartes da liberdade, as comportas da anarquia e da confusão hão de ser abertas, e a dissolução e a ruína hão de seguir-se em rápida sucessão. Cabe-nos sustentar e manter os princípios garantidos naquele sagrado paládio dos direitos humanos — a Constituição dos Estados Unidos —, e lutar palmo a palmo, de toda maneira legal e constitucional, pelos nossos próprios direitos e pela liberdade humana, deixando o desgoverno, a anarquia, as violações da lei e o pisar dos direitos do homem e das garantias constitucionais aos fanáticos religiosos e aos demagogos vociferantes; e, se eles se puderem dar ao luxo de manipular essas sagradas garantias, certamente nós nos podemos dar ao luxo de deixá-los fazê-lo. Cabe-nos procurar ideias mais elevadas, obedecer à lei constitucional, manter inviolados os princípios da liberdade humana, e lutar com firmeza inabalável pelos direitos inalienáveis de todos os homens — vida, liberdade e busca da felicidade —, e procurar continuamente junto do nosso Deus sabedoria para realizar propósito tão grande, nobre e patriótico.

Uma das primeiras coisas que ouvi pregar pelos élderes desta Igreja foi que o mundo pioraria cada vez mais, enganando e sendo enganado. Devemos surpreender-nos de isso se cumprir? Outra coisa que tenho ouvido desde o princípio é que as pessoas nos perseguiriam, começando por bairros e vilas, e depois estender-se-ia a cidades e condados, e depois a estados, e depois aos Estados Unidos, e posteriormente ao mundo. Temos agora uns cinquenta milhões de pessoas nas nossas costas — e é uma carga bastante pesada de carregar, também; mas o Senhor há de nos ver através dela. Estamos a agir no interesse da humanidade: estamos a proclamar a salvação a um mundo caído, e nisto estamos a cumprir a palavra e a vontade de Deus, dadas e manifestadas diretamente a nós. Estamos a avisar o povo da sua posição, e continuaremos a enviar os nossos missionários com este propósito até que Deus diga: basta. E, se nos perseguirem numa cidade, faremos como Jesus disse aos seus discípulos, fugiremos para outra, procurando os honestos de coração. A perseguição tem sido a nossa sorte desde o princípio, e tem-nos seguido até hoje. Lembro-me de uma circunstância ocorrida no Missouri, que vou mencionar para mostrar o tipo de sentimento de que Joseph Smith estava possuído. Há uns 25 anos, em Far West, uma turba — uma daquelas ocorrências semiocasionais — tinha vindo contra nós com intenções más, colocando-se em posição para nos dar batalha; e não éramos mais de umas 200 pessoas no lugar. Tínhamos um sujeito que foi tomado por um tremor nos joelhos, e ordenou ao nosso povo que recuasse. Assim que Joseph ouviu isto, exclamou: "Recuar! Para onde em nome de Deus recuaremos?" Levou-nos então até à pradaria, de frente para a turba, e colocou-nos em posição; e, antes que déssemos conta, viu-se uma bandeira de trégua a aproximar-se de nós. A pessoa que a trazia disse que alguns dos seus amigos estavam entre o nosso povo, pela segurança dos quais estavam ansiosos. Creio que era um caso em que a esposa estava na Igreja, mas não o marido, e a turba desejava que estas pessoas saíssem, pois, disse ele, iam destruir todo homem, mulher e criança no local. Mas estas pessoas tinham um pouco de "coragem", como dizem os rapazes; enviaram de volta a mensagem de que, se assim fosse, morreriam com os seus amigos. Joseph Smith, o nosso líder, enviou então de volta a mensagem por este mensageiro, disse ele, "Diz ao teu general para retirar as suas tropas, ou eu as enviarei para o inferno." Achei que isso foi uma posição bastante ousada de tomar, pois éramos apenas cerca de 200 contra os seus 3.500; mas eles pensavam que éramos mais numerosos do que realmente éramos, pode ser que o nosso número lhes tenha parecido maior aos olhos deles; mas entenderam o aviso e foram-se embora; e não ficámos tristes. (Riso.) O Senhor, por meios simples, é capaz de cuidar e livrar o seu povo, mas eles têm de pôr fé e confiança implícitas nele; e, quando são apertados numa situação difícil, não devem ter medo de fazer sacrifícios em nome de manter a verdade, e tudo nos correrá bem, quer vivendo, quer morrendo, no tempo ou na eternidade.

Bem, que faremos? Serviremos ao Senhor; viveremos a nossa religião; seremos fiéis aos nossos convénios, guardaremos os seus mandamentos e seremos um, e sustentar-nos-emos uns aos outros, e não sustentaremos entre nós homens que têm no coração cortar-nos a garganta; deixemo-los seguir o seu próprio caminho, e deixemos que tirem o seu sustento dos seus próprios parentes; e prossigamos o curso constante do nosso caminho, operando juntos como um grupo de irmãos; e, se alguns pecaram, que não pequem mais; e, na medida em que este povo se mostrar fiel a Deus e verdadeiro para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, arriscarei os resultados do que os nossos inimigos possam fazer para nos prejudicar. Estamos nas mãos de Deus, e esta nação está nas suas mãos, e Ele há de tratar connosco e com eles segundo o agrado da sua vontade.

Irmãos e irmãs, Deus vos abençoe, e Deus abençoe os honrados da terra, e que a ira dos ímpios seja feita para o louvar, e o restante Ele o reprima. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “A Dispensação da Plenitude dos Tempos — Restauração do Evangelho — Deveres do Sacerdócio — O Futuro de Sião — Inconsistência dos Perseguidores dos Santos — Incidentes da História da Igreja, Etc.”, (1882-03-05). Pulpit Vault, 1882-03-taylor-the-dispensation-of-the-fulness-of-timesrestoration-of-the-gospel. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).