Pulpit

Paz e Prosperidade dos Santos—Importância Crescente da Igreja Desde a Sua Organização—A Obra de Deus e Não do Homem—A Bênção de Deus Sobre os Justos; Sua Maldição Sobre os Injustos—A Liberdade do Evangelho—Os Santos Preservados da Guerra e do Derramamento de Sangue—Sua União e Boa Vontade Universal

George Q. Cannon

1881-11-20

Há uma passagem no Livro de Mórmon que me veio à mente, a qual lerei. Contém as palavras de Alma a seu filho Helamã, e estiveram entre as últimas palavras que ele lhe dirigiu. Encontram-se registradas na página 368 da nova edição, a saber:

"E então aconteceu que depois de Alma dizer estas coisas a Helamã, abençoou-o, bem como a seus outros filhos, e também abençoou a terra por causa dos justos;

E disse: Assim diz o Senhor Deus — Maldita será a terra, sim, esta terra, para a destruição de toda nação, tribo, língua e povo que cometer iniquidade, quando eles estiverem plenamente amadurecidos; e acontecerá como digo; pois esta é a maldição e a bênção de Deus sobre a terra, porque o Senhor não pode encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância.

E então, após haver Alma pronunciado estas palavras, abençoou a igreja, sim, todos os que permanecessem firmes na fé dali em diante."

O Presidente Cannon então continuou: Ao levantar-me para falar a vós esta tarde, meus irmãos e irmãs, faço-o com o desejo, em meu coração, de que aquilo que possa dizer seja inspirado pelo Espírito de Deus, e seja para a vossa edificação e conforto, bem como para os meus. Alegra-me ter esta oportunidade de estar convosco — não tanto pelo privilégio de falar, mas pelo de estar aqui.

Alguns de nós, como sabeis, temos viajado consideravelmente ultimamente, visitando os vários povoados, e creio que o Presidente Taylor e sua comitiva, ao regressarem a esta cidade, terão completado a volta inteira ao Território e a todas as Estacas fora do Arizona — no que diz respeito a Utah e Idaho. Encontramos o povo em condição muito próspera e sentindo-se extremamente bem. Em quase todos os povoados as colheitas foram maiores do que jamais se conheceu. E o povo está prosperando em suas circunstâncias temporais e, naturalmente, sente-se bem, e creio que não exagero ao dizer que estão tão atentos aos seus deveres, em geral, como jamais os vi. A boa saúde tem prevalecido de modo geral. Creio que provavelmente tivemos mais doença nesta cidade e vizinhança do que em qualquer outra parte do Território. O povo está aumentando e espalhando-se, criando raízes na terra. Na parte sul do Território não estão prosperando na mesma proporção que na parte central e do norte, devido a várias causas. Ainda assim, há um excelente sentimento por todos estes povoados, e olham esperançosamente para o futuro.

Frequentemente tenho pensado, ao contemplar a calma e a serenidade do povo, e a paz que prevalece em seus corações, em seus lares e povoados, que não é uma das menos maravilhosas características desta organização que um povo tão caluniado, atacado e ameaçado como são os Santos dos Últimos Dias, seja encontrado vivendo tão imperturbado por estas coisas, e aparentemente desfrutando de si mesmos como o fazem. Dificilmente passa uma semana, ou tem passado por anos, em que não tenham circulado ameaças contra nós. "Coisas terríveis vão ser feitas com os mórmons; vamos ter todos eles dispostos de uma vez; vamos ter esta questão mórmon toda resolvida, e o problema tão completamente solucionado que nunca mais precisará ser tratado novamente."

Ameaças desta natureza têm circulado há anos, e cada vez que são mencionadas parecia àqueles que as faziam que os seus planos teriam êxito. No caso de qualquer outro povo, isto reprimiria toda energia e desenvolvimento, assustaria a todos, e, de fato, ninguém desejaria viver numa comunidade que estivesse em tal perigo constante. Mas, tanto quanto minha observação se estende, o povo, como já disse, está cheio de paz e tranquilidade, imperturbado pelas perspectivas do futuro. Na verdade, sentem-se bastante felizes e regozijam-se por serem considerados dignos de ter seus nomes lançados fora como maus. É uma das características mais notáveis relacionadas a esta obra que um povo tão pequeno em número, naturalmente tão quieto e inofensivo, não molestando ninguém, não interferindo com a paz ou o prazer de ninguém, não ameaçando ninguém, cuidando de seus próprios negócios, buscando pacificamente suas várias ocupações, deva causar tal agitação no mundo como causamos. Poder-se-ia pensar que os 150.000 habitantes do Território de Utah seriam um povo tão insignificante e tão totalmente abaixo da atenção — no que diz respeito à força numérica — do mundo em geral, que poderiam ser permitidos a seguir o curso que lhes foi traçado sem interferência e sem tanta agitação a seu respeito. Mas foi-me dito ontem por um funcionário federal que acabara de voltar do leste — e suponho que seja verdade — que não havia nenhum assunto hoje que parecesse ter a importância, na mente dos homens, que tinha Utah, e que onde quer que fosse, quando se soubesse que era de Utah, todos queriam falar com ele sobre seus assuntos e seu povo. Repórteres de jornais o perseguiam para descobrir o que ele poderia lhes dizer a nosso respeito, e sou informado de que membros do Congresso e outros homens de destaque estão fazendo da "questão mórmon" um estudo especial. Espero que a investiguem completamente enquanto o fazem; penso que a investigação lhes será proveitosa, se for feita no espírito correto; mas o objetivo, suponho, ao fazer dela um estudo especial, é fazer algo, lidar com seus males imaginários, planejar algo que alcance este sistema que parece ser tão odioso. Bem, agora, chamo isto uma característica notável desta obra. Penso que é extremamente maravilhoso que um povo tão pequeno — um povo que todo aquele que visita este país deve admitir ser pacífico — deva causar tal perturbação na terra e ser a causa de tanto pensamento, tanta escrita e discursos. E isto não tem sido o caso somente em Utah, isto é, desde que os Santos dos Últimos Dias vieram para Utah, mas tem sido uma peculiaridade desta obra — a obra de Deus — desde o dia de sua fundação nestes últimos dias até o presente. E o que é ainda mais notável, foi predito que assim seria antes mesmo de ela ter começado, e antes mesmo, de fato, de ter uma organização.

Sem dúvida, a maioria de vós lembra que quando Joseph Smith foi visitado por um anjo de Deus, quando era ainda bem jovem, foi-lhe dito pelo anjo que seu nome seria conhecido para o bem e para o mal por toda a terra, e mui maravilhosamente esta declaração se cumpriu em seu caso e no caso de todos os que abraçaram o evangelho eterno. Isto foi dito antes de a Igreja ser organizada; foi publicado logo após a organização.

Sem dúvida, todos vós estais familiarizados — ou a maioria de vós — com as cartas de Oliver Cowdery a W. W. Phelps, nas quais isto foi publicado entre os primeiros escritos enviados por esta Igreja, e quando, a toda aparência humana, não havia a menor probabilidade de que se cumprisse, exceto que um homem tivesse o espírito de revelação para discernir o futuro. Mas quando a Igreja foi organizada, causou sensação na vizinhança — atraiu atenção — as mentes dos homens voltaram-se para ela. À medida que crescia, a excitação se espalhava, e entre as primeiras predições que me lembro de ouvir, relacionadas a esta obra, estava a de que havia chamado a atenção de povoados, condados e Estados, e disse-se dela que se espalharia até atrair a atenção dos Estados Unidos e do mundo. Esta foi uma das primeiras predições proferidas relacionadas à obra, e também foi predito a seu respeito que seus missionários iriam a toda terra e a todo povo, e levariam as boas novas de salvação, e seriam o meio de reunir, de toda nação, tribo, língua e povo, os honestos de coração, que se reuniriam num só lugar, e seriam conhecidos pelo nome de Sião. Penso frequentemente nisto. A maneira maravilhosa pela qual este povo chamado Santos dos Últimos Dias, habitando em Utah, tem sido reunido é um assunto de interesse nunca cessante para mim.

Antes da organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Joseph Smith recebeu revelações que disse serem revelações de Deus. Estão agora reunidas neste livro, que chamamos o Livro de Doutrina e Convênios, e entre as primeiras destas revelações encontra-se uma declaração dada pelo Senhor Jesus Cristo, por meio de Joseph Smith, no sentido de que ele pretendia trazer e estabelecer Sião, e que reuniria o povo que obedecesse a seu Evangelho. Esta predição é particularmente notável, porque na época em que a primeira destas revelações foi dada, não havia organização alguma como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias sobre a terra; ela não existia; e no setembro seguinte à sua organização — isto é, cinco meses depois — foi dada outra revelação, na qual se declarava ainda mais claramente quem seria reunido, e os propósitos para os quais seriam reunidos, e isto também antes de haver um lugar designado como lugar de reunião. Tenho dito frequentemente que se o Profeta Joseph Smith não tivesse outra evidência a mostrar ao mundo da divindade de sua missão e de seu ofício profético, senão aquela revelação apenas, ela seria suficiente em si mesma para estabelecê-la; por esta razão: que na época em que foi proferida, como já disse, não havia organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; não havia lugar de reunião; ninguém jamais havia testemunhado tal procedimento como um povo pertencente a uma igreja se reunindo e habitando juntos numa organização. Não havia nada semelhante conhecido; não havia organização alguma entre os filhos dos homens que pudesse dar indício da possibilidade ou probabilidade de tal grande acontecimento ocorrer. Se outras igrejas tivessem feito o mesmo, então poder-se-ia pensar que o Profeta Joseph Smith poderia facilmente ter predito que o povo que ele seria o meio de reunir também o faria. Mas não havia registro acessível existente da reunião de qualquer povo desta maneira na época em que Joseph proclamou este princípio. Contudo, ele, inspirado por Deus, ousou fazer esta declaração ao mundo, e publicá-la, e hoje nós que estamos aqui somos testemunhas vivas de seu cumprimento — não de seu cumprimento completo, mas suficientemente para torná-la um dos acontecimentos mais estranhos já testemunhados entre os homens. Tem havido muitas circunstâncias em torno do povo que foram de tal natureza a operar contra sua reunião. Não faz muito tempo que um Secretário de Estado emitiu uma circular às nações da Europa para impedir precisamente este assunto da reunião. Não suponho que soubesse que Joseph Smith havia feito tal predição, ou que Deus o havia inspirado a dar tal revelação, ou que jamais imaginou por um momento que a palavra de Deus estivesse registrada sobre este assunto; mas pensou que seria uma boa coisa impedir a imigração dos "mórmons". As turbas também fizeram sua parte para alcançar o mesmo fim, procurando desmantelar a comunidade e dispersar seus membros e assustar aqueles que não se haviam reunido, para que fossem dissuadidos de vir. Mas apesar de todas estas influências que têm operado desde o início — começando, como disse, num povoado, depois espalhando-se para um condado, depois para um Estado, e para Estados, e depois o Secretário de Estado de nossa nação tomando o assunto em mãos — apesar de todas estas influências que têm operado para impedir a reunião do povo, eles se reuniram como os vemos hoje, e ainda se reúnem, porque Deus disse que assim seria, e não há poder terreno que possa impedir sua reunião, embora não vos deva surpreender se medidas mais rigorosas do que nunca forem tomadas para impedir que os Santos obedeçam a este mandamento.

Quando os Élderes desta Igreja saíram pela primeira vez, saíram sem as vantagens ordinárias que possuem os homens que se autodenominam ministros. Eram homens escolhidos das várias ocupações da vida. O próprio Joseph Smith era agricultor. Não era um homem instruído para o ministério. Não havia recebido educação para prepará-lo e qualificá-lo como habitualmente se supõe que os homens sejam qualificados nestes dias para ensinar aos seus semelhantes o que se chama o Evangelho de Jesus Cristo. Não frequentou um seminário teológico. Mas, inspirado por Deus, tendo sido ordenado por Deus ao sacerdócio eterno (aquela autoridade que fora retirada da terra em consequência da maldade dos homens, e restaurada à terra e a ele conferida por instrumentalidade angélica), levantou-se no meio de seus semelhantes e proclamou a verdade, e pelo poder de Deus foi o meio de trazer muitos ao seu conhecimento; e, como já disse, inspirado por Deus, escolheu outros e impôs as mãos sobre eles, sendo esta a ordenação necessária para qualificá-los a pregar a palavra de Deus. Foram tirados do arado, foram tirados da forja do ferreiro, da bancada do mecânico, do escritório de contabilidade, e de todas as ocupações da vida em que se encontravam; foram tirados e assim ordenados e enviados a pregar o Evangelho, sem bolsa nem alforje, sem salário, sem aquilo que o mundo considerava necessário — uma educação, uma educação adequada ao chamado. Desta maneira saíram e pregaram o Evangelho — não na sabedoria dos homens, não em sua própria força, mas invocando a Deus, em nome de Jesus, para derramar seu Santo Espírito sobre o povo e levar suas palavras, por aquele espírito, aos seus corações, e ajudá-los a encontrar os honestos, os mansos e os humildes. Foi assim que saíram. Não podiam gloriar-se no homem. Não podiam tomar glória para si mesmos, pois não havia nada neles em que pudessem gloriar-se. E o resultado foi que, onde quer que fossem, encontravam pessoas de coração honesto — pessoas que estavam esperando para receber sua mensagem; e estas pessoas, assim que eram batizadas, eram tomadas de um desejo de se reunir com o povo de Deus, sem saber o que Deus havia dito sobre o assunto.

Ora, quando Deus faz uma obra, fá-la à sua própria maneira, e ele está determinado — sempre esteve, aparentemente, por tudo o que lemos — a ter a glória daquela obra. Se um homem fosse sair qualificado pela educação e pregasse pelo poder da educação e da instrução, quem é que recebe a glória? Ora, encontrareis por toda parte que é o homem quem é glorificado. Se há um pregador eloquente, se há um orador bem-sucedido no que se chama a Igreja Cristã, ele recebe a glória por isso, e recebe um salário na proporção dela. Começando, como alguns o fizeram, a pregar em lugares humildes, a fama de sua oratória se espalhou, e receberam chamados para o ministério vindos de outros lugares, sendo tais chamados acompanhados de um aumento de salário, e um homem vai de um lugar para outro conforme o acréscimo que recebe em seu salário, até tornar-se notável como muitos são hoje. A fama de sua oratória se espalha por todos os Estados Unidos. Quem é que recebe a glória por isto? Ora, são os próprios homens, e recebem também o salário. Não apenas recebem a glória dos homens, mas recebem sua paga. A educação do homem é louvada, o colégio onde a recebeu recebe crédito por ela conforme a habilidade que ele possa demonstrar, e pensa-se muito pouco em Deus no assunto, e certamente o Espírito Santo não recebe crédito algum, pois supõe-se que o Espírito Santo nada tem a ver com isto. Bem, agora, Deus tomou um método diferente em nossos dias, e está mostrando o seu poder. Está tomando os mansos, os humildes e os simples homens que desejam guardar os seus mandamentos, e os está tornando poderosos por meio de seu poder. Mas não podem dar glória a ninguém senão ao Todo-Poderoso por isto. Deixai um homem tentar viajar sem bolsa nem alforje, como o têm feito os Élderes desta Igreja, e como o fizeram os antigos Apóstolos, e, se tiver êxito, é bem-sucedido pela fé, por sua confiança em Deus, por guardar os seus mandamentos, por ser humilde, manso e de coração contrito, e se alcança os corações dos honestos, a única maneira de conseguir fazê-lo é tendo o Espírito de Deus, e tendo aquele poder acompanhando suas palavras. Não pode fazê-lo de nenhuma outra maneira. E quem há nesta Igreja que dê a Joseph Smith a glória desta obra? Contudo, é a organização mais maravilhosa já vista entre os homens. Não há nada semelhante a ela. Não há limite para o poder a ela relacionado; não há limite para a união a ela relacionada; não há limite para a capacidade de expansão a ela relacionada. Podeis expandi-la e torná-la tão larga e ampla quanto quiserdes, e a organização estará à altura disso. Se consistisse apenas de seis membros, serviria ao propósito; se consistisse de seis mil, serviria ao propósito. Se consistisse de seis milhões, serviria ao propósito; se abarcasse o mundo inteiro, seria considerada à altura da necessidade. Homem algum pode olhar para a organização desta Igreja e examiná-la em seus detalhes sem ficar maravilhosamente impressionado — se for um homem que não dá glória a Deus — com a habilidade do homem que a estruturou; mas, se estiver disposto a dar glória a Deus, não pode examiná-la sem louvar a Deus em seu coração por dar tão maravilhosa e tão simples organização sobre a terra para uma igreja. Mas, embora assim seja, quem há que dê alguma glória a Joseph Smith? Quem há que dê alguma glória a Brigham Young? Tem-me sido dito repetidamente que não honramos suficientemente os nossos homens, que não lhes damos elogio suficiente; mas é um fato que o povo olha por trás do instrumento. Joseph Smith era um homem; contudo, temos sido falsamente acusados de adorar Joseph Smith no lugar do Salvador, e o mesmo se tem dito de Brigham Young. Mas o sentimento verdadeiro é olhar por trás de Joseph Smith e de Brigham Young para o poder que os levantou, para aquele Ser que lhes deu todos os seus dons e dotes, que os inspirou e os fez realizar a obra que realizaram. E quando os Élderes desta Igreja têm êxito, há muito pouca disposição de lhes dar a glória ou o louvor por isso. O louvor é dado a Deus, que é o autor destas bênçãos e da reunião deste povo. O mundo diz que foi a sagacidade de Joseph Smith que primeiro sugeriu isto, e que foi a capacidade executiva que tinha Brigham Young que o levou a cabo. Não reconhecem Deus nisso; foi Brigham Young. Mas, meus irmãos e irmãs, vós sabeis quem foi. Sabeis que não foi poder algum do homem que pôde tocar os vossos corações e vos fez desejar deixar vossos lares e vir a Sião. Isto faz de todo homem e mulher nesta Igreja, que vem das nações da terra, uma testemunha viva por si e por si mesma, não dependendo dos Élderes, pois os Élderes não podiam fazer isto, não podiam oferecer os incentivos, mas todo homem e toda mulher se torna uma pessoa interessada, uma testemunha de si mesmo e de si mesma da verdade destas coisas, e especialmente da doutrina da reunião. Por que o desejo é tão forte, e tem estado nos corações do povo, que se fosse necessário caminhariam a pé qualquer distância para se unirem aos Santos reunidos. Se pudessem andar sobre a água, fá-lo-iam. Empurrariam carrinhos de mão através das planícies, se não pudessem atravessar de outra forma, carregando suas trouxas nas costas. Por quê? Porque o Espírito de Deus foi derramado sobre eles, e encheu seus corações com este desejo que, disse eu, é irreprimível. Não podiam contentar-se em ficar longe.

Desta maneira Deus edificou esta Igreja. Não dependeu, como frequentemente temos ouvido, de um só homem. Os homens pensaram que se matassem Joseph Smith destruiriam a pedra angular; que sua existência era o meio de sustentar a obra e dar-lhe solidez. Mas ele foi morto, e a obra ainda assim prosperou, e prosperará ainda que todo homem que agora ocupa posição na Igreja seja morto ou venha a falecer. O testemunho de Jesus está nos corações do povo. Viajai por todo o Território, reuni o povo e perguntai-lhe: "Que influência vos trouxe até aqui?" Todo aquele que é adulto, e conservou a fé, vos dirá que foi o Espírito e o poder de Deus. Nenhuma outra influência ou poder poderia ter feito isto senão aquele. Bem, agora, os homens a combaterão, os homens a estão combatendo. É estranho hoje ver pessoas que se dizem religiosas defendendo toda espécie de meios a serem empregados contra este povo para destruí-lo. Derramar seu sangue é considerado justificável; matar pessoas a fim de destruir uma organização que consideram tão cheia de ameaça; e contudo somos ensinados na Bíblia — e nos foi ensinado desde a infância — que os justos nunca perseguem os ímpios, mas sempre tem sido o caso que os ímpios perseguem os justos; e somos ensinados pelo próprio Salvador que seus seguidores seriam odiados por todos os homens, e que homens que buscassem matá-los pensariam estar prestando serviço a Deus. Não foram os Apóstolos de Jesus que perseguiram os ímpios, não foram os justos que os odiaram e buscaram sua destruição. Não saíram petições dos humildes seguidores de Cristo contra os fariseus e contra as seitas religiosas daquele tempo para que fossem destruídos, para que houvesse auxílio governamental que os ajudasse a extirpar suas heresias; nada deste tipo jamais se testemunhou, mas aqui encontramos hoje os supostamente justos, os ministros, defendendo as mais terríveis medidas. Ora, ouvi aqui há poucos dias, de um de nossos missionários regressados, que o sermão de um pregador notório do leste, proferido há algum tempo, no qual defendia a eliminação dos Santos dos Últimos Dias pelo uso de armas e canhões e instrumentos de guerra — fui informado de que o sermão, ao chegar à Inglaterra, foi reimpresso e distribuído gratuitamente às portas das igrejas. As pessoas regozijaram-se com isto, pensaram ser um excelente plano, e contudo, se disserdes a essas pessoas que não são cristãs, ficariam chocadas, sentir-se-iam insultadas e considerar-se-iam terrivelmente ofendidas por tal declaração, ao mesmo tempo em que se regozijavam com a perspectiva de os Santos dos Últimos Dias serem mortos e o sistema ser destruído pela violência.

Como devemos sentir a respeito destes assuntos? Tenho dito que o povo, na medida em que minha observação se estende por este Território, estava regozijando-se e sentindo-se contente. Como devemos sentir? Devemos ficar perturbados? O homem ou mulher que entrou nesta Igreja, sendo velho o bastante para compreender estes assuntos, e esperava algo diferente disto, não estava devidamente informado. Quando cheguei à idade de compreender o caráter desta obra, decidi que poderia custar-me tudo antes de terminar. Não sabia o que poderia estar envolvido nisto, quais consequências; mas sabia que outros que haviam saído em busca da salvação foram mortos, e que Santos de Deus em toda era tiveram de dar suas vidas pela verdade, e que meu Senhor e Mestre Jesus Cristo havia sido crucificado, e se eu esperava viver e reinar com ele, deveria também estar preparado para suportar todas as coisas. A salvação que Deus nos prometeu é digna de tudo isto, ou não vale nada. Se não pudermos sacrificar tudo o que existe na face da terra, tudo o que os homens têm por precioso, então somos indignos daquela grande salvação que Deus prometeu aos fiéis. O homem que não pode sujeitar todo apetite à mente e vontade de Deus, que não pode renunciar a tudo deste tipo, e que não está disposto a sacrificar casas e terras, e pai e mãe, esposas e filhos, e tudo o que os homens têm por precioso, é indigno daquela grande salvação que Deus tem reservada para seus filhos fiéis. Quando ouço pessoas dizerem que são Santos dos Últimos Dias, e beberão com o ébrio; quando ouço homens falarem sobre serem Santos dos Últimos Dias, que não vencerão seus apetites, e não os sujeitarão à mente e vontade de Deus, penso muito pouco de suas profissões de fé. Se estimarmos esta salvação como devemos, não há nada que se interponha entre nós e ela. Podemos amar nossas esposas como amamos nossas próprias vidas; podemos amar nossos filhos como a nós mesmos; podemos estar dispostos a nos colocar entre a morte e nossas esposas e filhos e dizer: "Se alguém há de ser morto, sejamos nós; se houver alguma provação, suportemo-la nós"; podemos ter este sentimento, mas ao mesmo tempo devemos amar o Evangelho do Senhor Jesus Cristo, e a causa que ele estabeleceu, mais do que amamos nossas esposas e nossos filhos, mais do que amamos nossas próprias vidas. Não há nada na face da terra que devamos amar como amamos o Evangelho. Deus exige isto de nós. Portanto, se somos Santos dos Últimos Dias, que diferença faz o que se levante contra nós? Suponhamos que exércitos fossem lançados contra nós; suponhamos que as medidas defendidas por alguns dos assim chamados clérigos fossem levadas a cabo; isto fará alguma diferença quanto a nós e nosso futuro? Ficaremos perturbados por causa destas ameaças fulminadas contra nós? De maneira nenhuma; pela razão de que Deus é nosso Pai — ele está à frente, e nem um cabelo de nossas cabeças cairá ao chão sem seu conhecimento. Nada pode acontecer que ele não tome conhecimento. Ele zela por nós assim como pelo resto da família humana, e superintenderá tudo para o nosso bem. Devemos, portanto, ser o povo mais feliz — como plenamente creio que somos — sobre a face da terra. Podemos ser perseguidos, caluniados e ameaçados; isto não deveria fazer a menor diferença para nós quanto ao nosso gozo. Nossa confiança deve estar em algo mais elevado do que o homem. Há um Ser a quem chamamos nosso Pai, e este é Deus, a quem devemos temer; devemos tê-lo em reverência e estar tão receosos que nunca faríamos nada para ofendê-lo ou entristecer seu Santo Espírito. Mas quanto ao homem! Que é o homem? Que há a respeito do homem que devamos temê-lo? Temos visto homens, na plenitude de seu poder, se colocarem contra a obra de Deus, e têm passado, um após outro; mas a obra de Deus vive e viverá. Os opositores podem combatê-la, enfurecer-se contra ela; organizações podem ser formadas com o propósito de esmagá-la, mas passarão, tão certo como Deus falou e como vivemos. Esta obra que Deus estabeleceu prosseguirá. O poder a ela relacionado não pode ser esmagado. Homens podem apostatar, como muitos o fizeram, mas isto não afetará a obra. As três testemunhas deste Livro de Mórmon, do qual li — Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris — dois deles já falecidos — testemunharam por todos os seus dias que um santo anjo veio e lhes mostrou as placas de onde este livro foi traduzido — mesmo eles caíram. Discordaram do Profeta Joseph, e afastaram-se da Igreja, um deles ao menos, por causa da impureza, a causa mais fecunda, acima de todas as outras, de apostasia. Quando um homem se entrega a desejos ou práticas impuras, não pode permanecer nesta Igreja, apostatará mais cedo ou mais tarde, a menos que se arrependa. Uma das testemunhas — Oliver Cowdery — sobre cuja cabeça, com a de Joseph Smith, foram impostas as mãos de João Batista, sobre cuja cabeça, junto com Joseph Smith, foram impostas as mãos de Pedro, Tiago e João, mesmo ele se afastou desta Igreja, e contudo jamais negou seu testemunho da verdade desta obra, nem tampouco Martin Harris. David Whitmer, a única testemunha sobrevivente, está na mesma condição. Ele também se afastou da Igreja durante a vida de Joseph, e tornou-se inimigo de Joseph; mas jamais negou a verdade de seu testemunho relacionado com o Livro de Mórmon, e ainda hoje o testifica. Estes homens, poder-se-ia supor, teriam abalado a Igreja. Oliver Cowdery tinha a ideia, não obstante as revelações que havia recebido, de que quando se afastasse, a Igreja receberia um grande choque. Havia doze homens escolhidos como Apóstolos dentre o povo, e destes doze, seis se afastaram da Igreja e se colocaram contra o Profeta de Deus. Estavam determinados a destruir a obra se pudessem. Isto nos faz lembrar da parábola das dez virgens. Havia cinco prudentes e cinco insensatas; metade delas não estava preparada para sair e encontrar o noivo. Assim com os Apóstolos, metade deles se afastou. Mas parou a Igreja? Não; e ainda que todos os Apóstolos tivessem apostatado, não teria interrompido o progresso desta obra, pois Deus falou a seu respeito, e sua palavra se cumprirá. E temeremos o homem? Temeremos organizações terrenas? Temeremos ameaças? Nossos joelhos tremerão e nossas mãos e nossos corações desfalecerão porque os homens se colocam contra a obra de Deus? Se assim for, então erramos inteiramente quanto ao seu caráter. Nenhum sentimento deste tipo entra no coração de homem ou mulher fiel algum ligado a esta Igreja.

Ora, meus irmãos e irmãs, o Senhor fez grandes promessas a nós. Li-vos uma deste Livro de Mórmon. Esta terra é uma terra abençoada para todos os habitantes da terra que agirem retamente, mas é e será amaldiçoada para os que não o fizerem. Há uma maldição e uma bênção sobre a terra. Nenhuma nação pode prosperar nesta terra que pratica a iniquidade, e é doloroso dizer que a nossa própria nação, a menos que se arrependa, encontrará desastres mais cedo ou mais tarde. Dói-nos dizer isto, mas é verdade. Deus o disse. Será verdade a nosso respeito. Esta terra só pode ser abençoada a nós se agirmos retamente. Voltemo-nos e oprimamos os fracos e façamos o mal, e Deus amaldiçoará a terra para nós. Haverá problemas na terra entre os habitantes da terra enquanto praticarem a maldade, tão certo como Deus falou. Nenhuma nação prosperou como tem prosperado a nossa nação. Nenhum governo foi jamais estruturado pelo homem que seja tão forte e tão bom e tão bem adaptado à felicidade dos seres humanos quanto o é o nosso governo. Jamais houve melhor instrumento estruturado para a felicidade do homem do que a Constituição dos Estados Unidos. Os homens que a estruturaram foram inspirados por Deus. Os homens que lutaram as batalhas da Revolução foram os mesmos. Washington foi inspirado por Deus; foi sustentado pelo braço todo-poderoso de Deus; e as derrotas que a mãe-pátria recebeu estavam de acordo com o plano de Deus. Esta terra foi guardada para este propósito. Por séculos permaneceu oculta de todas as nações da terra. Não foi senão no século XV que Deus inspirou Colombo a partir em busca de uma passagem através do Atlântico, e a aportar em algumas das ilhas adjacentes a este continente. Sua trilha foi seguida por outros. Tudo isto estava na mente de Deus. Temos tudo isto claramente declarado neste livro (o Livro de Mórmon), e as razões para isto, as melhores razões possíveis que se poderiam dar. Diz-se que os noruegueses visitaram este país e que a torre de pedra em Newport é evidência disso. Os antiquários escandinavos afirmam que foi assim descoberto; mas, se assim foi, não foi povoado. Permaneceu oculto até o século XV, e havia boa razão para isso. Esta terra teria sido invadida por outras nações se tivesse sido descoberta antes, e não teria havido lugar para aquilo que agora contemplamos. Mas Deus a preservou; e ele disse no Livro de Mórmon que, enquanto os habitantes desta terra servirem ao Deus da terra, que é Jesus Cristo — hão de prosperar e nenhuma nação terá poder sobre eles. O Senhor também disse que não haverá reis sobre esta terra. A tentativa de Maximiliano é uma evidência da verdade disto. Apoiado como estava pelo poder da França e da Áustria, particularmente pela França, foi morto por sua tentativa; pois o Senhor disse que não haverá reis sobre esta terra, e que ela será uma terra de liberdade para os seus habitantes, enquanto servirem ao Senhor. E a prosperidade que tem acompanhado a terra até agora se deve a esta bênção. Aqueles que lutaram pela liberdade nos primeiros dias eram homens que desejavam servir ao Senhor. Podem ter se enganado em muitas coisas, mas foram zelosos nisto e a isto devotados, e muitos deles estavam dispostos a que todo ser humano tivesse os direitos pelos quais lutavam para si mesmos. Mas tudo isto está mudado hoje. Há uma grande mudança. Vós e eu não podemos adorar a Deus como desejamos, sem estarmos em perigo. Somos ditos que é porque somos polígamos. Ora, as primeiras privações que tivemos de enfrentar, as cenas que estão gravadas nas memórias destas pessoas idosas, e das de meia-idade, foram todas atravessadas por nós quando a poligamia não era conhecida. Quando escolhemos adorar a Deus, e dissemos que ele era um Deus de revelação hoje, o mesmo que era 1.800 anos atrás. Havia homens então, e há homens hoje, que nos destruiriam por exercermos essa crença. Portanto, digo, a prosperidade não pode acompanhar um povo que pisoteará a liberdade dessa maneira, e o partido que se colocar contra a obra de Deus não poderá prosperar.

Quando os homens têm poder e fazem o certo, serão sustentados; mas quando fazem o mal, vão contra os eternos princípios da justiça e contra Deus. Há muitos milhares de homens que sabem que Utah não tem sido tratado com justiça, mas não têm a coragem de dizê-lo, porque, com muitos que ocupam cargos, isso poderia custar-lhes a posição. Visitantes vêm aqui e ficam impressionados com o que veem, mas muitos deles cedem à força da opinião pública e dizem o que não acreditam em seus corações. Assim é que a maré da calúnia se avolumou e não há ninguém para lhe pôr obstáculos; temos suportado toda a sua força ao rolar sobre nós, e devemos continuar a suportá-la. Embora seja tão doloroso, não é sem proveito; ensina-nos muitas lições valiosas. Espero que tenha um bom efeito sobre nós. Suponho que sirva para nos disciplinar e nos manter humildes, e se nos ensinar a sermos liberais e a não oprimirmos os outros, alegrar-me-ei: liberdade para todo homem na terra e toda mulher — liberdade na mais ampla extensão possível para todos, contanto que não transgridam os direitos de seus semelhantes. Se um homem deseja adorar um ídolo ou um animal, um touro, um bezerro, um cão, ou uma serpente ou qualquer outra coisa — liberdade para fazê-lo, contanto que sua adoração não interfira com os direitos de seus semelhantes. Se deseja adorar o Deus do Céu, muito bem, não deve ser interferido. Deus abençoou a terra nas palavras que li em vossos ouvidos, e se fôssemos expulsos dela, em cinco anos voltaria à sua desolação original. Esta terra de desolação Deus transformou num campo fértil, por causa da bênção sobre a terra, e enquanto os Santos dos Últimos Dias viverem retamente, a terra lhes será abençoada. O clima se abrandará; o solo se fertilizará; frutos crescerão como têm crescido neste vale.

Quando viemos aqui pela primeira vez, lembro-me dos pensamentos de muitos. Não acreditavam que pudéssemos cultivar fruta alguma aqui, e o homem que primeiro plantou caroços de pêssego foi ridicularizado por causa da ideia que tinha de que cresceriam. Poucos acreditavam que cresceriam. E hoje, onde se pode encontrar terra melhor para frutas do que esta? Suponho que quando viemos, muitos pensavam que se pudéssemos cultivar pão suficiente, já seria tanto quanto poderíamos fazer, havendo geada todo mês do ano. Mas agora é um lugar tão encantador que muitos o cobiçam. Quando organizaram aquela investida contra nós há alguns anos, fui informado com credibilidade de que havia certos homens aqui que realmente andaram por aí escolhendo os lugares que ocupariam! Indiciaram Brigham Young, Daniel H. Wells, e outros, por supostos crimes, e a esperança era de que nos afastássemos daqui com o susto e então os lugares pudessem ser tomados à escolha.

Mas viemos aqui para ficar, aqui esperamos ficar, e aqui ficaremos enquanto fizermos o certo. E não apenas ficaremos aqui, mas nos espalharemos, e virá o dia — e esta é outra predição de Joseph Smith — quero lembrar-vos disto, meus irmãos e irmãs — em que um bom governo, um governo constitucional — a liberdade — se encontrará entre os Santos dos Últimos Dias, e será buscada em vão em outros lugares; quando a Constituição desta terra e o governo republicano e suas instituições serão sustentados por este povo que agora é tão oprimido e cuja destruição é agora tão diligentemente buscada. Virá o dia em que a Constituição, e o governo livre sob ela, serão sustentados e preservados por este povo. Isto é dizer muito, mas não diz mais do que se diz a respeito do crescimento desta obra, e daquilo que já se realizou. Acabo de voltar-me para a revelação sobre este assunto, que diz:

"E acontecerá entre os iníquos que todo homem que não tomar sua espada contra seu próximo terá que fugir para Sião, por segurança. E reunir-se-ão nela, de todas as nações debaixo dos céus; e serão o único povo que não estará em guerra entre si."

Esta revelação foi dada em 7 de março de 1831. Já temos visto, e agora estamos vendo, seu cumprimento: os justos estão sendo reunidos, e vêm com cânticos de eterna alegria; e isto foi dado antes de haver lugar de reunião, apenas onze meses depois de a Igreja ser organizada. E é um fato notável que hoje — não o digo com nenhum sentimento inadequado — as nossas mãos, como povo, por uma singular providência, estão livres do sangue de nossos semelhantes. Fomos expulsos desta terra. Nossos inimigos não se contentaram em nos deixar permanecer nos Estados, na terra que havíamos comprado, não nos permitiram ocupar os lares que havíamos construído, mas nos obrigaram a partir, e viemos para as Montanhas Rochosas. E quando a guerra civil eclodiu, o Presidente Lincoln enviou uma comunicação ao Governador Young, perguntando-lhe se poderia enviar tropas para guardar a estrada continental e preservá-la dos ataques dos índios. Ele respondeu enviando companhias de cavalaria. Passaram o tempo protegendo a rota do correio contra os índios, e assim, como disse, as nossas mãos hoje, como povo, estão livres do sangue de nossos concidadãos por esta singular providência, por meio dos atos de nossos inimigos. Se tivéssemos permanecido no Estado de Illinois, ou no Missouri, teríamos sido obrigados — a menos que tivéssemos escolhido ocupar uma posição bastante anômala — a tomar partido nesta guerra fratricida, guerra que Joseph Smith, no ano de 1832, predisse que ocorreria. A revelação foi impressa em 1850 — embora fosse conhecida pela igreja muito antes — declarando que a guerra começaria entre o norte e o sul, na Carolina do Sul. Suponho que não haja um só menino criado nesta comunidade que não soubesse da revelação anos antes de ser publicada, e, ainda mais tempo, antes de ser cumprida. Sei que fui ensinado a respeito desta revelação quando menino, e sabia que viria o tempo em que haveria uma guerra sangrenta entre o norte e o sul, e que começaria na Carolina do Sul. Começou ali? Sim. Joseph Smith a predisse 28 anos antes de ocorrer. E da maneira a que aludi, fomos expulsos e ocupamos uma posição em que, embora não fôssemos à guerra, nossa lealdade à União não pôde ser posta em dúvida, pois respondemos a todo chamado que nos foi feito. Embora deplorássemos a guerra, e fizéssemos tudo o que podíamos, por meio de nossas pregações, conselhos e advertências, para evitá-la, fomos fiéis às nossas obrigações; e, contudo, ao mesmo tempo — embora tenhamos entre nós homens que tomaram parte na guerra — como povo, nossas mãos estão limpas do sangue de nossos semelhantes. Nossa Igreja não foi dividida numa igreja do norte e numa igreja do sul. É uma igreja que pertence a todo o povo do norte e do sul, e não há ressentimentos seccionais em nosso meio. Deus, em sua providência, fez deste lugar um lugar de refúgio, tanto do norte quanto do sul. Podem vir aqui sem ressentimentos e sem preconceito; sem conflitos civis, sem desunião; nada têm que lembrar ou esquecer conosco. É uma igreja adaptada a todos. O homem negro é bem-vindo, e tem direito aos ritos do Evangelho, embora o Senhor tenha mostrado que a sua raça é vedado o Sacerdócio. O homem vermelho, e o homem amarelo, e todo homem de toda raça e de toda tribo e de toda língua tem um direito nesta Igreja, e será recebido nela e terá lugar nela, tão certo como Deus falou. E seremos preservados de futuros conflitos e desunião quando estes irromperem; permaneceremos em lugares onde poderemos manter nossa lealdade e nossa veracidade e nossa honra, e ao mesmo tempo não interferir com os direitos de nenhum ser humano.

Tenho falado mais tempo do que pretendia. É provavelmente a última oportunidade que terei de me dirigir a vós por algum tempo. Espero partir para Washington antes que chegue outro domingo. Desejo ardentemente, em meu coração, ter a vossa fé e as vossas orações. Tenho-me sentido grandemente fortalecido pelo conhecimento de que tenho tido a vossa fé, a vossa confiança e as vossas orações, e agora saio com a esperança de ainda tê-las, pois são mais valiosas para mim do que qualquer outra coisa. Sairia bem fraco, na verdade, se não tivesse a fé, as orações e a confiança de meus irmãos e irmãs. Não creio haver outro representante no mundo, poder-se-ia dizer — e certamente não em nossa nação — que tenha mais motivo de gratidão a este respeito do que eu. Sei que sou apoiado e sustentado por toda a minha circunscrição; sei que tenho o seu amor e afeto; sei que os seus corações vão comigo, e os seus sentimentos e afetos estão sempre voltados para mim; sei que em quase todo lar se elevam orações em meu favor; isto me dá força; e quando sou atacado, e quando o nosso povo é atacado, e o nosso Território, isso me dá força saber que estamos unidos, e que quando estou em Washington, embora possa estar só — o que estou, num certo sentido da palavra — tenho uma influência e um poder que me acompanham, em consequência disto, que outros não têm. Deus nos preservou, e nos preservará, e superintenderá o mal para o bem. Sinto-me esperançoso e alegre: esta é uma bênção que Deus me deu. No meio das horas mais sombrias, sempre me senti extremamente alegre: o temor tem sido afastado de mim.

Rogo que sejais abençoados abundantemente pelo Senhor; que o seu Santo Espírito seja derramado sobre vós; que a paz vos seja dada e a união encha os vossos corações: peço isto em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Paz e Prosperidade dos Santos—Importância Crescente da Igreja Desde a Sua Organização—A Obra de Deus e Não do Homem—A Bênção de Deus Sobre os Justos; Sua Maldição Sobre os Injustos—A Liberdade do Evangelho—Os Santos Preservados da Guerra e do Derramamento de Sangue—Sua União e Boa Vontade Universal”, (1881-11-20). Pulpit Vault, 1881-11-cannon-peace-and-prosperity-of-the-saintsgrowing-importance-of-the-church. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).