As Observações do Irmão Woodruff—Os Profetas e Servos de Deus Rejeitados em Quase Todas as Épocas, Etc
George Q. Cannon
Ouvi com grande satisfação e prazer as observações que foram feitas pelo Irmão Woodruff esta tarde, e sei que são verdadeiras, e que serão proveitosas para todos aqueles que as guardarem em seus corações e as aplicarem em suas vidas. ¶
Enquanto ele falava, veio-me à mente a pergunta a respeito dos profetas e homens de Deus que viveram em dias antigos — houve algum profeta de Deus — um homem que tinha uma mensagem de Deus — que fosse recebido pela geração entre a qual viveu? Tiveram muito poucos, na verdade. O Profeta Jonas destaca-se quase como uma exceção. Nínive de fato se arrependeu quando ele foi até ela com a mensagem de Deus; mas, desde Noé em diante, um profeta após outro foi rejeitado pelas gerações a quem foram enviados e a quem trouxeram mensagens do Todo-Poderoso. Até Moisés, embora bem-sucedido em conduzir para fora os filhos de Israel, escapou com dificuldade de ser apedrejado até a morte pelos seus próprios seguidores. E assim foi com todo profeta até os dias do próprio Salvador. Jesus foi perseguido; Jesus foi escarnecido, Jesus foi rejeitado. Jesus, cuja vinda fora predita pelos santos profetas, e a nação inteira estando em sua expectativa, foi rejeitado porque não veio de acordo com as ideias, as noções preconcebidas do povo — isto é, dos seus próprios parentes, a quem foi enviado. ¶
O mundo alberga certas ideias a respeito da verdade, alberga certas ideias a respeito de Deus e a respeito dos seus servos, e quando homens vêm até eles com algo que conflita com essas ideias, são levados a rejeitá-los, e não é senão depois que um homem morre, não senão, em muitos casos, depois que o seu sangue foi derramado, que ele é reconhecido como Profeta de Deus. De fato, foi uma acusação do Salvador contra os judeus que eles ornamentavam os túmulos e sepulcros dos Profetas que haviam matado. Mataram-nos, mas depois da sua morte os seus filhos disseram: "Se tivéssemos vivido nos seus dias, não teríamos matado os profetas, teríamos recebido o seu testemunho," enquanto tratavam os Profetas em seu meio da mesma forma que os seus pais haviam tratado os predecessores destes. Mas é preciso tempo para levar os homens a estimar os Profetas. Foram precisos séculos para santificar a memória do Filho de Deus; séculos decorreram antes que Ele fosse reconhecido pelo mundo como o ser que os seus discípulos testificaram que era. Para a sua geração, era um vil impostor, e foi considerado merecedor da morte mais ignominiosa que se pudesse infligir — ser crucificado entre dois ladrões. Ora, tinham a evidência mais irrefutável, como supunham, de que ele não era o Filho de Deus. "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" "Por quê," disseram, "tu és também da Galileia? Examina, e verás que da Galileia nenhum profeta surgiu." Ele era galileu, e, portanto, por causa do seu humilde nascimento e das suas circunstâncias, julgaram-se perfeitamente justificados em rejeitá-lo. E, como foi citado hoje, estavam tão confiantes de que ele não era o ser que afirmava ser, que disseram: "O seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos." Sentiam-se tão seguros ao clamar pela sua crucificação, que estavam dispostos a incorrer em todas as penalidades que pudessem ser infligidas sobre si mesmos e sobre a sua posteridade pela morte de um homem que, na sua estimação, era um impostor tão vil. ¶
Da mesma forma, será preciso tempo para que os méritos das predições de Joseph Smith sejam reconhecidos. Serão reconhecidas? Sim. Joseph Smith proferiu predições que não podem ser contestadas, e que se cumpriram. Antes da sua morte, predisse que os Santos dos Últimos Dias se tornariam um grande povo nas Montanhas Rochosas. Anos antes de sermos obrigados a deixar os Estados, predisse que o Sul se rebelaria, e que a guerra civil eclodiria na Carolina do Sul. Essa predição estava impressa muitos anos antes de se cumprir. E quando parecia que a rebelião iria eclodir na Flórida, os Santos dos Últimos Dias nunca tiveram dúvida alguma sobre onde a guerra começaria. Sabiam que a palavra de Deus havia sido pronunciada, e que se cumpriria. E cumpriu-se, literalmente, assim como muitas outras predições que foram proferidas. ¶
Mas será que estas coisas chegam ao homem de uma forma que o homem as receba? Não: entram em choque com o orgulho mundano. Provocam a mesma oposição que Paulo enfrentou quando estava em Éfeso, quando os ourives clamaram: "Grande é a Diana dos efésios." E bradaram e clamaram tanto em favor de Diana, que a sua voz foi abafada. Assim é hoje. Estas coisas entram em choque com instituições estabelecidas, com ofícios estabelecidos; o ofício do homem está em perigo, e daí o clamor. Há um grande clamor, e vem daqueles cujo ofício está mais em perigo. Sempre foi assim, e sempre será assim enquanto o homem continuar sob a mesma influência que agora opera sobre ele. ¶
A organização desta Igreja não coincide com a mentalidade dos homens, é contrária aos seus sentimentos, entra em choque com as suas tradições e os seus preconceitos. "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?" É a mesma ideia. Pode vir alguma coisa boa de Joseph Smith, um homem sem instrução? Pode vir alguma coisa boa do povo "mórmon"? E o mundo inteiro parece estar em tumulto. Toda mentira concebível é contada sobre este povo. Bem, isto continuará a ser o caso; não tenho dúvida alguma disso em minha mente. Temos esta luta a travar, e todo povo que já esteve na nossa posição a teve antes de nós. Toda reforma jamais efetuada entre os homens teve de ser efetuada em face da oposição, e frequentemente as pedras fundamentais foram assentadas no sangue dos homens que foram os instrumentos nas mãos de Deus para lançar o fundamento. A oposição, a este respeito, não é coisa nova. É tão antiga como Adão, que deva haver oposição a enfrentar. Jesus a predisse, porque sabia que era a história do passado, e sabia que se repetiria. Assim, aqueles que abraçam o "mormonismo," ou o Evangelho de Cristo, podem contar com isto. ¶
Mas há esta diferença entre a dispensação em que estamos empenhados e as demais dispensações que a precederam: temos a promessa de Deus de que a sua obra, introduzida nesta dispensação da plenitude dos tempos, jamais será derrubada, de modo que esta dispensação difere, a este respeito, de toda dispensação que a precedeu. Não há como deter esta obra. Os homens podem combatê-la, podem matar aqueles que a defendem, e usar todos os meios ao seu alcance contra ela; mas o decreto de Jeová já foi proferido a seu respeito, e ela se espalhará e crescerá e reunirá dentro do seu redil toda alma mais santa por toda a terra, mais cedo ou mais tarde, não fazendo guerra, não atacando, não assaltando, mas pelo poder da verdade divina e pelo espírito que a acompanha, testificando a toda alma honesta. E, à medida que aumentam estas tribulações de que falou o Irmão Woodruff — pois hão de aumentar, também em nossa própria terra; têm aumentado, e continuarão a aumentar — os homens ficarão inquietos em suas mentes quanto ao que farão e onde buscarão proteção; pois virá o dia em que um governo estável nestes Estados Unidos será muito difícil de encontrar. Os elementos que hão de produzir esta instabilidade já estão operando. Os homens ficarão felizes em buscar refúgio, felizes em buscar proteção, felizes em viver em qualquer lugar onde homens e mulheres sejam honestos e verdadeiros, e onde os princípios que o Irmão Woodruff anunciou, os princípios da verdadeira liberdade, sejam mantidos, e Deus conceda que sejam sempre mantidos. ¶
Tem-se dito que aqueles que foram perseguidos se tornarão, por sua vez, quando chegar a sua vez, perseguidores. Isto tem sido dito a nosso respeito. "Ora," tem-se dito, "vós estais agora em minoria. É muito bom apelar pela liberdade e defender os direitos do homem. Mas esperai. Se algum dia obtiverdes poder, vós que fostes perseguidos vos voltareis e perseguireis outras pessoas." Isto tem sido lançado contra nós como comprovando a história do passado. Os Padres Peregrinos, cita-se, fizeram isto. Depois de serem eles próprios perseguidos, voltaram-se e perseguiram outros — episcopais, quakers, batistas, etc. — que não acreditavam como eles. Ora, nós ainda não fizemos isto. Não o fizemos quando tínhamos tudo ao nosso modo nestas montanhas, a mil ou mil e duzentas milhas de qualquer outro povo. Demos plena liberdade a todos, e nunca houve uma hora, desde que primeiro ocupamos este país, em que os nossos tabernáculos, pavilhões e outros lugares de culto não estivessem abertos a homens de toda denominação, para pregarem dentro das suas paredes ou sob a sua sombra. Repetidas vezes os nossos filhos foram convidados a este tabernáculo para ouvir ministros de diferentes denominações, para que soubessem o que outros povos ensinavam; isto tem sido feito segundo o princípio que o Irmão Woodruff enunciou, de que, se eles têm uma verdade que nós não temos, estamos dispostos a trocar os nossos erros por essa verdade. ¶
Eu não daria muito por uma religião que não resistisse ao contato com o mundo. Disse-se uma vez, a respeito do Presidente Young, que ele leu a observação de que não daria muito por uma religião que não pudesse resistir a uma só estrada de ferro. Penso o mesmo. Se a minha religião não puder resistir a todas as estradas de ferro que aqui possam ser trazidas, não a quero para mim nem para os meus filhos. Se há algo superior ao que acreditamos fora da nossa religião, que venha, nós o receberemos com alegria. Não estamos desposados com a nossa religião senão na medida em que é verdadeira. Na medida em que é verdadeira, estamos a ela desposados, e, como tal, a temos abraçado, como tal a mantemos, e como tal esperamos morrer, crendo nos seus preceitos e praticando-os; mas se alguém tem algo melhor, que venha. Já sacrificamos o suficiente pela verdade para mostrar que a amamos. Abandonamos tudo pela verdade em que acreditamos, e um povo que esteve disposto a ver as suas casas queimadas, as propriedades destruídas, e a ser expulso para o deserto como fomos, e a criar lares nesta terra desolada — um povo que esteve disposto a fazer isto não deveria hesitar em aceitar qualquer verdade que lhe seja apresentada, e não creio que hesitará. Não demos evidência alguma de tal tendência em momento algum, nunca ouvi falar disso, mas tem havido uma constante disposição para receber a verdade. ¶
E esta doutrina do matrimônio plural, de que tanto se fala; mostramos a nossa devoção à verdade ao abraçá-la. Se a sua prática tivesse sido da mesma natureza daquela que é popular no mundo, não se teria dito uma palavra contra nós. Não é porque outras pessoas não pequem com mulheres que se levanta o clamor contra nós. Não é por pecar com mulheres, é por casar com mais de uma mulher — o que poderíamos ter evitado, se a licenciosidade fosse o nosso objetivo — que somos atacados. Quando Deus revelou esse princípio aos Santos dos Últimos Dias, houve homens que sentiram que preferiam ir para a sepultura a pôr em prática tal princípio. Eram homens que tinham vivido toda a sua vida e tinham sido fiéis aos convênios que fizeram com as suas esposas, e o pensamento de casar com mais de uma mulher era tão repulsivo quanto podia ser para qualquer homem no mundo. Recuavam diante disso. Ouvi o próprio Presidente Young dizer que, quando o carro fúnebre passava pela sua casa em Nauvoo a caminho do cemitério, pensou que gostaria de ser o ocupante daquele carro fúnebre e do caixão que ele continha, quando pensava nesta doutrina e no opróbrio que desceria sobre ele e sobre o nosso povo, quando se soubesse que acreditávamos e praticávamos o matrimônio plural. Aqui está o Presidente Taylor, e o Irmão Woodruff, que falou, e outros homens de idade madura naqueles dias — eles sabem como foi. Teriam recuado diante disso, se pudessem, mas o próprio fato de o terem abraçado deve ser suficiente para mostrar ao mundo que são devotados ao princípio, que estiveram dispostos a dar a vida, se necessário, para pôr em prática o princípio. Seria mais barato, sem dúvida, abandonar as esposas plurais e seguir os caminhos do mundo. Pensais que eu teria alguma perseguição se tivesse uma esposa aqui e uma ou mais amantes em Washington? De modo algum: não se diria uma só palavra sobre as minhas relações conjugais ou os meus assuntos domésticos; nem uma só palavra. Sei disto. Como o sei? Porque há aqueles que se encontram nessa condição. Mas porque os homens casam com esposas e dão os seus nomes aos seus descendentes, e não se envergonham deles, e são fiéis a essas esposas e não saem do círculo familiar, e creem que um homem que o faz merece ser morto — porque fazem isto, são desacreditados e todo o inferno se agita. Ora, se estas coisas são erradas, praticamo-las sem saber que são erradas. Cremos que são verdadeiras. Cremos que este princípio foi revelado para a salvação das mulheres. E um homem assume grande responsabilidade quando entra nesta ordem. Refleti um momento sobre isto: um homem casa com uma esposa, e o faz — se o faz corretamente — com o claro entendimento entre ambos, de antemão, de que, se for correto tomar outra, segundo os preceitos da sua religião, poderá fazê-lo. Bem, ele toma outra esposa. Qual é o resultado? Duplica a sua responsabilidade, aumenta o seu cuidado. Que homem de bom senso ou de princípios haveria que assumisse levianamente estas obrigações? Faria algum homem isto para satisfazer a luxúria? Seria um tolo e um vilão se o fizesse. Um homem nesta posição, se sente como deve, sentirá que recai sobre ele grande responsabilidade em cuidar dos filhos de tais matrimônios, na sua educação e formação, e em preservá-los do vício. E o que há para induzi-lo a assumir esta responsabilidade senão o princípio? ¶
Desejamos não ter margem alguma de mulheres solteiras entre nós. Não queremos entre nós instituições que não sejam de Deus, e que propaguem a morte e a doença. Desejamos que toda mulher se case, e, como não há mais mulheres do que homens em Utah, se todo homem se casar, não haverá matrimônio plural, este cessará, e esse é o melhor remédio no mundo para esta "poligamia de Utah," como é chamada. Que todo homem se case, e não haverá mulheres solteiras em idade de casar. Mas, como nem todos os homens se casarão, temos casos de duas ou mais mulheres que amam um homem e que escolhem viver juntas, e viver juntas virtuosa e corretamente. ¶
"Ah, mas," diz alguém, "há uma lei do Congresso contra tal coisa." Sei disso, e não estou aconselhando homem algum a fazer algo que o torne sujeito a ir para a Penitenciária. Mas estou falando de princípio, daquilo em que cremos e que praticamos, e daquilo que nos tem impelido à ação neste assunto. Levei alguns dos meus filhos a Washington, e disse-lhes: "Vede agora aqui o outro lado. Quero que tenhais a oportunidade de ver a sociedade, e de compreender algo dela fora do nosso Território." Não enganaria uma criança. Poria diante das crianças tudo o que fosse necessário para lhes dar luz sobre este assunto, para que o pudessem compreender. Gostaria que cada uma das minhas filhas o compreendesse plenamente; e, ao falar assim da minha própria família, falo de toda moça nesta comunidade. Quero ver uma comunidade virtuosa, livre dos vícios que infestam o mundo. Doenças comuns em outros lugares são desconhecidas nesta terra, entre o nosso povo; e agradeço a Deus por isso, e oro para que continue a ser assim. ¶
Tornar-nos-emos perseguidores, por nossa vez? Não. Por quê? Não temos os mesmos motivos que impelem aqueles que perseguem. Os perseguidores geralmente creem que aqueles a quem perseguem estão condenados a passar as idades sem fim da eternidade no fogo do inferno, a menos que possam ser levados a arrepender-se dos seus erros. A perseguição torna-se, portanto, para eles, em muitos casos, um método altamente justificável e meritório de salvar almas. Este tem sido o sentimento que impeliu muitos perseguidores em toda época — um zelo santo e ardente para arrancar almas da perdição. Os homens que têm sido mais zelosos em levar homens à prisão e infligir tormento têm sido, via de regra, homens zelosos e sinceros na sua religião. Pensavam que era melhor destruir o corpo do que a alma fosse condenada ao inferno; pensavam que era melhor que os hereges ardessem uma hora ou duas na terra do que ardessem eternamente. Mas será que os Santos dos Últimos Dias têm tais opiniões a respeito do castigo futuro? Cremos que há um inferno sem fim. Não cremos, porém, que os seres humanos sejam a ele condenados eternamente. O inferno pode não ter fim e o castigo pode não ter fim, mas disso não se segue que aqueles que a ele são condenados nele permaneçam eternamente. Cremos que os homens serão recompensados pelos feitos praticados no corpo, e portanto podemos permitir-nos ser liberais em nossas opiniões a este respeito. Como disse o Presidente Woodruff, daríamos a todo homem o direito de adorar a Deus segundo os ditames da sua consciência, sabendo que ele terá de responder pelos seus atos, e que não é da nossa conta senão apresentar-lhe a verdade tal como a entendemos, e, se ele a aceita, muito bem, se a rejeita, deve arcar com a consequência. ¶
Quanto a nós, opomo-nos a sermos agarrados pela garganta, porque os homens pensam que estamos em erro. E, para evitar isto, temos fugido várias vezes, deixando tudo, e finalmente saímos para o deserto, pensando que poderíamos ter paz por algum tempo, o que temos tido. Mas este povo poderia igualmente tomar asas e voar do planeta como tentar sair do alcance do mundo. Um homem eminente que me visitou aqui disse-me numa ocasião: "Quando vejo este belo vale, e vejo como estais confortáveis, desejaria que estivésseis fora dos Estados Unidos." "Por quê," disse eu. "Porque," disse ele, "posso prever os problemas que tereis, e que não vos será permitido permanecer em paz; tereis de deixar este lugar, as pessoas não se contentarão em vos deixar ficar." "Para onde iremos?" perguntei. Poderíamos ir para os desertos do Saara, ou para o lugar mais desolado sobre a face da terra, e não passaria muito tempo até que a nossa indústria, a nossa frugalidade, a nossa união e as qualidades que nos caracterizam, atraíssem o mundo a nós. Não podemos ser escondidos. Se fôssemos para a parte mais remota da terra, para a Patagônia ou para qualquer outro lugar, aquilo que aqui testemunhamos se repetiria. Somos como uma cidade edificada sobre um monte, que não se pode esconder. Aquelas qualidades que caracterizam este povo, que nos tornam tão notáveis, que nos permitiram fazer um lugar belo do deserto, como fizemos neste país, e faríamos onde quer que fôssemos — essas qualidades atrairiam os homens até nós. Se estivéssemos numa ilha, teríamos navios vindo com comércio; num continente, teríamos estradas de ferro e meios de comunicação tais como temos hoje. Teria sido um homem audaz aquele que se tivesse aventurado a dizer — a menos que fosse um Profeta; sabeis que os Profetas tomam liberdades estranhas; Deus lhes dá liberdade para dizer coisas notáveis — que, no espaço já decorrido, se dariam tão grandes mudanças neste vale, e por todos estes vales, e que este lugar se tornaria tão importante. Ouvimos falar de estradas de ferro que aqui chegam de toda direção, fazendo de Salt Lake City o seu ponto de destino. Estamos destinados a sermos elevados. Não nos podeis ocultar, é impossível. Temos de resistir ao contato com o mundo, e se a nossa religião não resistir a tal contato, então terá de sucumbir. Mas não sucumbirá. Resistirá à prova, atravessará o crivo mais pura e melhor, e os homens reconhecerão a sua beleza. O nosso destino é entrar em contato com o mundo. Deus o predisse. Podemos esconder-nos num canto, mas Deus nos trará à luz, pois temos de entrar em contato com o mundo para provar a nossa força, para provar o que há em nós, e para aprender muitas coisas cujo conhecimento necessitamos. ¶
Rogo a Deus que vos abençoe, meus irmãos e irmãs e amigos, que faça repousar sobre vós o seu Santo Espírito e vos preserve na verdade. Amemos e apeguemo-nos à verdade com todo o nosso coração, e ela nos sustentará. É aquilo que perdurará no tempo e por toda a eternidade; e que Deus nos ajude a manter a nossa integridade e a guardar a fé, é a minha oração, em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶