Pulpit

Deveres dos Santos--A Expiação, Etc.

John Taylor

1881-08-28

Reunimo-nos aqui, e noutros lugares, em capacidade de conferência, com o propósito de regular, administrar e dirigir os assuntos da Igreja, e de submeter ao povo os relatórios das várias estacas, para que os Santos possam compreender a posição que ocupam, e para que, por meio da nossa intercomunicação uns com os outros, e por meio dos vários relatórios, possamos ficar familiarizados, em certa medida, com o espírito e o sentimento, os desejos e os motivos que permeiam os Santos de Deus, por toda a terra de Sião.

Falamos de muitíssimos assuntos, e muitos princípios são apresentados à nossa atenção. Referem-se os vários deveres e responsabilidades das autoridades presidentes, assim como os dos Presidentes de Estaca e seus Conselheiros, os Bispos e seus Conselheiros, e os Sacerdotes, Mestres e Diáconos, bem como as várias sociedades e organizações que existem como auxílio ao Santo Sacerdócio nas várias estacas. Todas estas coisas são muito boas, até certo ponto; mas é apropriado que nos examinemos a nós mesmos, e, quando for nosso dever fazê-lo, que nos examinemos uns aos outros; e depois peçamos ao Senhor que nos examine; pois é possível que nutramos ideias a nosso respeito e a respeito da nossa posição que não sejam sancionadas pelo Todo-Poderoso; e, se assim for, então, se aquela colheita de que se cantou esta tarde se realizasse, poderia encontrar alguns de nós que não somos "trigo," que não desempenhamos fielmente, em todos os aspectos, os vários deveres e responsabilidades que sobre nós recaem. E é bastante apropriado que nós, como povo inteligente, professando eminentemente ser os servos de Deus, ajamos com candura e veracidade, e sejamos capazes de examinar as nossas próprias ações, assim como as dos outros, para ver em que ficamos aquém de seguir o exemplo que nos foi dado por um dos antigos Profetas, no qual ele disse: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; põe-me à prova, e conhece os meus pensamentos, e vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno."

A posição que ocupamos é, na verdade, muito peculiar. Fomos reunidos aqui, das nações da terra. Fomos reunidos aqui por causa de certos planos, propósitos e desígnios de Jeová, referentes ao mundo em que vivemos, referentes aos povos que existiram antes de nós, e relacionados com todos os homens, quer vivos, quer mortos. E, como o Senhor organizou este mundo; como se diz que ele é o Deus dos espíritos de toda carne; e como se interessa pelo bem-estar de toda a humanidade, seria ele a pessoa apropriada para inaugurar toda medida, tudo o que fosse calculado para promover os interesses da humanidade. E, na realização da salvação da família humana, os seus desígnios, planos e propósitos foram aperfeiçoados gerações atrás. Se pôde revelar a Adão todos os acontecimentos que se dariam sobre a terra, associados às gerações vindouras, ele próprio deve certamente ter tido conhecimento daquelas coisas que comunicou aos nossos primeiros pais, ou não as poderia ter revelado. Entre outras coisas que o Senhor determinou que fossem introduzidas sobre a terra, estava aquilo a que se chama a dispensação da plenitude dos tempos, na qual ele reuniria todas as coisas em uma, quer fossem coisas na terra, quer coisas no céu; mas todas seriam reunidas em uma.

Tivemos, nas diferentes eras, várias dispensações; por exemplo, o que se pode chamar a dispensação Adâmica, a dispensação de Noé, a dispensação de Abraão, a dispensação de Moisés e dos Profetas que estiveram associados a essa dispensação; a dispensação de Jesus Cristo, quando ele veio tirar os pecados do mundo pelo sacrifício de si mesmo, e, nestas várias dispensações, através delas, certos princípios, poderes, privilégios e Sacerdócios foram desenvolvidos. Mas, na dispensação da plenitude dos tempos, uma combinação, ou uma plenitude, uma completude de todas essas dispensações, seria introduzida entre a família humana. Se havia algo referente à dispensação Adâmica (ou, como podemos chamá-la mais particularmente, patriarcal), seria manifestado nos últimos dias. Se havia algo associado com Enoque e a sua cidade, e o ajuntamento do seu povo, ou da translação da sua cidade, seria manifestado nos últimos dias. Se havia algo associado com o Sacerdócio de Melquisedeque, em todas as suas formas, poderes, privilégios e bênçãos, em qualquer tempo ou em qualquer parte da terra, seria restaurado nos últimos dias. Se havia algo ligado ao Sacerdócio Aarônico, isso também seria desenvolvido nos últimos tempos. Se havia algo associado com o Apostolado e a Presidência que existiu nos dias de Jesus, ou que existiu neste continente, seria desenvolvido nos últimos tempos; pois esta é a dispensação da plenitude dos tempos, abrangendo todos os outros tempos, todos os princípios, todos os poderes, todas as manifestações, todos os Sacerdócios e os poderes destes, que existiram em qualquer era, em qualquer parte do mundo. Pois, "as coisas que nunca se revelaram desde a fundação do mundo, mas que se conservaram ocultas aos sábios e prudentes, serão reveladas a crianças e recém-nascidos, nesta, a dispensação da plenitude dos tempos."

E quem havia de dar origem a isto? Originou-se com Deus, o Pai, e foi sustentado por Jesus, o Mediador do novo convênio, e foi sancionado por todos os Profetas, Patriarcas, Apóstolos e homens de Deus que possuíram o Sacerdócio em eras anteriores. E, finalmente, quando todos os preparativos foram feitos, e tudo estava pronto, ou o tempo se tinha plenamente cumprido, o Pai e o Filho apareceram ao jovem Joseph Smith, para introduzir a grande obra dos últimos dias. Aquele que preside sobre esta terra, e aquele que se diz ser o criador de todas as coisas, o Pai, apontando para o seu bem-amado Filho, diz: "Este é o meu Filho amado; a ele ouvi." Ele mesmo não veio regular e pôr em ordem todas as coisas, mas apresentou o seu Filho Unigênito, a pessoa que deveria ser, como é chamado nas Escrituras, o Apóstolo e grande Sumo Sacerdote da nossa profissão, que deveria tomar a dianteira na administração e regulação de todos os assuntos referentes à grande dispensação que estava para ser introduzida. E aquele Jesus, de quem tinham falado todos os santos profetas, desde que o mundo existe, e que era o Cordeiro morto desde antes da fundação do mundo, que era o Filho do Pai Eterno, e que era o resplendor da glória do Pai e a expressa imagem da sua pessoa, foi ele quem havia de assumir o encargo desta obra de suma importância, para regular os assuntos referentes aos interesses da humanidade, para introduzir a dispensação da plenitude dos tempos, e para operar com os vários Sacerdócios que tinham existido, e com os homens que possuíam as chaves desses Sacerdócios, em tempos anteriores, para a salvação da humanidade.

E assim a obra começou. Tudo foi preparado nos céus, tudo o que tinha sido contemplado desde o princípio. E aqui desejo mencionar uma coisa referente ao Filho de Deus. Diz-se-nos que, quando se determinou organizar a terra, e quando Deus tinha apresentado os seus planos perante os concílios dos céus, perguntou a Lúcifer o que faria. Lúcifer respondeu: "Eis-me aqui, envia-me; serei teu filho e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma se perca; e sem dúvida eu o farei; portanto, dá-me a tua honra." O Pai, então, voltou-se para o seu bem-amado Filho, e perguntou: "Que farás tu; ouviste estas coisas tal como Lúcifer?" O Filho respondeu: "Pai, faça-se a tua vontade, e seja tua a glória." Satanás, diz-se-nos, rebelou-se contra Deus; e quis introduzir algo que era contrário à lei de Deus e ao conselho de Deus; como quem diz: "Ó, tu não sabes muito a este respeito; eu irei e salvarei todos; portanto, dá-me a tua glória." Alguns dos nossos, hoje em dia, sentem e dizem, por vezes, que possuem uma porção do Sacerdócio, e pensam que são pessoas quase todo-poderosas; pensam que sabem melhor do que qualquer outro, melhor do que o Bispo, melhor do que os Doze, melhor do que a Presidência da Igreja: estão inchados e cheios das suas vãs imaginações. Dizem: "Deixa-me fazer à minha maneira; e, então, quero que me dês a tua honra, para me ajudares a levá-la a cabo." Ou, por outras palavras: "Quero lutar contra a obra de Deus e contra o Sacerdócio de Deus, e quero que me dês poder e influência para o realizar." Não vo-lo dizem exatamente por essas palavras; mas esses são os fatos. Ora, diz-se-nos que Satanás se rebelou contra Deus. Não poderia rebelar-se contra uma lei se essa lei não tivesse sido dada; não poderia ter violado um mandamento se esse mandamento não existisse. E diz-se-nos que procurou tirar o livre-arbítrio do homem, para fazer do homem um pobre e miserável servo; e depois seguir o seu próprio curso quanto ao destino da família humana. Mas Deus não quis que assim fosse; e, por causa da sua rebelião, expulsou Lúcifer do céu, e com ele um terço das hostes do céu, por causa do seu afastamento de Deus e das suas leis, e porque procuraram perverter o conselho de Deus, e violar aqueles princípios que ele tinha introduzido para a salvação do mundo que havia de ser, e sobre o qual agora habitamos.

Sabia-se que o homem cairia? Sim. Diz-se-nos claramente que se compreendia que o homem cairia, e compreendia-se que a pena de se afastar da lei seria a morte, a morte temporal. E foi feita uma provisão para isso. O homem não seria capaz de fazer essa provisão por si mesmo, e, por isso, diz-se-nos que era necessária a expiação de um Deus para realizar este propósito; e o Filho de Deus apresentou-se para levar a cabo esse objetivo. E, quando se apresentou para esta posição, foi aceito pelo seu Pai, tal como qualquer homem que deve uma dívida, se não é capaz de pagar essa obrigação, e alguém se adianta e diz: eu serei o fiador dele. Se as pessoas a quem ele deve estão dispostas a aceitá-lo como fiador, receberão a nota ou obrigação do fiador para satisfazer a dívida. Assim se ofereceu Jesus. Ora, o homem não poderia ter feito isso. O homem poderia fazer tudo o que estivesse em condições de fazer. Mas foi violada uma lei eterna de Deus, e era necessário um sacrifício eterno e infinito para a expiar; e Jesus ofereceu-se a si mesmo como esse sacrifício, para expiar os pecados do mundo; e, por isso, está escrito que ele era o Cordeiro morto desde antes da fundação do mundo.

Ora, para levar um pouco mais longe esta visão da dívida. Suponhamos que um homem deu a sua nota para pagar certa quantia em certo prazo determinado, e, para manter essa nota em vigor, concorda em pagar juros sobre ela. Ora, quando Jesus se ofereceu como fiador pelos pecados da humanidade, e Deus aceitou a sua fiança, o que se fez então? Ora, introduziram-se sacrifícios como tipos do sacrifício do Filho de Deus, para mostrar que os antigos servos de Deus reconheciam este princípio, que tinha existido nos céus, e muitos deles compreendiam o princípio com grande clareza. Achamos que Adão oferecia sacrifícios, e, quando o fazia, disse, em resposta a uma pergunta que lhe fez um santo anjo: não sei por que o faço, só sei que o Pai o ordenou. E então o anjo começou a explicar-lhe que este rito era um tipo do sacrifício do Unigênito do Pai, que viria no meridiano do tempo para se oferecer a si mesmo em sacrifício pelos pecados do mundo; e disse ele: "Farás todas as coisas em nome do Filho, e invocarás o Pai em seu nome para sempre." Quando Adão e Eva comeram do fruto proibido, a misericórdia de Deus se estendeu a eles, e perceberam, como Eva o expressou, que, se não tivesse havido queda, não teriam tido posteridade, e ficariam privados de muitas alegrias e bênçãos, referentes tanto a esta vida como à vida futura. E, assim, Adão e Eva se regozijaram em seus corações por Deus ter provido o plano, e, embora estivessem caídos, contudo, nesta vida, por meio da expiação, teriam alegria, e, com o tempo, voltariam a seu Pai, e ali se regozijariam grandemente na abundante misericórdia de Deus, e na redenção obtida para eles pelo Filho de Deus.

Achamos que, desde aquele tempo, Satanás começou a operar e a usar a sua influência contra Deus, procurando introduzir a rebelião sobre a terra, tal como o tinha feito no céu. Teve demasiado êxito nas suas operações. E, quando Caim e Abel ofereceram os seus sacrifícios, Caim não o teria feito, se o diabo não o tivesse incitado; mas diz-se-nos que Caim amava mais a Satanás do que amava a Deus, e que se afastou das leis de Deus. Satanás pediu a Caim que oferecesse um sacrifício, o que ele fez, e o Senhor rejeitou-o, mas aceitou o do seu irmão Abel. Por que rejeitou o Senhor um e aceitou o outro? Porque o Senhor sabia que Caim se tinha afastado dele, e que não era sincero na sua oferta, tal como por vezes não somos sinceros nas nossas ofertas e na nossa adoração, e, por isso, rejeitou-a. Então Satanás voltou, e sussurrou a Caim: eu poderia ter-te dito tudo isto antes; Deus é um Deus injusto; colhe onde não semeou, ceifa onde não plantou. Foi injusto para comigo no céu, e, por isso, rebelei-me contra ele; e aconselho-te a fazer o mesmo. E Caim ouviu o conselho de Satanás, e, como o diabo era mentiroso e homicida desde o princípio, assim o levou a que Caim se tornasse o mesmo, e o instigou a matar o seu irmão Abel. Aqui estavam representados os dois poderes nos dois homens, o de Deus em Abel, e o de Satanás em Caim; e assim começou a guerra, e inaugurou-se a oposição, pois diz-se-nos que era necessário que houvesse oposição em todas as coisas. E, além disso, diz-se-nos que convinha àquele por cuja causa são todas as coisas, e mediante o qual todas as coisas existem, ao trazer muitos filhos à glória, aperfeiçoar pelas aflições o Autor da salvação deles.

Ora, estas coisas se espalharam e cresceram. Era necessário e apropriado que houvesse o bem e o mal, a luz e as trevas, o pecado e a retidão, um princípio de retidão oposto a outro de erro, para que o homem tivesse o seu livre-arbítrio para receber o bem e rejeitar o mal, e, ao receber o bem (por meio da expiação de Jesus Cristo, e dos princípios do Evangelho que ele introduziu, e que foram defendidos muito antes de ele mesmo aparecer na terra), pudessem ser salvos e exaltados à eterna Divindade, e voltar ao seu Pai e Deus, enquanto os desobedientes teriam de enfrentar as consequências dos seus próprios atos.

Esta guerra continuou; e, à medida que os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, também a maldade aumentou, até que se decidiu que seriam destruídos, para que fossem privados do privilégio de perpetuar a sua espécie. Por quê? Voltemos ao tempo em que Satanás se rebelou contra o Todo-Poderoso e arrastou consigo um terço das hostes do céu. Achamos que havia espíritos puros que resistiram a essa prova, e a quem foi feita a promessa de corpos nesta terra. Suponhamos que eu e vós estávamos ali como espíritos, aguardando o privilégio de tomar corpos, e que pudéssemos ver a maldade e a corrupção que se dava sobre a terra, e que pudéssemos ver Profetas a percorrer a terra, ensinando os princípios da retidão e avisando o povo dos juízos que haviam de vir, do dilúvio que os haveria de submergir, e das prisões preparadas nas quais os ímpios seriam lançados. E dizíamos: "Pai, vês o povo sobre a terra, que é mau e depravado, caído e corrupto!" "Sim." "É correto e justo que nós, que não fizemos mal algum, tenhamos de entrar em corpos tão corruptos, e participar das influências que os rodeiam?" "Não," diz o Pai, "não é justo, e eu os cortarei fora, farei vir sobre eles os dilúvios, para os destruir, e enviarei esses espíritos maus e desobedientes para a prisão," o que fez.

Aqui houve um ato de justiça. Alguns homens que professam ser muito sábios pensam que Deus foi injusto ao destruir, assim, tantas das suas criaturas. Nada sabem a este respeito, porque não compreendem a lei de Deus, nem os propósitos de Deus. Foi um ato de justiça e de retidão, segundo a justiça eterna que habita no seio do Pai.

E depois? Antes de serem destruídos, Enoque ministrou-lhes; organizou uma igreja, e enviou élderes, tal como estamos agora a fazer, para avisar o povo da desolação que estava para sobrevir aos habitantes da terra; e o Salvador, segundo Lucas, disse, referindo-se a este acontecimento na história do mundo: "E como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem." E diz Mateus, referindo-se à mesma coisa: "E como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porque assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem." Depois de estes élderes terem saído, sob a direção de Enoque, ajuntaram os que criam na sua mensagem, e edificaram uma cidade a que chamaram Sião. E o poder de Deus estava com Enoque, e com aqueles élderes; e os inimigos de Deus e da sua lei se levantaram contra Deus, e contra Enoque e o seu povo, tal como alguns dos nossos muito piedosos concidadãos estão a fazer hoje contra nós, e como outros gostariam de fazer. Dizem eles: "Vede que povo tão mau são estes «mórmons», têm mais de uma esposa. É verdade que temos amantes, além das nossas esposas; é verdade que cometemos adultério; é verdade que estamos cobertos de infâmia e devassidão; é verdade que o fedor dos nossos crimes e iniquidades sobe até às narinas de Jeová, como sucedia nos dias antigos, mas cobriremos tudo isso." Mas não o podem fazer; sobressai por todos os lados; a cobertura é demasiado estreita. São assassinos e assassinas dos seus próprios filhos, e o fedor da sua infâmia sobe até às narinas de Jeová; e vós, que os quereis, ficai com eles, e vós, que o fazeis, ireis com eles, e ireis para a perdição com eles; e digo-vos isto em nome do Senhor. E vós, que quereis que os vossos filhos vão para a perdição, enviai-os para serem ensinados por aqueles que não são dos nossos. Haverá mais gente tola do que alguns dos Santos dos Últimos Dias, hoje? Lemos, de vez em quando, nos nossos jornais, de certas combinações que conspiram contra nós, e quem são elas? Os metodistas, os presbiterianos, os batistas, os episcopais e outros, e querem apresentar uma petição ao Congresso — para quê? Para destruir precisamente o povo que professais amar; e, ainda assim, enviaríeis os vossos filhos para serem ensinados por eles, para beberem da sua influência e do seu espírito, e, com o tempo, imitarem os seus atos? O que se está a fazer, hoje, em certas partes dos Estados do Sul? Turbas, lideradas por ministros cristãos, correligionários destes homens, procuram tirar a vida aos vossos próprios irmãos, e os que aqui estão manifestam o mesmo espírito, e praticariam os mesmos atos, se tivessem o poder para tal, do mesmo modo que se está a fazer na Geórgia, por exemplo; mas fingem ser tão bons, e tão puros, e tão virtuosos, e ter maneiras tão agradáveis, e ser tão bem-educados, e querem ensinar os vossos filhos, e, para vos dizer a verdade, levá-los ao inferno. E vós os ajudareis a fazê-lo! Ai daquele homem e daquela mulher que permitirem que os seus filhos caiam sob tais influências! Beberão a tristeza no tempo e na eternidade, onde haverá choro e ranger de dentes. Ouvis isto? Digo-vo-lo em nome do Senhor. Ai daqueles pais e mães, digo eu, que assim manipulam os filhos que Deus lhes deu.

Lembro-me de um caso de agressão por turba que ocorreu recentemente na Geórgia, no qual o Élder Geo. W. Bean, um jovem daqui (Provo), foi atacado, tendo a turba sido, como de costume, instigada por ministros cristãos. E esta mesma classe de homens vos dirá que boa gente são, e, contudo, aprovarão tais atos; e, depois disso, pedirão que os vossos filhos lhes sejam enviados para educar — para lhes ensinar o quê? Como agredir em turba; como pisar os direitos e as liberdades dos homens, como pisar tudo o que é grande e nobre e exaltado em Israel. E derrubarão os pilares desta nação com as suas turbas e infâmias; e, contudo, negociareis com eles? Deixai-os em paz. Dizei-lhes que convertam aqueles cristãos que se envolvem em agredir os seus semelhantes em turba, e, quando o conseguirem, que venham depois converter-vos a vós.

Sabeis que havia metodistas, presbiterianos, batistas, etc., no tempo de Enoque — ou um bando de professores religiosos como eles. Talvez não os chamassem por esses nomes; mas reuniam os seus exércitos, tal como exércitos têm sido reunidos contra nós, e o serão outra vez. E alguns de vós ajudareis a fazê-lo, e ensinareis os vossos filhos a fazê-lo. Ora, os ímpios ajuntaram-se contra o povo de Deus, e Enoque levantou-se no poder e no espírito do Deus vivo, e profetizou, e as montanhas tremeram, enquanto o povo tremia e fugia para longe, por causa do poder de Deus que estava com ele; e o poder de Deus estará com Israel hoje, se Israel servir a Deus; mas, se cedermos à iniquidade, ao mal e à corrupção, teremos de suportar as consequências. E depois? O dilúvio veio e destruiu os ímpios, e os seus espíritos foram confinados em prisões, como se chamam. E creio ouvir o diabo a rir, como alguns deles riram quando fomos expulsos dos nossos lares, pensando que o "mormonismo" tinha ido para a perdição. Mas ainda vivemos, e enganaram-se; e assim se enganou o diabo. Pois, embora tivessem sido destruídos no corpo, quando Jesus veio, e foi morto na carne, mas vivificado pelo espírito, foi e pregou aos espíritos em prisão que tinham sido desobedientes nos dias de Noé. E então o diabo pôs cara comprida, e disse: eu imaginava que me tinha livrado destes sujeitos, mas ainda vão ter uma oportunidade que eu não previa. E, depois do dilúvio, diz-se-nos que a maldição que tinha sido pronunciada sobre Caim continuou por meio da mulher de Cam, pois ele se casara com uma mulher dessa semente. E por que passou ela pelo dilúvio? Porque era necessário que o diabo tivesse uma representação sobre a terra, tal como Deus, e que o homem fosse livre para agir por si mesmo, e que todos os homens tivessem a oportunidade de receber ou rejeitar a verdade, e serem governados por ela ou não, segundo os seus desejos, e suportarem o resultado; e que aqueles que fossem capazes de manter princípios corretos sob todas as circunstâncias pudessem associar-se com os Deuses nos mundos eternos. É o mesmo programa eterno. Deus o sabia, e Adão o sabia.

Ora, quanto a Noé e ao seu dia. Deus fez preparativos antecipadamente, e disse a Matusalém que, quando o povo fosse destruído, um remanescente da sua semente ocuparia a terra e se colocaria à frente sobre ela. E Matusalém estava tão ansioso por que isso se fizesse que ordenou Noé ao Sacerdócio quando este tinha dez anos de idade. Noé, então, esteve, no seu dia, como o representante de Deus; e, depois dele, Abraão foi escolhido para assumir a liderança em relação a estes assuntos referentes à salvação do homem. Algumas pessoas supõem que Abraão era um velho antiquado que pouco sabia, uma espécie de pastor entorpecido e tapado. Mas fomos informados de que era um homem que buscava a retidão, e que procurava obter mais retidão; que examinou os registros dos seus pais, tal como lhe tinham chegado, e os traçou para trás até os dias de Adão, e até antes de o mundo existir. Antes de o mundo existir? Sim. Deus, diz-se-nos, falou com ele, e contou-lhe acerca de certos nobres espíritos que estiveram na sua presença no princípio, os quais tinha determinado fazer seus governantes; "e tu, Abraão," disse ele, "és um deles." Ele não era apenas um príncipe na terra, mas um príncipe nos céus, e, por direito, veio à terra, no seu tempo, para realizar as coisas que lhe foram dadas para fazer. E achou, ao traçar a sua genealogia, que tinha direito ao Sacerdócio, e, quando o verificou, orou ao Senhor, e pediu uma ordenação. E foi ordenado (como nos diz Joseph Smith) sob as mãos de Melquisedeque ao santo Sacerdócio. E, depois, somos informados, entrou na posse do Urim e Tumim, pelo qual podia obter conhecimento de Deus e das suas leis, e de todas as coisas referentes à terra e aos céus. E Deus se revelou a ele; e disse-lhe que, ao abençoá-lo, o abençoaria; e, ao multiplicá-lo, o multiplicaria, e que, nele e na sua semente, todas as famílias da terra seriam abençoadas. E tem sido assim? Sim; desde aquele tempo, por essa linhagem, as bênçãos do céu têm fluído para os filhos dos homens. Examinemos algumas coisas. Quem eram Isaque e Jacó? Herdeiros das mesmas promessas que ele próprio. Quem era José, que foi vendido para o Egito? Um descendente de Abraão. Quem era Moisés, que libertou o povo do cativeiro egípcio? Um descendente de Abraão. Quem era Arão, que estava associado com o Sacerdócio Aarônico, e que presidia sobre ele? Um descendente de Abraão. Quem eram os Profetas de que lemos nesta Bíblia? Eram descendentes de Abraão. Quem era Jesus, que, como Filho de Deus, tira os pecados do mundo? Um descendente de Abraão segundo a carne. Quem eram os Doze Apóstolos, comissionados a pregar o Evangelho a todas as nações? Descendentes de Abraão. E quem eram os Doze Apóstolos que viveram neste continente? Descendentes de Abraão. Quem era Joseph Smith, a quem o Evangelho foi revelado nestes últimos dias? Um descendente de Abraão. E fora predito a respeito dele que o seu nome seria Joseph, e que o nome de seu pai seria também Joseph, e que seria descendente daquele José que fora vendido para o Egito. E quem são os atuais Doze? Exatamente a mesma espécie de gente. E quem estamos a ajuntar para Sião? Um remanescente daquela semente, com considerável mistura de tudo quanto é tipo. Mas Jesus disse: As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e elas me conhecem, e a um estranho não seguirão, porque não conhecem a voz de um estranho. E por que não abraçam o Evangelho os milhões de habitantes da terra? Porque não são ovelhas; é só isso. E, se os bodes se agitam e fazem algumas travessuras, não vos deveis admirar. É a natureza dos bodes, não é? (Risos.)

Este Evangelho é introduzido para que sejamos ensinados e instruídos nos caminhos de Deus, e para que o Sacerdócio possa ser organizado segundo a santa ordem de Deus. Para quê? Para que este Sacerdócio possa associar-se com o Sacerdócio por detrás do véu, que está a operar com Deus e para Deus, nos interesses da humanidade. É essa a razão disto. E, por isso, achamos que estes homens que possuem o Sacerdócio, o Sacerdócio eterno, que ministra no tempo e na eternidade, vieram, um após outro, a Joseph Smith, e conferiram-lhe o Sacerdócio que possuíam. Conferiram-lhe primeiro o Sacerdócio de Arão; um descendente de Arão, João Batista, que possuía as chaves desse Sacerdócio no seu dia, veio a Joseph Smith e a Oliver Cowdery, e impôs as mãos sobre as suas cabeças, e disse: "A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Arão, que possui as chaves do ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão de pecados; e ele nunca mais será tirado da Terra, até que os filhos de Levi tornem a fazer, em retidão, uma oferta ao Senhor." Depois vieram Pedro, Tiago e João, que conferiram o mesmo Sacerdócio e as mesmas chaves que possuíam. E depois vieram outros poderes, princípios e revelações, em sucessão, um após outro. Depois de os Sacerdócios Aarônico e de Melquisedeque terem sido conferidos, em termos gerais, então algumas das coisas mais específicas, referentes à introdução deste Evangelho, foram realizadas. Quando Joseph Smith e Oliver Cowdery estavam juntos no Templo de Kirtland, achamos que Moisés lhes apareceu. Confiou-lhes as chaves da coligação de Israel dos quatro cantos da terra, e a condução das dez tribos da terra do norte. E foi-lhes conferido este poder? Sim. E continua esse poder? Creio que sim, ou não creio que estivésseis aqui hoje. O que vos trouxe aqui? Por que não parastes onde estáveis? Porque crestes no Evangelho. Quando o ouvistes e lhe obedecestes, o élder que impôs as mãos sobre a vossa cabeça conferiu-vos aquele princípio que vos trouxe aqui, e mal sabeis por que viestes, mas não pudestes descansar tranquilamente até que viestes; e entrastes em toda espécie de planos e cálculos para chegar aqui. E conheci gente tão ansiosa por vir para cá, que estavam quase dispostos a vender-se a si mesmos. E foi porque somos um povo tão bom? Não sei bem sobre isso; não creio que sejamos tão bons quanto devíamos ser. Contudo, esse espírito operou sobre vós, e não pudestes descansar até que chegastes aqui.

Outra coisa associada com isto foi a vinda de Elias. Para quê? Para converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais. E o que se quer dizer com isto? Ele era representante de certa classe nos céus, que se interessava pelos seus filhos. E os seus filhos são os nossos pais; e, por isso, o coração deles, dos pais, se converte para os seus filhos; e o nosso coração, que somos seus filhos, se converte para eles. E começamos a construir Templos. Alguns pensam que isto é coisa muito tola de se fazer. Parece-o, a alguns, mas não aos que estão informados. Por que construímos Templos? Porque Elias conferiu certas chaves que possuía a Joseph Smith. E, quando este impôs as mãos sobre os élderes, conferindo-lhes o Santo Sacerdócio, levaram os princípios que Elias tinha imprimido a Joseph, a vós e a outros, e recebestes-nos sem sabê-lo. E, com o tempo, à medida que a Igreja começou a ajuntar-se, começamos a falar em construir Templos, nos quais receber e administrar as ordenanças que tinham sido reveladas a Joseph Smith, referentes ao interesse dos vivos e dos mortos, e necessárias à nossa salvação e exaltação no reino do nosso Deus, assim como para aqueles por quem ministramos. E não só falamos disso, mas fizemos bastante nessa direção. Pois, além de termos uma bela estrutura em St. George, empregamos hoje não menos de 500 homens, ocupados na mesma obra em diferentes partes do Território. E pretendemos continuar com esta obra; e, enquanto os nossos amigos cristãos assistem e se perguntam o que tudo isto significa, nós continuaremos a obra, pois sabemos o que estamos a fazer, mesmo que eles não saibam. Como já observei antes, ao falar deste assunto noutros lugares, se lhes entregássemos um Templo, depois de o termos construído e terminado, não saberiam o que fazer com ele, pois Deus não lhes comunicou este conhecimento; e, por isso, não poderiam fazer mais do que costumavam fazer, quando eu era menino, e que suponho que ainda fazem; isto é, o ministro, se episcopal, apareceria com uma sobrepeliz branca, com um livro de orações na mão, do qual leria algo como isto: "Erramos e desviamo-nos dos teus caminhos como ovelhas perdidas" — o que, aliás, seria bastante correto (Risos); "fizemos aquilo que não devíamos ter feito, e deixamos por fazer aquilo que devíamos ter feito." E, se o ministro fosse metodista, seria a favor de organizar um grande avivamento, para se abraçarem uns aos outros, e se convidarem uns aos outros a "vir a Jesus," e a chamar os enlutados para o banco dos enlutados, para se orar por eles, e o resultado total de tudo seria: "Vem a Jesus." Diz alguém: "Que farei para ser salvo?" Diz o metodista: "Crê no Senhor Jesus Cristo." "Bem, eu creio." "Bem, continua a crer." "Mas eu creio." "Bem, continua a crer." (Risos.) Não riria o diabo de tal tolice? Sim, e os anjos também, e todo aquele que tivesse bom senso comum, pois tal espécie de tolice é incompatível com o plano, as ordenanças, a ordem e a lei de Deus, e com o Evangelho do Filho de Deus.

Nos nossos Templos, esperamos receber certas ordenanças que nos foram reveladas por Deus, por meio dos seus servos. E não gostaria o mundo de saber em que consistem? Terão de ir ao seu deus, para o descobrir. Mas receio que ele se assemelhe bastante aos deuses de que lemos. Isto lembra-me uma história contada acerca de Abraão. Diz-se que o pai de Abraão era idólatra, e que tinha vários deuses em casa. Isto entristecia Abraão, enquanto o seu pai queria que o filho cresse e adorasse como ele próprio o fazia; mas Abraão sabia bem demais para fazer tal coisa. Abraão, por fim, pensou em dar uma lição ao seu pai, fazendo uma limpeza completa dos seus deuses. Então, pegou num porrete, ou noutra arma qualquer, e quebrou a cabeça de alguns, os braços e as pernas de outros, e fez um estrago geral entre os ídolos, mas deixou intocado o maior. Quando o pai de Abraão soube do que tinha acontecido, ficou, naturalmente, muito perturbado; perguntou a Abraão quem o tinha feito. Abraão disse-lhe que os deuses tinham tido uma disputa entre si, "e," disse ele, "aqui está o sujeito" (apontando para o maior, que tinha poupado), "que o fez." Disse o pai: "Meu filho, por que me dizes tal coisa. Os meus deuses não podem lutar; têm pernas, mas não podem andar; têm braços, mas não os podem usar; têm olhos e ouvidos, mas não podem ver nem ouvir." "Ora, pai," disse Abraão, "é possível que adores um deus que não pode ouvir nem ver, andar ou usar-se a si mesmo?" O deus dos cristãos, segundo a própria descrição que deles fazem, sendo um deus sem corpo, partes nem paixões, seria tão pouco provável que os ouvisse, quando o invocassem, quanto o eram os deuses de Terá, o pai de Abraão, quando ele os invocava.

Ao falar mais deste assunto, dir-vos-ei o que estamos a fazer. Estamos a construir três Templos, além do que já está construído em St. George. Há duas ou três semanas, estivemos em Logan; e estivemos no telhado do Templo ali. O Irmão Woodruff esteve em Sanpete; diz que o Templo ali em construção está a progredir muito bem. E depois estamos a avançar com o nosso, em Salt Lake City. Um cavalheiro que nos visitou recentemente perguntou-me quando esperávamos terminar o nosso Templo. Disse-lhe que não lho podia dizer. "Suponho," disse ele, "que dependerá dos meios de que dispondes para levar avante a obra." "Ó não," disse eu, "o dinheiro não tem nada a ver com isso; vamos a ela, e trabalhamos nela, e pretendemos trabalhar nela até que esteja terminada." Para mostrar a espécie de sentimento que existia no Vale de Cache, direi que estavam alguns milhares de dólares atrasados, e vieram pedir-me, como Fiduciário, que os ajudasse. "Ó sim," disse eu, "não só vos podemos ajudar, mas terminar o edifício. Mas não faremos isso. Por quê? Porque vos faríamos uma injustiça. Quando o construís vós mesmos, tendes ali um direito. Sois chamados a ser salvadores no Monte Sião, e é um dos vossos privilégios, do qual não vos privaríamos, construir um Templo ao Senhor, para que o povo possa ser salvo nele." E não são os homens que usam as melhores roupas que estão a fazer a obra. Disse ao povo em Logan, o homem que corta árvores, e os que as arrastam pela neve e pelas geadas, e expõem os seus corpos à inclemência do tempo, nos interesses do reino de Deus, assim como os que talham a pedra e carregam o cesto, estão tão interessados nestas coisas, e receberão a sua recompensa, tal como os que contribuem com dinheiro ou outros meios para esse propósito. Vi, entre outros, vários lamanitas a ajudar a fazer argamassa. Senti vontade de os abençoar em nome do Senhor. Todos os homens, os que estão empenhados na obra e os que contribuem para ela, têm interesse nestas coisas. Deus olha para nós, e chamou-nos para ser salvadores no Monte Sião. E o que significa salvador? Significa alguém que salva outra pessoa. Jesus foi e pregou aos espíritos em prisão; e foi um salvador para aquele povo. Quando veio expiar os pecados do mundo, foi um salvador, não foi? Sim. E diz-se-nos, nas revelações, que os salvadores estarão no Monte Sião; e o reino será do Senhor. Seríamos nós salvadores, se não salvássemos ninguém? Creio que não. Poderíamos salvar alguém, se não construíssemos Templos? Não, não poderíamos; pois Deus não aceitaria as nossas ofertas e sacrifícios. Ora, viemos aqui para ser salvadores no Monte Sião, e o reino há de ser do Senhor. Então, o que faremos? Construiremos Templos. E depois? Administraremos neles, quando os terminarmos. Sabemos como? Sim, sabemos, pois Deus nos disse como. E a quem salvaremos? Aos nossos pais e mães, aos nossos tios e tias, aos nossos avôs e avós, e cuidaremos dos interesses de todos os que pudermos traçar; continuaremos a trabalhar, depois de termos resolvido os assuntos individuais, e tratado dos nossos assuntos familiares, e de algumas coisinhas entre nós — pois somos um povo comparativamente pequeno, apesar de falarmos em estender o nosso poder; somos um povo comparativamente pequeno, mas Deus nos escolheu e selecionou, e nos plantou aqui, e nos disse o que fazer. Então, depois de terminarmos os nossos próprios assuntos, o que se segue? Há miríades que morreram sem conhecimento do Evangelho, nos quais Deus, e Jesus, e os antigos Patriarcas e Profetas e homens de Deus se interessaram, tal como se interessam por nós, e a quem, diz-se-nos, se dará a oportunidade de receber o Evangelho, se não a tiveram nesta terra. E estará o Sacerdócio a operar por detrás do véu? Sim, e nós estamos a operar aqui. E temos um Sacerdócio aqui, e eles têm um ali. Temos uma Presidência? Eles têm uma ali. Temos Doze? Assim têm eles ali. Temos Setentas aqui? Eles têm ali. Temos Sumos Sacerdotes aqui? Eles têm ali. Temos vários quóruns? Sim, e operamos neles; e, quando terminarmos, juntar-nos-emos aos nossos quóruns lá em cima. Como vos disse ontem, quando o Patriarca Joseph Smith morreu, disse-se-nos que ele estava sentado à direita de Abraão. E por que estava ele ali? Porque Abraão era um Patriarca, e o pai de Joseph Smith era um Patriarca. Estava à sua direita, porque estava associado com a dispensação da plenitude dos tempos, tal como Abraão foi um Patriarca principal na dispensação em que viveu. E David Patten, um dos primeiros Doze, que dizer dele? Outro havia de ser ordenado no seu lugar, mas ele não havia de perder o seu Sacerdócio; de David, diz-se-nos, o seu Sacerdócio nenhum homem tira — ele ocuparia a sua devida posição. Onde? Estava morto. Não, não estava; estava vivo. Mas morreu? Sim, morreu; mas vive. Foi morto por uma turba no Missouri, mas vive por detrás do véu, e ocupa o seu devido lugar ali, no seu próprio quórum. Depois, houve um homem chamado Seymour Brunson, que morreu, que era membro do Sumo Conselho. Disse-se que outro seria posto no seu lugar, mas que ele conservava o seu Sacerdócio. Onde? Por detrás do véu. E os Setentas e os Sumos Sacerdotes? Exatamente o mesmo, se cumprem os seus deveres e magnificam os seus chamados. Deixou Joseph Smith de ministrar no seu ofício, porque deixou a terra? Não; administra no seu ofício nos mundos eternos, sob a direção do Filho de Deus, e de um devido Sacerdócio presidente, tal como existe nos céus. E assim faremos nós. Por isso, foram viver para sempre. Se um homem morre, viverá outra vez? Ora, sim. Um homem adormece, mas desperta outra vez. Diz-se que Jesus possuía a vida em si mesmo; e diz ele: "Tenho poder para dar a minha vida, e poder para tornar a tomá-la." Mas nós não temos esse poder. Mas diz ele: "Eu sou a ressurreição e a vida;" e "todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá." Morrer! Adormeceremos, e despertaremos outra vez. Associar-nos-emos de novo com o Sacerdócio; e é por isso que queremos ter os nossos registros em ordem, e tudo correto em relação a todas estas coisas.

Se somos salvadores, o que temos a fazer? Construir Templos. E depois? Administrar neles; e outros, nos céus, estão empenhados na mesma obra que nós, mas noutra posição e noutras circunstâncias. Pregam aos espíritos em prisão; oficiam em ordenanças com as quais nada temos a ver. Nós administramos em ordenanças que Deus nos revelou para tratar; e, quando as tratamos corretamente, Deus as sanciona. Por exemplo, vós, élderes, que estivestes fora a pregar, dissestes ao povo que, se se arrependesse dos seus pecados e fosse batizado, receberia o Espírito Santo, e recebeu-o, segundo a promessa que lhe fizestes. Deus sancionou estes procedimentos, e sois todos testemunhas disso. E Deus disse que era negócio seu cuidar dos seus Santos. Mas é negócio nosso ser Santos.

E depois, em relação a estes assuntos, quando somos fiéis e leais ao nosso chamado sobre a terra, e passamos por detrás do véu, e nos associamos com os nossos quóruns nos céus, e ali continuamos a operar, o que teremos de fazer? Diz-se-nos que todas aquelas miríades a que antes se referiu, que teriam recebido o Evangelho, mas não tiveram o privilégio de o ouvir ou de o receber neste mundo, e morreram sem ele, terão a oportunidade de o receber depois. Mas quem serão os administradores destas ordenanças? Seremos nós? Não, estão fora do nosso alcance, estão por detrás do véu. Mas há um Sacerdócio ali; e há um lugar para os Setentas e os Sumos Sacerdotes, etc., operarem ali. E o que haviam de fazer os Doze que viveram e operaram no continente da Ásia? Está escrito que se sentariam sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E aqueles Doze que estiveram neste continente? Serão julgados pelos Doze que Jesus escolheu na Judeia. E depois, o povo deste continente será julgado pelos Doze que aqui estiveram; e é muito provável que a Presidência e os Doze desta Igreja tenham algo a ver com este assunto, em relação aos que vivem nesta era do mundo.

Ora, se eles têm isso a fazer, o que temos nós a fazer? Construir Templos. E depois? Administrar neles. E, quando ultrapassarmos o alcance dos que conhecemos, precisaremos de informação dos poderes por detrás do véu, para saber por quem devemos ser batizados. Pensais que se darão ao trabalho de nos informar? Creio que sim, se estão designados para julgar o povo. E, tendo julgado apropriado organizar a Igreja, e estabelecer o Santo Sacerdócio, e revelar os primeiros princípios do Evangelho, é razoável concluir que estarão suficientemente interessados nos outros assuntos. Mas cabe-nos construir os Templos e administrar neles, e ajudar os pais a salvar os seus filhos, e os filhos a salvar os pais. Têm eles direitos no céu? Também nós os temos na terra. Têm privilégios? Também nós os temos. Ganharam a salvação, e se tornaram salvadores? Também nós participaremos disso, se magnificarmos o nosso chamado, honrarmos o nosso Deus, e guardarmos os seus mandamentos. Por isso, somos salvadores conjuntos com eles. Precisamos da sua ajuda, eles precisam da nossa. Estas são algumas das coisas que temos a realizar. Temos uma obra diante de nós. Vós, Setentas; vós, Sumos Sacerdotes, não estais aqui para descobrir o que comereis ou bebereis, ou com que vos vestireis. Não estais aqui para contender por pequenas coisas e fazer as coisas à vossa maneira. Jesus disse: "Pai, faça-se a tua vontade." Disse que não veio fazer a sua própria vontade, mas a vontade de seu Pai, que o enviou. E, quando os seus discípulos vieram a ele e disseram: Senhor, "ensina-nos a orar, como João ensinou os seus discípulos," ele disse, orai assim: "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino." Que se estabeleça o governo e o domínio de Deus. "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." Este era o seu sentimento, e este é o sentimento de todos os bons Santos e élderes fiéis em Israel. E o que veio Joseph Smith fazer? A vontade de seu Pai, aprender essa vontade e a cumprir. Qual era o dever de Brigham Young? O mesmo. Qual é o meu? O mesmo. Qual é o dever dos Doze? Seguir o conselho da Presidência. Qual é o dever dos Presidentes de Estaca? Seguir o conselho da Presidência. Qual é o dever dos Bispos? Seguir o conselho dos Presidentes de Estaca e do seu Bispo Presidente. Já tive homens que vêm frequentemente a mim, querendo passar por cima dos Presidentes de Estaca. Devolvo-os. Digo-lhes que vão aos seus Presidentes. Também já tive homens que vêm a mim, querendo passar por cima dos seus Bispos; devolvo-os aos seus Bispos, pois desejo honrar todos os homens no seu lugar. Já tenho bastante a fazer, sem interferir nos pequenos pormenores dos outros, e assim sucessivamente, deles até os Élderes, Sacerdotes, Mestres e Diáconos, cada homem no seu lugar.

Quando os discípulos de Jesus desejaram saber quem seria o maior entre eles, ele colocou uma criancinha no meio deles, e disse: "Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus."

Não precisamos falar da nossa dignidade; não temos nenhuma, senão a que Deus nos dá. Queremos o espírito de união e de harmonia no nosso meio, cada homem sendo governado pelos princípios do Evangelho e pelas leis de Deus. Estamos a percorrer as Estacas, instruindo o povo nos princípios da vida, para que sejam um, assim como o Pai e o Filho são um, para que sejamos um nele; e para que todos os Presidentes, e todos os Bispos, e todas as várias autoridades da Igreja possam ver olho a olho, tal como se nos diz que verão, quando Deus tornar a trazer Sião. Queremos que os homens sejam governados por estes princípios; e, por esta razão, estamos a percorrer as Estacas, para ensinar ao povo os princípios da verdade e da retidão; e queremos que sejais governados pelos vossos vários oficiais; e também pelos vossos vários tribunais.

Aqui quero falar um pouco sobre certo princípio. Tem havido considerável dificuldade entre vós, povo de Provo, e o povo do condado de Salt Lake, a respeito de água. Deveis reunir-vos como homens, e, se não puderdes chegar a um acordo, levai o assunto ao vosso Sumo Conselho, e que ali seja resolvido: e digo-vos aqui, hoje, que, se levardes este assunto à lei, perante os tribunais dos ímpios, sereis cortados da Igreja. Ora, ouvis isto? Se tenho alguma voz neste assunto, quero ser ouvido, e digo-vos, em nome do Deus de Israel, que não toleraremos tais flagrantes violações da lei de Deus, entre os Santos dos Últimos Dias. Nenhum homem terá posição na Igreja e no reino de Deus, ou presidirá naquela Igreja, que violar as leis de Deus, e recorrer aos ímpios, visto que Deus tem leis pelas quais espera que sejamos governados. É esse o meu sentimento a respeito; e havemos de o cumprir, sendo Deus o nosso auxiliador. Pois não permitiremos esta espécie de iniquidade; e, se o fizerem no outro condado, trataremos deles da mesma maneira. É tempo de deixarmos de lado as nossas loucuras e tolices, e nos apegarmos à verdade, e nos apoiarmos nela, e sustentarmos a Igreja de Deus sobre a terra. Se assim fizermos, seremos os abençoados do Senhor, e a nossa posteridade conosco; e, se não o fizermos, então não o seremos, e esta não será uma terra de Sião para nós. Mas será uma terra de Sião. A obra de Deus há de progredir; mas os ímpios serão separados desta Igreja. Não terei comunhão com eles. E qualquer homem que o fizer, fá-lo-á por sua própria conta e risco, pois nada terei a ver com isso. Deus deu-nos leis para regular estes assuntos, e todos os nossos assuntos, perante os nossos Sumos Conselhos, sob a direção de homens inspirados, que foram ordenados ao santo Sacerdócio, para julgar os assuntos que lhes são apresentados. E, quando nos voltamos para os ímpios, vendemo-nos ao diabo, o que não permitiremos que os homens façam, e mantenham a comunhão dos Santos e uma posição na Igreja e no reino de Deus. Ora, todos os que estão a favor disto, levantem a mão direita. (A congregação levantou as mãos.) Ora, Irmão Smoot, vede isso cumprido.

Irmãos e irmãs, que Deus vos abençoe e vos guie nas sendas da vida. Falo com franqueza? Deus espera que eu fale com franqueza. Não vim aqui para vos rebocar com argamassa não temperada, mas digo-vos a verdade. E, embora ele nos tenha chamado a altos privilégios, a tronos, principados e domínios, e a ser salvadores no Monte Sião, e a ser reis e sacerdotes para Deus, e as nossas esposas, rainhas e sacerdotisas para os seus maridos, enquanto Deus nos ordenou para isto, em nome do Deus de Israel, havemos de procurar cumpri-lo. E encontraremos suficientes que serão verdadeiros e fiéis a Deus e ao seu Santo Sacerdócio. E a obra de Deus continuará avante, Sião será estabelecida, e o reino de Deus edificado, e homem algum deterá o seu progresso. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Deveres dos Santos--A Expiação, Etc.”, (1881-08-28). Pulpit Vault, 1881-08-taylor-duties-of-the-saints-the-atonement-etc. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).