Pulpit

Missão dos Estados do Sul

John Morgan

1880-05-23

Alegro-me em ter, uma vez mais, o privilégio de reunir-me com os Santos dos Últimos Dias, e confio que, ao procurar dirigir-me a vós, terei interesse em vossa fé e em vossas orações, para que o que eu disser esteja de acordo com a mente e a vontade de nosso Pai nos céus, e para nosso mútuo bem e benefício.

Para um élder que retorna do trabalho missionário, o privilégio de reunir-se com as assembleias dos Santos em suas reuniões do dia de Sábado é algo muito estimado. Sentimo-nos alegres pelo privilégio de retornar a estes vales pacíficos das montanhas, e de escutar a voz dos servos de Deus ensinando os princípios do reino de Deus, e explicando a mente e a vontade de nosso Pai e Deus comum nos céus. Muitas vezes tenho pensado e meditado a respeito deste privilégio quando longe de casa, viajando no meio de estranhos, que, quando aqui, mal apreciamos e percebemos o valor disto. E, sem dúvida, isto é verdade em relação a muitos dos grandes e gloriosos princípios do Evangelho. Precisamos ver o oposto, entrar em contato com o oposto; temos de provar o amargo antes de podermos apreciar o doce; temos de ver e experimentar a condição em que o mundo se encontra hoje, para apreciar a situação em que se acham os Santos dos Últimos Dias.

Durante o ano passado, desde que tive o privilégio de me reunir convosco aqui pela última vez, estive ocupado em pregar os princípios do Evangelho nos Estados Unidos, mais particularmente nos Estados do Sul. Nossos trabalhos ali têm sido, em maior ou menor grau, coroados de êxito. O Senhor tem aberto nosso caminho. Fomos capacitados a alcançar muitos dos honestos de coração, e os princípios do Evangelho foram espalhados pela pregação dos élderes, e pela distribuição de livros e panfletos, até que muitos milhares de pessoas naquela região do país hoje estão se familiarizando com os princípios do Evangelho, que, há doze meses, embora possivelmente cientes de que havia um povo como os Santos dos Últimos Dias nos vales das montanhas, ignoravam as doutrinas que professavam crer. Acho que, nos últimos doze meses, uma mudança considerável ocorreu nos sentimentos e na mentalidade do povo nos Estados do Sul, em relação aos princípios que promulgamos. Formo meu juízo a esse respeito por suas ações, e diz-se que elas falam mais alto que as palavras. Cerca de doze meses atrás, um espírito de perseguição e de linchamento era predominante em grande parte do Sul, provocado, em grande medida, por artigos incendiários nos jornais, que nos deturpavam a nós e a nossos objetivos, e pelas denúncias lançadas do púlpito e de quase todas as direções, o que resultou em espancamentos de vários dos élderes, e na expulsão de suas casas de considerável número de famílias que haviam abraçado o Evangelho em sua terra natal. Num caso particular, um ramo inteiro da Igreja foi expulso de suas casas, perdeu suas propriedades e seus meios, e foi forçado a depender da generosidade dos Santos dos Últimos Dias já reunidos nos vales das montanhas aqui, para poder emigrar a onde pudessem viver em paz e segurança. Este tipo de oposição era muito violento, muito desagradável de enfrentar, muito desagradável de lidar, mas, pela bênção de Deus e pela perseverança dos élderes, os obstáculos foram superados, nossa obra foi levada adiante, e muitos homens e mulheres de bom senso e honrados, embora não concordando conosco em sentido religioso, saíram e se recusaram a apoiar a ação de homens que usavam violência, manifestaram-se na imprensa, em conversas particulares, em discurso público, e declararam que, embora os Santos dos Últimos Dias pudessem estar errados, o rumo que se tomava era sem dúvida errado, que, seja qual fosse a natureza e o caráter de suas doutrinas, a violência de turba, a perseguição e o processo ilegal e não autorizado não eram meio próprio de superar a dificuldade. Até os editores de muitos dos jornais do Sul reconheceram que o rumo que se seguia era muitíssimo imprudente, e teria a tendência de trazer dezenas de conversos às doutrinas "mórmons", onde antes havia um só, o que se provou verdadeiro, pois nossos trabalhos continuamente aumentaram e cresceram, nosso número foi acrescido, e o espírito de emigração para reunir-se onde pudessem ser protegidos em sua crença religiosa cresceu mais forte dia a dia, até que quase não precisamos mais pregar, nos Estados do Sul, o princípio da reunião, tão ansioso está o povo por escapar de seu meio.

Os élderes que trabalharam na Missão dos Estados do Sul têm, quase sem exceção, provado ser dignos da confiança que lhes foi depositada. Procuraram cumprir os deveres que sobre eles recaíam, como homens e como servos de Deus, não contando privação, calúnia, exposição, desprezo como coisa alguma em comparação com a grande obra em que estavam empenhados.

O povo do Sul é, por natureza, uma classe de povo bondoso, hospitaleiro, nobre, com os instintos mais delicados da natureza mais plenamente desenvolvidos do que possivelmente entre outras classes de pessoas. Reconhecem os trabalhos de nossos élderes, e, embora possam não concordar com nossos pontos de vista, contudo nos dão crédito pela determinação com que avançamos, e pela seriedade e zelo demonstrados por nossos jovens élderes ao pregar os princípios do Evangelho. Especialmente digno de nota foi isto em conexão com os muitos jovens élderes que nunca antes haviam saído em missão — jovens homens que haviam sido chamados das várias associações de melhoramentos mútuos, sem instrução quanto à condição do mundo, sem conhecimento de seus costumes, maneiras e hábitos — especialmente sobre esta classe se fez uma profunda impressão na mente do povo. Aquele sentimento de bondade, que é característico do povo ali, parecia voltar-se para aqueles rapazes, rapazes imberbes como eram, ao se levantarem em seus lugares, onde podiam obter uma igreja ou uma casa de escola para pregar, e, onde não podiam obter um lugar, ao ar livre, à beira da estrada, ou onde quer que encontrassem um homem disposto a parar e ouvi-los proclamar as coisas que haviam sido enviados a declarar. Isto causou profunda impressão na mente do povo, e, em vários casos, embora os sentimentos violentos de alguns homens se erguessem contra eles, houve os que disseram: "Temos nossos próprios rapazes, e, se nossos rapazes estivessem no lugar destes, separados de seus lares e de seus parentes por milhares de milhas, e houvesse quem procurasse fazer-lhes violência, sentiríamo-nos levados a abençoar a mão que os protegesse." E, em geral, houve uma divisão, e os dois partidos contendores foram deixados a resolver a luta da melhor forma que pudessem.

A Missão dos Estados do Sul está, no presente, dividida em conferências, com um presidente sobre cada conferência, e élderes itinerantes em pontos designados, trabalhando nos distritos. Contudo, com tudo o que podemos fazer, há localidades nos Estados do Sul, hoje, que estão a pedir élderes há bastante tempo, e que ainda não conseguimos suprir, por deficiência em nosso número. Descubro, ao entrar em contato com o povo dos Estados Unidos, que, não obstante a nação conte quarenta milhões de pessoas — uma multidão quase inumerável, comparada aos Santos dos Últimos Dias que habitam estes distantes vales das montanhas — contudo, se uma companhia de oito, dez, doze ou quinze élderes acontecer de passar por qualquer das grandes cidades, a caminho de seus campos de trabalho, são visitados por repórteres, são entrevistados, e a entrevista é publicada por toda parte, causando considerável agitação a respeito desta pequena companhia de élderes a caminho de seus campos de trabalho; de fato, dois élderes, indo a uma localidade onde o povo desconhece os ensinamentos dos Santos dos Últimos Dias, e se anunciando como élderes mórmons, criarão uma sensação realmente mais genuína do que quase qualquer outro incidente que possa acontecer, e é, sem dúvida, bom que alguns de nós, que somos possivelmente um pouco mais zelosos do que sábios, sejamos contidos em nossa ansiedade de impelir a obra adiante. Há, contudo, abundância de espaço para élderes trabalharem por todos os Estados do Sul. Quase nunca pregamos num lugar onde não pudéssemos obter uma audiência. Quase nunca visitamos uma vizinhança — não me recordo de nenhuma agora — nos Estados do Sul, onde eu desejasse uma audiência, mas que não pudesse obter tanto um lugar para pregar quanto um bom número de ouvintes para escutar o que eu tinha a dizer.

Muitos dos homens líderes dos Estados do Sul, tendo visitado Salt Lake City e sido tratados com bondade por nosso povo — tendo observado a prosperidade, a iniciativa e a paz de nossos lares — estenderam-nos muitas bondades e muitas cortesias, não obstante ser, para a massa do povo, coisa bastante impopular fazê-lo. O Governador de um dos principais Estados do Sul ofereceu o uso da Câmara do Senado — o salão de representação de seu Estado — para pregarmos, se estivesse eu disposto a usá-lo, estendendo-me qualquer cortesia que eu desejasse. Seus principais jornais noticiavam livremente nossas reuniões e publicaram milhares de panfletos para serem distribuídos entre o povo, recusando qualquer compensação. Muitos destes incidentes que me vêm à mente, a respeito da cortesia e da bondade do povo a quem temos pregado o Evangelho, aquecem nosso coração como élderes de Israel, e sentimo-nos levados a fazer-lhes bem, a abençoá-los, e a beneficiá-los quanto pudermos.

Durante o ano passado, pouco mais de 400 Santos foram reunidos da Missão dos Estados do Sul. A maior parte destes emigrou para o vizinho Estado do Colorado, no Vale de San Luis, 250 milhas ao sul e um pouco a oeste de Denver, onde os Santos encontraram um bom vale, terra, madeira, água e pastagem excelentes, e tudo o que é necessário para lhes permitir estabelecer e fundar um povoado. Tive o privilégio de visitá-los em seus lares várias vezes, e, embora tenham sofrido as privações que são incidentais à formação de um novo povoado em qualquer lugar, contudo têm sido abençoados e prosperados. O povo do Estado do Colorado tem, via de regra, tratado-os com bondade, dado-lhes as boas-vindas em suas fronteiras, procurado beneficiá-los, e assistido-os na formação de seus povoados, tanto quanto puderam. A ferrovia, que esteve em processo de construção nos últimos dois anos, corre pelo centro do vale, a três ou cinco milhas de nossa linha de povoamento, de modo que temos fácil comunicação ferroviária. Nossas tarifas para emigração são extremamente baixas. As companhias ferroviárias nos estenderam muitas cortesias e bondades, e procuraram fazer o que podiam — sendo aparentemente movidas pelo Espírito correto — para permitir-nos reunir aqueles que não podiam reunir-se por si mesmos, e assistir aqueles que tinham pouca capacidade de reunir-se. Na localização do povoado no Estado do Colorado, há agora, creio, 500 Santos dos Últimos Dias vindos dos Estados do Sul, número que possivelmente será aumentado em mais 300 nesta temporada, se for julgado prudente fazê-lo. Na primeira cidade que se estabeleceu, todos os lotes já foram tomados. Outra localidade de dimensões semelhantes está sendo ocupada, enquanto ainda outra será ocupada dentro de poucos meses, a alguma distância das duas primeiras.

A saúde dos Santos não tem sido tão boa quanto se poderia desejar, principalmente por causa do fato de que, ao emigrarem dos Estados do Sul — uma região malárica — para estas grandes e secas altitudes, as mudanças assim impostas sobre eles eram calculadas para produzir doença em maior ou menor grau. O flagelo do sarampo passou pelo povoado no mês de abril; cerca de 160 casos. Nossos vizinhos, numa cidade ferroviária próxima, onde havia número aproximadamente igual de habitantes ao nosso, com todos os recursos de médicos e farmácias, perderam percentual bastante grande de seus casos de doença. Na cidade de Alamosa, a uns vinte milhas de distância de nosso povoado, onde havia número quase igual de casos, houve percentual bastante grande de mortes. Em cerca de 165 a 170 casos ocorridos em nosso povoado, penso que houve apenas três ou quatro mortes por sarampo. Quando conversava com o Prefeito de Alamosa, ele chamou minha atenção para a disparidade de mortes naquela cidade, em comparação com as que haviam ocorrido em nosso povoado, e perguntou-me se eu achava a localização da cidade de Alamosa insalubre. Respondi que não pensava assim, que era tão salubre quanto nosso povoado. Ele me perguntou a que atribuía o número de mortes. Respondi que cria que fossem atribuíveis ao número de farmácias e médicos que ali havia, que essa era a causa, como eu sinceramente acreditava, em maior ou menor grau, da disparidade no número de mortes. Com cerca de 500 habitantes em nosso povoado, com número considerável de casos, alguns muito graves, jamais se chamou um médico para prescrever uma única receita a qualquer destas pessoas, e tenho ideia de que, se as observássemos hoje, achá-las-íamos igualmente saudáveis quanto as da cidade vizinha, onde há vários médicos com duas farmácias de onde tirar seus suprimentos.

O povo dos povoados está satisfeito com sua localização. Ouvi muito pouca queixa, e as queixas que ouvi foram, penso, quase inteiramente devidas ao incômodo incidental à emigração, ao romper de seus lares, à disposição de sua propriedade, a percorrer distâncias por ferrovia, chegando a seu destino fatigados, a não estarem tão cuidadosamente alojados e protegidos por tempo limitado após sua chegada, e à sua falta de conhecimento do país. Creio, contudo, que, dos 500 emigrados, apenas quatro se afastaram da obra e retornaram a seus lares anteriores. Não ouvi nenhuma expressão de desejo de retornar da parte de ninguém enquanto ali estive. Desejando testar isto ao retornar aos Estados, fiz publicamente a oferta de que, se houvesse alguma pessoa que desejasse retornar a seus lares antigos, deixar de lado os princípios do Evangelho e renunciar à reunião, eu os veria e os acompanharia de volta, e, se houvesse alguém incapaz de voltar com seus próprios meios, seria levantado um fundo para o propósito, se assim desejado. Não recebi solicitação alguma; por isso fui levado a crer que o povo, via de regra, estava satisfeito com sua situação e circunstâncias.

Adjacente a nosso povoado há grande número de mexicanos que vivem em "praças", como as chamam, capazes de acomodar de dez a cinquenta famílias numa praça. Estas pessoas têm tido uma história bastante desagradável e acidentada no Território do Novo México e no Estado do Colorado. Têm sido vistas, até certo ponto, como presa legal e lícita pelos cristãos ao redor, que, em maior ou menor grau, se aproveitaram de sua inocência e de sua ignorância a respeito das regras dos negócios. Para ilustrar isto, um homem, um comerciante com quem negociamos, homem que sempre considerei em todos os sentidos digno de confiança, fez-me esta declaração. Falando do povo mexicano, disse ele: "Não podemos negociar com eles como fazemos com outros povos. Foram enganados e ludibriados até chegarem aqui perguntando quantas libras de açúcar damos por um dólar. Não ousaríamos dizer-lhes o número exato de libras. Se são seis, temos de lhes dizer dez." "Bem", disse eu, "pesais as dez libras?" "Nem um pouco; pesamos-lhes seis, ou cinco e meia, conforme o caso." Tal é o caráter dos negócios com que o povo mexicano teve de lidar, até que, hoje, não têm confiança alguma no povo branco que os cerca, e é algo quase desconhecido em sua história, é algo estranho para eles verem-se numa posição em que fossem tratados honrosa e retamente pelo povo branco. Disse-me um de seus principais cidadãos, o Sr. Valdez, que fora anteriormente Juiz no antigo México, cidadão de destaque no Estado do Colorado, Representante na Assembleia Legislativa, e homem de considerável capacidade — disse-me ele: "O povo branco com quem temos entrado em contato até agora procurou tirar toda vantagem de nós, e, quando vosso povo chegou aqui, esperávamos que nos tratassem do mesmo modo. Na temporada passada, poderíamos ter-vos fornecido terra para arar, parelhas e semente; mas temíamos que repetísseis a história de outras partes de nossas posses, onde fornecemos semente, terra, parelhas e arados, e alugamos estas coisas por partilha a pessoas que vieram para nosso meio, e, chegada a estação do outono, não apenas reclamaram a terra e as colheitas, mas nossas parelhas e arados, e não conseguimos obter reparação alguma; por consequência, tínhamos medo de vosso povo." Mas, depois de curto tempo de convivência conosco, depois de entrarem em contato conosco por tempo limitado, aprenderam a pensar melhor de nós, e, por seus votos, elegeram um de nossos irmãos magistrado sobre considerável parte do condado de Conejos, em que viviam. Este irmão me disse que fora magistrado por oito meses, ganhara a confiança do povo, até que, hoje, pessoas fora do distrito em que vive trazem-lhe seus casos para arbitrar e julgar, e o povo, quase universalmente, está disposto a submeter-se a suas decisões. Há um sentimento de bondade entre eles e os Santos dos Últimos Dias. São, por natureza, povo bondoso. Notei que, quando nosso povo vivia em suas praças, como alguns fizeram por uma temporada, quando algum deles adoecia, os mexicanos estavam prontos para cuidá-los e fazer o que podiam por seu conforto. Os Santos alegram-se com o privilégio de reunir-se onde possam viver em paz e tranquilidade, e receber a instrução dos élderes, e ter seus filhos ensinados. Creio que a primeira coisa que fizeram, na primeira cidade que começaram, foi construir uma escola confortável, e, durante o inverno passado, tiveram escola em sessão o inverno inteiro, esperando que, tão logo as circunstâncias permitissem, uma escola de verão fosse iniciada. Uma Escola Dominical está em sessão regularmente todo Sábado, e cerca de seis missionários locais visitam a região vizinha onde se encontram os Santos dos Últimos Dias, e instruem os mexicanos que desejam ouvir os princípios do Evangelho.

Ao trabalhar nos Estados, podemos ver que está ocorrendo uma mudança rápida. Pode não ser observável pela massa do povo. Contudo, esta mudança pode ser vista à direita e à esquerda. Ouvimos homens comentarem a respeito da mudança que está ocorrendo política, religiosa e socialmente. Não podemos cegar nossos olhos ao fato de que os assuntos nos Estados Unidos caminham a ritmo acelerado. Às vezes ouvimos um élder, ao voltar de sua missão, perguntar a um dos irmãos: "Como vão as coisas?" Sua resposta é: "muito devagar." Ele não vê com os olhos do élder que está no estrangeiro pregando o Evangelho. A meu ver, as sementes da dissolução foram lançadas no meio do povo, e estão brotando em abundante crescimento. Os homens estão cumprindo as Escrituras — "seus corações desfalecem de terror ante as coisas que sobrevêm sobre eles". O povo dos Estados Unidos está em dúvida quanto ao que lhe está reservado para o governo. Ouvimos expressões bastante altas a cada hora do dia, por homens de todas as classes — governadores, senadores, congressistas e clérigos. Penso que um dos sermões mais eloquentes — eloquente pelo som de suas palavras, não particularmente pelo princípio que continha, mas mais particularmente por seu som de palavras — que já ouvi, foi um em que o ministro retratou a condição dos Estados Unidos, a temível condição em que o governo hoje se achava, a condição em que se achavam os assuntos políticos, e, por estranho que possa parecer, depois de dizer ao povo que não havia partido político nos Estados Unidos que receberia Jesus de Nazaré. Depois de dizer ao povo de St. Louis (a cidade em que este sermão foi pregado) que, se Jesus viesse a um de seus bairros e concorresse a Vereador, o derrotariam por larga maioria — depois de dizer-lhes todas estas coisas, começou então, por outro lado, a retratar a gloriosa expansão do Cristianismo! Soou estranho a meus ouvidos, pois uma coisa era contradição direta da outra; se uma era verdadeira, a outra era falsa. Certamente o Cristianismo não poderia crescer e aumentar e espalhar-se e enraizar-se na mente do povo, e, ao mesmo tempo, aquele que estava à cabeça do Cristianismo ser rejeitado da cabeça aos pés de todo o corpo.

A situação, a meu ver, como a tenho observado — e tenho procurado fazê-lo com calma e deliberação, e sem preconceito — é tudo, menos agradável. Os homens cessaram de tentar ocultar isto; e a presente contenda política, travada tão acirradamente, mesmo para a indicação do homem que ocupará a cadeira presidencial, está agitando o povo como nunca vi uma eleição agitá-lo antes. Parece que não estão contentes em dividir-se em partidos, mas estes partidos se dividem em fragmentos, um contendendo contra o outro. Poucos anos atrás, era o partido Democrata de um lado e o partido Republicano do outro. Hoje mudou e se alterou materialmente dentro do próprio partido Republicano. São os homens contra o terceiro mandato, os homens de Blaine, os homens de Sherman, etc., lutando uns contra os outros dentro do próprio partido, até parecer que se projeta a sombra do tempo em que a mão de cada homem se erguerá contra seu vizinho. Certamente estes são indícios disso — e vemos o cumprimento da profecia nestas coisas. É relato muito desagradável de fazer, o da situação de seu país. Não somos alheios a nossa espécie. Amamos e reverenciamos e respeitamos a constituição de nosso país comum. Temos amor pela velha bandeira que sobre ele tremula, e é com sentimentos de mortificação, desgosto e dor que temos de relatar de volta aos Santos aqui nos vales das montanhas a temível condição em que hoje se acham os assuntos. Um incidente me vem à mente, em conexão com um assunto em que os Santos dos Últimos Dias estão interessados. Durante o julgamento dos homens — ou de um deles ao menos — que assassinaram o Élder Joseph Standing, fiquei espantado e surpreso ao escutar o testemunho das testemunhas. A corte começava sua sessão às oito horas e ia até meio-dia, e então suspendia por uma hora e ia até o cair da noite, e, ao anoitecer, ouvíamos os sinos badalarem do outro lado da rua, chamando o povo a uma reunião de avivamento. Notei que aqueles homens que haviam estado no banco das testemunhas passavam para a reunião, e, por duas semanas, o avivamento se manteve, chamando homens e mulheres a Jesus depois de escurecer, e, de dia, entravam naquele tribunal e testemunhavam coisas que sabiam ser inteiramente falsas, e que sabiam que as pessoas na sala do tribunal estavam convencidas de serem falsas. A coisa era motivo de conversa e riso nas ruas de Dalton. Pareceu-me estranho, e, depois de vários dias de experiência, perguntei ao Procurador-Geral, homem que eu considerava homem honrado, homem que procurava cumprir seu dever naquele julgamento o melhor que podia — perguntei: "quantos homens há que subiram a este banco em quem podeis confiar para testemunhar a verdade?" Sua resposta foi: "Se consigo um em dez, estou indo muito bem." Achei aquilo um comentário estranho, de fato, sobre esta terra tão gabada de liberdade, de escolas livres, igrejas, bibliotecas, associações de conferências, e, contudo, nos apresentarmos diante do mundo como governo representativo, modelo para todos os outros governos copiarem, para toda a civilização seguir, e para todos os cristãos se formarem. Parece-me estranho, e dificilmente teria acreditado, se meus próprios ouvidos não o tivessem escutado e meus próprios olhos não o tivessem contemplado.

O sentimento e o pensamento da melhor classe de gente no Sul, e posso dizer o povo dos Estados Unidos, são a favor de deixar os Santos dos Últimos Dias em paz, de deixá-los resolver seu próprio problema, e, não fosse a influência religiosa que se exerce, haveria pouco a dizer em relação à obra que os Santos dos Últimos Dias estão realizando. Mas esta influência religiosa não mudou em nada. A mesma influência que combateu e contendeu contra os Santos dos Últimos Dias no Estado do Missouri, e que os expulsou aos vales das montanhas; a mesma influência que clamou, há quase 2.000 anos, "crucifica-o, crucifica-o", ainda está pela terra, e penso que o pior tratamento que já recebi das mãos de qualquer classe de homens veio daqueles que podem orar as orações mais longas, pregar os sermões mais altos, e usar o rosto mais comprido, e que professam estar voltando ao seio de Abraão. Esta classe de homens sempre contendeu contra os élderes. Procuraram trazer perseguição sobre eles, e caluniá-los por todo lado, e, se temos dificuldades, são, em maior ou menor grau, causadas por aqueles que professam crer nesta Bíblia, e que pregam: "glória a Deus nas alturas, e paz na terra, boa vontade para os homens." Mas isto, talvez, seja apenas a história a se repetir. Não obstante as dificuldades e obstáculos que os élderes tiveram de enfrentar nesta e noutras direções, têm sido abençoados e prosperados. Alegram-se com o privilégio de sair a proclamar os princípios do Evangelho, de trazer Israel ao conhecimento da verdade, e de reunir os honestos de coração para casa, para que Sião possa ser edificada e o reino de Deus estabelecido sobre a terra. Os élderes se alegram com este privilégio. Nossos jovens élderes, que saem para o estrangeiro com temor e tremor a respeito de sua própria capacidade, estão dispostos a passar por todo tipo de dificuldade, dispostos a suportar tudo e qualquer coisa, para que possam ser instrumentos nas mãos de Deus, proclamando os princípios do Evangelho. Ouvi muito poucas queixas dos élderes. É verdade que, às vezes, não estão situados tão agradavelmente quanto desejariam, mas ouvi bem poucas queixas. Expressam grande surpresa com a situação dos assuntos no estrangeiro. Dizem: "ora, não sonhávamos que as coisas estivessem tão más quanto estão. Não sonhávamos que o mundo fosse tão corrupto quanto é, tanto política, quanto religiosa e socialmente." Pareciam surpresos, ao caminhar pelas ruas da religiosa St. Louis — cujos editores, sabeis, escrevem longas homilias em forma de editoriais a respeito da terrível situação dos assuntos em Utah — ao ver, num domingo, bem perto de onde estes artigos são publicados, tavernas abertas, homens e mulheres bebendo, e negócios funcionando como se fosse qualquer outro dia da semana. "Ora", dizem estes jovens élderes, "ao ler estes artigos lá em Utah, fomos levados a crer que estes lugares aqui eram realmente religiosos. Mas achamos que não é o caso. Achamos que deixam sua caridade fazer cabriolas sobre suas próprias faltas, e, em vez de olhar para os assuntos de Utah, fariam melhor em cuidar dos seus." Estas coisas parecem estranhas aos jovens élderes quando entram em contato pela primeira vez com o mundo. Falando com um dos oficiais do Estado do Colorado, disse ele: "confiamos em que vosso povo se assimilará a nosso povo, que adotarão nossos hábitos e costumes, e se tornarão um conosco." Disse-lhe que não desejávamos fazer nenhuma promessa precipitada a esse respeito, pois, disse eu, "não gostaríamos de ter tavernas na esquina de cada quarteirão." Não gostaríamos de ter todo tipo de má conduta em nosso meio, e certamente, aqui nesta cidade de Denver, não gostaríamos de copiar a moral desta, ou de vossa cidade vizinha, Leadville.

Algumas pessoas parecem ter a ideia de que os Santos dos Últimos Dias reunidos aqui nos vales das montanhas são amostras de tudo o que é errado, tudo o que é iníquo, e às vezes tenho ficado surpreso com a situação em que fomos colocados. Numa vizinhança em que paramos por uma noite, e tivemos alguma conversa com o pessoal a respeito das condições sociais que os cercavam, uma pessoa sancta, no dia seguinte, recusou-nos o privilégio de nos reunirmos numa escola de tronco, por medo de que corrompêssemos a moral do povo! Noutro caso, grande número de pessoas se reunira numa capela para ouvir um dos élderes pregar. Quando terminou de pregar, pediu a um cavalheiro que fora induzido a subir à tribuna que dissesse ao povo o que pensava da doutrina que fora exposta. Ele o fez muito relutantemente, mais ou menos nestas palavras: "Escutei com grande atenção meu jovem amigo. Creio que é honesto. Creio que procurou dizer a verdade, e, de fato, disse-vos a verdade. Leu das Escrituras;" mas, nesse ponto, recuou (evidentemente percebendo que fora longe demais para agradar a seus amigos) e concluiu, dizendo: "mas, meus caros, moribundos amigos, não creio uma palavra disso." Não obstante ter acabado de dizer ao povo que o jovem lhes dissera a verdade, e que pregara segundo a Bíblia. Soou estranho, mesmo a seu próprio povo. Contudo, há uma classe de pessoas que, quando chegamos aos fatos reais do caso, não crê, não crê realmente na Bíblia, por mais que finjam crer. Creem em certas partes dela, e descreem de outras partes. Este espírito de descrença está crescendo na mente do povo, até que, hoje, nos Estados Unidos, há milhares de pessoas que abertamente repudiam sua crença na Bíblia. Ingersoll, e vários homens deste tipo, que dão palestras por todos os Estados Unidos, tomam como temas os erros encontrados nos livros de Moisés, e de outro modo ridicularizam a palavra da Escritura. Por este meio, estão minando a fé e a crença do povo na Bíblia, e criando incrédulos aos milhares. Encontramo-los nas ferrovias, ouvimo-los da tribuna de palestras, achamo-los entre todas as classes de pessoas, advogados, médicos, etc., e, como disse a um deles, cidadão de destaque de St. Louis, com quem viajei alguns dias, posso compreender a oposição à pregação e à oração da parte daqueles que não creem neste livro, mas tem sabor de hipocrisia vinda daqueles que professam crer nos ensinamentos de Jesus e de seus apóstolos.

Bem, estas são algumas das reflexões que passam por nossa mente, como élderes, ao pregarmos o Evangelho. Oramos para que a bênção do Deus de Israel repouse sobre sua obra, e sobre os élderes que estão no estrangeiro pregando o Evangelho, para que também eles tenham permissão de voltar em paz, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJohn Morgan, “Missão dos Estados do Sul”, (1880-05-23). Pulpit Vault, 1880-05-morgan-southern-states-mission. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).