A Autoridade Divina do Santo Sacerdócio, Etc.
Orson Pratt
Fui solicitado pelo Presidente Taylor a dirigir-me à congregação esta manhã sobre um assunto particular, no qual todos estamos interessados, a saber, a autoridade divina do Sacerdócio, os chamados divinos, as ordenanças, etc. ¶
Temos nesta Igreja vários milhares de membros do sexo masculino que detêm autoridade e poder que dizem vir do céu. Se ela vem do céu, como testificamos, e temos testificado desde o surgimento da Igreja, então o Senhor nosso Deus manifestou Seu poder, e em Sua misericórdia mais uma vez concedeu autoridade aos filhos dos homens para administrar Suas santas ordenanças, e para ocupar as posições para as quais fomos individualmente chamados. Por outro lado, se as opiniões do mundo estiverem corretas — eles não consideram que temos qualquer autoridade — estamos então no mesmo terreno e na mesma plataforma que o restante do mundo religioso; não há autoridade sobre a terra. Uma ou outra coisa é verdadeira. ¶
Nunca houve princípio mais claramente demonstrado do que este: que os habitantes da terra estão destituídos de toda autoridade divina, entre todas as denominações religiosas, sejam pagãs, maometanas ou chamadas cristãs; a autoridade não pode ser encontrada em nenhuma das várias denominações que existiram ao longo do longo período chamado a idade das trevas, até que o Senhor, em Sua misericórdia, organizou novamente Sua Igreja sobre a terra e concedeu essa autoridade; e se Ele não o fez, como o mundo diz que não fez, não há pessoa alguma sobre toda esta terra que tenha qualquer autoridade dos céus; e, portanto, estamos exatamente tão bem quanto os demais. ¶
Não devemos ao homem as diversas autoridades desta Igreja; este é o nosso testemunho. O homem não começou esta obra, o homem não é o originador desta obra, nem tampouco é ele a origem da autoridade pela qual administramos. O Senhor não achou apropriado organizar de uma só vez a autoridade desta Igreja, em todos os diversos conselhos e autoridades que, de tempos em tempos, foram ordenados entre este povo; foi uma obra gradual. A autoridade foi concedida antes de haver qualquer Igreja. Primeiro (não a autoridade do Sacerdócio), mas a autoridade para trazer à luz as placas do Livro de Mórmon, e para traduzi-las por meio do Urim e Tumim, pela inspiração do Espírito Santo. Esta foi a primeira autoridade conferida àquele que o Senhor escolheu para começar esta grande obra. A autoridade do Sacerdócio não lhe foi conferida naquele momento, mas Ele lhe revelou a respeito do evangelho eterno contido nos antigos registros mantidos pelos nefitas, ou israelitas, sobre este grande continente ocidental. ¶
Joseph Smith, quando traduziu estes registros com o auxílio do Urim e Tumim, ainda não havia recebido nenhum Sacerdócio, no que dizia respeito à sua existência temporal. Mas, agora, não me interpreteis mal quanto a esta posição. Ele já detinha o Sacerdócio antes de vir a esta terra. Observei que Joseph, no que se refere a qualquer ordenação aqui na carne, não detinha Sacerdócio algum no momento em que trouxe à luz as placas do Livro de Mórmon e as traduziu; mas ele já detinha o Sacerdócio, que lhe foi conferido nos conselhos da eternidade, antes de este mundo ser formado. Encontrareis isto registrado em um sermão proferido pelo Profeta Joseph, mostrando que não apenas ele, mas também todos os fiéis que receberam o Sacerdócio aqui nesta vida, foram ordenados antes da fundação do mundo. Consequentemente, já tinham a ordenação; essa ordenação era segundo a ordem daquele que é de toda a eternidade a toda a eternidade, um Sacerdócio eterno, sem pai, sem mãe, sem princípio, sem fim; transmitido desde toda a eternidade. Esse Sacerdócio foi conferido a Joseph Smith antes de ele vir para cá; ele estava entre os que são mencionados em "A Pérola de Grande Valor", os quais os antigos Profetas viram no céu. Moisés os viu, e Abraão os viu, a saber, os espíritos que existiam antes de o mundo ser feito; e eles viram que, entre aquele vasto número de espíritos, havia alguns escolhidos, alguns que eram nobres aos olhos de Deus, provavelmente por causa de sua integridade e firmeza em sustentar a verdade; entre esses nobres estavam aqueles que o Senhor escolheu antes da fundação do mundo para vir à terra em seu segundo estado, e para deter autoridade e poder nas diversas dispensações, e para administrar o plano de salvação à família humana. Abraão estava entre esse número. Os sumos sacerdotes que viveram desde os dias de Adão até o dilúvio estavam entre esse número, os quais foram então escolhidos e então ordenados, segundo a presciência de Deus. Está registrado no Livro de Alma, a respeito do Sacerdócio, que as ordenanças do Sacerdócio e o chamado ao Sacerdócio eram sem princípio nem fim. Pode haver um princípio para a pessoa que é chamada, mas esse Sacerdócio existia antes de essa pessoa ser chamada, e não havia princípio para o chamado, nem princípio para as ordenanças do Sacerdócio, nem princípio para o próprio Sacerdócio, transmitido desde toda a eternidade, existindo em todos os mundos que fossem dignos de ter o Sacerdócio e a autoridade de Deus. A razão pela qual faço esta observação é para esclarecer um ponto que talvez perturbe a mente de alguns dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Lestes na revelação dada no dia 22 de setembro de 1832 que, sem o Sacerdócio e as ordenanças deste, o poder da divindade não se manifesta aos homens na carne. Lestes também naquela mesma revelação que, sem as ordenanças daquele Sacerdócio e o poder deste para administrar aos filhos dos homens, nenhum homem poderia ver o rosto de Deus, o Pai, e viver. Ao lerdes esta afirmação clara, vossas mentes podem ter voltado aos dias em que não havia Sacerdócio, no que se refere à ordenação, sobre esta terra — refiro-me à ordenação que ocorreu aqui. Encontrais um menino, Joseph Smith, invocando o nome do Senhor, na primavera do ano de 1820, quando ainda não tinha quinze anos de idade; e o resultado de sua invocação ao nome do Senhor foi que uma coluna de fogo apareceu nos céus acima dele, e continuou a descer e a crescer cada vez mais brilhante, até alcançar o topo das árvores que cresciam ao redor do lugar onde ele orava; e tão grande era a glória daquela luz que este rapaz, este jovem, este menino, pareceu sentir quase temor de que as próprias árvores fossem por ela consumidas. Mas ela continuou a descer até repousar sobre este rapaz, e imediatamente sua mente foi arrebatada dos objetos ao redor, absorta em uma visão celestial, na qual viu dois personagens gloriosos, um era o Pai, o outro era o Filho. ¶
"Nenhum homem, sem o Sacerdócio, pode ver o rosto do Pai e viver." ¶
Ora, isto tem perturbado a mente de alguns dos Santos dos Últimos Dias. "Como é (dizem eles) que Joseph viveu, depois de ter visto o rosto do Pai, depois de ter ouvido as palavras de Sua boca, depois de o Pai lhe ter dito: 'Este é meu Filho amado, a ele ouvi.'" ¶
Se houvésseis refletido sobre este outro assunto, a saber, que Joseph já havia sido ordenado antes de este mundo ser feito — a que Sacerdócio? Ao Sacerdócio segundo a Ordem de uma Vida Sem Fim, um Sacerdócio que é eterno, um Sacerdócio transmitido, que não teve princípio, um Sacerdócio segundo a mais santa Ordem de Deus, um Sacerdócio que era segundo a Ordem de Seu Filho Unigênito. Se houvésseis apenas refletido que esse mesmo Sacerdócio lhe fora conferido nos conselhos dos santos antes de o mundo ser feito, e que ele fora ordenado para vir nesta dispensação da plenitude dos tempos para deter as chaves de autoridade e poder desse alto e santo Sacerdócio — que ele fora ordenado para vir e realizar a obra que Deus pretendia realizar nos últimos tempos, então o mistério teria se esclarecido em vossas mentes. Ele não estava, em realidade, sem o Sacerdócio; mas era um homem escolhido, um homem ordenado, um homem designado desde antes da fundação deste mundo, para vir na plenitude dos tempos introduzir a última dispensação entre os filhos dos homens; para vir e organizar aquele reino, que fora predito pelos antigos Profetas, que haveria de subsistir para sempre; para vir cumprir a grande e gloriosa obra de preparação para a vinda do Filho de Deus para reinar em justiça sobre a terra; ele podia ver o rosto de Deus, o Pai, e viver. Mas, depois de ter recebido esta visão celestial, depois de ter trazido à luz o Livro de Mórmon, e traduzido-o (tendo o Senhor preparado um meio pelo qual o livro pudesse ser impresso), e depois de ter recebido o mandamento do Todo-Poderoso para organizar a Igreja, e tendo recebido o Sacerdócio reconferido a ele por Pedro, Tiago e João, e antes disso tendo recebido as chaves do Sacerdócio Aarônico, no dia 15 de maio de 1829 — tendo todas estas preparações aqui na carne, além de ter sido pré-ordenado a esta missão, ele estava preparado para começar a obra que haveria de ser eterna, ou, em outras palavras, o estabelecimento do reino de Deus que jamais seria novamente tirado da terra. ¶
Sendo conferido o Apostolado — tendo sido previamente conferido o Sacerdócio Aarônico — todos os poderes do Sacerdócio repousaram sobre este homem, e ele tinha o direito e a autoridade para administrar, não apenas nos princípios introdutórios do Evangelho do Filho de Deus, pelos quais as pessoas poderiam nascer no reino, mas também tinha a autoridade e o poder dos céus para administrar em todas as sagradas ordenanças deste reino, pelo menos no que dizia respeito à edificação da Igreja, e ao exercício dos diversos ofícios do Sacerdócio. Depois de ter conferido esta autoridade e poder, o Senhor estava preparado para dar, pouco a pouco, uma porção ou grau de Sacerdócio após outro, até que, com o tempo, de acordo com a revelação dada em junho de 1829, Ele chamou doze homens para serem Apóstolos, algo como três ou quatro anos depois de a revelação ter sido dada, quando fora predito que assim aconteceria. O que sabíamos sobre os chamados e deveres deste conselho dos Doze? Nada, senão o que Deus revelou por meio de Seu servo Joseph. ¶
Depois de conferido este Apostolado, alguns foram fiéis nele, outros não; alguns perderam a autoridade do Sacerdócio, outros a conservaram, e as bênçãos de Deus recaíram sobre os que foram fiéis em seu chamado, enquanto a maldição de um Deus ofendido acompanhou aqueles que abusaram desta sagrada confiança, e seu Sacerdócio lhes foi tirado e conferido a outros que dele eram dignos. O Senhor também, quase ao mesmo tempo em que chamou os Doze Apóstolos, estava preparado para chamar Setentas para ministrar sob a direção dos Doze; e muitos foram ordenados a este Apostolado, e eram homens que se haviam provado fiéis perante o Senhor; e outros talvez tenham sido ordenados sem ainda se terem plenamente provado, e, portanto, a oportunidade lhes foi concedida, agindo segundo o arbítrio que tinham em comum com todos os homens, de se provarem perante Deus. Alguns deles foram fiéis, outros infiéis; os que foram infiéis por fim apostataram e deixaram a Igreja, enquanto os que foram fiéis continuaram em seu ofício e chamado até que muitos deles desceram à sepultura; e, tendo magnificado o bom ofício e chamado que lhes fora conferido, reclamarão, nos mundos eternos, as bênçãos pertencentes a seus diversos ofícios. ¶
E o que sabíamos sobre estes Setentas e seu chamado particular? Havia deveres específicos atribuídos a esse grupo de homens antigamente, cujo chamado pelo Salvador está registrado no Novo Testamento? Não, estávamos ignorantes. O próprio Profeta, os Doze e todos os que haviam sido chamados nada sabiam a respeito dos deveres destes Setentas até que o Senhor revelasse quais eram, e ao mesmo tempo indicou os deveres da Presidência dos Setentas, tanto os deveres dos sete homens que constituíam a Presidência de todos os Setentas quanto os dos sete homens que deveriam presidir cada Conselho dos Setentas. O Senhor manifestou estas coisas não todas de uma vez, mas de tempos em tempos, à medida que o povo progredia e era considerado digno à Sua vista de receber conhecimento adicional sobre estas coisas. Podeis perguntar por que o Senhor não deu todo o padrão de uma vez, por que não revelou tudo em um momento? Foi porque éramos então como criancinhas, e, na verdade, sou da opinião de que muitos de nós ainda somos criancinhas — e não podíamos suportar todas as coisas de uma vez; portanto, Ele nos revelou o suficiente, de tempos em tempos, para colocar nossas mentes a refletir; revelou o suficiente para nos impelir a orar a Ele; e quando orávamos a Ele a respeito de qualquer um dos deveres do Sacerdócio, então Ele o revelava. Mas Ele desejava ser buscado por Seu povo antes de revelar a plenitude do conhecimento sobre estes importantes assuntos. Este buscar ao Senhor para obter pouco a pouco, e preceito sobre preceito, o conhecimento das coisas de Deus, é exatamente a maneira como um pai sábio instruiria seus próprios filhos. Nossos pais não nos contariam tudo sobre os diversos ramos da educação quando tínhamos dois, três ou quatro anos de idade; mas nos ensinaram como crianças, dando-nos linha sobre linha até que pudéssemos compreender mais plenamente aquelas coisas que pertenciam a uma boa educação. Assim o Senhor tratou com Seu povo, como um pai sábio, judicioso e bondoso, concedendo exatamente segundo a fé dos Santos dos Últimos Dias, e segundo Sua própria mente e vontade, e Seu bom prazer. ¶
Com o tempo, depois de a Igreja ter sido organizada e não havendo Bispos, o Senhor viu que era necessário introduzir algum tipo de plano em relação às propriedades de Seu povo no Estado de Nova Iorque. O que o Senhor nos disse nessas circunstâncias, quando ainda não estávamos plenamente organizados? Disse Ele à Igreja no Estado de Nova Iorque, na Conferência Geral, pela boca de Seu servo Joseph, em uma revelação dada no dia 2 de janeiro de 1831: Que minha Igreja nesta terra fuja do Estado de Nova Iorque; que vá para o oeste, para a terra de Kirtland, e se una a meu povo no Estado de Ohio; que o faça imediatamente, para que seus inimigos não venham sobre eles, etc. O Senhor entendia o que havia nos corações dos inimigos de Seu povo; entendia o que estavam fazendo em seus conselhos secretos, em suas câmaras secretas, para efetuar a destruição dos Santos dos Últimos Dias que estavam nos Estados de Nova Iorque e da Pensilvânia. Como se realizaria esta obra? Não havia Bispo para se encarregar das propriedades. Disse o Senhor: Que certos homens entre vós, no Estado de Nova Iorque, sejam designados para se encarregar das propriedades de meu povo, daquilo que não puderdes dispor ou vender a tempo de fugir; que a tenham a seu cargo para vendê-la posteriormente em benefício da Igreja. Eis, então, uma revelação designando certos homens sem ordenação, sem o Bispado, para lidar com propriedades, para fazer aquilo que os Bispos depois seriam requeridos a realizar. Ora, eis aqui uma lição para nós. Porque o Senhor faz uma coisa no ano de 1831, e designa certos homens segundo as circunstâncias em que o povo está colocado, isto não é evidência de que sempre continuará da mesma ordem. O Senhor trata com os filhos dos homens segundo as circunstâncias, e depois varia desse plano segundo Sua própria boa vontade e prazer. Quando estes homens haviam cumprido seus deveres em relação às propriedades dos Santos, e os Santos haviam se reunido, saindo de Nova Iorque e da Pensilvânia para a terra de Kirtland, tornou-se então necessário chamar e ordenar um Bispo regular, e também seus Conselheiros. Indicou o Senhor que estes Bispos deveriam ser tomados do Sumo Sacerdócio? Não. ¶
"E também chamei meu servo Edward Partridge; e dou o mandamento de que seja designado pela voz da igreja e ordenado bispo da igreja." E, quanto à escolha de seus Conselheiros, disse o Senhor que deveriam ser selecionados entre os Élderes de sua Igreja. Por que disse Ele os Élderes? Porque os Sumos Sacerdotes, naquele tempo, ainda não haviam sido ordenados; isto é, ainda não haviam sido ordenados sob esse nome. Embora o Apostolado já houvesse sido conferido a Joseph e Oliver, mesmo eles eram chamados Élderes; a palavra Sumo Sacerdote não era conhecida entre eles, para ser entendida e compreendida, até muito tempo depois de os Bispos terem sido chamados; e é por isso que o Senhor disse ao Bispo Partridge: "seleciona entre os Élderes de minha Igreja." "Mas," dirá alguém que tenha lido a Doutrina e Convênios, "encontrareis na revelação dada a 6 de abril de 1830 algo sobre Bispos, Sumos Sacerdotes, etc." ¶
[Aqui o orador foi interrompido para que se desse um aviso importante.] ¶
Eu estava dizendo que, na época em que o Bispo Partridge foi chamado e ordenado Bispo, no dia 4 de fevereiro de 1831, ainda não havia Sumos Sacerdotes; não eram conhecidos sob esse nome, mas eram conhecidos sob o nome do Apostolado, etc., e daí que os Élderes fossem especificados como Conselheiros. Eu também estava dizendo que, na revelação dada no dia 6 de abril de 1830, nada foi dito sobre Sumos Sacerdotes no momento em que a revelação foi dada; nem sobre Bispos. Mas encontrareis dois parágrafos naquela revelação que os mencionam, parágrafos esses que ali foram colocados vários anos depois de a revelação ter sido dada, o que o Senhor tinha todo o direito de fazer; e, se fosse necessário, poderíamos citar exemplos da Escritura para mostrar que o Senhor acrescenta a qualquer revelação, quando o julga apropriado, a fim de torná-la mais plenamente compreendida. Por exemplo, recordar-vos-eis de que Baruque escreveu, da boca de Jeremias, uma longa revelação a respeito do rei de Israel e da casa de Israel. E que, quando a revelação foi dada ao rei de Israel, e depois de ele "ter lido três ou quatro folhas, cortou-a com um canivete e lançou-a ao fogo que estava na lareira, até que todo o rolo se consumisse." Deu o Senhor de novo a revelação? Sim, "e," diz a Escritura, "foram-lhes acrescentadas muitas palavras semelhantes," que não estavam na revelação anterior. Se o Senhor tomou este método nos dias de Jeremias, haveria algo inconsistente em o Profeta Joseph, anos depois, acrescentar as palavras "Bispos e Sumos Sacerdotes," a fim de que o povo pudesse compreender mais plenamente? Meu motivo em mencionar estas coisas é que o povo compreenda os caminhos do Senhor. Seus caminhos não são como os caminhos do homem, nem tampouco Seus pensamentos são limitados por nossos pensamentos ou concepções limitadas. Mas Ele faz como Lhe apraz. ¶
Com o tempo, chegou a hora em que o Senhor achou apropriado manifestar algo em relação ao nome, à autoridade e ao poder deste Sumo Sacerdócio, mostrando-nos que era segundo a ordem de Seu Filho Unigênito, que detém as chaves do poder, etc., sobre a terra. ¶
Bem, depois de o primeiro Bispo ter sido escolhido, e de dois Élderes terem sido selecionados por ele para operar junto com ele, seus deveres começaram a ser mais plenamente manifestados. Não terei tempo, nesta ocasião, para indicar os diversos deveres que foram atribuídos ao Bispo Edward Partridge, na terra de Sião, no Condado de Jackson, Missouri, e outros deveres que recaíam sobre ele enquanto ainda permanecia em Kirtland. Talvez seja bom, porém, apenas tocar brevemente em seus deveres, que foram mais plenamente manifestados quando lhe foi requerido ir, a partir de Kirtland, cerca de um dia de viagem para o sudeste, e organizar o ramo de Colesville na cidade de Thompson. O Senhor lhe disse como organizar o povo, e que havia um homem na Igreja cujo nome era Leman Copley, que possuía uma vasta extensão de terra, e ele fez convênio perante Deus de que, se o Ramo de Colesville fosse para sua terra, poderiam ter suas heranças, etc., e que poderiam entrar na Ordem de Deus, tal como fosse indicado pela voz do Profeta. E quando o Profeta Joseph foi a Thompson e empreendeu organizar o Ramo de acordo com esta promessa e convênio que fora feito, o Bispo Partridge estava lá, e lhe foi indicado como deveria tratar aquela organização em particular, que todos deveriam ser igualados, e deveriam receber suas mordomias, e deveriam consagrar toda a sua propriedade nas mãos do Bispo; e isto foi feito modelo para todas as demais igrejas em toda a vinha do Senhor. Podeis julgar se o temos guardado ou não. E seus deveres também foram manifestados na última parte do verão de 1831. E muitos dos primeiros Élderes foram mandados ir para o oeste de Kirtland, cerca de mil milhas; e a promessa era que a terra que o Senhor pretendia dar a Seu povo seria dada a conhecer, e lhes seria dito onde a cidade deveria ser edificada. Nos meses de julho e agosto daquele ano, o Senhor indicou mais plenamente os deveres do Bispo Partridge em relação à divisão da terra, isto é, a terra que fora comprada pela Igreja, dividindo-a entre as diversas famílias dos Santos. As primeiras famílias, com exceção de algumas que haviam sido batizadas naquela terra, eram as fiéis entre o Ramo de Colesville, uma das primeiras organizações da Igreja. Foi-lhes mandado fugir da cidade de Thompson, porque este homem rico quebrara seu convênio. Foram para o Condado de Jackson, e ao Bispo Partridge foi mandado dividir-lhes heranças segundo a lei da consagração. ¶
Eis, então, um Bispo cujos deveres foram dados a conhecer e especificados, e que eram muito diferentes, em sua natureza, em muitos aspectos, dos de nossos Bispos de Ala. Não podeis ver a diferença entre estes deveres atribuídos a Edward Partridge e os deveres atribuídos aos diversos Bispos de Ala de nossa Igreja? No que se refere aos deveres dos Bispos de Ala, estes coincidem perfeitamente com os deveres que foram atribuídos a este Bispo geral. Mas havia muitas coisas requeridas dele que não são requeridas dos Bispos de Ala; bastante diferentes em seus deveres e em seus chamados. ¶
Em dezembro de 1831, o Senhor achou apropriado, de novo, dar outro Bispo; seu nome era Newel K. Whitney. Era ele apenas o Bispo de uma Ala, cuja jurisdição se limitava a um pequeno pedaço de terra que se poderia chamar um lugar de residência para um Bispo de Ala? Não; era outro Bispo geral. O Bispo Partridge tinha jurisdição geral no Condado de Jackson, e nas regiões ao redor; enquanto os deveres de Newel K. Whitney se estendiam ao Estado de Ohio e aos Estados da Pensilvânia e Nova Iorque, e por todos os países orientais, onde quer que a Igreja de Deus estivesse organizada. ¶
Havia, então, dois Bispos, um com jurisdição no Oeste, a mil milhas do outro; o outro com jurisdição no Leste. Seus deveres foram indicados, mas nenhum deles era um Bispo Presidente. Mas o que eram eles? Como claramente foi mostrado pelo Presidente Taylor na reunião do Sacerdócio na noite passada, eram Bispos gerais. Com o tempo, depois de a Igreja de Deus ter sido expulsa do Estado do Missouri, tornou-se necessário ter um Bispo Presidente; e o Senhor deu uma revelação, dizendo: ¶
"Que meu servo Vinson Knight, e meu servo Shadrach Roundy, e meu servo Samuel H. Smith, sejam designados como Presidentes sobre o bispado de minha igreja." ¶
Eis, então, a primeira indicação que temos de um Bispo Presidente. Nem o Bispo Partridge nem Newel K. Whitney eram, naquela época, um Bispo Presidente, mas cada um deles detinha jurisdição distinta, presidindo em uma localidade distinta, sem que um presidisse sobre o outro. Mas quando Vinson Knight, anos depois, foi chamado, era seu dever presidir sobre todos os Bispos que então haviam sido designados. Houve algum Bispo geral depois da morte do Bispo Partridge? Sim: ¶
"Que meu servo, George Miller, receba o bispado que fora conferido a Edward Partridge, para receber as consagrações de meu povo," etc. ¶
Ele foi ordenado ao mesmo chamado, e chamado ao mesmo Bispado; não ao Bispado Presidente, mas ao mesmo Bispado conferido a Edward Partridge, para receber as consagrações da Igreja do Senhor, para administrar aos pobres e necessitados, etc. Havia, então, duas ordens distintas de Bispos, no que dizia respeito a seus deveres, jurisdição e responsabilidades, mas, como Bispos, detinham o mesmo chamado que os demais. Com o tempo, à medida que a Igreja crescia e se multiplicava sobre a terra, tornou-se necessário haver Bispos locais; daí surgiram Bispos sobre esta cidade e sobre aquela cidade, não Bispos gerais, mas Bispos de Ala, o mesmo que tendes em vossas respectivas Estacas. ¶
Ora, os deveres destes três chamados distintos daqueles que são denominados Bispos são muito diferentes, no que se refere a seus deveres. A jurisdição de um Bispo de Ala não vai além de sua Ala, a menos que seja particularmente chamado a fazê-lo. Ele deve ser selecionado, deve ser designado, e deve ser enviado a algum outro lugar a fim de ter jurisdição fora de sua Ala na capacidade de Bispo. O ofício de Bispo Presidente ainda continua, mas, por alguma razão, não temos no presente momento, tanto quanto sei, nenhum Bispo viajante ou geral como o Bispo Ed. Partridge, e como o Bispo Newel K. Whitney, que depois veio a ser um Bispo Presidente. Um Bispo viajante, em sua jurisdição, não estaria limitado a uma Ala; seria seu dever, se assim chamado e designado, viajar pelas diversas Estacas de Sião para exortar o povo a cumprir seu dever, para zelar pelos interesses temporais da Igreja, para humilhar os ricos e os soberbos e erguer os pobres e os mansos da terra. ¶
Há outra classe de Bispos. Encontramos em cada Estaca de Sião o que se denomina um Agente do Bispo. Detém ele o Bispado? Deveria ter esse ofício conferido a ele. Por quê? Porque é seu dever administrar nas coisas temporais. Estende-se sua jurisdição além da de um Bispo de Ala? Sim. Por quê? Por designação, por seleção, por ser enviado pela Presidência do Sumo Sacerdócio, segundo a ordem de Melquisedeque, para administrar nos deveres especiais de seu ofício em qualquer uma, ou em todas, as Estacas de Sião, conforme o caso, de acordo com a natureza de sua designação, e pela autoridade do Bispo Presidente. Há muitas coisas a serem levadas em consideração quando nos esforçamos por compreender o Livro dos Convênios de acordo com as revelações que ali são dadas. Porque Deus limitou Seus servos a certos deveres no início desta Igreja, isto não é prova nem evidência de que sempre trabalhará no mesmo canal. Ele ampliará as fronteiras deste reino; estenderá as cortinas de Sião; alongará seus cordões e fortalecerá suas Estacas, e as multiplicará, não apenas por todo este Território montanhoso, mas por todos os Estados Unidos, esta terra de José: e serão chamadas as Estacas da grande Cidade de Sião. ¶
Permiti-me aqui aproveitar a liberdade de dizer a esta congregação que a Cidade de Sião, quando for edificada no Condado de Jackson, não será chamada uma Estaca. Não podemos encontrar menção, em todas as revelações que Deus deu, de que a Cidade de Sião deva ser a Estaca Central de Sião; o Senhor nunca a chamou uma Estaca em qualquer revelação que tenha sido dada. Ela há de ser a sede, há de ser o lugar onde o Filho do Homem virá e habitará, onde Ele terá um Templo, no qual haverá um trono preparado onde Jesus habitará no meio de Seu povo; será a grande cidade central, e os ramos externos serão chamados Estacas, onde quer que venham a ser organizados como tais. ¶
Não podemos supor, como eu estava dizendo, que quando o Senhor assim ampliar as fronteiras de Sião e multiplicar suas Estacas, Ele será obrigado a limitar-Se àquelas circunstâncias e àquela condição de coisas que existiam quando éramos um pequeno punhado de povo. Estamos crescendo, estamos nos tornando numerosos sobre a face da terra; e chegará o dia em que a profecia de Isaías, contida no capítulo 60, será literalmente cumprida, isto é, um pequenino não apenas se tornará mil, mas o pequeno, uma nação forte. Seremos então governados, em todos os aspectos, por aquelas coisas limitadas pelas quais fomos governados em nossa infância? Não haverá mudança de circunstâncias? Sim, como há no crescimento do grão, temos primeiro a folha, depois a espiga, depois o grão cheio na espiga, mas tudo isto estará de acordo com o desenvolvimento realizado pelo progresso do reino, tal como se explica na folha, na espiga e no grão cheio na espiga; e permiti-me aqui profetizar, com base nas revelações que foram dadas pelo Profeta Joseph, e por todos os antigos Profetas, que virá o tempo em que o Senhor nosso Deus manifestará Seu poder de tal maneira que toda alma sobre a face deste grande Continente Ocidental que não crer no Livro de Mórmon, que não se arrepender de seus pecados, que não se afastar de suas iniquidades, e que não der ouvidos à voz de Seu Filho, será, como disse Moisés, decepada do meio do povo. Credes nisto? Assim há de ser. E quando chegar esse dia em que o Senhor decepará tal povo, quando chegar o dia em que Ele cumprirá as revelações de Isaías, assim como muitas outras revelações que foram dadas, Sião terá de avançar em sua força e poder, e os habitantes das nações que estão distantes dirão: "Certamente Sião é a cidade de nosso Deus, pois o Senhor ali está, e Sua glória ali está, e o poder e a força de Seu terror ali estão" — terror para os ímpios, terror para os que cometem pecado; e muitas pessoas dirão: "Vinde, sujeitemo-nos às suas leis." Isto será depois de o Senhor ter destroçado as nações, depois de as ter destruído e desbastado, no que diz respeito às porções ímpias. Aqueles que restarem reconhecerão de bom grado a Sião, reconhecerão a Deus e Seu povo, e reconhecerão as leis que sairão literalmente de Sião para as nações da terra. Devemos então ser limitados em todos os aspectos como fomos limitados no início da Igreja? Não. Novas circunstâncias requerem novo poder, novo conhecimento, novos acréscimos, nova força e novos Quóruns; não para eliminar os antigos, mas adicionais em sua natureza. Homens deterão autoridade e poder para levar adiante as leis de Sião aos remanescentes desta nação, e às nações estrangeiras — ministros, ou plenipotenciários, se preferirdes, para usar um termo político, sairão às nações da terra com as leis de Deus. Ora, esta é uma profecia minha própria, mas é uma profecia de acordo com o que está escrito, de acordo com o que Deus deu a Seus antigos e a Seus modernos Profetas. ¶
Vejo que não poderei continuar minhas observações tal como se apresentam à minha mente, pois há numerosos ramos pertencentes a este assunto do Sacerdócio, além do do Bispado, e bênçãos pertencentes aos dois Sacerdócios, sobre os quais seria muito agradável para minha mente deter-me, isto é, se tivesse o tempo e a força de corpo para fazê-lo. ¶
Direi, porém, que, com relação à organização da Primeira Presidência, esta se deu logo após o surgimento da Igreja. O Senhor nos mostrou, por revelação, a ordem das coisas tal como existia em dias anteriores, remontando à dispensação anterior ao dilúvio — a dispensação dos Patriarcas antediluvianos e sua ordem de governo; e também a dispensação dos Patriarcas depois do dilúvio e sua ordem de governo, sobre a qual me detive há dois ou três dias. Digo que, a respeito destes assuntos, muito poderia ser dito, e muito poderia ser dito a respeito de nossos privilégios, os privilégios daqueles que detêm estes dois Sacerdócios. E muito poderia ser dito a respeito da Primeira Presidência, quórum que preside sobre toda a Igreja de Deus; e muito poderia ser dito em relação aos deveres dos Doze, não apenas como um sumo conselho viajante, mas também no que diz respeito a colocar em ordem os diversos ofícios em Sião. Poderíamos falar muito a este respeito. Nós, como os Doze, temos cumprido ambos estes deveres, viajando para o exterior e enviando ao exterior, e também colocando em ordem os conselhos do Sacerdócio no meio de Sião, tal como a revelação o requereu de nós. Ao fazê-lo, atuamos por um curto tempo como um Conselho Presidente no meio da Igreja de Deus. Assim fizemos após a morte do Profeta Joseph. O Espírito de Deus operou sobre seus servos, de modo que, durante nossa administração, por cerca de três ou quatro anos depois da morte do Irmão Joseph, a Primeira Presidência não estava organizada. Esqueceu-se o Conselho dos Doze disso? Não. Ignoraram-no? Não; sempre tiveram suas mentes fixas na revelação que Deus dera, mostrando que o Conselho da Primeira Presidência era o Conselho e autoridade supremos na Igreja, e que os Doze não podiam agir naquela autoridade e poder supremos senão quando a Primeira Presidência estivesse vaga. Este Quórum foi reorganizado cerca de três ou quatro anos depois da morte do Profeta, e assim permaneceu organizado até o ano de 1877, e, com a morte do Presidente Young, que era o Presidente da Primeira Presidência, recaiu de novo sobre os Doze, como anteriormente, e assim permaneceram por cerca de três anos e alguns meses, ocupando aquela posição. Fizeram eles certo? Sim; fizeram como lhes era requerido durante aquele tempo. E agora, depois de terem cumprido seus deveres, ainda mantêm em mente a necessidade de este Primeiro Quórum de todos os Quóruns da Igreja ser novamente preenchido, de modo que as revelações de Deus sejam honradas e cumpramos seus requisitos. Portanto, o Conselho dos Apóstolos tomou em consideração este assunto, e a questão em nossas mentes era: Terá o Quórum dos Doze Apóstolos magnificado suficientemente seu ofício e chamado, ao colocar em ordem a Igreja do Deus vivo, ao organizar os diversos Conselhos, ou faltará algo? Toda vez que refletíamos sobre o assunto, víamos que um Conselho, o mais importante de todos, ainda estava vago. Poderíamos ignorá-lo? Não. Consideramos, portanto, a conveniência de organizá-lo na presente Conferência; e o Irmão John Taylor, pela voz de seus irmãos, os Doze, sendo a pessoa que detinha o direito legal a esse ofício, como Presidente dos Doze Apóstolos, foi selecionado para ocupar a posição de Presidente de toda a Igreja. E ele, segundo o direito e a autoridade que lhe foram dados, sugeriu seus próprios Conselheiros. Estes foram sancionados pelos Doze Apóstolos; assim, a Primeira Presidência, no que diz respeito ao Conselho dos Doze, foi novamente reorganizada. Cumprimos, então, nossos deveres, em relação àquela revelação que diz que é dado aos Doze Apóstolos colocar em ordem todos aqueles ofícios mencionados naquela revelação; nós, digo eu, o fizemos. E apresentamos o assunto ao Sacerdócio de todos os diversos Quóruns, reunidos em conselho geral na noite passada, e eles, conosco, tiveram o privilégio de sancionar esta ação, de que aquele quórum fosse preenchido e completado. Resta agora ao corpo do povo dar sua sanção, homens e mulheres, assim como o Sacerdócio. E, a fim de que isto se faça de acordo com o padrão que Deus deu através de Seu servo Joseph, o Sacerdócio será organizado esta tarde em seus respectivos Quóruns, e este assunto lhes será apresentado para ser votado por cada Quórum separadamente; e então toda a congregação será chamada a sancionar o mesmo. ¶
Diria que esta mudança abriu uma vacância de três no Quórum dos Apóstolos, e pessoas foram selecionadas para preencher esta vacância assim aberta; ou, antes, duas pessoas foram selecionadas dentre o Sumo Sacerdócio para preencher parcialmente essa vacância no Conselho dos Apóstolos. A terceira ainda não foi escolhida para preencher completamente a vacância no Quórum dos Apóstolos; poderemos, porém, estar preparados para agir sobre isso hoje, ou talvez não. ¶
Tendo dito tanto, de maneira bastante dispersa, a respeito do Sacerdócio e dos tratos de Deus conosco de tempos em tempos, diria a meus irmãos e irmãs, aos Santos dos Últimos Dias, que me alegro por ter chegado novamente o tempo em que nossos Quóruns na Igreja de Deus serão completados, tal como dado na Doutrina e Convênios. Sinto-me alegre em ver esta ordem ser cumprida. Nunca houve tempo, desde o início da história da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em que a organização estivesse tão completa como durante os últimos dois ou três anos. Confio que Seus grandes propósitos serão cumpridos e realizados, até que Sião se torne, como está escrito no Livro de Mórmon, na parábola da vinha, um só corpo, e seus ramos sejam iguais. Amém. ¶