Pulpit

Deveres e Responsabilidades do Sacerdócio e dos Santos em Geral—Sião Não Será Vencida—Os Perversos Matarão os Perversos—O Fim Próximo

Wilford Woodruff

1880-07-03

Tenho ouvido as instruções dadas aqui esta tarde por meus irmãos, bem como as observações do Irmão Cannon, esta manhã, com sentimentos de muito interesse. Quando falamos de nossos deveres, como Santos dos Últimos Dias, penso que muitas vezes alguns de nós, talvez todos nós, em maior ou menor grau, deixamos de compreender e entender as responsabilidades a que estamos sujeitos perante Deus. Creio que nunca houve dispensação ou geração de homens, em nenhuma era do mundo, que jamais tivesse uma obra maior a realizar, ou que jamais estivesse sob maior responsabilidade perante Deus, do que os Santos dos Últimos Dias. O reino de Deus foi posto em nossas mãos. Fomos levantados como filhos e filhas do Senhor, para tomar este reino, para lhe lançar o alicerce, para edificar sobre ele, para o levar a efeito em seus vários ramos, até que se aperfeiçoe perante os céus e perante a terra, tal como Deus preordenou que assim fosse. E aqueles princípios a que os irmãos se referiram, a respeito de nossos deveres, não podemos ignorá-los com segurança, nem deles nos apartar. Direi, como um dos membros do quórum dos Doze Apóstolos, que, desde que me familiarizei pela primeira vez com esta organização até hoje, nunca nos sentimos livres para ficar longe de nossas reuniões, a menos que estivéssemos doentes, ou que circunstâncias nos impedissem de algum modo. Posso dizer isso por mim mesmo, e creio que posso dizer o mesmo pelos meus irmãos. Sempre nos sentimos obrigados a comparecer às nossas reuniões, e, se não comparecemos, poderia surgir a pergunta: que foi feito dos Doze Apóstolos? Onde estão eles, que não comparecem às suas reuniões? Seria uma pergunta bem apropriada de se fazer. E, se esta responsabilidade recai sobre nós, na capacidade que ocupamos, não recai ela sobre outros homens? Penso que sim. Não creio que o Senhor jamais tenha exigido de Joseph Smith, ou de Brigham Young, ou de qualquer de seus conselheiros, que empreendessem edificar este reino sozinhos. Nunca lhes exigiu construir estes Templos sozinhos. Foi-lhes exigido cumprir os seus deveres, isto é verdade. Joseph Smith foi chamado de Deus, inspirado por Deus, levantado pelo Senhor, ordenado por Deus muito antes de nascer, para estar na carne, tanto quanto Jeremias, ou qualquer dos antigos profetas, para lançar o alicerce desta Igreja e reino. Realizou a sua obra fielmente. Trabalhou fielmente enquanto tabernaculou na carne, e selou o seu testemunho com o seu sangue. Outros homens foram também chamados a edificar sobre o alicerce que ele lançou.

Temos estado, em dias já passados, sob a necessidade de sair a pregar o evangelho no mundo. Tivemos de fazer isso. Fomos chamados a fazê-lo. Fomos ordenados a fazê-lo. Fomos ordenados por Deus a fazê-lo, e assim também centenas de milhares de élderes desta Igreja e reino. Todos nós temos alguma responsabilidade, maior ou menor, sobre nós, seja quanto a irmos em missões, seja quanto a qualquer outra coisa. Lembro-me de o Irmão Joseph Smith ter visitado a mim mesmo, o Irmão Taylor, o Irmão Brigham Young e vários outros missionários, quando estávamos prestes a partir em nossa missão para a Inglaterra. Estávamos doentes e aflitos, muitos de nós. Ao mesmo tempo, sentíamos vontade de ir. O Profeta nos abençoou, e também às nossas esposas e famílias; e eu estava lendo, há um ou dois dias, as suas instruções em meu diário. Ensinou-nos alguns princípios muito importantes, alguns dos quais aqui menciono. O Irmão Taylor, eu mesmo, George A. Smith, John E. Page e outros havíamos sido chamados a preencher o lugar dos que haviam caído. O Irmão Joseph nos apresentou a causa da apostasia daqueles homens, do desvio dos mandamentos de Deus. Esperava que aprendêssemos sabedoria com o que víamos com os olhos, e ouvíamos com os ouvidos, e que fôssemos capazes de discernir os espíritos de outros homens, sem sermos obrigados a aprender por triste experiência. Observou então que qualquer homem, qualquer élder nesta Igreja e reino — que seguisse um rumo pelo qual ignorasse, ou, em outras palavras, se recusasse a obedecer a qualquer lei, mandamento ou dever conhecido — sempre que um homem fizesse isso, negligenciasse qualquer dever que Deus exigisse de sua mão, ao comparecer a reuniões, cumprir missões, ou obedecer a conselho, lançava um alicerce que o levaria à apostasia, e esta foi a razão de aqueles homens terem caído. Haviam feito mau uso do sacerdócio selado sobre as suas cabeças. Haviam negligenciado magnificar os seus chamados, como apóstolos, como élderes. Haviam usado aquele sacerdócio para tentar edificar a si mesmos, e realizar alguma outra obra além da edificação do reino de Deus. E não somente nos deu ele este conselho, como o mesmo é dado na revelação de Deus a nós. Sempre li com muito interesse aquela revelação dada a Joseph Smith, em resposta à sua oração na prisão de Liberty. Sempre considerei aquela revelação de Deus àquele homem, considerando as poucas frases que contém, como contendo tanto princípio quanto qualquer revelação que Deus jamais tenha dado ao homem. Deu a Joseph a entender que ele possuía o sacerdócio, o qual sacerdócio era segundo a ordem de Deus, segundo a ordem de Melquisedeque, o mesmo sacerdócio pelo qual o próprio Deus realizou todas as suas obras nos céus e na terra, e qualquer homem que portasse aquele sacerdócio tinha o mesmo poder. Aquele sacerdócio tinha comunicação com os céus, poder para mover os céus, poder para realizar a obra dos céus, e, sempre que qualquer homem magnificasse aquele chamado, Deus dava aos seus anjos a incumbência de cuidar dele, e as suas ministrações tinham poder e força, tanto neste mundo como no mundo vindouro; mas, se aquele homem usasse aquele sacerdócio para qualquer outro propósito que não a edificação do reino de Deus, para o qual foi dado, os céus se retiram, o poder do sacerdócio parte, e ele é deixado a caminhar nas trevas, e não na luz, e esta é a chave da apostasia de todos os homens, seja nesta geração, seja em qualquer outra.

As nossas responsabilidades perante o Senhor são grandes. Não temos direito de quebrar nenhuma lei que Deus nos deu. Quanto mais o fazemos, menos poder temos perante Deus, perante o céu, e perante a terra, e, quanto mais perto vivemos de Deus, e quanto mais estreitamente obedecemos às suas leis, e guardamos os seus mandamentos, mais poder teremos, e maior será o nosso desejo pela edificação do reino de Deus, enquanto habitarmos aqui na carne.

Não temos direito de quebrar o Sábado. Não temos direito de negligenciar as nossas reuniões, para atender aos nossos trabalhos. Não creio que homem algum, que já tenha pertencido a esta Igreja e reino, desde a sua organização, tenha ganho algo por atender à sua fazenda no Sábado; mas, se o vosso boi cai numa cova, tirai-o dali; trabalhar desse modo é tudo justo e correto, mas irmos cultivar a terra, com negligência de nossas reuniões e de outros deveres que sobre nós recaem, é algo que não temos direito de fazer. O Espírito de Deus não gosta disso, retira-se de nós, e não fazemos dinheiro algum com isso. Devíamos guardar o Sábado santo. Devíamos comparecer às nossas reuniões.

Este reino está avançando. Tem de avançar, e alguém tem de o edificar. Alguém tem de labutar nele. O Deus do céu teve um povo preparado, antes de o mundo ser feito, para esta dispensação. Teve um povo preparado para estar na carne, tomar este reino e o levar adiante; e o próprio espírito dos profetas e apóstolos que nos precederam, tem-se manifestado na vida de homens e mulheres fiéis, desde a organização desta Igreja até hoje, e continuará até a vinda do Senhor, pois há muitos homens e mulheres que viverão a sua religião, e levarão a efeito os propósitos de Deus na terra.

É nosso dever, como apóstolos, como élderes, e como Santos dos Últimos Dias, contemplar, refletir, ler a palavra de Deus, e procurar compreender a nossa condição, a nossa posição, e a nossa responsabilidade perante o Senhor. Se os nossos olhos se abrissem, se o véu se levantasse, e pudéssemos ver a nossa condição, a nossa responsabilidade, e pudéssemos compreender os sentimentos de Deus nosso Pai celestial, e das hostes celestiais, e dos espíritos justificados e aperfeiçoados, em seu cuidado vigilante sobre nós, em sua ansiedade a nosso respeito, em nossos trabalhos aqui na carne, todos nós sentiríamos que não temos tempo a desperdiçar em loucuras, ou em qualquer outra coisa que não traga nenhum bem. Todos nós, como élderes de Israel e como Santos dos Últimos Dias, portamos alguma porção do santo sacerdócio, seja o de Melquisedeque, seja o Aarônico. É um reino de sacerdotes, e há obra suficiente para este povo magnificar o seu chamado. O Senhor concordou em nos sustentar, e em quebrar toda arma que se forme contra nós. Prometeu sustentar Sião, e, quando o Profeta viu esta Sião de Deus nas montanhas, a sua alma se encheu de alegria, e ele clamou: "Exultai, ó céus, e alegra-te tu, terra, e vós, montes, prorrompei em cânticos, porque o Senhor consolou o seu povo, e se compadecerá dos seus aflitos." Novamente diz o profeta: "Porventura pode uma mulher esquecer-se de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." Sião esteve perante a face do Senhor desde a criação do mundo! O nosso Pai celestial tem protegido este povo. Temos sido favorecidos desde o dia em que pusemos os pés nestes vales das montanhas, apesar da tribulação e da oposição com que tivemos de lutar. Todos os desígnios dos perversos e ímpios, para deter esta obra, foram frustrados. A mão de Deus está sobre Sião. Ele é o nosso Consolador. Ele nos sustenta, e temos todo o incentivo, sobre a face da terra, como Santos dos Últimos Dias, para lhe sermos verdadeiros e fiéis, no pouco tempo que passamos na carne.

As nossas responsabilidades são grandes; a nossa obra é grande. Não somente temos o evangelho a pregar às nações da terra, mas temos de preencher estes vales, cidades, povoados, etc., e temos, entre outras coisas importantes, de erguer templos ao nome do Senhor, antes da vinda de Cristo. Temos de entrar naqueles templos, e redimir os nossos mortos — não somente os mortos de nossa própria família, mas os mortos de todo o mundo espiritual. Esta é parte da grande obra dos Santos dos Últimos Dias. Construiremos estes templos, e, se cumprirmos o nosso dever, não há poder que possa impedir esta obra, porque o Senhor está conosco; e certamente o nosso alvo é elevado! Como povo, visamos à glória celestial; visamos ao estabelecimento do reino de Deus. Fomos levantados com o propósito de avisar o mundo; de pregar o evangelho; de ir aos mansos da terra, e trazê-los a estes vales das montanhas, para que sejam livrados do poder do pecado e de Satanás. O nosso número é grande, comparado com as dispensações anteriores. No entanto, o nosso número é pequeno, comparado com os doze ou catorze centenas de milhões de habitantes que vivem na carne. Ainda assim, com a ajuda de Deus, temos poder para redimir o mundo. Esta é a nossa obra. Somos obrigados a labutar, e a continuar a fazê-lo enquanto aqui estivermos, e, quando tivermos terminado a nossa obra, os nossos filhos, a geração que se levanta, terão de tomar este reino e o levar adiante.

Oito do Quórum dos Doze Apóstolos estão hoje no mundo espiritual, que estavam na carne quando aqui chegamos, e assim passam, um após outro, quando terminam a sua obra. Supondes que, em suas mentes e sentimentos, acharam que tinham feito demais? Penso que não. Assim também é com os que permanecem na carne. Não há tempo a desperdiçar, e eu quisesse a Deus que os élderes de Israel pudessem plenamente perceber e compreender a grande obra que Deus pôs sobre os seus ombros — a edificação de seu reino.

Este reino tem continuado a crescer e a se espalhar. Quando aqui chegamos, há trinta e três anos, encontramos este lugar como um deserto árido. Não havia aqui marca do homem branco. Era, em verdade, um deserto, mal se via uma coisa verde. Podeis vê-lo hoje, vós mesmos. Os habitantes de Sião são uma maravilha e um assombro para o mundo. Ocupam estes vales das montanhas, desde Idaho até o Arizona. Os vales, por assim dizer, estão repletos de Santos dos Últimos Dias. E quem são estes Santos dos Últimos Dias? São o povo que o Deus do céu levantou, em cumprimento de promessa e revelação. Ele os ajuntou cuidadosamente pelo poder do evangelho, pelo poder da revelação, e os colocou aqui, nestes vales das montanhas. Já houve algum poder formado contra este povo que tenha tido êxito? Não; e este povo jamais verá o dia em que os nossos inimigos prevaleçam, pela própria razão de que Deus decretou que Sião seria edificada; o reino que Daniel viu avançará, até que a pequena pedra cortada do monte sem mãos encha toda a terra. O povo de Deus será preparado, nos últimos dias, para levar a efeito o grande programa do Todo-Poderoso, e todos os poderes da terra e do inferno combinados não os poderão impedir. Quando vejo a visão que o mundo tem a respeito desta grande obra dos últimos dias; quando ouço questionar se Deus tem algo a ver com ela; quando vejo o sentimento de ódio que se manifesta contra nós, para mim isso é a mais forte evidência de que esta é a obra de Deus. Por quê? Porque fomos escolhidos dentre o mundo, e por isso o mundo nos odeia. Este é um testemunho a que judeus, gentios, e o mundo inteiro devem atentar. Então, se esta é a obra de Deus, que fará o mundo a esse respeito? Que pode esta nação, ou as nações combinadas da terra, fazer a esse respeito? Pode algum poder debaixo dos céus deter o progresso da obra de Deus? Digo-vos que não, não se pode fazê-lo. Não me glorio destas coisas como sendo obra do homem; é a obra do Todo-Poderoso; não é obra do homem. O Senhor chamou homens para labutar em seu reino, e desejo que os élderes olhem para este assunto tal como é, e percebam a nossa posição perante o Senhor. Aqui estamos, um punhado de gente, escolhido dentre umas doze ou catorze centenas de milhões de pessoas; e a minha fé, a respeito deste assunto, é que, antes de nascermos, antes de Joseph Smith nascer, antes de Brigham nascer — a minha fé é que fomos escolhidos para vir a este dia e geração, e realizar a obra que Deus designou que se realizasse. Esta é a minha opinião a respeito dos Santos dos Últimos Dias, e é a razão pela qual os apóstolos e élderes, nos primeiros dias desta Igreja, tinham poder para sair sem bolsa nem alforje, e pregar o evangelho de Cristo, e dar testemunho de seu reino. Não fosse por aquele poder, não teríamos podido realizar a obra. Temos tido de ser sustentados pela mão de Deus até hoje, e seremos sustentados até terminarmos, se guardarmos os mandamentos de Deus, e, se não o fizermos, cairemos, e o Senhor levantará outros homens para tomar o nosso lugar. Portanto, considero que nos foi designada uma obra antes de nascermos. A respeito dos líderes fiéis desta Igreja e reino, começando com Joseph Smith, quantas vezes já ouvi homens dizer, em minhas viagens — por que Deus escolheu Joseph Smith, por que escolheu aquele rapaz para abrir esta dispensação, e lançar o alicerce desta Igreja? Por que não escolheu algum grande homem, como Henry Ward Beecher? Tenho tido apenas uma resposta, em toda a minha vida, para dar a tal pergunta, a saber, que o Senhor Todo-Poderoso nada podia fazer com eles, não os podia humilhar. Não eram a classe de homens escolhida para uma obra desta espécie, em nenhuma era do mundo. O Senhor Todo-Poderoso escolheu as coisas fracas deste mundo. Podia lidar com elas. Escolheu, portanto, Joseph Smith, porque ele era fraco, e tinha bom senso o bastante para o saber. Teve o ministério de anjos, vindos do céu. Teve também o ministério do Pai e do Filho, e dos santos homens que outrora habitaram na carne.

Temos sido obrigados a reconhecer a mão de Deus. Da cova fomos tirados. Fomos tomados do arado, da bancada, das várias ocupações da vida, tendo conhecimento limitado do que o mundo chama de erudição. O Senhor chamou esta classe de homens, como élderes, e, inspirados pelo poder de Deus, saíram, e avisaram o mundo, e aqueles desta geração que rejeitarem o testemunho destes élderes ficarão sob condenação, pois os élderes se levantarão em juízo, e os condenarão. A edificação deste reino recai sobre os nossos ombros — não somente sobre os ombros do Irmão Taylor e dos Doze Apóstolos, mas de todo homem e toda mulher que tenha ouvido este evangelho, e entrado nas águas do batismo, será responsabilizado pela luz e pelo conhecimento que recebeu.

Este é o meu testemunho para vós hoje. Tendes aqui o reino de Deus. Cresceu e aumentou, e continuará a crescer e a aumentar. Olho para este edifício; olho para o tabernáculo aqui; olho para os templos que estão sendo construídos; vejo o que está ocorrendo nas montanhas de Israel, e pergunto o que é. É a obra de Deus. Reconheço a sua mão nisso. Esta é a razão pela qual somos inspirados a construir estes templos. Por que labutamos para os construir é porque chegou o dia em que são necessários. Joseph Smith foi para o mundo espiritual, para destrancar as portas da prisão, nesta dispensação ou geração. Ficou aqui tempo suficiente para lançar o alicerce deste reino, e obter as chaves a ele pertencentes. A última vez que jamais se reuniu com o quórum dos Doze foi quando lhes deu as suas investiduras, e, quando o deixaram, teve o pressentimento de que seria a última vez que se reuniriam. Tinha algo a fazer do outro lado do véu. Tinha mil a quem pregar ali, onde vós e eu temos um na carne. E esta é a grande obra da última dispensação — a redenção dos vivos e dos mortos.

Não deveríamos, como élderes de Israel, tratar levianamente as bênçãos que gozamos. Não deveríamos tratar levianamente o santo sacerdócio, nem tentar usá-lo para qualquer outro propósito, sob todo o céu, que não seja edificar a Sião de Deus. O conselho que foi dado esta manhã, a respeito deste assunto, deveríamos guardá-lo no coração. Os olhos de todas as hostes celestiais estão sobre este povo. Estão observando-nos com a mais profunda ansiedade. Compreendem as coisas melhor do que nós, pois o nosso véu são os nossos corpos, e, quando os nossos espíritos os deixarem, não teremos um longo caminho até entrar no mundo espiritual. Sabem eles da guerra que temos com espíritos perversos e com um mundo perverso, mas que encorajamento temos, quando lemos as revelações! Vivemos numa geração em que o Senhor decretou que o seu reino seria preservado. Os profetas de toda outra dispensação foram chamados a selar o seu testemunho com o seu sangue. A minha fé é que os desta dispensação não serão chamados a fazê-lo. Joseph e Hyrum, é verdade, foram chamados a dar as suas vidas. Por quê? Creio eu mesmo que era necessário selar uma dispensação desta magnitude todo-poderosa com o sangue do testador, por uma razão, e, por outra, o povo que o matou era digno disso, e terá de pagar a conta, tal como os judeus tiveram de pagar pelo sangue do Messias; mas, no que diz respeito aos líderes deste povo, e ao povo em geral, penso que o Senhor pretende que vivamos em paz. A respeito de Brigham Young, todos sabemos a disposição que havia, da parte de seus inimigos, de lhe tirar a vida. Nunca cri, porém, que ele morresse de morte violenta. Nem creio que sejamos chamados a sair e manchar as nossas espadas com o sangue de nossos semelhantes, em nossa defesa. Foi decretado que os perversos matarão os perversos. Ora, dou-vos as minhas opiniões a respeito destas coisas. Falo os sentimentos do meu próprio coração, e aquilo em que creio. Os juízos de nosso Deus serão derramados, mas os élderes de Israel não serão chamados a matar os perversos. Os perversos matarão os perversos. Quando leio a Bíblia, o Livro de Mórmon e o Livro de Doutrina e Convênios, sinto que é conosco como foi com a geração que viveu nos dias de Ezequiel. Naqueles dias, o Senhor disse ao profeta que dissesse ao povo que o que ele dissera, tencionava cumprir. E assim é no dia e era em que vivemos. Todas as coisas se cumprirão. Os juízos do Deus Todo-Poderoso serão derramados sobre os perversos. A ceifa está madura, e sei que o lavrador tem de colher a sua colheita quando estiver madura, senão voltará à terra e apodrecerá.

Quando vejo a maldade e a abominação que prevalecem na Babilônia, cobrindo a terra, por assim dizer, como um poderoso mar — quando vejo estas coisas, sinto-me impelido a perguntar-me: até quando poderão estas coisas se levantar à vista do céu, sem receber a sua recompensa? Em minha própria mente, posso ver uma mudança à nossa porta. Diante das revelações, não posso ver como poderia ser de outro modo. Os sinais do céu e da terra indicam todos a próxima vinda do Filho do Homem. Lede os capítulos 9, 10 e 11 do último livro de Néfi, e vede o que o Senhor disse que ocorrerá nesta geração, quando o evangelho de Cristo tiver sido novamente oferecido aos habitantes da terra. O Senhor não revelou o dia da vinda do Filho do Homem, mas revelou a geração. Aquela geração está sobre nós. Os sinais do céu e da terra predizem o cumprimento destas coisas, e elas se hão de cumprir.

Portanto, procuremos viver a nossa religião. Temos o reino de Deus. Não há dúvida alguma a este respeito. Não a houve com Joseph Smith, quando os anjos de Deus lhe ministraram, e temos tido um testemunho vivo desta obra, daquele dia até este. Qual é o maior testemunho que qualquer homem ou mulher pode ter de que esta é a obra de Deus? Dir-vos-ei qual é o maior testemunho que jamais tive, o testemunho mais seguro, que é o testemunho do Espírito Santo, o testemunho do Pai e do Filho. Podemos ter o ministério de anjos; podemos ser arrebatados nas visões do céu — estas coisas, como testemunhos, são muito boas, mas, quando recebeis o Espírito Santo, quando recebeis o testemunho do Pai e do Filho, é um princípio verdadeiro para todo homem na terra, não engana ninguém, e, por esse princípio, podeis aprender e compreender a mente de Deus. A revelação tem sido vista, por esta Igreja, bem como pelo mundo, como algo muito maravilhoso. Que é revelação? O testemunho do Pai e do Filho. Quantos de vós já tivestes revelação? Quantos de vós já tivestes o Espírito de Deus a sussurrar-vos — a voz mansa e delicada? Eu já estaria no mundo espiritual há muitos anos, não tivesse eu seguido os impulsos daquela voz mansa e delicada. Estas foram as revelações de Jesus Cristo, o mais forte testemunho que um homem ou uma mulher pode ter. Tenho tido muitos testemunhos, desde que me associei a esta Igreja e reino. Tenho sido abençoado, por vezes, com certos dons e graças, certas revelações e ministrações; mas, com todas elas, jamais encontrei nada em que pudesse depositar mais confiança do que na voz mansa e delicada do Espírito Santo.

Sei que esta é a obra de Deus. Sei que Deus está com este povo. Estou ansioso por eles. Estou ansioso pela geração que se levanta, pelos jovens e pelas jovens, pois sei que este reino terá de recair sobre os seus ombros. Quando vejo os males que existem em Salt Lake City, percebo que estão em perigo. As nossas responsabilidades como pais são grandes. Não temos apenas de dar o exemplo nós mesmos, mas devemos orar por eles, e aconselhá-los, e estou satisfeito de que o Senhor preparará os nossos jovens e as nossas donzelas, os filhos e as filhas deste povo, para que tomem este reino e o levem adiante. O reino jamais será derrubado, nem dado a outro povo.

Agradeço a Deus por viver neste dia e era do mundo. Agradeço a Deus por ter ouvido o evangelho. Agradeço ao Senhor por ter sido feito participante do santo sacerdócio, em conexão com o evangelho, e todos os temores que já tive foram a respeito de mim mesmo e de meus amigos. Nunca tive temor algum a respeito do reino de Deus. Não o tenho hoje. Percebo e compreendo, tão bem quanto compreendo qualquer coisa, que este reino é ordenado a permanecer. Crescerá e aumentará. Sião se levantará, e vestirá as suas belas vestes. Os únicos temores que tenho são a respeito de mim mesmo, de minha família, de minhas esposas e de meus filhos. Estamos rodeados de tentações que têm a tendência de nos desviar. Temos de nos precaver contra elas; temos de aumentar a nossa fé, e viver cada vez mais perto do Senhor.

Rogo a Deus que vos abençoe, e abençoe este povo, e abençoe os que são chamados a velar por nós. Temos de velar, bem como orar. Temos de guardar a Igreja e o reino de Deus. Em breve, a nossa missão terminará. Em breve partiremos, e colheremos a nossa recompensa. Vivemos na última dispensação. Joseph Smith, espero, tocará a sexta trombeta. Estará à frente desta dispensação; ou, se não tocar a trombeta desta dispensação, não sei quem o fará. Alguém terá de o fazer, e há de ser alguém que possua as chaves das várias dispensações do mundo. Nenhum outro anjo virá de nenhum outro mundo, para administrar nesta dispensação; ministrarão os homens que aqui habitaram na carne.

Que Deus nos abençoe, e nos ajude a guardar os seus mandamentos, por amor de Jesus. Amém.

Como citar este discursoWilford Woodruff, “Deveres e Responsabilidades do Sacerdócio e dos Santos em Geral—Sião Não Será Vencida—Os Perversos Matarão os Perversos—O Fim Próximo”, (1880-07-03). Pulpit Vault, 1880-07-woodruff-duties-and-responsibilities-of-the-priesthood-and-saints-generally. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).