Como o Evangelho é Pregado Pelos Élderes—O Valor do Treinamento Que Recebem—Uma Compilação Histórica das Experiências dos Élderes Seria Interessante—Perspectivas da Geração Nascente—A Fé dos Antigos Restaurada—O Cumprimento do Destino da Igreja Não Pode Ser Impedido—Os Santos Purificados Pela Provação
George Q. Cannon
É extremamente agradável para mim — e não duvido de que o seja para todos os Santos dos Últimos Dias — ouvir o testemunho dos servos de Deus que saíram como missionários às nações da terra, e regressaram, prestando fiel testemunho a respeito da obra de Deus, e relatando sua experiência ao declarar a palavra ao povo. ¶
Os trabalhos dos Élderes desta Igreja são, em alguns aspectos, os mais extraordinários de todos os trabalhos dos filhos dos homens de que tenho conhecimento. A pregação do que se chama Evangelho não é incomum. Há milhares e milhares de homens que professam ser ministros da vida e da salvação, e servos do Senhor Jesus Cristo, que dedicam suas vidas à proclamação daqueles princípios que estimam necessários à salvação. Mas não é coisa comum que homens saiam, depositando sua confiança em Deus e contando com Ele para o sustento necessário a permitir-lhes viver e cumprir suas missões. Temos missionários de diversas denominações que vieram aqui, como dizem, para nos esclarecer, para dissipar nossos erros, para nos colocar no caminho certo e nos indicar um plano de salvação melhor do que aquele que possuímos. Mas eles vêm aqui porque são pagos para vir. Ganham a vida vindo. É uma profissão, como a do médico ou cirurgião, que vem aqui para tratar de nossos males físicos. Neste aspecto, os Élderes desta Igreja diferem de todos os demais. Saem sem bolsa nem alforje, confiando no Senhor, depositando neles a sua confiança, dedicando seu tempo, suas energias e a capacidade que Deus lhes deu com o propósito de esclarecer seus semelhantes a respeito daquilo que sabem ser a verdade. Não conheço maior evidência do que esta de que homens poderiam dar a seus semelhantes de sua sinceridade. E quando homens saem desta maneira, é muito provável que vivam de tal modo que o espírito do poderoso Deus de Jacó esteja com eles, é provável que o busquem, que procurem em fé obter a bênção de Deus. Quando um homem tem fome, quando está sem dinheiro, quando não tem amigos, é muito propenso a buscar algum Ser que tenha poder; se tem alguma fé em Deus, é muito propenso a exercê-la, e, pelo exercício constante dessa fé, se não sabia antes de partir em sua missão que Deus vive, que Deus está próximo, que ouve e responde à oração, é muito provável que aprenda estas coisas antes de muito tempo, e assim se fortaleça em sua fé, de modo a pedir, crendo, ao pedir, que receberá exatamente aquilo que desejava. Deus, em Sua misericórdia, ordenou a Seu povo que seguisse este curso. Ordenou a Seus Élderes que saíssem e pregassem Seu Evangelho, não por salário, não por paga, não pelo prazer de desfrutar de bons momentos e do favor da humanidade, mas para que fossem o meio, em Suas mãos, de salvar o mundo, e de prestar testemunho tão grande ao mundo a respeito deste Evangelho, que este ficasse sem desculpa, prometendo ao mesmo tempo a Seus servos que lhes levantaria amigos, de modo que suas necessidades fossem supridas. É uma das coisas mais notáveis relacionadas a esta Igreja que, desde o dia em que foi fundada até o presente, nenhum homem saiu, chamado por Deus a proclamar o Evangelho em fé, sem que regressasse prestando testemunho de que Deus lhe abrira o caminho, de que Deus o alimentara, de que Deus o vestira, de que Deus colocara no coração das pessoas a assisti-lo, de que viajou por mar, viajou por terra, viajou entre estranhos, em terras onde se falavam línguas estranhas — e ainda assim, em nenhum momento lhe faltou alimento, vestimenta, ou qualquer coisa necessária para lhe permitir cumprir a missão para a qual fora enviado. ¶
Como povo, irmãos e irmãs, não apreciamos o valor deste treinamento. Estou convencido de que nós mesmos mal compreendemos a bênção que há em tais condições educativas. Numa era de ceticismo quase universal, é de suma importância para nós, como povo, recebermos o treinamento que nossos Élderes obtêm quando saem ao estrangeiro, entre as nações da terra, pregando o Evangelho. Sem ele, careceríamos de oportunidades de pôr o Senhor à prova, de sermos nós mesmos postos à prova quanto à nossa fé, de provar, para nossa própria satisfação, que Deus vive, e que Deus ouve e responde à oração, e que Ele intervém em favor dos humildes, dos fracos e dos insignificantes quando estes se aproximam dEle em fé, em nome de Jesus, e pedem esta intervenção. Uma leitura dos diários dos Élderes desta Igreja que mantiveram registro diário do que suportaram e testemunharam, e dos diversos incidentes de suas missões, seria tão interessante quanto os Atos dos Apóstolos no Novo Testamento; pois Deus se manifestou da maneira mais extraordinária em seu favor. Muitos deste povo, antes de ouvirem falar da organização da Igreja, leram os atos e ensinamentos dos Apóstolos e do Salvador, e também as Epístolas de Paulo, e suas almas anelaram por um dia de tal poder sobre a terra. Muitos que aqui estão hoje, muitos milhares por todo este Território, que agora estão ligados a esta Igreja, quiseram poder ter vivido numa época em que esses atos eram realizados, quando homens como os descritos no Novo Testamento existiam sobre a terra. Mas a história dos Élderes desta Igreja — os milagres e manifestações do poder de Deus que testemunharam e nos quais foram os instrumentos — formaria um livro muito maior do que qualquer registro que nos foi legado. ¶
Hoje, a existência de Deus pode ser dita conhecida apenas por experiência pessoal, por comparativamente poucas pessoas. Milhares por toda a Cristandade pensam saber, por causa de suas tradições, que Deus vive e que Jesus é o Filho de Deus. Seus pais, suas mães, seus sacerdotes, seus professores, os doutrinaram com a ideia de que existe tal Ser como Deus, e que Jesus, Seu Filho, é o Salvador e redentor do mundo, e supõem saber e compreender estas coisas. Mas quantos há que possam testificar, por experiência pessoal, que sabem que Deus vive? Quantos podem dizer que pediram e receberam, ao suplicar em nome de Jesus, precisamente as bênçãos que desejavam e de que necessitavam? Comparativamente poucas pessoas, entre as massas que vivem sobre a terra. Por isso, Deus Se afastou delas, e elas dizem que não adianta invocar a Deus, que não adianta inculcar a crença de que Ele ouvirá e responderá à oração, que Ele intervirá em favor de indivíduos, ou que Ele suspenderá — para usar outra expressão — grandes leis naturais para realizar certos resultados. E, contudo, Deus não suspende as leis naturais quando intervém em favor de Seu povo. Diz-nos o Novo Testamento que Jesus ascendeu, à vista de certos indivíduos, ao céu. A lei da gravidade, aparentemente, poder-se-ia dizer, foi suspensa, ou a lei que prende os corpos à terra — a lei pela qual somos governados; mas o Salvador compreendia uma lei superior; compreendia leis pelas quais podia realizar isto, sem ao mesmo tempo interferir na lei geral que governa os corpos humanos; e assim, em todos estes assuntos, Deus pode intervir com Seu poder; pode ouvir e responder às orações daqueles que são humildes e O buscam. Pode dar-lhes os desejos de seu coração de uma maneira que é Sua própria; pode operar por influências invisíveis sobre a mente dos homens, e levá-los a certas coisas que resultarão no cumprimento dos desejos de outros, a respeito dos quais estes ofereceram suas orações ao Senhor. Neste aspecto, os Santos dos Últimos Dias ocupam, tanto quanto sei, uma posição única. ¶
O Irmão Nicholson observou que podia ver, entre os jovens que saíram a pregar nos últimos anos, um zelo maravilhoso, e um crescimento na fé. Isto será cada vez mais o caso. As agências que agora estão em ação em nosso meio, nossas Escolas Dominicais — cujos alunos somam mais de trinta mil — nossas Associações dos Rapazes e das Moças — cujos membros se contam aos milhares — estão fazendo uma vasta quantidade de bem. Os jovens estão sendo treinados na leitura das Escrituras. E quem pode ler as Escrituras sem crer que Deus existe, e que Ele ouve e responde às orações? O que há na Bíblia que levaria um leitor a crer que a fé não deve ser exercida hoje tanto quanto em qualquer outra época da história do mundo, ou que a revelação de Deus não deve ser desfrutada hoje tanto quanto há 1.800 anos? Aquele que lê a Bíblia e crê na igualdade do homem, crê na justiça de Deus, e em Seu caráter imutável, que Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre, terá fé nascendo em seu coração a respeito da possibilidade de ter conhecimento de Deus, e de Deus falar, de enviar Suas mensagens à terra hoje tanto quanto o fez nos dias antigos. Não creio que se possa encontrar uma criança que, se lhe for dado o Novo Testamento, a ele ou a ela, e o ler sem o preconceito que vem da intervenção de amigos e dos comentários de professores, não venha a ter fé em Deus, e não deseje saber por que Deus não realiza milagres nestes dias, e por que o poder de Deus não se manifesta agora como se manifestava nos dias antigos. Estas indagações surgirão naturalmente em seus corações, e seu desejo de participar destas bênçãos lhes será tão natural quanto qualquer outro pensamento seria. Certamente, não terão ideia alguma, a menos que lhes seja ensinado, de que estes dons e bênçãos não devem mais ser desfrutados pelos homens sobre a terra. É o falso ensino que gera tais ideias na mente dos filhos dos homens, não a Bíblia em si mesma, não o Novo Testamento, não coisa alguma que esteja escrita em nenhum desses livros, mas são ideias que vêm de fora da Bíblia. Mas dizem que, se estas coisas não cessaram, se não era a vontade de Deus que cessassem, por que é que não temos estas manifestações agora como as tinham nos dias antigos? Por que é que Deus não fala agora? Por que é que os anjos não ministram aos homens agora? Por que é que o Espírito Santo não é derramado agora? Por que não há pessoas que possuam o dom da cura, e outras manifestações do poder de Deus? Por que é que a Cristandade tem estado, por eras, sem estas bênçãos e dons em seu meio? ¶
Estas são indagações muito razoáveis, e a resposta a elas se encontra na história da Igreja, neste fato: que a humanidade não permitiria que um servo de Jesus vivesse em seu meio fazendo tais coisas, desde os dias dele e de seus apóstolos até os dias da restauração do Evangelho em sua pureza à terra. Homens inspirados não foram autorizados a viver em seu meio. Até mesmo homens que professavam ter um pouco de luz, que não professavam ter recebido revelação, mas que reivindicavam que era seu privilégio buscar a Deus e encontrá-lO e obter dEle conhecimento, até certo ponto, foram perseguidos até a morte. Lede a história das diversas igrejas reformadas, desde os dias dos Apóstolos até o tempo presente, ou até dentro de cinquenta anos, e vereis que este tem sido sempre o resultado. A humanidade esteve determinada a que uma religião reformada, e certamente a revelação de Deus, não fosse introduzida em seu meio. Não a quiseram. Vimos isto em nossa própria época, nesta nação esclarecida, ocupando a posição mais proeminente entre todas as nações da terra, notável pela liberdade, e pela liberdade de seu governo, leis e instituições. ¶
Joseph Smith, o Profeta de Deus, não arrogou para si nenhuma superioridade sobre seus semelhantes, mas disse que todo homem poderia ser profeta de Deus, poderia ter o testemunho de Jesus Cristo, se vivesse por isso. Não foi entre o povo dizer: "Fui escolhido e eleito para ser algo superior a todos vós; recebi bênçãos que nenhum outro homem pode receber." Não era esta sua doutrina nem seu ensinamento, mas dizia que todo homem que obedecesse ao Evangelho do Senhor Jesus Cristo, e tivesse as ordenanças administradas por alguém com autoridade, deveria receber o Espírito Santo, e isso o faria profeta, encheria-o do Espírito de Deus, que é o espírito de profecia; e porque declarou isto, porque declarou a igualdade do homem perante Deus, porque sustentou que as almas dos homens no século dezenove eram tão preciosas aos olhos de Deus quanto o eram no primeiro século da Era Cristã, ou em qualquer tempo anterior a essa era; porque declarou que Deus era o mesmo nestes dias tal como era nos dias antigos; porque declarou que Deus não era um Deus que fizesse distinção entre Suas criaturas; que não manifestava luz a uma geração e a negava a outra que fosse igualmente fiel em buscá-la — porque declarou estas doutrinas nesta nação e nesta época, sua vida foi sacrificada. Nossa existência hoje nestas montanhas, a existência de Utah como Território em sua forma atual, deve-se à intolerância religiosa, e deve-se também ao fato de que se levantou uma comunidade que luta pela igualdade religiosa perante Deus, que afirma ser tão boa quanto seus pais aos olhos de Deus, que sustenta que, por mais fracos e falíveis que sejam, são ao menos filhos de Deus, e os céus lhes estão abertos, se tiverem igual fé, tal como o estiveram a seus pais que viveram há 1.800, 2.000 ou 3.000 anos. Utah tornou-se um território organizado por causa deste fato: de que se gerara nos corações do povo o sentimento de buscar a Deus como o fizeram seus pais, de buscá-lO para que O pudessem encontrar e obter dEle conhecimento por si mesmos, não se contentando em ler a respeito das bênçãos, dos poderes, dos dons, e das ordenanças de salvação que foram estendidas a outros, há milhares de anos. A simples leitura destas coisas não satisfaria este povo. Nada menos do que a realização efetiva das bênçãos satisfaria os anseios de sua alma. E eles se erguem hoje como um protesto vivo contra a intolerância religiosa, e a favor da velha fé que existiu sobre a terra há milhares de anos, buscando os caminhos antigos, ensinando a seus filhos que Deus é hoje o mesmo que sempre foi, e que devem buscá-lO como o fizeram nos dias antigos para obter conhecimento dEle e a partir dEle. E começamos desta maneira: o Senhor nos ordenou ir sem bolsa nem alforje — uma boa maneira de nos testar para ver se nosso desejo de conhecê-lO era real ou não — sair no meio de um mundo cruel e insensível, oposto a nós, oposto às ideias que sustentávamos, sacerdotes sentindo, como sentiam nos dias antigos, que seu ofício estava em perigo. "Por que," diziam eles, "aqui estão homens que destruirão todo o nosso credo. Não teremos paga por nossa pregação se isto se tornar popular, nossa profissão será destruída," e desde o dia em que aquela proclamação foi feita até o presente, os mais fortes opositores desta Igreja e deste povo têm sido homens que pregam por paga, e cujos credos ficaram em perigo pela proclamação destas verdades. Hoje, não se podem realizar convenções religiosas sem que o "mormonismo" seja introduzido e apresentado como algo contra o qual se deve dirigir o poder da nação. ¶
O Senhor esteve conosco e nos ajudou, ou não teríamos podido fazer o que foi feito. Foi Sua bênção, foi a manifestação de Seu poder, que amparou e sustentou este povo. Sua palavra saiu a respeito desta obra. Não voltará sem se cumprir. Começando com seis membros, esta Igreja cresceu até se tornar um poder na terra, e não há nação que não tenha ouvido falar deste povo estranho que vive no meio das Montanhas Rochosas. As ideias que ensinamos estão revolucionando a terra, silenciosa e lentamente em alguns aspectos, mas, ainda assim, tão completamente. Somos poucos em número, mas o poder e a influência das ideias que defendemos exercem um poder que nós mesmos, aqui, não compreendemos plenamente. Isto aumentará. Como já vos disse, e a outros, as qualidades que possuem os Santos dos Últimos Dias jamais morrerão. Não podem morrer, a menos que se mate o próprio povo. Falam em destruir esta obra! Quando destruirdes a Igreja de Cristo, e a virtude, a união, a indústria, a frugalidade e a temperança da face da terra, o mundo destruirá o "mormonismo", como o chamam. Mas um povo com tais qualidades como as que exibimos, tal como Deus as desenvolveu em nós, não pode ser morto. Ideias foram geradas e nasceram, que continuarão a crescer e aumentar até encherem toda a terra, porque são verdadeiras e divinas. Se restassem apenas meia dúzia de homens vivos que tivessem esta organização e sustentassem estes princípios, continuariam a crescer e a reunir adeptos, e a espalhar-se à direita e à esquerda. Os princípios são indescritíveis em seu caráter. Uma fé foi gerada, uma fé nasceu, que continuará a viver e a crescer e a espalhar-se, precisamente pelo fato de ser verdadeira, e a verdade sempre encontra abrigo nos corações dos sinceros. Não há maneira de destruir isto, a menos que se destruam aqueles que a sustentam. Isso pode ser feito, mas não é provável que se faça. Foi feito nos dias dos Apóstolos, pela razão de que as igrejas estavam espalhadas por toda parte, aqui e ali. Estavam cercadas por seus inimigos. Satanás tinha poder na terra. Os Apóstolos foram mortos um após o outro. Todo homem que erguesse a voz em favor da revelação divina de Deus, ou que sustentasse a igualdade do homem perante Deus, e a imutabilidade de Deus, foi morto. A Igreja foi espalhada por toda parte. Paulo edificou ramos por toda a Ásia Menor. Outros Apóstolos edificaram ramos da Igreja onde quer que pudessem encontrar um lugar em que o povo recebesse a verdade. Mas estavam cercados por influências adversas, e os Apóstolos e Santos não foram deixados em paz para viver. E nós, neste dia, seríamos destruídos se estivéssemos sós, se estas influências fossem deixadas a operar contra nós. Cercai algumas poucas pessoas com multidões que lhes são ativamente hostis e agressivas, e vereis como é difícil para elas manterem seu ponto de apoio! Esta era a condição das igrejas nos dias dos Apóstolos. Estavam espalhadas por toda a Europa, a Ásia e a África, e em muitas ilhas. Os Apóstolos haviam ido a toda parte onde pudessem encontrar uma abertura. Milhares haviam sido organizados na Igreja, e nestes diversos ramos havia homens que tinham inspiração de Deus, que tinham a autoridade do Santo Sacerdócio, que podiam pedir a Deus e dEle receber conhecimento para a orientação do povo. Enquanto estes homens permaneceram, a Igreja continuou a crescer. Mas a perseguição buscou a vida de homens deste caráter. Foram escolhidos e mortos, até que nenhum restasse, até que reinasse um silêncio universal. Por todas as nações da terra, nenhuma voz se ouvia a perturbar o silêncio, nenhum mensageiro celestial, nenhuma voz do mundo eterno, nenhum homem que tivesse a autoridade de dizer: "assim diz o Senhor." Os céus se tornaram como bronze sobre as cabeças dos filhos dos homens, toda comunicação foi cortada, e, é claro, a Igreja caiu, o Sacerdócio se retirou, as ordenanças foram alteradas, e os que sobreviveram, com um pouco de fé, se acomodaram às circunstâncias que os cercavam. Essa era a condição nos primeiros dias. ¶
Mas como a condição mudou! Deus, em Sua misericórdia, ocultou este continente dos olhos do mundo. Por eras, permaneceu aqui um lugar secreto. Nem o Atlântico nem o Pacífico puderam ser penetrados até que chegasse o tempo determinado. Então, um homem foi encontrado, que foi movido pelo Espírito de Deus. Ele se apossou de uma ideia que não morreria, e sua ideia acabou por prevalecer. Navios foram lançados sobre o grande oceano, e o continente da América foi descoberto. Deus revelou a razão pela qual este continente foi ocultado por tantas eras. Se tivesse sido conhecido em épocas antigas, teria sido invadido, e não haveria espaço para a grande obra dos últimos dias. Mas Ele organizou um governo nesta terra. Sustentou os homens que o fundaram. Encheu-os de Seu Espírito, e os capacitou a travar todas as batalhas necessárias para estabelecer a liberdade religiosa, social e política, e formou-se um sistema de governo sob o qual Seu reino pudesse ser estabelecido, com todas as suas instituições, sem interferir minimamente com a Constituição. No devido tempo do Senhor, esta Igreja foi trazida à luz. Os mensageiros da vida e da salvação foram enviados às nações da terra, proclamando que Deus havia estabelecido Sua Igreja, e convidando-as a vir a uma terra de liberdade. Milhares foram reunidos aqui, desde aquele dia até este, cumprindo, de maneira notabilíssima, as predições dos profetas a respeito da reunião do povo nos últimos dias. As circunstâncias que nos cercam são muito diferentes das que cercaram nossos predecessores. Somos um corpo compacto. Cremos em nos reunir; cremos em um povo de uma só fé, vivendo juntos, adorando a Deus segundo os ditames de sua própria consciência. Isto apresenta uma sólida falange contra a oposição e a perseguição. Não podemos ser mortos hoje, um a um, como o foram nossos irmãos há 1.800 anos. As ideias em que cremos estão sendo disseminadas entre nossos filhos. Estamos crescendo. Os ensinamentos da história são que um povo como o nosso tem um destino, e não pode ser impedido de cumpri-lo. Tomai duas comunidades, uma que se multiplica e outra que apenas parcialmente se multiplica, e qual será o resultado? Mas não preciso deter-me nisto. Há uma linha de pensamento ligada a isto, sobre a qual podeis refletir em vosso tempo livre. ¶
Deus nos deu as condições apropriadas para a realização da grande obra que Ele disse que seria estabelecida e levada adiante nos últimos dias, e a ela estamos ligados; e há isto para distingui-la de todas as demais — não é um sistema feito pelo homem. Os homens podem dizer e pensar o que quiserem a respeito dela, mas, desde o Presidente da Igreja até o último homem que ingressou na Igreja com sinceridade, há uma fé e um conhecimento de que esta obra é de Deus, e a Presidência crê nisto tanto quanto o mais humilde homem na Igreja, e mais ainda. É isto que dá poder, é isto que dá influência. É porque estão cheios de conhecimento a respeito dela que a viveram, que lutaram por ela, que passaram por perseguições para estabelecê-la, que não estão relutantes em morrer por ela, se for necessário. E este é o caso com todo o povo. Por quê? Porque estão iludidos? Porque são tolos? Porque foram enganados? Não, mas porque Deus abriu os céus e derramou Seu Espírito Santo sobre eles, e lhes deu, por si mesmos, um testemunho da verdade desta obra. O norueguês, o sueco, o dinamarquês, o nativo da Suíça, ou o alemão, o francês, o irlandês, o inglês, ou o americano, junto com os islandeses, os habitantes das Ilhas Sandwich — todos a recebem em suas próprias terras, todos prestando testemunho, nas mesmas palavras, de que Deus lhes deu um testemunho da verdade desta obra. Destruí-la! Poderíeis igualmente tentar destruir os próprios céus, ou derrubar o trono de Jeová. É verdadeira. Viverá. Os homens podem apostatar — pois os homens são mortais fracos — o homem pode negar a fé, o homem pode dizer que isto tudo é uma ilusão; os homens podem morrer, mas a grande verdade continua viva. Encontrou abrigo nos corações de homens e mulheres sinceros. E estão aumentando. Seus filhos estão se multiplicando. Estão se espalhando à direita e à esquerda; vivendo vidas virtuosas, temperantes, frugais e diligentes, amando a Deus e amando seus semelhantes. ¶
Há exceções? Sim, somos humanos. O diabo ainda vive, e tem poder para tentar. Portanto, temos exceções em nosso meio. Não obstante, essas qualidades estão aumentando e se multiplicando. Encontram-se homens que as possuem, e os que estão crescendo para a maturidade, homens e mulheres, também são encontrados possuindo-as. Conhecem a Deus e O pedem, crendo que os desejos de seu coração lhes serão concedidos. E assim a obra de Deus vai se espalhando por toda a terra, encontrando lugar nos corações do povo, humilde, é verdade, mas povo que é independente — povo que é o mais nobre dos filhos da terra, pela razão de que não temem abraçar aquilo que é impopular. A obra da seleção natural vai se realizando dessa maneira. Este Evangelho está selecionando naturalmente o melhor do povo do meio da terra — homens e mulheres de posição humilde, das classes inferiores da vida, na maioria dos casos, embora haja algumas exceções, algumas nobres exceções; mas, apesar da humildade de sua origem e de suas circunstâncias, são pessoas de pensamento independente, pessoas que ousam abraçar uma verdade ainda que seja impopular, e a ela se apegam em meio a todas as influências que se levantam contra elas. Destes materiais o Senhor está edificando uma Igreja, edificando um povo, concedendo-lhe Suas bênçãos. ¶
Não conviria a Seu povo ser outra coisa senão valoroso, e, quando passar pela provação, será como ouro sete vezes purificado. Em dias passados, era a turba, era o incêndio das casas, a expulsão do povo de suas terras, e isto tem sido seguido por provações tão árduas em seu caráter, no que diz respeito a testar o povo. Por este processo, o povo se torna mais forte no Senhor. Seus pés estão plantados sobre uma rocha. Provaram a Deus por si mesmos, conheceram-nO por longos anos no meio de provações, tentações e vicissitudes tais como nenhum outro povo sobre a face da terra conhece. ¶
Agradeço a Deus por isto. Agradeço-Lhe todos os dias que vivo por esta Igreja. Agradeço-Lhe por ser um Santo dos Últimos Dias. Se apenas puder ter um nome entre este povo, sinto que não poderia ter maior consolo. Desejo estar associado a um povo deste tipo, um povo que ama ao Senhor e está disposto a fazer qualquer coisa para demonstrar sua fé nEle e seu amor por Ele, e, se necessário, dar a vida pela verdade. Não posso deixar de amar um povo deste tipo. Têm fraquezas e falhas. Eu também as tenho. Somos semelhantes neste aspecto. Se me suportarem, esforçar-me-ei por suportá-los. Sei que esta é a Igreja e o Reino de Deus. Sei que aqueles que a ela se apegarem receberão, em nome do Senhor Jesus Cristo, glória e exaltação à Sua destra. Sei que o povo que O ama, como o fazem os Santos dos Últimos Dias, e que está disposto a fazer sacrifício, não será esquecido por Ele. Ele não os esquecerá no dia em que fizer Suas joias; Ele os abençoará e os honrará. ¶
Que permaneçamos fiéis e verdadeiros até o fim, e sejamos considerados dignos de receber uma exaltação no reino de nosso Deus, é minha oração, em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶