Responsabilidades do Sacerdócio—Exortação à Fidelidade, Etc
Wilford Woodruff
Sendo esta a reunião do sacerdócio dos élderes de Israel, e daqueles que portam o sacerdócio, sinto vontade de dizer algumas palavras, em conexão com o que disse o Irmão Taylor. Considero a nossa condição, ou a nossa posição, como povo, que fomos chamados para certa obra. Quando enviamos homens em missões, ou para realizar qualquer ramo de negócio ou trabalho, naturalmente esperamos que o realizem, e o Senhor espera o mesmo. Ora, considero os élderes de Israel aqui esta noite, e nesta Igreja e reino, como estando em uma missão. Fomos ordenados a uma missão, e temos o nosso tempo determinado para a fazer e a realizar. Não que eu saiba exatamente quantos dias ou anos passaremos nela. Mas esta missão é exigida de nossas mãos, não das mãos do Irmão Taylor, do Irmão Joseph, ou do Irmão Brigham somente, mas é exigida de nossas mãos pelo Deus do céu, e estamos realizando uma obra e lançando um alicerce que teremos de encontrar do outro lado do véu. Não faz diferença alguma a que posição fomos chamados ou ordenados. Se formos chamados ao ofício de bispo, deveríamos cumprir os deveres pertencentes àquele ofício. Sei que tem sido considerado um ofício bem difícil, e a que se deve dedicar bastante tempo. No entanto, há muitos bispos que não dedicam muito tempo a ele, ao passo que outros são fiéis ao seu chamado. O chamado de bispo é importante. Ele é chamado a ser um pai para o povo de seu bairro. E, quando nos é imposto um trabalho a realizar, não devíamos ignorá-lo, nem deixá-lo de lado. Há um registro sendo mantido, quer nós o mantenhamos, quer não. Há bastantes revelações que nos mostram que este é o caso. A vossa história vos precede. Todos vós a encontrareis, quando chegardes ao outro lado do véu. A história de todo homem — os seus atos — está escrita, quer ele tenha mantido um registro aqui, quer não. Isto se manifesta claramente na revelação conhecida como a "Folha de Oliveira." ¶
Como o vejo, não estamos colocados aqui, como élderes de Israel, apóstolos, ou bispos, meramente para enriquecer em ouro e prata, e nas coisas deste mundo. Temos um trabalho posto sobre os nossos ombros. Joseph Smith o tinha, Brigham Young o tinha, os Doze Apóstolos o têm, todos nós o temos, e seremos condenados se não o cumprirmos. Havemos de descobri-lo, quando chegarmos ao outro lado do véu. É por esta negligência do dever que tantos têm deixado esta Igreja e reino de Deus. Dificilmente um décimo do povo que foi batizado na água para a remissão dos pecados morreu na fé. Nos Estados Unidos, há dezenas de milhares de mórmons apóstatas. Muitas vezes, em minhas reflexões, desejei poder compreender plenamente a responsabilidade sob a qual estou, perante Deus, e a responsabilidade sob a qual está todo homem que porta o sacerdócio nesta geração. Mas digo-vos, irmãos, penso que os nossos corações estão postos demais nas coisas deste mundo. Não apreciamos, como deveriam apreciar os homens que portam o santo sacerdócio nesta geração, a poderosa responsabilidade a que estamos sujeitos perante Deus e o alto céu, bem como perante a terra. Penso que estamos longe demais do Senhor. Não penso que vivemos a nossa religião como deveríamos. Não penso que os nossos corações estejam postos em edificar este reino, como deveriam estar, sendo Santos dos Últimos Dias. Ora, não penseis que sou vosso inimigo, por vos dizer estas coisas. Sinto que temos uma obra importante a realizar, e outros continuarão a obra, quando tivermos partido. Olho ao redor, e observo a obra do tempo. Olho ao redor, e vejo que oito dos Doze Apóstolos passaram para o mundo dos espíritos, desde que viemos a este vale; espero ir eu mesmo para lá; espero que os meus irmãos também irão; iremos todos para lá, antes que passem muitos anos. Não espero outra coisa; e direi que, durante o último ano ou dois, em minhas reflexões, senti que não tenho outro negócio nesta terra senão procurar edificar este reino. Não sinto que esteja justificado em pôr o meu coração nas coisas deste mundo, com negligência de qualquer dever que Deus exija de minhas mãos. E outra coisa: quando olho para esta geração, quando penso em mais de doze centenas de milhões de pessoas que habitam na carne, muitas delas amadurecendo para os juízos de Deus, uma geração que está pronta para receber a ira de Deus sobre as suas cabeças — quando considero estas coisas, sei que, se eu negligenciar dar o meu testemunho perante elas, se eu negligenciar dar o meu testemunho a esta geração, quando tenho a oportunidade, sentir-me-ei pesaroso disso, quando for para o mundo espiritual. ¶
É assim que me sinto a respeito desta obra. Deus exige que demos testemunho dela, a esta geração; e, quando penso na extensão desta geração, na sua grandeza, quando considero que esta é uma geração e dispensação em que Deus pôs a sua mão para estabelecer um reino, o grande e último reino, e o único reino que o Senhor jamais estabeleceu, em qualquer era do mundo, para permanecer na terra durante o milênio, quando penso nestas coisas, posso perceber a grandeza desta obra. O Senhor jamais teve, em nenhuma era do mundo, profetas que pudessem estar na carne e viver, e edificar o reino de Deus. O mundo sempre lhes fez guerra e os destruiu, com exceção de Enoque, que foi levado ao céu com a sua cidade. Ora, se pudéssemos perceber que temos hoje o reino de Deus sobre a terra, com a promessa de Deus, nosso Pai, de que permanecerá sobre a terra até a vinda do Filho do Homem — se pudéssemos perceber isto, e perceber a nossa responsabilidade, parece-me que todos teríamos o desejo de magnificar o nosso chamado. ¶
Como eu ia dizendo, com uma geração como esta, com as nações da terra como estão hoje, tendo o poder de edificar o reino de Deus para permanecer aqui, tendo o poder de erguer templos ao Deus Altíssimo, contra a ira e a indignação de mil milhões de pessoas — digo, tendo este poder, e sendo sustentados pelo Senhor, certamente deveríamos estar dispostos a fazer a nossa parte da obra. Temos dado testemunho — eu tenho, os meus irmãos têm, os élderes de Israel têm — a esta geração, por muitos anos. Temos dado testemunho do evangelho de Jesus Cristo, do Livro de Mórmon, e dos profetas de Deus que foram levantados em nosso próprio tempo, e estes testemunhos se levantarão em juízo contra esta geração, e condenarão os que os rejeitarem. ¶
Este reino está em nossas mãos, para o levarmos adiante. O Deus do céu está conosco. Ele nos tem sustentado. Ele afasta a ira do homem. Ele ata as mãos dos nossos inimigos, e quebra toda arma que se forma contra Sião. Ele estabeleceu o seu povo nestes vales das montanhas. ¶
Diria eu aos bispos, e a todos os homens em autoridade, que devíamos ter interesse em levar adiante esta obra. Devíamos labutar para obter o Espírito de Deus. É nosso direito, nosso privilégio, e nosso dever, invocar o Senhor, para que a visão de nossa mente se abra, de modo que possamos ver e compreender o dia e a era em que vivemos. É vosso privilégio, e também o meu, conhecer a mente e a vontade do Senhor a respeito de nossos deveres, e, se deixarmos de buscar isto, negligenciamos magnificar o nosso chamado. ¶
Como disse o Irmão Taylor, aqui estamos na sede. Somos um exemplo para todas as outras Estacas observarem. Não devíamos considerar como um trabalho pesado nada do que somos chamados a realizar. Tudo o que somos chamados a fazer, deveríamos fazê-lo de boa vontade. Recordo os dias de nossas primeiras missões. O Irmão Taylor, o Irmão Brigham, eu mesmo, e outros, tivemos de seguir nosso caminho, doentes de febre, de calafrios, e com o poder da morte a nos cercar; tivemos de deixar as nossas esposas e filhos sem alimento, sem vestuário, e ir sem bolsa nem alforje pregar o evangelho. Fomos ordenados por Deus a fazê-lo, e, se não o tivéssemos feito, não estaríamos aqui hoje. Mas, tendo feito estas coisas, Deus nos tem abençoado. Ele tem sustentado os fiéis élderes desta Igreja e reino, e continuará a fazê-lo, até terminarmos. ¶
Desejei expressar os meus sentimentos a respeito destes assuntos. Reflito sobre a nossa posição. Percebo que temos um testemunho a dar, e que seremos responsabilizados pela maneira como cumprimos os nossos deveres. Como apóstolos, setentas, élderes, sacerdotes, etc., somos responsáveis perante o Deus Altíssimo. Se cumprimos o nosso dever, então as nossas vestes ficarão limpas. Somos vigias sobre os muros de Sião. É nosso dever avisar os habitantes da terra das coisas que hão de vir, e, se rejeitarem o nosso testemunho, então o sangue deles cairá sobre a sua própria cabeça. Quando os juízos de Deus alcançarem os perversos, não poderão dizer que não foram avisados. As minhas vestes, e as vestes de milhares de outros, estão limpas do povo desta geração, assim como as vestes de Joseph Smith, de Brigham Young, e as dos élderes de Israel que morreram na fé. Demos o nosso testemunho, e, quando vierem os juízos de Deus, os homens não poderão dizer que não foram avisados. Considero que a nossa posição perante esta geração é de vasta importância, tanto para nós quanto para eles. Não quero, quando for para o mundo espiritual, que esta geração se levante e me condene, e diga que não cumpri o meu dever. ¶
Nunca houve geração como esta. Nunca houve povo como este. Nunca houve obra como esta, desde que Deus fez o mundo. É verdade que houve homens que pregaram o evangelho; mas, na plenitude dos tempos, o Senhor pôs a sua mão para estabelecer o seu reino. Esta é a última dispensação. Ele levantou homens e mulheres para levar adiante a sua obra, e, como já disse frequentemente, muitos de nós temos sido retidos no mundo espiritual, desde a organização deste mundo, até a geração em que vivemos. As nossas vidas têm estado escondidas com Cristo em Deus, e o diabo tem procurado matar-nos, desde o dia em que nascemos até a hora presente. Mas o Senhor nos tem preservado. Deu-nos o sacerdócio, deu-nos o reino, e as suas chaves. Desapontaremos o nosso Pai celestial? Desapontaremos os antigos profetas e apóstolos, que aguardavam este dia? Desapontaremos Joseph Smith, e aqueles irmãos que já se foram, que lançaram o alicerce desta obra, e nos deixaram labutar depois deles? Irmãos, por amor de Deus, não deixemos os nossos corações postos nas coisas deste mundo, com negligência das coisas da vida eterna. Não deixeis que os bispos sintam ser coisa difícil levar a efeito qualquer dos conselhos dados por aqueles que são chamados a dirigir todos estes assuntos. Bendize a vossa alma, se vivêsseis aqui, na carne, mil anos, tanto quanto o Pai Adão, e vivêsseis e labutásseis toda a vossa vida na pobreza, e, ao terminardes, se, por vossos atos, pudésseis garantir que as vossas esposas e filhos, na manhã da primeira ressurreição, habitassem convosco na presença de Deus, essa única coisa vos recompensaria amplamente pelos labores de mil anos. Que é qualquer coisa que possamos fazer ou sofrer, para se comparar com a multiplicidade de reinos, tronos e principados que Deus nos revelou? ¶
Bem, temos o reino, e temos de o levar adiante. Não vos compensará, nem a mim, apostatar. Mas há este perigo, sabeis. O Irmão Joseph costumava aconselhar-nos deste modo: "No momento em que vos permitirdes deixar de lado qualquer dever que Deus vos chame a cumprir, para satisfazer os vossos próprios desejos; no momento em que vos permitirdes tornar-vos descuidados, lançais um alicerce para a apostasia: cuidado; compreendei que sois chamados a uma obra, e, quando Deus exigir que a façais, fazei-a." Outra coisa que disse: "Em todas as vossas provações, tribulações e enfermidades, em todos os vossos sofrimentos, até a morte, cuidado para não trair a Deus, cuidado para não trair o sacerdócio, cuidado para não apostatar; porque, se o fizerdes, vos arrependereis." Recebemos bastante deste tipo de conselho, e tenho-o guardado, daquele dia até o presente. ¶
Mas não desejo deter-vos. Senti vontade de apoiar o testemunho que o Irmão Taylor deu. Aplico-o a mim mesmo. Nada posso ganhar, negligenciando qualquer dever. Nunca cometi um pecado nesta Igreja e reino, que não me tenha custado mil vezes mais do que valeu. Não podemos pecar impunemente; não podemos negligenciar nenhum conselho impunemente, sem que isso traga tristeza; e o único modo seguro é erguer os nossos ombros, cumprir o nosso dever, e assim levar adiante o reino. Nenhum de nós tem muito tempo para ficar aqui. Quando olho ao redor, e reflito sobre os meus irmãos que já se foram, pergunto: onde estão eles? Para onde foram? Aqui está o Irmão Taylor, eu mesmo, e outros, que fazem parte da organização primitiva deste quórum, que viajamos com a Igreja por muitos anos; mas o Irmão Joseph Smith, e outros, já partiram há muito tempo — foram para o mundo espiritual. Enquanto reflito sobre estas coisas, muitas vezes pergunto: quais são as suas opiniões a nosso respeito? Como nos vê o Senhor, como povo? Considero que o Senhor e as hostes celestiais estão nos observando. Sei que manifestam grande interesse pelo nosso bem-estar, e pelo rumo que seguimos. Não quero perder a salvação. Quero ir para onde está o Irmão Joseph. Quero ir para o meu Pai celestial, e para o seu Filho Jesus Cristo, e para os antigos profetas que viveram em suas gerações. ¶
Procuremos viver a nossa religião. Busquemos o Espírito Santo, para que habite em nossos peitos, dia após dia. Bendize a vossa alma, temos tudo o que desejamos dos bens deste mundo. Quem já viu um povo tão próspero quanto o povo de Utah, nestes vales das montanhas? Quem nos deu estas coisas? O nosso Pai celestial. Ele abençoou a terra, para o nosso uso. Esta doação que foi feita, alguns podem chamar de sacrifício; mas o Irmão Taylor teve o desejo de estender a mão da bondade aos oprimidos dentre os Santos dos Últimos Dias. Queremos que eles tenham o benefício disto. Devíamos, portanto, labutar de boa vontade. Não importa quanto tempo sejais bispo, o vosso trabalho terminará na carne, com o tempo. Onde estão muitos dos bispos desta Igreja e reino, que ocupavam o ofício há trinta anos? Foram-se; e os bispos que aqui estão esta noite, outros ocuparão os seus lugares, com o tempo. Todos partiremos, na nossa vez, e os fiéis sairão à vinda do Filho do Homem, que não está longe. ¶
Sinto-me ansioso por que não nos esqueçamos de Deus; sinto-me ansioso por que não esqueçamos a posição que ocupamos perante ele; pois direi isto a respeito de mim mesmo: se já tive alguma satisfação ou felicidade, tive-a no "mormonismo." Se há algo em mim, ou a respeito de mim, foi-me dado no "mormonismo." Se já recebi alguma bênção; se já tive poder para testificar das coisas de Deus, e fui o meio de trazer alguém à Igreja e ao reino de Deus, foi pelo poder de Deus, ou por aquilo que se chama "mormonismo," o evangelho de Cristo. Sei que é o poder de Deus que realizou estas coisas. Foi pelo poder de Deus que recebemos tudo o que possuímos — as nossas riquezas, os nossos dons, as nossas esposas e os nossos filhos. Quantos de vós tendes selados sobre as vossas cabeças reinos, poderes e principados, no mundo vindouro? Quem pode comparar estas bênçãos com o ouro e a prata, e as coisas deste mundo? Ou o que se pode comparar com o dom da vida eterna? ¶
Rogo a Deus, nosso Pai celestial, que vos abençoe, que abençoe todos os que portam o santo sacerdócio; que as bênçãos de Deus estejam sobre vós. Sinto que nós, como povo, temos de nos levantar, e nos revestir do poder de Deus. Deve haver uma reforma, ou uma mudança, em nosso meio. Há mal demais entre nós. O diabo tem poder demais sobre nós. Muitos que portam o nome de Cristo e o santo sacerdócio estão se tornando frios nas coisas de Deus. Temos de despertar; temos de aprontar as nossas lâmpadas, e estar preparados para a vinda do Filho do Homem. Que Deus vos abençoe. Que ele nos guie e nos dirija a todos. Que ele nos guarde na palma de sua mão. Que ele nos santifique, e nos prepare para herdar a vida eterna, é a minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶