Pulpit

O Ajuntamento dos Santos—Seus Sofrimentos—Antigas Predições Cumpridas—Os Grilos e Sua Destruição Miraculosa—Colheitas Salvas—Deserto Feito Frutífero—O Reino de Deus nas Montanhas—Seu Futuro Destino—A Vinda do Senhor

Orson Pratt

1880-06-20

Chamarei a atenção da congregação para alguns versículos, contidos no Salmo 50, os primeiros seis versículos: "O Deus poderoso, o Senhor, falou e chamou a terra desde o nascimento do sol até o seu ocaso. Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus. Virá o nosso Deus, e não se calará; um fogo se irá consumindo diante dele, e haverá grande tormenta ao redor dele. Chamará os céus lá do alto, e a terra, para julgar o seu povo. Ajuntai-me os meus santos, aqueles que fizeram comigo um convênio com sacrifício. E os céus anunciarão a sua justiça, pois Deus mesmo é o Juiz." É bastante evidente que o Salmista, ao escrever estas palavras, deve ter sido inspirado pelo Deus vivo; pois os acontecimentos aqui preditos estão claramente expostos em muitas outras partes das sagradas escrituras. Dois eventos muito importantes são aqui anunciados; um é o ajuntamento dos Santos — aqueles que fizeram um convênio com o Senhor por meio de sacrifício — e o outro é a vinda do Senhor, não a sua primeira vinda, mas o seu segundo advento, quando um fogo se irá consumindo diante dele, e haverá grande tormenta ao redor dele; quando ele, em outras palavras, virá em sua majestade, em seu poder, em grande glória, ou, como o apóstolo Paulo o expressa em uma de suas epístolas aos tessalonicenses, "quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." Parece haver, associado a este advento do Senhor desde os céus, grande poder; o seu braço há de ser manifestado diante de todo o povo. Preparatório a este grande evento, haverá um ajuntamento universal dos Santos, dos quatro cantos da terra. É um dos sinais que precedem o segundo advento. É claramente predito por muitos dos profetas. Davi alude a isto, não apenas neste Salmo, mas em muitas partes dos seus Salmos. O Espírito de Deus parece ter operado sobre ele para retratar, mais ou menos, a grande obra do ajuntamento dos Santos nos últimos dias. Muitos supõem que ele virá e encontrará os Santos espalhados por todo o mundo, não ajuntados em nenhum país especial, mas é evidente que aqueles que tomaram esta visão do assunto não compreendem os escritos das Escrituras. Nada é mais claro em todas as sagradas Escrituras do que o ajuntamento do povo de Deus. O apóstolo Paulo, no primeiro capítulo de sua epístola aos Efésios, profetiza "que, na dispensação da plenitude dos tempos, tornaria a congregar em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra." Parece ser uma nova dispensação, uma dispensação caracterizada pelas palavras "plenitude dos tempos." Quando estes tempos se cumprirem: quando chegar o dia para que esta grande obra preparatória se realize, o Senhor o indicará falando desde os céus; ou, como está aqui declarado, no quarto versículo deste Salmo que acabei de ler, "chamará os céus lá do alto, e a terra, para julgar o seu povo. Ajuntai-me os meus santos, aqueles que fizeram comigo um convênio com sacrifício." Disto tiramos a conclusão de que, quando a dispensação for plenamente introduzida: quando chegar o tempo para que a grande obra preparatória se realize, os céus já não estarão mais selados, mas o Senhor voltará a falar, chamará os céus, chamará os seus anjos, chamará os antigos profetas que morreram e seguiram o caminho de toda a terra, e que habitam nos céus, para realizarem a obra que lhes foi designada, na grande e última dispensação da plenitude dos tempos, ao efetuarem o ajuntamento e a restituição do seu povo sobre a face da terra. Davi, no Salmo 107, retratou muito claramente este maravilhoso e grande evento. Talvez seja bom lermos as palavras exatas. Ele começa o Salmo assim: "Louvai ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre. Digam-no os remidos do Senhor, os que redimiu da mão do inimigo." Ora, notai o ajuntamento — "E os que congregou das terras do oriente e do ocidente, do norte e do sul." Parece ser um ajuntamento dos quatro pontos cardeais, de todas as terras. Podeis perguntar se os profetas disseram algo especial a respeito do país para onde estes Santos, ou povo de Deus, hão de ser ajuntados. Leiamos o versículo seguinte. Depois de os ajuntar das diferentes terras e países, do oriente, ocidente, norte e sul, diz o Salmista: "Andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitários; não acharam cidade para habitar. Famintos e sedentos, a sua alma neles desfalecia. E clamaram ao Senhor na sua angústia, e ele os livrou das suas dificuldades. E os levou por caminho direito," etc. Ora, isto não pode se referir a nenhuma dispensação anterior de ajuntamento. Quando os filhos de Israel, nos tempos antigos, foram reunidos como um corpo, não foram tomados do oriente, ocidente, norte e sul, mas foram tomados de um pequeno país — a terra de Gósen, no Egito. Dali, este punhado de gente, cerca de dois milhões e meio, foram tirados, e, com o tempo, tiveram permissão de habitar a terra de Canaã. Mas este ajuntamento de que aqui se fala nos informa que hão de ser ajuntados de todas as terras. Quem? Os remidos do Senhor — pessoas que ouviram a mensagem da redenção, obedeceram às ordenanças da redenção, receberam o evangelho da redenção, e eram o povo de Deus, o povo de Cristo; foram estes os que haveriam de andar desgarrados pelo deserto, depois de assim ajuntados, e esse deserto seria um caminho solitário. Ora, no ajuntamento do Egito para a terra de Canaã, eles andaram desgarrados, é verdade, num pequeno deserto, no lado leste do Mar Vermelho, mas, em vez de os trazer para onde não havia cidade nem habitação, ele os trouxe para grandes e populosas cidades. A primeira cidade a que chegaram, depois de atravessar do lado leste do Jordão para a terra do lado oeste, foi a grande cidade de Jericó, que o Senhor entregou em suas mãos; e depois houve numerosas outras cidades, mencionadas no Livro de Josué, que foram entregues nas mãos do povo. Os filhos de Israel foram ajuntados de uma só terra; mas este ajuntamento dos últimos dias haveria de ser um povo chamado "os remidos do Senhor"; eles haveriam de ir para um país deserto. Foram chamados, em muitas partes dos escritos das Escrituras, "o povo de Sião," e "a Sião dos últimos dias." O Senhor os chama por este nome especial no capítulo 51 de Isaías, e são estas as palavras usadas: "Porque o Senhor consolará Sião; consolará todos os seus lugares desertos, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do Senhor; regozijo e alegria se acharão nela, ação de graças, e voz de melodia."

Quando eu era menino, costumava frequentar assiduamente as reuniões que se realizavam pelas diferentes denominações no Estado de Nova Iorque, meu Estado natal. Ouvi frequentemente esta profecia de Isaías cantada, por aqueles que entoavam hinos de louvor ao Senhor, "O Senhor consolará Sião," etc., mas pouco eu sabia, em minha meninice ou juventude, o que significavam estas predições de Isaías. Parece que o povo de Sião há de ser ajuntado de todas as terras, de toda nação debaixo do céu, dos quatro pontos cardeais, e há de ser trazido para um lugar solitário, um deserto, e, quando chegarem a esse lugar solitário ou deserto, eles, a princípio, serão grandemente afligidos, gravemente angustiados, tanto que se verão na necessidade de clamar ao Senhor, e ele os livrará da sua angústia. "Não acharam cidade para habitar," diz Davi. Ora, este foi o caso dos Santos dos Últimos Dias, a quem o Senhor ordenou que se ajuntassem. Quando saímos através da grande planície desértica, onde não havia povoações, nem cidades, nem vilas, viajando centenas de milhas sem nenhuma trilha que nos guiasse, foi um "caminho solitário," tornado mais terrível pelas feras selvagens que vagueavam pelas planícies. Podíamos ouvir o uivar do lobo em seus lamentos; podíamos ouvir o mugir dos búfalos, mas o som da voz humana, de qualquer aldeia, ou vila, ou povoação, foi desconhecido por centenas de milhas.

Começamos esta jornada no ano de 1846, deixando o grande rio Mississippi no frio mês de fevereiro. Depois que parte de nós atravessou o rio em barcos, o rio congelou-se, e o resto da companhia atravessou em carroças sobre o gelo. Não tínhamos pastagem para sustentar as nossas parelhas. As nossas parelhas dependiam dos álamos-negros, das cascas das árvores, e de um pouco de milho que ocasionalmente podíamos obter enviando gente até as povoações, para o comprarmos com esse propósito. Andamos desgarrados pelo deserto "por caminho solitário," e, quando havíamos viajado uns mil e quatrocentos milhas, não achamos cidade para habitar, exatamente como o Salmista disse que seria o caso. Entramos neste vale no mês de julho de 1847, tendo sido detidos durante o inverno pelo envio de mais de 500 dos nossos, homens jovens e de meia-idade, para ajudarem os Estados Unidos em sua guerra contra o México. Isso nos deteve durante o inverno, de modo que não pudemos avançar mais do que até Council Bluffs, ou as regiões um pouco acima de Omaha, onde erguemos uma residência temporária. Na primavera seguinte, partimos, viajando pelas planícies "por caminho solitário," e entramos neste vale exatamente onde hoje se acha estabelecido o Fort Douglas, no planalto; chamamo-lo Cânion da Emigração. Descemos aqui a este terreno no mês de julho, e começamos a plantar algumas batatas. Era muito tarde para plantar milho, mas quisemos experimentar o solo para ver se havia nele alguma virtude. Encontramo-lo, porém, como um monte de cinzas. Parecia que não havia chovido sobre a terra durante anos. Podíamos cavar uma grande profundidade em muitos lugares, onde hoje se ergue esta cidade, sem encontrar quase nenhuma umidade, mas conseguimos, tirando água do riacho — a que chamamos Riacho da Cidade — inundando uma pequena porção de terreno, plantar as nossas batatas, e semear milho, alguns feijões, sementes de horta, etc., para ver se havia alguma virtude no solo. Quais foram os resultados da nossa primeira colheita? Descobrimos que havia fertilidade no solo; mas, é claro, era tarde demais para que qualquer coisa amadurecesse. No mesmo outono, o outono de 1847, vários milhares dos Santos dos Últimos Dias seguiram os nossos passos. Chegaram à terra no outono daquele ano, trazendo consigo um pouco de mantimentos para os sustentar durante o inverno, e também os nossos utensílios agrícolas, e tudo o que houvesse na forma de vestuário que pudessem trazer. Não tínhamos muito a trazer, pois já havíamos sido expulsos quatro ou cinco vezes nos Estados Unidos, de nossas casas e de nossas terras; muita da nossa roupa de cama foi queimada; os nossos armazéns foram derrubados, e os bens levados às ruas e destruídos. Portanto, não tínhamos muito a trazer conosco; mas viemos confiando em nosso Deus, e descobrimos que o Senhor realmente cumpriu a profecia de Isaías, e fez o deserto florescer como a rosa, fez o ermo florir como o Jardim do Éden — cumprindo literalmente o que as nossas denominações religiosas gentias cantavam aos meus ouvidos, quando eu era jovem. Cântico muito agradável para os que não o compreendiam, mas muito mais agradável para os que o compreendem e o estão cumprindo. Fizemos grandes cálculos ao traçar esta cidade. Não a traçamos com apenas uma milha quadrada, como se estivéssemos em dúvida se haveria habitantes para ocupá-la, nem com duas milhas quadradas, mas a traçamos cobrindo uma área de cerca de cinco milhas quadradas. Esperávamos que houvesse uma grande emigração. Sobre que fundávamos a nossa expectativa? Era sobre o nosso próprio juízo natural? Não; fundávamos a nossa expectativa naquilo que Deus tinha falado nas revelações modernas que nos dera como povo. Ele nos disse, por revelação, antes que o nosso profeta fosse martirizado, que teríamos de deixar os Estados Unidos: ir além das Montanhas Rochosas, e buscar o nosso lar no deserto, e que teríamos um grande povo a ajuntar-se conosco. Cremos em suas palavras; traçamos esta cidade de acordo com elas; e agora tudo o que resta a nós, ou a estranhos, fazer, quanto ao cumprimento destas expectativas, é percorrer desta cidade de uma ponta a outra, e ver se há muito terreno vago: ver se os lotes não estão bastante ocupados, e a cidade bastante repleta de habitantes. "E fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do Senhor; regozijo e alegria se acharão nela." No princípio, antes que viessem o regozijo e a alegria, cumpriu-se esta outra profecia: "Famintos e sedentos, a sua alma neles desfalecia," então clamaram ao Senhor em suas aflições, e o Senhor os ouviu, e os livrou da sua angústia. Não me é necessário enumerar todas as nossas privações, tais como a escassez de provisões, e quantos tiveram de viver das raízes que brotavam da terra; quantos tiveram de cozer os couros do gado que os havia transportado através das planícies; não é necessário entrar em todos estes pormenores. Não sei se é sequer necessário falarmos de uma grande prova da nossa fé, que tivemos depois de estarmos aqui já muitos meses. Plantamos as nossas colheitas na primavera, e elas nasceram, e pareciam boas, e nos animávamos com as esperanças de ter uma colheita bem abundante. Mas, ai! Logo pareceu que as nossas colheitas iam ser devoradas por uma vasta horda de grilos, que desceram destas montanhas — grilos bem diferentes daqueles que eu costumava conhecer no Estado de Nova Iorque. Eram grilos quase do tamanho do polegar de um homem. Vinham em imensos bandos, de modo que homens e mulheres, com vassouras, não conseguiam abrir caminho contra eles; mas clamamos ao Senhor em nossas aflições, e o Senhor nos ouviu, e enviou milhares e dezenas de milhares de uma pequena ave branca. Não tenho visto nenhuma delas ultimamente. Muitos as chamavam gaivotas, embora fossem diferentes das gaivotas marítimas que vivem na costa do Atlântico. E o que fizeram por nós? Puseram-se a trabalhar, e, aos milhares e dezenas de milhares, começaram a devorá-los; e ainda assim pensávamos que nem elas poderiam prevalecer contra um exército tão grande e poderoso. Mas notamos que, quando pareciam ter-se fartado destes grilos, iam vomitá-los, e de novo se punham a trabalhar e a se fartar, e assim continuaram a fazer, até que a terra ficou livre dos grilos, e as nossas colheitas foram salvas. Há aqueles que dirão que isto foi um dos cursos naturais dos acontecimentos, que não houve nisso milagre nenhum. Seja como for, nós o consideramos uma bênção da mão de Deus; milagre ou não, cremos que Deus teve mão nisso, e não importa particularmente se estranhos o creem ou não.

Não encontramos aqui cidade para habitar. Que fizemos? Pusemo-nos a trabalhar, e começamos a construir uma grande cidade. Isto também foi predito neste mesmo Salmo: "Ele converte os rios em um deserto, e as fontes, em terra sedenta, a terra frutífera em estéril, pela maldade dos que nela habitam. Converte o deserto em lagoa, e a terra seca, em fontes." Descobrimos que, quando começamos a irrigar a terra, e as chuvas começaram a descer dos céus, a terra começou a tomar um novo aspecto, e o solo seco tornou-se como manancial de águas. "E faz habitar ali os famintos, para que edifiquem cidade para habitação." Ora, quando os israelitas entraram em Canaã, acharam cidades já preparadas, mas nós tivemos de preparar a nossa própria cidade. "E semeiam os campos e plantam vinhas, que produzem fruto abundante. Também os abençoa, de modo que se multiplicam muito; e o seu gado não diminui." Ora, os Santos dos Últimos Dias que aqui têm estado, desde a chegada das primeiras companhias no ano de 1847, podem perceber quanto o Senhor tem multiplicado este povo. Estamos, por assim dizer, tomados de crianças. Se os estranhos tomarem a oportunidade de ir a algumas das nossas mais antigas cidades, e através das nossas várias povoações, encontrarão vastos números de crianças, talvez mais crianças em nosso país do que em qualquer outro país dos Estados Unidos, na mesma proporção de população. Isto está muito claramente dito aqui: "Também os abençoa, de modo que se multiplicam muito; e o seu gado não diminui." De novo, diz ele, no versículo 41: "Porém livra o necessitado da opressão, pondo-o em um lugar alto, e multiplica as famílias como rebanhos." Os que conhecem alguns dos nossos homens pobres, quando vão ver a família de um homem; pois isto está no singular — "multiplica as famílias como rebanhos" — quando vemos a família de um homem como um rebanho, podemos saber que o Senhor cumpriu esta profecia a respeito do ajuntamento dos Santos nos últimos dias. "Os retos o verão, e se alegrarão, e toda a iniquidade tapará a boca." A última parte da sentença ainda não se cumpriu, mas a primeira parte está cumprida; os retos já viram estas "famílias como rebanhos," e o povo grandemente multiplicado sobre a face da terra. "Quem é sábio observará essas coisas, e eles compreenderão as benignidades do Senhor." Isto é, são os filhos da luz. Podem ver que o Senhor nosso Deus está cumprindo aquilo que se propôs cumprir, quando chegasse o dia para o ajuntamento de seus Santos ter início. Podem ver que aquilo que ocorreu corresponde ao que foi predito. De novo, podem ver como os retos prosperam e florescem; como o seu gado aumenta, e como o Senhor fez deste ermo, deste deserto, deste país devastado, como o jardim do Éden.

Paulo, não tenho dúvida, viu esta dispensação da "plenitude dos tempos," ou nunca teria predito o grande ajuntamento que então se realizaria, a saber, "todas as coisas em Cristo" — notai esta expressão; não os que estão fora de Cristo, não os que não foram batizados em Cristo; mas "todas as coisas em Cristo; tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; nele mesmo."

Isto me faz lembrar fortemente a parábola do nosso Salvador a respeito deste grande ajuntamento dos últimos dias. No capítulo 24 de Mateus, ele fala de sua segunda vinda "nas nuvens do céu, com poder e grande glória," e de como o evangelho seria pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações, antes que ele viesse em sua glória. No capítulo seguinte, a fim de que os seus discípulos pudessem compreender plenamente as suas palavras, ele passa a explicar que, naquele período particular, o reino dos céus seria comparado a dez virgens; não o antigo reino que havia de ser edificado, quando ele viesse à terra em carne; aquele não foi comparado a dez virgens; mas, no tempo em que ele começasse a grande obra do ajuntamento, quando quer que o corpo principal do reino esteja ajuntado, dos quatro cantos da terra, preparatório à sua segunda vinda, então, naquele tempo, o reino dos céus seria comparado a dez virgens, que tomaram as suas lâmpadas e saíram — (significando que não permaneceram em suas terras natais) — ao encontro do Noivo. Foi um ajuntamento literal; e, depois de ajuntadas, levando consigo as suas lâmpadas, começaram a ficar com sono, e está escrito que "todas toscanejaram e dormiram." Foi tempo de dormir, tempo de sonolência; é chamado meia-noite; mas, quando tudo estava silencioso, e quando provavelmente o mundo lá fora não esperava nada de muito importante, estava descuidado e indiferente, ouviu-se uma voz no meio deste silêncio, dizendo: "Eis que vem o Noivo, saí-lhe ao encontro." Então todas aquelas virgens despertaram, tanto as prudentes como as loucas. As prudentes aprontaram as suas lâmpadas, e ainda tinham um pouco de azeite; mas as lâmpadas das loucas se haviam apagado, porque não havia azeite nelas. Parece que tinham sido tão descuidadas, que todo o Espírito de Deus — que se pode comparar ao azeite que dá claridade às lâmpadas — havia se retirado delas, e as suas lâmpadas não queriam arder. "Bem," disseram elas, "que faremos? Temos esperado o Noivo tanto quanto vós, que sois prudentes; cremos no evangelho, mas na verdade temos sido demasiado descuidadas; o espírito se retirou de nós; não há azeite em nossas lâmpadas; não nos podeis dar um pouco? Não nos vendereis um pouco?" "Ah, não," dizem as prudentes, "quase tememos não ter o suficiente sequer para nós mesmas; se precisais de algum, ide antes comprar daqueles que o quiserem vender." Assim, das que se ajuntaram, cinco eram loucas, e cinco eram prudentes. As prudentes entraram com o Noivo, e a porta se fechou antes que as loucas pudessem entrar. Mas depois chegaram e suplicaram que as deixassem entrar; e perguntou-se-lhes: "Quem sois vós?" "Temos estado aqui entre o vosso povo por muito tempo. Não expulsamos demônios em certa ocasião? Não estivemos em missões? Não curamos os enfermos e fizemos muitas obras maravilhosas em vosso nome?" Qual é a resposta? "Não vos conheço." Por quê? Porque apostataram; perderam o azeite de suas lâmpadas; não se prepararam para a vinda do Salvador. Portanto, foram amarradas, por assim dizer, de mãos e pés, e entregues ao mundo perverso, para sofrer o mesmo castigo daqueles que não receberam a verdade, e talvez ainda maior.

Há outra parábola a respeito desta dispensação de ajuntamento. Recordai-vos de que o Salvador, ao falar do fim do mundo perverso, numa parábola, o chama tempo de ceifa. Antes do tempo da ceifa, parecia haver um ajuntamento, e, aos poucos, depois deste ajuntamento, o joio foi arrancado do meio do trigo, e lançado em molhos, pronto para ser queimado; mas aqueles que não eram joio, aqueles que eram realmente trigo, foram os que se prepararam para entrar e participar da bênção do Senhor. Isto foi dito, não a respeito da dispensação anterior, mas daquela dispensação que precede imediatamente o fim do mundo.

Em outra parábola bem clara, a respeito do ajuntamento nos últimos dias, o reino dos céus é comparado — isto é, o reino que há de existir nos últimos dias — a uma rede que se lança ao mar, e ajunta de toda espécie, tanto boa como má. São trazidas até a praia, não deixadas em seu oceano ou suas águas nativas, mas trazidas até a praia. As más são lançadas fora, e as boas foram lançadas nos vasos. Ora, isto também se referia ao fim do mundo. Isto se referia à grande e última dispensação, quando os servos de Deus sairão, comissionados pelo Senhor dos Exércitos para ajuntar os seus Santos, aqueles que fizeram com ele um convênio por sacrifício, e, ao ajuntarem estes Santos de todas as terras da terra, e dos quatro cantos dela, ajuntarão também muitos que não são bons, que não resistirão à prova; mas os maus serão lançados fora, aqueles que não têm a vestimenta de núpcias, serão lançados fora, e amarrados de mãos e pés, por assim dizer, até que venha o fim, isto é, o juízo final, que será mais de mil anos depois do tempo da vinda do Salvador.

Este mesmo grande ajuntamento é também caracterizado por Daniel, como uma pedra cortada do monte sem mãos. Esta pedra é representada como um reino, e a sua localização é representada como um monte, mostrando que há de ser estabelecido um reino de Deus nos últimos dias, pelo ajuntamento de seu povo em uma região elevada de terreno, chamada monte. Aos poucos, aquela pedra rolará adiante, até que os reinos deste mundo sejam despedaçados, e, como disse o Profeta Daniel, o reino não será deixado a outro povo, mas subsistirá para sempre; todos aqueles outros reinos terrenos, que Nabucodonosor viu em seu sonho, hão de desvanecer-se, como uma visão noturna, ou, em outras palavras, tornar-se "como a moinha das eiras de verão; e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles." Há muitos políticos que tentam predizer o futuro. Falam do que será este governo, e aquele governo, e o outro governo, daqui a várias centenas de anos, ou talvez daqui a eras, como se pudessem ver e compreender, naturalmente, a condição dos vários governos e reinos da terra, por um longo tempo por vir; mas Daniel, que estava cheio do Espírito do Deus vivo, viu que todos estes governos terrenos — com cuja fundação Deus nada teve particularmente a ver, isto é, os seus fundadores não eram nem profetas nem reveladores, de modo a fundá-los sobre os princípios do evangelho eterno — haveriam de desvanecer-se, como a moinha da eira de verão. E sabeis como isso se desvanece, especialmente quando o vento sopra fortemente. Assim será com todos os governos, reinos, poderes, repúblicas e impérios sobre a face deste globo, exceto um governo, a saber, aquele governo que o Deus dos céus há de estabelecer nos últimos dias sobre as montanhas. Esta é a obra de Deus. É Deus que faz com que estes reinos se desvaneçam. É o nosso Deus que há de limpar a terra da maldade. "Um fogo se irá consumindo diante dele, e haverá grande tormenta ao redor dele." É ele quem falará, e os perversos se derreterão. É ele quem fará sair violentos redemoinhos, para destruir esta, aquela, ou outra cidade, segundo a sua própria vontade. É ele quem enviará pestilência e praga, e realizará tudo o que foi falado pela boca dos seus profetas, a respeito da destruição que há de ocorrer nos últimos dias.

Para provar ainda mais claramente a natureza desta grande obra de ajuntamento dos últimos dias, lede os escritos de João, o Revelador. Ele viu a introdução do evangelho nos últimos dias. Viu que "outro anjo" o traria. Viu que seria publicado a toda nação, tribo, língua e povo. Viu que, seguindo aquele anjo, viriam grandes e terríveis juízos. Viu que, depois que aquele anjo viesse com o evangelho, viria uma voz do céu, dizendo: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela." Esta voz do céu, esta nova revelação, prometida pela boca de João, o Revelador, e o som para todos é: "Saí dentre estas nações. Saí dos quatro cantos da terra. Saí da grande Babilônia, 'Mistério, a Grande Babilônia,' para que possais escapar da desolação e das pragas que em breve a hão de alcançar." Lede a respeito da vinda daquele anjo com o evangelho. Lede a declaração de que aquela seria a hora do juízo de Deus. Quando o evangelho é pregado, é a última mensagem à família humana, a última voz de aviso que ouvirão antes da vinda do Senhor. Se o receberem, fugirão das nações; se não o receberem, então sabei com certeza que chegou a hora do juízo de Deus, e o próprio Deus julgará o povo, conforme está escrito neste Salmo 50.

Mas não vos deteremos por mais tempo. Que o Senhor vos abençoe. Que ele derrame o seu Espírito sobre todos os fiéis dos Santos dos Últimos Dias, e, se houver alguns infiéis, contados entre o povo de Deus, que o Espírito do Senhor lute convosco, até que vos arrependais de vossa infidelidade, e vos torneis puros, retos, virtuosos e santos diante do Senhor, para que sejais dignos de receber o seu Espírito Santo. E, se houver algum estranho presente, esta tarde, que deseje conhecer a verdade, pedir-lhe-íamos que examinasse as sagradas Escrituras, invocasse o nome do Deus Altíssimo, e ele vos mostrará se estas Escrituras são verdadeiras ou não; ele vos revelará se enviou ou não o seu anjo desde os céus; ele vos dará um testemunho maior do que o testemunho dos homens, contanto que vos apresenteis humildemente diante dele, e o invoqueis com todo o vosso coração. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Ajuntamento dos Santos—Seus Sofrimentos—Antigas Predições Cumpridas—Os Grilos e Sua Destruição Miraculosa—Colheitas Salvas—Deserto Feito Frutífero—O Reino de Deus nas Montanhas—Seu Futuro Destino—A Vinda do Senhor”, (1880-06-20). Pulpit Vault, 1880-06-pratt-the-gathering-of-the-saints. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).