A Inspiração dos Servos do Senhor — Revelação — A Ressurreição, Etc
Charles W. Penrose
Tendo sido chamado nesta tarde para me dirigir a esta congregação, levanto-me diante de vós confiando que o Espírito Santo, que torna claras à mente humana as coisas de Deus, repouse sobre mim e sobre vós; que eu possa ser inspirado por esse Espírito a dizer algo que seja de proveito para os que ouvem, e que os que escutarem o que eu disser possam compreender na mesma luz e sob a mesma influência pela qual as palavras são proferidas. ¶
Os élderes desta Igreja, ao ministrar como oradores públicos, apresentam-se diante do povo em nome do Senhor. Não se dirigem às congregações com o propósito de expressar as opiniões e ideias que possam ter, mas ocupam a posição de ministros do Senhor Jesus Cristo, para dizer aquilo que lhes é dado pela influência do Espírito Santo. Não obstante, os servos de Deus são instruídos a "guardar continuamente em seu coração as palavras da vida", com a promessa de que, se fizerem isso e forem diligentes em buscar a mente e a vontade de Deus, na própria hora em que forem necessárias, palavras lhes serão postas na boca, ou ideias lhes surgirão à mente, que serão para o benefício de todos os que ouvem. É neste espírito que procuro me dirigir à congregação nesta tarde, e espero ter não apenas vossa atenção, mas o benefício de vossa fé e vossas orações, para que o Espírito de Deus repouse sobre mim e também sobre a congregação. ¶
Vivemos na terra em um tempo em que há muitíssimos credos — muitíssimas doutrinas diferentes, cada uma professando ser a fé verdadeira — a religião cristã. Há um espírito de dúvida e divisão no mundo. Os homens estão sempre aprendendo, mas incapazes de chegar ao conhecimento da verdade. Entregam-se a muitas especulações. Algumas boas pessoas estudam as Escrituras e procuram descobrir o que é verdade divina, mas suas ideias são variadas; não chegam à unidade da fé; e a grande razão pela qual isso ocorre é que não buscam a fonte da luz e da verdade com a expectativa de receber resposta alguma. Nos tempos antigos, Deus costumava falar ao povo. Tinha servos na terra que falavam conforme eram movidos pelo Espírito Santo; anjos ministravam aos filhos dos homens, e a verdade era revelada com grande clareza da parte do Pai. Mas, em nossos tempos, o povo tem de contentar-se com as ideias e noções que os homens sustentam a respeito destas verdades reveladas antigamente. Não há hoje voz alguma do céu, nenhum profeta entre o povo; não há apóstolos inspirados; os anjos cessaram de ministrar, e, para usar as palavras de um dos grandes teólogos de nosso tempo, "a temível voz da profecia calou-se para sempre." ¶
É claro que, ao fazer uso destas observações, refiro-me ao que se chama o mundo cristão. Os Santos dos Últimos Dias creem que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, e que, se ele é buscado hoje da mesma forma que era buscado ontem, responderá da mesma maneira. Cremos que é tão possível que anjos venham à terra em nossos tempos quanto em qualquer época anterior do mundo; cremos que o poder do Espírito Santo é hoje o mesmo que era milhares de anos atrás; que a verdade divina pode ser manifestada diretamente de Deus ao povo agora, tal como o foi nos dias de Jesus, ou nos dias dos profetas que o precederam na terra. ¶
A religião que nós, Santos dos Últimos Dias, recebemos — à qual nos apegamos, pela qual vivemos, e pela qual muitos de nós estamos dispostos a morrer, se necessário — chegou-nos por revelação de Deus no dia e época em que vivemos. Ao tomarmos os escritos dos antigos profetas, ao lermos as cartas escritas pelos antigos apóstolos, encontramos que a religião que Deus nos revelou é a mesma religião que Deus lhes revelou. O que está contido na Bíblia corrobora o que recebemos, e o espírito que acompanha a pregação da palavra entre nós é semelhante, em seus efeitos, ao espírito que acompanhava a pregação dos antigos profetas e apóstolos do Senhor. Descobrimos isso lendo aquela porção de seus registros que foi deixada. Assim, a religião d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não é mera teoria dos homens. As doutrinas que recebemos vieram-nos diretamente do Senhor em nossa própria época. Não somos deixados à especulação, não somos deixados às nossas próprias teorias, mas temos princípios definidos, dados por Deus para nossa orientação, nosso consolo e nossa edificação. ¶
Ora, há hoje no mundo uma disposição de se afastar do Senhor. Os homens parecem ter o desejo de seguir suas próprias imaginações, suas próprias ideias e noções, e, em consequência disso, muitos princípios errôneos têm sido aceitos como verdade no mundo cristão, e essa disposição parece aumentar. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Santos de seu tempo, aconselhou-os a que tomassem cuidado "para que ninguém vos faça presa sua por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo." Ora, este mesmo conselho é bom para o povo em nossos tempos; bom para os Santos dos Últimos Dias; bom para o povo que compõe as várias seitas da cristandade moderna. Se recebemos as doutrinas de Cristo, se nossos pés estão firmemente plantados sobre a rocha que ele lançou, não há receio de nos desviarmos; mas se nos afastarmos disso e andarmos nos caminhos dos homens, e formos conduzidos por suas teorias, suas especulações e sua vã filosofia, é muito provável que nos desviemos. ¶
Noto, ao ler algumas das obras dos teólogos modernos, e observando o progresso do pensamento religioso entre o povo, que há uma doutrina que se torna muito difundida entre o povo chamado "cristão", isto é, uma heresia a respeito da doutrina de nossa condição no futuro. Muitas pessoas, no momento presente, creem que não existe tal coisa como uma ressurreição literal do corpo; que, quando este corpo é depositado na terra e retorna aos elementos de que foi organizado, este é o fim do corpo, e que ele jamais tornará a levantar-se. Não veem necessidade alguma de uma ressurreição literal do corpo; não conseguem perceber por qual processo ele poderia ser ressuscitado; e, sendo incapazes de compreender como esta grande mudança pode acontecer, como os elementos dispersos do corpo podem ser reunidos novamente, rejeitam a doutrina inteiramente. Esta é a crença das pessoas chamadas espiritualistas ou espíritas. Esta é uma das doutrinas daquela grande ilusão dos últimos tempos, aquela "forte ilusão" que o Senhor permitiu entrar no mundo porque os homens não quiseram receber a verdade, mas dela se desviaram e amaram a mentira. É ensinado, por meio daquela influência de batidas e murmúrios, que, quando o espírito deixa o corpo e passa a outro estado, isso é a ressurreição; que o corpo não mais se levantará; que o espírito, libertado do corpo, progredirá de esfera em esfera — quantas esferas, não sabem — mas que não há necessidade adicional do corpo. Esta ideia vai aumentando seu domínio sobre as mentes do povo, entre as várias seitas "cristãs", e alguns dos maiores pregadores e teólogos de nosso tempo sustentam esta ideia, filosofam sobre ela e a ensinam às suas congregações. Ora, temos a satisfação de um conhecimento definido a respeito deste assunto, assim como de todos os artigos de nosso credo — se é que temos algo como um credo formulado. As ideias que temos a respeito desta doutrina vieram de Deus. Não há necessidade de dúvida alguma sobre isso, não há necessidade de especulação alguma. O Senhor revelou algo a respeito disso. É verdade que não revelou a filosofia disso por completo; deu-nos apenas algumas ideias a respeito. Mas tornou o fato bem claro, para que não houvesse mal-entendido sobre ele. No Livro de Doutrina e Convênios — que contém muitas das revelações que Deus deu à Igreja por meio do Profeta Joseph Smith — encontramos esta doutrina exposta com grande clareza. Está ali declarado que o espírito e o corpo constituem a alma do homem, e que a ressurreição dos mortos é a redenção da alma. Somos ensinados também que há elementos materiais e elementos espirituais; que a parte espiritual de nosso ser estava no princípio com Deus, e que o espiritual e o material, quando indissoluvelmente unidos, recebem uma plenitude de alegria — de outra forma, os homens não podem receber uma plenitude de alegria. É preciso que a parte espiritual do homem e a parte material ou física estejam unidas indissoluvelmente para se obter uma plenitude de alegria. Quando o espírito está separado do corpo, não se pode obter uma plenitude de alegria. Quando o espírito está unido ao corpo temporariamente, sob uma lei temporal, sob a lei da morte, não pode receber uma plenitude de alegria. O espírito e o corpo devem estar unidos de tal forma que ambos sejam imortais, e nessa condição o homem pode receber uma plenitude de alegria. ¶
O Livro de Mórmon também é muito claro a respeito deste assunto. Lerei um ou dois textos desse livro, e, se tiver tempo, poderei referir-me à Bíblia, para mostrar que as coisas contidas no Livro de Mórmon e no Livro de Doutrina e Convênios são as mesmas contidas nas antigas escrituras. Lerei uma passagem da página setenta e nove (nova edição) do Livro de Mórmon, a saber: ¶
"E essa morte da qual falei, que é a morte espiritual, libertará seus mortos; e essa morte espiritual é o inferno; portanto, morte e inferno deverão libertar seus mortos; e o inferno deverá libertar seus espíritos cativos e a sepultura deverá libertar seus corpos cativos; e o corpo e o espírito dos homens serão restituídos um ao outro; e é pelo poder da ressurreição do Santo de Israel. ¶
"Oh! Quão grande é o plano de nosso Deus! Porque, por outro lado, o paraíso de Deus deverá libertar os espíritos dos justos, e a sepultura, libertar os corpos dos justos; e o espírito e o corpo serão reunidos novamente e todos os homens tornar-se-ão incorruptíveis e imortais e serão almas viventes, tendo um perfeito conhecimento, como nós na carne, com a diferença de que o nosso conhecimento será perfeito. ¶
"Teremos, portanto, um conhecimento perfeito de todas as nossas culpas, e nossa impureza, e nossa nudez; e os justos terão um conhecimento perfeito de sua alegria, e sua retidão, estando vestidos com pureza, sim, com o manto da retidão." ¶
Ora, segundo o Livro de Mórmon, os espíritos dos homens, justos e ímpios, hão de ser trazidos do lugar para onde forem quando partirem desta vida. Não há necessidade de dúvida alguma sobre isso, não há necessidade de engano algum; está claro que a separação do espírito do corpo não é a ressurreição de que fala este livro. ¶
O profeta Alma, tratando deste assunto, explicou ao povo de seu tempo o que um anjo de Deus lhe dera a conhecer. Estas palavras, que estou prestes a ler-vos do Livro de Alma, no Livro de Mórmon, não são as ideias e especulações de Alma. Ele diz que lhe foram reveladas por um anjo. Aconselho-vos a ler o capítulo 40, página 352, nova edição. Alma declara ali que estava muito perturbado a respeito da doutrina da condição das pessoas depois que partem desta vida. Queria saber algo sobre a condição do homem entre a morte e a ressurreição, e diz que um anjo de Deus lhe deu a conhecer que há um espaço entre a morte e a ressurreição, que os espíritos dos ímpios estão em um estado de inquietação, tendo conhecimento de toda a sua maldade, e lembrança de todas as suas transgressões; que estão em um estado de temor, esperando a ira e a indignação de Deus, sem saber qual será seu castigo; enquanto, por outro lado, os espíritos dos justos entram em um estado de descanso. Têm um conhecimento perfeito de tudo o que Deus fez por eles, e de todos os seus atos de retidão, e aguardam em paz o tempo em que seus corpos serão trazidos do pó para estar na presença de seu Deus e receber sua coroa. Alma prossegue então dizendo: ¶
"Mas isto digo, que há um espaço entre a morte e a ressurreição do corpo, e um estado da alma em felicidade ou em miséria até o tempo que é designado por Deus para que os mortos ressuscitem e sejam reunidos, tanto a alma como o corpo, e sejam levados a comparecer diante de Deus e a ser julgados segundo suas obras. ¶
"A alma será restituída ao corpo e o corpo, à alma; sim, e todo membro e junta serão restituídos ao seu corpo; sim, nem mesmo um fio de cabelo da cabeça será perdido, mas todas as coisas serão restauradas na sua própria e perfeita estrutura." ¶
Ora, isso é claro e definido quanto a este ponto. No que diz respeito aos tempos e estações desta ressurreição, sobre os quais fala Alma, ele disse que não sabia, mas aquelas coisas que sabia lhe foram dadas a conhecer por um anjo, a saber, que há um espaço entre a morte e a ressurreição; que na ressurreição o corpo e o espírito serão trazidos e restituídos um ao outro, e não apenas o corpo e o espírito, mas toda parte e partícula pertencente ao corpo; nem um fio de cabelo da cabeça será perdido; toda junta, músculo, fibra e tendão, e toda parte e partícula necessária para constituir um corpo físico perfeito onde o espírito habite, serão restituídos a esse espírito na ressurreição. Esta é a doutrina exposta pelo profeta Alma, tal como lhe foi ensinada por um anjo. ¶
O próprio significado da palavra "ressurreição" deveria dissipar a ideia de que a separação do espírito do corpo na morte é a ressurreição. A própria palavra significa: "levanto-me novamente." A ideia que todos os antigos profetas e apóstolos tinham era que, em algum tempo futuro, a voz de Deus se faria ouvir, e os mortos se levantariam novamente, seus corpos sairiam da sepultura; exatamente a doutrina exposta no Livro de Mórmon e no Livro de Doutrina e Convênios. Alguns têm a ideia de que o povo que viveu na terra antes de Jesus não tinha ideias corretas a respeito do futuro. Já vi tais afirmações publicadas por teólogos populares de nosso tempo; mas, quando tomamos as Escrituras do Antigo Testamento, descobrimos que os escritores, santos homens de Deus, que escreveram conforme foram movidos pelo Espírito Santo, tinham uma fé distinta e inabalável a respeito desta mesma doutrina, a da ressurreição do corpo. ¶
Diz-se que o livro de Jó é o mais antigo livro da Bíblia. Lerei um ou dois versículos do capítulo 7. No versículo 9, lemos: "Como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir." Ora, esta é uma afirmação bem clara de Jó: que, quando um homem desce à sepultura, não voltará mais. Aqueles que creem na vã filosofia a que me referi tomam grande conforto ao citar esta passagem, e também alguns ditos de Salomão, o sábio; isto é, ele foi um sábio uma vez, mas se tornou um tolo antes de morrer, não porque casou com mais de uma esposa, mas porque transgrediu ao casar com mulheres estranhas. Salomão, em alguns de seus escritos, fala do mesmo modo que Jó. Mas lerei um versículo do capítulo 14 de Jó: ¶
"Assim, o homem se deita, e não se levanta." ¶
Esta também é uma afirmação bem clara, não é? Mas Jó não parou aqui, como fez no capítulo 7, pois prossegue: ¶
"Até que não haja mais céus, não acordarão nem se erguerão de seu sono. Quem dera que me escondesses na sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se desviasse, e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança. Chama-me, e eu te responderei; e afeiçoa-te à obra de tuas mãos." Capítulo 14, versículos 12-15. ¶
Lede novamente no capítulo 19, onde ele é um pouco mais explícito, começando no versículo 23: ¶
"Quem me dera agora que as minhas palavras se escrevessem! Quem me dera que se gravassem num livro! E que, com pena de ferro, e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha! Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus." ¶
Ora, em primeiro lugar, Jó fala do que todos nós buscamos neste mundo, a respeito da sorte comum dos mortais. "O homem se deita, e não se levanta." Ao dizer isso, Jó não se referia ao que sucederia no futuro. Falava da experiência comum da humanidade. Mas, depois, inspirado pelo espírito de profecia, ele olhou diretamente para os últimos dias, no meio de suas aflições, seu sofrimento e tristeza, sua dor física e angústia mental, quando seus amigos se voltaram contra ele — olhou para os últimos dias e desejou que suas palavras fossem escritas e impressas num livro, que as palavras fossem gravadas na rocha com pena de ferro e chumbo, para que pudessem permanecer como testemunho a todas as gerações futuras, como testemunho da ressurreição do corpo e repreensão à vã filosofia dos últimos tempos. ¶
Lerei agora um ou dois versículos do livro do profeta Isaías, para mostrar que outros dos antigos, além de Jó, tinham alguma ideia da doutrina da ressurreição dos mortos. Nos versículos 19, 20 e 21 do capítulo 26 de Isaías, lemos: ¶
"Os teus mortos viverão, como também o meu corpo morto, e assim ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho de hortaliças, e a terra lançará de si os mortos. ¶
"Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te por um só momento, até que passe a ira. ¶
"Porque eis que o Senhor sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos à espada." ¶
Isaías, vedes, tinha o mesmo espírito de Jó. Falou do tempo em que a indignação ou ira de Deus haveria de passar sobre a terra, e desejou estar escondido na sepultura até que aquele tempo passasse, e então esperava que a terra lançasse de si seus mortos. ¶
Não tenho tempo de ler o capítulo 37 de Ezequiel — podeis lê-lo em casa — mas nesse capítulo encontramos que o Senhor mostrou a Ezequiel um vale cheio de ossos secos. O Senhor lhe perguntou se aqueles ossos poderiam viver, e ele respondeu: "Tu o sabes." Então o Senhor lhe disse para profetizar sobre aqueles ossos, e, ao profetizar, houve um ruído, e eis um tremor, e os ossos se ajuntaram, osso a seu osso, e os tendões e a carne vieram sobre eles, e a pele os cobriu por cima, mas não havia fôlego neles. Então o Senhor lhes disse novamente para profetizar, e profetizou como lhe fora ordenado, e o fôlego entrou neles, e viveram e se puseram de pé, um exército extremamente grande. Ora, não precisamos ler os escritos dos teólogos de nosso tempo presente para descobrir o que isso significa. Bem no mesmo capítulo é dada a interpretação. ¶
"Estes ossos são toda a casa de Israel: eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados. Portanto, profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. [...] E porei em vós o meu espírito, e vivereis e vos porei na vossa terra, e sabereis que eu, o Senhor, falei isto, e o fiz, diz o Senhor." ¶
Ora, por estes testemunhos que citei das escrituras do Antigo Testamento, descobrimos que o povo que viveu na terra antes dos dias de Jesus tinha algum conhecimento a respeito do futuro, a respeito da condição do espírito quando deixava o corpo, e também a respeito da ressurreição do corpo. O sábio Salomão, no livro de Eclesiastes, capítulo 12, versículo 7, falando a respeito da morte, depois de dar uma descrição bastante poética da casa em que vivemos, diz: "E o pó voltar à terra, como o era, e o espírito voltar a Deus, que o deu." Ele tinha alguma ideia a respeito da vida depois da morte, embora, se lermos alguns de seus escritos, possamos ter a ideia de que o homem terminava quando seu corpo era depositado na sepultura. ¶
Ora, estas doutrinas, que eram compreendidas pelo povo antes dos dias de Cristo, são as mesmas em que criam os discípulos de Jesus, as mesmas que Jesus ensinou. Tomemos, por exemplo, a própria declaração de Jesus a respeito da ressurreição, na qual diz: "Não vos maravilheis disso; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação." Ou, como se lê na versão do Profeta Joseph Smith, "os que fizeram o bem, na ressurreição dos justos, e os que fizeram o mal, na ressurreição dos injustos." Ora, segundo a própria declaração de Cristo a seus discípulos, todos os que estão em suas sepulturas hão de sair, tanto os justos como os ímpios, exatamente como se ensina no Livro de Mórmon. Isto está também de acordo com o que o profeta Daniel — outro daqueles antigos que compreenderam esta doutrina — diz no capítulo 12 de seu livro. Fala de Miguel e da grande tribulação que virá sobre a terra nos últimos dias, e diz: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e para desprezo eterno." Daniel compreendia que haveria uma ressurreição tanto dos justos quanto dos ímpios. Tomai agora o capítulo 20 do livro do Apocalipse, lede-o, e encontrareis a ressurreição retratada a João em visão, quando estava na Ilha de Patmos. Ele diz: ¶
"E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram decapitados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em sua testa nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo, durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; porém serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos." ¶
E depois que os mil anos se passaram, João viu na visão o resto dos mortos trazidos: "E o mar deu os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras." ¶
O apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses, capítulo 3, versículos 20-21, diz: "Mas a nossa cidadania está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. O qual transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas." Ora, segundo este testemunho, os justos, que esperam ter parte na primeira ressurreição, esperam ter corpos como o corpo glorioso do Filho de Deus. Que tipo de corpo era esse? Lemos que Jesus Cristo foi morto na cruz; que, tendo clamado em alta voz, disse: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito," e então entregou o espírito. O corpo foi colocado num sepulcro novo, onde nenhum homem jazera, e, para guardar o corpo, para que ninguém viesse e o levasse, soldados romanos foram postos diante da porta do sepulcro. Mas lemos que vieram dois anjos, diante dos quais estes soldados romanos caíram como mortos, e eles (os anjos) removeram a pedra do sepulcro, e o corpo adormecido de Jesus despertou e saiu. Quando os discípulos chegaram, o corpo havia desaparecido. Maria foi ao jardim para tentar descobrir algo a respeito do corpo, e, enquanto chorava, Jesus apareceu-lhe. Ela lançou-se para diante e estava prestes a abraçá-lo, quando ele disse: "Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus." Quando os discípulos souberam disso, não puderam crer, e reuniram-se numa certa ocasião, e, estando as portas fechadas, por medo dos judeus, e vendo-se seguramente sós, começaram a falar das coisas maravilhosas que tinham sucedido; da morte de Jesus, da crucificação daquele que pensavam haveria de tomar o trono e nele sentar-se em poder para sempre. E lemos que, enquanto falavam, Jesus se apresentou no meio deles e disse: "Paz seja convosco." ¶
"E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. [...] ¶
"E não o crendo eles ainda por causa da alegria, e maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; o que ele tomou, e comeu diante deles." Lucas 24:36-43. ¶
Ora, eis aqui uma ressurreição do corpo. Não o levantar-se do espírito de Cristo, mas de seu corpo, saído do sepulcro. Naquele corpo apareceu diante dos discípulos, e quando pensaram que era apenas um espírito, ele lhes disse que um espírito não tem carne nem ossos como viam que ele tinha. Os discípulos que tiveram esta manifestação contaram a alguns dos demais. Tomé, porém, não quis crer. Disse: "Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei." Depois de fazer estas tolas observações, Jesus apareceu a Tomé quando este estava reunido com os demais discípulos, e disse-lhe: "Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente." Tomé então não pôde deixar de crer, mas Jesus lhe disse: "Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram, e creram." A fé é uma grande bênção. Algumas pessoas não creem em nada que não possam compreender com sua razão humana ou ver com seus olhos naturais. Mas bem-aventurado o homem de fé, bem-aventurada a mulher de fé! Pois, pela fé, podem ver em coisas que não podem ser discernidas pelos olhos naturais. Podem alcançar as regiões da imortalidade, agarrar as realidades eternas e apossar-se das coisas de Deus! Ora, Jesus apareceu no mesmo corpo que fora colocado no sepulcro, e, no entanto, não era o mesmo; havia nele uma mudança. Que mudança era essa? Lemos que Jesus Cristo derramou seu sangue "para a remissão dos pecados; não só dos nossos, mas dos pecados do mundo inteiro." Jesus foi levantado dentre os mortos pelo poder de Deus, e Paulo diz: "E se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita." Paulo diz também: "A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus." O sangue é corruptível; o corpo vivificado pelo sangue está sujeito à lei da morte. Mas o corpo de Cristo, quando foi levantado dentre os mortos, foi "vivificado pelo espírito." Havia uma grande diferença não somente neste aspecto, mas em outros. Quando os discípulos estavam trancados naquele aposento, Cristo pôde entrar nele sem abrir a porta, o que não poderia ser feito por mortais. Tinha poder para se manifestar a seus discípulos, e tinha poder para ocultar-se de sua vista. Tinha poder para vencer as leis da gravidade, e, em certa ocasião, depois de ter visitado seus discípulos, tendo aparecido a 500 irmãos de uma só vez, tendo dado instruções a seus apóstolos para edificarem sua igreja, enquanto lhes falava, "uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos." Pôde erguer-se da terra e partir desta esfera para outra; seu corpo não era mais um corpo mortal, não mais governado pelas mesmas leis pelas quais nós somos governados. Também nos é dito que "estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco; os quais então disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." — Atos 1:9-11. Quando ele vier novamente, virá no mesmo corpo, e nos é dito, no capítulo 14 de Zacarias, que naquele dia seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras, e no capítulo 13, que, quando os judeus o virem, o Messias, a quem esperaram por tanto tempo, dirão: "Que feridas são essas nas tuas mãos?" Então ele responderá: "São feridas com que fui ferido na casa dos meus amigos." E então cada família se lamentará à parte; toda a casa de Israel se lamentará por causa da maldade de seus antepassados ao tirar-lhe a vida. Ao recebê-lo em sua segunda vinda, compreenderão a verdade de sua primeira vinda, e não antes, e o receberão como o Cristo ressuscitado. ¶
Ora, o apóstolo Paulo diz que "transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso." Que tipo de corpos possuirão os justos na ressurreição? Serão corpos de carne e ossos vivificados pelo espírito; não vivificados pelo sangue, não mais sujeitos à morte, à dor, ou a qualquer dos males da mortalidade. Isto não se parece muito com que a separação do espírito do corpo seja a ressurreição. Uma doutrina como essa não está de acordo com as escrituras; é apenas "vã filosofia." ¶
Santos dos Últimos Dias, cuidado com esta vã filosofia que vos roubaria a fé na ressurreição que há de vir. Ó, que gloriosa esperança traz! Maridos que lamentam a perda de suas esposas, a quem amaram e que colocaram no sepulcro, hão de recebê-las novamente na ressurreição. Que glorioso encontro será esse, se tiverem sido selados pela santa ordem de Deus. Tudo o que assim é selado na terra é selado no céu. Maridos e esposas, aqueles selados e unidos segundo a santa ordem do casamento celestial, serão reunidos novamente na ressurreição. Sairão do sepulcro e seus corpos serão vivificados pelo poder do Espírito Santo, e feitos gloriosos como o corpo do Filho de Deus. Serão reunidos como marido e mulher para sempre, e de sua posteridade e da extensão de seu domínio e glória, poder e majestade, não haverá fim! Mães que depositaram os corpos de seus pequeninos na terra em profunda tristeza e lamentação hão de receber novamente seus filhinhos em seu seio. Assim como foram depositados na sepultura, assim tornarão a sair na mesma estatura, na mesma semelhança; nada se perderá, nem sequer um fio de cabelo de suas cabeças, mas serão vivificados segundo o poder de uma vida sem fim. O apóstolo Paulo ilustra isto no capítulo 15 de 1 Coríntios. Diz: "Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Há corpo natural, e há corpo espiritual." Quando o trigo é plantado na terra, a semente parece morrer. Diz-se que, no meio da vida, estamos em morte. Mas, no meio da morte, há vida. Há um núcleo de vida imperecível. Há um germe dentro daquele pequeno grão de trigo que parece perecer e morrer, que também é indestrutível, e assim é com o corpo depositado na terra. O que é levantado, Paulo? É o espírito que se levanta do corpo? Não; é a ressurreição do corpo. Este era o testemunho que os apóstolos davam. Seu principal testemunho era que Jesus foi crucificado na cruz, e que foi levantado dentre os mortos. ¶
Mas, diz alguém, não vejo nenhum bem nisso. De que serve este velho corpo depois que vai para a terra e se mistura com o pó? De que serve o trabalho de trazê-lo de volta? Como é isso possível? Quanto à possibilidade, há muitíssimas coisas possíveis a Deus que são impossíveis ao homem. Há poucos anos não se pensava ser possível que um homem, em pé em Nova Iorque, falasse a outro em Londres, mas isso é feito, é possível, e muitas coisas são feitas agora que não se pensavam anos atrás. Suponde que uma pessoa que nada sabe sobre as propriedades do ímã visitasse algumas das grandes fábricas na Inglaterra; veria em muitas delas grandes quantidades de limalhas de latão e aço todas misturadas. Estive em tais fábricas e vi que os proprietários têm muito cuidado em não deixar nada se perder. Varrem todas essas limalhas e as colocam em barris ou outros recipientes, e, com o tempo, alguém vem com um grande ímã e o afunda na massa de limalhas misturadas, e, quando é retirado, vê-se coberto de partículas de aço ou ferro. Isto se repete várias vezes até que todo o aço esteja separado do latão. Mas uma pessoa que não tivesse conhecimento do ímã pensaria naturalmente, ao ver essas partículas todas misturadas, que seria impossível separá-las. Ora, não pensais que Deus tem mais poder que o homem? Que ele tem "ímãs" com propriedades além de nosso alcance atual? Penso que sim. Penso que, se Deus deseja reunir as partículas do corpo humano, ele, compreendendo sua composição, pode facilmente fazê-lo. No princípio, falou ao caos, e pelo poder de sua fé os mundos foram formados. A fé é uma força. É tanto uma força quanto o magnetismo ou a eletricidade. É o poder pelo qual o universo foi estruturado. Deus pode falar aos elementos de nossos corpos e trazê-los novamente segundo certas leis fixas, conhecidas por ele, se não por nós. Jesus falou aos ventos, e eles lhe obedeceram. Andou sobre as águas. De cinco pães e dois peixes fez um grande banquete, "e comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze cestos cheios. E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças." Tudo isso foi feito segundo princípios naturais, e poderíamos compreendê-lo se entendêssemos os princípios naturais a fundo. E não tenho dúvida alguma, em minha própria mente, de que, quando vier a ressurreição, quando Deus falar, e respondermos, será tão natural trazer nossos corpos de volta na manhã da ressurreição quanto foi para nós depositá-los. Ora, nem entendemos como é que eles se desfazem em pó. Podeis explicar o processo da morte, quando um indivíduo é tomado por algum poder misterioso, e a vida sai dele? Não há brilho no olho, nenhuma beleza na face, nenhum movimento no lábio; tudo está quieto, frio e sem vida. O corpo é depositado na terra, e as partículas começam a se separar, quando, pouco antes, havia algo que fazia todas as partículas daquele corpo se manterem unidas. Sobreveio uma mudança, e todas querem afastar-se umas das outras. Qual é o processo, e quem o compreende? Há muitíssimas coisas que não compreendemos. Esta tarde estamos girando no espaço a uma velocidade imensa. A terra gira em torno de seu próprio eixo e viaja ao redor do sol. Como se faz isso? "Pela operação de certas forças." Mas como entraram estas forças em operação, de onde surgiram, como são reguladas? Quem sabe? Quem compreende o processo de dormir e despertar novamente? Eis aqui uma coisa que sucede toda noite. Vamos dormir. Como vamos dormir? Não sei. Às vezes procuro dormir e não consigo, e outras vezes procuro ficar acordado e não consigo. O sono é semelhante à morte, e o despertar é semelhante à ressurreição. Não sei como isso se faz, apenas que se faz pelo poder de Deus. Será como diz Jó: Deus chamará, e responderemos. A gloriosa estrutura do homem, a mais bela obra-prima de Deus, tão "assombrosa e maravilhosamente feita", sairá em sua plena perfeição e durará por todas as eras da eternidade. ¶
"Bem, de que adianta isso?" Penso que aquela passagem no Livro de Doutrina e Convênios explica isso claramente. O Senhor, por meio do Profeta Joseph Smith, disse que o espírito e o corpo do homem devem estar indissoluvelmente unidos antes que se possa obter uma plenitude de alegria. O homem deve ser levantado num corpo imortal que não pode ser agarrado pela mão da morte. O espírito desencarnado, ou sem corpo, não pode receber as alegrias que vêm por meio dos elementos mais grosseiros. Espírito ministra a espírito. As coisas espirituais têm afinidade com o que é espiritual. Há prazeres que só podem fluir por meio de um corpo material, e daí a necessidade da ressurreição. Um ser perfeito é um espírito imortal habitando num corpo imortal, e, por afinidade com todas as coisas, e o céu sendo a chave para as alturas, profundezas e larguras do universo, pode extrair de toda fonte a alegria, a bem-aventurança, os prazeres e as glórias que são a herança dos seres celestiais que estão cheios da plenitude do Deus eterno. Temo que aqueles vãos filósofos, que não querem mais nada com o corpo depois da morte, se encontrem na mesma condição daqueles de quem se fala na visão de Ezequiel a que me referi. O Senhor declarou deles: "Eis que dizem: nossos ossos se secaram, nossa esperança se perdeu, estamos cortados." ¶
Há muito nas revelações que Deus deu ao profeta Joseph que talvez não seja claro à nossa mente à primeira vista. Portanto, aconselharia meus irmãos e irmãs a lerem, marcarem, aprenderem e assimilarem interiormente as coisas que Deus registrou para nossa orientação, e que ponhamos nossa confiança nelas, em vez de na vã filosofia e tolice dos homens que se julgam grandes cientistas, e imaginam que podem raciocinar as coisas de Deus. O homem, por meio da investigação, não pode descobrir a Deus, mas ele as revela aos fiéis por seu espírito, que "esquadrinha todas as coisas, mesmo as profundezas de Deus." E se tomarmos como guia as leis e preceitos que Deus nos deu; tomarmos a Bíblia, o Livro de Mórmon e o Livro de Doutrina e Convênios, que todos correm juntos como três gotas de água, e são como as três medidas de farinha na parábola, e buscarmos a Deus Todo-Poderoso pelo dom e poder do Espírito Santo, para que seja lâmpada aos nossos pés e luz ao nosso caminho, então nos serão manifestadas as coisas que precisamos compreender. Deus estabeleceu na Igreja em nossos dias, como fez nos tempos antigos, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, mestres, etc., para a obra do ministério e para o aperfeiçoamento dos Santos, e se formos guiados pelos oráculos vivos da Igreja, e pelo poder do Espírito Santo e pelos livros sagrados, não nos desviaremos, mas se formos guiados pela vã filosofia de homens não inspirados, é quase certo que entraremos no caminho errado. ¶
Este é o ponto que desejei deixar claro nesta tarde — a gloriosa doutrina da ressurreição do corpo, uma das principais doutrinas da religião cristã. Tudo depende disso; pois, se Cristo não ressuscitou, então é vã nossa esperança. Cristo morreu e foi levantado novamente. Assim também morreremos nós — talvez nem todos nós durmamos na terra, pois alguns hão de permanecer e estar vivos em sua vinda — mas todos seremos levantados, e os que habitarem na terra quando o Senhor aparecer serão transformados num piscar de olhos. A trombeta soará, e os mortos despertarão, e, junto com os que estiverem vivos, serão arrebatados para se encontrarem com o Senhor. Talvez esta seja a sorte de alguns nesta congregação, nesta tarde. O dia do Senhor está próximo. Eis que ele vem, como os profetas declararam! Não como o menino de Belém, mas como o Senhor de poder e glória, como a ressurreição e a vida! Cada palavra que foi falada a seu respeito será cumprida. Cristo aparecerá, e chamará os justos a si. Sairão na manhã daquele grande "dia do Senhor, aquela manhã brilhante e bela em que o Sol da justiça se levantará com cura em suas asas", e os raios suaves de sua glória régia aquecerão os mortos justos para a vida. Mas ai daqueles que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho, pois serão banidos da presença do Senhor, e até que o dia milenar termine, não poderão sair em seus corpos para receber sua porção. ¶
Que Deus nos ajude a andar em seus caminhos e guardar seus mandamentos, para que tenhamos direito a uma parte na primeira ressurreição, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶