O Ofício do Espírito Santo—Igualdade Produzida pelo Evangelho—O Mal das Distinções de Classe—Perigo do Apego às Coisas do Mundo—As Riquezas Sozinhas Não Produzem Verdadeira Felicidade—Necessidade de um Coração Contrito—Deveria Haver um Aumento dos Dons Espirituais—Palavra de Sabedoria—O Retorno ao Condado de Jackson
George Q. Cannon
Enquanto estava aqui sentado hoje, veio-me à mente uma parte do registro de Alma, que lerei, tal como se encontra registrada no capítulo 4 do Livro de Alma — (nova edição). ¶
[O orador então leu a maior parte do capítulo 4.] Continuando, disse ele: ¶
Não deveria eu tentar levantar-me para vos falar dos meus próprios pensamentos, ou dos meus próprios sentimentos, ou daquilo que o meu próprio espírito sugerisse. Tenho tido experiência suficiente em minha vida para saber que, para um homem transmitir instrução proveitosa aos seus semelhantes na capacidade de mestre das coisas de Deus, ele precisa do auxílio do Espírito de Deus. Sem isso, não pode transmitir nada que seja de proveito permanente a ninguém. Sei que é o privilégio de um povo situado como nós de conhecer a mente e a vontade do Senhor a nosso respeito, e também, quando nos reunimos numa assembleia desta natureza, de receber a instrução adaptada às circunstâncias de cada indivíduo em particular, e esse é o ofício do espírito. Não posso dizer os vossos sentimentos. Não conheço os vossos corações. Pode haver mágoas secretas, pode haver aflições, pode haver dúvidas, pode haver muitas coisas que vos oprimem os sentimentos, das quais estou inteiramente ignorante. Mas o Espírito conhece as coisas de Deus. Deus conhece os nossos corações, e o seu olho que tudo penetra pode penetrar os mais íntimos recessos dos nossos corações, e cada pensamento, cada segredo lhe é conhecido, e ele pode, por meio do auxílio do seu Espírito Santo, transmitir a cada um aquela porção de força, de conforto, de luz de que cada alma possa precisar para fortalecê-la em sua jornada adiante, no caminho que Deus nosso Pai traçou para seguirmos, e, a menos que uma reunião desta espécie seja acompanhada destes efeitos, para mim é sumamente insatisfatória. Quando vou como ouvinte, desejo ir à reunião para ser alimentado, para sair da reunião com o sentimento de que recebi algo que será um benefício para mim em minha vida, nos atos de minha vida, e assim também se eu falo. ¶
A posição dos Santos dos Últimos Dias, a este respeito, é diferente da de qualquer outro povo que eu conheça sobre a face da terra. Professamos servir a Deus. Professamos ter recebido dele bênçãos como resultado da nossa obediência aos seus mandamentos. Professamos viver por toda palavra que procede da boca de Deus, e cremos que este é um tempo em que Deus fala de várias maneiras aos seus filhos, manifestando-lhes a sua mente e a sua vontade, e que não é conosco como com outros povos, que dependem daquilo que está escrito, que dependem da Bíblia para o alimento e o sustento necessários para os fortalecer. Nós dependemos das revelações de Deus a nós. Neste aspecto, a nossa posição é diferente da de qualquer outro povo que eu conheça, e, naturalmente, sendo esta a nossa posição, é da mais alta importância levarmos a efeito os princípios em que cremos, que devemos viver de tal maneira que a mente e a vontade do Senhor nos sejam manifestadas. Como se comunica esta mente e vontade? Por que meios a mente e a vontade do Pai são manifestadas aos filhos dos homens? Há vários meios. Um é — ele colocou em sua Igreja oficiais cujo dever é instruir a Igreja. No entanto, isto não isenta os membros da Igreja de sua responsabilidade. Cabe também aos membros da Igreja viver de tal modo que, quando forem ensinados e aconselhados, quando lhes for dada instrução, possam saber se essa instrução e conselho vêm de Deus ou não. Este é o privilégio de todo indivíduo, e não há pessoa, por mais humilde que seja, membro da Igreja, que deva estar destituída deste espírito de que falo, desta luz e desta inteligência. Deus, nosso Pai Eterno, é o Pai de todos nós. O relacionamento que existe entre nós e ele não se confina a uma pequena porção da família humana, mas é o mesmo para todos nós; todo indivíduo que esteja dentro das paredes desta casa hoje à noite ocupa, poderia dizer, precisamente o mesmo relacionamento com o nosso Pai, em certo sentido. Não que todos tenham a mesma responsabilidade, não que todos sejam obrigados a desempenhar os mesmos deveres; mas todos ocupam a mesma posição de filhos, e o nosso Pai nos céus é o nosso pai, o Ser a quem adoramos. Como Deus é o pai de todos nós, traçamos a nossa descendência dele, os nossos filhos traçam a sua descendência dele, são tão filhos dele quanto nós somos filhos dele, e frequentemente penso, em minha convivência com os meus próprios filhos, que feriria os sentimentos de uma pessoa adulta tão prontamente quanto os de um dos meus filhos. Penso que, em certo sentido, eles são meus iguais, embora eu ocupe para com eles a posição de pai; e assim sinto para com todos. Ora, o evangelho produz este senso de igualdade. Não poderia haver escravidão onde o evangelho é ensinado em toda a sua plenitude e em sua perfeição. Não poderia haver distinção onde o evangelho é praticado. Ledes aqui — ou, antes, li para vós — neste registro que chegou até nós, que, quando os princípios do evangelho eram praticados entre o povo desta terra, eles eram iguais em muito grande extensão; mas, quando começaram a violar os princípios do evangelho, a sua desigualdade se manifestou. Alguns se ensoberbeceram, alguns olharam com desprezo para os seus irmãos e irmãs pobres. Surgiram classificações na sociedade que tinham a sua origem não na virtude, não na santidade, não na pureza, não em nenhuma superioridade decorrente da inteligência, mas porque alguns eram mais ricos que outros, alguns podiam vestir-se melhor que outros, alguns podiam ter melhores condições que outros, sem dúvida habitavam em casas mais finas, mais bem mobiliadas, e vestiam-se melhor, e provavelmente tinham alimentos mais finos e agradáveis. Distinções desta espécie surgiram não do evangelho, mas da violação dos princípios do evangelho. Onde quer que o evangelho do Senhor Jesus Cristo seja ensinado, ele produz, como já disse, este senso de igualdade; faz com que o homem que possa conhecer e compreender as coisas de Deus sinta que não é melhor do que o seu semelhante, e faz com que a mulher que compreende as coisas de Deus sinta que não é melhor do que a sua irmã. Se este sentimento fosse praticado entre nós, produziria os resultados que vemos que Alma procurou produzir entre o povo, e que ele de fato produziu pela pregação da palavra, conforme registrado nos versículos subsequentes aos que li. Ele saiu pregando a palavra, por achá-la o meio mais eficaz, como descrito pelo historiador, de conter os males que cresciam entre o povo. Assim seria entre nós, dentro de algum tempo, se não fosse a pregação da palavra de Deus, e, com a pregação da palavra, com toda a fé, todo o zelo e todo o poder que os nossos líderes são capazes de exercer, é necessário tudo isso para reprimir estas inclinações e estas tendências. Há algo no coração humano dessa natureza, que, quando os seres humanos prosperam, tendem a se ensoberbecer, e a esquecer a causa ou a fonte de sua prosperidade; tendem a esquecer-se de Deus, que é a fonte de todas as suas bênçãos, e a atribuir a glória a si mesmos. Requer-se uma constante pregação da palavra de Deus, uma constante súplica ao povo, um constante derramamento do Espírito de Deus sobre o povo, para trazê-lo a um verdadeiro senso da sua real condição. Com toda a experiência que os Santos dos Últimos Dias têm tido, quem há entre nós que não perceba esta tendência? Ora, ela constantemente se manifesta. Torna-se, em alguns casos, bastante ofensiva, porque os que são humildes sentem os seus efeitos. Os que são pobres, necessitados e destituídos, não dotados da habilidade de acumular as coisas deste mundo, sentem-na, e muito frequentemente os seus corações se entristecem por causa dela. Esta é a tendência com que temos de lutar, como povo e como indivíduos, e é algo que devemos ter constantemente em mente: que Deus nos enviou aqui, e nos deu uma missão sobre a terra, não para acumularmos riquezas, não para nos tornarmos apegados às coisas do mundo, não para amontoarmos as coisas deste mundo, que são perecíveis, em prejuízo de nós mesmos ou em detrimento do nosso progresso nas coisas do reino de Deus. É certo que devemos cuidar de nós mesmos, como povo e como indivíduos? Certamente. É certo que devemos ser prudentes, que devemos cuidar destes dons e bênçãos que Deus nos deu, que devemos administrar bem os nossos recursos, que devemos ser econômicos, e não extravagantes? Certamente; isto é certo, isto é próprio, seríamos culpados se não o fôssemos. Mas, com isto, também se exige outra coisa, a saber, que tenhamos constantemente em vista que a gestão e o cuidado destas coisas não é o objetivo pelo qual Deus nos enviou aqui, que não é o objetivo da nossa provação. Deus tem mostrado a este povo repetidamente — e dificilmente há um único membro da Igreja que não tenha tido experiência disto — que ele pode dar e pode tirar. Tenho agora em mente muitos casos de homens de posses — pelo menos relativamente ricos — que se filiaram a esta Igreja, e pareceu que houve uma sucessão de eventos, depois que se filiaram à Igreja, que os privou de tudo o que tinham, para testar aparentemente a sua fé, mas para lhes mostrar que Deus não dava aos homens os meios com o propósito de que colocassem neles as suas afeições, e então, depois de despojados, ele tem, em muitos casos, começado a abençoá-los novamente, e lhes permitido ter meios em maior abundância do que jamais haviam tido antes. Ele tem feito assim com este povo. Fomos despojados de nossa propriedade, reduzidos ao último extremo, quanto ao alimento e a outros conforto necessários, e, ainda assim, Deus tem multiplicado sobre nós estas bênçãos, quando nos enviou alimento, e tivemos abundância. Mas a felicidade de um povo não consiste na abundância das coisas mundanas, isto é, na abundância de alimento, ou de vestuário, ou de casas, carruagens, cavalos, e trajes custosos. É verdade que, se somos aliviados da pressão da necessidade, se temos com que suprir as nossas necessidades, sentimo-nos melhor, sentimos um alívio que não sentimos quando oprimidos pela pobreza. Mas a felicidade não depende inteiramente destas circunstâncias, como sem dúvida muitos dos meus irmãos e irmãs já provaram. Eu mesmo o provei, para minha inteira satisfação. Já estive em circunstâncias reduzidas; já estive em missões quando não sabia onde obter um bocado para comer; já fui rejeitado pelas pessoas, que não ousavam hospedar-me, por causa da ira que se acendia contra nós. Eu podia ficar ali chorando, sendo um rapaz e longe de todos os meus amigos. Mas, ainda assim, era feliz. Nunca me diverti tanto na vida como então. Sei que a felicidade não consiste na posse das coisas do mundo. Ainda assim, é um grande alívio quando as pessoas podem ter os meios necessários para o sustento de si mesmas e de suas famílias. Se possuem estas coisas, e o Espírito de Deus com elas, são abençoadas. Mas o Senhor exige de nós, neste dia, coisas diferentes das que exigia nos dias antigos. Penso frequentemente nisso. ¶
Há grande desigualdade entre nós, como povo, não tão grande quanto a descrita pelo escritor no livro de Alma, mas ainda assim há grande desigualdade entre nós, muito orgulho, e mais desunião do que deveria haver. Este povo não está unido como deveria estar. Há muitas coisas existentes entre nós que deveriam ser desarraigadas, e não deveriam ter existência em nosso meio. E qual é a razão de estas coisas existirem? A razão está na nossa negligência dos princípios que abraçamos. O Senhor exige de todo o seu povo, nestes dias, que lhe traga um sacrifício. Em tempos antigos, antes da vinda do Senhor Jesus, lemos na Bíblia que o povo trazia as suas ofertas de bois, de ovelhas, de aves de várias espécies. Estas eram holocaustos, eram sacrifícios, o sangue dos animais corria, e os pecados do povo aparentemente eram remidos por sua obediência a estas exigências. Mas o Senhor tem dito, a nosso respeito, que a oferta que ele exige de nossas mãos é um coração quebrantado e um espírito contrito. Permiti-me perguntar-vos — e, ao vos perguntar, pergunto-me a mim mesmo — trazeis vós, quando vos apresentais ao Senhor, esta oferta, ou ides a Deus sem lhe pedir neste espírito e desta maneira? Se fordes ao Senhor com um coração quebrantado e um espírito contrito, ele vos mostrará todas as vossas faltas, e todas as vossas fraquezas, ele vos porá claramente diante de vós onde tendes falhado em fazer a sua vontade, e, quando vos virdes à luz daquele espírito, em vez de ficardes cheios de orgulho, sentireis vontade de vos abater e de vos rebaixar até o próprio pó da humildade; a vossa própria indignidade vos estará tão clara, que, se o orgulho entrar em vosso coração em algum momento, ficareis quase chocados com ele, e sentireis vontade de o afastar de vós. É deste modo que nós, Santos dos Últimos Dias, devemos viver. Há bastante ensinado a nós na Bíblia, no Livro de Mórmon, na Doutrina e Convênios, e por nossos líderes de tempos em tempos, para nos guiar até a presença de Deus, nosso Pai Celestial. Devíamos ser o povo mais humilde da face da terra. Por quê? Porque Deus, ao nos comunicar o conhecimento de nossa fraqueza e de nossas faltas, nos dará humildade. Devíamos ser o povo mais grato da terra. Por quê? Porque, devido à abundância da bondade e da misericórdia de Deus para conosco, e reconhecendo-a como devemos, encher-nos-á de uma gratidão que as palavras não poderiam expressar; os nossos corações transbordariam de extrema gratidão ao Senhor nosso Deus, pelas bênçãos que gozamos. Nestas circunstâncias, deveria haver murmuração? Nenhuma. Deveríamos encontrar defeito em nossa condição e em nossas circunstâncias? Certamente não, se estamos vivendo a religião que Deus nos revelou. Deveria haver contendas ou censuras? Não; porque, onde existe o Espírito de Deus, não há disposição desta natureza. Há uma manifestação de sofrer o mal, em vez de fazer o mal; de não ultrajar, de não perseguir, de não atacar de volta quando somos atacados. Se um irmão vem até mim, está de mau humor, diz algo que me irrita, e eu perco a paciência e respondo no mesmo espírito, ajo eu corretamente? Certamente não. Por maior que seja a provocação, não é meu dever, como Santo dos Últimos Dias, como professo seguidor de Jesus Cristo, indulgir em tal sentimento ou expressão. Bem, mas alguém pode perguntar: temos de nos submeter ao abuso? Sim, essa é uma das exigências do evangelho, que vos submetais ao abuso. Temos de nos submeter à injustiça? Sim, se alguém tenta prejudicar-vos, é vosso dever, como professos seguidores de Jesus Cristo, submeter-vos a isso. Suponhamos que sou golpeado, devo submeter-me ao golpe? Sim, devo, senão não estou pondo em prática os princípios de minha religião. Bem, mas suponhamos que uma pessoa profira falsidades a meu respeito, me ataque e me ultraje, devo submeter-me a isto? Sim. Por quê? Porque as exigências do evangelho do Senhor Jesus Cristo são que assim o façamos, que não contendamos, que suframos o mal e a injustiça, e oremos pela pessoa que nos faz estas coisas. Sei que esta é uma lição difícil. Alguns homens considerariam os seus filhos covardes se não revidassem quando fossem golpeados. Ensinam os seus filhos a revidar quando são golpeados, a ressentir os ataques que sofrem. Depois, também, se um homem chama outro de mentiroso, a primeira coisa que sabemos é que o homem foi derrubado, e, como resultado dessa educação, seria considerado indigno de um homem se não vingasse o insulto desta maneira. Estou muito contente, porém, de que uma mudança tenha ocorrido a este respeito. É preciso que haja mudanças desta natureza entre nós. Se um homem se esquece de si mesmo, a ponto de chamar o seu irmão de mentiroso, ou de qualquer outro nome ofensivo, deveria haver espírito de Deus suficiente, e espírito de paciência e de amor-próprio suficiente no irmão, para suportar o insulto sem se ressentir no mesmo espírito. Faria isso de nós pusilânimes? Faria isso de nós um povo destituído de espírito? Certamente não; há bastante espaço para o exercício de todo o espírito que temos, ao enfrentarmos as dificuldades que temos na vida, sem o exercermos desse modo, sem o desperdiçarmos em contendas insensatas. Se temos este espírito a que aludi, este espírito manso, humilde, quebrantado e contrito, não produzirá ele união? Sim, produzirá; produzirá união e amor, e desejo dizer a todos os que aqui estão esta noite, que é o dever de todo homem e mulher nesta Igreja viver em paz consigo mesmo e consigo mesma, e depois viver em paz com todos os demais, maridos com esposas, esposas com maridos, pais com filhos, filhos com pais, irmãos com irmãs e irmãs com irmãos; este é o dever que Deus exige de nossas mãos. Falo agora de algo que não é uma teoria abstrata, que não se possa levar a efeito; falo daquilo que se pode levar a efeito, que cada um de nós pode levar a efeito, e de resultados que se podem alcançar no meio deste povo. ¶
O sentimento tem crescido em mim, e cresce em mim a cada dia, de que, como povo, não vivemos à altura dos nossos privilégios. Não temos o conhecimento das coisas de Deus que deveríamos ter. Não há aquela quantidade de revelação que devêssemos gozar. Os dons do espírito não se manifestam na extensão em que deveriam. Há revelação? Sim, sei disso, e posso testificá-lo. Há dons, há bênçãos gozadas pelo povo? Sim, estou convencido disso. Há manifestações da bondade e do poder de Deus entre este povo? Estou satisfeito de que há manifestações desta natureza. Os enfermos são curados. A mente e a vontade do Senhor são comunicadas ao povo, mas não naquela extensão em que deveriam ser, considerando as nossas circunstâncias, e considerando o tempo que a Igreja tem estado organizada. Quem há que não esteja consciente disto? Perguntai a vós mesmos, cada um de vós: "Tenho eu o conhecimento das coisas de Deus que deveria ter? O Espírito de Deus dá testemunho a mim, e me avisa e me ensina, como deveria fazer?" Que cada um faça a si mesmo esta pergunta. Ora, se vivêssemos como devemos, não haveria evento algum de qualquer importância que pudesse ocorrer sem que tivéssemos alguma indicação a seu respeito; estaríamos preparados para ele, estaríamos preparados para todo evento público que nos afetasse, todo evento privado, tudo desta natureza que pudesse nos ocorrer, e que nos afetasse na menor medida, seria conhecido de nós no exato momento. O Espírito de Deus, com suas advertências, nos diria: "Se seguires esse caminho, há perigo, poderás perder a vida, poderás sofrer algum acidente." As mães teriam os ensinamentos do espírito a respeito de seus filhos, e como cuidar deles, e os pais também, a respeito de suas famílias. Não estou falando de algo que esteja inteiramente fora de nosso alcance, e que nos seja impossível receber. Estou falando de algo que está ao alcance de todos nós, em maior ou menor grau. Alguns são dotados numa direção, e outros noutra. Mas todos os que pertencem a esta Igreja, e tomaram o rumo que Deus apontou, e se humilharam em obediência aos mandamentos de Deus, e procuraram levar a efeito estes mandamentos, têm esta promessa feita a eles: que serão ensinados pelo Senhor. ¶
Se há um desejo que tenho, como indivíduo, maior que outro, é que eu viva de tal maneira que tenha esta bênção, e depois, que vós, esta Igreja, este povo, vivais de tal maneira que a tenhais também. Eu não desejaria ter estes dons, a menos que outra pessoa também os tivesse, pois aprendi em minha vida que, quando um homem é mais abençoado do que os seus semelhantes, a tentação entra, o orgulho entra, e o adversário tende a sugerir-lhe que ele é muito melhor do que os seus semelhantes. Portanto, se eu desejasse ter grandes dons do Senhor, nunca senti — e não creio que jamais sentirei, certamente não sentirei, com o meu estado de sentimento atual — que os desejasse apenas para mim mesmo; gostaria que outra pessoa também os tivesse. Não gostaria de ser o homem mais rico da comunidade; não gostaria de ser o mais dotado, o mais proeminente ou o mais honrado em qualquer aspecto. Gostaria que outros participassem destas bênçãos. Então teria menos medo quanto ao efeito delas sobre mim mesmo. Quando sou abençoado, quero ver os Santos dos Últimos Dias abençoados, quero ver o povo de Deus receber os dons de Deus, e gozá-los, para que todos possamos crescer, aumentar e nos desenvolver juntos. ¶
Notei, quando era muito jovem na Igreja, que os homens que eram grandemente dotados pelo Senhor, e que tinham muitas manifestações, foram os homens que apostataram; com exceção do Profeta Joseph Smith, quase todos foram derrubados. Suponho que a razão disto seja que se ensoberbeceram, e permitiram que o adversário se aproveitasse deles. Gostaria bastante de ver estes dons e bênçãos multiplicados entre nós e sobre nós, que, como povo, tivéssemos sonhos, visões e manifestações do Espírito; mas há uma coisa de que todos nós temos de ter muito cuidado, e é esta: tenho visto, em minha experiência, élderes que, quando o seu próprio espírito se movia muito, imaginavam que fosse o Espírito de Deus, e era difícil, em alguns casos, distinguir entre as sugestões de seu próprio espírito e a voz do Espírito de Deus. Isto é, em si mesmo, um dom, poder distinguir aquilo que se sugere aos nossos próprios corações e aquilo que vem de Deus. E às vezes somos enganados por nosso próprio sentimento, por causa de nossa incapacidade de distinguir entre a voz do Espírito de Deus e as sugestões de nosso próprio espírito. Há uma voz mansa e delicada no coração de todo ser humano. Há uma influência que vem com todo filho e toda filha de Adão que nasce ao mundo. O quê! Fora dos Santos dos Últimos Dias? Certamente; eu vos disse, no princípio, que somos todos filhos de Deus. Há uma influência nascida com toda pessoa, que, em certa medida, é um espírito de revelação. Por isso, encontrareis frequentemente o caso — provavelmente alguns de vós, adultos, já o experimentastes, quando vos filiastes à Igreja — de que esta influência vos disse aquilo que se provou verdadeiro. O Irmão Woodruff, aqui presente, já o ouvi contar, em sua experiência, como foi conduzido, antes de se filiar à Igreja, por esta influência, como ela operou em sua mente até que entrou em contato com a verdade. Ouvi vários outros relatarem a mesma coisa, e, se receberam a verdade, esta influência cresceu com eles, mas, se rejeitaram a verdade, se recusaram receber o testemunho dos servos de Deus, a luz que havia neles se tornou trevas, e, como disse o Salvador, quão grandes são essas trevas! Proclamo como verdade que, quando um homem ou uma mulher entra nesta Igreja, e é batizado, arrepende-se de seus pecados, humilha-se no fundo da humildade diante do Senhor, decidido, com a ajuda dele, a abandonar os seus pecados, a afastá-los de si, digo, quando um homem ou uma mulher vem ao Senhor neste espírito, e vive de tal modo que o Espírito Santo repousará sobre ele, não haverá, dali por diante, evento algum de qualquer importância sem que ele tenha alguma indicação a seu respeito, alguma premonição, e caminhará na luz, alguns em maior extensão do que outros, porque alguns são mais dotados do que outros, alguns vivem de tal maneira que fazem desenvolver isso dentro de si em maior extensão. Mas, se continuarem a cultivar este espírito, a viver na sua luz, ele se tornará para eles um princípio de revelação infalível. ¶
É este o vosso privilégio? Certamente que sim. É também o privilégio dos filhos, meninos e meninas, moços e moças, dos de meia-idade e dos idosos, gozarem disto. Não se confina a ninguém em particular, a nenhum sexo, a nenhuma posição particular na vida, mas se estende a todos. É o desígnio de Deus que assim seja. Mas está fraco dentro de nós, por causa das gerações de incredulidade e maldade de coração que existiram. Herdamos uma grande quantidade de incredulidade dos nossos pais; ela chegou até nós. Os céus têm sido como bronze sobre a cabeça do povo, e tem havido um espírito de incredulidade, que excluiu as revelações de Jesus e as manifestações do Espírito de Deus. ¶
Há cinquenta anos, esta Igreja foi organizada. Há homens e mulheres que estiveram cinquenta anos na Igreja, alguns que estiveram quarenta anos, muitos, trinta anos, um número ainda maior, vinte anos. Não é já tempo, então, depois de tudo o que temos ouvido, e tudo o que sabemos a respeito destas coisas, de que parte desta incredulidade desapareça, e de que mais daquele amor se manifeste, que nos aproxima de Deus e nos coloca em comunhão mais estreita com ele? Não é já tempo de que isto se dê com os nossos filhos? Ora, parece-me que sim, e não tenho dúvida de que assim seja. E, no entanto, há muito espaço para melhoria nestas coisas. ¶
Há uma coisa, acima de todas as outras, que me surpreende quando penso a respeito dela, entre o nosso povo. Há muitos anos, o Senhor nos deu, como povo, aquilo que se chama a "Palavra de Sabedoria." É uma coisa a que muito raramente aludo. Nunca em minha vida bebi chá ou café, nunca bebi bebida alcoólica, nunca usei tabaco, e tenho procurado guardar a Palavra de Sabedoria. Não é mérito meu; os meus pais a incutiram em mim. Nunca aludo a isto em discurso público. Nunca aludo a isto em minha família. Tenho dado o exemplo, e lhes permitido segui-lo, e a maioria deles o fez. Mas, quando penso nisso, quando vejo o nosso povo, depois do que Deus disse sobre este assunto, depois da maneira clara com que nos falou, e nos disse qual seria o resultado da observância de certas leis, deliberadamente, dia após dia, desafiando o conselho que Deus nos deu naquela Palavra de Sabedoria, fico extremamente assombrado, e me pergunto como Deus nos suporta. É coisa grave brincar com aquela promessa, e com as muitas promessas que estão ligadas àquela promessa e ligadas à Palavra de Sabedoria. Vemos jovens aprendendo a beber bebidas alcoólicas, a fumar e a mascar tabaco, e adquirindo este hábito e aquele outro, expressamente proibido, ou, ao menos, sobre os quais se dá aquele conselho, que deveria ser mais obrigatório, porque vem com um apelo a nós — apela ao nosso senso de retidão, o que um mandamento não faz, porque um mandamento vem com estritas injunções, que não deixam alternativa senão obedecer; mas isto é uma palavra de conselho, de um pai bondoso, e ele nos diz que, se a observarmos, teremos saúde, o destruidor não terá poder sobre nós, nem sobre as nossas famílias, e que teremos tesouros de conhecimento e sabedoria que nos serão dados. Suponhamos que há aqui muitos jovens que pertencem a esta Igreja, alguns dos quais são muito ávidos por conhecimento — lendo livros, estudando, indo à Universidade, imaginando que essa seja a maneira mais direta e fácil de o obter, e, ao mesmo tempo, estes mesmos jovens, membros da Igreja, bebendo o seu chá e o seu café, e fumando os seus cigarros. Não parece uma grande inconsistência que homens e mulheres façam estas coisas? Proclamo-vos, Santos dos Últimos Dias, que a Palavra de Sabedoria é a palavra de Deus, que aqueles que a obedecerem receberão toda bênção que é prometida na revelação, que terão saúde, e que terão poder e bênçãos que não podem conceber até que a experimentem. É uma coisa simples, e, no entanto, mostra quão negligentes somos, como povo. Creio que não está distante o tempo em que teremos de ser muito diferentes do que somos, a este respeito. Dir-vos-ei o que às vezes tenho pensado: que o Senhor vai tratar-nos como tratou os israelitas. Eles endureceram os seus corações contra o Senhor, tornaram-se descuidados e desobedientes, e, por fim, o Senhor, em sua ira, decretou que nenhum deles, com exceção de Calebe e Josué, entraria na terra prometida. As palavras que se usam são muito expressivas. Os seus cadáveres haviam de cair no deserto, todos acima de certa idade. Mas o Senhor poupou os pequeninos. Ele levantou uma nova geração, e a conduziu à terra prometida. Temos a mesma promessa de que alguns permanecerão para voltar à terra prometida, e sinto-me satisfeito de que se cumprirá. Mas não seria melhor para todos nós exercer fé e fazer o certo, para que todos pudéssemos receber o cumprimento desta promessa? Certamente. Houve tempos em nossas vidas em que sentimos que faríamos qualquer coisa pelo bem do espírito que havíamos recebido. Há alguma pessoa nesta Igreja, nesta sala, esta noite, que não tenha visto o tempo em sua vida — se teve alguma experiência — em que sacrificaria qualquer coisa para estar na posse do Espírito de Deus? Todos os que se filiaram a esta Igreja, de qualquer idade e experiência, sabem que este é o caso. Há uma doçura a ser experimentada ao receber o Espírito de Deus, que é preferível a tudo o mais na vida. Todos deveriam estar na posse deste espírito. Se não o tendes, deixai-me dizer-vos: não descanseis até o obterdes. Não creio no estilo sectário de fazer as coisas, nem vós tampouco; mas há algumas coisas sumamente necessárias, que todos devem fazer, quer pertençam a esta Igreja ou não, e é examinar as suas vidas, e ver onde falharam, e arrepender-se e humilhar-se diante do Senhor, e obter uma renovação do seu Espírito Santo. Naturalmente, as pessoas que não pertencem a esta Igreja provavelmente não seguirão este rumo; e, no entanto, no mundo sectário, sentem a necessidade de avivamento. Como povo, deveríamos viver dia após dia, de modo a ter o Espírito de Deus repousando sobre nós. ¶
Tenho grande prazer em testificar-vos a respeito de minha própria experiência nestes assuntos. Estive ausente agora por uns oito ou dez anos, mais da metade do meu tempo, longe da Igreja; sozinho, por assim dizer; não tive as vantagens de outros Élderes, porque estão visitando entre os vários ramos. Posso, portanto, apreciar estas coisas que talvez não apreciasse se tivesse estado constantemente na sociedade dos Santos. Às vezes lamento isto; sinto que não tenho as vantagens que os meus irmãos têm; mas não tenho dúvida de que o Senhor o compensa de outras maneiras. Provei, para minha inteira satisfação, que Deus está disposto a revelar-se aos seus servos em todas as circunstâncias, a tornar clara para eles a sua mente e a sua vontade, e tive de viver deste modo enquanto estive ausente. As circunstâncias têm sido, às vezes, de tal natureza, que eu não podia ver o que fazer por minha própria sabedoria; mas nunca, até hoje — e não digo isto por vaidade alguma, digo-o para vos animar; não o digo porque me considere abençoado acima de vós, mas digo-o porque é vosso privilégio, e porque gostaria de vos incitar à fé, para que recebais essas bênçãos de Deus — digo que nunca houve um momento, enquanto estive ausente, em que não me fosse mostrado o que fazer, que passos tomar, o que dizer e o que não dizer. Dá-me grande alegria dar testemunho destas coisas; e, se há uma coisa pela qual me sinto mais agradecido do que por outra, é que Deus restaurou a sua Igreja, e que tenho o privilégio de ser membro dela. Quando o Irmão Erastus Snow falava hoje, e quando o Irmão Woodruff falava ontem, mal podia me controlar. Ouvistes como o Senhor conduziu os irmãos através destas planícies, e como, quando o Presidente Young viu este vale, disse ao Irmão Woodruff, e depois aos irmãos do acampamento: "Aqui é o lugar." Havia alguma dúvida em sua mente? Não; o Senhor lhe havia revelado o lugar, ele o sabia por si mesmo. Recordo-me de, em certa ocasião, ter dito ao Presidente Young, no primeiro ano em que aqui estivemos — eu era então um rapaz bem jovem — que, se pudéssemos apenas obter pão e água, ficaria satisfeito, se pudéssemos apenas ter paz. Bem, tivemos paz. Não fomos molestados; de fato, nunca um povo, sobre a face da terra, gozou de tempo mais pacífico do que o que tivemos quando entramos nestes vales. O Presidente Young sabia o que o Senhor faria. O Senhor lho havia revelado, e descrito muitas coisas que ainda não ocorreram. Não é isto precioso? — ter a palavra do Senhor, saber que somos conduzidos pela inspiração do Todo-Poderoso. É uma das maiores bênçãos que um povo pode gozar. Desde que a Igreja foi organizada, temos sido conduzidos por revelação. E quem foi por isso enganado? As pessoas sempre prosperaram quando ouviram a voz do Pastor. Assim foi nos dias de Joseph, assim foi nos dias do Presidente Young, assim é hoje sob o Presidente Taylor, e assim será até o fim. O Senhor estendeu a sua mão para realizar os seus propósitos, e ela não será retirada até que tudo se cumpra. Não ficaremos destituídos da voz da revelação. Podemos fazer muitas coisas contrárias à mente e à vontade de Deus, pelas quais ele nos castigará e açoitará, se for necessário; mas não retirará de nós o seu Sacerdócio, e a sua voz não deixará de se ouvir; será dada àqueles de seus servos que vivam para ela, e eles conhecerão a mente e a vontade de Deus para este povo. A perseguição pode continuar. As pessoas podem dizer que não temos os dons; mas o Senhor não nos abandonará; não nos abandonou; fará deste povo uma grande nação; e não há poder sobre a face da terra que possa deter o progresso do "mormonismo," como o mundo o chama, mas que é o evangelho do Senhor Jesus Cristo. Ele crescerá, aumentará e se espalhará, como o Profeta Daniel o viu, até encher toda a terra. Alguns de vós podeis desanimar-vos, e dizer que o Senhor tarda a sua vinda, e começar a enfraquecer-vos na fé, por causa da embriaguez e do jogo em nosso meio, e dizer que Sião não será redimida, porque os nossos inimigos têm tanto poder. Mas impedirá isso a redenção de Sião? Não. O Senhor está nos conduzindo através destas circunstâncias. Houve um tempo em que fomos perseguidos por turbas, e a nossa fé foi provada de várias maneiras. É necessário que ainda haja provações, para testar a fé deste povo. Não há turbas agora, não nos queimam mais as casas, nem nos matam o gado a tiros. Mas estaremos sem provações? Não. Por quê? Porque é necessário — pelo menos, aceito-o como necessário na providência de Deus — que haja salões de bebida, etc., para que os Santos dos Últimos Dias, que tanto professam, possam, se quiserem beber cerveja e embriagar-se, ou entrar e jogar bilhar e apostar, ou ir a outros lugares piores — possam fazê-lo. "Mas," diz alguém, "eu pensava que, ao vir para Sião, viria a um lugar de pureza, onde nenhuma destas coisas existisse." Se assim fosse, como seríeis provados? É necessário que sejais provados por algum tempo, para desenvolver a vossa força. Temos de ser postos em contato com o mundo, e temos de mostrar ao mundo que há algo ligado à nossa religião que é duradouro. No entanto, todas estas coisas têm sido fonte de força para nós. Ora, diz alguém, como pode ser isso? Bem, agora, estou em posição de conhecer o sentimento para conosco. Os nossos inimigos têm tentado obter legislação contra nós. Mas alguns dizem: "de que serve legislar contra os mórmons? Se apenas os deixardes em paz, tudo se resolverá bem. Os católicos, os episcopais, os metodistas, os batistas, os infiéis, têm as suas casas de reunião, as suas escolas, os seus jornais, e têm bordéis, casas de jogo, salões de bebida, e lojas de chapéus, e não podeis imaginar que grande obra estas coisas estão fazendo entre os mórmons! Os jovens estão crescendo, e não querem mais de uma esposa. Ora, já é o quanto podem fazer, manter uma. As moças querem chapéus finos, vestidos finos, mobília fina. De que serve recorrer a legislação injusta, quando estas coisas estão acontecendo? Quando se livrarem da poligamia, serão um bom povo." Tenho às vezes pensado que, na providência de Deus, ele permite tais coisas. Ao mesmo tempo, isto está operando sobre o nosso próprio povo. Os nossos jovens são levados a fumar, a beber, e a fazer o mal. Ao mesmo tempo, as provações são necessárias; temos de ser postos à prova, e, quando saírmos destas provações, sentir-nos-emos melhores e mais fortes. Esqueceu-se o Senhor de Sião? Pode uma mãe esquecer-se do filho que amamenta? Podeis vós, mães, esquecer-vos de vossos bebês de colo? Quando o fizerdes, o que não é muito provável, então o Senhor poderá esquecer-se de Sião. O seu olho está sobre Sião. A sua mão está sobre este povo. A sua mão tem dirigido todas as coisas para o bem deste povo e para a sua salvação. Será Sião redimida? Sim. Sereis vós redimidos? Isso cabe a vós dizer. Serei eu redimido? Isso cabe a mim dizer. Não precisamos ter medo algum quanto ao bem-estar desta obra; não precisamos tremer, nem pensar que há perigo. O Congresso pode aprovar leis, podem-se fazer tentativas para derrubar esta obra; mas não precisamos ter medo: Sião será redimida. Muitos cairão pelo caminho, muitos perderão a fé, muitos serão desviados por espíritos falsos e sedutores; mas haverá os que serão salvos e exaltados, e todos nós que aqui estamos, esta noite, temos este privilégio, se o aceitarmos; podemos ser salvos, cada um de nós, e coroados de glória na presença de Deus e do Cordeiro. Não há provisão que nos exclua; não estamos predestinados à condenação; estamos predestinados a sermos salvos, se aceitarmos a salvação oferecida. Portanto, no dia do Senhor Jesus Cristo, se não formos salvos, não poderemos erguer os olhos e acusar a Deus de ter feito algo para nos impedir, não teremos ninguém a culpar senão a nós mesmos, e esse será o nosso inferno. ¶
Rogo ao Senhor, em nome de Jesus Cristo, que todos sejamos salvos e exaltados no reino celestial. Vivamos a nossa religião, esta preciosa e santa religião, e permiti-me dizer-vos que, se não tendes tido ultimamente a felicidade dela, obtende a felicidade que ela produz, e não a trocareis por nada mais no mundo. Deveria ser uma pérola de grande valor para todos nós, e deveríamos apreciá-la mais do que apreciamos as nossas próprias vidas. Amém. ¶