Pulpit

O Objetivo de Nos Reunirmos—O Sacramento, Etc

Wilford Woodruff

1881-06-12

Reunimo-nos como Santos dos Últimos Dias com o propósito de adorar a Deus, de escutar instruções, e de administrar uma das ordenanças da casa de Deus — o sacramento. Considero o sacramento uma ordenança de grande importância para nós; de fato, desde os dias de Adão até os dias de Jesus Cristo, ofereciam-se sacrifícios; não só por Adão, mas pela sua posteridade, por Moisés e pela casa de Israel, e por todas as gerações de pessoas conduzidas pelo Senhor — sacrifícios eram oferecidos como um tipo do grande sacrifício que seria feito pelo Messias. Ofereciam o sangue de touros, carneiros e pombas como um tipo do grande e último sacrifício e morte do Messias, cujo sangue foi derramado para a redenção do mundo. Antes da morte do Salvador, o sacramento da Ceia do Senhor foi administrado aos seus discípulos, e foram informados de que deveriam participar do pão como emblema do corpo partido do Senhor, e do vinho — ou o que quer que seja usado como substituto — em símbolo do sangue derramado do Senhor Jesus Cristo.

Sinto-me disposto aqui a fazer uma observação e dizer que, se eu fosse o imperador do mundo e tivesse controle sobre todo ser humano que respira o sopro de vida na terra, daria a cada homem, mulher e criança o direito de adorar a Deus segundo os ditames da própria consciência, e, ao dizer isto, expresso os sentimentos de Joseph Smith, Brigham Young, da Presidência desta Igreja, dos Doze Apóstolos, e de todos os Élderes de Israel. Este é o sentimento de todos os Santos dos Últimos Dias. O quê! Concederíeis este privilégio aos metodistas? Certamente. E aos batistas? Sim, certamente. E aos católicos, aos shakers, aos quakers? Sim, e a todos os demais debaixo do céu. Concederia a todo o povo o direito de desfrutar da sua religião sem ser molestado. Estenderia este privilégio até aos Santos dos Últimos Dias; dar-lhes-ia o privilégio de crerem na Bíblia e na organização da Igreja segundo o padrão antigo, com Apóstolos e Profetas, sendo Cristo Jesus a principal pedra angular. Por que farias isto? Fá-lo-ia porque o próprio Deus o faz. O Deus do céu concede a todos os seus filhos, a toda seita e partido, seja qual for o nome e a denominação debaixo de todo o céu, o seu livre-arbítrio e o direito de adorar a Deus segundo os ditames da própria consciência. O Senhor não força homem algum ao céu. Ele coloca diante dele a vida e a morte, a luz e as trevas, a verdade e o erro, e, tendo diante de si todos estes princípios, ele tem liberdade para adorar a Deus e crer no que escolher. Só ele é responsável perante Deus pelos seus atos. Ora, quando leio a história do mundo em dias já passados, quando noto o espírito iliberal que se manifestou, e o sangue que foi derramado sobre a terra — pois a terra tem sido inundada de sangue, sob o que se chama guerras santas, sob o manto da santa religião — considero isto a coisa mais ímpia e injusta que já foi cometida sobre a terra. Vejo o que se está passando hoje da mesma maneira. Às vezes me admiro quando vejo o espírito da nossa nação e os sentimentos das seitas de hoje para com Utah e os Santos dos Últimos Dias. Alguma vez nos colocamos no caminho de algum homem, seita ou povo, no que diz respeito à sua religião? Não, não o fizemos. Temos estado dispostos, em todo tempo, a que os homens preguem as suas doutrinas e nelas creiam, sem serem molestados por nós, e diria, para exprimir os meus próprios sentimentos, que, se um homem cresse que tinha de subir a uma árvore de álamo três vezes ao dia, para a salvação, eu jamais o impediria. Não, esta liberdade, esta liberdade, especialmente sob o Governo americano, de todas as nações debaixo do céu, deveria tornar-se universal. Homem algum ou grupo de homens deveria tentar impedir os seus vizinhos de desfrutarem da sua religião. E, ao dizer isto, e ao concedermos a todos os homens este direito e privilégio, como o temos feito aqui nesta cidade, tendo este Tabernáculo e vários outros edifícios sido abertos aos clérigos de hoje, temos estado perfeitamente dispostos, depois de ouvir tudo o que tinham a dizer, a aceitar qualquer verdade que possam ter que não possuímos. Se há um homem neste mundo que tenha uma verdade que eu não tenho, estou disposto a trocar todos os erros que tenho por essa verdade. Mas nós, como povo, reivindicamos o mesmo direito que concedemos aos outros. Reivindicamos o direito de adorar a Deus sem sermos molestados pelos nossos semelhantes. As leis de Deus, os decretos de Deus, os oráculos de Deus, assim como as leis do nosso país e a constituição do nosso governo, concedem este direito à família humana — sim, até aos "mórmons," como somos chamados, aos Santos dos Últimos Dias tanto como a qualquer outra classe.

Então, por que este tremendo furor entre as seitas de hoje a respeito destes "mórmons" e da sua religião? O problema é que o mundo não sabe nada a respeito da nossa religião, não sabem no que cremos, e se alguém forma uma ideia a partir do que ouve no estrangeiro, ouve tudo menos a verdade. Tenho estado divertido, às vezes — ultimamente — ao ler os discursos proferidos por cavalheiros — clérigos, ademais — que professam ter vivido em Utah, e compreender este povo. Um cavalheiro que professa estar familiarizado aqui proferiu um discurso em Rochester, perante uma sociedade missionária, no qual declarou que "havia em Utah 620.486 jovens no distrito mórmon, e era o elemento juvenil sobre o qual os missionários estavam a trabalhar." Ora, como consegue este cavalheiro tirar 620.486 jovens de 140.000? Não sei por que processo de matemática, ou por que regra ele chega a esta conta. Aquele cavalheiro sabia tão bem, quando fez essa afirmação, que era falsa, quanto eu sei. A nossa população é de apenas cerca de 140.000. O Sr. Conyer, que tinha vivido aqui uns seis anos, declarou "que havia 40.000 estudantes na missão, e que queria assistência para prover a sua escola ampliada." Ora, se tirardes 40.000 estudantes da população total de 140.000, não creio que sobrem muitos para os mórmons. Mas tudo isto é tão próximo da verdade quanto qualquer coisa que se ouça no estrangeiro, e desejo realmente que os cavalheiros, clérigos e todos os demais que tentam relatar sobre Utah dissessem a verdade. Isso é tudo o que pedimos a qualquer pessoa que nos visite. Mas parece impossível que alguém fale de Utah e dos Santos dos Últimos Dias — "mórmons," como são chamados — com algum grau de verdade; mas gostaria que o fizessem, seria melhor para eles, melhor para nós, e estariam sob menos condenação.

Ora, quais são os princípios em que crêem os Santos dos Últimos Dias? Qual é o terrível crime de que temos sido culpados nos últimos cinquenta anos? Ora, o Senhor levantou um Profeta — Joseph Smith. Enviou um anjo do céu em cumprimento das revelações de São João. E aquele anjo entregou o Evangelho a Joseph Smith; entregou-lhe poder e conhecimento para obter o Livro de Mórmon, um registro contendo a história dos antigos habitantes deste continente, que aqui viveram centenas e milhares de anos atrás. Traduziu-o para a língua inglesa. Contém o Livro de Mórmon um Evangelho diferente daquele contido na Bíblia? Não contém. Dá uma história do povo que habitou antigamente este continente, diz de onde vieram e como aqui chegaram, conta os tratos de Deus com eles, e o estabelecimento da Igreja de Cristo entre eles. Foram visitados por Jesus após a sua ressurreição. Por isso ele disse: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém conduzir estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor." Também disse aos Nefitas, quando estabeleceu a sua igreja entre eles, que tinha outras ovelhas. Eram as dez tribos de Israel. O Livro de Mórmon é uma história dos tratos de Deus com aquele povo; a Bíblia é uma história dos tratos de Deus com Judá e com os judeus e as doze tribos de Israel: contém, de fato, um breve esboço dos tratos de Deus com os jareditas e nefitas, desde a construção da Torre de Babel até os dias do Salvador e após a sua ressurreição. A Bíblia é a vara de Judá na mão de Judá, e o Livro de Mórmon a vara de José na mão de Efraim. Ambos os livros contêm o mesmo evangelho. Nunca houve senão um evangelho e nunca haverá outro revelado à família humana. Por isso Paulo diz: "Ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu, vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema." Ora, se Joseph Smith tivesse estabelecido na terra algum outro evangelho que não o evangelho que Paulo ensinou, que Cristo e os seus Apóstolos ensinaram, e que foi ensinado a Abraão, Noé, e ao mundo antediluviano, ora, teríamos a maldição de Deus repousando sobre nós. O grande problema com o mundo dito cristão é que espiritualizaram as Escrituras até que não resta semelhança alguma do evangelho. Nunca consegui encontrá-lo. Nunca consegui ouvir um sermão evangélico em toda a minha vida, e assisti sob o Dr. Porter e o Dr. Hawes e outros grandes teólogos do dia. Nunca consegui ouvir um sermão evangélico segundo o padrão antigo, como foi ensinado por Joseph Smith. Naturalmente todas as seitas tiveram alguma verdade. Todas as seitas professaram crer no sangue de Jesus Cristo, mais ou menos; todas as seitas e partidos têm os seus vários caminhos para o céu e para o inferno, mas nenhuma delas ensina o Evangelho segundo o padrão estabelecido no Novo Testamento.

Foi necessário um anjo do céu "voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua, e povo," para os preparar para os grandes juízos do nosso Deus, antes da cena final. O anjo veio: aquele Evangelho foi entregue. Foi entregue a Joseph Smith. Ele não recebeu o seu poder do homem, mas das revelações de Jesus Cristo. O que ensinava aquele Evangelho? Ora, a fé em Jesus Cristo. "Sim, ó sim," dizem os metodistas, "cremos em Jesus Cristo." Muito bem. Então o princípio seguinte era o arrependimento dos nossos pecados. "Mas," diz o mundo sectário, "também cremos no arrependimento." Bem, o que vem a seguir? Os avivalistas que visitaram esta cidade (os Srs. Sankey e Moody) criam em Jesus Cristo, e diziam que, se uma pessoa apenas viesse a Cristo, não precisava ser metodista, batista, mórmon, nem coisa alguma. Não eram necessários Profetas nem Apóstolos; tudo o que era necessário era vir a Cristo. Mas dizemos que se exige algo mais além de crer. Um homem tem de ser batizado para a remissão dos seus pecados a fim de entrar no reino dos céus. Essa lei do batismo nunca foi alterada. Muitos creem no batismo, até por imersão, mas não particularmente para a remissão dos pecados. O que vem a seguir? Tendo-nos arrependido dos nossos pecados e sido batizados para a sua remissão, temos de ter as mãos impostas sobre nós para a recepção do Espírito Santo, e, quando tivermos recebido o Espírito Santo, ele será para nós como um princípio de revelação, um testemunho do Pai e do Filho.

Bem, que tipo de igreja tereis? Paulo, ao falar dos coríntios, procede a representar a Igreja de Cristo como o corpo de um homem. Mostra que toda parte do corpo deve agir em uníssono; a cabeça, os olhos, os ouvidos, a boca, os pés, todos devem trabalhar em conjunto para que o corpo seja perfeito, e para que não haja cisma. Diz-se-nos também que Deus estabeleceu na Igreja Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores, e Instrutores, para o aperfeiçoamento dos Santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo. Ora, temos tido bastante independência de espírito para crer nesta doutrina. Isto é "mormonismo." É a fé em Cristo, o arrependimento dos nossos pecados, o batismo para a remissão dos nossos pecados, e a recepção do Espírito Santo pela imposição das mãos. Estes são os princípios em que nós, como Santos dos Últimos Dias, cremos. Não cremos que Deus jamais tenha tido uma igreja sobre a terra sem Apóstolos e Profetas nela, sem inspiração nela. Abolir qualquer dos princípios do Evangelho causaria um cisma na Igreja de Cristo. Quando se corta a cabeça de um homem, ele morre. Pode viver se perder um braço ou uma perna, mas, se lhe cortardes a cabeça, morrerá. Precisamente assim é com a Igreja de Cristo. Cremos na Bíblia; cremos em todas as profecias; cremos que Deus quis dizer exatamente o que disse e disse exatamente o que quis dizer; cremos que as profecias das escrituras não são de interpretação particular; cremos na segunda vinda de Cristo; cremos que os juízos do Deus Todo-Poderoso serão derramados sobre esta geração. Toda a incredulidade do mundo não deterá o cumprimento dos decretos do Todo-Poderoso. A incredulidade dos habitantes do mundo antediluviano nos dias de Noé não deteve o dilúvio. A incredulidade dos habitantes de Sodoma e Gomorra não evitou a destruição dessas cidades. A incredulidade dos judeus não evitou a destruição de Jerusalém. Esperamos um cumprimento literal dos decretos de Deus. Sabemos, como povo, que ele pôs a sua mão para estabelecer a sua Igreja. Pôs a sua mão para advertir todas as nações. O Santo Sacerdócio foi restaurado, não pelo poder do homem, mas pelo poder do Deus Todo-Poderoso.

Como disse, cremos no Livro de Mórmon como contendo um registro dos antigos habitantes deste continente, e uma chave para as ruínas que têm sido descobertas em várias partes desta terra e para as quais o mundo não consegue encontrar origem. Toda a história destas coisas, contudo, é indicada no Livro de Mórmon, e, se o mundo apenas se desse ao trabalho de ler aquele livro, compreenderia estas coisas mais perfeitamente. Os índios americanos são um remanescente dos antigos habitantes deste continente. Os seus antepassados eram um povo iluminado. Tinham o Evangelho entre eles e o poder de Deus se manifestava em seu meio; mas, quando se tornaram ímpios e se afastaram de Deus, os juízos do Todo-Poderoso caíram sobre eles e foram derrubados e destruídos por guerras. Os lamanitas, hoje um povo pisoteado, são um remanescente da casa de Israel. A maldição de Deus os tem seguido, como fez com os judeus, embora os judeus não tenham sido escurecidos na pele como os lamanitas. O destino dos judeus, a este respeito, é um monumento permanente contra toda incredulidade. A predição de Jesus a respeito deles se cumpriu literalmente. Ele predisse que seriam levados cativos para todas as nações, e que Jerusalém seria pisoteada pelos gentios, até que se cumprissem os tempos dos gentios. Quando Pilatos estava disposto a soltar Jesus, por não encontrar culpa nele, os fariseus e os principais sacerdotes, cheios de preconceito, não o permitiram. Clamaram: "Crucifica-o, crucifica-o, e seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos." A predição de Jesus foi comprovada, e o seu cumprimento está hoje diante do mundo. Os judeus têm sido pisoteados sob os pés dos gentios por 1.800 anos, e hoje são perseguidos nas nações europeias. Por quê? Porque aquela maldição de Deus repousa sobre eles e há de repousar sobre eles até que Siló venha, até que sejam reunidos de novo a Jerusalém e reconstruam a cidade em incredulidade. Não se pode converter um judeu. Nunca crerão em Jesus Cristo até que ele venha até eles em Jerusalém, até que estes judeus fugitivos levem de volta o seu ouro e a sua prata a Jerusalém e reconstruam a sua cidade e templo, e o farão, tão certo como o Senhor vive. Então dirão os gentios: "Vinde, subamos a Jerusalém; subamos e a saqueemos. Os judeus tomaram o nosso ouro e a nossa prata das nações da terra — vinde, subamos e lutemos contra Jerusalém." Então se cumprirão as profecias que estão diante de vós. O Evangelho foi pregado primeiro aos judeus e depois aos gentios. Os judeus rejeitaram a mensagem: os gentios a receberam, e a eles foram dados todos os dons e bênçãos do Evangelho. Mas Paulo lhes disse que tomassem cuidado para não caírem pelo mesmo exemplo de incredulidade. Contudo, com o tempo, nós, gentios, nos afastamos do reino de Deus, e a igreja foi para o deserto. Não houve organização da igreja de Cristo sobre a terra desde os dias dos antigos Apóstolos até os dias de Joseph Smith, que veio nesta grande e última dispensação, e que, por inspiração e poder do alto, novamente restaurou o Evangelho. O mundo não crê nisto. Nada podemos fazer quanto a isso. A incredulidade do mundo não torna a obra do Senhor sem efeito. O Senhor pôs a sua mão para estabelecer a sua igreja e reino, e a voz de aviso é para todos os homens. Chamou o seu servo para dar testemunho disto a todas as nações. É isto que o Senhor está fazendo com estes desprezados mórmons. E já os membros de quase toda seita debaixo do céu abraçaram esta obra, embora o nosso número seja pequeno comparado ao mundo cristão. Esperamos isto. Assim como foi nos dias de Noé e de Ló, assim será na vinda do Filho do Homem. Estes princípios são verdadeiros. O mundo não sabe o que o aguarda, tanto quanto não o sabiam nos dias de Noé, ou nos dias dos judeus.

Mas, por que este furor contra os Santos dos Últimos Dias? Sabeis? "Ó sim, sabemos. Sois polígamos. É isso que se passa." Bem, na verdade! Ora, deixai-me fazer-vos uma pergunta. Éramos polígamos quando fomos expulsos dos condados de Jackson e Clay? Ora, a pior perseguição que já sofremos foi antes de a poligamia nos ser revelada, ou antes de a recebermos. Que causa tinham, então, os missourianos e outros, para nos expulsar no princípio? "Ó, credes em revelação, credes em profetas: não podemos suportar estas coisas, estão todas acabadas. Estas coisas foram dadas apenas nas eras sombrias do mundo, mas hoje, vivendo como vivemos no esplendor do glorioso Evangelho, não precisamos delas; mas, se credes como nós, e vos espalhardes entre os metodistas, etc., e fizerdes como eles fazem, tudo ficará bem." Ora, senhores, não é poligamia. Que vos importa a poligamia? Que importa a poligamia à nossa nação? Que importa a poligamia aos sectários? Deus abençoe as vossas almas, nada. Mas talvez nove por cento destes mórmons sejam polígamos. Terrível! Ora, não tendes males em Nova Iorque? Não tendes males em Boston? Não tendes males em parte alguma? Sois todos perfeitos? Se assim é, estais muito bem; estais certamente preparados para a salvação. Mas não, meus amigos, digo-vos: se abandonássemos hoje a poligamia — se disséssemos ao nosso governo, "Ó sim, abandonaremos a poligamia" — ora, a próxima coisa que diriam seria: Mas ouvi bem; tendes de abandonar mais do que isso." Dir-nos-iam, como fizeram os missourianos, que temos de deixar de crer em profetas, apóstolos e revelação. O mesmo sentimento existe hoje que existia então.

Nós, Santos dos Últimos Dias, somos chamados para fora do mundo. Recebemos o Evangelho de Jesus Cristo. O Senhor Todo-Poderoso levantou Profetas e Apóstolos em nosso dia, e pôs a sua mão para estabelecer o reino que Daniel viu em cumprimento de revelação e profecia. Fomos reunidos das nações da terra para estes vales das montanhas. Sião está crescendo e aumentando. Assim tem sido desde o princípio. Nunca houve uma hora, desde a organização desta Igreja, em que o nosso curso não fosse para diante e para cima. Mesmo em meio à lama e à água, nas margens do Rio Missouri, onde, por um decreto do Governador Boggs, cerca de 10.000 foram expulsos — sob quaisquer circunstâncias em que fôssemos colocados, a mão de Deus tem estado sobre nós. O Todo-Poderoso pôs a sua mão para reunir os mansos da terra. E, após o nosso testemunho, virá o testemunho de trovões e relâmpagos. Lede as revelações de São João; vede os sinais dos tempos, e preparai-vos para o que há de vir. Confiamos em Deus. Não podemos permitir-nos negar o Senhor, não podemos negar as suas revelações. Temos um código de revelações chamado Doutrina e Convênios. Esse código, dado pela boca de Joseph Smith, contém as mais sublimes revelações a respeito desta geração que jamais foram dadas ao mundo. Muitas destas revelações tiveram o seu cumprimento até onde o tempo o permitiu. Joseph Smith foi um verdadeiro Profeta de Deus. Viajei milhares de milhas com ele, e, de fato, a revelação que ele deu a respeito da guerra que eclodiria entre o Norte e o Sul, eu próprio escrevi essa revelação tal como foi dada pelo Profeta vinte anos antes de se cumprir. Essa revelação foi publicada ao mundo inteiro, e refiro-me a ela apenas porque é algo claro para a mente de todos os homens. Todas as revelações no Livro de Doutrina e Convênios, na Bíblia, e no Livro de Mórmon, terão o seu cumprimento na terra.

Vivemos num dia importante. Vivemos na mais importante dispensação que Deus jamais deu ao homem. Uma grande mudança nos aguarda; uma grande mudança aguarda Sião, o nosso Governo, e todo o mundo cristão. Os sinais dos tempos indicam a vinda do Filho do Homem em poder e grande glória. Mas, antes da sua vinda, o Evangelho tem de ser pregado a todas as nações. Temos pregado o Evangelho por cinquenta anos, e por ele alguns têm sido reunidos das nações da terra para estes vales das montanhas. É por isso que o mundo nos odeia. É porque o Senhor nos chamou para fora do mundo para estabelecer o Evangelho eterno. E quero dizer aos Santos dos Últimos Dias: Tende fé nas revelações de Deus; tende fé nas promessas que foram dadas. Devemos estar preparando-nos para os grandes eventos que nos aguardam. As trevas cobrem a terra, e a escuridão densa o povo. O Senhor está retirando o seu Espírito das nações da terra, e o poder do diabo está ganhando domínio sobre os filhos dos homens. Vede como o crime está aumentando. Há cinquenta anos, quando o Livro de Mórmon foi traduzido por Joseph Smith, não havia um assassinato onde hoje há mil; não havia uma fornicação onde hoje há mil; e assim podeis percorrer todo o negro catálogo do crime. "Tudo o que o homem semear, isso também ceifará." "Com a medida com que medirdes, sereis medidos." Vede a maldade que está a aumentar no mundo, cobrindo a terra como as águas do grande abismo. Qual será o fim? Morte, destruição, redemoinhos, pestilência, fome e os juízos de Deus serão derramados sobre os ímpios; pois o Senhor tem retido estes juízos até que o mundo esteja plenamente advertido. Para este fim temos labutado diligentemente por cinquenta anos, na medida em que tivemos oportunidade. Mas todos estes juízos hão de vir. Os selos serão abertos; praga seguirá praga; o sol e a lua serão escurecidos; e a incredulidade do mundo não fará diferença alguma para que todas estas coisas se cumpram.

Tenho um desejo, convosco, como Santos dos Últimos Dias, de que possamos guardar a fé, vencer o mundo, e magnificar os nossos elevados e santos chamados. Seremos responsabilizados perante o Senhor pela luz que possuímos. Devemos ser diligentes e fiéis em nossos labores, pois, se voltarmos as costas à verdade, uma vez conhecendo-a, estaremos sob condenação muito maior do que aqueles que rejeitaram a verdade. O que nos possa ser exigido sofrer pela causa do Evangelho não vem ao caso. Esta nação e toda outra nação estão nas mãos de Deus. O vosso destino está nas mãos de Deus. Os homens não podem ir além do que o Senhor lhes permitir. Mas devemos ser fiéis a Deus e ao nosso próximo, sempre prontos a fazer o que nos for exigido.

Rogo a Deus, nosso Pai Celestial, que a sua bênção esteja sobre nós; que os corações do povo da nossa nação e de outras nações se abram à luz do Evangelho, para que não sigam o rumo que os judeus seguiram, pois sabemos o que isso lhes custou. Custará a esta nação, ou a qualquer outra nação, o mesmo, derramar o sangue dos servos de Deus. Seja qual for o rumo que uma nação siga a este respeito, terá de pagar a conta. A constituição do nosso país é uma das melhores que já foi dada a algum governo. Os nossos antepassados foram inspirados por Deus a escrever esse instrumento. Tenho respeito pelo nosso governo, bandeira e constituição. Sei que esta nação foi levantada pelo poder de Deus para um certo propósito, e para estabelecer o seu reino sobre ela, e, na medida em que cumprirmos o nosso dever, o Senhor nos sustentará. Aqueles que labutam para estabelecer o reino de Deus na terra serão abençoados, e aqueles que combatem a obra de Deus serão responsabilizados pelos seus atos.

Sinto o desejo de dar o meu testemunho da verdade desta obra. Sei que Joseph Smith foi um Profeta de Deus, e tenho o desejo de ser fiel com o restante dos meus irmãos, para que eu possa herdar a vida eterna, por amor de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoWilford Woodruff, “O Objetivo de Nos Reunirmos—O Sacramento, Etc”, (1881-06-12). Pulpit Vault, 1881-06-woodruff-the-object-of-assembling-together-etc. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).