Pulpit

Hostilidade do Mundo ao Evangelho — Rebelião de Lúcifer no Céu — Sete Dado em Lugar de Abel — Maldade dos Antediluvianos — Sião de Enoque — Necessidade de Poderes e Princípios Opostos, para que os Homens Sejam Provados — Diferença Entre Bigamia e Casamento Plural — Nossos Convênios de Casamento São Eternos — Inimizade dos Mestres Religiosos — Nossos Filhos Devem Ser Corretamente Ensinados

John Taylor

1882-02-12

É bom, algumas vezes, refletirmos sobre a posição que ocupamos diante de Deus; é bom compreendermos a relação que mantemos uns com os outros; é bom compreendermos a relação que mantemos com a Igreja e o Reino de Deus; é bom também sabermos a posição que ocupamos em relação ao mundo em que vivemos. Como seres inteligentes, cabe-nos compreender toda a verdade, na medida em que somos capazes de a entender.

Fala-se do evangelho como sendo luz; e quando foi introduzido pelo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, disse-se então que a luz viera ao mundo. Mas, embora a luz tivesse vindo ao mundo, havia certa classe de pessoas que amavam mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Jesus, referindo-se a si mesmo, disse: Eu sou a luz verdadeira. E dele se diz que é a luz que ilumina a todo homem que vem ao mundo. E ainda se diz dele: a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Há muitos ditos muito significativos sobre o mesmo assunto, que dão matéria para reflexão e meditação.

O evangelho do Filho de Deus sempre foi odioso a grande parte da família humana. Nele há luz demais, verdade demais, inteligência demais para a maioria da humanidade; os seus princípios são puros demais, nobres demais, elevados demais para se harmonizarem com o sentimento geral da humanidade e com aquele espírito que procede dos poderes das trevas, e que domina no meio dos filhos da desobediência. E por isso o povo em geral tem-se oposto a ele, e opõe-se a ele hoje. As pessoas opõem-se a ele, mas não o compreendem. Falam contra ele; mas falam daquilo que não conhecem. E, embora pensem que somos supersticiosos e ignorantes, nós sabemos que são eles que o são; não há dúvida quanto a isso. Sabemos que "não entendem nem o que dizem, nem o que afirmam." Por isso são para nós objetos de comiseração, mais do que qualquer outra coisa.

Falando do cristianismo e do evangelho do Filho de Deus, em todas as épocas do mundo, sempre e onde quer que foi proclamado, houve desde o princípio um espírito de hostilidade e antagonismo manifestado contra ele. Podemos remontar aos dias de Caim. Lemos que Adão teve dois filhos, chamados Caim e Abel. Caim entregou-se ao inimigo de toda a retidão, e tornou-se o que a Escritura chama de pai da mentira. Rebelou-se contra Deus, e rebelou-se contra o seu pai, e, instigado pelo espírito de inimizade que procede do maligno, matou o seu irmão.

Estas coisas nem sempre são compreendidas, nem os seus motivos. Mas foi-nos revelado que Caim amava mais a Satanás do que a Deus, e que se colocou sob a sua influência. E quando Caim e Abel ofereceram os seus sacrifícios, Caim ofereceu o seu por instigação do diabo; e o seu sacrifício, naturalmente, não foi aceito. Deus conhecia o seu coração e os sentimentos que o moviam, e por isso rejeitou a sua oferta. Então veio Lúcifer, o diabo, e disse a Caim: "Eu te disse que o Senhor te trataria mal; ele me tratou mal a mim"; e instigou-o a matar o seu irmão, o que ele fez. E por quê? Porque o seu irmão cria em Deus e obedecia a Deus; e porque cria na expiação do Senhor Jesus Cristo, que lhes fora dada a conhecer; porque cria nesses princípios, e porque Satanás se opunha a eles, instigou Caim a matar o seu irmão.

Parecia coisa bastante desconcertante para o mundo, nestas circunstâncias. Como lemos — havia dois filhos, um justo, o outro perverso; o perverso matou o justo, e o mundo ficou, até certo ponto, sob essas influências. Mas Adão tinha outros filhos e outra progênie, e ele próprio ali estava; e cria em Deus, e bendizia a Deus por haver revelado o Salvador, e o plano pelo qual ele e os seus filhos haviam de ser redimidos da queda, na qual ele fora participante ativo, o que, provavelmente, era tudo justo que assim se desse. E, desde aquele tempo, o espírito de antagonismo existiu entre os dois princípios: o poder de Deus e o poder do adversário. De fato, já havia começado antes disso. Lúcifer e aqueles que se associaram a ele foram lançados fora do céu porque se rebelaram contra Deus, seu Pai Celestial. Não estavam dispostos a que ele levasse a cabo o plano de redenção e salvação que ele concebera antes que o mundo fosse; e, tendo sido lançados fora do céu, ele, com eles, encheu-se de ira e de hostilidade contra os propósitos e desígnios do Todo-Poderoso quanto à salvação e exaltação da família humana. E este espírito continuou a crescer e a estender-se; e os descendentes de Caim multiplicaram-se, tal como os outros descendentes de Adão.

Com o tempo, foi levantada outra semente a Adão, a saber, Sete, para ficar no lugar de Abel. "Porque, disse ela, Deus me deu outra semente em lugar de Abel, porquanto Caim o matou." E ele tornou-se o representante de Deus, como Adão fora o representante de Deus. Tomou o lugar de Abel como representante de Deus e das leis de Deus; e teve revelação, e o Sacerdócio, e o evangelho, e conhecia os princípios da verdade. Por fim, houve certo número de homens proeminentes de quem lemos, mas de quem se dá um relato muito breve; não importa, não é necessário entrar em pormenores sobre estes assuntos, mas desejo tocar em alguns dos pontos principais.

Depois de algum tempo, a maldade tinha-se espalhado muito extensamente pela face da terra; tanto assim, que lemos que os pensamentos dos homens eram maus, e isso continuamente; e tornou-se inexpediente ao Senhor permitir que o povo continuasse a viver para perpetuar as suas corrupções e infâmias. E, portanto, Deus decretou que os cortaria da face da terra, para que não tivessem o poder de perpetuar a sua espécie, e assim se tornassem pais e mães de vidas, e fossem o meio pelo qual os espíritos inteligentes e puros que existiam no mundo eterno haveriam de receber corpos ou tabernáculos. Seriam privados desse privilégio.

Mas, antes que isso se desse, o Senhor enviou mensageiros entre o povo, proclamando-lhes o que estava para lhes acontecer se não se arrependessem e se afastassem dos seus maus caminhos. Enoque foi um destes; ficou à frente daquela dispensação. Ele, como nós fazemos agora, enviou missionários entre o povo, que se tornara muito numeroso. A sua missão era chamar o povo ao arrependimento, e a obedecer ao evangelho, e a crer no Filho de Deus, e a obedecer à sua lei; e a dizer-lhes que Deus preparara um flagelo para os que não se arrependessem, que seriam destruídos da face da terra por um dilúvio; e que o povo assim destruído seria lançado numa prisão, uma prisão que Deus preparara de propósito para eles. E quando estes homens foram pregar esta doutrina, muitos creram neles e foram reunidos, como nós somos, num lugar a que chamaram Sião. E foram colocados sob a direção do santo Sacerdócio, homens inspirados por Deus, com quem ele se comunicava; e a quem ele ensinou em todos os princípios pertencentes ao evangelho do Filho de Deus; e permaneceram nesta condição por algum tempo. E, à medida que se reuniam dentre o povo, o Espírito de Deus foi-se retirando de entre o povo; e este ficou extremamente irado, irado com Enoque e irado com os que lhes pregavam o evangelho. E a natureza dos homens é quase a mesma agora que então. Falaram toda espécie de mal contra os servos de Deus que ministravam entre eles; rejeitaram o seu testemunho, e não só isso, mas, como algumas das pessoas muito piedosas dos nossos dias fazem para conosco, pensaram que estariam prestando serviço a Deus se varressem esses homens da face da terra. E assim o pensaram a sério, pois reuniram os seus exércitos com esse propósito. Os Santos estavam sob a direção e orientação imediata do Senhor, e eram, por isso, governados por revelação, e o poder e o Espírito do Senhor repousavam sobre Enoque. E ele se levantou e profetizou, e disse aos perversos a sorte que os aguardava; e o poder de Deus repousou sobre ele de modo maravilhoso, tanto assim que as montanhas tremeram e a terra se abalou, e o povo teve medo e fugiu da sua presença, porque não podia suportá-la. Os seus exércitos foram dispersos, e não conseguiram realizar aquilo que, em sua maldade, haviam planejado fazer.

Mas o mesmo espírito que os animava continuou a crescer e a aumentar. E, finalmente, depois de os Santos daquele tempo terem sido suficientemente ensinados, eles e a sua cidade — isto é, a grande maioria deles e a sua cidade — subiram ao céu. Diz-nos a Escritura — o que é um relato conciso disso — que "não estava mais, porquanto Deus para si o tomou." E poderíamos acrescentar: a cidade de Enoque e o povo de Enoque não estavam mais, porquanto Deus os tomou para si; foram translados. O princípio da translação era um princípio que naquele tempo existia na Igreja, e é um dos princípios do evangelho, e que existirá nos últimos dias.

Muitos dos que ficaram continuaram a testemunhar das verdades ensinadas pelos seus predecessores; e eles próprios foram levados de tempos em tempos, segundo certas revelações comunicadas por meio do Profeta Joseph Smith.

O espírito de antagonismo às verdades de Deus, e à ordem de Deus, e à lei de Deus, e ao Sacerdócio de Deus, e ao evangelho do Filho de Deus, continuou a existir. Com o tempo, veio o dilúvio, e as coisas de que falavam os homens que haviam pregado entre eles se cumpriram, e o povo foi varrido da face da terra. Foram encerrados na prisão, na casa de prisão que fora preparada para eles. Ficaram apenas oito pessoas — Noé, e a sua mulher, e os seus três filhos e as suas mulheres.

Um dos grandes males que existiam entre o povo era que os filhos de Deus casavam com as filhas dos homens; ou, em outras palavras, muitos que estavam ligados à Igreja se misturaram com aqueles que não o estavam; e assim os seus corações se afastaram de Deus, e, aos olhos de Deus, não eram melhores do que aqueles que rejeitavam os seus servos; e, por consequência, pereceram com os desobedientes e perversos.

Há algo associado a estas coisas que talvez seja necessário mencionar. É necessário que haja princípios opostos, luz e trevas, verdade e erro, virtude e vício, bem e mal, etc. É necessário que o homem passe por um estado de provação e teste, que tenha a oportunidade de aceitar ou rejeitar os princípios corretos, ou o evangelho do Filho de Deus. E é uma revelação adicional para nós que, se os homens não tiveram esta oportunidade na terra, ainda a terão. Há um outro princípio manifestado aqui a este respeito. Aqueles mesmos homens que rejeitaram o evangelho no seu tempo foram visitados por Jesus depois de ter sido morto na carne e vivificado pelo Espírito; ele foi, dizem-nos, e pregou àqueles espíritos em prisão que tinham sido desobedientes nos dias de Noé. E, ligado a isso, há um outro princípio; é o de colocar toda a humanidade em pé de igualdade, para que todos os homens de toda época e nação possam ter o mesmo privilégio. E somos informados de que o terão. E, por isso, o evangelho é um evangelho eterno; o Sacerdócio é um Sacerdócio eterno; a obra em que estamos empenhados começou com o nosso Pai nos céus, foi revelada de tempos em tempos ao homem na terra, e continuará em todo o seu poder, plenitude e glória nos mundos eternos, até que todas as coisas que Deus designou pertencentes ao bem-estar e à exaltação da família humana sejam realizadas.

Em relação a estas coisas, há algumas passagens notáveis contidas na Bíblia. Por exemplo:

"E como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem.

Porque assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca,

E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do Homem."

Esta é uma Escritura muito significativa, e, se correta, é grávida das maiores consequências para a família humana; se não correta, então tudo em que cremos é um fantasma, e o nosso culto e a nossa religião são vãos, e não só os nossos, mas os de todos os demais. Mas, se existiu um tal personagem como Jesus, e se ele proferiu estas palavras, com certeza falou a verdade, e com certeza se cumprirão.

Ora, falando dos dois grandes princípios, os dois opostos, é necessário que haja oposição em todas as coisas; isto é, trevas opostas à luz; erro oposto à verdade; mal oposto ao bem, etc. Um dos antigos apóstolos nos diz que "o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança"; e o espírito do mal é a inveja, o ódio, a malícia, a mentira, a calúnia, a falta de caridade, etc. Somos informados também, no Livro de Mórmon, exatamente das mesmas coisas. Sempre que vemos a mentira, a calúnia, a inimizade, o ódio, a malícia, vemos o fruto do espírito das trevas, por mais piedosas que sejam as pessoas que professam esses sentimentos e que neles operam. E isto ainda se confirma nas revelações de João; o Senhor, por meio dele, diz: "Porém estarão de fora os cães, e os feiticeiros, e os fornicadores, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira." Tais caracteres não têm lugar lá dentro; mas os que temem a Deus e praticam a retidão, que lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro, esses serão introduzidos na presença de Deus, para participar com ele das glórias ali referidas.

Por isso, embora estas coisas, aqui na terra, façam com que os homens se sintam extremamente incomodados, extremamente infelizes e inquietos, quando chegarem ao fim e esperarem chegar ao céu, encontrar-se-ão fora da cidade, porque os puros não haveriam de os querer entre si, nem aqui os quereriam. É necessário, digo eu, que esses princípios existam para provar os homens, para os experimentar e comprová-los. Era necessário que Jesus fosse provado desta maneira. Diz-se-nos que "convinha que aquele, por cuja causa são todas as coisas, e mediante o qual todas as coisas existem, trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelas aflições o autor da salvação deles." E ainda, quando João viu uma inumerável companhia vestida de branco, alguém perguntou: "Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram?" A resposta foi: "Estes são os que vieram de grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo."

Há algo muito interessante para os Santos refletirem, em relação a estes assuntos. E há algo que vai um pouco mais longe do que às vezes pensamos; e é que, embora professemos ser seguidores do Senhor, embora professemos ter recebido o evangelho, e sermos governados por ele, uma mera profissão de nada valerá a menos que tenhamos lavado as nossas vestes e as branqueado no sangue do Cordeiro. Não basta estarmos ligados a Sião de Deus, pois Sião de Deus deve ser composta de homens puros de coração e puros de vida, e imaculados diante de Deus — pelo menos é a isso que temos de chegar. Ainda não chegamos lá, mas temos de chegar antes de estarmos preparados para herdar a glória e a exaltação; portanto, uma forma de piedade valerá muito pouco para qualquer um de nós, pois aquele que conhece a vontade do senhor e não a cumpre "será castigado com muitos açoites." Não é "todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." Estas são doutrinas do evangelho, tal como as entendo. E não basta abraçarmos o evangelho e sermos reunidos aqui à terra de Sião, e estarmos associados ao povo de Deus, frequentarmos as nossas reuniões e participarmos do sacramento da ceia do Senhor, e procurarmos avançar sem muita culpa de qualquer espécie associada a nós; pois, apesar de tudo isso, se os nossos corações não estiverem retos, se não formos puros de coração diante de Deus, se não tivermos corações puros e consciências puras, temendo a Deus e guardando os seus mandamentos, não participaremos, a menos que nos arrependamos, destas bênçãos de que falei, e das quais os Profetas testificam.

Contudo, para prosseguir em relação a estes assuntos, disse que era necessário que houvesse poderes opostos, e que os homens fossem provados e testados, tal como Jesus o foi, e assim como outras pessoas o têm sido. E por quê? Por havermos passado por esta provação, para que possamos vencer o mal com o bem; pois é a quem vence, diz Jesus, que concederei que se assente comigo em meu trono, assim como eu venci e me assentei no trono de meu Pai. Não é a quem apenas se reveste da armadura, mas a quem combate o bom combate da fé e vence o mundo, a carne e o diabo; para esse está reservada uma coroa de retidão que o Senhor, o justo Juiz, lhe dará.

Aquele poder e espírito que perturbou os elementos e afetou o povo do mundo antigo ainda opera entre os filhos dos homens, e é — eu ia dizer — um adjunto necessário ao evangelho, para que os homens possam ser provados e testados. Jesus, naturalmente, compreendia estas coisas quando disse: "Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?" Disse ele: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." Há algo muito agradável ao refletirmos sobre estas coisas. Sermos lançados num mundo de maldade onde existem contenda e corrupção, e estarmos misturados com isso; e então recebermos o princípio da verdade, uma centelha de inteligência descendo do trono de Deus, a luz do evangelho eterno, que, se os homens a recebem em seus corações, os porá em comunhão com Deus, o seu Pai Celestial, e os fará sentir que estão lutando do lado de Deus e do direito, por tudo o que enobrece e tende a exaltar o homem. Há algo digno de se lutar por isso, e há algo glorioso em poder vencer. Isso põe à prova a alma dos homens, algumas vezes. Pedro, sabeis, tremeu diante disso; mas Jesus disse: "E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno." Digo-vos: temei-o a ele; não vos importeis com o outro poder. Bebestes do rio cujas correntes alegram a cidade do nosso Deus. A luz da verdade eterna resplandeceu em vossas mentes, e os vossos corações se alegraram na esperança da vida eterna que vos foi apresentada quando sob a influência do Espírito de Deus. Vos alegrastes na esperança que floresce com a imortalidade e as vidas eternas. Cheios deste Espírito, sentis que sois um ser eterno, tendo em vós os princípios do evangelho eterno; que recebestes o Sacerdócio eterno, que estais associados a princípios que exaltarão e enobrecerão o homem no tempo e por toda a eternidade que há de vir. Há algo aprazível nisso.

E quando estes miseráveis "cães" uivam, e os coiotes ladram, e exibem a sua loucura e o seu disparate — eu ia dizer, quem diabo se importa? Algumas pessoas achariam ímpio dizer uma coisa dessas. Sim, e as mesmas pessoas acham muito honroso mentir para se oporem à verdade. Não importa o que os homens pensem destas coisas. Não sou muito cuidadoso na escolha das minhas palavras em relação a tais assuntos.

Mas então, esperávamos nos sair muito melhor? As pessoas estão muito preocupadas conosco. Bem, que se preocupem elas mesmas. Estão muito perturbadas. Que se perturbem elas mesmas. Alegra-me testemunhar o espírito de calma, de sossego e de despreocupação que existe entre os Santos de Deus. É o Espírito de Deus e o evangelho do Filho de Deus que dá isso. E cabe-nos continuar a fazer o que é certo e a guardar os mandamentos de Deus; e sejamos cuidadosos para que, quando os homens contarem essas histórias horríveis sobre nós, não sejam verdadeiras. Bem-aventurados sois quando os homens vos ultrajarem e vos perseguirem, e disserem todo mal contra vós, falsamente, por causa de Cristo; mas, se falarem mal de nós, e esse mal for verdadeiro, então não haverá bênção nisso. Poderíamos contar muitas coisas verdadeiras contra essas mesmas pessoas que nos caluniam e mentem sobre nós; mas é um negócio sujo, um negócio que não traz crédito algum a ninguém que nele se envolva. Deixemo-los seguir o seu caminho. Podemos nos permitir avançar num plano mais elevado, fazendo bem aos que nos prejudicam; e podemos orar por aqueles que nos tratam mal, para que sejamos filhos do nosso Pai nos céus, que faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons, e as suas chuvas descerem sobre os justos e sobre os injustos. Quem, pergunto eu, era de se lastimar durante o tempo do dilúvio? O povo que não creu e não obedeceu ao evangelho, ou o povo que foi arrebatado ao céu? Sentiríeis grande pena por aqueles que estavam ligados a Sião de Deus, ou sentiríeis pena daquele povo pobre, miserável, de alma pequena, ignorante, que rejeitou a Deus e a sua lei, e que, em consequência, teve de ser varrido da face da terra — qual dessas classes solicitaria a vossa comiseração?

Hoje Deus nos revelou grandes princípios; e deseja que façamos o que é certo, e obedeçamos à sua lei, e guardemos os seus mandamentos.

Entre outras coisas, há um grande alvoroço acerca do que chamam poligamia e do que chamam bigamia; mas o nosso casamento plural não é a sua bigamia, mais do que o branco é preto, ou a luz é trevas; mas ao que parece, nem eles, nem os seus juízes, nem os seus legisladores conseguem, ou querem, compreender a diferença entre os dois, por maior que seja. Parece que ou não sabem, ou não querem saber, a diferença entre um homem casar com uma segunda esposa sem o consentimento ou o conhecimento da primeira, enganando assim aquela com quem se casa, que o crê homem solteiro; e um homem casar com uma segunda esposa com o conhecimento e o consentimento da primeira, e viver com as suas esposas em matrimônio honroso, cumprindo o dever de marido para com elas, e de pai para com os filhos delas, e guardando sagradamente os seus votos matrimoniais. Sugeriria que se acendesse um pouco de gás ou de luz elétrica, e que se deixasse brilhar sobre as visões do seu entendimento obtuso; talvez os ajudasse um pouco. Mas é evidente que os homens não querem a verdade, portanto devem crer como lhes aprouver a respeito destas coisas; realmente, é assunto de nenhuma importância para nós. Mas, para informação de tais pessoas, se as há, direi que a sua bigamia é engano, fraude e violação do convênio matrimonial; enquanto a nossa poligamia, como lhe chamam, é o cumprimento do convênio matrimonial; é honrosa, e os seus frutos são bons; a deles é feita clandestinamente, a nossa abertamente; nós reconhecemos a nossa, eles repudiam a deles. Julgam-nos a partir do seu próprio ponto de vista, e, sendo o seu olho mau, naturalmente não veem em nós senão o mal. Entre eles, um homem pode ter a sua esposa e ao mesmo tempo estar envolvido com outras mulheres, e, embora possa estar nadando em riqueza, ao mesmo tempo, talvez, o seu pobre e infeliz filho, produto do seu vício e da sua corrupção, esteja varrendo os cruzamentos das ruas das nossas grandes cidades, mendigando ao pai um centavo para o ajudar a sustentar uma existência miserável. Isto é compatível com o seu elevado estado de civilização e pureza. Que Deus nos livre de tal "cristianismo", de agora em diante e para sempre. ["Amém" vindo de vozes na congregação.] Não a queremos. Diríamos, em relação a isso, o que um Profeta disse numa certa ocasião: "No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha glória não se ajunte." Esperamos estar associados a princípios mais honrosos, e a pessoas mais honrosas, no tempo e por toda a eternidade.

Há uma coisa que quero dizer: não lhes pregamos esta muito odiosa doutrina da poligamia para que a pratiquem. Os nossos élderes são enviados a pregar fé, arrependimento e batismo para remissão dos pecados. A doutrina do casamento plural não pertence a pessoas governadas por princípios como os deles, pessoas que quebram os seus votos matrimoniais e que fecham os olhos aos que o fazem, pessoas que violam a sua sagrada honra com o sexo oposto, e arrastam e destroem milhões das filhas de Eva, e as levam à morte e à destruição — não pertence a tais pessoas; pertence ao povo que obedeceu ao evangelho do Filho de Deus, o povo que está de posse dos princípios da vida, e que guarda os mandamentos de Deus; não pertence sequer aos Santos dos Últimos Dias, a menos que sejam puros e virtuosos; a menos que sejam honrados e dignos, não podem estar associados a coisa alguma dessa espécie, muito menos a classe a que me referi, que faz tanto barulho a esse respeito; portanto, não precisam se preocupar.

Estas coisas, vós, Santos dos Últimos Dias, compreendeis. Quando o Presidente Hayes esteve aqui, ao conversar com ele, disse-lhe que não era a nossa intenção impor as nossas ideias peculiares ao mundo religioso; que tínhamos recebido a doutrina do casamento plural como parte do evangelho, e que era só para homens puros e mulheres puras, essa classe, e só essa classe, poderia recebê-la e praticá-la, e torná-la honrosa; não era para os licenciosos e corruptos, mas para os que temiam a Deus e praticavam a retidão, que eram fiéis a si mesmos e fiéis ao sexo feminino, e que os apoiariam e sustentariam e os preservariam em pureza e honra. Há bastante diferença, como percebeis, entre uma coisa e outra.

Procuramos cumprir a palavra e a vontade de Deus, segundo as revelações que ele nos deu, todas elas baseadas na verdade, na virtude, na pureza e na santidade, princípios que são eternos, que sempre existiram e sempre existirão. O mundo cristão faz os seus convênios apenas para o tempo; nós, para o tempo e para a eternidade. Eles esperam estar associados às suas esposas "até que a morte os separe." Nós esperamos estar associados às nossas não só para o tempo, mas também para a eternidade. Eles, não fazendo convênio algum para a eternidade, não assumem obrigações além desta vida; mas, lamento dizer, é coisa bastante comum entre eles violar os convênios que fazem pertencentes a esta vida. Mas, para que não seja mal compreendido, permiti-me acrescentar, a este respeito, que há muitas pessoas honradas na nossa nação, bem como em outras partes do mundo, homens que respeitam estritamente a honra dos seus laços sociais, homens que se interessam pelo bem-estar da sociedade, que desejam ver prevalecer princípios corretos; mas, com o entendimento que têm de nós — crendo que somos corruptos e que estamos introduzindo dogmas religiosos com o propósito de satisfazer as paixões sensuais do homem; que todos somos vis e corruptos de coração, e que tomamos essa posição com o propósito de defender a nossa posição e de a tornar estatutária — não me admiro de tais homens nutrirem os sentimentos que nutrem contra nós, porque, crendo nas mentiras que se espalham a nosso respeito, pensam, naturalmente, que estamos introduzindo aquilo que corromperá e desmoralizará a sociedade; e conhecem o estado atual da sociedade, tal como nós o conhecemos. E desejam impedir uma coisa dessa natureza. O clero também está muito preocupado, como classe, conosco, e parece ser a classe mais incapaz de todas de dizer a verdade a nosso respeito; essas pessoas piedosas espalham toda espécie de falsidade a nosso respeito em nome da religião. Não preciso me referir a essas coisas; o fato é bem conhecido de vós.

Será, então, de admirar que as pessoas em geral, que não compreendem a verdadeira situação, cheguem às conclusões a que chegam a nosso respeito? Penso que não. Devemos sentir-nos irritados com um tal sentimento? Não. Devemos sentir-nos irritados com esses caluniadores? Não; são dignos de pena, porque se entregam a praticar a iniquidade; tornam-se, portanto, sujeitos de compaixão. Que disse a mesma classe de pessoas de Jesus? Se ele curava os enfermos, ou abria os olhos dos cegos, persuadiam o povo a dar a glória a Deus por isso, pois, diziam, "sabemos que este homem é pecador." Se expulsava demônios, esta classe piedosa dizia que ele o fazia por Belzebu, o príncipe dos demônios. E até mesmo quando foi condenado a morrer, e se perguntou ao povo se ele deveria ser solto, ou se Barrabás, o ladrão, deveria ser solto, foram "os principais sacerdotes e os anciãos," o clero piedoso daquele tempo, que conduziram o clamor popular, que "persuadiram a multidão a pedirem Barrabás, e a destruírem Jesus." O mesmo espírito que moveu os mestres religiosos daquele tempo a instigar o povo contra Jesus e os Apóstolos está movendo a mesma classe hoje a fazer o mesmo contra nós; e estão fazendo tudo o que podem. Eles, não obstante a sua piedade, são do seu pai, o diabo, cujas obras praticam. E que faremos nós? "Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós."

Queremos impor-lhes o evangelho? Não. Todas as classes religiosas, os metodistas, os presbiterianos, os batistas, os católicos, e todos os outros, têm o direito de adorar a Deus como lhes aprouver; têm o direito de aceitar ou de rejeitar o evangelho de Cristo. Se tivéssemos poder para o impor a eles, não o faríamos; a liberdade da mente, e o livre exercício dos direitos dos homens, fazem parte da nossa crença religiosa; portanto, não os coagiríamos, mesmo que pudéssemos. E, se não os coagiria nisso, certamente não lhes imporia a doutrina do casamento plural, pois é bem sabido que, depois de os homens se unirem à nossa Igreja, devem provar-se por algum tempo antes de serem considerados dignos dela.

Quando reflito sobre a terrível degradação que existe nesta terra, e sobre os antros de vício e infâmia que florescem e acompanham o nosso pretenso progresso, não me surpreende que pessoas honradas se sintam horrorizadas com as deturpações e mentiras que se têm espalhado a nosso respeito. Recebi há pouco uma carta do Irmão Cannon, na qual relata que foi abordado sobre o assunto por um cavalheiro, membro do Congresso, que aqui esteve. Disse ao Irmão Cannon que, quando aqui esteve, ouviu histórias muito estranhas a respeito do povo mórmon, e que decidira, ao encontrar o Irmão Cannon, falar-lhe sobre isso. Disse que um cavalheiro, ou pelo menos uma pessoa com aparência de respeitabilidade, lhe disse, quando aqui esteve, que atos semelhantes a uma Saturnália eram coisa bastante comum entre o povo — a mistura promíscua dos sexos, entregando-se a licença desenfreada. Este cavalheiro diz que isso lhe foi dito da maneira mais solene, e isso por um residente desta cidade. Disse também ao Irmão Cannon que ficou feliz de o ouvir contradizer isso. Vós sabeis, Santos dos Últimos Dias, se semelhante estado de coisas existe entre nós ou não; e, contudo, tais mentiras deliberadas são fabricadas e espalhadas por pessoas que se fazem passar por nossos amigos. Não é de admirar que homens honrados se sintam perturbados em seus sentimentos contra nós; mas, quando esta classe de pessoas — e há milhares e dezenas de milhares e milhões de tais pessoas — forem corretamente informadas, sentirão de modo diferente para conosco. Mas, então, na verdade pouco importa o que os homens pensem e sintam; e não sinto que sejamos chamados a contradizer todas as infames mentiras e deturpações que são espalhadas a nosso respeito por homens e mulheres que vivem no nosso meio. Digo agora, como disse a um cavalheiro há pouco tempo, que observou que se fazia grande alarido a nosso respeito, que se realizavam reuniões e se aprovavam resoluções, etc. — disse eu, podem trabalhar como quiserem, e "resolver" o quanto quiserem, pois isto podemos suportar facilmente, mas mãos ao largo.

Somos acusados de degradados e ignorantes. Verifico que há quase o dobro do analfabetismo em toda a proporção dos Estados Unidos do que em Utá; e este fato existe, não obstante terem tido milhões de dólares para sustentar as suas instituições de ensino, enquanto nós não tivemos nem um centavo. Sou grato a Deus, nosso Pai Celestial, por estarmos numa posição tão favorável. Continuemos a avançar em toda boa palavra e obra. Que as nossas associações de melhoramento dos jovens, e as nossas escolas de sábado e diárias, recebam o nosso encorajamento e ajuda; e que os nossos filhos sejam ensinados pelos nossos amigos, e não pelos nossos inimigos. Santos dos Últimos Dias, enviareis os vossos filhos a serem ensinados por pessoas que lhes ensinariam inimizade a seus pais e mães, e que semeariam em seus jovens corações a semente da inimizade ao princípio da liberdade religiosa, homens que, se tivessem o poder, destruiriam os altares da liberdade pelos quais lutaram os pais deste país? Não queremos que os nossos filhos sejam instruídos por pessoas cuja missão entre nós é procurar incutir em seus jovens corações a inimizade ao evangelho do Filho de Deus, tal como revelado por ele por meio do seu servo Joseph Smith. Temos homens tão capazes de ensinar quanto eles. Estamos numa plataforma tão elevada quanto a deles, e muito mais elevada. E, com o tempo, esperamos estar tão à frente deles em ciência, arte e literatura, e em tudo o que serve para enobrecer e exaltar um povo e uma nação, quanto já estamos à frente deles agora em matéria de religião. Mas, quanto aos seus assuntos religiosos, podeis embrulhar tudo isso num dedal e pô-lo no bolso do vosso colete, e mal saberíeis que ali estava. [Risos.] Qualquer um dos nossos rapazes de dez anos que não pudesse enfrentar qualquer um dos seus ministros em assuntos de religião, eu consideraria muito mal informado.

Bem, cabe-nos guardar os mandamentos, criar os nossos filhos no temor de Deus, viver para Deus, e arriscarei o resto. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Hostilidade do Mundo ao Evangelho — Rebelião de Lúcifer no Céu — Sete Dado em Lugar de Abel — Maldade dos Antediluvianos — Sião de Enoque — Necessidade de Poderes e Princípios Opostos, para que os Homens Sejam Provados — Diferença Entre Bigamia e Casamento Plural — Nossos Convênios de Casamento São Eternos — Inimizade dos Mestres Religiosos — Nossos Filhos Devem Ser Corretamente Ensinados”, (1882-02-12). Pulpit Vault, 1882-02-taylor-hostility-of-the-world-to-the-gospel. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).